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Conhecendo Thimpu, a capital do Butão

Bem vindos a Thimpu. Se naquele jogo de saber os nomes das capitais dos países alguém o desafiar com o Butão, agora você já sabe sua capital qual é.  Thimpu, de apenas 115 mil habitantes, é uma cidade curiosa. Há prédios como em outras capitais do mundo, mas aqui eles todos seguem (por lei) a estética tradicional butanesa, com seus coloridos. Se culturas do mundo todo passaram a dar lugar à por vezes insípida arquitetura contemporânea de edifícios reluzentes sem personalidade cultural, essa personalidade no Butão se guardou. Não é igual aos outros lugares. É uma cidade também em construção. Apesar da

Entre campos de arroz, arquitetura butanesa e budismo tântrico em Punakha, Butão

De que o Butão é um país pitoresco, acho que já os convenci no post anterior. É algo que continuará em todas estas postagens. Mas o Butão também é rico de particularidades, curiosidades, seja o curioso Budismo tântrico, seja a sua arquitetura tradicional tão particular. Eu dormira em Punakha, um dos distritos mais visitados do país, e acordei no dia seguinte para uma manhã nublada. Eu, ambicioso, aproveitei-me de estar viajando sozinho — e, portanto, na minha própria velocidade — para fazer um programa intenso, com tudo o que fosse possível ver ou fazer. Nesta manhã, faria uma caminhada pelos arrozais até um

Conhecendo Varsóvia, a capital da Polônia

Varsóvia, embora conhecida de nome por quase todos, pouco figura nos roteiros turísticos dos brasileiros — ou, verdade seja dita, da maioria dos turistas que vêm à Europa. A capital polonesa foi bombardeada e 80% destruída durante a Segunda Guerra Mundial. Quase tudo é novo, do período comunista da Guerra Fria, e talvez por isso falte a Varsóvia a atratividade de outras capitais europeias. Mas isso também joga a seu favor: eu cheguei esperando a mais feia das cidades, e me surpreendi quando vi que não é bem assim. Três horas de trem expresso separam Cracóvia, a irmã mais charmosa, de Varsóvia,

Nowa Huta: “A cidade sem Deus” na Polônia da cortina de ferro

Estamos em 1949, sul da Polônia. A Segunda Guerra acabou. Apesar da destruição, já não há mais gueto judio em Cracóvia, segunda maior cidade do país, e as atividades aterradoras dos invasores alemães no campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau, aqui ao lado, tiveram fim. Um novo tempo estava para ter início na Polônia. Para começar, seu território mudou. O terço leste foi ocupado pela União Soviética durante a guerra e nunca devolvido — hoje fazem parte da Lituânia, da Ucrânia, e da Bielorrússia. Do outro lado, um terço do que é hoje a Polônia era território da Alemanha até

Templos e legado histórico no Nepal: Bhaktapur, Patan e Changu Narayan

O Nepal nem sempre foi um país unido. Até o século XVIII, havia muitos pequenos reinos vizinhos aqui nesta região dos Himalaias. Perto de Katmandu, que nada mais era que a capital de um daqueles, você tem nada menos que outras três antigas capitais: Bhaktapur, Kirtipur, e Patan (atualmente renomeada Lalitpur, mas ainda conhecida pelo seu nome histórico). Cada uma tem a sua Durbar Square, a sua praça palaciana. Era hora de eu conhecer esse legado histórico nepalês. Passada a nossa manhã de largas caminhadas por entre os terraços de arroz e vales verdes do Nepal, a tarde seria histórica. A

Bordejos em Katmandu, Nepal: Templos, ruas loucas, e cultura tibetana

Olhe o horizonte. Calma, não se assuste demais com a muvuca das ruas. Estamos no Nepal, um dos países mais pobres da Ásia, mas também um dos mais belos. Pobreza e beleza estão aqui lado a lado. Aqui fica o famoso Monte Everest, maior montanha do mundo (a 8.848m); há lindas paisagens tanto rurais quanto naturais; e há ricas e milenares culturas dos Himalaias, a mais elevada cordilheira de montanhas da Terra. O Nepal acontece de ser onde o Buda nasceu (em 563 a.C.), e estando estrategicamente posicionado entre a Índia e o Tibet  (este atualmente na China) o Nepal também tem

Tbilisi, Geórgia: Das mais charmosas cidades que você (ainda) não conhece

Bem vindos à Geórgia, um país que a maior parte do mundo nem sabe que existe. É capaz de mais gente saber do estado norte-americano homônimo que do país independente e soberano com esse nome. Estamos no Cáucaso, a mesma região onde fica a Armênia, no extremo leste da Europa, naquela rugosa faixa de terra entre a Rússia e o Oriente Médio, por entre o Mar Negro e o Mar Cáspio. (Eu já comentei em outro lugar a discussão sobre os países do Cáucaso serem Europa ou não, mas a convenção mais aceita diz que sim.)  Trata-se de um país do tamanho

Sul da Armênia: Entre licores de damasco e o Mosteiro de Tatev nas montanhas

Visitada a capital e alguns sítios próximos, havia chegado o dia de eu fazer uma excursão ao sul da Armênia, quase na fronteira com o Irã, a conhecer o Mosteiro de Tatev, do século IX, uma das muitas preciosidades históricas desta região. Nesta terra de montanhas e vales, sol quente e seco, há muito que monges cristãos viveram em comunidades isoladas. É um tradição antiga, como quase tudo por aqui. Há muitas agências de turismo em Erevan oferecendo passeios às diversas partes do país (embora nem todos estejam disponíveis todos os dias, então atenção se você estiver visitando). Este eu organizei com

