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Viajando pelo México: Dicas, segurança, lugares aonde ir, e o que fazer

Hola, cabrones! Hora de fechar mais este périplo pelo país mais culturalmente interessante da América do Norte. Eu vim duas vezes ao México, passando um total de três meses no país. Uma coisa que você logo aprende é que, com seus 31 estados e um Distrito Federal, o México é grande e cheio de regionalismos. Não vi tudo, mas conheci bastante coisa, e espero retornar um dia para conhecer o resto. Abaixo, um balanço das minhas passagens pelo país, observações gerais para quem pretende viajar aqui, e algumas dicas. O que mais gostou. A riqueza cultural. Muita coisa de raiz indígena, bem

Comida Mexicana (2.0) e seus pratos típicos, bebidas e especialidades: Milho, pimenta e chocolate na veia

A culinária mexicana é algo potente. Pimentas que ardem, muito feito do milho, e chocolate, esse tesouro que os mesoamericanos doaram ao mundo. Uma veia nativa muito rica esta gastronomia tem. Eu cheguei a discorrer sobre ela num post anterior. Agora, após os percursos e experiências em mais lugares no México, vamos à versão 2.0 — mais completa e atualizada — dos Comes & Bebes mexicanos. Tortilhas e afins: A alma mexicana Pimentas, pimentas: Verdes e vermelhas Molhos e moles Chocolate: Invenção mesoamericana para o mundo Há vida para vegetarianos? Doces e paletas Os "bebes" no México: Con o sin alcohol Tortilhas

San Cristóbal de las Casas, Chiapas: Linda cidade colonial e indígena no sul do México

Bem vindos ao emblemático estado de Chiapas, o mais meridional do México, já na fronteira com a Guatemala. Estamos numa área tropical elevada, onde os jaguares antigamente salteavam nas matas das colinas, e os povos mayas faziam das melhores agriculturas e engenharias do mundo. Não estou falando de passado remoto. Embora a "Era de Ouro" da civilização maya tenha se dado de 250-900 d.C., eles não desapareceram. Suas cidades, embora já não tão dominantes, continuaram de pé, e a população maya continua aqui até hoje, falando seus idiomas nativos nas ruas e mantendo o que foi possível da sua cultura. Se você

Hierve el Água: Piscinas naturais e cascatas petrificadas em Oaxaca, México

Eis um dos mais famosos tesouros naturais do México. Este post encerra a minha viagem pelo estado de Oaxaca, antes de eu seguir a Chiapas, ainda mais a sul no país. A quem já se convenceu da riqueza cultural desta região, saiba que sua natureza também é linda. Meu tour às ruínas da antiga cidade zapoteca de Mitla trouxe-me também aqui a Hierve el Água ("ferve a água"), um conjunto de piscinas naturais e cachoeiras petrificadas (calma que eu explico) no alto das colinas da Sierra Madre Sur. Essas águas são ricas em minerais e, dizem, têm propriedades curativas. Elas brotam das

Conhecendo o mezcal na origem: em Oaxaca, sul do México

Nos profundos recantos do interior de Oaxaca, aqui no sul do México, qual foi a nossa surpresa ao reencontrar o señor Simón, guia do nosso tour do dia anterior. Estava ele a guiar outro grupo hoje, e apresentou a todos nós com sua senioridade o mezcal, bebida típica do México feita através da fermentação do agave. Fica muito diferente da tequila, que é o agave destilado. "Para todo mal, mezcal", dizia-nos ele na sua voz de avô, aquela certeza tranquila que só os mais idosos têm. "Para todo bien, también. Y para remedio, litro y medio", concluía ele certo. Como todo bom

As ruínas zapotecas de Mitla e a árvore milenar em Tule, Oaxaca

Sigo eu pelo interior de Oaxaca, sul do México, a descobrir tesouros arqueológicos das civilizações indígenas e também algo ainda mais antigo. Não é todo dia que se esbarra num ser vivo que já estava vivo quando o profeta Maomé, o imperador Justiniano e outros ainda caminhavam pela Terra, e os Vikings não haviam nem começado ainda a navegar. Nós neste post passearemos entre o antigo, o muito antigo, e o antiquíssimo. Tem um pouco de loucura também, porque no México — como é característico do melhor da América Latina — você sempre esbarra numas pessoas que parecem saídas da

