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Índia: Dicas De Viagem, Lugares Pra Ver, E O Que Fazer

Faz alguns anos desde que eu relatei em detalhes a minha passagem pela Índia. Os indianos adoram dizer que "a Índia está mudando" (India is changing virou um chavão), mas a maioria das coisas não mudam tão rápido assim. Quando eu depois voltei lá a trabalho, foi uma nostalgia reencontrar algumas coisas basicamente como eu as havia conhecido anos antes.  Foi uma viagem comprida, e eu não havia feito um balanço da minha experiência. Aqui finalmente vai ele, com dicas e recomendações a quem pensa em visitar o país. O que mais gostou. Sem dúvida, os aprendizados. Foi de longe a experiência

5 coisas que aprendi após viver na Índia

Faz alguns anos desde que vivi por uns meses na Índia. Digo que "vivi", e não simplesmente passeei, porque fiquei grande parte do tempo com famílias indianas — participando dos seus eventos sociais, tendo que tomar transporte público, e indo fazer compras no supermercado. Em suma, experimentando a rotina do dia-dia na Índia, além de ir explorar os seus vários cantos e recantos. A experiência foi hiper-marcante (embora nem sempre agradável). Hoje, em retrospecto, sou capaz de destacar algumas coisas que aprendi naquela viagem e que carrego comigo até hoje. Achei que seria legal compartilhar. 1. O ser humano é muito maleável e se

A Índia e as mulheres: Observações, alertas e dicas às turistas para viajar acompanhadas ou sozinhas

A Índia é uma gigante democracia que tem dos mais atuantes movimentos civis do mundo, mas ser mulher na Índia não deve ser fácil. Já desde o início, se você for nascer de uma família pobre (num país onde há centenas de milhões de pobres), as chances não são baixas de ser abortada só por ser um feto do sexo feminino. Depois de nascer, as oportunidades de educação e emprego aqui são notoriamente menores se você for mulher. E durante toda a vida adulta, você encarará uma sociedade dominantemente masculina, com regras, normas e preferências moduladas para os homens, hierarquias

Rishikesh, Índia: A capital mundial do yoga

A minha viagem até os pés dos Himalayas, as maiores montanhas do mundo, foi longa e tortuosa. Eu jamais cheguei a ver as montanhas propriamente ditas — que chegam a mais de 8 mil metros, mais adiante, quando se chega perto das fronteiras da Índia com a China e o Nepal. Mas eu sentiria mesmo assim o aroma daquele ambiente de montanhas, onde o relevo começa a se elevar, o ar a ficar mais fresco, e até o Rio Ganges — aqui mais perto de sua nascente — é limpo. Assim é Rishikesh, considerada "a capital mundial do yoga". Este

Visitando o Taj Mahal em Agra, Índia

Finalmente, cheguei ao monumento mais famoso de toda a Índia. Agra, a 230Km de Nova Délhi (4h de trem), é uma cidade hiper-turística — talvez a mais de todo o país. É também uma cidade muvuquenta e incrivelmente suja, que talvez não dignasse a visita de um único visitante, não fosse pelo impressionante Forte de Agra e pelo mausoléu mais famoso de todo o mundo, o Taj Mahal. O clima que me esperou já era frio — a Índia está acima da linha do equador, e novembro já é quase inverno aqui no hemisfério norte. Embora lá "embaixo" em Mumbai estivesse tudo quente e

Bem vindos a Mumbai/Bombaim, Índia: Uma breve passagem

Era uma manhã quieta e cinzenta de domingo em Mumbai quando chegou o meu longo trem de 24h desde Chennai, na costa do outro lado da Índia. Mumbai é a maior cidade da Índia, com 18 milhões de habitantes em sua região metropolitana. (Pode parecer pouco para um país de 1.2 bilhão de habitantes e só um terço da área do Brasil, mas a questão da Índia é que tudo parece urbanizado. Viajando entre as cidades, você não para de ver gente por onde quer que passe.) Eram cinco e pouca da manhã, e nós havíamos passado a noite mal dormida no

