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Patagônia chilena: Dicas, custos, lugares para ver, e o que fazer

A Patagônia, no extremo sul da América do Sul, é dos lugares mais exóticos, remotos e lindos do planeta. Dividida formalmente entre o lado argentino (Ushuaia, Perito Moreno, etc.) e o lado chileno, vale certamente a pena ver os dois. Este post compila uma semana de viagem que fiz pelo lado chileno da Patagônia, passando pelo famoso parque Torres del Paine e outros lugares. Primeiro o balanço, e em seguida as dicas. O que mais gostou. As lindas paisagens, com água azul-clara vinda das geleiras, impressionantes glaciares, e montanhas que parecem de filme. Visita obrigatória. O Parque Nacional Torres del

Fiorde Ultima Esperanza e os glaciares Balmaceda e Serrano, na Patagônia Chilena

Após ver um glaciar argentino no dia anterior, hoje era dia de ver glaciares chilenos. Nacionalidades irrelevantes à parte, são belezas estonteantes deste extremo sul da América do Sul. Na Patagônia às vezes parece, sinceramente, que estamos em algum cenário de O Senhor dos Anéis ou coisa parecida. Hoje eu aqui tomaria até uísque com gelo milenar.  Este passeio pelo fiorde Última Esperanza e para ver os glaciares Balmaceda e Serrano é mais um dos tours espetaculares que você pode fazer a partir de Puerto Natales, cidade chilena aqui no extremo sul do país. Duas empresas realizam esse passeio: Agunsa e 21 de

Visitando o glaciar Perito Moreno em El Calafate (Argentina)

Tal como o Coronel Aureliano Buendía em Cem Anos de Solidão, eu jamais vou me esquecer do dia quando pela primeira vez na vida vi o gelo. Claro que aqui não me refiro a um gelo qualquer, mas a um glaciar.  Glaciares como o Perito Moreno são lugares especiais no mundo. Trata-se de um gelo mais denso que o normal, um gelo gerado através de séculos (ou milênios) de acúmulo de neve sobre ele comprimindo-o. Com a pressão, as bolhas de ar presentes na água ou no gelo comum escapam. E assim o gelo glacial aparece azul, da mesma forma que

Tour no Parque Nacional Torres del Paine, na Patagônia Chilena: Opções, custos, e a experiência

A 1h de viagem da cidade de Puerto Natales, o Parque Nacional Torres del Paine é a "menina dos olhos" da Patagônia chilena. Não é sem razão: o lugar é estupendamente bonito. Água azul-clara de glaciares derretidos, e montanhas escarpadas que parecem esculpidas para ser cenário de O Senhor dos Anéis. Nem todos os caminhos trazem a esta Roma, mas há muitas formas de vir aqui. As duas principais são: como trilheiro, para os que gostam de longas caminhadas e gozam de tempo, ou num tour em van com empresa de turismo. Deixem-me só passar o básico de opções e custos antes

Chegando a Puerto Natales, extremo sul do Chile

Puerto Natales está para a Patagônia chilena como San Pedro, no outro extremo do país, está para para a região do Atacama. Quase. São regiões diferentes, cidades (bem) diferentes, mas ambas funcionam como centro de onde partem tours. A cidade fica naquele extremo sul do Chile onde braços de mar (fiordes) adentram pelo continente, na província de Última Esperanza. (Nome adequado.) O fiorde diante da cidade tem esse mesmo nome. Cheguei vindo de ônibus desde Punta Arenas, cidade maior. A primeira vez que ouvira falar de Puerto Natales foi a partir de um hippie, Juan, um quarentão doidão conversador que achei de

Punta Arenas, a Patagônia chilena e o Estreito de Magalhães: No extremo sul do Chile

Bem vindos a Punta Arenas, uma das cidades mais meridionais do mundo. Estamos a 53º de latitude sul, o que significa dizer que a Antártida está logo ali, mais próxima que Buenos Aires ou Santiago. Eis a Patagônia, o fim do mundo — e a última região continental da Terra a ser colonizada por humanos, caso você ainda não soubesse. Quem deu o nome "Patagônia" foi o explorador português Fernão de Magalhães, que passou por aqui a serviço da coroa espanhola em 1520, na primeira circumnavegação da Terra. Notem no mapa que há um estreito antes da ponta da América do

DICAS de San Pedro de Atacama e tours (com Salar de Uyuni na Bolívia)

A região dos Andes entre o Deserto de Atacama (no Chile) e o Altiplano boliviano é uma só. A fronteira entre Chile e Bolívia nada mais é que um artifício humano, uma barreira imaginária numa natureza que é a mesma de um lado de do outro: uma natureza inóspita, bela, exótica e impressionante aos seus 3.000-6.000 mil metros de altitude. Passei cerca de uma semana entre San Pedro de Atacama, fazendo tours a partir de lá, e o roteiro do Salar de Uyuni na Bolívia. Foi uma viagem só, cujo balanço final vai aqui abaixo. Embora sejam dois países, estes lugares

Surrealismo branco: Visitando o Salar de Uyuni na Bolívia

Continuação de Paisagens andinas, lhamas e hotel de sal: Segundo dia do tour ao Salar de Uyuni O Salar de Uyuni é daqueles lugares que, quando eu vi por foto pela primeira vez anos atrás, disse: "Preciso conhecer", enquanto mirava vidrado e meio estupefato aquela imensidão branca "vazia", de puro sal e céu. Chegada a hora de finalmente vê-lo de perto. Já era a terceira manhã do nosso tour saído de San Pedro de Atacama, no Chile. Havíamos passado pelas impressionantes lagoas coloridas no Altiplano boliviano e em seguida por outras paragens da região, como o cemitério de trens. Acordávamos hoje cedo, no