Curiosidades da gastronomia e belezas da cultura de Oaxaca, México

Coloridos, coloridos vários. Não há México sem cores, muito menos Oaxaca. Seja na comida ou nas artesanias, o colorido vivo está aqui por toda parte. Nas comidas propriamente ditas, como também nos pratos propriamente ditos. Nessas tapeçarias de fio de agave, como nas pequenitas esculturas em madeira que fazem de monstros e criaturas fantásticas brinquedos infantis. Este post é uma modesta amostra da cultura oaxaqueña de que me embebi por uns dias, algumas das comidas que experimentei e das coisas que vi. De molhos preparados com gafanhoto a lindos têxteis de coloração natural. Estou fazendo essa anarquia com os gafanhotos porque são

Tour a Monte Albán: Ruínas zapotecas e mixtecas em Oaxaca (México)

Lá está Monte Albán contra a paisagem da Sierra Madre no sul do México. Pode não ter a imensidade de Teotihuacán, ou a extensão das ruínas mayas em Yucatán, mas é o principal sítio de ruínas zapotecas e mixtecas, mostrando a diversidade cultural e histórica do país. Não são apenas legados astecas e mayas como se costuma imaginar, mas de uma variedade de nações indígenas distintas que aqui floresceram ao longo do tempo. Monte Albán, apesar do nome mui espanhol, foi uma cidade zapoteca fundada nos idos de 500 a.C. e que viria a dominar esta parte da Mesoamérica pelos séculos seguintes.

Oaxaca de Juárez: Dos lugares mais belos, coloridos, e culturalmente ricos do México

Estamos em mais uma cidade colonial mexicana, das mais bonitas. Na verdade, Oaxaca [lê-se Oarráca] talvez seja a que mais me encantou. Em termos de beleza visual, todas são fofinhas, mas a beleza cultural aqui desponta ainda mais que o normal. Estamos no sul do México. Ao longe da cidade se veem as colinas da Sierra Madre Sur. São algumas horas de ônibus desde Puebla até esta quebrada onde o México faz a curva. Oaxaca, um dos 31 estados mexicanos, é aproximadamente do tamanho de Pernambuco ou Santa Catarina. Sua capital, Oaxaca de Juárez — quase nunca chamada pelo nome inteiro

Cholula (México) e a maior pirâmide do mundo

Essa vista da foto de abertura é do topo da pirâmide, uma pirâmide asteca, a maior do mundo. (Sim, os espanhóis construíram uma igreja em cima dela.) Estamos em Cholula, uma cidadezinha que mais parece um bairro de Puebla, de tão próxima que é. Talvez o mais justo e adequado seja começar com o breve vídeo de 1 min que fiz no trajeto do ônibus até lá, pelas ruelas de casas coloridas típicas mexicanas, e com direito à trilha sonora do motorista e tudo. Sintam o México. Era, como vocês podem perceber, uma dia nublado, meio de uma chuva que me atrapalhou.

Puebla e seus tesouros do barroco colonial mexicano

Muito tem o México em comum com o Brasil. Embora tenhamos muito pouca irmandade para com os outros latino-americanos (os brasileiros em geral preferem se afeiçoar da Europa, quando não com os Estados Unidos ou até mesmo a África antes de olhar para a própria vizinhança), há muito de parecido e de história compartida. O barroco colonial é uma dessas manifestações mais evidentes das semelhanças latino-americanas. Barroco não é apenas arquitetura de igreja. (Música barroca existe, pra quem não sabe, embora esta seja um elemento bem mais europeu que americano.) O barroco foi uma época cultural da Europa com seus prolongamentos

Ballet Folclórico Mexicano no Palácio de Belas Artes da Cidade do México

O Palácio de Belas Artes da Cidade do México é um de seus prédios mais notáveis, teatro-maior da cidade com sua arquitetura do início do século XX em mármore branco de Carrara. Hoje é um ícone na grande praça Alameda Central onde jovens namoridos mexicanos agarram-se sem pestanejar.  Muitos turistas vêm fotografá-lo por fora; relativamente poucos entram para assistir a um espetáculo. Eu lhes recomendo fazê-lo, e talvez o melhor desses espetáculos não seja outro se não o Ballet Folclórico Mexicano. Esse é um grupo artístico fundado pela produtora Amalia Hernández em 1952, mui tradicional e que segue em atividade (sempre,

Coyoacán, o bairro mais simpático da Cidade do México

Ali estou eu em meio aos coiotes que dão nome a Coyoacán. No tempo dos astecas, aqui ficava um vilarejo dos vizinhos Tepanecas notável por aqueles animais — Coyoacán significa "lugar de coiotes" na língua náhuatl dos astecas. A "Cidade do México" que cresceu aqui por sobre a capital asteca expandiu-se até englobar aquele vilarejo como parte sua, e hoje Coyoacán provavelmente é o bairro mais bonitinho e simpático de toda a megalópole mexicana. Muita coisa aconteceu de lá para cá. Coyoacán permaneceu um vilarejo colonial independente pela maior parte de sua história. Aqui é que os espanhóis celebraram sua primeira