24h num trem indiano

A incrível jornada. Das praias do sul subindo de volta ao norte até Mumbai, a "São Paulo" da Índia — cosmopolita e coração econômico, mesmo sem ser a capital. Separando-me de Mumbai, 24h de trem. Trem povão, 4ª classe (15 reais a passagem pra esse tempo todo de viagem, por aí você já tem uma idéia). Mas foi uma experiência inesquecível. Saindo da Praia de Kovalam no estado indiano de Kerala, eu ainda passei pela cidade de Coimbatore (nada pra ver lá) e fiz conexão até Chennai, antigamente chamada de Madras (muito pouco pra ver lá também). Estas duas cidades já são

Kovalam, Kerala: Curiosa ida à praia na Índia

Embora quase todos os turistas ocidentais imaginem a Índia sobretudo em termos de espiritualidade, cultura e monumentos, o país tem praias muito simpáticas também. OK, pode não ser o Brasil ou o Caribe, mas aqui não faltam sol, areias claras, ondas nem coqueiros. De quebra, só na Índia você vê mulheres entrando no mar de sari e tudo. Kovalam, no extremo sul do Estado de Kerala (e, portanto, no extremo sul da Índia) é a principal rival de Goa em termos de praia. Calorzão, palmeiras, um povoado simpático nos arredores, e pratos de frutos-do-mar bem regados a leite de coco dão

Cochim (Kerala): Costa da Índia e lugar da morte de Vasco da Gama

Kerala [Kérala] é um dos estados mais simpáticos da Índia. Famoso por sua sociedade tradicionalmente matrilinear (quem herdam são as mulheres, e os sobrenomes passados adiante são os das mães); dono do idioma mais veloz que eu já ouvi na vida, o malayalam; e notável por ter governos sociais progressistas há décadas, ele fica na costa sudoeste da Índia, antigamente conhecida como Costa do Malabar. (Sim, foi a partir daqui que os portugueses criaram o nome "malabarista", pois viam os nativos com quem comerciavam manusearem objetos com muita rapidez.) Quando Vasco da Gama completou a sua épica viagem contornando a África

Goa e o legado português na Índia

Essa imagem acima poderia ser do Brasil, mas não é. Estamos na Índia, em Goa, nas terras costeiras desta Ásia que por séculos foram uma colônia portuguesa. O pequenino estado indiano de Goa (¼ da área do estado de Sergipe), que até 1961 foi colônia de Portugal, em muitos aspectos se parece mais com a Bahia que com o restante da Índia. As pessoas, é claro, são indianas, mas a arquitetura e o aspecto de igrejas coloniais e azulejos portugueses por entre os coqueiros dão a impressão de que você está mesmo é no Brasil. Só que não. Eu havia chegado de

Bangalore: Diwali, templo Hare Krishna, e os cristãos da Índia

Eu não acho que nenhum país do mundo seja um mosaico de religiões tão grande quanto a Índia. A gente costuma agrupar tudo sob "hinduísmo" — um nome deveras genérico e que esconde particularidades regionais importantes —, e nos esquecemos de que aqui há cristãos, muçulmanos, budistas, jainistas, e tantas outras gentes de denominações diversas vivendo juntos. "A gente não tem problema nenhum com o cristianismo. Por que teria? A gente já tem tantos deuses. Jesus é só mais um.", disse-me certa vez um indiano hindu que morou comigo. Óbvio que para um cristão Jesus não é "só mais um", mas não

Hyderabad, Telangana: Bem vindos ao sul da Índia

Este sou eu em meio aos indianos do sul, com suas típicas peles (mais) escuras e uma integração de gêneros algo melhor que no norte do país.  Deixe para trás os mausoléus como o Taj Mahal e outras marcas da presença islâmica na Índia, tão dominante no noroeste e norte do país. Lembre-se, em vez disso, dos portugueses e da terra aonde chegaram em 1498, com Vasco da Gama. Ele encontrou pelo mar o que árabes, persas, romanos e chineses já haviam conhecido há muito tempo: uma terra quente e de coqueirais, cheia de uma gente escura, rica em cores vivas

Visitando o Forte Vermelho (Red Fort) e a Jama Masjid em Nova Délhi, Índia

Quando eu retornei a Nova Délhi após o meu périplo pelo Rajastão e Varanasi, retornei à mesma família que havia me albergado antes. "Eu estou com a febre", declarou-me Seu Bhalla (assim com o artigo definido mesmo, embora jamais tenha me especificado que febre era essa, nem eu tenha perguntado). Seu Bhalla, pra quem não lembra, é o chefe da família a quem eu paguei para ficar umas semanas em estilo home stay, e que havia tentado me passar pra trás com o preço. Estávamos já em final de outubro, e a chuva diária das monções e o calor úmido começavam