Bem vindos a Erevan, a capital da Armênia

A Armênia é aquele país conhecido (de nome) por muitos, mas visitado por bem poucos. Localizado entre a Turquia e a Rússia na região do Cáucaso, ele está naquele confim da Europa aonde poucos ocidentais vão. Europa? Sim, ou não, a depender da definição de Europa que você usar — mas saiba que este é um assunto precioso e sensível para os armênios, que gostam de se destacar como o primeiro povo a abraçar o cristianismo como religião oficial (em 301 d.C.), e que prefere se identificar culturalmente com os (outros) europeus que com o Oriente Médio muçulmano.  É um país do

Florença, Itália: David de Michelangelo, Santa Maria del Fiore (Il Duomo), e outros tesouros artísticos do Renascimento italiano

Capital da famosa região da Toscana, Florença é das mais visitadas cidades italianas. Não é sem razão. Berço do Renascimento e às vezes chamada de a "Atenas da Idade Média", a cidade tem uma enorme riqueza artística e histórica. Eu acho surreal estar aqui circundado por tantas obras de alto calibre a tão pouca distância: o David de Michelangelo ali, a catedral de Florença com seu domo projetado por Brunelleschi algumas quadras pra lá, majestosas fontes seculares ao lado de esculturas de personagens da mitologia clássica greco-romana decorando as ruas... Você se sente num parque temático do Renascimento, só que

Roma para além do Vaticano, o básico: Panteão, Coliseu, e outras paragens na Cidade Eterna

Lá estava eu no meu magnífico apartamento alugado em Roma, próximo ao Vaticano, preparando-me para definir o que mais eu veria aqui na Cidade Eterna. Roma tem uma infinidade de atrações datadas dos seus mais de dois milênios e meio de História, e mesmo quem mora aqui admitirá que há coisas que ainda não conhece. São escolhas difíceis. Porém, eu diria que há um "básico" — para além do Vaticano, já retratado no post anterior — essencial aqui que você não pode deixar de ver. (As opiniões certamente vão divergir.) Acompanhem-me neste passeio. Na primavera, o sol de Roma dá o ar

Visitando o Vaticano e vendo o Papa Francisco em Roma

Visitar o Vaticano é algo que passa pela cabeça da maior parte dos cristãos. Independente de qual for a sua fé (se alguma), o coração de Roma é um lugar de relevância histórica inquestionável, e um dos destinos mais visitados do mundo. Aqui estão nada menos que algumas das maiores obras do Renascimento italiano, como a Basílica de São Pedro, a Pietà, a Capela Sistina com seu teto pintado por Michelangelo, dentre outros tesouros religiosos e artísticos que têm do melhor da cultura e História italianas. Estamos na gema da Itália, só que fora dela. Como se seu coração fosse soberano

Konya, cidade histórica e coração tradicional da Turquia

Eu tenho amigos liberais de Istambul que não gostam nem da ideia de vir a esses cantos mais interioranos da Turquia. Fazem uma cara e esbugalham os olhos como quem diz "Deus me livre" — ou alguma versão agnóstica da expressão. Como diz um alemão que eu conheci este ano e que trabalha há muito tempo em Istambul: "Istambul não é a Turquia, é uma cidade internacional". Claro que ele está exagerando, mas há um fundo de verdade. Istambul tem estética e sabores turcos — e, inegavelmente, gente turca pra dedéu — mas é um ambiente social bastante distinto: progressista, relativamente liberal,

Visegrad, Hungria: Castelo medieval e bela cidadezinha às margens do Rio Danúbio, na Europa Central

Estamos no norte da Hungria, não muito distantes de Budapeste, a capital húngara. Perto daqui, o famoso Rio Danúbio é a fronteira entre Hungria e Eslováquia, na Europa Central. Estamos no coração do velho continente. Aqui fica Visegrad (Visegrád com acento em húngaro), um sítio histórico e belo muito pouco visitado por turistas que não são da região — a maioria nem sabe que esse lugar existe. Mas existe. Aqui fica o que foi um castelo medieval do século XIV, e uma simpática cidadezinha homônima onde é possível ver algo da arquitetura centro-europeia em seus tons pasteis e algo da distinta culinária húngara. Estamos

Bônus: Novosibirsk, a cidade das mais belas mulheres da Rússia

A minha jornada trans-siberiana havia se completado em Vladivostok, no extremo oriente da Rússia, mas no caminho de volta o meu voo ainda me traria a mais uma cidade russa. Eis uma cidade que você talvez nem soubesse que existia, mas Novosibirsk é nada menos que a terceira maior cidade da Rússia, com mais de 1,5 milhão de pessoas em plena Sibéria — e famosa por ser, diz a lenda, aquela com as mais belas mulheres do país. Não fiz análise estatística para comparar, mas é claro que me deparei com cada pedaço de mau caminho maior que o outro pelas ruas. Várias

Vladivostok, Rússia: O fim de linha da Ferrovia Trans-Siberiana

Eis Vladivostok, a "São Francisco" da Rússia. O fim de linha da gigante Ferrovia Trans-Siberiana, de mais de 9.200Km. Um lugar que alguns amigos brasileiros achavam que só existia no jogo de tabuleiro WAR, mas que é uma cidade de verdade — e elegante. Eu cheguei a Vladivostok numa manhã nublada, úmida e quente, após um trem noturno desde Khabarovsk. Com a cara de quem dormiu no trem, uma mochila na frente e outra atrás, eu me apressei a tirar uma foto com o marco do fim da ferrovia. É uma foto para se guardar. (Vários asiáticos num grupo tiveram a mesma

