Viajar de trem na China é uma quintessência da organização e eficiência do país. Faz o Ocidente empalidecer em comparação, com seus trens lentos e que tantas vezes sofrem atrasos ou cancelamentos — isso quando há trens.

No Brasil, trajetos de mais de 1.000 Km (como Rio de Janeiro – Salvador ou Porto Alegre – São Paulo) você é obrigado a fazer de avião se não quiser encarar 20-30h de ônibus, como já se fazia no século passado. Nenhuma evolução.
Já na China, essa mesma distância (Pequim – Xangai) você cobre confortavelmente em pouco mais de 4h num trem de alta velocidade que alcança 350 Km/h. É outra realidade.
Como se costuma comentar, a China é governada por engenheiros. Tanto Xi Jinping quanto o presidente anterior, Hu Jintao, e muito da liderança são mesmo formados em engenharia, e a integração da nação de modo eficiente e relativamente barato sempre foi uma prioridade.
Não me cabe aqui fazer proselitismo (geo)político. Cabe-me apenas reconhecer a realidade objetiva de que a China tem hoje, de longe, a mais extensa malha ferroviária de alta velocidade do planeta, e quase tudo isso foi construído no espaço dos últimos 25 anos, do ano 2000 para cá.
Ziguezaguear pela China em trem de alta velocidade é uma experiência fundamental a quem quer sair das metrópoles e conhecer o interior do país, mas como são na prática os trens chineses? Quais os tipos, e como reservá-los? Aqui vai este meu compiladão a partir das minhas experiências no país.

Como são os trens chineses?
Tipos, velocidade e estrutura geral
Nem todo trem na China é de alta velocidade, mas você dificilmente se envolverá com aqueles que não são.
Se no Japão, como também na Europa, os trens convencionais ainda são úteis para levá-lo a zonas metropolitanas ou cidades menores, aqui na China não é bem esse o caso. Via de regra, praticamente tudo tem cobertura em trem de alta velocidade. E quando é perto demais para isso, usa-se o metrô.
Isso é resultado de o desenvolvimento da China ter sido recente e rápido. Pulou-se de trem nenhum já direto para os trens de alta velocidade.
Dentre eles, entretanto, há diversos tipos. As linhas de trem chinesas têm uma letra inicial seguida de números, letra essa que indica sua categoria. G, D e C são trens de alta velocidade, enquanto que Z, T e K são trens convencionais, às vezes daqueles noturnos onde você viaja deitado.

Ao contrário dos trens japoneses ou indianos, na China eles não têm nome próprio. Vai mesmo só pelo código, como G25, D143, e assim vai.
Os D chegam a 250 Km/h, e os G são os que alcançam 350 Km/h. Via de regra, sempre que possível, escolha um trem da categoria G, pois são superiores — mais rápidos e confortáveis.




As amenidades
🚅 Conforto a bordo
Como mostrado aí acima, os chineses copiaram o padrão 3×2 dos trens japoneses, com mesinhas (estilo avião) detrás do assento da frente. Os assentos são um pouquinho apertados. Há espaço amplo para as pernas, mas o espaço entre um assento e outro não é muito largo. Você vai quase acotovelando o vizinho.
Na primeira classe, você tem mais espaço, num arranjo de assentos mais largos em 2 x 2. Às vezes, o preço compensa. Varia bastante — não é como passagem de avião, em que a primeira classe é sempre muito mais cara.
Na primeira classe, você também ganha um lanchinho de cortesia (que não vale lá grande coisa), mas sobre comes e bebes a bordo nós trataremos daqui a pouco.
Outra observação sobre conforto de modo geral é que a temperatura ambiente costuma ser digna — não é de frigorífico, como tantas vezes ocorre em ônibus no Brasil ou em trem na Índia, em que a pessoa precisa carregar um casaco em pleno verão por causa do ar condicionado. Aqui, é suficiente só o suficiente para quebrar o calor, e fica uns 25 graus do lado de dentro.


🚅 Lugar para acomodar as bagagens?
Há espaço razoável para as bagagens acima do assento, como nos trens japoneses ou nos melhores trens europeus. Cabem mochilões e bagagens de mão sem problema. Já malões você deve alojar nos espaços destinados a eles no fim de cada vagão.
Uma curiosidade é que os comissários têm uma notável obsessão por bagagens com alças, fivelas ou tiras pendentes para fora do espaço lá dedicado a elas acima dos assentos. Passam a todo momento olhando se não tem nenhuma com uma tira para fora, por mais inofensivo que seja, e pondo tudo pra cima. É curioso.
Se você puser sacolas no gancho de pendurar os casacos, eles também mandarão tirar. São atentos.