Cristianismo popular na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, México

Domingo de manhã na Cidade do México. A ampla e linda avenida Paseo de la Reforma com seu icônico Ángel de la Independencia fechada para carros, transformada num grande boulevard para bicicletas, pessoas e cachorros. Minha meta era revisitar, desta vez com mais calma, o santuário da Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe (La Vírgen de Guadalupe, como eles dizem aqui em espanhol). Do Paseo de la Reforma, qualquer ônibus com direção a Hidalgo o leva à basílica mais rápido que o metrô. (Já se você estiver longe, a estação de metrô aonde chegar é La Villa-Basílica.) Eu já havia visitado a

O Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México em 20 fotos: Conhecendo os antepassados

Se você usa roupas de algodão, esse algodão industrial de hoje foi domesticado pelos indígenas mexicanos. Se você come milho de qualquer tipo, a sua domesticação e cultivo também se devem aos indígenas do México e da América do Sul. São antepassados culturais da América Latina (e, em certa medida, do mundo todo) mesmo para quem não tem sangue indígena mesoamericano.  Há um mundo de coisas não ditas, sub-ditas, ou desconhecidas acerca dos indígenas das Américas. Eu cheguei a discorrer antes sobre isso. O Museo Nacional de Antropologia na Cidade do México provavelmente é o maior e melhor do mundo no

Voltando à Cidade do México: Lugares e atrações principais numa das maiores metrópoles do mundo

Tempos depois da última visita, estou eu aqui novamente. A Cidade do México é das minhas favoritas no mundo. Não morro de amor, mas gosto. Talvez seja um apreço mais de admiração intelectual que de afeição. Afinal, poucas cidades no mundo têm a magnitude desta metrópole de 20 milhões de habitantes com uma herança cultural que remonta aos astecas (com ruínas da sua capital Tenochtitlán aqui), a fartura da culinária mexicana, sua gente festiva, a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe (sítio cristão mais visitado do mundo), entre outros fortes. Quer você se afeiçoe a esses lugares quer não, há de

Visitando a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, México

Era domingo de manhã cedo, e a massa já passava em procissão pelas ruas do centro da Cidade do México. Peregrinação à Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, o santuário cristão mais visitado em todo o mundo. São em média 20 milhões de pessoas por ano, acima dos 10-12 milhões que visitam Nossa Senhora Aparecida, no Brasil, e dos 5 milhões que vão à Basílica de São Pedro, no Vaticano. (Fora do cristianismo, há apenas dois santuários ainda mais visitados: o templo hindu Vishwanath em Varanasi, na Índia, aonde vão em média 22 milhões de pessoas ao ano, e que

Cidade do México, vulgo Tenochtitlán

A Cidade do México hoje repousa sobre a antiga capital do império asteca, Tenochtitlán. Se você acha esse nome difícil, ainda não viu nada. Diz a lenda que o deus Huitzilopochtli deu uma visão à tribo Mexica (você nunca havia se perguntado de onde vem o nome do país?), que buscassem um certo sinal e, ao encontrá-lo, ali fundariam uma grandiosa cidade. O tal sinal seria uma águia com uma cobra no bico pousada sobre um cacto — imagem hoje imortalizada no meio da bandeira mexicana. Segundo esse mito de origem que ninguém sabe até que ponto foi verdade, os Mexica eram uma

Coyoacán, Leon Trótsky, Diego Rivera, Frida Kahlo e o muralismo mexicano

Frida Kahlo (1907-1954) é seguramente um dos ícones mais conhecidos da cultura mexicana. No entanto, tal como a ponta de um iceberg, ela pertence a algo muito maior e que nem sempre se vê. Esse algo maior, que talvez tenha passado despercebido a quem a conhece apenas pelo filme americano Frida (2002), é todo o movimento artístico e político que teve lugar no México em princípio e meados do século XX. 
Uma das expressões mais notáveis desse movimento foi o muralismo mexicano. Pra dar um pouquinho de contexto histórico, vale saber que o México tornou-se independente da Espanha em 1821. Daí seguiram-se

Crônicas da vida numa pensão em Mérida, Yucatán, interior do México

Estamos em Mérida, capital do estado mexicano de Yucatán, no caribenho sul do país. Aqui eu passaria algumas semanas a trabalho — mas um trabalho sossegado, quase digno dos livros de Gabriel Garcia Márquez, tomando aquelas brisas vespertinas a soprar do Mar do Caribe, e conhecendo figuras que eram reais personagens. Quem eu mais via na pensão onde me instalei em Mérida era Joel, o faz-tudo neto da senhora gerente. Joel nunca soube o meu nome. Se soube, nunca o usou. Joel é um rapaz baixinho, de cara arredondada, do tipo risonho pouco atento, que parece estar sempre metade aqui e metade em

