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Istambul na primavera (Parte 3): Ortakoy e passeio de barco no Estreito do Bósforo

Cá estamos em mais uma das adoráveis vizinhanças de Istambul. No lado europeu do Estreito do Bósforo, onde o mar separa a Europa da Ásia, está o bairro de Beşiktaş [lê-se Bê-shik-tásh], uma área que na época da Constantinopla dos Bizantinos — antes dos turcos — ficava fora da cidade, mas que hoje é um dos lugares mais cênicos e verdejantes de Istambul. Poderia-se até dizer que é a orla da cidade. Aqui, a este mesmo lugar, eu havia vindo anos atrás quando tomei meu primeiro café da manhã turco ás margens do Bósforo. Uma experiência inesquecível (e ótima comida, como você pode

Istambul na primavera (Parte 2): Kariye Museum e as heranças bizantinas para além de Hagia Sophia

Chegada a hora de conhecer algumas coisas novas em Istambul. Muita gente vem aqui, à maior cidade da Turquia e da Europa (com 15 milhões de habitantes), atrás do movimento e da riqueza cultural turca. Lindezas que eu mostrei nos posts anteriores. No entanto, é preciso lembrar que essa riqueza repousa sobre um milenar legado grego bizantino. A quem busca os resquícios da Constantinopla medieval, trago a boa notícia de que há mais que Hagia Sophia e a cisterna da basílica. O melhor lugar, sobretudo se você gosta de arte sacra, é o Museu Kariye, feito a partir da Igreja de São

Istambul na primavera: Revendo o Grand Bazaar, Hagia Sophia, a Mesquita Azul e outros lugares da maior cidade da Turquia

Eu chego a ficar com cara de bobo. Rever Istambul pra mim sempre é um reencontro com uma das minhas cidades preferidas. A magnífica rainha do Estreito do Bósforo, entre dois continentes (Ásia e Europa), é uma cidade como nenhuma outra. Eu aqui me sinto numa espécie de "linha do equador" do mundo dividindo-o entre Ocidente e Oriente. Na primavera, então, Istambul fica especialmente bonita. Tulipas nos jardins enfeitam as praças e canteiros dos pontos turísticos com essa flor de origem persa, e que os otomanos usavam muito antes de ela virar sensação na Holanda. O tempo ainda varia, com os

Sille, Turquia: Legado grego bizantino cristão na Anatólia, nos arredores de Konya

Muito antes de os turcos chegarem às terras que hoje chamamos de "Turquia", elas atendiam por nomes diferentes. Em 330 a.C., quando Alexandre o Grande faz a sua grande marcha para o oriente que levaria os seus exércitos até à Índia, adotam-se os nomes — adaptados das línguas e povos já presentes, como os persas — como viriam a ser conhecidos no mundo antigo greco-romano: Capadócia, Lycia, Lydia, entre outros. (Nome de muita gente no Brasil que nem sabe a origem do nome.) Toda essa massa de terra a oriente do Mar Egeu ficou conhecida dos gregos antigos como Anatolé, que significa o

Konya, cidade histórica e coração tradicional da Turquia

Eu tenho amigos liberais de Istambul que não gostam nem da ideia de vir a esses cantos mais interioranos da Turquia. Fazem uma cara e esbugalham os olhos como quem diz "Deus me livre" — ou alguma versão agnóstica da expressão. Como diz um alemão que eu conheci este ano e que trabalha há muito tempo em Istambul: "Istambul não é a Turquia, é uma cidade internacional". Claro que ele está exagerando, mas há um fundo de verdade. Istambul tem estética e sabores turcos — e, inegavelmente, gente turca pra dedéu — mas é um ambiente social bastante distinto: progressista, relativamente liberal,

Konya (Turquia), Rumi e os “dervixes rodopiantes” (whirling dervishes): Na capital mundial do Sufismo

Estamos no interior da Turquia, a uma centena de quilômetros da Capadócia, no coração do planalto da Anatólia, essa península que constitui a maior parte do território turco hoje. Esta é uma das cidades mais antigas e tradicionais de todo o país. Konya é habitada há mais de 5 mil anos, desde 3.000 a.C., passando por muitos povos antigos de que hoje mal se ouve falar, como os cimérios ou os hititas. Alexandre, o Grande, a conquista dos persas em 333 a.C. e o nome grego de Ikonion ganha notoriedade — que se tornaria a Iconium dos romanos. (O engraçado é que o

