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Home > Author: Mairon Giovani

Celebrando Midsommar: A festa junina do solstício de verão na Suécia

Quando o verão se aproxima, a Suécia entra em polvorosa, mas de modo diferente da maioria da Europa. Não se trata somente da chegada da estação mais calorosa depois de meses de tempo frio. Na Suécia, como em alguns outros países da Europa nórdica e báltica, se trata do maior evento do ano: Midsommar, a celebração do dia mais longo do ano, uma tradição milenar por aqui. Como estamos em elevada latitude, a duração dos dias varia bastante a depender da estação. É algo que pouco se vê nos trópicos, mas que faz toda a diferença aqui nas zonas temperadas do

Comida Mexicana (2.0) e seus pratos típicos, bebidas e especialidades: Milho, pimenta e chocolate na veia

A culinária mexicana é algo potente. Pimentas que ardem, muito feito do milho, e chocolate, esse tesouro que os mesoamericanos doaram ao mundo. Uma veia nativa muito rica esta gastronomia tem. Eu cheguei a discorrer sobre ela num post anterior. Agora, após os percursos e experiências em mais lugares no México, vamos à versão 2.0 — mais completa e atualizada — dos Comes & Bebes mexicanos. Tortilhas e afins: A alma mexicana Pimentas, pimentas: Verdes e vermelhas Molhos e moles Chocolate: Invenção mesoamericana para o mundo Há vida para vegetarianos? Doces e paletas Os "bebes" no México: Con o sin alcohol Tortilhas

San Cristóbal de las Casas, Chiapas: Linda cidade colonial e indígena no sul do México

Bem vindos ao emblemático estado de Chiapas, o mais meridional do México, já na fronteira com a Guatemala. Estamos numa área tropical elevada, onde os jaguares antigamente salteavam nas matas das colinas, e os povos mayas faziam das melhores agriculturas e engenharias do mundo. Não estou falando de passado remoto. Embora a "Era de Ouro" da civilização maya tenha se dado de 250-900 d.C., eles não desapareceram. Suas cidades, embora já não tão dominantes, continuaram de pé, e a população maya continua aqui até hoje, falando seus idiomas nativos nas ruas e mantendo o que foi possível da sua cultura. Se você

Hierve el Água: Piscinas naturais e cascatas petrificadas em Oaxaca, México

Eis um dos mais famosos tesouros naturais do México. Este post encerra a minha viagem pelo estado de Oaxaca, antes de eu seguir a Chiapas, ainda mais a sul no país. A quem já se convenceu da riqueza cultural desta região, saiba que sua natureza também é linda. Meu tour às ruínas da antiga cidade zapoteca de Mitla trouxe-me também aqui a Hierve el Água ("ferve a água"), um conjunto de piscinas naturais e cachoeiras petrificadas (calma que eu explico) no alto das colinas da Sierra Madre Sur. Essas águas são ricas em minerais e, dizem, têm propriedades curativas. Elas brotam das

Conhecendo o mezcal na origem: em Oaxaca, sul do México

Nos profundos recantos do interior de Oaxaca, aqui no sul do México, qual foi a nossa surpresa ao reencontrar o señor Simón, guia do nosso tour do dia anterior. Estava ele a guiar outro grupo hoje, e apresentou a todos nós com sua senioridade o mezcal, bebida típica do México feita através da fermentação do agave. Fica muito diferente da tequila, que é o agave destilado. "Para todo mal, mezcal", dizia-nos ele na sua voz de avô, aquela certeza tranquila que só os mais idosos têm. "Para todo bien, también. Y para remedio, litro y medio", concluía ele certo. Como todo bom

As ruínas zapotecas de Mitla e a árvore milenar em Tule, Oaxaca

Sigo eu pelo interior de Oaxaca, sul do México, a descobrir tesouros arqueológicos das civilizações indígenas e também algo ainda mais antigo. Não é todo dia que se esbarra num ser vivo que já estava vivo quando o profeta Maomé, o imperador Justiniano e outros ainda caminhavam pela Terra, e os Vikings não haviam nem começado ainda a navegar. Nós neste post passearemos entre o antigo, o muito antigo, e o antiquíssimo. Tem um pouco de loucura também, porque no México — como é característico do melhor da América Latina — você sempre esbarra numas pessoas que parecem saídas da

Curiosidades da gastronomia e belezas da cultura de Oaxaca, México

Coloridos, coloridos vários. Não há México sem cores, muito menos Oaxaca. Seja na comida ou nas artesanias, o colorido vivo está aqui por toda parte. Nas comidas propriamente ditas, como também nos pratos propriamente ditos. Nessas tapeçarias de fio de agave, como nas pequenitas esculturas em madeira que fazem de monstros e criaturas fantásticas brinquedos infantis. Este post é uma modesta amostra da cultura oaxaqueña de que me embebi por uns dias, algumas das comidas que experimentei e das coisas que vi. De molhos preparados com gafanhoto a lindos têxteis de coloração natural. Estou fazendo essa anarquia com os gafanhotos porque são

Tour a Monte Albán: Ruínas zapotecas e mixtecas em Oaxaca (México)

Lá está Monte Albán contra a paisagem da Sierra Madre no sul do México. Pode não ter a imensidade de Teotihuacán, ou a extensão das ruínas mayas em Yucatán, mas é o principal sítio de ruínas zapotecas e mixtecas, mostrando a diversidade cultural e histórica do país. Não são apenas legados astecas e mayas como se costuma imaginar, mas de uma variedade de nações indígenas distintas que aqui floresceram ao longo do tempo. Monte Albán, apesar do nome mui espanhol, foi uma cidade zapoteca fundada nos idos de 500 a.C. e que viria a dominar esta parte da Mesoamérica pelos séculos seguintes.