🚅 Banheiros?
Sim, há, e são bons. Os trens chineses costumam ter dos dois tipos: aquele com vaso sanitário, à moca ocidental, e aquele tradicional asiático sem vaso, que as pessoas usam de pé ou de cócoras. Você aí escolhe.
Há papel higiênico, não se preocupe. (Mas sempre bom ter também consigo de reserva.)
Às vezes, há até daqueles banheiros acessíveis a quem é cadeirante, semelhante aos que se veem em alguns trens europeus, com um botão que você aperta para fazer deslizar uma porta arredondada.
Como nos trens japoneses, há pias, mas nem sempre há sabão para você lavar as mãos (vai entender). Porém, via de regra, há. Só não estranhe demais se não encontrar.


🚅 Comes e bebes a bordo?
Se nos trens japoneses — de outra maneira tão semelhantes — não há absolutamente nada ingerível a bordo e você precisa trazer o que quiser de fora consigo, os trens chineses aqui às vezes esbanjam. Nunca vi tanta oferta.
Não cheguei a ver vagão restaurante como nos longos trens de outrora, com mesa e cardápio, mas há, sim, na maioria dos trens um quiosquezinho vendendo comidas rápidas, lanches e bebidas, e ademais é comum que as funcionárias passem no corredor vendendo deles de tempos em tempos.
Se por um lado a comida asiática industrializada está aqui em peso, e você os vê em grande número a se servir de água fervente (obtida gratuitamente de dispensários que há em quase todo vagão) para tomar sopa de macarrão instantâneo com glutamato e sabores artificiais, por outro a China foi o único lugar onde vi as comissárias passarem vendendo frutas.
Você escolhe, elas vão lá, lavam, e trazem-nas de volta prontas para você comer.






Resumo da ópera: fome e sede você não passa nos trens chineses, mas se quiser algo mais específico ou elaborado (como um sanduíche de rede ocidental ou uma refeição que não seja pré-pronta), compre na estação. Os chineses — e asiáticos de modo geral — têm muito forte esta cultura de comer fora, então as estações ferroviárias aqui sempre abundam em opções. Daqui a pouco falaremos mais sobre elas.
E o café?, pergunta-me aquele companheiro de vício. Café costuma haver na maioria trens (não exatamente todos), só que a preços europeus — e às vezes num estilo bem ocidentalizado.
Muitos trens chineses têm parceria com a Starbucks para servir do seu cardápio. Novamente, você pode tanto pedir do assento quanto ir lá pessoalmente na lanchonete. Se fizer questão do café bem quente, minha sugestão é ir buscar.
(Quem quiser que deixe de observar o quanto as economias da China e dos EUA estão imbricadas. A China é, de longe, o maior mercado estrangeiro para muitas das marcas estadunidenses. O Starbucks, para ficar só num exemplo, tem o dobro de cafeterias na China do que toda a América Latina e a Europa juntas. Não que eu sinta falta, pois o café que eu passo em casa é melhor que o do Starbucks, mas é só para se ter uma ideia.)


🚅 Tomadas e Wi-Fi a bordo?
Wi-fi na China vocês a esta altura já devem saber que é bolacha quebrada, pois com a censura ele não serve para muita coisa além de navegar no Microsoft Bing. Existe, mas requer identificação etc. e tal, e a verdade é que eu nunca me dei ao trabalho de tentar me conectar.
Via de regra, na China, o ideal é ter consigo o seu chip virtual instalado antes da viagem para ter acesso irrestrito à internet pelos seus dados móveis. Eu tratei mais disso aqui.
Já tomadas eu vi, às vezes uma para cada duas pessoas. A localização varia, mas costumam ser debaixo do assento, às vezes sob uma tampa.
Acerca do tipo, na China tanto se usa a tomada de dois pinos redondos (tipo C como na União Europeia) quanto às vezes a tomada de dois pinos afilados (tipo A como nos Estados Unidos e no Japão). É bom vir preparado com adaptador, caso precise.