Conhecendo Sarnath (Índia), onde o Budismo começou

Siddhartha Gautama nasceu em Lumbini, hoje no Nepal, em meio às montanhas dos Himalayas, em 563 a.C. Esse príncipe de família nobre, ao ver o sofrimento humano dos pobres acometidos por doenças, pela velhice e pela morte, abandonaria sua herança material para dedicar-se à busca espiritual e tornar-se o Buddha (na língua pali, "o desperto"). O Buddha teve um papel fundamental na religiosidade mundial por ter sido o primeiro a fazer o ser humano olhar para dentro de si, em vez de para deuses lá fora, na busca pela transcendência espiritual. Numa época em que todos preocupavam-se sobremaneira com rituais, formalismos,

O Rio Ganges em Varanasi e Sangam: Um aniversário inusitado na sagrada confluência de três rios na Índia

Hoje eu acordei para o meu aniversário. Na Índia. Meu primeiro e único aniversário celebrado na Ásia até agora.  Eu me programei a propósito para estar na sagrada cidade de Varanasi para a ocasião. Em meus sonhos mais audaciosos, eu nadaria no célebre Rio Ganges para me livrar das impurezas. A realidade, é claro, quando eu vi o rio, foi de que eu me poluiria como nunca antes na vida se o fizesse. (Uma amiga chegou até a me zoar, enviando-me a música dos Titãs - O Pulso, cuja letra é uma sequência de nomes de doenças seguidas de "o meu pulso

Bem vindos a Varanasi, a cidade mais sagrada da Índia, à margem do Rio Ganges

O Rio Ganges. Um dos mais importantes do mundo. Provavelmente o mais festejado — a ponto de ser considerado um deus pelos hindus. Ou melhor, uma deusa, "Mãe Ganga", e reverenciado como tal. Ao mesmo tempo, um dos afamados rios mais sujos de todo o mundo (dentre aqueles em que as pessoas ainda entram para nadar, é claro). 
Varanasi, cidade continuamente habitada há 8.000 anos. Disputa com outras no Oriente Médio o título de mais antiga habitação humana. Cidade sagrada para os hindus, a ponto de considerarem que morrer aqui é auspicioso: você vai direto para os planos mais altos e sua

Três dias de camelo no deserto do Rajastão, Índia

Depois de já comer areia no trajeto poeirento de ônibus desde Jodhpur e ver casarios que mais pareciam feitos de areia do deserto em Jaisalmer, era hora de experimentar o Deserto de Thar propriamente dito. Como eu já coloquei antes, esse não é um deserto dominantemente arenoso como o Saara, mas um deserto pedregoso, árido com pedras, mato espinhento e arbustos secos — como nos filmes de Jesus que mostram ele na Palestina. Este aqui, o Deserto de Thar, foi há muito área de tráfego de caravanas, na rota que estava entre as Índias ricas de especiarias e os mercados árabes, persas

Em Jaisalmer, a cidade cor de areia no Grande Deserto de Thar (Rajastão, Índia)

Era chegada a hora de adentrar pra valer o Grande Deserto de Thar, o deserto do Rajastão, na fronteira entre a Índia e o Paquistão, onde por milênios transitaram caravanas e mercadores que iam aqui das Índias ao Oriente Médio. Lá há basicamente uma cidade, Jaisalmer, e é pra onde que eu fui. Saí de Jodhpur para cinco horas e meia de ônibus, que dessa vez pareceram durar o dobro. Como a Índia é hiper-povoada, há gente e vilarejos por toda parte, então os ônibus param a todo momento. O cobrador, um rapaz de seus 20 anos com jeito de garoto da

Em Jodhpur (Índia), a cidade azul do Rajastão com o magnífico Forte Mehrangarh

(Esse na foto não é o Forte Mehrangarh, mas o Umayd Bhawan, um outro monumento. Jodhpur tem muitas jóias.) Ônibus para Jodhpur. Finalmente eu estava rumando ao oeste do Rajastão, ao Grande Deserto de Thar, das caravanas, fortes e camelos. Jodhpur, "a cidade azul", fica às bordas do deserto. Ela é a última cidade de porte antes de a aridez começar. No ônibus, o caminho já me dava uma prévia do que me aguardava. A poeira subia. Eu passava o dedo na cara e sentia a sujeira. Sentia areia até nos dentes, mastigando poeira. Mas o visual da cidade ao entardecer

