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Viajando pela Rússia: Dicas de viagem, o que fazer, e cidades para visitar

Estive três vezes na Rússia, passando um total de meses no país. Satisfaço-me em dizer que o percorri de ponta a ponta. Não vi tudo, mas pude ver e rever Moscou e São Petersburgo, além de conhecer vários dos recantos mais remotos do maior país do mundo. Abaixo, eu faço o balanço das minhas passagens pelo país, e compartilho algumas dicas e sugestões — inclusa uma seção especial sobre como lidar com os russos, já que o seu comportamento costuma ser uma das maiores queixas dos turistas. O que mais gostou. Conhecer pessoalmente a realidade diária de um país altamente (e negativamente) estereotipado

As 5 melhores paradas na Ferrovia Trans-Siberiana, na Rússia

As pessoas normalmente imaginam a Ferrovia Trans-Siberiana como um "Expresso Oriente" (quando não um Hogwarts Express) em que você magicamente cruza o território russo de ponta a ponta. É mais ou menos isso, mas não há UM trem (como coloquei aqui, no meu post sobre trens na Rússia), e a magia da viagem está longe de ser somente o trajeto em si. A grande graça da Ferrovia Trans-Siberiana são as paradas, os contrastes pelo caminho. Muito você vê pela janela, mas muito requer que você desça, caminhe, e confira com os próprios olhos. Encontro muitos turistas que optam por ficar enfurnados

Bônus: Novosibirsk, a cidade das mais belas mulheres da Rússia

A minha jornada trans-siberiana havia se completado em Vladivostok, no extremo oriente da Rússia, mas no caminho de volta o meu voo ainda me traria a mais uma cidade russa. Eis uma cidade que você talvez nem soubesse que existia, mas Novosibirsk é nada menos que a terceira maior cidade da Rússia, com mais de 1,5 milhão de pessoas em plena Sibéria — e famosa por ser, diz a lenda, aquela com as mais belas mulheres do país. Não fiz análise estatística para comparar, mas é claro que me deparei com cada pedaço de mau caminho maior que o outro pelas ruas. Várias

Comidas típicas na Rússia: Está preparado?

A culinária russa não é mundialmente famosa. É difícil encontrar um restaurante russo em outro país, e duvido que muitos brasileiros — ou ocidentais em geral — conheçam muitos pratos russos além de strogonoff. (Inclusive, acho que o strogonoff hoje em dia é muito mais comum no Brasil que na Rússia. Só pra constar.)  Se há uma razão para a pouca fama da comida russa, eu suspeito que sejam sua simplicidade e despretensão. A gastronomia russa tem aquela cara de "comida de todo dia", o que talvez tenha sido particularmente reforçado durante os 70 anos de existência da União Soviética com o seu mantra

Vladivostok, Rússia: O fim de linha da Ferrovia Trans-Siberiana

Eis Vladivostok, a "São Francisco" da Rússia. O fim de linha da gigante Ferrovia Trans-Siberiana, de mais de 9.200Km. Um lugar que alguns amigos brasileiros achavam que só existia no jogo de tabuleiro WAR, mas que é uma cidade de verdade — e elegante. Eu cheguei a Vladivostok numa manhã nublada, úmida e quente, após um trem noturno desde Khabarovsk. Com a cara de quem dormiu no trem, uma mochila na frente e outra atrás, eu me apressei a tirar uma foto com o marco do fim da ferrovia. É uma foto para se guardar. (Vários asiáticos num grupo tiveram a mesma

Khabarovsk, a charmosa cidade no Leste Distante da Rússia

Certa vez eu conheci um russo meio doidinho, num albergue na Europa, que se assombrou quando eu lhe disse que iria ao Leste Distante da Rússia. Num inglês quebrado, ele comentou que Moscou e São Petersburgo eram uma coisa, fáceis de navegar. Já Blagoveshchensk e Khabarovsk, que eu lhe disse que planejava visitar, eram "a Rússia profunda" ("deep Russia"), outros 500. Ele achou que eu era meio maluco de ir pra lá sem fluência em russo, e gostou de mim por isso. De fato, visitar o interior da Rússia está muito distante da experiência de conhecer Moscou ou São Petersburgo, cidades