Paisagens andinas, lhamas e hotel de sal: Segundo dia do tour ao Salar de Uyuni

Continuação de: As lagoas coloridas do Altiplano boliviano: Primeiro dia rumo ao Salar de Uyuni Dormimos no que eu chamaria de uma maloca de cimento após o primeiro dia do tour ao Salar de Uyuni. As casas bolivianas são notoriamente básicas, não-acabadas, aquelas construções apenas de cimento, tijolo, e vidros nas janelas. Um tanto apertadas e cheias de gente, mas é a realidade socioeconômica do lugar. Ninguém espere grandes confortos — nem calefação para as noites frias daqui. Mas o dia prometia mais paisagens neste pitoresco altiplano boliviano, com suas lhamas e cânions, e é isso que me trazia. Começava o segundo dia.

As lagoas coloridas do Altiplano boliviano: Primeiro dia rumo ao Salar de Uyuni

Um dos programas mais populares para quem está no Deserto de Atacama é ir além do Deserto de Atacama — além do Chile, para além das fronteiras. Afinal, os Andes são uma nação cultural, um bioma, e as fronteiras nada mais são que abstrações humanas. Nessa "ida além", o passeio mais popular é adentrar a vizinha Bolívia rumo ao famoso Salar de Uyuni, muito mais acessível desde aqui que a partir das grandes cidades bolivianas como La Paz ou Santa Cruz. O tour para o Salar de Uyuni, aquela imensidão branca de sal que talvez alguns já tenham visto por foto,

San Pedro de Atacama, Chile (Parte 4): Natureza e paisagens surreais a quase 5.000m de altitude no Salar de Tara

Continuação de San Pedro de Atacama, Chile (Parte 3): Gêiseres de Tatio ao raiar do sol, e finalmente lhamas! Não há muitos lugares no mundo tão fotogênicos quanto a região de Atacama, no Chile. Este post conclui a minha breve expedição na parte chilena da região, vindo aqui conhecer o que este deserto reserva. Claramente, muito mais do que secura. Após visitar o Vale da Lua, as Lagunas Altiplânicas e os Gêiseres de Tatio, ainda baseado em San Pedro de Atacama, o meu tour final seria para mirar de mais perto o Vulcão Licancabur e visitar o Salar de Tara — lugares

San Pedro de Atacama, Chile (Parte 3): Gêiseres de Tatio ao raiar do sol, e finalmente lhamas!

Continuação de San Pedro de Atacama, Chile (Parte 2): Flamingos andinos e as Lagunas Antiplânicas Nem sempre onde há fumaça há fogo. Tecnicamente, estamos falando de vapor, mas são verdadeiras as nuvens que emergem da água fervente rumo ao sol enquanto do lado de fora estávamos a -7ºC. "Mairon!", gritou-me a chilena da recepção quando eu passei, ao que devia ser umas 4:30 da manhã, tudo ainda escuro em San Pedro de Atacama. "Se vista mais", disse-me ela fazendo gesto de quem põe uma jaqueta e naquele tom quase maternal que algumas moças acham de adotar com todo mundo. Eu tenho boa tolerância

San Pedro de Atacama, Chile (Parte 2): Flamingos andinos e as Lagunas Altiplânicas

(Continuação de San Pedro de Atacama e o Vale da Lua no deserto mais seco do planeta) Meu primeiro dia havia me apresentado a pequenina cidade de San Pedro de Atacama e seus vales desérticos "de outro planeta", como o Vale de Marte e o Vale da Lua (ver o post anterior). Agora, neste segundo dia, o nível de beleza das paisagens subiria ainda mais. Era dia de despertar cedo para ver as impressionantes Lagunas Altiplânicas e seus flamingos andinos com reflexos na água. As Lagunas Altiplânicas são várias distintas, e o passeio começa cedo. A ideia é chegar logo no início

San Pedro de Atacama (Chile) e o Vale da Lua no deserto mais seco do planeta

Finalmente vim eu a este que tem sido um dos destinos mais populares dos últimos anos entre os brasileiros: San Pedro de Atacama, no norte do Chile. Eu nunca havia entendido o porquê dessa "febre", até vir. Eu vim em janeiro, na alta estação, quando as temperaturas estão mais razoáveis e as ruas pululam de visitantes. É bem turistão, repleto de brasileiros, um misto de paisagens e festa. Você faz o que quiser acerca das festas, mas se prepare para ter — como mostrarei ao longo dos próximos posts — algumas das vistas mais impressionantes que seus olhos já viram. Quando

Visitando Macau e o legado português na China

O calçamento e as construções portuguesas aqui se misturam ao vermelho e à gente chinesa. Macau é um lugar único — a primeira e a última colônia europeia no leste asiático. Estamos no sudeste da China, aonde em 1513 aportou o português Jorge Álvares. Ele teria sido o primeiro europeu a chegar à China por via marítima, pelo que se tem registro. Em 1557, Portugal obteria da Dinastia Ming o direito de fixar um entreposto comercial permanente aqui na foz do Rio Pérola: Macau. Essa foi a primeira de todas as colônias europeias no leste asiático — séculos antes de Hong Kong,