De Smyrna a Izmir: De volta à Turquia, na primavera

Era uma vez uma antiga cidade grega chamada Smyrna. Estamos na costa do Mar Egeu, mas do lado leste, onde hoje fica a Turquia. A gente às vezes se esquece de que por muitos séculos tudo isso era grego.  De grego antigo, a grego antigo sob domínio de Roma, a grego medieval cristão ortodoxo (bizantino), até a chegada dos turcos otomanos em 1400. Vindos do centro da Ásia, eles tomaram tudo isto aqui e aqui estão até hoje. A gente não estuda isso na escola, mas por séculos deixou de haver uma "Grécia". Os gregos viveram misturados com turcos, búlgaros e

Istambul, Turquia (Parte 4): O Palácio Topkapi, morada dos sultões otomanos

A minha estadia em Istambul estava chegando ao fim. Mas não eu podia partir sem saber mais do sultão, seu harém, e descobrir aqui relíquias bíblicas que eu nem imaginei que ainda existissem (se é que existem mesmo e esses turcos não estão me enrolando). O último dia da minha estadia em Istambul começou tarde. O show de rock turco no dia anterior foi uma beleza, e eu fiquei impressionado de ver (1) como parece o Brasil e (2) a quantidade de gente na rua mesmo às 3h da manhã, quando estávamos retornando. Parecia carnaval, por mais que fosse só um

Istambul, Turquia (Parte 3): Perdendo-se nas ruas, no Grand Bazaar, e nos doces turcos

Perder-se em Istambul é fundamental. E não é difícil. Basta meter-se nas inúmeras e infindáveis ruelas, que vão por aqui e por ali, e onde sempre tem gente. Como eu disse, esta cidade é um pouco como um formigueiro histórico, onde nunca se sabe quando se vai esbarrar numa torre bizantina, numa mesquita turca, ou mesmo em algo mais antigo. De quebra, há os interessantíssimos redutos mais populares, como os bazares, as casas de velharias, e as lojas de doces artesanais. Um bom lugar pra se perder é Karakoy, um dos distritos mais antigos de Istambul. Entre 1273 e 1453 os

Istambul, Turquia (Parte 2): Rumelihisari e um café da manhã turco às margens do Estreito do Bósforo

Hoje o dia prometia. Café da manhã turco às margens do Bósforo, visita ao bazar, lojas de doces, ida ao lado asiático da cidade para jantar, e show de rock turco no centro à noite. Um sábado de turco bon-vivant em Istambul, pelas áreas menos turísticas da cidade. Minha guia foi a amiga da minha amiga: Filiz, que encontrei ao fim daquele dia de turista na cidade (ver post anterior). Perguntei a ela se era a pronúncia correta era Fíliz ou Filíz; ela respondeu que era algo entre um e outro. (Ao contrário do português, em muitas línguas simplesmente não

Istambul, Turquia (Parte 1): Hagia Sophia, a Cisterna da Basílica, e a Mesquita Azul

Istambul é uma cidade estupenda. São 15 milhões de habitantes — a maior cidade da Europa, e a única metrópole no mundo a estar dividida entre dois continentes. Parte está na Europa e parte na Ásia, com o Estreito do Bósforo no meio. Não é a capital (esta seria Ankara, uma cidade administrativa e menor), mas é claramente a mais importante cidade da Turquia, e aquela que você não pode deixar de ver. A riqueza de antiguidades surpreende até mesmo os bons conhecedores de História (quer apostar?). De quebra, a gastronomia é a maravilhosa, assim como a vida noturna. Dito isso (que me

Na Aridez da Capadócia (Parte 2): São Jorge, o Museu Aberto de Goreme, e o Vale do Amor

O meu relógio marcava 5:29 da manhã quando o grito de "Allaaaaaahu akbar" soou do minarete ao lado do meu hotel. Quando eu digo "ao lado", eu digo literalmente. E aquela voz de megafone. Eles não gravam; todo dia, 5 vezes, vem mesmo alguém chamar os muçulmanos — grande maioria aqui — à oração. Eu fui chamado mesmo sem ser. Os dizeres prosseguem por um ou dois minutos, exaltando Deus e clamando a todos que venham. É impressionante, mas me levantou meio que de supetão nesse horário. 
Por outro lado, foi bom. Meu despertador tocaria às 5:30 de qualquer jeito. Às 6:00 o baloeiro

Dondurma: O sorvete turco que não derrete

Essa cara malandra (não a minha, a outra) é do vendedor de sorvete turco. Eles aqui estão por toda parte, pregando peças nos turistas com o sorvete que não derrete. A gente tende a supor que todo sorvete é feito praticamente da mesma maneira, só muda na "qualidade", mas claramente este não é o caso. Como diria um bom comercial do clássico 011 1406: Não tente fazer isso em casa com um sorvete comum! O sorvete tradicional turco (dondurma) é diferente do habitual. O sabor é parecido, mas a sua textura é mais densa e firme. Como resultado, ele é bem mais difícil de derreter — e permite