Ulan Ude: Bem vindos à República da Buryatia, na Sibéria

Estamos de volta à Rússia, na Sibéria, num recanto que a grande maioria dos ocidentais sequer sabe que existe: a Buryatia. Nesta viagem eu aprendi que a Rússia está longe de ser homogênea, e que guarda muitas culturas regionais que nós ocidentais sequer imaginamos. A primeira vez que ouvi falar da Buryatia foi, curiosamente, numa loja de souvenirs no Canadá. Não, eles não estavam vendendo souvenirs russos por lá. O funcionário da loja ("100% quebequense", nas palavras dele próprio), no entanto, acontecia de ser uma daquelas pessoas de quem você nunca esquece. Era época de Natal na Cidade de Québec, e

Bem vindos a Irkutsk, Sibéria

(Eu ♥ Irkutsk, em russo.) Faz alguns anos desde a primeira vez que eu vi "Irkutsk" no mapa. Lembro-me de — ajudado por esse nome siberiano — imaginar um lugar gélido, polar, um lugar remoto onde poucas pessoas, permanentemente em roupas de frio, viviam isoladas do mundo. Não acho que eu seja o único a ter essas imaginações acerca da Sibéria. Irkutsk talvez fosse assim há 300 anos atrás, mas não mais. A Sibéria, como eu coloquei no post passado, tampouco é permanentemente fria. Tal qual o miolo do Canadá e dos EUA, ela tem o clima continental de invernos muito rigorosos mas também verões

Kazan, a bela capital da República do Tatarstão, na Rússia

Bem vindos à República do Tatarstão, na Rússia! Eu sei, a cabeça de muita gente deve ter dado um nó: Como assim "República do Tatarstão" e ao mesmo tempo "na Rússia"? Simples: a Rússia é repleta de repúblicas não-soberanas mas que tem certa autonomia. Aqui, ao contrário do Brasil, nem todas as unidades da federação gozam do mesmo grau de autonomia. A Rússia possui "territórios" (krai), "províncias" (oblasts), e repúblicas — dentre outras categorias. As repúblicas são 22 das 85 unidades da federação que a Rússia tem, e são as mais autônomas de todas. Geralmente, representam áreas de maioria étnica não-russa, como

De volta a Moscou (Rússia), quatro anos depois

Estamos de volta em Moscou. Moscou não são só o Kremlin e a Praça Vermelha, ao contrário do que as agências de viagem e a mídia nos fazem crer. Esse largo rio na foto por exemplo, o Rio Moscova, passa bem no centro da cidade. Eu vim aqui duas vezes antes, relatos que você verifica aqui e aqui, ou mais amplamente na minha lista de postagens sobre a Rússia. Eu desta vez chegava de uma noite mal-dormida no Aeroporto Liszt Ferenc (em homenagem ao compositor clássico, que era húngaro), de Budapeste, em um voo na madrugada até o Aeroporto Vnukovo (um dos

Budapeste (Hungria), das mais belas capitais da Europa

Budapeste e eu temos uma amizade colorida. Surgiu há anos atrás, quando eu vim pra cá pela primeira vez. Eu, que até então quase nada havia ouvido dela, me surpreendi com a sua beleza, elegância, assim como com a vida na cidade. Se outras cidades de grande porte na Europa (como Paris ou Viena) me parecem voltadas para o passado, vivendo de nostalgia, Budapeste me passa a sensação de uma cidade muito atual. Por mais que também tenha seus séculos de História como lastro, ela me parece ter uma animação pulsante muito viva e contemporânea, que as outras nem sempre

Visitando Roterdã (Holanda), cidade de Erasmo e arrojada arquitetura

"Roterdã ganha dinheiro, Amsterdã gasta dinheiro", é o que muita gente repete por aqui. Roterdã é a segunda maior cidade da Holanda, e um dos maiores e mais movimentados portos do mundo (o de maior tráfego no Ocidente). Na desembocadura do Rio Reno, um dos principais da Europa, ela fica numa localização estratégica, e foi prontamente bombardeada pelos nazistas em 1940 quando a Alemanha invade a Holanda. A consequência vê-se hoje: esqueça o casario bonitinho encontrado em Amsterdã, Haarlem, Delft, Gouda e tantas outras cidades holandesas. Roterdã esboça uma arquitetura arrojada, moderna, e que divide opiniões. Adiantemos a fita em alguns anos,

Haia e a Mauritshuis na Holanda: Maurício de Nassau e a Moça com Brinco de Pérola

Haia é aquela cidade que todos os mais antenados sabem que existe (em grande medida devido à sua Corte Internacional de Justiça), mas que pouco figura nos mapas da maior parte dos turistas brasileiros. Admitamos: Haia não é assim uma cidade turística por excelência. Sede do governo holandês, ela é muito mais uma cidade burocrática e administrativa que qualquer outra coisa. Ainda assim, não deixa de ter o seu charme e algumas atrações dignas de nota — como a Casa de Maurício de Nassau (Mauritshuis), hoje um belo museu que detém as mais antigas pinturas europeias de paisagens brasileiras. Perdi a conta do

