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Bordejos em Paris na primavera (Epílogo): Depois de uma semana em Paris…

Depois de uma semana em Paris, você começa a se habituar àquelas ruas. Os prédios bege de três a cinco andares, todos grudadinhos, com aquelas ruas frescas ocasionalmente molhadas pelas chuvas da primavera. Você também se habitua a certas coisas, como eu me habituei a um croissant todas as manhãs e a um quiche sempre que possível. Quiche, para quem não conhece bem, são aquelas todas salgadas feitas aqui na França com ovos e outros ingredientes. São o que eu mais amo comer quando estou no país.  Depois de uma semana em Paris, você se dá conta de que ainda não viu tudo. Por exemplo,

Bordejos em Paris na primavera (Parte 5): A Paris gótica e suas igrejas (Notre-Dame, Saint-Sulpice, Sainte-Chapelle, e a Capela da Medalha Milagrosa)

Antes de "gótico" significar o gênero moderno derivado do punk, das pessoas que se vestem de preto etc., o adjetivo referia-se — e ainda se refere — a uma das mais importantes matrizes culturais da Europa. Gótica, dos godos, foi a cultura artística mais proeminente na Europa ocidental durante a Idade Média. Suplantou as tradições "clássicas" (da Antiguidade greco-romana) e finalmente deu um toque norte-europeu à arquitetura, à arte sacra, etc. Os longos e altos arcos ogivais que caracterizam a arquitetura gótica simbolizam não só a verticalidade, o "olhar para cima", para Deus, do medievo teocêntrico europeu. Há quem diga que eles se inspiram,

Bordejos em Paris na primavera (Parte 4): O Museu do Louvre e o Musée d’Orsay em 15 fotos cada

Brasileiros têm pouco hábito de visitar museu. A grande maioria de nós nunca foi a um. Todos sabemos como a conservação cultural deixa a desejar no Brasil; mas, mesmo em viagens, mesmo os mais escolados dentre nós, normalmente limitamos-nos quase que exclusivamente a visitar os museus super famosos, como os de Paris, Londres ou Nova York. Há uma parcela de gosto pessoal, mas há uma parcela de descaso cultural também. Isso não é exclusividade do brasileiro (como quase nada do que se diz do brasileiro é realmente exclusivo do brasileiro); é um hábito de quase todos nós das Américas. Somos muito mais antenados

Bordejos em Paris na primavera (Parte 3): Monmartre, o Sacré-Coeur, e os contrastes entre a França da belle époque e a de hoje

A França é um dos países mais saudosos da Europa. Mesmo num continente já em geral tão habituado a gostar de reviver o passado e recobrar os seus tempos de glória, a França me parece particularmente nostálgica.  Ao contrário de Berlim, Barcelona e outras das grandes cidades da Europa que admitem, reconhecem, e criam sua identidade própria com base na realidade presente, Paris e a França em geral me parecem fixadas num senso de identidade que gira em torno de um passado cada vez mais distante e que já não é mais. Compare, por exemplo, os filmes recentes de Woody Allen

Bordejos em Paris na primavera (Parte 2): “Les Invalides” com o mausoléu de Napoleão, e o “Panteão” de grandes homens da França

Muita gente crê que Paris é somente a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo e aqueles monumentos principais — um ledo engano. Paris tem "pano pra manga" capaz de ocupá-lo por muito tempo. Eu sou do tipo que viaja relativamente rápido, mas mesmo assim Paris tem lugares que você simplesmente não pode deixar de visitar.  Uma série de lugares belíssimos, históricos e interessantes são os vários mausoléus de notáveis da França. A França parece ter dedicação suprema quando se trata de zelar pelo seu patrimônio histórico e cultural, e isso se refere também às pessoas. Afora uma vinda a Les Invalides, onde está o

Bordejos em Paris na primavera (Parte 1): Conhecendo lugares mais famosos (Arco do Triunfo, Torre Eiffel, e Champs Elysées)

"É primavera. Te amo." Tim Maia não compôs a canção aqui em Paris, mas poderia tê-lo feito. Paris, apesar de todos os pesares e riscos dos últimos tempos, ainda é uma das cidades mais elegantes, charmosas e românticas do mundo. Na primavera então, tudo isso se acentua. Verdade seja dita, eu não sou um desses apaixonados por Paris, mas reconheço o charme da cidade e respeito a sua sólida tradição cultural e intelectual. Aliás, não só respeito, como gosto. No entanto, é preciso reparar que Paris não é exatamente aquele mundo de sonhos que os mais entusiastas pintam. Você abre um livro de

Estrasburgo, a Capital do Natal

Este é um post especial de Natal e bastante visual. Na minha experiência tendo visitado até agora 35 países europeus, Estrasburgo é uma das mais belas cidades do continente. Uma cidade que muitos brasileiros, devido ao seu nome alemão, sequer sabem que é francesa, e que — às margens do Rio Reno, na fronteira entre a França e a Alemanha — tem mesmo um ar germânico. Tirarei um momento posterior para falar da sua importante história e mostrar a sua linda herança como divisora de águas de dois mundos europeus, o francês e o germânico, mas hoje eu falarei exclusivamente da época em que Estrasburgo

Quimper e a Bretanha francesa: Terra dos crepes e da sidra

Calma, não se confunda. Eu sei que isso chocará a muitos brasileiros, mas a Bretanha fica na França. Não a confunda com a Grã-Bretanha, a ilha que abarca a Inglaterra, o País de Gales, e a Escócia, mais ao norte. O nome comum provém dos povos bretões, uma tribo celta da atual Grã-Bretanha e que, após as invasões romanas na época de Cristo, migrou para esta ponta noroeste da França que viria a se chamar Bretagne em francês — ou Bretanha em português. Já foi também chamada de "Pequena Bretanha", pra a distinguir da Grã-Bretanha. 
A Bretanha tem uma forte personalidade regional. (Talvez a maior

Nantes (França), a cidade de Júlio Verne

La France. Finalmente eu estreio as minhas postagens em terras francesas. É curioso como na França existe um hiperfoco do turismo brasileiro — ou, pra ser mais justo, do turismo não-europeu em geral — em Paris apenas. O que se conhece das demais cidades francesas? Na Itália se vai a Veneza, Florença, Milão e outras além de Roma. Na Espanha as pessoas visitam Madrid mas também Barcelona, Sevilha, Granada, Bilbao e outras. Na Alemanha vão a Munique, Frankfurt. Na França, não. Quase que só Paris. O que se sabe de Marselha, Lyon ou Toulouse, respectivamente a segunda, terceira e quarta maiores cidades da França?

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