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Tajiquistão: As Montanhas Fann e o Lago de Alexandre (Iskanderkul)

Você sabia que o conquistador macedônio Alexandre, o Grande (356-323 a.C.), aparece no Alcorão, livro sagrado islâmico? Embora este tenha sido escrito apenas no século VII — segundo a crença islâmica, tomando-se nota das narrativas divinamente inspiradas do profeta Maomé —, há contos muito mais antigos, como no caso da Bíblia cristã.  Uma dessas histórias é a de Zul-Qarnain (18: 83-94), ou "o de dois chifres". Vossas cristandades já devem estar achando que é alguma referência ao capeta, tanto que nos infundiram com essa associação de chifres e o tinhoso, mas se refere aos dois chifres de carneiro que eram um

Conhecendo o Tajiquistão: A cultura, o povo e sua capital Dushanbe

Bem vindos ao Tajiquistão, um dos países menos conhecidos e menos visitados do mundo. É o país mais precário dentre todas as ex-repúblicas soviéticas, e o 4º mais pobre de toda a Ásia (mais rico apenas que Afeganistão, Iêmen e Nepal). Depois de muito circular pela Ásia Central visitando países de línguas túrquicas (Cazaquistão, Quirguistão, e Uzbequistão), eu chegava agora à única ex-república soviética que fala persa. Como eu venho dizendo, estes "stão" podem todos nos soar muito parecidos, mas eles são diferentes entre si. O nome “Tajik” tem a mesma origem persa da palavra Taj (em Taj Mahal), que quer dizer

Uzbequistão: Lugares, dicas de viagem, e o que visitar

O Uzbequistão é o destino “Rota da Seda” por excelência, e é extremamente fotogênico. Aqui estão todas as principais cidades históricas dessa rota na Ásia Central. Você pode hoje percorrer como turista o que incontáveis mercadores fizeram ao longo da História. Se alguns dos vizinhos, como Quirguistão e Tajiquistão, atraem turismo mais por suas belezas naturais, o Uzbequistão é um destino principalmente urbano. Histórico, estético, arquitetônico, de cidadezinhas bonitas e charmosas. Abaixo eu faço primeiro um balanço geral da minha estadia de pouco mais de uma semana no país, para em seguida compartilhar várias dicas e recomendações a quem cogita vir aqui.

Epílogo: Perrengues de trem e avião no Uzbequistão

A melancia enrolada em plástico figurava bonita no carrinho de aeroporto. Ao meu lado, a mulher uzbeque de lenço florido e dente dourado olhava transtornada. Estávamos todos preocupados. Este post de encerramento das minhas viagens pelo Uzbequistão é pura experiência pessoal. Após uma semana visitando as lindas cidades da Rota da Seda no país — Tashkent, Samarcanda, Bukhara e Khiva — chegada era a hora de eu deixar o país, mas não foi tão fácil quanto eu imaginava. Já digo que nada teve a ver com imigração (que foi tranquila), mas com transporte. Na estação de trens de Khiva, uma TV ligada

Trens no Uzbequistão: Como são e como comprar passagens online

Viajar de trem é essencial para conhecer o Uzbequistão e suas clássicas cidades da Rota da Seda (Tashkent — Samarcanda — Bukhara — Khiva). Por sorte, o país tem investido bastante e melhorado rapidamente sua malha ferroviária. É um bom sistema, mas que ainda tem seus "poréns" para os quais você precisa se preparar. Nos posts anteriores eu relatei minha passagem pelas quatro cidades acima com alguns comentários breves sobre as viagens em trem, então resolvi fazer algo mais sistemático a quem planeja vir aqui. Vamos por partes. Primeiro mostrarei como são os trens e suas diferenças de qualidade, antes de

Khiva, Uzbequistão: Seda, escravos e algarismos entre os minaretes e madraças azuis

Bem vindos a Khiva, a menor das clássicas cidades históricas da Rota da Seda aqui no Uzbequistão. (Eles leem o Kh com som de R aspirado, então soa como se fosse Riva em português.) Com seu belo e largo minarete azul, ela há tempos encanta visitantes. O especial daqui em relação às demais cidades é que Khiva permanece murada, seu centro histórico todo por entre as seculares muralhas de pedra. Isso faz parecer que você entrou numa caravana mágica, num video game ou num cenário de filme, e veio parar aqui. Todo o centro histórico é reconhecido pela UNESCO como Patrimônio

Bukhara, Uzbequistão: Monumentos e legado dos persas samânidas

Após conhecer a capital uzbeque (Tashkent) e também Samarcanda, eu vim de trem até outra das antigas cidades da Rota da Seda no Uzbequistão: Bukhara. É onde se encontram dos principais legados dos antigos persas que viviam aqui antes do ano 1000. Acompanhem-me nesta aventura. Hoje o Uzbequistão e a Ásia Central são dominados por povos túrquicos, mas nem sempre foi assim. Antes de todo aquele pega-pra-capar-e-glória de Tamerlão que descrevi no post anterior em Samarcanda, havia outras civilizações aqui. Por milênios, estas foram terras de gentes iranianas (persas), falantes de línguas indo-europeias, até a migração dos ancestrais dos uzbeques, cazaques,

