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Visitando a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, México

Era domingo de manhã cedo, e a massa já passava em procissão pelas ruas do centro da Cidade do México. Peregrinação à Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, o santuário cristão mais visitado em todo o mundo. São em média 20 milhões de pessoas por ano, acima dos 10-12 milhões que visitam Nossa Senhora Aparecida, no Brasil, e dos 5 milhões que vão à Basílica de São Pedro, no Vaticano. (Fora do cristianismo, há apenas dois santuários ainda mais visitados: o templo hindu Vishwanath em Varanasi, na Índia, aonde vão em média 22 milhões de pessoas ao ano, e que

Cidade do México, vulgo Tenochtitlán

A Cidade do México hoje repousa sobre a antiga capital do império asteca, Tenochtitlán. Se você acha esse nome difícil, ainda não viu nada. Diz a lenda que o deus Huitzilopochtli deu uma visão à tribo Mexica (você nunca havia se perguntado de onde vem o nome do país?), que buscassem um certo sinal e, ao encontrá-lo, ali fundariam uma grandiosa cidade. O tal sinal seria uma águia com uma cobra no bico pousada sobre um cacto — imagem hoje imortalizada no meio da bandeira mexicana. Segundo esse mito de origem que ninguém sabe até que ponto foi verdade, os Mexica eram uma

Coyoacán, Leon Trótsky, Diego Rivera, Frida Kahlo e o muralismo mexicano

Frida Kahlo (1907-1954) é seguramente um dos ícones mais conhecidos da cultura mexicana. No entanto, tal como a ponta de um iceberg, ela pertence a algo muito maior e que nem sempre se vê. Esse algo maior, que talvez tenha passado despercebido a quem a conhece apenas pelo filme americano Frida (2002), é todo o movimento artístico e político que teve lugar no México em princípio e meados do século XX. 
Uma das expressões mais notáveis desse movimento foi o muralismo mexicano. Pra dar um pouquinho de contexto histórico, vale saber que o México tornou-se independente da Espanha em 1821. Daí seguiram-se

Crônicas da vida numa pensão em Mérida, interior do México

Estamos em Mérida, onde eu conheci Joel. Joel nunca soube o meu nome. Se soube, nunca o usou. Joel é um rapaz baixinho, de cara arredondada, do tipo risonho pouco atento, que parece estar sempre metade aqui e metade em algum mundo divertido que o faz sorrir. Cabelo preto bagunçado, calças compridas e chinelão, com aquele andar relaxado de quem não quer muito da vida. Às vezes ele usa um chapéu Panamá que o deixa ligeiramente mais alto, com pose de organizador de bingo. Ele é o faz-tudo da pensão onde me hospedei em Mérida. O seu irmão também é, mas

Os Cenotes de Yucatán e os Monumentos Mayas em Kabah e Uxmal

A maior parte dos monumentos Mayas permanecem desconhecidos do nosso imaginário. No entanto, estão entre as ruínas mais fabulosas do mundo. Há algumas na Guatemala e muitas aqui pela Península de Yucatán, no México. De todas as ruínas mayas que eu visitei no México, Uxmal é provavelmente a mais bonita. Ela é menos famosa que Chichén Itzá (aqui), pois fica mais longe de Cancún e assim recebe menos turistas, mas é bem mais impressionante. Uxmal, que em maya quer significa "três vezes construída", foi uma cidade habitada entre 500-1100 d.C.. Ao final deste período sofreu uma forte invasão tolteca (outro povo indígena,

O Básico da Comida Mexicana

Comida mexicana. Desconhecida por muitos brasileiros, ou conhecida somente em suas versões fast-food americanizadas. Mas o México tem uma cozinha rica, bem temperada, apimentada — e infelizmente pra mim, bastante centrada em carne. Mas eu sobrevivi. Comi chili (pimenta) a valer, ardi a boca e partes outras que eu não vou dizer, e descobri muita coisa saborosa, que comparto agora aqui com vocês. 
Foram várias semanas no México comendo muita comida callejera (de rua), vendo tias e tios amassando a massa de milho pra fazer tortillas na hora, e sentindo o cheiro — nem sempre bem vindo — de comida fritando e assando. Contudo, não posso dizer

A Origem do Chocolate: Experimentando o original indígena no México

Essas são sementes de cacau, das quais se faz o xocolatl, também conhecido como chocolate. Antes de ganhar o mundo, o chocolate já era sensação entre as civilizações indígenas da Mesoamérica (da América Central ao México). Embora ele seja nativo da Amazônia, foi aqui que se desenvolveu como tal. Há evidências de uso desde 1900 a.C., sempre como uma bebida. Os astecas, de quem os espanhóis aprenderam, o chamavam xocolatl, ou "água amarga". A razão é que os índios não usavam açúcar, e tampouco o diluíam com leite. Ao contrário, o usavam bem concentrado: juntavam as sementes moídas a água e

Na Península de Yucatán, Terra dos Mayas: Visitando Chichén Itzá e região

Cá estou, na terra onde há 4.000 anos vive aqui o povo indígena Maya. Esta é a Península de Yucatán, sudeste do México, cerca dos países centro-americanos Guatemala e Belize. Em muitos aspectos, os Mayas foram a civilização pré-colombina mais avançada. Eram excelentes astrônomos, matemáticos (tinham o zero, que os romanos não tinham e que os europeus só aprenderiam depois, com os números arábicos que usamos até hoje), tinham um calendário complexo, e tinham escrita em hieróglifos, como os egípcios antigos, mas estes de cá nunca foram inteiramente decifrados. 
Entretanto, caso você creia que os Mayas sumiram tal qual os antigos

Picolés mexicanos, conheça os originais

Este é um pequeno post só pra dizer que a gente no Brasil não entende nada de picolé. Os mexicanos nos dão de 10 a 0 — ou de 7 a 1, se preferirem. 
Confesso que quando chegou a moda dos picolés mexicanos no Brasil, a tratei com certo desdém. "Nunca ouvi falar em México ter tradição de picolé", lembro de ter pensado enquanto vencia toda a resistência da minha frugalidade para pagar 7 reais num picolé. Leda ignorância a minha, agora devidamente corrigida. Mas deixem-me dizer-lhes que tampouco essa versão gourmetizada dos picolés mexicanos aí no Brasil se compara aos originais, e

Mairon em Teotihuacán, no México

Teotihuacán, uma das mais impressionantes cidades antigas da Mesoamérica. Estamos no México, perto da capital. Teotihuacán é um sítio que precede até mesmo a cultura asteca. Trata-se das ruínas de uma antiga cidade indígena, datada do século I antes de Cristo. Diz-se que a cidade vingou ao longo de todo o primeiro milênio depois de Cristo, provavelmente com uma população de várias diferentes etnias indígenas da região. As ruínas estão surpreendentemente bem preservadas. As enormes pirâmides do sol e da lua continuam aqui, e é possível subir os seus íngremes degraus — o que eu fiz, mas não sem antes tomar uma

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