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Japão: Dicas de Viagem, Cidades, Lugares, e como viajar barato no país mais caro da Ásia

Recentemente recebi perguntas, e me dei conta de que embora eu tenha feito uma viagem longa pelo Japão, jamais publiquei as dicas e recomendações para viajar neste que é o país mais cotado e o mais caro da Ásia.  O Japão é um país inigualável, desejo de consumo turístico de muitos brasileiros, mas não é aquela viagem casual, sem planejamento. Requer planos, entender as peculiaridades daqui e, se seu orçamento for limitado, saber como economizar. Abaixo vão minhas impressões gerais, e a seguir algumas dicas a quem cogita vir conhecer o país. O que mais gostou.  O surrealismo tecnológico. Aqui parece que

Coreia do Sul ou Japão? Diferenças e semelhanças a quem pretende viajar

Ir à Coreia do Sul ou ao Japão? A resposta mais simples é: visite os dois. No entanto, esses países estão do outro lado do mundo, e nem sempre há capital ou tempo suficiente para incluir ambos numa viagem.  Cada pessoa tem o seu preferido. Muitos dizem que o Japão é incomparável, sem conhecer a Coreia. Já outros afirmam que a Coreia é menos visitada, mas mais interessante que o Japão. A resposta final, é claro, é subjetiva, mas aqui vão algumas considerações que ter em mente, de quem já passou semanas turistando em ambos. Culturalmente, os países são semelhantes, mas não

Sayonara, Nihon!

Aeroporto de Narita, Tóquio. Hora da minha partida. Foram 20 dias cá em "Cipango", como se referiu Marco Polo ao Japão. Cipan era como os chineses antigos se referiam àquela terra — literalmente "origem do sol". Guó era "reino", daí Cipan-guó. Os portugueses, primeiros europeus a navegar à Ásia, adotaram o nome e esse ganhou variações pelas línguas ocidentais. Já os próprios japoneses, desde as suas antigas correspondências com a Dinastia Sui (581-618 d.C.) da China, passaram a identificar a sua terra como Nihon ou Nippon (variações do Cipan, com o mesmo significado), nomes mantidos até hoje. 
Mas ao contrário de Marco Polo (que retornou

Japão, um país de homens?

Anúncio de um maid café, tipo de lanchonete onde as garçonetes se vestem e se comportam como serviçais, por 80 reais. O Japão é um país machista — não diferentemente do restante da Ásia, com algumas particularidades aqui e ali. Não é mera opinião; são o que os dados mostram. Dentre os países ricos, o Japão é de longe o mais desigual em questão de gênero. Em 2012 o relatório anual do Fórum Econômico Mundial o classificou na centésima posição em termos de paridade de oportunidades entre homens e mulheres, ao lado de países como Gâmbia e Tajiquistão. 
Alguns questionam, dizendo que culturas são diferentes, e

Na ilha de Miyajima, sul do Japão

Saí do Memorial da Paz em Hiroshina e fui jantar num restaurantezinho pequeno com ar de boteco no centro da cidade. Um dos donos estava por trás do balcão e o outro sentava numa das mesas, com uma toalha branca jogada sobre o ombro, limpando a mão e assistindo televisão (visualizou?). Como em quaisquer desses lugares no Japão, ninguém fala inglês. O jeito é ir pelas figuras do cardápio ou arriscar-se a uma das inúmeras sopas de macarrão em que você não sabe exatamente o que vem dentro. Os riscos não são tão altos, mas pode ser que venha algo tipo

A triste sina de Hiroshima

8:15 da manhã, 6 de agosto de 1945 As pessoas aguardavam a abertura dos bancos e das lojas. Não se pode dizer que era uma manhã "normal", pois já há oito anos o Japão estava em "guerra total". O risco de invasão era real, e a derrota já era certa. Mas se por um lado os líderes do Japão já tinham noção da circunstância e as lideranças ocidentais já até repartiam os espólios de guerra, as pessoas comuns — sempre as que arcam com os maiores custos — dificilmente imaginavam o que estava por vir. 
Hiroshima entrou para a História como a primeira vítima de uma bomba atômica.