Udaipur, Índia: A elegante cidade do Rajastão onde filmaram 007 contra Octopussy

Ocidental que se mete em desventuras no Terceiro Mundo, de quem você lembra? Vai depender do seu imaginário de livros e filmes. Às vezes, me dá uma sensação de Indiana Jones quando visito as tumbas indianas, mas no dia-dia das cidades, de me meter em ônibus e barco, é James Bond (007) quem me vem à mente. E desta vez achei de visitar exatamente um lugar onde ele esteve: Udaipur, local do filme 007 contra Octopussy. Udaipur é a chamada Lake City ["Cidade do Lago"], tida como a mais romântica do Rajastão e talvez de toda a Índia. O filme (de 1983)

Em Pushkar, a cidade sagrada indiana onde é proibido comer carne

Diz a lenda que Brahma, o deus criador hindu, certa vez deixou cair uma flor de lótus na terra, e a cidade de Pushkar apareceu. Estamos numa cidade indiana considerada sagrada onde é proibido comer carne ou consumir álcool. (Os hindus geralmente já têm essas duas proibições. Muitos são vegetarianos completos, vários são abstêmios, e quase nenhum come carne de boi. Aqui em Pushkar, essas restrições são levadas mais a sério.) Eu estava com a família dos Mathur em Ajmer, interior do estado do Rajastão, e a um pulo de Pushkar. Vinte minutos de ônibus ou carro separam as duas cidades.

Visitando um “dargah”, santuário islâmico em Ajmer, Rajastão (Índia)

Pôr-do-sol em Ajmer, de um pavilhão de mármore encomendado por Shah Jahan, o mesmo imperador que ordenou a construção do famoso Taj Mahal, no século XVII. Um dargah, palavra persa, é um santuário construído sobre o túmulo de um santo islâmico — algo que eu nem sabia que era possível, dada a visão fundamentalista que a mídia nos mostra do Islã. Fiquei surpreso ao saber que o islamismo também tem santos e reverencia os seus notáveis. São muitos, e há peregrinação e devoção do mesmo jeito que é feito com os santos católicos no Ocidente. Ou quase do mesmo jeito. Estamos em Ajmer,

Ajmer, Rajastão: No interior tradicional da Índia com uma família indiana

A Índia às vezes faz você se sentir um marajá. Mas não sem antes você navegar pela esculhambação. Hora de mais uma etapa "família" da viagem. Um dos propósitos do tour pelo Rajastão era visitar os pais de um amigo meu lá de Amsterdã, indiano. Conheci os pais dele nesse verão passado e prometi dar um pulo quando viesse aqui à Índia. Voilà, cá vim eu a Ajmer, uma cidade no caminho entre Jaipur e o sul de colinas-e-lagos do Rajastão. Do lado, Pushkar, uma cidade sagrada hindu com um dos poucos templos dedicados ao seu deus criador, Brahma. 
No ônibus povão

O Forte Amber, seus elefantes e palácios, perto de Jaipur

O Forte Amber, nas colinas perto de Jaipur, é um dos sítios mais belos não só do Rajastão como de toda a Índia. Seu nome não é pela resina de âmbar, mas advém da deusa hindu Amba, homenageada quando o forte foi erigido em 1592. Era daqui que a região era governada antes de Jaipur ser fundada em 1727. De um lado, o Portão do Sol, a entrada no leste. Do outro, o Portão da Lua, que leva à vila que se formou nesses arredores, com templos e comércio. No interior do forte também muitas áreas, com jardins, pavilhões, torres e uma

Era uma vez no Rajastão: Em Jaipur, a cidade cor-de-rosa

Há mais de 1000 anos, nas proximidades desta região junto ao Grande Deserto de Thar, começaram a se formar domínios de bravios reis-guerreiros. Eram os Rajputs, orgulhosos e belicosos, que diziam originar-se do sol, do fogo, e da lua. Em seus robes cor de açafrão, brincos de ouro e turbante, marchavam à luta mesmo que a derrota fosse certa — neste caso, sua família inteira atirava-se ao fogo para partir junto com o seu senhor. Os rajputs eram tão árduos que detiveram o avanço de invasores islâmicos por mais de 500 anos. Fizeram esta terra ser conhecida como "A Terra dos