Preços e como reservar as passagens de trem online
Os preços são dignos
Os trens de alta velocidade na China não são uma pechincha, mas tampouco são custosos como os trens japoneses — comparáveis a passagens de avião e às vezes até mais caros. Os chineses têm preços razoáveis. Passagens domésticas de avião na China não são necessariamente baratas (o que pode surpreender alguns, e tema para outra postagem), mas os bilhetes de trem são sempre competitivos.
Pequim → Xian, por exemplo, sai por cerca de ¥575 (€72 ou R$ 445) para uma viagem de 4h de pouco cobrindo 1.200Km (!). É, praticamente, o preço que sai uma passagem de ônibus para cobrir toda essa distância no Brasil, só que viajando com conforto e muito menos tempo.
Preços fixos
Os preços não flutuam como passagem de avião ou trens de alta velocidade na Europa, que você precisa comprar com semanas ou meses de antecedência para achar barato. Aliás, na China, as passagens de trem só abrem para venda efetivamente 14 dias antes.
Uma vez fixados pela administração ferroviária chinesa, eles já não mudam mais. Não há essa coisa de assentos a preços promocionais, o que há é o risco de o trem lotar e só restarem disponíveis os assentos na primeira classe.
⇒ O ideal é comprar pelo menos uns dias antes ou tão logo abram as vendas.

🎫 Onde e como comprar?
A China tem uma agência pública nacional que coordena as reservas de trem chamada 12306. O nome numerado se deve ao fato de ser o tradicional número de telefone que as pessoas usavam (e algumas ainda usam) para fazer reservas antes da internet. O apelido pegou, e o site assim como o aplicativo oficial deles levam esse número.
Só que não é uma interface bem-feita. A tradução ao inglês é parca, e há quem reporte dificuldades em pagar com cartões estrangeiros. O mais simples, de longe, é usar uma das agências revendedoras. A mais famosa dela talvez seja a China Highlights, que é um site de turismo. Entretanto, como tantas outras agências, há uma conversão para dólares e outras coisas que agregam ao preço.
Minha preferência é usar o Trip.com, sobretudo o aplicativo, um dos aplicativos muito úteis numa viagem à China. A interface é em inglês, com preços em yuan (CNY), e a taxa administrativa que eles aplicam sobre o preço da passagem é pequena — fará zero diferença na sua vida.
O aplicativo é uma mão na roda. É plenamente possível pagar com cartões de crédito estrangeiros, e se quiser, com ele você pode até reservar passagens com mais de 14 dias de antecedência. Quando as vendas abrem, eles compram e emitem sua passagem.

Essa lista de espera é algo a que você pode ter que recorrer em períodos de férias, por exemplo, quando há muita procura. Já passei por isso.
Minha recomendação é que, sempre que possível, não pendure a sua viagem numa lista de espera — compre a passagem num trem alternativo num outro horário, ou viaje de primeira classe ou como der. Lembre-se de que a China é um país populoso, e as listas de espera podem ser enormes. Às vezes, dá samba, mas nem sempre.

A dinâmica nas estações de trem e nos trens na China
Viajando sem tickets
É tudo muito simples, como dizia o meu professor de anatomia na universidade. Ninguém verificará a sua passagem a bordo — os condutores passarão meramente verificando se os assentos que são para estar ocupados estão de fato ocupados.
Eles têm a listinha de passageiros e passam olhando, e só. Só irão abordá-lo se você se sentar noutro assento que não o seu designado. É como já se faz também em outros países desenvolvidos, como na Suécia ou no Japão.
(Como eles sabem quem é quem? Não sabem. Se você trocar de lugar com seu primo, ninguém vai notar — mas se de repente tem um ocidental sentado onde era para ser Fenghuei Liu, e uma chinesa onde era para ser Ricardo Maciel da Rocha, é possível que peçam para ver o documento).

Os trâmites na estação
Nas estações de trem, entretanto, há um controle rigoroso de acesso, semelhante a aeroportos. Procure sempre chegar à estação 1h antes da partida do trem (ou mais que isso, se você for do tipo ansioso).
Há sempre uma segurança e duas checagens de passaporte na estação: uma para entrar na área geral de passageiros e outra no portão de embarque. Lembra mesmo mais um aeroporto que as livres atrações de trem da Europa.
Junto com a primeira checagem de passaporte, para adentrar a estação, você passa as bagagens todas (inclusive sacolas de mão) numa esteira daquelas e caminha por um detector de metais, igual em aeroporto, só que aqui não é preciso esvaziar os bolsos nem ficar pondo chave e celular para passar na máquina.
Provavelmente alguém o apalpará do outro lado, mas nada demais. É jogo rápido. Às vezes, quando veem garrafa de líquido, eles põem numa máquina ou apontam uma varinha mágica pra ver o que é. No meu caso, sempre foi água e nunca deu nada. No muito, me pediram um par de vezes que tomasse um gole para ver se era água mesmo (!).
O que eles grilam muito é com isqueiro e líquido inflamável. Em muitíssimos lugares, é proibido entrar com isqueiro, e você vê as pilhas de isqueiros na lata de lixo na fila. Não há limitação de outros líquidos. Tampouco invocaram com tesoura minha na bagagem, mas se você for do tipo que anda com canivete suíço, eu não sei.