Amsterdã (Holanda), a cidade mais pitoresca do mundo

Cada um tem a sua menina dos olhos: a minha é Amsterdã. Ainda que a minha lista de cidades favoritas inclua várias outras, até mesmo algumas mais próximas do meu coração, pra mim é Amsterdã a mais bonita e mais pitoresca de todas. Se não fosse clichê, eu diria que ela é um grande museu a céu aberto. A capital holandesa, povoado medieval das margens do Rio Amstel (Amstel + dam, de "represa no rio Amstel", para daí Amsterdam) que emergiu como cidade nos idos de 1300, é uma metrópole europeia sui generis com suas centenas de canais e pontes por

Haarlem: A linda cidadezinha holandesa que deu nome ao bairro de Nova York

Muitos brasileiros sabem do Harlem, famoso bairro barra-pesada de Nova York, mas poucos já ouviram falar da linda cidadezinha holandesa que lhe deu nome: Haarlem, assim com um "a" a mais, em holandês. Em 1624, ainda no princípio da colonização europeia da América do Norte, os holandeses assentaram-se lá num pedaço de terra e fundaram o que mais tarde se tornaria Nova York. De início, chamava-se Nova Amsterdã (Nieuw Amsterdam). Foi aquele o mesmo ano em que atacaram Salvador, a então capital do Brasil, na dita "Era Dourada" da história holandesa, de suas expansões marítimas. O Rio Hudson, que desemboca em

Singapura, a cidade-estado das três culturas: Chinesa budista, malaia islâmica, e tâmil hindu

Eis aí o leão, símbolo de Singapura. "Singa Pura" significa exatamente "Cidade Leão" em sânscrito. Desde a Antiguidade, mercadores indianos, chineses e malaios comerciam por esta região, passando aqui pelo Estreito de Malacca entre a ilha de Sumatra e a pontinha da península malaia, onde Singapura está (ver post anterior). Esta é uma localização comercial estratégica. Os portugueses necessariamente passavam por aqui para chegar até a China e o Japão, e depois os seguiram os holandeses e, por fim, os ingleses. Estes no século XIX precisavam necessariamente cruzar este estreito para vender ópio cultivado nas Índias aos chineses. Nos idos de

Georgetown, Penang, Malásia: Onde as culturas chinesa, hindu, e malaia islâmica convivem

Bem vindos à Malásia! Após andanças pela Coreia do Sul, era hora de um canto mais tropical da Ásia. Eu cheguei por uma das mais fascinantes cidades por onde já passei no mundo (e olhe que não foram poucas). Georgetown, na simpática ilha de Penang, Malásia, não impressiona por seus arranha-céus ou vida urbana moderna; na verdade, trata-se de uma cidade pequena. O que impressiona em Georgetown é um cosmopolitismo estabelecido de diferentes culturas asiáticas que convivem aqui há séculos: chineses, malaios, hindus, entre outros.  Eu já havia, em Sarajevo, escutado o sino da igreja e o chamado da mesquita ao mesmo tempo.

Conhecendo Seul, Coreia do Sul (Parte 3): Seus palácios medievais e o bairro tradicional de Bukchon

Coreia medieval. Poucos no Brasil têm uma ideia de como isso foi. (Afinal, o nosso currículo eurocêntrico só nos fala do Oriente a partir do momento em que os europeus aparecem por lá.) Talvez alguns pensem em imagens do Japão medieval, nos fornecidas pelos filmes e desenhos, com os ninjas, samurais, etc.  A Coreia medieval teve, naturalmente, semelhanças tanto com a China quanto com o Japão medievais, países com os quais trocou influências culturais ao longo dos séculos, e ela legou belos palácios e paisagens que são o que há de mais bonito a ver na capital sul-coreana, Seul. Menos conhecidas, mas

Bordejos em Paris na primavera (Parte 5): A Paris gótica e suas igrejas (Notre-Dame, Saint-Sulpice, Sainte-Chapelle, e a Capela da Medalha Milagrosa)

Antes de "gótico" significar o gênero moderno derivado do punk, das pessoas que se vestem de preto etc., o adjetivo referia-se — e ainda se refere — a uma das mais importantes matrizes culturais da Europa. Gótica, dos godos, foi a cultura artística mais proeminente na Europa ocidental durante a Idade Média. Suplantou as tradições "clássicas" (da Antiguidade greco-romana) e finalmente deu um toque norte-europeu à arquitetura, à arte sacra, etc. Os longos e altos arcos ogivais que caracterizam a arquitetura gótica simbolizam não só a verticalidade, o "olhar para cima", para Deus, do medievo teocêntrico europeu. Há quem diga que eles se inspiram,

Bordejos em Paris na primavera (Parte 3): Monmartre, o Sacré-Coeur, e os contrastes entre a França da belle époque e a de hoje

A França é um dos países mais saudosos da Europa. Mesmo num continente já em geral tão habituado a gostar de reviver o passado e recobrar os seus tempos de glória, a França me parece particularmente nostálgica.  Ao contrário de Berlim, Barcelona e outras das grandes cidades da Europa que admitem, reconhecem, e criam sua identidade própria com base na realidade presente, Paris e a França em geral me parecem fixadas num senso de identidade que gira em torno de um passado cada vez mais distante e que já não é mais. Compare, por exemplo, os filmes recentes de Woody Allen

Bordejos em Paris na primavera (Parte 2): “Les Invalides” com o mausoléu de Napoleão, e o “Panteão” de grandes homens da França

