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Paraíso perdendo-se: No centro de Java, e o dia-dia em Yogyakarta (Indonésia)

Depois do Brasil, a Indonésia tem a maior cobertura florestal do mundo. Como o Brasil, a Indonésia sofre com a fome inesgotável dos mercados internacionais por recursos naturais: minérios, madeira e, cada vez mais, terras e água para a agricultura de exportação controlada por poucos. Vive como o Brasil numa eterna economia de produtos primários, como no tempo de colônia. A Indonésia conquistou independência da Holanda em 1949, experimentou uma longa ditadura militar (1967-1998) apoiada pelos Estados Unidos, e o resto você já conhece, é como o Brasil: governos pouco eficazes e mancomunados com as elites locais e estrangeiras que

Provei do Kopi Luwak, feito com fezes, o café mais caro do mundo

É isso mesmo que você leu, e eis aí acima a foto das fezes dos animais que comem grãos de café e os "devolvem" praticamente inteiros. O Kopi Luwak ("café luwak" na língua indonésia) é considerado o café mais caro do mundo, e é certamente o mais exótico. Ao fim da minha estadia aqui na Indonésia eu o comprei, provei, e dou meu veredito. Sua produção, típica daqui e famosa mundo afora, consiste em utilizar civetas (civet em inglês, luwak em indonésio, pequenos animais onívoros do porte de uma raposa, nativos do Sudeste Asiático e que não temos nas Américas) para

Bali, Indonésia: Danças, praias, flores & templos à moda hindu local

Bali. Este é o destino da grande maioria dos turistas que vêm à Indonésia. Não é difícil entender o porquê: Bali parece uma mistura de Índia com Havaí, e mescla tanto religião e cultura quanto festas à beira da praia com guirlandas de flores no pescoço. 
Esta ilha, localizada a leste de Java (a principal da Indonésia), tem cerca de 150 x 100km de extensão, e uma série de pecularidades. No post anterior eu mencionei que a Indonésia, antes de se tornar islâmica, era hindu e budista. Pois então: os balineses nunca se converteram, e permanecem hinduístas até hoje. Mas é um hinduísmo diferente.

Borobudur, o maior templo budista do mundo, na Ilha de Java (Indonésia)

No post anterior eu relatei a minha visita a Prambanan, o milenar complexo de templos hindus nos arredores de Yogyakarta, no centro da ilha de Java. Aquilo era um fim de dia. Na calorosa manhã tropical do dia seguinte, nós iríamos a Borobudur, um magnífico templo ainda mais antigo, desta vez budista. Ele acontece de ser o maior templo budista do mundo. Borobudur data de 800-825 d.C., e tem um conceito bem interessante. São nove plataformas formando uma espécie de pirâmide, e em cada uma delas há ilustrações esculpidas mostrando aspectos da vida de Buda e, em geral, da vida humana.

O Prambanan, próximo a Yogyakarta, e o passado hindu da Indonésia

Muito antes de os cambojanos Khmer erigirem o famoso Angkor Wat, que recebe milhões de turistas ao ano, aquela arquitetura hindu antiga encontrava representação aqui na ilha de Java com o Prambanan, um dos mais belos monumentos do país e de todo o Sudeste Asiático. Se o grande monumento no Camboja data do século XII, este aqui na Indonésia é ainda mais antigo, de 850 d.C. Fica ao lado de Yogyakarta, e é uma visita linda. Engana-se quem pensa que o hinduísmo foi (ou é) algo restrito à Índia. Tal como o Cristianismo espalhou-se desde a Palestina, a matriz religiosa hindu fez o