Samarcanda (Samarkand), Uzbequistão: Joia da Rota da Seda

Há muito, muito tempo, havia uma magnífica cidade do povo de Sogdiana aqui na Ásia Central. Eram uma outra gente iraniana, prima dos persas, e que prestava tributos a esses desde que Ciro, o Grande (601-530 a.C.), rei dos persas antigos veio cá. (Ciro morreria aqui perto, às margens do Rio Jaxartes em 530 a.C.). Duzentos anos depois, Alexandre, o também Grande (356-323 a.C.), traria seus exércitos à tal cidade que eles, falantes de grego, reconheceram como Makaranda. Não acertaram a falar direito o nome com que a chamavam os sogdianos: Samarcanda (Samar-kand, "cidade de pedra"). Essa cidade continua de

Conhecendo Tashkent, a capital do Uzbequistão e maior cidade da Ásia Central

Bem vindos ao Uzbequistão, a terra de Aladim. Oi? Como assim? É isso mesmo. Alguém já reparou que, na história de Aladim, a sua mítica cidade de Agrabah fica "na China"? Como não há nada realmente da China na história, as pessoas passam batidas pela menção. Mas é que "China" era como os árabes e outros islâmicos na Idade Média se referiam a estas terras muçulmanas da Ásia Central, da Rota da Seda às fronteiras com a China. Tais fábulas perpassavam todas as terras islâmicas do Oriente Médio e da Ásia Central. Não se sabe ao certo quando o conto de Aladim

Uzbequistão: Visto para brasileiros (ou portugueses) e a experiência da imigração

Como o Uzbequistão está se tornando uma "bola da vez" no turismo mundial, resolvi fazer este post introdutório dedicado exclusivamente à questão do visto, à minha experiência imigratória, e às dicas para a chegada no aeroporto. MUITO mudou recentemente. A maioria do que está na internet de antes de 2019 já está defasado em relação a esse tipo de informação, então vale a pena tomar nota. Eu leio até hoje no TripAdvisor, na WikiTravel e na WikiVoyage relatos de pessoas se empurrando na fila do controle de passaporte, formulários de imigração, etc. etc. Isso pode muito bem ter sido a

Quirguistão: Dicas de viagem, aonde ir, e o que fazer

O Quirguistão, apelidado de Suíça da Ásia, é o principal destino da Ásia Central em termos de trilhas, montanhas, lagos e natureza. Os jovens europeus têm vindo aqui cada vez mais, assim como turistas de outras partes do mundo.  Abaixo, o balanço da minha breve visita aqui, com algumas dicas e sugestões a quem cogita vir. O que mais gostou. Que os quirguizes sejam tão descolados, de bom humor, comunicativos, abertos. Lembram os mongóis e os cazaques. Visita obrigatória. O Parque Nacional Ala Archa, fácil passeio bate-e-volta de um dia a partir da capital Bishkek. O que não gostou. Os preços

Issyk-Kul: Lago e montanhas no interior do Quirguistão

O lago Issyk-Kul é a atração mais badalada do Quirguistão. Não somente entre turistas, mas entre os quirguizes também. São 180 Km de comprimento e 60 Km de largura. O lago é imenso, e funciona como uma riviera para os quentes dias de verão. Os quirguizes sobem pra cá (pois o lago é elevado, a 1.600m de altitude) nos fins de semana como os brasileiros descem para o litoral. Como ele é levemente salgado, o lago é tipo uma praia. (Cof cof). Pela salinidade, a água nunca congela no inverno, daí o nome Issyk-Kul, "lago quente" nas línguas túrquicas. Esse lago

A milenar Torre Burana (Quirguistão) e uma brevíssima História da Ásia Central

Não é todo dia que você se depara com um monumento de antes do ano 1000. Mesmo no Velho Mundo, fora dos principais centros urbanos da Antiguidade como Egito, Grécia e Irã (Pérsia), isso não é coisa corriqueira. Na Ásia Central, o Uzbequistão e as coisas da antiga Rota da Seda têm caído nas graças dos turistas, mas a maioria é dos idos de 1400-1600 d.C. (Chegaremos lá.) Antes disso, estas estepes asiáticas já eram cavalgadas por turcos e mongóis há muitos séculos. Como os mongóis devastaram muita coisa nas campanhas militares de Gêngis Khan e seus sucessores durante o século

A Garganta do Ala Archa (Ala Archa Gorge) nas montanhas do Quirguistão

A Garganta do Ala Archa (Ala Archa Gorge em inglês) é a atração mais visitada pelos turistas estrangeiros no Quirguistão. Estamos numa área de esplêndida beleza natural, entre as montanhas próximas à capital Bishkek, a meros 40min de carro. Antes que pensem alguma estranheza sobre a garganta "desse tal Ala Archa", trata-se de um rio com esse nome que passa fino num vale entre as montanhas. Eis então porque "garganta". É possível pernoitar no Parque Nacional Ala Archa, mas também dá uma excelente trilha bate-e-volta de um dia na natureza. Abaixo o roteiro, os custos, e minha experiência. É perfeitamente possível fazer um

O Quirguistão, “a Suíça da Ásia”, e sua capital Bishkek

O Quirguistão é por vezes apelidado de "a Suíça da Ásia Central", por suas montanhas, lagos e picos nevados que se veem desde as cidades. É um lugar cada vez mais procurado por trilheiros europeus e outros turistas. Visto livre para brasileiros. PRÓLOGO: A IMIGRAÇÃO Desembarquei numa manhã de sol no Aeroporto Internacional de Manas, na capital quirguiz Bishkek. Como não há tubos, você caminha pela pista do aeroporto até entrar no saguão de chegadas. Ao contrário do que dizem sites pela internet (inclusive alguns oficiais), brasileiros NÃO precisam de visto para visitar o Quirguistão por até 60 dias como turistas. Ouvi