Muita gente crê que Paris é somente a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo e aqueles monumentos principais — um ledo engano. Paris tem "pano pra manga" capaz de ocupá-lo por muito tempo. Eu sou do tipo que viaja relativamente rápido, mas mesmo assim Paris tem lugares que você simplesmente não pode deixar de visitar.  Uma série de lugares belíssimos, históricos e interessantes são os vários mausoléus de notáveis da França. A França parece ter dedicação suprema quando se trata de zelar pelo seu patrimônio histórico e cultural, e isso se refere também às pessoas. Afora uma vinda a Les Invalides, onde está o

Bordejos em Paris na primavera (Parte 1): Conhecendo lugares mais famosos (Arco do Triunfo, Torre Eiffel, e Champs Elysées)

"É primavera. Te amo." Tim Maia não compôs a canção aqui em Paris, mas poderia tê-lo feito. Paris, apesar de todos os pesares e riscos dos últimos tempos, ainda é uma das cidades mais elegantes, charmosas e românticas do mundo. Na primavera então, tudo isso se acentua. Verdade seja dita, eu não sou um desses apaixonados por Paris, mas reconheço o charme da cidade e respeito a sua sólida tradição cultural e intelectual. Aliás, não só respeito, como gosto. No entanto, é preciso reparar que Paris não é exatamente aquele mundo de sonhos que os mais entusiastas pintam. Você abre um livro de

Conhecendo a sereníssima República de San Marino na Europa

Vamos a uma jornada por este país que quase todos os brasileiros conhecem, só que não. Sereníssima Respublica, em latim, é a alcunha que recebe San Marino, este país independente encravado no território italiano. Um dos micropaíses da Europa, ele é conhecido de quase todos os brasileiros graças à Fórmula 1 (embora tenha sido o infeliz Grande Prêmio da morte de Ayrton Senna), só que poucos brasileiros de fato vêm aqui. É uma joia a ser descoberta, pois San Marino oferece um dos mais lindos cenários medievais de toda a Europa. San Marino é atualmente a república mais antiga do mundo. Estabelecida em

Rimini, Itália: Entre a Ponte de Tibério, o Arco de Augusto, e o sorvete italiano

Ariminum é como os antigos romanos chamaram esta cidade então fortificada às margens do Mar Adriático. Para lá para trás dos cavalos, no horizonte da foto, está a praia. Hoje, conhecida pelo nome de Rimini, esta cidade é um simpático resort de verão dos italianos.  Estamos na região italiana da Emilia-Romanha, a mesma de Bolonha, só que no litoral. Rimini é uma cidade de médio porte, com seu centro histórico que — como há de ser numa boa cidade italiana — guarda marcas da antiguidade romana juntamente com o casario típico dos séculos mais recentes. Como estamos na Emilia-Romanha, temos aqui aquele casario de tons pastéis

Berat, Albânia: A cidade das mil janelas

Berat é uma cidade estonteante, tanto pela beleza cênica quanto por sua tamanha autenticidade. Ela é das cidadezinhas mais bonitas de toda a Europa (embora seja desconhecida até mesmo dos europeus, que pouco sabem sobre a Albânia, como comentei antes aqui.) Berat foi a minha cidade favorita no país.  Fundada pelos gregos antigos nos idos de 600 a.C., Berat foi posteriormente usada pelos romanos e, em seguida, pelos bizantinos ou romanos do oriente (de Constantinopla). Sua fortaleza no alto de uma colina provia a defesa do lugar, com uma cidadela fortificada lá em cima onde as pessoas viviam. Ao longo da

Gjirokastër, a cidade de pedra nas montanhas da Albânia

Quando o nosso ônibus aproximou-se de Gjirokastër, achei que estávamos inesperadamente adentrando algum cenário de O Senhor dos Anéis. As montanhas ao fundo eram altas e com picos cobertos de neve. À frente, campos entrecortados por riachos azuis, onde às vezes havia ovelhas pastando. A chuva caía, dificultando a visão, mas mesmo assim era possível divisar algo. Gjirokastër (o ë tem um som quase de A em albanês, e os albaneses às vezes a chamam de Gjirokastra, do original em grego medieval Argyrokastron, ou "castelo de prata") é conhecida hoje na Albânia como "a cidade de pedra", pelas suas edificações em rocha.  Entocada

Prizren, a cidade mais charmosa de Kosovo

Ônibus a todo momento levam você de Pristina, capital de Kosovo, até Prizren, sua cidadezinha mais charmosa. É pouco mais de 1h de viagem. Quando cheguei, a chuva que já havia me pegado em Pristina me pegou de novo. Estávamos em março, mês ainda de inverno mas já não tão frio — coisa de seus 10 graus e chuva. Prizren não é um vilarejo, mas uma cidade de porte médio — para os padrões europeus — com quase 200.000 pessoas. Ainda assim, tem um centro com ar de cidade pequena, onde um riacho passa no meio. A cidade existe desde o tempo antigo dos

Novi Sad, a capital do amor, e minhas andanças pela Sérvia

Novi Sad é a cidade mais bonita da Sérvia. Assim dizem todos, e eu concordo que ela é mesmo mais charmosa que a capital Belgrado. Estamos falando de uma cidade de médio porte no norte do país, quase na fronteira com a Hungria, também banhada pelo Rio Danúbio e dotada de bela arquitetura típica da Europa Central. (Aos meus compatriotas pouco familiarizados com essas designações europeias, a Europa Central abarca Alemanha, Áustria, Suíça, Rep. Checa, Eslováquia, Hungria, Polônia, e toda essa região da Europa que foi por séculos parte do Sacro Império Romano-Germânico e, posteriormente, sofreu influência do Império Austro-Húngaro. Esses países compartilham muitos