Uma vez que esteja dentro, é preciso procurar nos paineis qual será o portão de embarque do seu trem — como num aeroporto. Coisa de 30 minutos antes, você já verá as pessoas formando várias filas.
Os anúncios sonoros variam — não fique confiado muito neles. Em algumas estações, como em Pequim, há em mandarim e em inglês. Já outras onde estrangeiros andam menos, por exemplo Chengdu, há anúncios só em mandarim.
De toda forma, o aplicativo Trip (se você comprou a passagem nele) indicará desde logo qual será o portão (certifique-se de atualizar, pois às vezes muda, como em aeroporto), e há também os telões com informação. No portão, você verá lá o número do seu trem em boas letras latinas e algarismos arábicos.
Ao portão de embarque, você verá que se formarão várias filas paralelas. Os chineses passam por catracas automáticas, com leitura da carteira de identidade chinesa e reconhecimento facial, mas como estrangeiro você precisa usar o Canal Manual (Manual Channel), em que há uma pessoa manualmente verificando o seu passaporte. Via de regra, esta fila especial fica num dos extremos, à direita ou à esquerda.


Uma vez na plataforma, via de regra não sobra tempo para ficar de bobeira — o trem normalmente já está ali, e é só seguir caminho até o seu vagão assinalado e entrar.
Graças ao bom Deus (e às autoridades chinesas), é proibido fumar em todo o trem, mas você verá que aqui nas plataformas as pessoas fumam.
Tipicamente, não é nenhum acaba-mundo de gente, ao contrário das imagens hiper-povoadas que a mídia ocidental gosta de circular da China. A coisa geralmente se dá de modo bastante ordeiro e mais organizado que em muita estação ocidental — para nem falar em estação de metrô no Brasil (ou em Paris).
Dito isso, é preciso estar preparado para andar em massa caso você viaje aqui em época festiva, mas ainda assim, não costuma haver empurra-empurra.



Sempre há uma verificação de identidade também na saída da estação. Novamente, haverá catracas automáticas para os chineses e pelo menos uma sempre com alguém que pode verificar o seu passaporte manualmente.
Por fim, se você estiver em conexão — o que é incomum, mas pode ocorrer a depender do seu itinerário — note que você costuma poder desembarcar na plataforma e dali ir direto para a próxima área de embarque, como num aeroporto, em lugar de ir para a rua e ter que entrar de novo. Sonde.
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No todo, viajar de trem na China é uma experiência bastante confortável, previsível e organizada. Nenhum trem que eu tomei na China jamais atrasou. É impressionante.
Eu espero que este guia ajude. Havendo quaisquer dúvidas ou algo que eu não abordei aqui, é só perguntar abaixo nos comentários.