Oaxaca de Juárez: Dos lugares mais belos, coloridos, e culturalmente ricos do México

Estamos em mais uma cidade colonial mexicana, das mais bonitas. Na verdade, Oaxaca [lê-se Oarráca] talvez seja a que mais me encantou. Em termos de beleza visual, todas são fofinhas, mas a beleza cultural aqui desponta ainda mais que o normal. Estamos no sul do México. Ao longe da cidade se veem as colinas da Sierra Madre Sur. São algumas horas de ônibus desde Puebla até esta quebrada onde o México faz a curva. Oaxaca, um dos 31 estados mexicanos, é aproximadamente do tamanho de Pernambuco ou Santa Catarina. Sua capital, Oaxaca de Juárez — quase nunca chamada pelo nome inteiro

Cholula (México) e a maior pirâmide do mundo

Essa vista da foto de abertura é do topo da pirâmide, uma pirâmide asteca, a maior do mundo. (Sim, os espanhóis construíram uma igreja em cima dela.) Estamos em Cholula, uma cidadezinha que mais parece um bairro de Puebla, de tão próxima que é. Talvez o mais justo e adequado seja começar com o breve vídeo de 1 min que fiz no trajeto do ônibus até lá, pelas ruelas de casas coloridas típicas mexicanas, e com direito à trilha sonora do motorista e tudo. Sintam o México. Era, como vocês podem perceber, uma dia nublado, meio de uma chuva que me atrapalhou.

Puebla e seus tesouros do barroco colonial mexicano

Muito tem o México em comum com o Brasil. Embora tenhamos muito pouca irmandade para com os outros latino-americanos (os brasileiros em geral preferem se afeiçoar da Europa, quando não com os Estados Unidos ou até mesmo a África antes de olhar para a própria vizinhança), há muito de parecido e de história compartida. O barroco colonial é uma dessas manifestações mais evidentes das semelhanças latino-americanas. Barroco não é apenas arquitetura de igreja. (Música barroca existe, pra quem não sabe, embora esta seja um elemento bem mais europeu que americano.) O barroco foi uma época cultural da Europa com seus prolongamentos

Ballet Folclórico Mexicano no Palácio de Belas Artes da Cidade do México

O Palácio de Belas Artes da Cidade do México é um de seus prédios mais notáveis, teatro-maior da cidade com sua arquitetura do início do século XX em mármore branco de Carrara. Hoje é um ícone na grande praça Alameda Central onde jovens namoridos mexicanos agarram-se sem pestanejar.  Muitos turistas vêm fotografá-lo por fora; relativamente poucos entram para assistir a um espetáculo. Eu lhes recomendo fazê-lo, e talvez o melhor desses espetáculos não seja outro se não o Ballet Folclórico Mexicano. Esse é um grupo artístico fundado pela produtora Amalia Hernández em 1952, mui tradicional e que segue em atividade (sempre,

Coyoacán, o bairro mais simpático da Cidade do México

Ali estou eu em meio aos coiotes que dão nome a Coyoacán. No tempo dos astecas, aqui ficava um vilarejo dos vizinhos Tepanecas notável por aqueles animais — Coyoacán significa "lugar de coiotes" na língua náhuatl dos astecas. A "Cidade do México" que cresceu aqui por sobre a capital asteca expandiu-se até englobar aquele vilarejo como parte sua, e hoje Coyoacán provavelmente é o bairro mais bonitinho e simpático de toda a megalópole mexicana. Muita coisa aconteceu de lá para cá. Coyoacán permaneceu um vilarejo colonial independente pela maior parte de sua história. Aqui é que os espanhóis celebraram sua primeira

Cristianismo popular na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, México

Domingo de manhã na Cidade do México. A ampla e linda avenida Paseo de la Reforma com seu icônico Ángel de la Independencia fechada para carros, transformada num grande boulevard para bicicletas, pessoas e cachorros. Minha meta era revisitar, desta vez com mais calma, o santuário da Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe (La Vírgen de Guadalupe, como eles dizem aqui em espanhol). Do Paseo de la Reforma, qualquer ônibus com direção a Hidalgo o leva à basílica mais rápido que o metrô. (Já se você estiver longe, a estação de metrô aonde chegar é La Villa-Basílica.) Eu já havia visitado a

O Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México em 20 fotos: Conhecendo os antepassados

Se você usa roupas de algodão, esse algodão industrial de hoje foi domesticado pelos indígenas mexicanos. Se você come milho de qualquer tipo, a sua domesticação e cultivo também se devem aos indígenas do México e da América do Sul. São antepassados culturais da América Latina (e, em certa medida, do mundo todo) mesmo para quem não tem sangue indígena mesoamericano.  Há um mundo de coisas não ditas, sub-ditas, ou desconhecidas acerca dos indígenas das Américas. Eu cheguei a discorrer antes sobre isso. O Museo Nacional de Antropologia na Cidade do México provavelmente é o maior e melhor do mundo no

Voltando à Cidade do México: Lugares e atrações principais numa das maiores metrópoles do mundo