Blagoveshchensk: Em meio aos russos na Região de Amur, fronteira com a China

Uma das coisas de que mais me satisfaço na vida é de ter amigos em vários países, de várias culturas. Acho fascinante como os modos, as normas e os costumes variam. E como ao mesmo tempo todos têm traços humanos em comum. Aqui estava eu, no "fim do mundo" no Leste Distante da Rússia para conhecer esse país de ponta a ponta e, de quebra, dar uma passadinha pra dar um "oi" a uma amiga russa daqui e sua família. (Eu sempre alerto os meus amigos estrangeiros que tenham cuidado ao me convidar para visitar suas regiões, porque mesmo se for

Para além da Sibéria: Rumo ao Leste Distante da Rússia

O que há para além da Sibéria? Consideramos a Sibéria tal "fim de mundo" que às vezes esquecemos que há ainda mais um tanto de Rússia depois dela, até o Oceano Pacífico. O que haveria ali? Nada? Eu me lembro que, há alguns anos na Europa, conheci uma sorridente garota russa encantada por conhecer um brasileiro. (O Brasil goza de muito boa fama dentre os russos.) Ela me disse ser do "Leste Distante", quando lhe perguntei de que parte da Rússia era. "Leste Distante?", fiquei eu a cogitar, deduzindo o significado mas ouvindo aquele termo pela primeira vez na vida.  Pois bem,

Ulan Ude: Bem vindos à República da Buryatia, na Sibéria

Estamos de volta à Rússia, na Sibéria, num recanto que a grande maioria dos ocidentais sequer sabe que existe: a Buryatia. Nesta viagem eu aprendi que a Rússia está longe de ser homogênea, e que guarda muitas culturas regionais que nós ocidentais sequer imaginamos. A primeira vez que ouvi falar da Buryatia foi, curiosamente, numa loja de souvenirs no Canadá. Não, eles não estavam vendendo souvenirs russos por lá. O funcionário da loja ("100% quebequense", nas palavras dele próprio), no entanto, acontecia de ser uma daquelas pessoas de quem você nunca esquece. Era época de Natal na Cidade de Québec, e

Trens na Rússia: Ferrovia Trans-Siberiana, como comprar online, o que levar, e outras dicas

Viajar de trem é uma delícia, e a Ferrovia Trans-Siberiana é nada menos que a maior do mundo. São mais de 9 mil quilômetros entre Moscou e Vladivostok, na costa do Pacífico, e isso sem falar nos caminhos para a Mongólia e a China. (Fica a dica para quem acha que trem no Brasil não daria certo porque "as distâncias são muito grandes".) Já tendo vindo três vezes à Rússia e passado um total de meses cruzando o país, eu resolvi fazer este pacote de dicas e observações para quem pretende viajar aqui de trem. Eu falarei dos trens russos em geral

No trem da Sibéria (Rússia) à Mongólia: Paisagens e imigração

Viajar de trem pela Rússia é a experiência de uma vida. Suas longas estepes, estas planícies casadas com aquelas da Mongólia e do Cazaquistão, são chão por onde migraram um sem-fim de povos, passaram incontáveis mercadores, viajantes históricos como Marco Polo, e por onde as civilizações trocaram milênios de mercadorias e influências culturais através da Rota da Seda, que ia até a China. Hoje já não se usam mais caravanas, mas para cruzar essas distâncias estão aí os trens.  Embora os trens russos (e mongóis) não sejam de altíssima velocidade (e é até melhor que não sejam, pois fica mais idílico e

Lago Baikal e Ilha de Olkhon, Sibéria: Entre xamanismo e natureza no interior da Rússia

Como toda história da vida real, este post não tem um tema só. Impressões dos vários tipos costumam nos assaltar em conjunto; o belo ao lado do disfuncional e do interessante. Assim foi comigo aqui na visita ao Lago Baikal, na Sibéria, onde pude contemplar as suas magníficas paisagens, ao mesmo tempo em que experimentava a precariedade de infraestrutura do interior russo e conhecia algo da interessante cultura xamanística dos nativos siberianos. Acompanhem-me. Certa vez, nos idos dos anos 1980, o finado chanceler alemão Helmut Schmidt famosamente chamou a União Soviética de "Burkina Faso com mísseis", basicamente dizendo que, afora o