Belgrado, Sérvia: Cristãos ortodoxos entre os mundos austríaco e turco

A Sérvia é aquele país europeu de que quase todos os brasileiros já ouviram falar, mas que pouquíssimos de fato conhecem. Figuras carismáticas como o tenista Novak Djokovic e o nosso futebolista Petkovic (o "Pet") ajudam a balancear a imagem ruim que o país teve nos anos 90 com os massacres na Bósnia e a guerra em Kosovo. Mesmo assim, a Sérvia ainda é talvez o país mais controverso da Europa, e o maior a estar circundado pela União Europeia mas não fazer parte dela. Eu cheguei para uns dias neste fim de inverno europeu em Belgrado, a capital. Esta era a capital também

Visitando Mascate (Omã) e a Grande Mesquita do Sultão Qaboos (que é gay)

Desculpem-me a fanfarra exaltando assim já de cara a orientação sexual de sua majestade o Sultão Qaboos [kabuz], que certamente nada mais é do que um mero aspecto dentre os muitos que definem quem ele é, mas eu não resisti. Quem, afinal, imaginava que um sultão árabe fosse gay? Serve para a gente ver como a realidade é muito mais rica, diversa e interessante do que costumamos imaginar. O sultão Qaboos bin Said al Said, um distinto senhor de 76 anos, é atualmente o monarca que reina há mais tempo em todo o mundo árabe. Ele governa com poderes absolutos desde 1970, pois Omã

Visitando Petra (Jordânia), a cidade esculpida em pedra pelos antigos árabes nabateus

Wadi Musa, ou o "Vale de Moisés" em árabe, é hoje uma região árida e pedregosa. Estamos no sul da Jordânia, não muito distante do Deserto do Sinai ou da fronteira com Israel. Dizem que, nos tempos bíblicos, o profeta Moisés teria feito água brotar das rochas nesta região. (Tais milagres seriam muito necessários hoje, quando junto com a deterioração de fontes d´água a Mudança Climática Global está batendo com força nestas regiões áridas. O lugar é hoje muito mais seco do que era há dois ou três mil anos atrás.)  Os nabateus são um povo árabe dos mais antigos de

Nicosia (Chipre), a capital dividida à là Berlim: lado grego, lado turco

Bem vindos a Nicosia, a última capital dividida do mundo. Sim, porque as Coreias há muito tempo já não dividem uma capital. Chipre, no entanto, tem a sua capital dividida desde 1974, quando separatistas falantes de grego tentaram anexar o país à Grécia e a Turquia interveio militarmente em defesa dos cipriotas que falam turco, e que hoje vivem na região norte da ilha. (Mais detalhes sobre isso, no post anterior.) Aqui, embora não haja exatamente um muro como em Berlim, há toda uma seção da cidade que está abandonada, as próprias construções servindo de barreira entre um lado e outro. No

O Cairo islâmico e atual: Saladino, a Cidadela de Muhammad Ali, e as Mesquitas do Sultão Hassan e Al-Rifa’i

O Cairo, embora mais conhecido por sua bagunça e trânsito ruim, é uma cidade repleta de lugares bonitos, interessantes, e historicamente importantes a ver. Afora o legado milenar do Egito Antigo e marcas de quase 2000 anos da presença antiga do cristianismo copta aqui, há portentosas heranças dos últimos 1300 anos em que o Islã e a cultura árabe se tornaram dominantes no Egito. Ocorreu muita coisa! Eu disse no meu post de chegada que nós, ocidentais, temos uma defasagem de 2000 anos no que geralmente sabemos sobre o Egito. Uma pena (consertável). Ficamos lá atrás com Cleópatra e não sabemos praticamente nada do que veio a acontecer depois. Eu disse que hoje este país é a

A Igreja Suspensa no Cairo e os cristãos do Egito: Conhecendo de perto o Cristianismo Copta

Ninguém jamais pensa no Egito como uma terra de cristãos — nem hoje, nem nunca —, exceto pelos mais conhecedores da história do cristianismo. Tendemos a ignorar ou esquecer que foi aqui, o Egito, um dos grandes berços do cristianismo institucionalizado, onde ele adquiriu muitos dos elementos que hoje nos são familiares (como a cruz, a "Sagrada Família", o monasticismo cristão), e que houve séculos de transição cristã entre o Egito Antigo dos faraós e o Egito islâmico que surgiria depois. Entre 10-20% da população egípcia atual (que é de 82 milhões de pessoas) se identifica como cristã, e estas em geral são cristãs coptas.