Visitando o Cazaquistão: Dicas de viagem, aonde ir, e o que fazer

O Cazaquistão, nono maior país do mundo, mistura natureza e a herança histórica dos cazaques que combina influências túrquicas, mongóis e russas. Desde que liberou o visto para brasileiros em 2016, tem sido um destino crescentemente procurado.  Abaixo é um balanço breve da minha visita recente ao país, seguido de dicas e considerações gerais a quem pretende vir aqui. O que mais gostou. Conhecer melhor os cazaques. Gente tranquila, simpática, e relativamente aberta. Visita obrigatória. Almaty (Alma-Ata), a maior cidade do país e capital até 1997. O que não gostou. Os passeios são um pouco caros, e o trem veloz Talgo

Conhecendo Nursultan (ex Astana), a capital do Cazaquistão

O Cazaquistão pode ainda nos evocar um lugar remoto, mas ele está passando a ser um dos centros do mundo, conectando a China à Rússia e à Europa. É a "nova Rota da Seda", como dizem, capitaneada pelos chineses para desenvolver infraestrutura através da Ásia. Nursultan (até 2019 chamada de Astana) é a Brasília da Ásia Central. Fizeram-na em 1997 para ser a nova capital do Cazaquistão, levantada no meio das estepes. Almaty (Alma-Ata), sua capital histórica, tem tradição e porte econômico, mas não estava bem localizada para ser o centro da nação que recobrava sua independência em 1991 após o

Trens no Cazaquistão: Como são, como comprar online, e minha experiência

O Cazaquistão é o 9º país mais vasto do mundo, maior que as regiões Nordeste e Sudeste do Brasil juntas. Deslocar-se é preciso, e a maneira mais interessante aqui é fazê-lo de trem. Uma das boas heranças da União Soviética nesta parte do mundo é um funcional — e barato — sistema de transporte ferroviário.  A rota mais praticada pelos turistas de longe é Almaty-Nursultan (ex Astana), as duas principais cidades cazaques. Almaty, a capital econômica e principal cidade; Nursultan, a capital política, a "Brasília das estepes", construída aqui em 1997 por motivos geoestratégicos. Você lê mais sobre as cidades nos seus

O Grande Lago de Almaty (Big Almaty Lake) nas montanhas Tian Shan, Cazaquistão

Um dos meus interesses em vir ao Cazaquistão era ver de perto das Tian Shan, esta cadeia de montanhas de mais de 7.000m praticamente desconhecida do Ocidente. Não fosse geologicamente considerada parte dos Himalaias, ela própria seria a segunda mais elevada cordilheira do mundo. Seu nome significa "Montanhas Celestiais", e desde tempos imemoriais elas são a fronteira quase mítica que a China encontrou nas suas expedições para oeste — seus limites no encontro com as civilizações aqui da Ásia Central. Essas montanhas hoje são a fronteira política do Cazaquistão com a China, assim como daquele com o Quirguistão logo ao sul,

Almaty (Alma-Ata), “pai das maçãs”, a maior cidade do Cazaquistão

Alma-Ata, literalmente "Pai das Maçãs", é a região de origem desse fruto. Hoje a cidade se chama Almaty, foi capital até 1997, mas continua como coração econômico da maior das ex-repúblicas soviéticas afora a Rússia. Bem vindos à Ásia Central. PRÓLOGO: VINDO CONHECER A ÁSIA CENTRAL Sem fila ao portão de embarque — no bom e velho bolo — e por debaixo de chuva até o avião embarcamos em Riga rumo a Almaty, no Cazaquistão. No avião, turistas europeus com caras óbvias de turistas, casais de várias idades. Entre vários russos de cara fechada, passavam muitos cazaques de cara asiática desfilando seus

Brugge (ou Bruges), Bélgica: Uma das cidades mais românticas e charmosas da Europa

Brugge é das poucas cidades europeias que se atrevem a desafiar Paris e Veneza como destino romântico. Uma das cidades mais charmosas da Bélgica e da Europa, ela tem um charme singelo, de porte pequeno, despretensioso, e talvez também por isso tão atraente. É que Brugge tem quase um ar de amor escondido, aquele jeito estar quietinho aqui enquanto o mundo lá fora se desenrola. Estamos no norte da Bélgica na região de Flandres, que fala flamengo, língua que é praticamente um holandês com sotaque belga. Bruges, a outra grafia, é como a chamam os valões, da Valônia, a metade sul

Halle (Saale): A cidade do compositor Handel na Alemanha

Você aí provavelmente conhece as obras de Händel [lê-se "Rendel"] sem talvez saber que são dele. Fãs de música clássica ou barroca o conhecem. Aos demais, vale saber que George Frideric Händel (1685-1759) é um dos maiores compositores clássicos europeus do século das luzes (o XVIII) e autor de uma das mais famosas melodias da Ave Maria. Nasceu alemão, morreu inglês. Nesta viagem eu vim conhecer aquela que é não apenas a sua cidade natal, mas também uma bela paragem a 1h de Berlim. Halle an der Saale, hoje conhecida como Halle (Saale) e nomeada assim por estar às margens do