Um jantar em família japonesa em Osaka

Esse foi o almoço. A cara não foi proposital. Era hora de fazer o que eu mais gosto quando estou viajando: conhecer uma casa de família, pra ir além das observações turísticas. Acabaria sendo uma experiência inesquecível não só pelo cardápio sui generis do jantar, mas também pelos presentes. Fomos eu e o meu amigo letão, já que essa amiga era nossa vizinha quando morávamos no Canadá. As japonesas, eu costumo dizer, se dividem entre dois extremos: as tímidas que escrevem com canetinha rosa e as danadas apimentadas que gostam de aprontar. A minha amiga está definitivamente no segundo grupo, e,

Uma receita nipo-brasileira: Como fazer brigadeiro de chá verde

O meu albergue em Kyoto é um repositório de gente criativa. Além do meu amigo letão (da Letônia) que veio aqui comigo, conhecemos uma colombiana da Carolina do Norte (Alexandra) e uma mexicana, Maria José, e juntos começamos o hábito de tentar algo exótico todos os dias. No dia anterior tivemos sorvete de limão caseiro para o café da manhã (e para o arrepio de todos que estavam no albergue), e hoje à noite, não tinha escapatória, seria a minha vez de cozinhar. Eu havia avisado a todos que, como o único brasileiro no grupo, poderia fazer brigadeiro, com algo japonês, mas

Nara, a primeira capital e o maior Buda do Japão

Nara é uma cidade bastante budista. Ela foi a primeira capital do Japão (710-794 d.C.), antes mesmo de Kyoto. Durante os anos 600 o Japão recebeu forte influência da China: administração centralizada, técnicas e estilos arquitetônicos, e também as filosofias confucionista e budista. A China estava experimentando uma era de ouro, de unidade e de muito desenvolvimento intelectual e organizativo com as dinastias Sui (581-618) e Tang (618-907), e muito disso se filtrou para o Japão. A corte imperial Japonesa assim empreendeu uma série de reformas (as chamadas "Reformas Taika") para consolidar seu poder central, adotando princípios de administração chinesa. Nara

Kyoto, Japão (Parte 4): O Fushimi Inari Taisha, dos “mil portais”, o templo do filme Memórias de uma Gueixa

Kyoto tem centenas de templos, entre budistas e xintoístas. É cada um mais lindo que o outro, muitos deles inclusive inscritos na UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade — e não é sem razão. No entanto, depois de um ou dois dias visitando templo atrás de templo, você inevitavelmente terá vontade de ver algo diferente. Leve isso em conta quando você planejar a sua visita à cidade. Faça como fizer, entretanto, ao meu ver o templo que você não pode deixar de ver é o Fushimi Inari Taisha, conhecido como o "templo dos mil portais", onde foram gravadas cenas do filme

Kyoto, Japão (Parte 3): Entre comidas japonesas e os bosques de bambu de Arashiyama, com o Pavilhão Dourado (Kinkaku-ji)

Naquela tarde em que encerramos a visita ao Pavilhão de Prata (Ginkaku-ji), fomos logo à rua comer. Os templos no Japão todos fecham às 4 ou 5h da tarde no inverno (normalmente, templos budistas se fecham ao pôr do sol). (Ver Kyoto, Japão: Jardins Zen, o Caminho do Filósofo, e o Pavilhão de Prata.) Brasileiros que acham que churrasquinho de beira de calçada só existe no Brasil estão enganadíssimos. Os japoneses ADORAM. Um de nós foi no churrasquinho (que, aqui, acredito eu não serem de gato), e todos fomos jantar num restaurante tradicional. No dia seguinte, iríamos ao lado oeste de Kyoto,

Kyoto, Japão (Parte 2): Os Jardins de Rocha Zen

Os Jardins de Rocha são uma das demonstrações mais curiosas da estética Zen. O Zen, como eu disse no post anterior, é uma vertente do budismo que enfatiza a meditação, o auto-controle e o auto-conhecimento. É muito popular no Japão há mais de um milênio (embora tenha surgido na China), e presente na maioria dos templos que se encontram em Kyoto. Nós conhecemos bem os jardins zen — aqueles ambientes japoneses com plantas, moinhos de bambu, pequenos lagos e muita tranquilidade no entorno de templos budistas (ver Kyoto, Japão: Jardins Zen, o Caminho do Filósofo e o Pavilhão de Prata). Os Jardins

Kyoto, Japão (Parte 1): Jardins zen, o Caminho do Filósofo, e o Pavilhão de Prata (Ginkaku-ji),

Após chegar a Kyoto no trem-bala japonês, o shinkansen, visitar à noite o bairro das gueixas e fazer uma caminhada no dia seguinte pelo Monte Kurama com direito a banho nu nas termas, era hora de finalmente conhecer mais da cidade. Kyoto é a cidade mais tradicional do Japão. Do ano 794 a 1868 ela foi a capital do país, a residência do imperador, até este ser transferido para Edo (rebatizada então de Tóquio, "capital do leste") àquele ano com a Restauração Meiji. Kyoto é, portanto, tudo aquilo que há de mais tradicional no Japão, aquele Japão "medieval" dos samurais,