Meu jovem, que espetáculo, que elegância, que design, que beleza e que performance! Uma maravilha, um exemplo de que, quando há decisão e planejamento a coisa sai e bem.
Quem dera tivéssemos por cá uns desses, e mais deles no mundo inteiro…
Com certeza as cidades estariam mais organizadas, menos poluídas, menos congestionadas, os deslocamentos mais rápidos e ordenados, os citadinos mais à vontade, com mais espaços públicos para usufruir, e para os pedestres, e menos expoliados financeiramente.
Tudo isso de que carecem as cidades modernas, planejadas para transporte rodoviário, com todas as suas mazelas, sobejamente conhecidas.
Seria uma bênção, um banho de benefícios para o povo em geral e assim para todos.
Necessitamos com urgência de bons, rápidos, eficientes e acessíveis transportes de massa assim como esses, que cubram com rapidez e segurança grandes e pequenas distancias , diminuindo o tempo de deslocamento, desafogando o transito e despoluindo as cidades, que deixarão se serem projetadas para rodas, carros e rodovias, e voltarão a ser para os pedestres e suas necessidades e interesses, longe da situação caótica em que se encontram hoje, sobretudo as grandes cidades. Um horror!…
Que venham os trens elétricos de alta velocidade!…
Com certeza é o futuro do transporte de massa!…
Que o exemplo seja seguido por todos, sobretudo no Ocidente e nas grandes e populosas cidades.
Parabéns aos projetistas, muito elegantes e confortáveis as unidades, aos implantadores do sistema, aos que mantem o projeto em ação e vigiam a eficiência e a eficácia do modelo. Muito bom.
Com certeza, longe de postura politico-ideológica!… e sim com olhos de bem estar futuro para as cidades e para o público em geral.E, claro, para a natureza, cansada dos combustíveis fósseis e seus senões, sobejamente conhecidos.
As cidades precisam voltar a ser dos citadinos, com espaços públicos e de lazer, para que cumpram a sua função de espaço alegre e fraterno de reunião, de comemoração , de encontros que unem e elevam a alma e o coração , estreitando os laços afetivos e diminuindo a violência hoje tão comum e indesejada.
Quem sabe pode ser um caminho diferente que humanize mais e melhore as pessoas?
Não custa tentar.
E parabéns, meu jovem, por se dispor a nos mostrar tanta coisa interessante, bela e produtiva mundo afora… e rica em detalhes esclarecedores par quem quiser , como o jovem viajante, se aventurar a conhecer esse lindo mundão de Deus…
Adorei… hahaha
Vou lá. Hahahahaha.
Boa tarde,Mairon.Como sempre estou acompanhando o seu blog fiquei muito interessado em fazer essa viagem para a China em 05/2027 .A reserva de hotéis pode ser feita em sites como booking aqui no Brasil com cancelamento grátis e pagamento ao chegar no hotel?Saindo de São Paulo o que seria melhor conexão no Oriente Médio ou Europa?Muito obrigado pelos seus relatos ,você faz um trabalho ,que ouso dizer ,talvez só agências ou guias de turismo tem capacidade de fazer e cobrando caro rsrsrs.Um grande abraço!
Muito obrigado, Flavio! Gentileza sua. E que alegria saber que está cogitando uma viagem à China. É preciso dizer que, por ora, o programa de isenção de vistos da China para brasileiros (e mais uma pá de nacionalidades) termina dia 31 de dezembro de 2026, mas ele já foi estendido antes, e eu ousaria dizer que é bem provável que o estendam novamente (só fique ligado daqui a uns meses pra saber se vai precisar pedir visto ou não).
A reserva de hoteis pode ser perfeitamente feita por sites como o Booking com cancelamento grátis etc., e às vezes até pagas no cartão de crédito (no caso de hoteis maiores), o que é raro na China. Hoteis menores te cobrarão em AliPay ou WeChat, ou em espécie (que na China é ilegal recusar).
Inclusive, há cada vez mais hoteis e pousadas chinesas nessas plataformas. Você só vai precisar redobrar a atenção na hora de achar os endereços em alguns casos, pois por vezes os nomes fantasia que eles usam para os ocidentais em inglês são diferentes dos nomes comerciais em chinês. Às veses você procura nos aplicativos de mapa que funcionam na China (como o Maps.me ou o Mapas da Apple) e lá o nome é diferente do que está no Booking. Vale sempre a pena ler os comentários de hóspedes anteriores para saber se é o caso. Não é sempre, mas ocorre. Vale ficar esperto.
Acerca da rota, eu diria que tanto faz pegar conexão na Europa ou no Oriente Médio — pode se deixar ditar pelo preço e qualidade da empresa. Se voar pela Europa, só evite países muito ao norte (como Alemanha) com aerolinha europeia, pois como elas não podem sobrevoar o espaço aéreo da Rússia, os voos acabam sendo excessivamente longos. Se for pela Europa, eu tentaria talvez Barcelona, Madrid ou Roma. a China Eastern, por exemplo, tem voos novos Barcelona – Xangai que às vezes têm preços competitivos.
Se a situação de guerra no Oriente Médio tiver melhorado, talvez voar por lá seja até mais sossegado. Acrescento que já voei tanto pela Air China quanto pela China Eastern assim intercontinental, e elas funcionam muito bem — caso você precise considerá-las. Não têm o charme nem o conforto de uma Emirates, Etihad ou Qatar Airways, mas resolvem bem.
Sucesso com o planejamento! Qualquer outra dúvida, estamos aí. Grande abraço!
Muito obrigado,Mairon!