Colônia, Alemanha: A catedral, o carnaval e a água

É difícil fazer a imensa catedral de Colônia caber nas fotos. Há quem brinque que, para visitar Colônia, na Alemanha, você nem precisa descer do trem: basta espiar a imensa catedral pela janela e pronto, já viu o que tinha para ser visto. Claro que há certo exagero nisso. Estamos na quarta maior cidade alemã: Köln, como eles germanizaram ao longo dos séculos do bom e velho latim original dos seus fundadores romanos: Colonia. O significado do nome é exatamente esse, embora seja uma abreviação de Colonia Claudia Ara Agrippinensis. Olha que nome lindo para você colocar na sua filha? (Foi também

A bela e medieval Büdingen, a “Cidade dos Sapos” na Alemanha

Bem vindos à medieval Büdingen, no coração da Alemanha, a pouco tempo de Frankfurt. Esta é uma cidade de apenas 22 mil habitantes que até os próprios alemães pouco conhecem. Quando a conhecem, é quase sempre pela fama secular de A Cidade dos Sapos. Há uma razão antiga por trás disso. Com suas casas em enxaimel (half-timbered houses, aquelas estruturas de madeira que você vê abaixo nas fotos), Büdingen está aqui desde pelo menos o ano 847. A maioria das muralhas e torres datam do fim do século XV, quando o senhor local decidiu proteger-se melhor após uma guerra. A cidade

Luneburgo, linda cidadezinha no norte da Alemanha

Luneburgo (Lüneburg) é uma dessas muitas pérolas de cidadezinhas históricas que há na Alemanha, a maioria delas desconhecidas dos turistas. Ela fica a 30 min de trem de Hamburgo, no norte do país, e assim como essa metrópole alemã era parte da famosa Liga Hanseática noutros tempos. Só que enquanto Hamburgo cresceu e se tornou cidade grande, Luneburgo permaneceu reservada. Hoje é uma pitoresca cidade estudantil que abriga a boa Universidade Leuphana. Luneburgo dá um ótimo bate-e-volta a partir de Hamburgo para conhecer o mimoso convento beneditino do século XII, ver a formosa arquitetura tradicional da cidade, comer uns bolos alemães,

Conhecendo Hamburgo, a metrópole portuária da Alemanha

Bem vindos a Hamburgo, a segunda maior cidade da Alemanha (depois da capital Berlim). Ainda assim, é uma metrópole relativamente pouco visitada por turistas, que parecem preferir sempre Munique, Frankfurt, ou outros lugares mais ao sol e ao sul. Hamburgo é, no entanto, a principal cidade portuária e comercial da Alemanha (por onde ela exporta boa parte das Mercedes, BMWs e outros produtos da sua engenharia), uma cidade de longa tradição marítima com participação na famosa Liga Hanseática da Idade Média, de um cheiro norte-europeu que às vezes lembra mais as vizinhas Holanda e Escandinávia que o sul da própria Alemanha.

Visitando as bravias Ilhas Faroe, no norte da Europa

As Ilhas Faroe [ou Ilhas Feroe] são um país não-soberano sob a coroa da Dinamarca. No entanto, não ouse chamar um faroês de dinamarquês. Eles aqui falam um idioma algo diferente, têm a sua cultura própria, e administram a si mesmos — só se mantêm mesmo vinculados à coroa dinamarquesa por conveniência econômica. Ainda assim, as Ilhas Faroe são um caso curioso, pois ao contrário da Dinamarca, não fazem parte da União Europeia. Em resumo: estamos num país tutelado pela Dinamarca, mas fora da Dinamarca. Caso você esteja sem saber como pronuncia, é mais Fároe que Faroé, pois nada tem de

Viena, Áustria: Conhecendo a capital cultural da Europa Central e suas atrações

Bem vindos a Viena, esta imponente capital austríaca, e ainda a cidade que exibe com maior propriedade a aura cultural e a elegância da Europa Central.  Em população, apenas Berlim e Hamburgo têm mais gente que Viena na Europa Central — mas Berlim carrega uma sombra muito grande da sua própria história, e Hamburgo está muito longe (tem mais semelhanças com Bélgica e Holanda) para representar a aura da Europa Central. É com sua irmã audaz Budapeste que Viena lidera como principal chamariz urbano dessa região da Europa, só que com mais riqueza e glamour que a capital húngara (embora eu

Innsbruck (Áustria) e o Tirol no inverno

A magnífica região do Tirol, nos Alpes austríacos, tomba sob a neve no inverno. Ou ao menos tombou neste último, as montanhas encobertas por nuvens brancas e cinzentas, e os flocos de neve cobrindo o chão. Innsbruck, a principal cidade dessa região, fica um encanto. Como era janeiro, um restinho de decoração de Natal ainda se fazia presente. Daria até quase para não escrever nada e só mostrar fotos. As fotos já mostram bastante do astral invernal da cidade, mas relatar é preciso. Innsbruck tem uma História a ser conhecida e alguns recantos específicos a visitar que vão além da pura beleza

Salzburgo, Áustria: Conhecendo a cidade natal de Mozart

Bem vindos à Áustria! Eis a sua quarta maior cidade (depois de Viena, Linz e Graz), mas provavelmente a sua segunda mais famosa, por ter sido o nascedouro de Mozart. Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), compositor clássico, criou mais de 600 obras musicais e morreu jovem como tantos outros gênios artísticos da humanidade, aos 35 anos. Fiquem à vontade para ler o post escutando a música. Vamos agora conhecer Salzburgo. Eu vim a Salzburgo duas vezes na vida; curiosamente, ambas elas vindo de Munique, na Alemanha. Uma no verão, há 10 anos, e outra neste mais recente inverno. Já conto como foram essas