Indo ao Monte Kurama e ao banho nu nas fontes termais

(Fico a me perguntar se alguém vai abaixar correndo a barra de rolagem pra ver se tem alguma foto de mim sem roupa. Não, não tem, sinto o desapontamento ;-)). Kyoto fica num vale, e é cercada por colinas verdes. A foto não me deixa mentir. Essas construções de arquitetura japonesa em meio à natureza são algo ímpar. Passam uma paz imensa. Na primavera é mais movimentado, porque milhões de deslocam para vir ver as cerejeiras em flor; mas no inverno é mais tranquilo, então a paz é maior. Você tem várias vezes o lugar só para si. Na verdade, eu acabei vindo visitar

Chegando a Kyoto e indo a Gion, o bairro tradicional das gueixas

Kyoto, a lendária capital imperial japonesa. A cidade foi o coração do poder e da tradição deste país de 794 a 1868, portanto por mais de 1000 anos. Apenas a Restauração Meiji no século XIX mudou a capital para Tóquio, no processo de modernização japonês. Tudo que há de mais tradicional no Japão, portanto, está aqui em Kyoto. Aí incluem-se as gueixas, as tradições zen-budistas, e muito mais. 
Mas um alerta: Você que, como eu, é fã da cultura japonesa deve imaginar Kyoto sendo aquela cidadezinha tradicional, bucólica, pequena e só mesmo com coisas históricas. Ledo engano. Kyoto hoje é uma cidade moderna e reluzente, mas que guarda

No Shinkansen, o trem-bala japonês, rumo a Kyoto

Era hora de deixar Tóquio em direção a Kyoto, a antiga capital imperial japonesa. E nada melhor para esse trajeto que o shinkansen, o famoso trem-bala japonês. São cerca de 360km (a mesma distância de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro) percorridos em pouco mais de duas horas. O trem vai grande parte do tempo a mais de 200km/h, podendo chegar a mais de 300km/h. Em geral, é mais rápido que a maior parte dos trens de alta velocidade da Europa (embora haja alguns alemães que se equiparam). 
Pegar o trem-bala é uma experiência que se deve ter no Japão, então não

Kamakura e o festival do arremesso de feijão

Era um belo domingo de sol, apesar de ser inverno. E não era um domingo qualquer: era dia de Setsubun, a festa anual do arremesso de feijão. Essa festa celebra o final do inverno e o começo da primavera — e, portanto, o começo de um novo ano. Nesse dia os japoneses lotam os templos para assistir a rituais, para beliscar comidas em barraquinhas montadas, ou simplesmente para saber a sorte (os japoneses ADORAM mexer com a sorte: adoram um joguinho de azar, amuletos protetores, ver as previsões para o futuro... essas coisas). 
E é claro que eu não ia ficar de fora. Minha sorte,

Curiosidades no Japão: Coisas curiosas, coisas de ficção, e coisas simplesmente esquisitas

Você sabia que no Dia dos Namorados (Valentine's Day, celebrado dia 14 de fevereiro) no Japão apenas as mulheres dão presentes? Em geral chocolate. Mas não só ao namorado; também ao chefe, aos amigos do sexo masculino, e aos vários homens do seu círculo de convivência, mesmo sem romance.  Sim, sabemos que o Japão é deveras machista (aqui), mas calma, garotas. Um mês depois, dia 14 de março, há no Japão o chamado Dia Branco, quando os homens devem retribuir, de preferência com presentes com o triplo do valor do chocolate recebido. Paulada, hein? Outra coisa, para os solteiros: aqui não se presenteia somente o(a) namorado(a),

Comidas estranhas no Japão

Você gosta de comida japonesa? Adora um sushizinho bem preparado na praça de alimentação do shopping ou na "temakeria" à noite? Gostando ou não, você certamente conhece esses populares rolinhos de arroz envoltos em alga e com um recheio pra inglês ver, que hoje em dia quase todo restaurante a quilo tem. Deve conhecer também o sashimi (peixe cru), e talvez o yakissoba (macarrão frito com legumes, molho de soja e às vezes carne). 
No entanto, meu amigo, minha amiga, sinto lhe dizer que isso não é nem o começo. É o mesmo que gringo achar que a culinária brasileira se

Descobrindo Tóquio (Parte 3): Da tranquilidade de Ueno às badalações de Shinjuku, Harajuku e Akihabara