Tempos depois da última visita, estou eu aqui novamente. A Cidade do México é das minhas favoritas no mundo. Não morro de amor, mas gosto. Talvez seja um apreço mais de admiração intelectual que de afeição. Afinal, poucas cidades no mundo têm a magnitude desta metrópole de 20 milhões de habitantes com uma herança cultural que remonta aos astecas (com ruínas da sua capital Tenochtitlán aqui), a fartura da culinária mexicana, sua gente festiva, a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe (sítio cristão mais visitado do mundo), entre outros fortes. Quer você se afeiçoe a esses lugares quer não, há de

No Principado de Liechtenstein na Europa

Do alto de um castelo antigo nas montanhas alpinas governa ainda um príncipe soberano, em plena Europa do século XXI. Estamos em Liechtenstein, um principado independente encravado nos Alpes entre as mais remotas partes da Suíça e da Áustria. Estamos falando de um país de apenas 160Km², isto é, menor que a cidade de Aracaju, capital de Sergipe. Na prática, como eu pude conferir, se trata de uma estreita faixa de terra (de uns 2Km de largura) entre altas montanhas nos Alpes e o Rio Reno, que oficialmente divide Liechtenstein da Suíça. Como pode esse lugarejo permanecer independente? Isso foi parte do

Leicester e as Midlands britânicas: Na antiga Mércia, coração da Inglaterra

Leicester (pronunciada Léster) não é exatamente a cidade mais famosa da Inglaterra. Ao menos não fora das suas fronteiras. Já dentro, ela é conhecida como a histórica cidade onde está enterrado o último rei inglês a morrer em batalha (Ricardo III em 1485), assim como hoje pelos seus ótimos curries indianos.  Estamos nas chamadas Midlands, estas "terras médias" do miolo da Inglaterra. Aqui ficava o Reino da Mércia, constituído em 527 d.C. Teria sido nessa época e nessa região que vivera o lendário Rei Arthur, personagem de contos populares (verídicos ou não) que o clérigo Geoffrey de Monmouth em 1138 compilou

York, a histórica cidade inglesa fundada pelos Vikings

Nestes tempos de Brexit eu fui dar umas voltas na Inglaterra. Não por curiosidade, nem por perversão, mas a trabalho. (Sim, eu trabalho, e não é com turismo nem viagens.) O evento onde eu me faria presente foi em York, no norte da Inglaterra, uma das cidades mais tradicionais do país. Fundada pelos romanos em 71 d.C., ela ganhou proeminência quando os Vikings a invadiram e renomearam como Jórvík em 866. Esse era um tempo de tormentos e de guerra constante numa Inglaterra ainda não unificada. Como quem assistiu ao seriado Vikings viu, aqui havia uma meia dúzia de reinos distintos (Mércia,

Patagônia chilena: Dicas, custos, lugares para ver, e o que fazer

A Patagônia, no extremo sul da América do Sul, é dos lugares mais exóticos, remotos e lindos do planeta. Dividida formalmente entre o lado argentino (Ushuaia, Perito Moreno, etc.) e o lado chileno, vale certamente a pena ver os dois. Este post compila uma semana de viagem que fiz pelo lado chileno da Patagônia, passando pelo famoso parque Torres del Paine e outros lugares. Primeiro o balanço, e em seguida as dicas. O que mais gostou. As lindas paisagens, com água azul-clara vinda das geleiras, impressionantes glaciares, e montanhas que parecem de filme. Visita obrigatória. O Parque Nacional Torres del

Fiorde Ultima Esperanza e os glaciares Balmaceda e Serrano, na Patagônia Chilena

Após ver um glaciar argentino no dia anterior, hoje era dia de ver glaciares chilenos. Nacionalidades irrelevantes à parte, são belezas estonteantes deste extremo sul da América do Sul. Na Patagônia às vezes parece, sinceramente, que estamos em algum cenário de O Senhor dos Anéis ou coisa parecida. Hoje eu aqui tomaria até uísque com gelo milenar.  Este passeio pelo fiorde Última Esperanza e para ver os glaciares Balmaceda e Serrano é mais um dos tours espetaculares que você pode fazer a partir de Puerto Natales, cidade chilena aqui no extremo sul do país. Duas empresas realizam esse passeio: Agunsa e 21 de

Visitando o glaciar Perito Moreno em El Calafate (Argentina)

Tal como o Coronel Aureliano Buendía em Cem Anos de Solidão, eu jamais vou me esquecer do dia quando pela primeira vez na vida vi o gelo. Claro que aqui não me refiro a um gelo qualquer, mas a um glaciar.  Glaciares como o Perito Moreno são lugares especiais no mundo. Trata-se de um gelo mais denso que o normal, um gelo gerado através de séculos (ou milênios) de acúmulo de neve sobre ele comprimindo-o. Com a pressão, as bolhas de ar presentes na água ou no gelo comum escapam. E assim o gelo glacial aparece azul, da mesma forma que

Tour no Parque Nacional Torres del Paine, na Patagônia Chilena: Opções, custos, e a experiência

A 1h de viagem da cidade de Puerto Natales, o Parque Nacional Torres del Paine é a "menina dos olhos" da Patagônia chilena. Não é sem razão: o lugar é estupendamente bonito. Água azul-clara de glaciares derretidos, e montanhas escarpadas que parecem esculpidas para ser cenário de O Senhor dos Anéis. Nem todos os caminhos trazem a esta Roma, mas há muitas formas de vir aqui. As duas principais são: como trilheiro, para os que gostam de longas caminhadas e gozam de tempo, ou num tour em van com empresa de turismo. Deixem-me só passar o básico de opções e custos antes