Bem vindos a Irkutsk, Sibéria

(Eu ♥ Irkutsk, em russo.) Faz alguns anos desde a primeira vez que eu vi "Irkutsk" no mapa. Lembro-me de — ajudado por esse nome siberiano — imaginar um lugar gélido, polar, um lugar remoto onde poucas pessoas, permanentemente em roupas de frio, viviam isoladas do mundo. Não acho que eu seja o único a ter essas imaginações acerca da Sibéria. Irkutsk talvez fosse assim há 300 anos atrás, mas não mais. A Sibéria, como eu coloquei no post passado, tampouco é permanentemente fria. Tal qual o miolo do Canadá e dos EUA, ela tem o clima continental de invernos muito rigorosos mas também verões

A experiência de dois dias num trem russo trans-siberiano, de Ekaterimburgo a Irkutsk

Três mil e quinhentos quilômetros (3.500Km) separam Ekaterimburgo e Irkutsk, cidade no coração da Sibéria. Para efeito de comparação, é a mesma distância entre Curitiba e Fortaleza no Brasil, que aqui na Rússia você faz em dois dias de trem. É a partir desse trecho que a Ferrovia Trans-Siberiana começa a ficar efetivamente trans-siberiana. Eu até aqui já tinha feito viagens de trem que considerava longas — como as 24h num trem indiano que narrei anteriormente ou as 33h que levei de Amsterdã a Minsk, na Bielorrússia. A Rússia, no entanto, sempre muda os seus parâmetros. A experiência de passar tanto tempo dentro de um

Ekaterimburgo: Divisa entre Europa e Ásia na Rússia, e onde os Romanov foram executados

Ekaterimburgo [às vezes grafada Yekaterimburgo, por causa da forma como os russos pronunciam seu nome] é uma metrópole de mais de 1 milhão de habitantes, e a cidade mais a leste dentre as sedes da Copa de 2018. Estamos duas horas a mais que em Moscou — a Rússia tem nada menos que 11 fusos horários, e aqui minha viagem trans-siberiana finalmente me forçava a mudar o relógio. Estamos no miolo da Rússia, onde Europa e Ásia se encontram. Isto é, onde por convenção histórica se definiu distinguir Europa e Ásia na grande massa de terra que é a Eurásia. Os nomes "Europa" e

Kazan, a bela capital da República do Tatarstão, na Rússia

Bem vindos à República do Tatarstão, na Rússia! Eu sei, a cabeça de muita gente deve ter dado um nó: Como assim "República do Tatarstão" e ao mesmo tempo "na Rússia"? Simples: a Rússia é repleta de repúblicas não-soberanas mas que tem certa autonomia. Aqui, ao contrário do Brasil, nem todas as unidades da federação gozam do mesmo grau de autonomia. A Rússia possui "territórios" (krai), "províncias" (oblasts), e repúblicas — dentre outras categorias. As repúblicas são 22 das 85 unidades da federação que a Rússia tem, e são as mais autônomas de todas. Geralmente, representam áreas de maioria étnica não-russa, como

A famosa Galeria Estatal Tretyakov de Moscou em 15 fotos

Pouco conhecida dos brasileiros, ela é o museu mais visitado de Moscou e o maior repositório de arte russa no mundo. A Galeria Estatal Tretyakov, estabelecida em 1856, abriga nada menos que 130 mil itens, entre esculturas e pinturas russas. Tudo começou no século XIX como uma coleção pessoal do mercador moscovita Peter Tretyakov, até se tornar um museu nacional. Para quem gosta de arte, a visita é mais do que indicada. Há arte sacra, retratos dos monarcas russos, e vistas interessantíssimas de como Moscou e São Petersburgo eram séculos atrás. Eu confesso a minha ignorância e que só vim descobri-la