Como ir de ferry entre Hong Kong e Macau (e a imigração em Macau)

Viajar de ferry entre Hong Kong e Macau é facílimo, e uma viagem que vale muito a pena. Sobre Hong Kong eu já escrevi vários posts aqui no site, e sobre Macau — colônia portuguesa na China de 1557 a 1999 — eu escreverei logo a seguir.  Apenas 1h de viagem de ferry separa essas duas regiões administrativas especiais da China, que têm seus próprios regimes de visto, controles de fronteira, e moedas. O acordado entre Pequim e os antigos colonizadores europeus foi preservar aqueles sistemas autônomos por 50 anos, portanto até mais ou menos 2050, quando então Macau e Hong Kong devem

A experiência de celebrar o Ano Novo Chinês na China, em Hong Kong

Neste fevereiro, celebrou-se o Ano Novo Chinês, nome popular para o que é o Ano Novo Lunar, celebrado por muitas culturas na Ásia — a chinesa só acontece de ser a maior delas. Vietnamitas, butaneses e outros asiáticos juntam-se a 1,5 bilhão de chineses para comer bastante, reunir-se em família, e olhar suas previsões astrológicas. Há uma série de tradições que pude experimentar em primeira-mão neste ano, uma festa muito diferente do réveillon ocidental. A quem estiver a se perguntar, o Ano Novo Lunar cai na segunda lua nova após o solstício de inverno no hemisfério norte (21/22 de dezembro, quando no

Uppsala, a cidade mais tradicional da Suécia

Este será um post curto, de uma breve viagem de inverno a Uppsala, provavelmente a cidade mais tradicional da Suécia.  Aqui é desde 1164 a sede do arcebispado primaz da Suécia, e desde 1477 sede da universidade mais antiga do reino. (Sim, porque a Suécia continua a ter um rei.) Cidade universitária, ela, a 70Km ao norte de Estocolmo, continua sendo um nome que evoca tradição e história. Dizem que quando os Vikings cultuavam seus deuses nórdicos, um grande templo a Frey, deus da fertilidade, encontrava-se aqui. Uppsala era o centro comercial e populacional destes Vikings da costa do Mar Báltico, onde

Estocolmo (Suécia) no inverno: Gamla Stan, Skansen, Museu Vaasa, e mais da capital sueca

Eis um gelado e fulgurante entardecer em Estocolmo. Era cedo, umas 4 da tarde no máximo. O sol caía em todo o seu esplendor celeste por detrás da vista para a capital sueca. No chão, mais próximo, congelada estava a água salgada e doce que circunda a cidade por quase todos os lados. Pelo leste, o Mar Báltico. Pelo oeste, o Lago Malar (aportuguesado do nome Mälaren em sueco). Foi no inverno a minha primeira vez em Estocolmo, a capital sueca que nunca esteve muito nos roteiros turísticos, mas que muitos brasileiros têm descoberto mesmo assim. Ela é a maior cidade

Inverno em Bergen, a cidade mais pitoresca da Noruega

Bergen é a Noruega fofa que você não encontra em Oslo. Casas de madeira em arquitetura tradicional à beira-mar, um porto tranquilo ao som de gaivotas, ruelas quietas, e pratos típicos noruegueses. Estamos na segunda maior cidade do país. (Não parece.) Enquanto a capital tem seu misto de partes bonitas e áreas decadentes que não condizem com a riqueza da Noruega, Bergen tem um calibre muito mais turístico. Calçadões, prédios antigos, beleza tradicional, e tudo que uma boa cidade histórica europeia pede. Eu cheguei aqui numa noite de inverno, após fazer por conta o roteiro Norway in a Nutshell, que inclui trajetos

Trens e fiordes pela Noruega: O roteiro “Norway in a Nutshell” no inverno

Viajar de trem pela Noruega é um encanto. No inverno então, é um encanto exótico para nós saídos de países quentes. As ricas montanhas e vales noruegueses ficam cobertos de neve entre janeiro e março, as árvores da paisagem ficam brancas, e muitos rios e cachoeiras, congelados. Há pelo menos quatro ou cinco rotas ferroviárias muitos cênicas e pitorescas na Noruega que o próprio escritório de turismo norueguês recomenda. A mais famosa dela é a apelidada de Norway in a Nutshell (literalmente "a Noruega numa casca de noz", o que é uma expressão inglesa para designar um resumo simplificado de algo

Oslo (Noruega) no inverno e o Centro do Prêmio Nobel da Paz

Janeiro na Noruega. Sua capital, Oslo, de meros 600 mil num país de 5 milhões de habitantes, está congelada pelo inverno. A neve cai, as árvores estão secas, e os dias estão ainda curtos. De um amanhecer às 8:30, a luz do sol — frequentemente entre um céu encoberto de nuvens cinzentas — só dura até as quatro e pouca da tarde. Oslo, no entanto, é a capital daquele que na real é o país mais rico da Europa. Apenas Luxemburgo é superior em PIB per capita, mas isso é por aquele principado ser um paraíso fiscal e ter índices econômicos que não

Romênia com Transilvânia: Dicas de viagem, cidades a visitar, e o que fazer

Nem todos sabem que a Transilvânia fica na Romênia, ou que a Romênia tem mais para ver que apenas a Transilvânia. Estamos aqui na região dos Bálcãs Orientais, num dos países mais subestimados da Europa do ponto de vista turístico. Eu já vim 3 vezes à Romênia. Já morei com romenos e me satisfaço em ter muitos amigos aqui. É um país fascinante, culturalmente muito rico, e definitivamente pouco conhecido e subestimado pelos turistas mundo afora. Aproveitando-me dos 100 anos do país, faço aqui um breve balanço das minhas experiências na Romênia, e compartilho algumas dicas de lugares maravilhosos a conhecer. O