Chegando a Puerto Natales, extremo sul do Chile

Puerto Natales está para a Patagônia chilena como San Pedro, no outro extremo do país, está para para a região do Atacama. Quase. São regiões diferentes, cidades (bem) diferentes, mas ambas funcionam como centro de onde partem tours. A cidade fica naquele extremo sul do Chile onde braços de mar (fiordes) adentram pelo continente, na província de Última Esperanza. (Nome adequado.) O fiorde diante da cidade tem esse mesmo nome. Cheguei vindo de ônibus desde Punta Arenas, cidade maior. A primeira vez que ouvira falar de Puerto Natales foi a partir de um hippie, Juan, um quarentão doidão conversador que achei de

Punta Arenas, a Patagônia chilena e o Estreito de Magalhães: No extremo sul do Chile

Bem vindos a Punta Arenas, uma das cidades mais meridionais do mundo. Estamos a 53º de latitude sul, o que significa dizer que a Antártida está logo ali, mais próxima que Buenos Aires ou Santiago. Eis a Patagônia, o fim do mundo — e a última região continental da Terra a ser colonizada por humanos, caso você ainda não soubesse. Quem deu o nome "Patagônia" foi o explorador português Fernão de Magalhães, que passou por aqui a serviço da coroa espanhola em 1520, na primeira circumnavegação da Terra. Notem no mapa que há um estreito antes da ponta da América do

DICAS de San Pedro de Atacama e tours (com Salar de Uyuni na Bolívia)

A região dos Andes entre o Deserto de Atacama (no Chile) e o Altiplano boliviano é uma só. A fronteira entre Chile e Bolívia nada mais é que um artifício humano, uma barreira imaginária numa natureza que é a mesma de um lado de do outro: uma natureza inóspita, bela, exótica e impressionante aos seus 3.000-6.000 mil metros de altitude. Passei cerca de uma semana entre San Pedro de Atacama, fazendo tours a partir de lá, e o roteiro do Salar de Uyuni na Bolívia. Foi uma viagem só, cujo balanço final vai aqui abaixo. Embora sejam dois países, estes lugares

Surrealismo branco: Visitando o Salar de Uyuni na Bolívia

Continuação de Paisagens andinas, lhamas e hotel de sal: Segundo dia do tour ao Salar de Uyuni O Salar de Uyuni é daqueles lugares que, quando eu vi por foto pela primeira vez anos atrás, disse: "Preciso conhecer", enquanto mirava vidrado e meio estupefato aquela imensidão branca "vazia", de puro sal e céu. Chegada a hora de finalmente vê-lo de perto. Já era a terceira manhã do nosso tour saído de San Pedro de Atacama, no Chile. Havíamos passado pelas impressionantes lagoas coloridas no Altiplano boliviano e em seguida por outras paragens da região, como o cemitério de trens. Acordávamos hoje cedo, no

Paisagens andinas, lhamas e hotel de sal: Segundo dia do tour ao Salar de Uyuni

Continuação de: As lagoas coloridas do Altiplano boliviano: Primeiro dia rumo ao Salar de Uyuni Dormimos no que eu chamaria de uma maloca de cimento após o primeiro dia do tour ao Salar de Uyuni. As casas bolivianas são notoriamente básicas, não-acabadas, aquelas construções apenas de cimento, tijolo, e vidros nas janelas. Um tanto apertadas e cheias de gente, mas é a realidade socioeconômica do lugar. Ninguém espere grandes confortos — nem calefação para as noites frias daqui. Mas o dia prometia mais paisagens neste pitoresco altiplano boliviano, com suas lhamas e cânions, e é isso que me trazia. Começava o segundo dia.

As lagoas coloridas do Altiplano boliviano: Primeiro dia rumo ao Salar de Uyuni

Um dos programas mais populares para quem está no Deserto de Atacama é ir além do Deserto de Atacama — além do Chile, para além das fronteiras. Afinal, os Andes são uma nação cultural, um bioma, e as fronteiras nada mais são que abstrações humanas. Nessa "ida além", o passeio mais popular é adentrar a vizinha Bolívia rumo ao famoso Salar de Uyuni, muito mais acessível desde aqui que a partir das grandes cidades bolivianas como La Paz ou Santa Cruz. O tour para o Salar de Uyuni, aquela imensidão branca de sal que talvez alguns já tenham visto por foto,

San Pedro de Atacama, Chile (Parte 4): Natureza e paisagens surreais a quase 5.000m de altitude no Salar de Tara

Continuação de San Pedro de Atacama, Chile (Parte 3): Gêiseres de Tatio ao raiar do sol, e finalmente lhamas! Não há muitos lugares no mundo tão fotogênicos quanto a região de Atacama, no Chile. Este post conclui a minha breve expedição na parte chilena da região, vindo aqui conhecer o que este deserto reserva. Claramente, muito mais do que secura. Após visitar o Vale da Lua, as Lagunas Altiplânicas e os Gêiseres de Tatio, ainda baseado em San Pedro de Atacama, o meu tour final seria para mirar de mais perto o Vulcão Licancabur e visitar o Salar de Tara — lugares

San Pedro de Atacama, Chile (Parte 3): Gêiseres de Tatio ao raiar do sol, e finalmente lhamas!