Indo de ônibus de Délhi a Jaipur, no Rajastão

Estou indo embora de Nova Délhi. Finalmente! Neste momento, os indianos estão numa mistura de euforia e stress. Esse domingo, dia 3, começam os Commonwealth Games em Nova Délhi (tipo um "Jogos Pan-americanos" entre as ex-colônias da Inglaterra). A cidade, que já é surtada com medo de ataque terrorista, duplicou a segurança e resolveu decretar estado de alerta. Resultado: as ruas estão parecendo um canteiro de obras militarizado. (Ah, claro, as obras não acabaram a tempo e agora eles estão correndo contra o relógio... essa semana teve pedaço de estádio caindo e tudo o mais...). 
Sem brincadeira, há verdadeiras trincheiras na rua, sacos

Conhecendo Purana Qila e as híjras, o “terceiro sexo” da Índia

Já são duas semanas desde que cheguei a Nova Délhi, e os meus dias entraram numa certa rotina. Primeiro alguma entrevista ou algo relacionado à minha pesquisa pela manhã ou no começo da tarde, e em seguida um bordejo pela cidade para visitar algo ou pra sair às compras (hehehe). Este dia, por exemplo, foi um caso ilustrativo. Pela manhã eu saí para uma entrevista que tinha marcado com alguém num centro de pesquisa. Fui de metrô, evitei os tuk-tuks, e da estação fui a pé. Chegando lá, o diretor miserávi me fez esperar um século e depois ainda estava com uma cara

O meu dia-dia em família em Nova Délhi: Choques culturais na Índia, coisas de casa, e até aniversário de santo hindu

Moramos eu, Seu Bhalla & Dona Bhalla (os anfitriões, donos da casa), seus pequenos filhos (dois garotos de 6 e 9 anos), e Muskan, a jovem imigrante do oeste do país e empregada na cozinha, que estes dias teve um revertério e foi substituída por outra mais alegre, que chamamos de Didi (mas não é o nome dela). Somos a família feliz. Não, não é bem assim. Eu comentei nos posts anteriores que estou morando estas semanas na casa de uma família indiana, num bairro até bastante simples de Délhi. Tenho me surpreendido com uma série de coisas, e vivido outras de

O passado islâmico da Índia e o Mausoléu de Humayun em Délhi

Eu aqui em Délhi me sinto um Indiana Jones, de tumba em tumba a visitar. Já sei de onde veio toda a inspiração pra aqueles filmes. Os islâmicos que dominaram esta região eram fissurados por construir tumbas para si mesmos, mausoléus para amores ou amigos, e coisas do tipo. Fizeram inúmeras no tempo em que dominaram esta região, entre os séculos XII e XIX (até a derrota para os ingleses, que então "libertaram" os hindus do norte da Índia do jugo islâmico; vocês sabem como isso funciona). São, verdade seja dita, dos monumentos mais belos da cidade. A Índia, apesar de ser um país de

Dilli Haat: Diversidade cultural, danças e compras em Délhi

"Unidade na diversidade", o lema que inspira a Índia desde o tempo em que os europeus ainda estavam em guerra entre si. Ele depois viria a ser adotado como mote, também, da União Europeia. A Índia como país é uma idéia que só virou realidade em 1947, com sua independência do Reino Unido. Mas se engana quem acha que, antes da chegada dos ingleses, havia aqui um país bonitinho, organizado, com pessoas que se amavam. Havia um conjunto de povos com aparências diferentes entre si, falando línguas diferentes, com religiões diferentes (islamismo, budismo, hinduísmo...), e que habitavam esta parte do continente

O centro de Délhi: Connaught Place, Palika Bazar, e o India Gate

O centro de Délhi provavelmente é o mais hediondo que eu já visitei na vida. Em geral, não há nada que interesse os turistas nesta parte da cidade, mas como eu estou aqui na Índia também a trabalho, não pude evitá-lo.  Na verdade, muitos indianos aqui dizem que não há downtown (centro da cidade) em Délhi. De fato, há comércio por toda parte, e os bairros aqui me parecem bastante "independentes". É radicalmente diferente das cidades da Europa, onde você sente a importância daquele núcleo onde geralmente está a estação principal de trem, o centro histórico, etc. Nada poderia ser mais diferente

Vai um docinho indiano?

