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Quem é árabe?
Lembro-me até hoje de quando a minha professora de História, no ensino médio, disse enfaticamente em classe que árabe é quem nasce na Arábia Saudita. À época me pareceu sensato, acostumado eu — como todos os brasileiros — a pensar em nacionalidade como sinônimo de cidadania, o país de onde você é cidadão. Errado. Não são a mesma coisa, mas isso eu só viria a descobrir depois, quando conheci uma certa garota.

Alina era uma moça branca alta, da minha altura, de óculos, cabelo castanho liso nos ombros, e um sorriso sempre animado. Era russa, e minha vizinha.  

– “Eu sou da Letônia“, certa vez disse ela quando estávamos conversando em grupo numa festa.
– “Aah, você é letã??“, eu intervim surpreso.
– “Não. Eu sou da Letônia, não letã“, disse ela com o sorriso de sempre.

A minha cabeça deu um nó. Como era possível ela ser da Letônia e não ser letã? 

– “Eu sou russa, mas nasci na Letônia e tenho passaporte letão“, tentou explicar ela, divertindo-se com a confusão nos meus olhos. “Eu nunca morei na Rússia“, completou rindo. 

Simples assim: no Brasil, a nossa ideia de nacionalidade vem do falarmos a mesma língua, partilharmos da mesma cultura e história, e isso acontece de coincidir com termos todos a mesma cidadania. No Velho Mundo, não. Na Europa, o que não faltam são minorias de sangue, etnia, língua e cultura X, mas que vivem no país Y, com documentos do país Y. Portanto, nacionalidade X, cidadania Y. Alina tem sangue russo, numa família russa, que fala russo, apesar de sua cidadania e passaporte letões. A Letônia foi parte da antiga União Soviética, e muitos russos foram pra lá e lá ficaram.

No caso dos árabes, eles tinham um enorme império que se estendia da Península Arábica no leste (de onde se originam) até o Marrocos no oeste. Esse império se quebrou em múltiplos países (hoje associados na chamada Liga Árabe), mas partilham todos do mesmo idioma árabe (embora com diferenças regionais), de uma História comum, de laços sanguíneos e, muito importante neste caso, de uma mesma religião (o Islã). Portanto, árabe é uma etnia, uma nacionalidade que não está circunscrita à cidadania saudita. Os marroquinos em geral são árabes, como os argelinos, sírios, libaneses e outros.

Iranianos (persas) e turcos, contudo, não são árabes. Nunca os confunda, ou pode perder um dente. Eles falam línguas distintas e têm origens históricas e culturais distintas, ainda que também sejam majoritariamente muçulmanos. 

Eis aqui, então, todas as minhas andanças até o momento por esta região do mundo, o tão-falado Oriente Médio e o Norte da África. Apesar das diferenças, há sabores em comum, como vocês verão.

Clicando nas fotos você chega à página do país correspondente.


Catar

O pequenino país da Al Jazeera na Península Arábica, às margens do Golfo Pérsico. Um certo dia, eu me perdi em Doha, sua capital.

Catar 01

 

Egito

O inigualável Egito tem muitas cores. Dos resquícios lindos e muito bem preservados da Antiguidade (pirâmides, esfinge, tumba de Tucancâmon, Templo de Luxor, etc.) ao cristianismo copta, a Alexandria, ao povo núbio, ao eterno Rio Nilo, às obras menos conhecidas do Cairo islâmico medieval.

Cairo 2-06

 

Irã

A antiga e medieval Pérsia é o Irã de hoje, um dos países de maior riqueza cultural e histórica do mundo. Bem mais tranquilo (e mais lindo) do que muitos imaginam. As ruínas de Persépolis, os poetas persas de Shiraz, as mesquitas xiitas de Isfahan, o zoroastrismo do deserto, e a história recente e atual de Teerã. Tudo isso junto. 

Isfahan 1-01

 

Jordânia

O país de Petra, a cidade esculpida em rocha. A capital Amã, onde estão os originais dos Manuscritos do Mar Morto. E os meus percalços.

Petra 1-27

 

Líbano

Kibes e esfihas são apenas a ponta do iceberg. A capital Beirute e as históricas Byblos e Baalbek. A antiguidade destas terras, a hospitalidade libanesa e os perrengues do Líbano atual.

Beirute 1-01

 

Marrocos

Um dos melhores países onde conhecer cultura árabe em primeira-mão, além das dunas e camelos do Saara. De Casablanca à medina de Fez ao charme de Marrakech.

Marrakech 4-01

 

Omã

Um pouco conhecido país no canto da Península Arábica, com mesquitas e palácios de mármore surrealmente bonitos e talvez o único sultão gay do mundo árabe.

Mascate 2-01

 

Tunísia

Terra da antiga Cartago e de muito legado dos tempos da Roma Antiga neste norte da África. Medinas loucas e muito contato próximo com as pessoas neste país pós Primavera Árabe ainda em ebulição.

Tunis 2-12

 

Turquia

Istambul (antiga Constantinopla) com seus palácios otomanos, a Mesquita Azul, Hagia Sofia e outros tesouros bizantinos. A Capadócia com suas paisagens rochosas e vales. Os “castelos de algodão” em Pamukkale e muito mais desse país tão rico de cultura e história.

Istanbul 3-09

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