Timisoara, a mais elegante das cidades da Romênia

Timisoara bem possivelmente é a mais elegante de todas as cidades romenas. Aqui já não estamos mais na Transilvânia, mas no extremo oeste do país, quase fronteira com a Sérvia e a Hungria (ver mapa abaixo). Continua aquele pano de fundo histórico e arcabouço cultural da Europa Central, que detalhei anteriormente nas cidades transilvânicas (Brasov, Sighisoara, Cluj-Napoca, Sibiu), mas o ambiente de montanhas agora dá lugar às planícies e fazendas que caracterizam esta região de Banat. Eu chegava aqui de Sibiu num trem da madrugada que veio praticamente vazio. Era 1° de janeiro, e poucos pareceram dispostos a se juntar a

Réveillon em Sibiu, Saxões na Romênia e a Transilvânia barroca

Sibiu é possivelmente a cidade mais bonita que eu ainda não conhecia. Fundada no século XII como um entreposto comercial por imigrantes alemães — saxões, para ser mais exato —, Sibiu é um dos grandes centros da Transilvânia e talvez a mais bela cidade na Romênia. O que Sighisoara mostra da Transilvânia medieval dos tempos do Drácula, Sibiu revela da Transilvânia barroca, mais moderna, dos últimos séculos já sob domínio austríaco. Foi também onde eu escolhi passar este último réveillon. Era noite quando eu cheguei aqui, vindo de Cluj. Aquela, porém, ainda não era a noite do réveillon. Eu havia me dado a

Entre a Transilvânia de ontem e hoje na sua capital histórica, Cluj-Napoca (Romênia)

Eis ali no seu cavalo, diante da Catedral de São Miguel Arcanjo, o rei húngaro Matthias Corvinus (1443-1490). Estamos hoje, todavia, na Romênia, numa das cidades de nome mais curioso aonde já fui, Cluj-Napoca — lê-se como se escreve. Cluj, como é mais comumente chamada, foi a capital do Grande Principado da Transilvânia, uma entidade sob a coroa húngara e, mais tarde, austríaca. A cidade, como o restante da região, até hoje guardam aromas e vistas típicas da Europa Central, ainda que a Romênia não faça parte dessa região. Hoje, ela é a segunda maior cidade do país, após a capital Bucareste. Nos

Sighisoara, a pitoresca cidade medieval da Transilvânia onde teria nascido o Drácula

Bem vindos ao interior da Romênia no leste europeu; à Transilvânia, esta terra de natureza e heranças medievais bem conservadas, e que muitos creem nem existir de verdade. Existe, é composta por vales entre as Montanhas dos Cárpatos, colinas verdes, e belas cidades históricas. Delas, Sighisoara é talvez a mais pitoresca de todas. Eu chegava aqui vindo de Brasov, naqueles dias mágicos entre o Natal e o Ano Novo. Um inverno de zero grau pairava no ar, sob um céu nublado e uma névoa que dão certa magia à região. Inevitavelmente, quando se menciona "Transilvânia", quase todo mundo a associa imediatamente ao Conde

Viagens de trem na Romênia: O que esperar e como reservar online

A Romênia é um país com 22 milhões de habitantes e do tamanho da Espanha, com muita diversidade regional e lugares a conhecer. Portanto está longe de ser a viagem curta que é ir a outros países dos Bálcãs como Macedônia ou Kosovo, ou mesmo a países pequenos como a Bélgica e a Holanda. Nessa diversidade de riquezas culturais e naturais, a Romênia é um país que tem muito mais a oferecer do que a maioria dos brasileiros (e europeus) pensam, e viajar de trem aqui é parte da experiência. Como noutras partes da Europa, há uma densa malha ferroviária ligando as

Brasov (Transilvânia) no inverno e no Natal

Basta mostrar um castelo e falar "Transilvânia", e os ocidentais imediatamente pensam todos no Drácula. Calma, a Transilvânia tem bem mais que isso, nem é esse lugar macabro que muitos imaginam. Há, sim, uma atmosfera algo soturna, nebulosa, ajudada tanto pela natureza ainda preservada de matas e colinas verdes (ou algo brancas, no caso deste inverno) quanto pelas estruturas medievais pitorescas bem conservadas. Longe de malévolo, o ambiente é bem bonito, bucólico e até romântico.  Por exemplo, celebra-se muito bem o Natal aqui na Transilvânia. Pra quem não sabe, estamos no miolo da Romênia. O país é entrecortado pelos Cárpatos, montanhas

O subestimado centro histórico de Bucareste, Romênia

Voltar à Romênia é sempre divertido. Seu jeito bagunçado, que lembra em certa maneira o Brasil, junto com seu aroma balcânico, lhe dão um tempero especial nem sempre encontrado noutras partes da Europa. Bucareste, sua capital, está longe de ser a mais cotada da Europa. Em verdade, poucos europeus lhe fazem caso — a maioria acha a capital romena horrível, dotada como é com seus prédios cinzentos de inspiração soviética, e quase desprovida da beleza encontrada em outras capitais do leste europeu como Praga ou Budapeste. O que a maioria não se dá conta, contudo, é que Bucareste tem, sim, um centro histórico