Continuação de San Pedro de Atacama, Chile (Parte 2): Flamingos andinos e as Lagunas Antiplânicas Nem sempre onde há fumaça há fogo. Tecnicamente, estamos falando de vapor, mas são verdadeiras as nuvens que emergem da água fervente rumo ao sol enquanto do lado de fora estávamos a -7ºC. "Mairon!", gritou-me a chilena da recepção quando eu passei, ao que devia ser umas 4:30 da manhã, tudo ainda escuro em San Pedro de Atacama. "Se vista mais", disse-me ela fazendo gesto de quem põe uma jaqueta e naquele tom quase maternal que algumas moças acham de adotar com todo mundo. Eu tenho boa tolerância

San Pedro de Atacama, Chile (Parte 2): Flamingos andinos e as Lagunas Altiplânicas

(Continuação de San Pedro de Atacama e o Vale da Lua no deserto mais seco do planeta) Meu primeiro dia havia me apresentado a pequenina cidade de San Pedro de Atacama e seus vales desérticos "de outro planeta", como o Vale de Marte e o Vale da Lua (ver o post anterior). Agora, neste segundo dia, o nível de beleza das paisagens subiria ainda mais. Era dia de despertar cedo para ver as impressionantes Lagunas Altiplânicas e seus flamingos andinos com reflexos na água. As Lagunas Altiplânicas são várias distintas, e o passeio começa cedo. A ideia é chegar logo no início

San Pedro de Atacama (Chile) e o Vale da Lua no deserto mais seco do planeta

Finalmente vim eu a este que tem sido um dos destinos mais populares dos últimos anos entre os brasileiros: San Pedro de Atacama, no norte do Chile. Eu nunca havia entendido o porquê dessa "febre", até vir. Eu vim em janeiro, na alta estação, quando as temperaturas estão mais razoáveis e as ruas pululam de visitantes. É bem turistão, repleto de brasileiros, um misto de paisagens e festa. Você faz o que quiser acerca das festas, mas se prepare para ter — como mostrarei ao longo dos próximos posts — algumas das vistas mais impressionantes que seus olhos já viram. Quando

Visitando Macau e o legado português na China

O calçamento e as construções portuguesas aqui se misturam ao vermelho e à gente chinesa. Macau é um lugar único — a primeira e a última colônia europeia no leste asiático. Estamos no sudeste da China, aonde em 1513 aportou o português Jorge Álvares. Ele teria sido o primeiro europeu a chegar à China por via marítima, pelo que se tem registro. Em 1557, Portugal obteria da Dinastia Ming o direito de fixar um entreposto comercial permanente aqui na foz do Rio Pérola: Macau. Essa foi a primeira de todas as colônias europeias no leste asiático — séculos antes de Hong Kong,

Como ir de ferry entre Hong Kong e Macau (e a imigração em Macau)

Viajar de ferry entre Hong Kong e Macau é facílimo, e uma viagem que vale muito a pena. Sobre Hong Kong eu já escrevi vários posts aqui no site, e sobre Macau — colônia portuguesa na China de 1557 a 1999 — eu escreverei logo a seguir.  Apenas 1h de viagem de ferry separa essas duas regiões administrativas especiais da China, que têm seus próprios regimes de visto, controles de fronteira, e moedas. O acordado entre Pequim e os antigos colonizadores europeus foi preservar aqueles sistemas autônomos por 50 anos, portanto até mais ou menos 2050, quando então Macau e Hong Kong devem

A experiência de celebrar o Ano Novo Chinês na China, em Hong Kong

Neste fevereiro, celebrou-se o Ano Novo Chinês, nome popular para o que é o Ano Novo Lunar, celebrado por muitas culturas na Ásia — a chinesa só acontece de ser a maior delas. Vietnamitas, butaneses e outros asiáticos juntam-se a 1,5 bilhão de chineses para comer bastante, reunir-se em família, e olhar suas previsões astrológicas. Há uma série de tradições que pude experimentar em primeira-mão neste ano, uma festa muito diferente do réveillon ocidental. A quem estiver a se perguntar, o Ano Novo Lunar cai na segunda lua nova após o solstício de inverno no hemisfério norte (21/22 de dezembro, quando no

Uppsala, a cidade mais tradicional da Suécia

Este será um post curto, de uma breve viagem de inverno a Uppsala, provavelmente a cidade mais tradicional da Suécia.  Aqui é desde 1164 a sede do arcebispado primaz da Suécia, e desde 1477 sede da universidade mais antiga do reino. (Sim, porque a Suécia continua a ter um rei.) Cidade universitária, ela, a 70Km ao norte de Estocolmo, continua sendo um nome que evoca tradição e história. Dizem que quando os Vikings cultuavam seus deuses nórdicos, um grande templo a Frey, deus da fertilidade, encontrava-se aqui. Uppsala era o centro comercial e populacional destes Vikings da costa do Mar Báltico, onde

Estocolmo (Suécia) no inverno: Gamla Stan, Skansen, Museu Vaasa, e mais da capital sueca

Eis um gelado e fulgurante entardecer em Estocolmo. Era cedo, umas 4 da tarde no máximo. O sol caía em todo o seu esplendor celeste por detrás da vista para a capital sueca. No chão, mais próximo, congelada estava a água salgada e doce que circunda a cidade por quase todos os lados. Pelo leste, o Mar Báltico. Pelo oeste, o Lago Malar (aportuguesado do nome Mälaren em sueco). Foi no inverno a minha primeira vez em Estocolmo, a capital sueca que nunca esteve muito nos roteiros turísticos, mas que muitos brasileiros têm descoberto mesmo assim. Ela é a maior cidade