Munique (Baviera), a capital secreta da Alemanha

Estamos na Baviera (ou Bavária, ou Bayern em alemão), o maior e mais rico estado da Federação Alemã. Sim, a Alemanha é uma federação. Consulte um alemão e ele fará uma cara de que é impensável que não o fosse. Aquela Unificação Alemã que estudamos na escola, dada no fim do século XIX, nunca foi tão longe assim. Regionalismos continuam sendo a alma alemã, tanto quanto na Itália. Munique, a capital da Baviera, é chamada secretamente de a capital secreta da Alemanha, embora não o seja. Isso se diz talvez pelo tanto de cultura tradicional que há aqui — o Oktoberfest,

Conhecendo Glasgow, a maior cidade da Escócia

Bem vindos a Glasgow, a maior urbe da Escócia. Não é a capital escocesa (esta seria Edimburgo), mas é sua maior cidade. Por um tempo, foi de todas a segunda maior cidade do Reino Unido, atrás apenas de Londres. Eram tempos áureos (ou talvez eu devesse dizer cinzentos) da revolução industrial por toda a Grã-Bretanha. Para que ninguém se perca nas designações geográficas: Grã-Bretanha é toda a ilha principal, compreendendo Inglaterra, Escócia, e País de Gales. O Reino Unido, que é de fato o país enquanto Estado (com governo, instituições etc.), inclui aqueles três mais a Irlanda da Norte. (O nome

Viajando pelo México: Dicas, segurança, lugares aonde ir, e o que fazer

Hola, cabrones! Hora de fechar mais este périplo pelo país mais culturalmente interessante da América do Norte. Eu vim duas vezes ao México, passando um total de três meses no país. Uma coisa que você logo aprende é que, com seus 31 estados e um Distrito Federal, o México é grande e cheio de regionalismos. Não vi tudo, mas conheci bastante coisa, e espero retornar um dia para conhecer o resto. Abaixo, um balanço das minhas passagens pelo país, observações gerais para quem pretende viajar aqui, e algumas dicas. O que mais gostou. A riqueza cultural. Muita coisa de raiz indígena, bem

Thessaloniki (Salônica): Encruzilhada eterna na Grécia balcânica de hoje

Estamos na segunda maior cidade da Grécia, depois de Atenas. Longe das ilhas gregas, Thessaloniki — traduzida como Tessalônica ou somente Salônica em português — talvez seja mais conhecida dos brasileiros por menções bíblicas que através do turismo. Ou talvez por ser a terra de origem dos Abravanel, família de Silvio Santos. Não é de se espantar. Tessaloniki está longe das rotas habituais, e tem mais tamanho que charme. É uma cidade que transpira a Grécia balcânica, essa Grécia contemporânea pouco conhecida entre aqueles de nós presos à Grécia Antiga, como se nada tivesse ocorrido entre lá e cá. Como ocorre

Celebrando Midsommar: A festa junina do solstício de verão na Suécia

Quando o verão se aproxima, a Suécia entra em polvorosa, mas de modo diferente da maioria da Europa. Não se trata somente da chegada da estação mais calorosa depois de meses de tempo frio. Na Suécia, como em alguns outros países da Europa nórdica e báltica, se trata do maior evento do ano: Midsommar, a celebração do dia mais longo do ano, uma tradição milenar por aqui. Como estamos em elevada latitude, a duração dos dias varia bastante a depender da estação. É algo que pouco se vê nos trópicos, mas que faz toda a diferença aqui nas zonas temperadas do

Comida Mexicana (2.0) e seus pratos típicos, bebidas e especialidades: Milho, pimenta e chocolate na veia

A culinária mexicana é algo potente. Pimentas que ardem, muito feito do milho, e chocolate, esse tesouro que os mesoamericanos doaram ao mundo. Uma veia nativa muito rica esta gastronomia tem. Eu cheguei a discorrer sobre ela num post anterior. Agora, após os percursos e experiências em mais lugares no México, vamos à versão 2.0 — mais completa e atualizada — dos Comes & Bebes mexicanos. Tortilhas e afins: A alma mexicana Pimentas, pimentas: Verdes e vermelhas Molhos e moles Chocolate: Invenção mesoamericana para o mundo Há vida para vegetarianos? Doces e paletas Os "bebes" no México: Con o sin alcohol Tortilhas

San Cristóbal de las Casas, Chiapas: Linda cidade colonial e indígena no sul do México

Bem vindos ao emblemático estado de Chiapas, o mais meridional do México, já na fronteira com a Guatemala. Estamos numa área tropical elevada, onde os jaguares antigamente salteavam nas matas das colinas, e os povos mayas faziam das melhores agriculturas e engenharias do mundo. Não estou falando de passado remoto. Embora a "Era de Ouro" da civilização maya tenha se dado de 250-900 d.C., eles não desapareceram. Suas cidades, embora já não tão dominantes, continuaram de pé, e a população maya continua aqui até hoje, falando seus idiomas nativos nas ruas e mantendo o que foi possível da sua cultura. Se você