Visitando as ilhas Galápagos, no Equador: Mar, vida selvagem e dicas de viagem

Galápagos é um lugar mágico, dos mais impressionantes do mundo. Famosas pela visita inspiradora do naturalista inglês Charles Darwin, pai da Teoria da Evolução, estas ilhas existiam sem presença humana até poucos séculos. Não só há formas de vida curiosas, como as célebres tartarugas gigantes, iguanas amarelas e aves de pés azuis, como também os animais aqui não foram condicionados a temer as pessoas. (Se você não tiver cuidado, pisa num lagarto ou passarinho, pois eles não fogem de você.) Amantes da natureza aqui atingirão o nirvana. As ilhas Galápagos ficam a 2h de avião da costa do Equador, país ao qual

Mitad del Mundo, latitude zero: Visitando o marco da linha do equador no Equador

Era dia de visitar o marco da razão pela qual o Equador tem esse nome. A imaginária linha do equador, que separa o planeta em duas metades, significa exatamente isso: o circulus aequator (em latim), o círculo que faz duas partes iguais. Desnecessário dizer que a linha passa no país Equador. A partir de missões geodésicas francesas nos anos 1700, quando estas ainda eram colônias espanholas, é que se começou a identificar tais marcos da Terra e a chamar estes de territórios do equador. Em 1822 há a independência da Espanha e formação de um país grande chamado Gran Colombia, com as hoje

Quito para além do centro histórico: La Mariscal, o vulcão Pichincha, e a Capilla del Hombre

Embora Quito tenha um centro histórico rico, o primeiro a ser tombado pela UNESCO como Patrimônio Mundial, nem tudo da cidade está restrito a ele. No tempo que passei aqui, eu fui também a alguns outros lugares bem preciosos a recomendar. A principal área turística de Quito, afora o centro histórico, é conhecida como La Mariscal, um bairro moderno repleto de lanchonetes gourmet, restaurantes turísticos, redes de fast food, e entretenimento noturno. Durante o dia, a área é relativamente parada, mas de noite ganha vida. Algumas pessoas hospedam-se aqui, mas eu confesso que achei mais interessante hospedar-se no centro histórico. Vai

Na Suécia, entendendo o significado original do Natal

É noite aqui na Suécia. Aliás, nesta época do ano, parece quase toda hora ser noite aqui na Suécia. A época do Natal, solstício de inverno aqui no hemisfério norte do planeta, tem as noites mais longas do ano.  Na cidade de Gotemburgo, onde moro (sim, eu viajo muito mas moro em algum lugar), o sol estes dias tem nascido perto das 9h da manhã e se posto antes das 15:30. Entre um momento e outro, não imagine que há sol: no geral têm sido dias nublados, de um céu de chumbo, ventosos e de temperaturas por volta de 0 grau. Muito

Comidas e bebidas típicas a experimentar em Quito, Equador

Esses somos eu, Mishelle e Sandra, as minhas anfitriãs equatorianas em Quito, e Frank, o único ex-Testemunha de Jeová que eu já conheci na vida. Em mão, tenho uma inca kola, o guaraná-jesus do Peru e do Equador, refrigerante ame-o-ou-deixe-o cor ácido-de-bateria e de sabor chiclete. Eu já a havia mostrado aqui, em viagem ao Peru, mas deixemo-na de lado por ora. Há coisa melhor a se provar em Quito.  Nesse 1 mês em que vivi no Equador eu conheci algo dos comes & bebes daqui, e tenho algumas coisas realmente típicas a recomendar. Quito, além do seu maravilhoso centro histórico retratado

Cultura e arte andinas no Equador: Espiritualidade indígena e o Ballet Folclórico Equatoriano Jacchigua

Os nossos vizinhos andinos aqui na América do Sul têm um patrimônio cultural fascinante, e menos conhecido no Brasil do que a proximidade geográfica nos faria crer. (Um brasileiro médio provavelmente conhece mais de cultura japonesa ou chinesa do que peruana ou equatoriana.) Compartimos séculos da mesma história colonial e uma mestiçagem semelhante, mas segue esse apartheid atencional do Brasil com seus vizinhos de língua espanhola que só aos poucos, com o turismo e os intercâmbios, é que estamos começando a superar. Estamos começando a nos reconectar. Quito, como eu já coloquei antes, é das cidades mais belas da América do Sul — possivelmente

Um mês em Quito, Equador: Vivências e lugares no primeiro centro histórico do mundo tombado pela UNESCO

Feo es morir sin haber amado "Eu não quero morrer jovem", disse eu, jocoso, quando estávamos prestes a cruzar uma ponte bem elevada na longa estrada do aeroporto até Quito, no Equador. "Feio é morrer sem ter amado", respondeu-me tranquilo o meu poético taxista. Esse não seria mais o meu caso, felizmente. De todo modo, a ponte nos sustentou, e depois de 1h de estradas e engarrafamentos nós chegamos a Quito, talvez a mais singela das capitais sul-americanas. Quito foi o primeiro patrimônio cultural a ser identificado e tombado pela UNESCO em todo o mundo, em 1978. Seu belíssimo centro histórico colonial é o número

