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Konya (Turquia), Rumi e os “dervixes rodopiantes” (whirling dervishes): Na capital mundial do Sufismo

Estamos no interior da Turquia, a uma centena de quilômetros da Capadócia, no coração do planalto da Anatólia, essa península que constitui a maior parte do território turco hoje. Esta é uma das cidades mais antigas e tradicionais de todo o país. Konya é habitada há mais de 5 mil anos, desde 3.000 a.C., passando por muitos povos antigos de que hoje mal se ouve falar, como os cimérios ou os hititas. Alexandre, o Grande, a conquista dos persas em 333 a.C. e o nome grego de Ikonion ganha notoriedade — que se tornaria a Iconium dos romanos. (O engraçado é que o

Kazan, a bela capital da República do Tatarstão, na Rússia

Bem vindos à República do Tatarstão, na Rússia! Eu sei, a cabeça de muita gente deve ter dado um nó: Como assim "República do Tatarstão" e ao mesmo tempo "na Rússia"? Simples: a Rússia é repleta de repúblicas não-soberanas mas que tem certa autonomia. Aqui, ao contrário do Brasil, nem todas as unidades da federação gozam do mesmo grau de autonomia. A Rússia possui "territórios" (krai), "províncias" (oblasts), e repúblicas — dentre outras categorias. As repúblicas são 22 das 85 unidades da federação que a Rússia tem, e são as mais autônomas de todas. Geralmente, representam áreas de maioria étnica não-russa, como

Singapura, a cidade-estado das três culturas: Chinesa budista, malaia islâmica, e tâmil hindu

Eis aí o leão, símbolo de Singapura. "Singa Pura" significa exatamente "Cidade Leão" em sânscrito. Desde a Antiguidade, mercadores indianos, chineses e malaios comerciam por esta região, passando aqui pelo Estreito de Malacca entre a ilha de Sumatra e a pontinha da península malaia, onde Singapura está (ver post anterior). Esta é uma localização comercial estratégica. Os portugueses necessariamente passavam por aqui para chegar até a China e o Japão, e depois os seguiram os holandeses e, por fim, os ingleses. Estes no século XIX precisavam necessariamente cruzar este estreito para vender ópio cultivado nas Índias aos chineses. Nos idos de

Albânia (ou Shqipëria, “a terra das águias”): O lindo país europeu que você nunca pensou em conhecer

A Albânia é aquele país europeu que eu só sabia que existe porque ele está sempre no topo das listas alfabéticas, mas sobre o qual eu não sabia nada. Até poucos anos atrás, eu sequer era capaz de localizá-lo num mapa. Ela provavelmente é o país subestimado e desconhecido de toda a Europa. Visitei a Albânia agora em março, e achei-a fascinante. Os próprios (outros) europeus sabem pouco ou nada sobre este país. Geralmente, sobretudo na Europa, os albaneses são conhecidos apenas pela má fama de crime organizado e tráfico de mulheres, estereótipos que nada dizem do seu lado bom e infelizmente reforçados

Prizren, a cidade mais charmosa de Kosovo

Ônibus a todo momento levam você de Pristina, capital de Kosovo, até Prizren, sua cidadezinha mais charmosa. É pouco mais de 1h de viagem. Quando cheguei, a chuva que já havia me pegado em Pristina me pegou de novo. Estávamos em março, mês ainda de inverno mas já não tão frio — coisa de seus 10 graus e chuva. Prizren não é um vilarejo, mas uma cidade de porte médio — para os padrões europeus — com quase 200.000 pessoas. Ainda assim, tem um centro com ar de cidade pequena, onde um riacho passa no meio. A cidade existe desde o tempo antigo dos

Visitando Mascate (Omã) e a Grande Mesquita do Sultão Qaboos (que é gay)