Hierve el Água: Piscinas naturais e cascatas petrificadas em Oaxaca, México

Eis um dos mais famosos tesouros naturais do México. Este post encerra a minha viagem pelo estado de Oaxaca, antes de eu seguir a Chiapas, ainda mais a sul no país. A quem já se convenceu da riqueza cultural desta região, saiba que sua natureza também é linda. Meu tour às ruínas da antiga cidade zapoteca de Mitla trouxe-me também aqui a Hierve el Água ("ferve a água"), um conjunto de piscinas naturais e cachoeiras petrificadas (calma que eu explico) no alto das colinas da Sierra Madre Sur. Essas águas são ricas em minerais e, dizem, têm propriedades curativas. Elas brotam das

Conhecendo o mezcal na origem: em Oaxaca, sul do México

Nos profundos recantos do interior de Oaxaca, aqui no sul do México, qual foi a nossa surpresa ao reencontrar o señor Simón, guia do nosso tour do dia anterior. Estava ele a guiar outro grupo hoje, e apresentou a todos nós com sua senioridade o mezcal, bebida típica do México feita através da fermentação do agave. Fica muito diferente da tequila, que é o agave destilado. "Para todo mal, mezcal", dizia-nos ele na sua voz de avô, aquela certeza tranquila que só os mais idosos têm. "Para todo bien, también. Y para remedio, litro y medio", concluía ele certo. Como todo bom

As ruínas zapotecas de Mitla e a árvore milenar em Tule, Oaxaca

Sigo eu pelo interior de Oaxaca, sul do México, a descobrir tesouros arqueológicos das civilizações indígenas e também algo ainda mais antigo. Não é todo dia que se esbarra num ser vivo que já estava vivo quando o profeta Maomé, o imperador Justiniano e outros ainda caminhavam pela Terra, e os Vikings não haviam nem começado ainda a navegar. Nós neste post passearemos entre o antigo, o muito antigo, e o antiquíssimo. Tem um pouco de loucura também, porque no México — como é característico do melhor da América Latina — você sempre esbarra numas pessoas que parecem saídas da

Curiosidades da gastronomia e belezas da cultura de Oaxaca, México

Coloridos, coloridos vários. Não há México sem cores, muito menos Oaxaca. Seja na comida ou nas artesanias, o colorido vivo está aqui por toda parte. Nas comidas propriamente ditas, como também nos pratos propriamente ditos. Nessas tapeçarias de fio de agave, como nas pequenitas esculturas em madeira que fazem de monstros e criaturas fantásticas brinquedos infantis. Este post é uma modesta amostra da cultura oaxaqueña de que me embebi por uns dias, algumas das comidas que experimentei e das coisas que vi. De molhos preparados com gafanhoto a lindos têxteis de coloração natural. Estou fazendo essa anarquia com os gafanhotos porque são

Tour a Monte Albán: Ruínas zapotecas e mixtecas em Oaxaca (México)

Lá está Monte Albán contra a paisagem da Sierra Madre no sul do México. Pode não ter a imensidade de Teotihuacán, ou a extensão das ruínas mayas em Yucatán, mas é o principal sítio de ruínas zapotecas e mixtecas, mostrando a diversidade cultural e histórica do país. Não são apenas legados astecas e mayas como se costuma imaginar, mas de uma variedade de nações indígenas distintas que aqui floresceram ao longo do tempo. Monte Albán, apesar do nome mui espanhol, foi uma cidade zapoteca fundada nos idos de 500 a.C. e que viria a dominar esta parte da Mesoamérica pelos séculos seguintes.

Oaxaca de Juárez: Dos lugares mais belos, coloridos, e culturalmente ricos do México

Estamos em mais uma cidade colonial mexicana, das mais bonitas. Na verdade, Oaxaca [lê-se Oarráca] talvez seja a que mais me encantou. Em termos de beleza visual, todas são fofinhas, mas a beleza cultural aqui desponta ainda mais que o normal. Estamos no sul do México. Ao longe da cidade se veem as colinas da Sierra Madre Sur. São algumas horas de ônibus desde Puebla até esta quebrada onde o México faz a curva. Oaxaca, um dos 31 estados mexicanos, é aproximadamente do tamanho de Pernambuco ou Santa Catarina. Sua capital, Oaxaca de Juárez — quase nunca chamada pelo nome inteiro

Cholula (México) e a maior pirâmide do mundo

Essa vista da foto de abertura é do topo da pirâmide, uma pirâmide asteca, a maior do mundo. (Sim, os espanhóis construíram uma igreja em cima dela.) Estamos em Cholula, uma cidadezinha que mais parece um bairro de Puebla, de tão próxima que é. Talvez o mais justo e adequado seja começar com o breve vídeo de 1 min que fiz no trajeto do ônibus até lá, pelas ruelas de casas coloridas típicas mexicanas, e com direito à trilha sonora do motorista e tudo. Sintam o México. Era, como vocês podem perceber, uma dia nublado, meio de uma chuva que me atrapalhou.