Conhecendo a Cidade e o Canal do Panamá

A trovoada caia lá fora enquanto eu tomava uma ducha no meu banheiro com luz azul. Eu estava num bom hotel, o Ramada Plaza, após uma noite no avião. Eu chegara de manhã para ficar apenas até a manhã seguinte — uma breve passagem, a coisa mais típica a se fazer no Panamá. "Vai passar logo", disseram-me na formal recepção sobre a trovoada quando entrei. Um táxi havia me trazido aqui por 30 dólares, o salgado preço fixo para quem vem à Ciudad de Panamá (a capital) do Aeroporto Internacional de Tocumen, o qual às vezes me lembra um shopping de eletrônicos algo melhor

Copenhague no outono: Brumas, vistas e folhas na capital da Dinamarca

Há algo de lindo no Reino da Dinamarca. Copenhague é daquelas cidades que eu estou aprendendo a gostar. Tendo já morado por muitos anos em Amsterdã, sempre achei petulância a capital dinamarquesa querer reclamar para si o título de "capital europeia das bicicletas". Além disso, nunca apreciei a xenofobia notória dos dinamarqueses. Porém, os copenhaguenses são simpáticos, animados, têm uma joie de vivre (alegria de viver) acima da média e sui generis na Europa. Não é a alegria jocosa e algo malandra dos mediterrâneos; é a franqueza dos europeus do norte — inclusive de mulheres que, tendo seus direitos bem respeitados,

Como visitar o Butão: Agências, passo-a-passo para planejar roteiros, lugares para ver, e outras dicas

O Butão é um país especial. Turismo controlado, dito de "alto valor & baixo volume", mas que vale a pena se você puder fazer esse investimento. É uma visita para se recordar a vida inteira, devido às muitas particularidades da experiência de vir aqui.  Neste post eu faço um balanço final da minha estadia e passo a vocês as dicas para quem cogita organizar uma viagem pra cá. O que mais gostou. Da autenticidade cultural, ousada para um país pequeno. Ainda que espremido entre dois gigantes (China e Índia), o Butão mantém sua vestimenta, sua culinária, sua língua, seu alfabeto, suas tradições, sua

Subindo ao mosteiro do Ninho do Tigre (Tiger’s Nest) nas montanhas: A principal atração do Butão

O Ninho do Tigre (Tiger's Nest) ou, talvez sendo mais fiel à razão do nome, Ninho da Tigresa, é um mosteiro budista localizado no alto das colinas no Butão, à beira de um precipício. É a atração sine qua non a quem visita o país. A menos que sua condição física realmente não permita, eu diria que esta é uma atração obrigatória a quem vem aqui. É cansativa para quem não é trilheiro experiente, mas é também gostoso como um batismo de fogo. Diz a lenda que o Guru Padme Sambhaya, sábio budista do século VIII que trouxe o budismo tântrico

Monges, paisagens e natureza numa estadia em pousada de família em Paro, Butão

Hoje era um dia de vistas, natureza, e de pela primeira vez nesta viagem dormir em homestay, acomodação em casa de família, não em hotel. Eu estava curioso para saber como seria o ambiente familiar butanês. Claro, em se tratando de Butão, há sempre também mais um dzong (fortaleza) com monges a visitar. Era dia de rumarmos de volta a Paro, distrito onde esta viagem no Butão começou, mas também onde experiências inusitadas ainda me aguardavam. Acordei na capital Thimpu para terminarmos de ver o que havia na cidade antes de zarpar a Paro. Fomos naquela manhã à alta estátua de Buda,

A curiosa gastronomia butanesa: Chá de manteiga, pimenta com queijo, e o “viagra dos Himalaias”

Está aí algo que — eu tenho certeza — provavelmente nem os que mais gostam de viajar na imaginação se detiveram para imaginar: comida butanesa. Eu, quando vim ao Butão, imaginava encontrar uma culinária asiática genérica: arroz com legumes fervidos, talvez com algum tempero inspirado na China ou na vizinha Índia... Juro que não esperei as excentricidades curiosas com que me deparei. Claro que "excentricidade" do meu ponto de vista, pois aos butaneses esse é o normal de cada dia. Experimentei tanta coisa sui generis aqui no Butão que resolvi fazer um post dedicado ao tema. Na capital Thimpu, que vos mostrei

Conhecendo Thimpu, a capital do Butão

Bem vindos a Thimpu. Se naquele jogo de saber os nomes das capitais dos países alguém o desafiar com o Butão, agora você já sabe sua capital qual é.  Thimpu, de apenas 115 mil habitantes, é uma cidade curiosa. Há prédios como em outras capitais do mundo, mas aqui eles todos seguem (por lei) a estética tradicional butanesa, com seus coloridos. Se culturas do mundo todo passaram a dar lugar à por vezes insípida arquitetura contemporânea de edifícios reluzentes sem personalidade cultural, essa personalidade no Butão se guardou. Não é igual aos outros lugares. É uma cidade também em construção. Apesar da

Entre campos de arroz, arquitetura butanesa e budismo tântrico em Punakha, Butão

De que o Butão é um país pitoresco, acho que já os convenci no post anterior. É algo que continuará em todas estas postagens. Mas o Butão também é rico de particularidades, curiosidades, seja o curioso Budismo tântrico, seja a sua arquitetura tradicional tão particular. Eu dormira em Punakha, um dos distritos mais visitados do país, e acordei no dia seguinte para uma manhã nublada. Eu, ambicioso, aproveitei-me de estar viajando sozinho — e, portanto, na minha própria velocidade — para fazer um programa intenso, com tudo o que fosse possível ver ou fazer. Nesta manhã, faria uma caminhada pelos arrozais até um

No Reino do Butão, país budista nos Himalaias

Bem vindos ao Reino do Butão, este país budista nos Himalaias. Uma das viagens mais memoráveis que já fiz. O Butão é o bucolismo rural e natural cada vez mais difíceis de encontrar na Ásia, saturada que está pela superpopulação e pela urbanização desordenada. No Butão, temos menos de um milhão de pessoas, que sequer estão concentradas na capital. Essa, Thimpu, possui apenas 1/7 da população do país, algo mais de 100.000 habitantes.  Os rios continuam limpos. Ver corredeiras ainda quase transparentes, da água gélida que desce dos Himalaias e aqui ganha breves tons esverdeados enquanto margeia as pedras, encheu-me de alegria.

