You are here
Home > Irã

Como visitar o Irã: Dicas de viagem, lugares para ver, e o que fazer

O Irã é um dos países mais fascinantes — e exóticos — a se visitar, e muito mais tranquilo do que você talvez imagine. Eu fiz essa visita (de duas semanas) há não muito tempo atrás, e resolvi compartilhar aqui algumas dicas. Primeiro, as minhas impressões gerais: O que mais gostou.  A sensação "estou no Irã" já dá uma adrenalina gostosa, aviso-lhes. Mas acho que o que mais gostei foram alguns ambientes limpos, tranquilos e floridos que você encontra em alguns parques de Teerã repletos de tulipas (a flor é originária aqui da Pérsia!), nos santuários abertos em Shiraz cheirando a jasmim, ou nas praças cheias

Isfahan, a mais bela cidade do Irã

Chegou a hora de me despedir do Irã, mas não sem antes, é claro, falar da mais bela cidade que há no país, Isfahan. (Você vai encontrar escrito "Esfahan" também, mas esta é a transliteração pro inglês, onde E tem som de I). Estes foram os últimos dias desta minha aventura em terras persas, fechada aqui com chave de ouro. Isfahan foi a capital do Irã durante a maior parte do período da Dinastia Safávida (1501-1736), e portanto tem muitos palácios, praças orientalescas, mesquitas, pontes de pedra dos séculos XVI e XVII, etc. Hoje ela é a terceira maior cidade

O Irã e o islamismo xiita: nada do que você imagina

Um quadro em Isfahan. Não, esse não é Jesus. Esse aí é Ali, "o leão de Allah", primo e genro de Maomé. Ô, peraê, não disse que não podia fazer representação pictográfica na religião islâmica? Você já deve ter ouvido falar na divisão entre sunitas e xiitas no Islã, sem compreender exatamente qual a diferença. Só sabe que "xiita" em português virou sinônimo de radical, intransigente, e supõe portanto que os muçulmanos xiitas são aqueles mais radicais.  
Errado. Completamente errado. Pegue esse pedaço de "conhecimento" ali e atire pela janela. O governo islamista do Irã é radical sim, conservador, e repressivo numa série de coisas, mas isso

Belezas e estranhezas dos comes e bebes no Irã

Este post vai para aqueles que planejam aventurar-se no Irã, e para os que simplesmente estão curiosos pra saber o que, afinal, se come e bebe por aqui. 
Não vou falar muito de "culinária iraniana", pois seria pretensioso demais. Eu entendo pouco da gastronomia persa, e não comi na casa de nenhum iraniano (exceto na de um certo músico no dia em que visitei Persépolis, mas é um serviço pra turistas). Restaurantes aqui são raros e, quando existem, são normalmente para turista. Então é difícil dizer até que ponto os iranianos realmente comem no dia-dia o que eu comi. 
O que eu

O Zoroastrismo, as Torres do Silêncio e o Templo do Fogo em Yazd

Esse aí sou eu em frente ao Templo do Fogo (Atashgah) de Yazd, Irã, no dia em que conheci Zaratustra. Assim falou Zaratustra (1885) é o título do mais famoso livro do filósofo alemão Nietzsche. A filosofia do livro — que, em grande medida, sintetiza o pensamento de Nietzsche — no entanto é o total oposto do que pregou o verdadeiro Zaratustra (chamado Zoroastro pelos gregos). Esse filósofo da Pérsia Antiga, que dizem ter vivido em algum momento entre 1000-600 a.C., foi o primeiro a articular os conceitos de Bem e Mal como algo metafísico, que rege o universo, e criar assim a ideia de moralidade, de