De volta a Moscou (Rússia), quatro anos depois

Estamos de volta em Moscou. Moscou não são só o Kremlin e a Praça Vermelha, ao contrário do que as agências de viagem e a mídia nos fazem crer. Esse largo rio na foto por exemplo, o Rio Moscova, passa bem no centro da cidade. Eu vim aqui duas vezes antes, relatos que você verifica aqui e aqui, ou mais amplamente na minha lista de postagens sobre a Rússia. Eu desta vez chegava de uma noite mal-dormida no Aeroporto Liszt Ferenc (em homenagem ao compositor clássico, que era húngaro), de Budapeste, em um voo na madrugada até o Aeroporto Vnukovo (um dos

São Petersburgo (Rússia) no inverno: O Museu Russo, o Balé Mariinsky, e os marcos de quando se chamava Leningrado

É inverno. Nosso trem desliza sobre o metal de Helsinki a São Petersburgo. Do lado de fora, campos cobertos de neve cheios de casamatas, torres e fiação, parecendo uma área militar vigiada da Segunda Guerra Mundial. O sol já havia se posto desde as 4h da tarde, e só se viam as luzes brancas de holofotes sobre a neve. Dentro do trem, também metal, pois é o que mais se ouve escapando dos fones de ouvido dos finlandeses. Belas finlandesas de rostinho quadrado e tranças louras no trem, mas sentava-se do meu lado bem um marmanjo com cara de russo

São Petersburgo (Rússia) no verão: Hermitage, Peterhof, e mais da capital imperial russa

Se Moscou evoca os ares da União Soviética e da Guerra Fria, em São Petersburgo dominam os ares da Rússia imperial — tempo dos czares, de Pedro o Grande, e de Catarina da Rússia. São Petersburgo é uma cidade bem elegante e europeizada, e foi feita para ser assim. Ela é a obra máxima da transição moderna que a Rússia experimentou no século XVIII, quando deixou de ser um principado asiático herdeiro das conquistas mongóis e passou a ser uma corte europeia. (Até hoje, é claro, a Rússia ainda lida com essas duas identidades.) A cidade foi erigida pelo Czar (Caesar) Pedro, o Grande, em 1703,

Desbravando a verdadeira Rússia: Um dia em Novgorod

Moscou e São Petersburgo te mostram uma Rússia portentosa, ostentando riquezas e belezas, mas saiba que aquilo não é representativo da Rússia em geral. A grande parte da Rússia é humilde, de infraestrutura simples (frequentemente malacabada, da era soviética, pra dizer a verdade). Portanto, longe das áreas turísticas de São Petersburgo e Moscou é que você terá contato com gente, comidas e ambientes mais autênticos russos. Pra isso, uma boa pedida é dar um pulo em Novgorod, convenientemente localizada entre as duas metrópoles. 
Pra começar, certifique-se de que seu trem vai para Veliky Novgorod e não Nizhny Novgorod, que é uma outra

Visitando Moscou: o Kremlin, a Praça Vermelha, e lugares menos conhecidos

Aquela à esquerda é a Catedral de São Basílio, na Praça Vermelha, em Moscou. A mesma Rússia simples, retratada no post anterior, guarda belezas como a dessa magnífica igreja. Muita gente a vê em fotos e acha que é o Kremlin, mas não é. A Catedral de São Basílio (1561) é o exemplo maior dos domos em forma de cebola e da arquitetura colorida das igrejas russas ortodoxas (vertente oriental do cristianismo católico que tem tradições distintas da igreja de Roma e que não segue o papa). 
Moscou é uma cidade de 12 milhões de habitantes, a segunda maior da Europa (após Istambul), com

À Rússia com amor: Chegando a Moscou e hospedando-se num cafofo

A Rússia não é um destino fácil. Fácil é entrar, pois desde 2010 os brasileiros não precisam mais de visto (para a inveja boquiaberta de europeus e norte-americanos). Mas, uma vez lá dentro, prepare-se para olhares mal-encarados, impaciência nos serviços, e um nível de infraestrutura parecido com o Brasil, mas numa terra onde — a menos que você seja fluente em russo — ninguém fala a mesma língua que você (eles não sabem e não gostam de falar inglês). Apesar disso, a Rússia é uma terra de belezas próprias, muito interessante, e que vale a pena ser conhecida. 
Para quem chegou até aqui após ler meu post da

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