Os Cenotes de Yucatán e os Monumentos Mayas em Kabah e Uxmal

A maior parte dos monumentos Mayas permanecem desconhecidos do nosso imaginário. No entanto, estão entre as ruínas mais fabulosas do mundo. Há algumas na Guatemala e muitas aqui pela Península de Yucatán, no México. De todas as ruínas mayas que eu visitei no México, Uxmal é provavelmente a mais bonita. Ela é menos famosa que Chichén Itzá (aqui), pois fica mais longe de Cancún e assim recebe menos turistas, mas é bem mais impressionante. Uxmal, que em maya quer significa "três vezes construída", foi uma cidade habitada entre 500-1100 d.C.. Ao final deste período sofreu uma forte invasão tolteca (outro povo indígena,

O Básico da Comida Mexicana

Comida mexicana. Desconhecida por muitos brasileiros, ou conhecida somente em suas versões fast-food americanizadas. Mas o México tem uma cozinha rica, bem temperada, apimentada — e infelizmente pra mim, bastante centrada em carne. Mas eu sobrevivi. Comi chili (pimenta) a valer, ardi a boca e partes outras que eu não vou dizer, e descobri muita coisa saborosa, que comparto agora aqui com vocês. 
Foram várias semanas no México comendo muita comida callejera (de rua), vendo tias e tios amassando a massa de milho pra fazer tortillas na hora, e sentindo o cheiro — nem sempre bem vindo — de comida fritando e assando. Contudo, não posso dizer

A Origem do Chocolate: Experimentando o original indígena no México

Essas são sementes de cacau, das quais se faz o xocolatl, também conhecido como chocolate. Antes de ganhar o mundo, o chocolate já era sensação entre as civilizações indígenas da Mesoamérica (da América Central ao México). Embora ele seja nativo da Amazônia, foi aqui que se desenvolveu como tal. Há evidências de uso desde 1900 a.C., sempre como uma bebida. Os astecas, de quem os espanhóis aprenderam, o chamavam xocolatl, ou "água amarga". A razão é que os índios não usavam açúcar, e tampouco o diluíam com leite. Ao contrário, o usavam bem concentrado: juntavam as sementes moídas a água e

Na Península de Yucatán, Terra dos Mayas: Visitando Chichén Itzá e região

Cá estou, na terra onde há 4.000 anos vive aqui o povo indígena Maya. Esta é a Península de Yucatán, sudeste do México, cerca dos países centro-americanos Guatemala e Belize. Em muitos aspectos, os Mayas foram a civilização pré-colombina mais avançada. Eram excelentes astrônomos, matemáticos (tinham o zero, que os romanos não tinham e que os europeus só aprenderiam depois, com os números arábicos que usamos até hoje), tinham um calendário complexo, e tinham escrita em hieróglifos, como os egípcios antigos, mas estes de cá nunca foram inteiramente decifrados. 
Entretanto, caso você creia que os Mayas sumiram tal qual os antigos

Picolés mexicanos, conheça os originais

Este é um pequeno post só pra dizer que a gente no Brasil não entende nada de picolé. Os mexicanos nos dão de 10 a 0 — ou de 7 a 1, se preferirem. 
Confesso que quando chegou a moda dos picolés mexicanos no Brasil, a tratei com certo desdém. "Nunca ouvi falar em México ter tradição de picolé", lembro de ter pensado enquanto vencia toda a resistência da minha frugalidade para pagar 7 reais num picolé. Leda ignorância a minha, agora devidamente corrigida. Mas deixem-me dizer-lhes que tampouco essa versão gourmetizada dos picolés mexicanos aí no Brasil se compara aos originais, e

Mairon em Teotihuacán, no México

Teotihuacán, uma das mais impressionantes cidades antigas da Mesoamérica. Estamos no México, perto da capital. Teotihuacán é um sítio que precede até mesmo a cultura asteca. Trata-se das ruínas de uma antiga cidade indígena, datada do século I antes de Cristo. Diz-se que a cidade vingou ao longo de todo o primeiro milênio depois de Cristo, provavelmente com uma população de várias diferentes etnias indígenas da região. As ruínas estão surpreendentemente bem preservadas. As enormes pirâmides do sol e da lua continuam aqui, e é possível subir os seus íngremes degraus — o que eu fiz, mas não sem antes tomar uma

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