Inverno em Bergen, a cidade mais pitoresca da Noruega

Bergen é a Noruega fofa que você não encontra em Oslo. Casas de madeira em arquitetura tradicional à beira-mar, um porto tranquilo ao som de gaivotas, ruelas quietas, e pratos típicos noruegueses. Estamos na segunda maior cidade do país. (Não parece.) Enquanto a capital tem seu misto de partes bonitas e áreas decadentes que não condizem com a riqueza da Noruega, Bergen tem um calibre muito mais turístico. Calçadões, prédios antigos, beleza tradicional, e tudo que uma boa cidade histórica europeia pede. Eu cheguei aqui numa noite de inverno, após fazer por conta o roteiro Norway in a Nutshell, que inclui trajetos

Trens e fiordes pela Noruega: O roteiro “Norway in a Nutshell” no inverno

Viajar de trem pela Noruega é um encanto. No inverno então, é um encanto exótico para nós saídos de países quentes. As ricas montanhas e vales noruegueses ficam cobertos de neve entre janeiro e março, as árvores da paisagem ficam brancas, e muitos rios e cachoeiras, congelados. Há pelo menos quatro ou cinco rotas ferroviárias muitos cênicas e pitorescas na Noruega que o próprio escritório de turismo norueguês recomenda. A mais famosa dela é a apelidada de Norway in a Nutshell (literalmente "a Noruega numa casca de noz", o que é uma expressão inglesa para designar um resumo simplificado de algo

Oslo (Noruega) no inverno e o Centro do Prêmio Nobel da Paz

Janeiro na Noruega. Sua capital, Oslo, de meros 600 mil num país de 5 milhões de habitantes, está congelada pelo inverno. A neve cai, as árvores estão secas, e os dias estão ainda curtos. De um amanhecer às 8:30, a luz do sol — frequentemente entre um céu encoberto de nuvens cinzentas — só dura até as quatro e pouca da tarde. Oslo, no entanto, é a capital daquele que na real é o país mais rico da Europa. Apenas Luxemburgo é superior em PIB per capita, mas isso é por aquele principado ser um paraíso fiscal e ter índices econômicos que não

Romênia com Transilvânia: Dicas de viagem, cidades a visitar, e o que fazer

Nem todos sabem que a Transilvânia fica na Romênia, ou que a Romênia tem mais para ver que apenas a Transilvânia. Estamos aqui na região dos Bálcãs Orientais, num dos países mais subestimados da Europa do ponto de vista turístico. Eu já vim 3 vezes à Romênia. Já morei com romenos e me satisfaço em ter muitos amigos aqui. É um país fascinante, culturalmente muito rico, e definitivamente pouco conhecido e subestimado pelos turistas mundo afora. Aproveitando-me dos 100 anos do país, faço aqui um breve balanço das minhas experiências na Romênia, e compartilho algumas dicas de lugares maravilhosos a conhecer. O

Timisoara, a mais elegante das cidades da Romênia

Timisoara bem possivelmente é a mais elegante de todas as cidades romenas. Aqui já não estamos mais na Transilvânia, mas no extremo oeste do país, quase fronteira com a Sérvia e a Hungria (ver mapa abaixo). Continua aquele pano de fundo histórico e arcabouço cultural da Europa Central, que detalhei anteriormente nas cidades transilvânicas (Brasov, Sighisoara, Cluj-Napoca, Sibiu), mas o ambiente de montanhas agora dá lugar às planícies e fazendas que caracterizam esta região de Banat. Eu chegava aqui de Sibiu num trem da madrugada que veio praticamente vazio. Era 1° de janeiro, e poucos pareceram dispostos a se juntar a

Réveillon em Sibiu, Saxões na Romênia e a Transilvânia barroca

Sibiu é possivelmente a cidade mais bonita que eu ainda não conhecia. Fundada no século XII como um entreposto comercial por imigrantes alemães — saxões, para ser mais exato —, Sibiu é um dos grandes centros da Transilvânia e talvez a mais bela cidade na Romênia. O que Sighisoara mostra da Transilvânia medieval dos tempos do Drácula, Sibiu revela da Transilvânia barroca, mais moderna, dos últimos séculos já sob domínio austríaco. Foi também onde eu escolhi passar este último réveillon. Era noite quando eu cheguei aqui, vindo de Cluj. Aquela, porém, ainda não era a noite do réveillon. Eu havia me dado a

Entre a Transilvânia de ontem e hoje na sua capital histórica, Cluj-Napoca (Romênia)

Eis ali no seu cavalo, diante da Catedral de São Miguel Arcanjo, o rei húngaro Matthias Corvinus (1443-1490). Estamos hoje, todavia, na Romênia, numa das cidades de nome mais curioso aonde já fui, Cluj-Napoca — lê-se como se escreve. Cluj, como é mais comumente chamada, foi a capital do Grande Principado da Transilvânia, uma entidade sob a coroa húngara e, mais tarde, austríaca. A cidade, como o restante da região, até hoje guardam aromas e vistas típicas da Europa Central, ainda que a Romênia não faça parte dessa região. Hoje, ela é a segunda maior cidade do país, após a capital Bucareste. Nos