Em Yazd (Irã): Malandragem à iraniana e arquitetura persa no deserto

Nunca antes havia eu escutado "I love you" três vezes numa mesma corrida de táxi. Muito menos do taxista. Este se chamava Ali (como provavelmente outros 10 milhões de iranianos), e essa deve ter sido a corrida de táxi mais divertida eu que já fiz na vida. Entrecortamos a cidade de Yazd, no interior do Irã, por quilômetros de ruelas e becos a todo vapor, sem pegar uma avenida, com Ali dirigindo com uma única mão no volante, a outra descansando pra o lado de fora da janela, e falando sem parar comigo em persa, e rindo. Não falava uma

Em Pasárgada e Persépolis: Mergulhando na Pérsia antiga

"Cá no Irã, quando lhe perguntarem de onde você é, diga que não sabe, porque não é casado ainda. É um ditado aqui. Afinal, a gente sempre vai parar onde a família da mulher está. Veja eu, sou aqui de Shiraz e acabei indo morar em Kashan", disse-me o senhor iraniano idoso que nos acompanhou no passeio.  
Era um senhor simpático, quieto, de seus 70 anos, daqueles que andam no seu próprio passo, com as mãos para trás e olhando tudo. Daqueles que sabem muita coisa e não puxam muita conversa, mas se você começar a conversar com ele, a coisa

As flores de Shiraz e o lado poético da Pérsia

"Boa poesia faz o universo revelar um segredo", dizia Hafez. Este homem do século XIV, nascido e falecido aqui em Shiraz, no sul do Irã, é por muitos considerado o maior poeta da história persa. Os iranianos aprendem seus versos e os usam como provérbios no dia-dia. É uma língua muito poética, em que muito é dito metaforicamente, como ocorre quando você conversa com aqueles idosos cheios de sabedoria popular. 
Khwaja Shams-ud-Din Muhammad Hafez-e Shirazi (1325-1390) vai lhe surpreender. (Esses nomes persas e árabes são enormes porque eles agregam qualificativos. Não são nomes de família. É tipo "Juliana, a paulista, filha

Mais Irã: lados difíceis

Esse aí sou eu, sem opção, tomando a marvada mistura 3x1 (café solúvel, leite em pó e — muito — açúcar) em lugar de café de verdade. Foi a única coisa que achei na rua, no centro de Teerã. Debati-me inúmeras vezes por lojas, com o meu afiado persa, perguntando onde tinha Kafé, Koffee, Kefir, e todas as variantes pensáveis dessa palavra que, eu sei, tem origem árabe e, portanto, deve soar parecido em persa. No entanto parei quando a minha amiga turca me alertou que Kafir, parecido o suficiente, quer dizer "infiel", "pessoa que rejeita Deus", e é uma ofensa das mais perjuradas

O uso do véu no Irã

Na foto acima, a famosa Polícia Moral do Irã aborda uma jovem transeunte, acusando-a de que o hijab (o véu de cobrir a cabeça) não está bem posto. A lei iraniana determina que todas as mulheres (turistas ou não) se cubram, mas não diz como. A grande maioria das jovens, ao menos nas cidades grandes, vestem-se assim como essa de rosa. Ao que parece, a polícia não gostou.  
No momento, há uma batalha política no Irã, em que o presidente (eleito democraticamente) Hassan Rouhani diz que não cabe à polícia fiscalizar tal coisa nem impor o Islã a ninguém — "enviar as pessoas

Pelas ruas de Teerã: Aventurando-se no Irã/Pérsia

Cá estamos em Teerã, a capital iraniana de 12 milhões de habitantes. Última capital da Pérsia antes de ela mudar de nome para "Irã", e um dos grandes centros do Oriente Médio. Tráfego louco, mas boulevards bonitos e lindos jardins. Palácios persas de outrora lado a lado com prédios públicos onde figuram (por lei) as faces dos governantes da República Islâmica que o país se tornou desde 1979. Bem vindos ao Irã! Comecemos, devagar, por Teerã, que não é a melhor cidade iraniana a se visitar, mas é a capital e onde a minha aventura começou. 
Deixem-me dizer logo: as ruas

Top