Conhecendo Varsóvia, a capital da Polônia

Varsóvia, embora conhecida de nome por quase todos, pouco figura nos roteiros turísticos dos brasileiros — ou, verdade seja dita, da maioria dos turistas que vêm à Europa. A capital polonesa foi bombardeada e 80% destruída durante a Segunda Guerra Mundial. Quase tudo é novo, do período comunista da Guerra Fria, e talvez por isso falte a Varsóvia a atratividade de outras capitais europeias. Mas isso também joga a seu favor: eu cheguei esperando a mais feia das cidades, e me surpreendi quando vi que não é bem assim. Três horas de trem expresso separam Cracóvia, a irmã mais charmosa, de Varsóvia,

Nowa Huta: “A cidade sem Deus” na Polônia da cortina de ferro

Estamos em 1949, sul da Polônia. A Segunda Guerra acabou. Apesar da destruição, já não há mais gueto judio em Cracóvia, segunda maior cidade do país, e as atividades aterradoras dos invasores alemães no campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau, aqui ao lado, tiveram fim. Um novo tempo estava para ter início na Polônia. Para começar, seu território mudou. O terço leste foi ocupado pela União Soviética durante a guerra e nunca devolvido — hoje fazem parte da Lituânia, da Ucrânia, e da Bielorrússia. Do outro lado, um terço do que é hoje a Polônia era território da Alemanha até

Visitando Auschwitz-Birkenau, o mais famoso campo de concentração nazista

Eu acho novembro um mês lúgubre na Polônia. Nada das belas folhas secas de outono dos bosques do Canadá, ou dos parques de Paris. Na verdade, elas existem na Polônia, mas aqui — a depender de onde você esteja — elas parecem soterradas sob memórias muito mais pesadas que elas. Dias curtos, temperaturas já baixas, e um vento frio anunciando o vindouro inverno. Era assim que estávamos quando saí de Cracóvia, no sul polonês, para visitar as reminiscências do maior campo de concentração e extermínio da Segunda Guerra Mundial: Auschwitz-Birkenau. Embora alemão, ele foi feito em território ocupado dos poloneses, e hoje se encontra

Visitando a fábrica de Oskar Schindler (o da famosa lista) no bairro judeu de Cracóvia, Polônia

Quase todo mundo já ouviu falar em Schindler, no mínimo pelo filme A Lista de Schindler (1993), dirigido por Steven Spielberg e vencedor de sete estatuetas do Oscar. Oskar (não é um trocadilho) Schindler foi um industrialista alemão e membro do partido nazista que, durante a Segunda Guerra Mundial, salvou mais de mil judeus da morte nos campos de extermínio. A forma como ele o fez foi empregando-os na sua fábrica metalúrgica. É interessante como o homem de negócios o faz, inicialmente, apenas por a mão de obra judia ser mais barata (e os judeus que eram considerados "úteis" aos

Cracóvia, Polônia: Conhecendo a histórica capital medieval polonesa

Bem vindos a uma das principais cidades históricas de toda a Europa! Atualmente segunda maior cidade da Polônia (atrás apenas de Varsóvia, a capital), Cracóvia é um encanto. Facilmente a cidade mais turística e quiçá também a mais bela deste que é o maior país do leste europeu. Cracóvia (ou Kraków, que os poloneses pronunciam "Krákuf") data do século VII e foi a capital do Reino da Polônia até 1596. A Polônia não é um país sobre o qual a gente aprenda muito na escola, ainda que haja milhares de brasileiros de sangue polonês. Mas vindo aqui ao país você logo

Nepal além das trilhas: Lugares, dicas, e o que fazer

A maioria dos turistas ocidentais pensa o Nepal apenas em termos de montanhas e trilhas, mas o Nepal é muito mais que isso. Ainda que você não queira embrenhar-se nas lindas paisagens dos Himalaias por falta de tempo (pois as menores trilhas duram 5-7 dias no mínimo), físico ou interesse, há muito que justifique uma viagem aqui. A minha estadia foi curta, de menos de uma semana, mas pude presenciar bastante da cultura, da História, e do ambiente do lugar. Abaixo as minhas considerações gerais, e em seguida várias dicas. O que mais gostou. Da riqueza estética, cultural, e religiosa hindu, comparável e até mais

Cremação e cerimônia hindu no templo Pashupatinath (Katmandu, Nepal)