Puebla e seus tesouros do barroco colonial mexicano

Muito tem o México em comum com o Brasil. Embora tenhamos muito pouca irmandade para com os outros latino-americanos (os brasileiros em geral preferem se afeiçoar da Europa, quando não com os Estados Unidos ou até mesmo a África antes de olhar para a própria vizinhança), há muito de parecido e de história compartida. O barroco colonial é uma dessas manifestações mais evidentes das semelhanças latino-americanas. Barroco não é apenas arquitetura de igreja. (Música barroca existe, pra quem não sabe, embora esta seja um elemento bem mais europeu que americano.) O barroco foi uma época cultural da Europa com seus prolongamentos

Ballet Folclórico Mexicano no Palácio de Belas Artes da Cidade do México

O Palácio de Belas Artes da Cidade do México é um de seus prédios mais notáveis, teatro-maior da cidade com sua arquitetura do início do século XX em mármore branco de Carrara. Hoje é um ícone na grande praça Alameda Central onde jovens namoridos mexicanos agarram-se sem pestanejar.  Muitos turistas vêm fotografá-lo por fora; relativamente poucos entram para assistir a um espetáculo. Eu lhes recomendo fazê-lo, e talvez o melhor desses espetáculos não seja outro se não o Ballet Folclórico Mexicano. Esse é um grupo artístico fundado pela produtora Amalia Hernández em 1952, mui tradicional e que segue em atividade (sempre,

Coyoacán, o bairro mais simpático da Cidade do México

Ali estou eu em meio aos coiotes que dão nome a Coyoacán. No tempo dos astecas, aqui ficava um vilarejo dos vizinhos Tepanecas notável por aqueles animais — Coyoacán significa "lugar de coiotes" na língua náhuatl dos astecas. A "Cidade do México" que cresceu aqui por sobre a capital asteca expandiu-se até englobar aquele vilarejo como parte sua, e hoje Coyoacán provavelmente é o bairro mais bonitinho e simpático de toda a megalópole mexicana. Muita coisa aconteceu de lá para cá. Coyoacán permaneceu um vilarejo colonial independente pela maior parte de sua história. Aqui é que os espanhóis celebraram sua primeira

Cristianismo popular na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, México

Domingo de manhã na Cidade do México. A ampla e linda avenida Paseo de la Reforma com seu icônico Ángel de la Independencia fechada para carros, transformada num grande boulevard para bicicletas, pessoas e cachorros. Minha meta era revisitar, desta vez com mais calma, o santuário da Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe (La Vírgen de Guadalupe, como eles dizem aqui em espanhol). Do Paseo de la Reforma, qualquer ônibus com direção a Hidalgo o leva à basílica mais rápido que o metrô. (Já se você estiver longe, a estação de metrô aonde chegar é La Villa-Basílica.) Eu já havia visitado a

O Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México em 20 fotos: Conhecendo os antepassados

Se você usa roupas de algodão, esse algodão industrial de hoje foi domesticado pelos indígenas mexicanos. Se você come milho de qualquer tipo, a sua domesticação e cultivo também se devem aos indígenas do México e da América do Sul. São antepassados culturais da América Latina (e, em certa medida, do mundo todo) mesmo para quem não tem sangue indígena mesoamericano.  Há um mundo de coisas não ditas, sub-ditas, ou desconhecidas acerca dos indígenas das Américas. Eu cheguei a discorrer antes sobre isso. O Museo Nacional de Antropologia na Cidade do México provavelmente é o maior e melhor do mundo no

Voltando à Cidade do México: Lugares e atrações principais numa das maiores metrópoles do mundo

Tempos depois da última visita, estou eu aqui novamente. A Cidade do México é das minhas favoritas no mundo. Não morro de amor, mas gosto. Talvez seja um apreço mais de admiração intelectual que de afeição. Afinal, poucas cidades no mundo têm a magnitude desta metrópole de 20 milhões de habitantes com uma herança cultural que remonta aos astecas (com ruínas da sua capital Tenochtitlán aqui), a fartura da culinária mexicana, sua gente festiva, a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe (sítio cristão mais visitado do mundo), entre outros fortes. Quer você se afeiçoe a esses lugares quer não, há de

No Principado de Liechtenstein na Europa

Do alto de um castelo antigo nas montanhas alpinas governa ainda um príncipe soberano, em plena Europa do século XXI. Estamos em Liechtenstein, um principado independente encravado nos Alpes entre as mais remotas partes da Suíça e da Áustria. Estamos falando de um país de apenas 160Km², isto é, menor que a cidade de Aracaju, capital de Sergipe. Na prática, como eu pude conferir, se trata de uma estreita faixa de terra (de uns 2Km de largura) entre altas montanhas nos Alpes e o Rio Reno, que oficialmente divide Liechtenstein da Suíça. Como pode esse lugarejo permanecer independente? Isso foi parte do

Leicester e as Midlands britânicas: Na antiga Mércia, coração da Inglaterra

Leicester (pronunciada Léster) não é exatamente a cidade mais famosa da Inglaterra. Ao menos não fora das suas fronteiras. Já dentro, ela é conhecida como a histórica cidade onde está enterrado o último rei inglês a morrer em batalha (Ricardo III em 1485), assim como hoje pelos seus ótimos curries indianos.  Estamos nas chamadas Midlands, estas "terras médias" do miolo da Inglaterra. Aqui ficava o Reino da Mércia, constituído em 527 d.C. Teria sido nessa época e nessa região que vivera o lendário Rei Arthur, personagem de contos populares (verídicos ou não) que o clérigo Geoffrey de Monmouth em 1138 compilou