Yogyakarta: Uma jornada ao centro da ilha de Java, à sua capital cultural

Esse aí na foto é o singelo vulcão Merapi. Não, eu não tirei a foto pessoalmente. Ele explodiu em dezembro de 2010, mas sempre volta a ficar quietinho — até quando, não se sabe. As pessoas aqui de Java Central já se acostumaram a viver com um vulcão por perto. 
Mas o centro de Java reserva mais que um vulcão temperamental. Na verdade, apesar de Jakarta (no oeste da ilha) ser a capital, as belezas culturais e as tradições javanesas estão em sua maior parte no centro da ilha. Não sei qual é a noção de vocês sobre o tamanho de Java, mas a

No coração de Sumatra: Experimentando o interior rural da Indonésia

O interior rural da Indonésia é algo que a maioria dos turistas não vê. Lembra o ambiente do interior tropical do Brasil, só que diferente. Pessoas diferentes, cultura diferente, comidas diferentes, mas carências iguais, e uma simplicidade quase idêntica. Foi das experiências de que mais gostei neste período de trabalho aqui. Eram 6h da manhã de domingo quando eu ainda me revirava na cama, em Jambi. Acordei ao som de música, talvez o último tipo de música que eu esperaria ouvir num país muçulmano: canto de música evangélica. O que é isso? Pensei que ainda estava sonhando. O som vinha alto e animado

Direto de Jambi, Sumatra, Indonésia

Jambi, interior da Sumatra. Estamos no miolo de uma das maiores ilhas da Indonésia. Mas se você assistiu a algum filme americano e acha que aqui estamos no meio da floresta, enganou-se (ou melhor, o enganaram). Jambi é uma cidade de médio porte, e — tal como no nosso "arco do desmatamento" no norte do Brasil — o que há décadas atrás era selva rica em biodiversidade, hoje é área devastada usada para plantações e cada vez mais urbanizada. Eu vim passar 10 dias a trabalho nesta parte do país. Desembarcamos eu, Jubi (a minha intérprete indonésia de trabalho e, a esta

Taman Safari e outras saídas em Bogor, no interior da ilha de Java (Indonésia)

Enquanto não viajo para Sumatra, Bali e outros lugares mais exóticos da Indonésia, vou dando minhas voltas aqui em Bogor no tempo livre. Não há grandes templos ou ruínas históricas, como havia em abundância lá na Índia. Há templos em algumas regiões, já que antes de ser islâmica a Indonésia era em grande parte hindu, mas o turismo aqui na Indonésia me parece mais pra o lado de praia e de parques naturais.  
Em Bogor, a principal atração é um super jardim botânico, onde eu fui participar de um dia de comemoração ao Dia da Terra, fim de semana passado. Conheci um

Vivendo na Indonésia: Sorrisos, arroz e terremotos

O povo indonésio é um povo sorridente. Risada fácil. Quase sempre amigáveis. Mais "dados" e mais abertos que os indianos, que eram quase sempre resguardados e ciosos de seus interesses (em grande parte das vezes, o teu dinheiro). Aqui na Indonésia eles dão risada por tudo. Mesmo as mulheres muçulmanas, que a gente tende a imaginar fechadas e conservadoras, aqui são bem risonhas e boas de papo. E falam com você sem problema. De vista, eu diria que metade usa o véu, a outra metade (espetaculosas!) deixam suas madeixas negras balançando ao vento. Ainda não tenho tido muito tempo pra turismo,

Indo morar na Indonésia: Primeiras impressões, do homem que NÃO sabia javanês

A Indonésia é séria candidata a ser o maior país do mundo que é semi-invisível aos olhos dos brasileiros. Se você parar alguém na rua, a resposta provável será "Já ouvi falar", e mesmo aqueles habituados ao turismo internacional dificilmente chegam aqui (durante toda a minha estadia de 6 semanas aqui, eu encontraria apenas um único conterrâneo). Claro, é longe pra caramba — do outro lado do mundo —, mas há também um elemento importante de desconhecimento. Pouco se conhece ainda no Brasil sobre esta maravilhosa terra que é a Indonésia, mas sempre é tempo. "Terra" talvez deveria estar entre aspas, pois

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