Desculpem-me a fanfarra exaltando assim já de cara a orientação sexual de sua majestade o Sultão Qaboos [kabuz], que certamente nada mais é do que um mero aspecto dentre os muitos que definem quem ele é, mas eu não resisti. Quem, afinal, imaginava que um sultão árabe fosse gay? Serve para a gente ver como a realidade é muito mais rica, diversa e interessante do que costumamos imaginar. O sultão Qaboos bin Said al Said, um distinto senhor de 76 anos, é atualmente o monarca que reina há mais tempo em todo o mundo árabe. Ele governa com poderes absolutos desde 1970, pois Omã

No Sultanato de Omã, o lugar mais quente da minha vida

Eu cresci no Nordeste do Brasil, conheço na pele os verões no Rio de Janeiro, já estive na Amazônia, e morei debaixo da linha do equador na Indonésia. Mas nada me preparou para Omã no verão.  Você aí talvez nem soubesse que esse país existia. Existe e é maior que o estado do Rio Grande do Sul, estendido no sudeste da Península Arábica, entre a Arábia Saudita e o Mar da Arábia. Dizem que era por aqui que o lendário marujo Sinbad (dos contos registrados no clássico As Mil e Uma Noites) fazia suas peripécias. Hoje é um sultanato absolutista relativamente tranquilo (daí você não

Nicosia (Chipre), a capital dividida à là Berlim: lado grego, lado turco

Bem vindos a Nicosia, a última capital dividida do mundo. Sim, porque as Coreias há muito tempo já não dividem uma capital. Chipre, no entanto, tem a sua capital dividida desde 1974, quando separatistas falantes de grego tentaram anexar o país à Grécia e a Turquia interveio militarmente em defesa dos cipriotas que falam turco, e que hoje vivem na região norte da ilha. (Mais detalhes sobre isso, no post anterior.) Aqui, embora não haja exatamente um muro como em Berlim, há toda uma seção da cidade que está abandonada, as próprias construções servindo de barreira entre um lado e outro. No

Visitando as ruínas de Baalbek e uma mesquita xiita no Vale do Bekaa (Líbano), quase na fronteira com a Síria

Mohammed era um desses sujeitos que você não esquece. Um libanês moreno de seus 35 anos, descolado, de camisa polo, calças e sapato baixo, e um ar de quem não perde uma piada. A cara dele era aquela pseudo-séria, aquele jeito de quem está pensando no próximo comentário a fazer, ou avaliando se há algum significado malandro por detrás do que você disse. Ele tinha a mesma boca suja habitual de um brasileiro médio, e usava foto do supremo aiatolá iraniano Ali Khamenei como foto de perfil no WhatsApp. Era muçulmano xiita, como a maioria dos libaneses — e como a grande maioria dos libaneses

O Cairo islâmico e atual: Saladino, a Cidadela de Muhammad Ali, e as Mesquitas do Sultão Hassan e Al-Rifa’i

O Cairo, embora mais conhecido por sua bagunça e trânsito ruim, é uma cidade repleta de lugares bonitos, interessantes, e historicamente importantes a ver. Afora o legado milenar do Egito Antigo e marcas de quase 2000 anos da presença antiga do cristianismo copta aqui, há portentosas heranças dos últimos 1300 anos em que o Islã e a cultura árabe se tornaram dominantes no Egito. Ocorreu muita coisa! Eu disse no meu post de chegada que nós, ocidentais, temos uma defasagem de 2000 anos no que geralmente sabemos sobre o Egito. Uma pena (consertável). Ficamos lá atrás com Cleópatra e não sabemos praticamente nada do que veio a acontecer depois. Eu disse que hoje este país é a

Sousse, Tunísia: Uma cidade medieval árabe hoje

Sousse, na costa central da Tunísia, é uma das cidades mais interessantes do país a visitar — senão a mais interessante de todas. Isto é verdade especialmente para quem gosta de coisas antigas, e quer ver uma cidade medieval árabe hoje. Costumamos pensar sempre em Idade Média europeia, aquela coisa dos cavaleiros de armadura e os castelos de pedra sobre a montanha. Muito disso é compartilhado por outros povos e civilizações, mas muito também é diferente. Aqui no norte da África, nessa estreita faixa de terra apertada entre o Mar Mediterrâneo e o Deserto do Saara, os árabes na Idade Média chegaram