York, a histórica cidade inglesa fundada pelos Vikings

Nestes tempos de Brexit eu fui dar umas voltas na Inglaterra. Não por curiosidade, nem por perversão, mas a trabalho. (Sim, eu trabalho, e não é com turismo nem viagens.) O evento onde eu me faria presente foi em York, no norte da Inglaterra, uma das cidades mais tradicionais do país. Fundada pelos romanos em 71 d.C., ela ganhou proeminência quando os Vikings a invadiram e renomearam como Jórvík em 866. Esse era um tempo de tormentos e de guerra constante numa Inglaterra ainda não unificada. Como quem assistiu ao seriado Vikings viu, aqui havia uma meia dúzia de reinos distintos (Mércia,

Patagônia chilena: Dicas, custos, lugares para ver, e o que fazer

A Patagônia, no extremo sul da América do Sul, é dos lugares mais exóticos, remotos e lindos do planeta. Dividida formalmente entre o lado argentino (Ushuaia, Perito Moreno, etc.) e o lado chileno, vale certamente a pena ver os dois. Este post compila uma semana de viagem que fiz pelo lado chileno da Patagônia, passando pelo famoso parque Torres del Paine e outros lugares. Primeiro o balanço, e em seguida as dicas. O que mais gostou. As lindas paisagens, com água azul-clara vinda das geleiras, impressionantes glaciares, e montanhas que parecem de filme. Visita obrigatória. O Parque Nacional Torres del

Fiorde Ultima Esperanza e os glaciares Balmaceda e Serrano, na Patagônia Chilena

Após ver um glaciar argentino no dia anterior, hoje era dia de ver glaciares chilenos. Nacionalidades irrelevantes à parte, são belezas estonteantes deste extremo sul da América do Sul. Na Patagônia às vezes parece, sinceramente, que estamos em algum cenário de O Senhor dos Anéis ou coisa parecida. Hoje eu aqui tomaria até uísque com gelo milenar.  Este passeio pelo fiorde Última Esperanza e para ver os glaciares Balmaceda e Serrano é mais um dos tours espetaculares que você pode fazer a partir de Puerto Natales, cidade chilena aqui no extremo sul do país. Duas empresas realizam esse passeio: Agunsa e 21 de

Visitando o glaciar Perito Moreno em El Calafate (Argentina)

Tal como o Coronel Aureliano Buendía em Cem Anos de Solidão, eu jamais vou me esquecer do dia quando pela primeira vez na vida vi o gelo. Claro que aqui não me refiro a um gelo qualquer, mas a um glaciar.  Glaciares como o Perito Moreno são lugares especiais no mundo. Trata-se de um gelo mais denso que o normal, um gelo gerado através de séculos (ou milênios) de acúmulo de neve sobre ele comprimindo-o. Com a pressão, as bolhas de ar presentes na água ou no gelo comum escapam. E assim o gelo glacial aparece azul, da mesma forma que

Tour no Parque Nacional Torres del Paine, na Patagônia Chilena: Opções, custos, e a experiência

A 1h de viagem da cidade de Puerto Natales, o Parque Nacional Torres del Paine é a "menina dos olhos" da Patagônia chilena. Não é sem razão: o lugar é estupendamente bonito. Água azul-clara de glaciares derretidos, e montanhas escarpadas que parecem esculpidas para ser cenário de O Senhor dos Anéis. Nem todos os caminhos trazem a esta Roma, mas há muitas formas de vir aqui. As duas principais são: como trilheiro, para os que gostam de longas caminhadas e gozam de tempo, ou num tour em van com empresa de turismo. Deixem-me só passar o básico de opções e custos antes

Chegando a Puerto Natales, extremo sul do Chile

Puerto Natales está para a Patagônia chilena como San Pedro, no outro extremo do país, está para para a região do Atacama. Quase. São regiões diferentes, cidades (bem) diferentes, mas ambas funcionam como centro de onde partem tours. A cidade fica naquele extremo sul do Chile onde braços de mar (fiordes) adentram pelo continente, na província de Última Esperanza. (Nome adequado.) O fiorde diante da cidade tem esse mesmo nome. Cheguei vindo de ônibus desde Punta Arenas, cidade maior. A primeira vez que ouvira falar de Puerto Natales foi a partir de um hippie, Juan, um quarentão doidão conversador que achei de

Punta Arenas, a Patagônia chilena e o Estreito de Magalhães: No extremo sul do Chile

Bem vindos a Punta Arenas, uma das cidades mais meridionais do mundo. Estamos a 53º de latitude sul, o que significa dizer que a Antártida está logo ali, mais próxima que Buenos Aires ou Santiago. Eis a Patagônia, o fim do mundo — e a última região continental da Terra a ser colonizada por humanos, caso você ainda não soubesse. Quem deu o nome "Patagônia" foi o explorador português Fernão de Magalhães, que passou por aqui a serviço da coroa espanhola em 1520, na primeira circumnavegação da Terra. Notem no mapa que há um estreito antes da ponta da América do

Dicas: San Pedro e tours no Deserto do Atacama, com Salar de Uyuni na Bolívia

A região dos Andes entre o Deserto de Atacama (no Chile) e o Altiplano boliviano é uma só. A fronteira entre Chile e Bolívia nada mais é que um artifício humano, uma barreira imaginária numa natureza que é a mesma de um lado de do outro: uma natureza inóspita, bela, exótica e impressionante aos seus 3.000-6.000 mil metros de altitude. Passei cerca de uma semana entre San Pedro de Atacama, fazendo tours a partir de lá, e o roteiro do Salar de Uyuni na Bolívia. Foi uma viagem só, cujo balanço final vai aqui abaixo. Embora sejam dois países, estes lugares

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