Aswan (ou Assuã) e o Templo de Philae à deusa Ísis

Aswan — ou Assuã, ou ainda Assuão em Portugal, mas opto aqui pela grafia usada pelos próprios egípcios — é a principal cidade do sul deste país. Uma cidade grande, diga-se de passagem. Não se trata de uma cidade turística pequena, onde tudo se faz a pé, como Luxor. Aswan é uma cidade relativamente moderna, de grandes distâncias inconvenientes, e algumas jóias importantes aqui e ali por ver. Quando cheguei, estava retornando de Abu Simbel, aonde fui de manhã bem cedo após me levantar às 2:30h da manhã e deixar para trás o navio que havia me trazido aqui Rio Nilo acima desde Luxor. Minha

A Núbia ontem e hoje: Entre os negros do Egito

Essa senhora é egípcia. Embora não estejamos habituados a pensar nos egípcios como negros, muitos deles são, sobretudo aqui no sul do país. Há um debate muito grande sobre a real aparência racial dos egípcios antigos. A Europa e os Estados Unidos, sabendo da grandeza da civilização egípcia antiga, sempre os identificaram como brancos amorenados (afinal, partiram do princípio que negros jamais teriam sido capazes de fazer algo tão grandioso). Isso, curiosamente, tem influência até hoje, em que nos EUA se você for de origem norte-africana ou turca, você é classificado no censo como branco — e vocês sabem que classificação racial

Abu Simbel e o Lago Nasser, no extremo sul do Egito (quase Sudão)

No Egito, nada funciona com recibos, vouchers de confirmação, nada — a menos que você esteja lidando com grandes hoteis que cobram voluptuosas comissões. No dia-dia aqui, como em todo o mundo árabe que conheço, quase tudo é de boca. Vale a palavra do cidadão. Mr. Bob, o simpático senhor gordo que me vendeu o cruzeiro pelo Rio Nilo até Aswan, perguntou-me ainda em Luxor se eu queria ver Abu Simbel. O lugar fica no extremo sul do Egito, a 3h de estrada de Aswan, quase na fronteira com o Sudão. Trata-se de um templo que o grande faraó Ramsés II construiu no

O magnífico templo antigo de Hórus em Edfu, no Egito

A primeira parada do nosso cruzeiro Rio Nilo acima foi em Edfu, uma cidade remota no sul do Egito. Aqui se encontra um dos templos antigos mais fabulosos de todo o país. Fiquei embasbacado com algo tão antigo estar tão inteiro — melhor do que a grande maioria das ruínas antigas que você vê na Grécia ou na Itália, por exemplo. Um dos segredos me parece ser, primeiro, a secura do ambiente. Segundo, o lugar é remoto, comparativamente pouco urbanizado, e as areias do deserto cobriram quase tudo completamente até pouco mais de um século atrás. Trata-se de um templo a Hórus, deus dos

Monumentos funerários egípcios em Luxor, o Vale dos Reis e a Tumba de Tutancâmon

Estamos em Luxor, no meio do Egito, às margens do Rio Nilo. Aqui ficava a antiga capital Tebas, por volta de 1500 anos antes de Cristo. No post anterior eu relatei as minhas visitas ao Templo de Luxor e ao Templo de Karnak, à margem oriental do rio. Agora vamos à margem poente do Nilo, onde os egípcios antigos enterravam os seus mortos (emulando o pôr-do-sol). Este lugar é um poço de tesouros históricos, e talvez onde eu vi os resquícios egípcios antigos mais bonitos e impressionantes de todo o país. Primeiro de tudo: Chega-se até aqui com um tour que cobre todos

O Templo de Luxor e o Templo de Karnak: Visitando a antiga cidade de Tebas no Egito

Eis o famoso Templo de Luxor, uma das mais lindas e bem preservadas heranças do Egito Antigo ainda visitáveis hoje. Quando Alexandre, o Grande, conquistou o Egito no ano 332 a.C., ele deu início a uma dinastia "grega" em lugar dos faraós. Cleópatra fez parte dessa dinastia. Ela e o seu amante romano Marco Antônio perdem o Egito para o Imperador Octavius Augustus em 30 a.C. São Marcos, no primeiro século depois de Cristo, traz o cristianismo pra cá, e ele começa a se misturar com a religião tradicional do Egito Antigo. Quando o Império Romano cai e os árabes conquistam tudo isto

A estátua gigante de Ramsés e a necrópole de Saqqara (com a Pirâmide de Djoser, a mais antiga do mundo)

Nem tudo do Egito Antigo nas vizinhanças do Cairo se limita às Pirâmides de Gizé. No século XXXI a.C. (é isto mesmo, não há erro de digitação) foi aqui fundada Mênfis, que se tornaria a capital do Egito a partir da 3a dinastia, por volta de 2600 a.C. (Antes disso havia sido Tinis, mais a sul, uma cidade ainda mais antiga e nunca encontrada nas areias do deserto, do tempo em que o Egito ainda não era um reino unificado.) Foi no tempo de Mênfis capital que as pirâmides de Gizé foram erigidas, mas elas não são as mais antigas ainda de

Visitando as Pirâmides de Gizé e a Esfinge no Egito

As Pirâmides de Gizé são a única das sete maravilhas do mundo antigo a durar até os dias de hoje. Gizé é a área onde ficam as famosas pirâmides de Quéops, Quéfren e Mikerinos, todas construídas nos idos de 2500 a.C. (O nome "Gizé" é medieval e vem do árabe al-Jizzah, que quer dizer "o vale" ou "o platô" — garanto que nunca lhe disseram isso.) Aqui ficava Mênfis, a primeira capital do Egito Antigo. À margem oriental do Rio Nilo estava a cidade dos vivos (da qual não resta praticamente nada, pois as casas comuns eram feitas de argila e não de pedra), e a oeste, onde

Sousse, Tunísia: Uma cidade medieval árabe hoje

Sousse, na costa central da Tunísia, é uma das cidades mais interessantes do país a visitar — senão a mais interessante de todas. Isto é verdade especialmente para quem gosta de coisas antigas, e quer ver uma cidade medieval árabe hoje. Costumamos pensar sempre em Idade Média europeia, aquela coisa dos cavaleiros de armadura e os castelos de pedra sobre a montanha. Muito disso é compartilhado por outros povos e civilizações, mas muito também é diferente. Aqui no norte da África, nessa estreita faixa de terra apertada entre o Mar Mediterrâneo e o Deserto do Saara, os árabes na Idade Média chegaram