Sighisoara, a pitoresca cidade medieval da Transilvânia onde teria nascido o Drácula

Bem vindos ao interior da Romênia no leste europeu; à Transilvânia, esta terra de natureza e heranças medievais bem conservadas, e que muitos creem nem existir de verdade. Existe, é composta por vales entre as Montanhas dos Cárpatos, colinas verdes, e belas cidades históricas. Delas, Sighisoara é talvez a mais pitoresca de todas. Eu chegava aqui vindo de Brasov, naqueles dias mágicos entre o Natal e o Ano Novo. Um inverno de zero grau pairava no ar, sob um céu nublado e uma névoa que dão certa magia à região. Inevitavelmente, quando se menciona "Transilvânia", quase todo mundo a associa imediatamente ao Conde

Viagens de trem na Romênia: O que esperar e como reservar online

A Romênia é um país com 22 milhões de habitantes e do tamanho da Espanha, com muita diversidade regional e lugares a conhecer. Portanto está longe de ser a viagem curta que é ir a outros países dos Bálcãs como Macedônia ou Kosovo, ou mesmo a países pequenos como a Bélgica e a Holanda. Nessa diversidade de riquezas culturais e naturais, a Romênia é um país que tem muito mais a oferecer do que a maioria dos brasileiros (e europeus) pensam, e viajar de trem aqui é parte da experiência. Como noutras partes da Europa, há uma densa malha ferroviária ligando as

Brasov (Transilvânia) no inverno e no Natal

Basta mostrar um castelo e falar "Transilvânia", e os ocidentais imediatamente pensam todos no Drácula. Calma, a Transilvânia tem bem mais que isso, nem é esse lugar macabro que muitos imaginam. Há, sim, uma atmosfera algo soturna, nebulosa, ajudada tanto pela natureza ainda preservada de matas e colinas verdes (ou algo brancas, no caso deste inverno) quanto pelas estruturas medievais pitorescas bem conservadas. Longe de malévolo, o ambiente é bem bonito, bucólico e até romântico.  Por exemplo, celebra-se muito bem o Natal aqui na Transilvânia. Pra quem não sabe, estamos no miolo da Romênia. O país é entrecortado pelos Cárpatos, montanhas

O subestimado centro histórico de Bucareste, Romênia

Voltar à Romênia é sempre divertido. Seu jeito bagunçado, que lembra em certa maneira o Brasil, junto com seu aroma balcânico, lhe dão um tempero especial nem sempre encontrado noutras partes da Europa. Bucareste, sua capital, está longe de ser a mais cotada da Europa. Em verdade, poucos europeus lhe fazem caso — a maioria acha a capital romena horrível, dotada como é com seus prédios cinzentos de inspiração soviética, e quase desprovida da beleza encontrada em outras capitais do leste europeu como Praga ou Budapeste. O que a maioria não se dá conta, contudo, é que Bucareste tem, sim, um centro histórico

Visitando as ilhas Galápagos, no Equador: Mar, vida selvagem e dicas de viagem

Galápagos é um lugar mágico, dos mais impressionantes do mundo. Famosas pela visita inspiradora do naturalista inglês Charles Darwin, pai da Teoria da Evolução, estas ilhas existiam sem presença humana até poucos séculos. Não só há formas de vida curiosas, como as célebres tartarugas gigantes, iguanas amarelas e aves de pés azuis, como também os animais aqui não foram condicionados a temer as pessoas. (Se você não tiver cuidado, pisa num lagarto ou passarinho, pois eles não fogem de você.) Amantes da natureza aqui atingirão o nirvana. As ilhas Galápagos ficam a 2h de avião da costa do Equador, país ao qual

Mitad del Mundo, latitude zero: Visitando o marco da linha do equador no Equador

Era dia de visitar o marco da razão pela qual o Equador tem esse nome. A imaginária linha do equador, que separa o planeta em duas metades, significa exatamente isso: o circulus aequator (em latim), o círculo que faz duas partes iguais. Desnecessário dizer que a linha passa no país Equador. A partir de missões geodésicas francesas nos anos 1700, quando estas ainda eram colônias espanholas, é que se começou a identificar tais marcos da Terra e a chamar estes de territórios do equador. Em 1822 há a independência da Espanha e formação de um país grande chamado Gran Colombia, com as hoje

Quito para além do centro histórico: La Mariscal, o vulcão Pichincha, e a Capilla del Hombre

Embora Quito tenha um centro histórico rico, o primeiro a ser tombado pela UNESCO como Patrimônio Mundial, nem tudo da cidade está restrito a ele. No tempo que passei aqui, eu fui também a alguns outros lugares bem preciosos a recomendar. A principal área turística de Quito, afora o centro histórico, é conhecida como La Mariscal, um bairro moderno repleto de lanchonetes gourmet, restaurantes turísticos, redes de fast food, e entretenimento noturno. Durante o dia, a área é relativamente parada, mas de noite ganha vida. Algumas pessoas hospedam-se aqui, mas eu confesso que achei mais interessante hospedar-se no centro histórico. Vai

Na Suécia, entendendo o significado original do Natal

É noite aqui na Suécia. Aliás, nesta época do ano, parece quase toda hora ser noite aqui na Suécia. A época do Natal, solstício de inverno aqui no hemisfério norte do planeta, tem as noites mais longas do ano.  Na cidade de Gotemburgo, onde moro (sim, eu viajo muito mas moro em algum lugar), o sol estes dias tem nascido perto das 9h da manhã e se posto antes das 15:30. Entre um momento e outro, não imagine que há sol: no geral têm sido dias nublados, de um céu de chumbo, ventosos e de temperaturas por volta de 0 grau. Muito