Este post dará um nó na sua cabeça — mas também mostrará claramente os contrastes de Tóquio — ao ir de um extremo ao outro, do passado ao futuro, do dia à noite. Você custará a crer que aqueles distritos se encontram na mesma cidade. Comecemos pelo afortunado encontro que eu pude ter com uma amiga brasileira no distrito de Ueno. (Uma daquelas coisas de você dizer que está em Tóquio e aquela sua amiga que você não vê há anos enviar uma mensagem "Você está no Japão?? Eu também!") Ueno é um dos distritos mais tradicionais de Tóquio, com um dos maiores e mais populares

Descobrindo Tóquio (Parte 2): Seu passado, quando se chamava Edo, e o atual Palácio Imperial

Depois das luzes em Shibuya e das ofertas de garotas em Roppongi, achei que era hora de algo mais construtivo para temperar. Tóquio — e até certo ponto o Japão — são isso: tradição e espiritualidade de um lado, combinadas com uma frenética sociedade do trabalho, entretenimento e consumo do outro. Eu sei que é clichê dizer isso sobre o Japão, mas é a verdade. No entanto, não acho que os dois lados estejam tão bem equilibrados quanto dizem. 
Trabalho (das 8 ou 9 da manhã até as 9 ou 10 da noite, às vezes com trabalho extra e não remunerado no fim de semana, e quase sem

Descobrindo Tóquio (Parte 1): O metrô e as luzes e neons de Shibuya, Roppongi, e da Torre de Tóquio

Tóquio é uma cidade enorme, cheia de distritos (como eles aqui chamam os bairros), cada qual com a sua personalidade. Não é uma cidade europeia ou colonial, onde normalmente você tem o centro histórico ou algum ponto central de referência. Na prática, Tóquio não tem centro. Para descobri-la, é preciso ver cada um dos distritos e saborear seus contrastes. Você, por exemplo, já percebeu que essa Tóquio da foto acima é bem distinta daquela retratada no post anterior, sobre os templos.  
Para conhecer Tóquio não há escapatória: tem que se usar o metrô, tido como o melhor do mundo. Você acha

Indo ao templo no Japão: Xintoísmo e Budismo em Tóquio

Ir ao templo aqui no Japão é um programa muito mais corriqueiro que ir ao templo (à igreja) no Brasil. Excetuando-se alguma ocasião especial como os festivais, é algo bem casual: passear nos jardins, lavar as mãos na água sagrada, talvez acender um incenso, fazer uma prece diante do altar, e tirar um papelzinho da sorte. Parece uma espiritualidade pessoal de dia-dia (como no caso dos Celtas ou dos índios das Américas), mais do que uma religião instituída e organizada no caso das igrejas cristãs, do judaísmo ou do islã. 
Eu sempre fui fã do animismo japonês, e não podia ficar

O Banheiro Japonês: Incrível em todos os sentidos

Chegou a hora de falar desta parte exótica, que costuma ser suja em outros países aqui da Ásia, mas que aqui no Japão são limpíssimos e são uma atração à parte. 
Eu, na verdade, passei a ficar com pena dos japoneses quando viajam, relando aí por essas privadas frias e inóspitas mundo afora, em comparação. Pra você ter uma ideia: alguma vez na vida você já foi numa privada da TOSHIBA? Pois é. A atração fica por conta daquele controlezinho ali do lado. Como nos demais países da Ásia, o papel higiênico foi algo importado do Ocidente, e não é o que as

Indo a uma final de sumô em Tóquio

O sumô é a arte marcial mais tradicional do Japão. Mais que o judô, o karatê, ou mesmo a luta de espadas. É um espetáculo um tanto especial de assistir, e eu não imaginaria que a minha sorte seria de ter a final de sumô do ano justo no dia seguinte à minha chegada ao Japão. Um domingão bem japonês me aguardava — e ele começaria cedo. Quando eu voltei ao meu albergue em Tóquio, no dia da minha chegada, achei que teria uma loooooonga noite de sono, para tirar todo o atraso. Ledo engano. Uma nova atendente, Kana, me apontou na parede o

Banzai! Chegando ao Japão: Imigração e o Primeiro Dia

Bem vindos ao Japão! Há muitos anos eu queria vir pra cá, e finalmente a chance chegou. Estarei aqui durante quase um mês participando de um evento na Universidade das Nações Unidas esta semana, e passeando em seguida. Não faltam coisas a ver nem a contar. O que nestes primeiros dias eu já percebi é que o que a gente sabe sobre o Japão no Brasil é a mera ponta do iceberg. 38 graus devia ser a temperatura... da minha febre quando eu embarquei no avião. Peguei uma gripe em Amsterdã, das que sempre circulam naquela cidade molhada, depois de uma

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