Esta manhã Seu Bhalla me surpreendeu com essa peculiar caixinha de doces. (E, em seu jeito característico, claro, me botou pra comer desses doces antes mesmo do chai da manhã; queria que eu pegasse um de cada e que continuasse). Bem, dessa caixa eu duvido que você encontre em qualquer lugar do ocidente. Nem grupo neo-nazista europeu se atreve a fazer uma coisa tão singela. A questão é que, como alguns de vocês sabem, esse símbolo, a suástica, foi apropriado pelo nazismo mas é na verdade um símbolo muito antigo, característico aqui na Índia, onde ele é ainda utilizado por toda

Comidas na Índia: Características gerais e algumas curiosidades

(Picolé vendido em embalagem de papelão. Garanto que você nunca tinha visto. A especialidade da Índia parece ser mostrar coisas que você nunca tinha visto.) A comida é sempre uma parte marcante de qualquer cultura. E, em viagens, é uma coisa que eu pessoalmente adoro verificar. Na Europa eu sempre digo a eles que o Brasil é um "universo alimentar" diferente do deles — outras frutas, outros doces, outras receitas. (Eles às vezes custam a sacar isso). Na Índia, o "universo alimentar" deles aqui é riquíssimo. Em algumas coisas, parece com o nosso — no que se refere a certas frutas tropicais, por exemplo. Em

Aventurando-se de tuk-tuk pelas ruas de Nova Délhi

Eu acho engraçado quando ouço as pessoas, no Brasil, darem atributos de "horrível", "impossível", ou "a pior coisa" ao trânsito brasileiro. Sabem de nada, inocentes. O trânsito brasileiro é uma sinfonia de Mozart quando comparado ao indiano. Aqui na Índia em geral não há sinais de trânsito, as pessoas não param de buzinar, as ruas em geral não têm acostamento nem calçada, e o nível de pânico que junta tuk-tuks, motos, ciclo-táxis, carros, ônibus lançando fumaça preta no ar, e ainda as ocasionais vacas no caminho, cria nada menos que um pandemônio urbano. O metrô de Délhi, criado em 2002 (e em constante

Hinduísmo, o Templo de Lótus em Délhi, e a Fé Bahá’í

Em matéria de religião, talvez nenhum país do mundo tenha a diversidade ou o "colorido" da Índia. A própria religião hindu, que você crê ser algo monolítico (acostumado que está com as religiões ocidentais mui sistematizadas), na verdade é uma "colcha de retalhos". Ela pode ter princípios gerais (ex. reencarnação) e escrituras antigas sagradas (ex. os Vedas), mas é repleta de variedades regionais muito diversas. Cada região da Índia tem práticas e rituais de um jeito. E, não esqueçamos: são milhares (alguns dizem milhões) de deidades distintas. O que o Ocidente acostumou-se a chamar de "hinduísmo" é, na verdade, toda uma matriz cultural — semelhante

A minha vida em Nova Délhi (e uma visita ao Qutub Minar)

Comecei a ambientar-me às coisas da vida em Nova Délhi. Depois daquela ida ao templo no post anterior, eu voltei à companhia do Tio Bhalla pra o chai da noite. Digo na companhia dele e não da família porque eu sou sumariamente ignorado pelas mulheres da casa (quando ele está presente). Elas nem cruzam o olhar comigo nem se sentam à mesa conosco. Participar da conversa então, nem pensar. (Embora a ajudante de Bengala do Oeste não fale inglês, Dona Bhalla fala). Isso eu sei porque, quando ele não está por perto, dá pra conversar tanto com ela quanto com... errr...

Chegando à Índia: Com família indiana em Nova Délhi, e indo ao Templo de Akshardham

Are baba, cheguei à Índia! País chocante. Se você acha que o Brasil é esculhambado, não sabe de nada, inocente. A Índia muda todos os seus parâmetros. Definitivamente, um país desafiador. Ao mesmo tempo, é um país riquíssimo em cultura, cheio de particularidades, e desde 2009 muito curioso aos olhos dos brasileiros após a novela global Caminho das Índias. Eu estarei aqui pelos 3 próximos meses, e compartilharei com vocês as minhas impressões conforme minhas andanças pelo país. 
Meu primeiro pit-stop é Nova Délhi, a capital, cidade de nada menos que 22 milhões de habitantes. Esse pandemônio que você vê ali na

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