O Museu Bardo e os mosaicos romanos mais lindos do mundo, na Tunísia

Você aí nem sabia que os romanos tinham artes visuais além de esculturas, ou que faziam mosaicos. Faziam, e faziam muitos. Mosaicos são aqueles ladrilhos coloridos que formam imagens, e que os romanos usavam como decoração em suas casas nas paredes, no chão e/ou no teto. Quase sempre tinham motivos épicos da mitologia greco-romana.  O maior legado de mosaicos dessa Antiguidade romana está hoje na Tunísia, aqui no norte da África. A gente tende erroneamente a associar os reinos e impérios de outrora com as fronteiras dos países atuais, mas isso é uma falácia. O Império Romano era muito mais do

Visitando Granada e os jardins e palácios de Al-Hambra

"Granada, tierra soñada por mi...", imortalizaram os tenores. 
E Granada é realmente um sonho. Não entendo por que demorei tanto a visitá-la. Albergada a 700m de altitude na Sierra Nevada no sul espanhol, Granada foi o último reino muçulmano da Espanha. Preservaram-se aqui lindos símbolos dos 800 anos de presença árabe, e a cidade hoje é uma fofura, de médio porte mas com aquele ar de cidadezinha de montanha. Mais importante, aqui deixaram o magnífico complexo palaciano de Al Hambra ("A Vermelha"), sinceramente um dos monumentos mais impressionantes que há para visitar no mundo. 
Mas primeiro, caso você não conheça a lendária canção de

Córdoba, sua catedral-mesquita e a linda herança moura de Al-Andalus

"A Catedral-Mesquita por si só já faz valer a pena visitar Córdoba", disse-me certa vez uma amiga italiana. À época achei ligeiramente exagerado, até visitar. 
A Catedral-Mesquita de Córdoba recentemente foi objeto de uma disputa entre o município e a Igreja Católica romana. A Igreja Católica perdeu. O município alegou que a catedral-mesquita não tem dono, é patrimônio da humanidade como reconhece a UNESCO. É muito mais do que um templo, é um pedaço de história de mais de mil anos diante dos seus olhos. 
Córdoba era talvez o mais importante centro cultural e econômico da Europa por volta do ano 1000. Sob

Málaga e um panorama geral do sul da Espanha, a Andaluzia

O sul da Espanha é a minha região favorita do país. A maior parte dos turistas brasileiros se limita a visitar Madrid e Barcelona (às vezes, Zaragoza e Bilbao a caminho da França), mas a Andaluzia pra mim reserva dos elementos mais interessantes da Espanha. 
Aqui é a terra do flamenco, de cidades medievais lindas como Granada e Sevilha, e da presença mais pronunciada de toda a herança moura no país. (Para os que perderam essa aula de História, a Península Ibérica foi tomada pelos árabes, com exércitos também de berberes [nativos do norte da África], no ano 711 e teve reinos muçulmanos

Isfahan, a mais bela cidade do Irã

Chegou a hora de me despedir do Irã, mas não sem antes, é claro, falar da mais bela cidade que há no país, Isfahan. (Você vai encontrar escrito "Esfahan" também, mas esta é a transliteração pro inglês, onde E tem som de I). Estes foram os últimos dias desta minha aventura em terras persas, fechada aqui com chave de ouro. Isfahan foi a capital do Irã durante a maior parte do período da Dinastia Safávida (1501-1736), e portanto tem muitos palácios, praças orientalescas, mesquitas, pontes de pedra dos séculos XVI e XVII, etc. Hoje ela é a terceira maior cidade