Fogueiras acesas, ervas prontas, e famílias — espera-se também prontas — para queimar o corpo do seu ente querido na beira do rio. O rio, que dantes devia ser um corpo caudaloso de água limpa, hoje é um riacho escuro sofrido com os males da industrialização sem consciência e da urbanização desgovernada. O ritual, todavia, persiste o mesmo. Cachorros de rua passeiam no recinto enquanto um sacerdote organiza as toras de madeira para queimar. Faz-se uma fogueira na plataforma justo à margem, algo elevada, enquanto as mulheres descem as escadarias (os ghats) que vão até as águas para banhar ou benzer algo. Há resíduos

Templos e legado histórico no Nepal: Bhaktapur, Patan e Changu Narayan

O Nepal nem sempre foi um país unido. Até o século XVIII, havia muitos pequenos reinos vizinhos aqui nesta região dos Himalaias. Perto de Katmandu, que nada mais era que a capital de um daqueles, você tem nada menos que outras três antigas capitais: Bhaktapur, Kirtipur, e Patan (atualmente renomeada Lalitpur, mas ainda conhecida pelo seu nome histórico). Cada uma tem a sua Durbar Square, a sua praça palaciana. Era hora de eu conhecer esse legado histórico nepalês. Passada a nossa manhã de largas caminhadas por entre os terraços de arroz e vales verdes do Nepal, a tarde seria histórica. A

Vales e terraços de arroz nos Himalaias: Uma caminhada nos arredores rurais de Katmandu, Nepal

As pessoas imaginam os Himalaias sempre como aquelas montanhas altíssimas, de mais de 8.000m de altura e picos nevados. No entanto, esquecem que antes de chegarmos àquelas elevações há grandes áreas de vales verdes, cultivados com terraços de arroz ou chá, onde as pessoas vivem. Foi algo que eu quis conferir aqui no Nepal, nos arredores de Katmandu, para ver algo da vida diária e das suas paisagens. A quem procura fazer uma caminhada ou trilha de um dia, por não ter tempo, disposição ou físico para as longas trilhas de uma semana ou mais até a base do Everest, Annapurna

O Mosteiro Kopan e Boudhanath: Espaços tibetanos em Katmandu, Nepal

Katmandu tem o agito e o bafafá que eu mostrei no post anterior, mas tem também seus cantos singelos. Muitos desses estão relacionados à presença tibetana aqui. Alguns dos mais belos locais de cultura tibetana fora do Tibete estão em Katmandu, a capital nepalesa. Sempre houve grandes trocas culturais através dos Himalaias, esta que é a maior cordilheira do planeta. Porém, quando a China invadiu em 1951 a terra do Dalai Lama, este fugiu para a Índia, mas foi cá no vizinho Nepal que muitos tibetanos se refugiaram. Parte da riqueza cultural do Nepal de hoje se deve a essa linda mistura,

Bordejos em Katmandu, Nepal: Templos, ruas loucas, e cultura tibetana

Olhe o horizonte. Calma, não se assuste demais com a muvuca das ruas. Estamos no Nepal, um dos países mais pobres da Ásia, mas também um dos mais belos. Pobreza e beleza estão aqui lado a lado. Aqui fica o famoso Monte Everest, maior montanha do mundo (a 8.848m); há lindas paisagens tanto rurais quanto naturais; e há ricas e milenares culturas dos Himalaias, a mais elevada cordilheira de montanhas da Terra. O Nepal acontece de ser onde o Buda nasceu (em 563 a.C.), e estando estrategicamente posicionado entre a Índia e o Tibet  (este atualmente na China) o Nepal também tem

Visto na chegada para brasileiros e imigração no Nepal: O procedimento e a experiência

Bem vindos ao Nepal, um dos países mais turísticos do Oriente. Estamos na Cordilheira dos Himalaias, a mais alta do mundo, entre a Índia e a China. Acabei de chegar, e nos posts seguintes relatarei a minha visita e experiência aqui.  Por ora, quero compartilhar informações sobre o procedimento e a experiência de obter o visto nepalês na chegada ao aeroporto de Katmandu, a capital. Brasileiros, assim como portugueses e outra centena de nacionalidades, não precisam solicitar visto antes de viajar ao Nepal. Basta vir. Isso se aplica tanto a vindas de avião quanto a entradas por terra, vindo de países vizinhos.

Armênia & Geórgia: Qual visitar, lugares aonde ir, e dicas de viagem

Geórgia e Armênia são países tradicionalíssimos nas montanhosas paisagens do Cáucaso, um dos cantos menos visitados e mais bonitos da Europa. É um recanto que está finalmente caindo nas graças do turismo, e que merece a sua atenção. Eu passei pouco mais de uma semana entre as duas, e compartilho aqui a minha experiência. Qual a mais interessante? De preferência visite ambas, pois elas têm muito em comum mas não são idênticas. Geórgia e Armênia ficam pertinho uma da outra, nenhuma requer visto, e viajar de uma a outra é muito fácil. Porém, para guiá-los, aqui vai um breve comparativo do que

Kutaisi: Voos baratos e a Geórgia do dia-dia

Tbilisi tem atraído um número crescente de turistas à Geórgia, junto com as Montanhas do Cáucaso e suas paisagens. Não é pra menos: as vistas montanhosas são lindas, e a capital georgiana é charmosa como poucas, cheia de atrações, boa gastronomia, e em conta. Já Kutaisi é uma história diferente. Nesta que é a segunda maior cidade da Geórgia, o turismo pouco chegou. As pessoas a têm basicamente como ponto de passagem, seja rumo às montanhas deste oeste do país, ou por aqui ser o aeroporto mais usado pelas aerolinhas de baixo custo voando para a Europa (tomem nota).  Eu vim a

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