Comidas e bebidas típicas a experimentar em Quito, Equador

Esses somos eu, Mishelle e Sandra, as minhas anfitriãs equatorianas em Quito, e Frank, o único ex-Testemunha de Jeová que eu já conheci na vida. Em mão, tenho uma inca kola, o guaraná-jesus do Peru e do Equador, refrigerante ame-o-ou-deixe-o cor ácido-de-bateria e de sabor chiclete. Eu já a havia mostrado aqui, em viagem ao Peru, mas deixemo-na de lado por ora. Há coisa melhor a se provar em Quito.  Nesse 1 mês em que vivi no Equador eu conheci algo dos comes & bebes daqui, e tenho algumas coisas realmente típicas a recomendar. Quito, além do seu maravilhoso centro histórico retratado

Cultura e arte andinas no Equador: Espiritualidade indígena e o Ballet Folclórico Equatoriano Jacchigua

Os nossos vizinhos andinos aqui na América do Sul têm um patrimônio cultural fascinante, e menos conhecido no Brasil do que a proximidade geográfica nos faria crer. (Um brasileiro médio provavelmente conhece mais de cultura japonesa ou chinesa do que peruana ou equatoriana.) Compartimos séculos da mesma história colonial e uma mestiçagem semelhante, mas segue esse apartheid atencional do Brasil com seus vizinhos de língua espanhola que só aos poucos, com o turismo e os intercâmbios, é que estamos começando a superar. Estamos começando a nos reconectar. Quito, como eu já coloquei antes, é das cidades mais belas da América do Sul — possivelmente

Um mês em Quito, Equador: Vivências e lugares no primeiro centro histórico do mundo tombado pela UNESCO

Feo es morir sin haber amado "Eu não quero morrer jovem", disse eu, jocoso, quando estávamos prestes a cruzar uma ponte bem elevada na longa estrada do aeroporto até Quito, no Equador. "Feio é morrer sem ter amado", respondeu-me tranquilo o meu poético taxista. Esse não seria mais o meu caso, felizmente. De todo modo, a ponte nos sustentou, e depois de 1h de estradas e engarrafamentos nós chegamos a Quito, talvez a mais singela das capitais sul-americanas. Quito foi o primeiro patrimônio cultural a ser identificado e tombado pela UNESCO em todo o mundo, em 1978. Seu belíssimo centro histórico colonial é o número

Conhecendo a Cidade e o Canal do Panamá

A trovoada caia lá fora enquanto eu tomava uma ducha no meu banheiro com luz azul. Eu estava num bom hotel, o Ramada Plaza, após uma noite no avião. Eu chegara de manhã para ficar apenas até a manhã seguinte — uma breve passagem, a coisa mais típica a se fazer no Panamá. "Vai passar logo", disseram-me na formal recepção sobre a trovoada quando entrei. Um táxi havia me trazido aqui por 30 dólares, o salgado preço fixo para quem vem à Ciudad de Panamá (a capital) do Aeroporto Internacional de Tocumen, o qual às vezes me lembra um shopping de eletrônicos algo melhor

Copenhague no outono: Brumas, vistas e folhas na capital da Dinamarca

Há algo de lindo no Reino da Dinamarca. Copenhague é daquelas cidades que eu estou aprendendo a gostar. Tendo já morado por muitos anos em Amsterdã, sempre achei petulância a capital dinamarquesa querer reclamar para si o título de "capital europeia das bicicletas". Além disso, nunca apreciei a xenofobia notória dos dinamarqueses. Porém, os copenhaguenses são simpáticos, animados, têm uma joie de vivre (alegria de viver) acima da média e sui generis na Europa. Não é a alegria jocosa e algo malandra dos mediterrâneos; é a franqueza dos europeus do norte — inclusive de mulheres que, tendo seus direitos bem respeitados,

Como visitar o Butão: Agências, passo-a-passo para planejar roteiros, lugares para ver, e outras dicas

O Butão é um país especial. Turismo controlado, dito de "alto valor & baixo volume", mas que vale a pena se você puder fazer esse investimento. É uma visita para se recordar a vida inteira, devido às muitas particularidades da experiência de vir aqui.  Neste post eu faço um balanço final da minha estadia e passo a vocês as dicas para quem cogita organizar uma viagem pra cá. O que mais gostou. Da autenticidade cultural, ousada para um país pequeno. Ainda que espremido entre dois gigantes (China e Índia), o Butão mantém sua vestimenta, sua culinária, sua língua, seu alfabeto, suas tradições, sua

Subindo ao mosteiro do Ninho do Tigre (Tiger’s Nest) nas montanhas: A principal atração do Butão

O Ninho do Tigre (Tiger's Nest) ou, talvez sendo mais fiel à razão do nome, Ninho da Tigresa, é um mosteiro budista localizado no alto das colinas no Butão, à beira de um precipício. É a atração sine qua non a quem visita o país. A menos que sua condição física realmente não permita, eu diria que esta é uma atração obrigatória a quem vem aqui. É cansativa para quem não é trilheiro experiente, mas é também gostoso como um batismo de fogo. Diz a lenda que o Guru Padme Sambhaya, sábio budista do século VIII que trouxe o budismo tântrico

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