Sidi Bou Said (Tunísia): Às margens do Mar Mediterrâneo, no lado africano

No dia seguinte à minha ida às ruínas de Cartago, eu voltaria a tomar o trem metropolitano TGM na mesma direção, desta vez para ir a Sidi Bou Said, um vilarejo um tanto pitoresco na beira-mar tunisiana. Eu queria conhecer o Mar Mediterrâneo neste lado de cá, da África. Sidi Bou Said fica no fim de linha do TGM, a uns 40 minutos da capital Túnis. É um vilarejo todo em azul e branco, como as ilhas gregas, mas neste caso com casinhas tradicionais árabes do século passado. As casinhas se parecem com aquelas de bairro de cidade do interior. Há ruelas de calçamento em pedra,

O Museu Bardo e os mosaicos romanos mais lindos do mundo, na Tunísia

Você aí nem sabia que os romanos tinham artes visuais além de esculturas, ou que faziam mosaicos. Faziam, e faziam muitos. Mosaicos são aqueles ladrilhos coloridos que formam imagens, e que os romanos usavam como decoração em suas casas nas paredes, no chão e/ou no teto. Quase sempre tinham motivos épicos da mitologia greco-romana.  O maior legado de mosaicos dessa Antiguidade romana está hoje na Tunísia, aqui no norte da África. A gente tende erroneamente a associar os reinos e impérios de outrora com as fronteiras dos países atuais, mas isso é uma falácia. O Império Romano era muito mais do

Visitando Túnis, a movimentada e literata capital da Tunísia

Túnis é uma zona, e não é das pequenas. Cá em quase todo este mundo árabe do norte da África impera uma energia social fortíssima. Esqueça aquela ocasional tranquilidade idílica que você encontra em cidades do sul da Europa; aqui no norte da África a natureza é parecida, mas o mundo humano é outro. Eu acho sempre interessante notar como dois mundos tão distintos aqui se encontraram, como um encontro das águas, uma "pororoca" cultural, que aqui apenas o Mar Mediterrâneo separa. Agrave-se aí que Túnis acabou de terminar de ser o epicentro da Primavera Árabe na Tunísia, que o governante

Uma Espanha autêntica: Valencia, a cidade da paella

Valencia mostra uma Espanha autêntica. Pouco turística, a cidade que inventou o prato espanhol mais famoso do mundo se foca em si mesma. Esqueça as hordas de turistas. Valencia é uma cidade movimentada, mas movimentada por espanhóis. Graffiti nas ruas dividindo espaço com igrejas mui católicas, cafés servindo café con leche, e pernas de porco dependuradas nos bares — tudo à moda espanhola. O toque regional é dado pelas coisas escritas em valenciano nas ruas. Como capital da Comunidad Valenciana (uma das 17 "comunidades autônomas" que compõem a Espanha), Valencia é próxima de Barcelona, capital da vizinha Catalunha. Ambas eram parte do reino medieval de Aragão.

Coisas de Barcelona: Sagrada Família, obras de Gaudí, e noites na rua

Barcelona tornou-se uma das sensações da Europa (e do mundo) nos últimos tempos. Uma cidade descolada, animada, e muito diferente do espírito monarquista da Espanha. Aliás, uma cidade diferente de toda aquela Europa tradicional. Barcelona representa a nova Europa: da União Europeia, do multiculturalismo liberal, e dos jovens festeiros que não querem nada com o conservadorismo da Europa de outras eras que você costuma imaginar. Eu cheguei a Barcelona para o início do que seria uma jornada solitária de 4 meses, uma volta ao mundo que me levaria daqui ao norte da África, ao Oriente Médio, a países da Ásia ainda

O bucólico oeste da Irlanda: Galway, Connemara, e os Penhascos de Moher

A Irlanda é famosa na Europa por suas paisagens bucólicas, sobretudo este oeste do país. É como se aqui você finalmente encontrasse aquele autêntico verde do espírito irlandês, aquela alma celta, a natureza dos campos tranquilos, aquela beira-mar vazia, sem ninguém, e ruínas de pedra na neblina. Uma quietude que faz você se sentir em As Brumas de Avalon ou em alguma cena New Age. Eu cheguei aqui após poucas horas de trem desde Dublin, a capital irlandesa. A pequena cidade de Galway faz as vezes de cidade mais importante nesta costa oeste. Era inverno, e todo o lugar parecia adormecido. Ainda que

Chiang Rai e o fabuloso templo branco “pop” Wat Rong Khun

Veja se o templo não parece saído de alguma fábula, encantador e ao mesmo tempo misterioso. O Wat Rong Khun, mais conhecido como "o Templo Branco", é o trabalho ainda em andamento de um artista tailandês contemporâneo, Chalermchai Kositpipat. Misturando elementos budistas e da cultura pop (você verá), esse senhor daqui da cidade de Chiang Rai diz que seu projeto só será concluído em 2070. Deve estar querendo ser o Gaudí asiático, cuja obra na Sagrada Família segue ainda décadas após a sua morte. 
Estamos no extremo norte da Tailândia, a poucas horas de viagem de Chiang Mai. Chiang Rai é

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