Na Aridez da Capadócia (Parte 1): Vales, catacumbas, e moradas nas rochas

A viagem de Pamukkale à Capadócia foram, literalmente, oito horas de Suha. Suha é o nome da empresa de ônibus, e surrado é como você se sente depois de chegar. O ônibus tem quase tudo: ar condicionado, televisão individual às costas da poltrona da frente, e até serviço de bordo com biscoito e cafezinho servido por uma "rodo-tia" (uma versão rodoviária e coroa da aeromoça). Só não tem banheiro. Vantagem de não sentir aquele fedor a bordo. Contudo, o ônibus faz paradas a todo momento naquelas lanchonetes de beira de estrada, parecidas com as do Brasil (só que aqui na Turquia

Pamukkale (o “Castelo de Algodão”) e as antigas ruínas de Hierápolis

Pamukkale (castelo de algodão em turco), patrimônio da humanidade reconhecido pela UNESCO junto com as ruínas da cidade greco-romana de Hierápolis, neste sítio. Estamos a algumas horas de viagem do Mar Egeu, no interior da Turquia. Embora as colinas brancas pareçam neve, não há nada de gelo e nada sequer frio ali. São, na verdade, fontes termais junto a formações calcárias chamadas travertinos (carbonato de cálcio vindo com as águas e se depositando ali ao longo dos séculos). A sensação é a de estar pisando em pedra lisa (e, cuidado, escorrega). Você paga uma só entrada e pode visitar tanto estas colinas quanto as

Andanças pelo interior da Turquia: Rumo ao vilarejo de Pamukkale

Ao pôr do sol, eu estava sozinho caminhando por uma beira de estrada turca sem saber nem em que cidade iria dormir. Crianças, não façam isso em casa. Terminado o intenso dia em que visitamos Éfeso e as ruínas do Artemísion, a casa de Maria, com direito a paradas interessantes numa loja de couros e numa fábrica artesanal de tapetes turcos, o guia Mehmet nos deixou 5 horas da tarde de volta na cidade. De volta a Kusadasi, onde a minha aventura turca começou. Recusei-me a retornar ao hotel de Sezgins, o enrolão, e de dar a ele o gostinho de pedir

Tapeçarias turcas

Embora a fama no Brasil seja eminentemente dos tapetes persas (hoje Irã), na verdade foram os turcos os grandes responsáveis pela popularização da tapeçaria nos últimos séculos e pela sua difusão no Ocidente. Tapetes já existiam na Pérsia e na Babilônia antigas, mas somente a partir das Cruzadas (século XI) é que eles começaram a ser trazidos à Europa, e de lá às Américas. A própria Índia, ao contrário do que se pode pensar, não tinha tradição de tapetes até a invasão dos muçulmanos por lá a partir também do século XI. Em particular, esses motivos de padrões geométricos e

Maria no Alcorão e a casa onde viveu em Éfeso (atual Turquia)

Aqui perto de Éfeso, na atual Turquia, viveram João e Maria. Não os da casa de doces, mas os da Bíblia: João, o apóstolo, e Maria, mãe de Jesus. Tudo indica que foi pra cá que ambos vieram após a crucificação de Jesus, quando este lhes disse o célebre: "Mulher, eis aí o teu filho; filho, eis aí a tua mãe". Acredita-se que eles moraram muitos anos em Éfeso, e que aqui é que o evangelho de João foi escrito. Embora não haja consenso, a versão mais aceita diz que ela faleceu aqui 11 anos após a crucificação de Jesus. A

As Ruínas de Éfeso e o Templo de Artemis, na Turquia

Éfeso foi uma importante cidade do mundo greco-romano antigo, com presença relevante na Grécia Clássica, na Roma Antiga, e no começo do cristianismo, com as pregações e epístolas de Paulo (que morou aqui por uns tempos). São, hoje, das ruínas melhor conservadas dessa época, e além disso há um trabalho ativo dos turcos para restaurar o que foi perdido. Ao contrário dos gregos, que hoje tem a política de conservar as ruínas no estado em que se encontrarem, os turcos têm a política de refazê-las, usando mármore e outros materiais para que se vejam melhor as construções por inteiro. As

Desembarcando em Kusadasi, Turquia: Muvuca e malandragem

A Turquia se tornou um dos destinos favoritos dos brasileiros. Na verdade, os ocidentais em peso parecem ter finalmente "descoberto" Istambul, a Capadócia. e o restante da Turquia. Vide não só a novela recente da Globo (Salve Jorge), como também a quantidade crescente de filmes americanos com cenas no país, a exemplo do James Bond recente, Skyfall (2011). Eu digo que, para o turista, a Turquia é uma "versão light" da Índia. Se você vier da Grécia como eu fiz, mesmo a Grécia já sendo um país, digamos, bem animado e descolado, na Turquia você percebe que a coisa sobe um grau, e a

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