O Irã e o islamismo xiita: nada do que você imagina

Um quadro em Isfahan. Não, esse não é Jesus. Esse aí é Ali, "o leão de Allah", primo e genro de Maomé. Ô, peraê, não disse que não podia fazer representação pictográfica na religião islâmica? Você já deve ter ouvido falar na divisão entre sunitas e xiitas no Islã, sem compreender exatamente qual a diferença. Só sabe que "xiita" em português virou sinônimo de radical, intransigente, e supõe portanto que os muçulmanos xiitas são aqueles mais radicais.  
Errado. Completamente errado. Pegue esse pedaço de "conhecimento" ali e atire pela janela. O governo islamista do Irã é radical sim, conservador, e repressivo numa série de coisas, mas isso

Em Yazd (Irã): Malandragem à iraniana e arquitetura persa no deserto

Nunca antes havia eu escutado "I love you" três vezes numa mesma corrida de táxi. Muito menos do taxista. Este se chamava Ali (como provavelmente outros 10 milhões de iranianos), e essa deve ter sido a corrida de táxi mais divertida eu que já fiz na vida. Entrecortamos a cidade de Yazd, no interior do Irã, por quilômetros de ruelas e becos a todo vapor, sem pegar uma avenida, com Ali dirigindo com uma única mão no volante, a outra descansando pra o lado de fora da janela, e falando sem parar comigo em persa, e rindo. Não falava uma

As flores de Shiraz e o lado poético da Pérsia

"Boa poesia faz o universo revelar um segredo", dizia Hafez. Este homem do século XIV, nascido e falecido aqui em Shiraz, no sul do Irã, é por muitos considerado o maior poeta da história persa. Os iranianos aprendem seus versos e os usam como provérbios no dia-dia. É uma língua muito poética, em que muito é dito metaforicamente, como ocorre quando você conversa com aqueles idosos cheios de sabedoria popular. 
Khwaja Shams-ud-Din Muhammad Hafez-e Shirazi (1325-1390) vai lhe surpreender. (Esses nomes persas e árabes são enormes porque eles agregam qualificativos. Não são nomes de família. É tipo "Juliana, a paulista, filha

Pelas ruas de Teerã: Aventurando-se no Irã/Pérsia

Cá estamos em Teerã, a capital iraniana de 12 milhões de habitantes. Última capital da Pérsia antes de ela mudar de nome para "Irã", e um dos grandes centros do Oriente Médio. Tráfego louco, mas boulevards bonitos e lindos jardins. Palácios persas de outrora lado a lado com prédios públicos onde figuram (por lei) as faces dos governantes da República Islâmica que o país se tornou desde 1979. Bem vindos ao Irã! Comecemos, devagar, por Teerã, que não é a melhor cidade iraniana a se visitar, mas é a capital e onde a minha aventura começou. 
Deixem-me dizer logo: as ruas

Casablanca e a Mesquita Hassan II

Casablanca é a maior, mais rica, mais feia, mais suja e mais esculhambada cidade do Marrocos. Perdão, amigos marroquinos, mas vocês sabem que é verdade. A sensação é a de uma cidade onde os prédios pararam no tempo — ou melhor, continuaram decaindo. A estrutura parece ser toda de antes dos anos 1950 (portanto, da época do filme Casablanca, de 1942, embora ele não tenha sido rodado aqui). Só que imagine os efeitos do tempo, o crescimento populacional, as ondas de imigrantes pobres de outras partes do Marrocos e da África sub-Saariana em busca de trabalho, e você vai ter uma ideia do

Rabat, a autêntica capital do Marrocos

Quem quiser conhecer o Marrocos de verdade, sem as distrações para turista, deve vir a Rabat. A capital é uma das poucas cidades de porte a oferecer o autêntico dia-dia marroquino, antigo e moderno. Se Marrakech e Fez têm hordas de europeus e demais estrangeiros, aqui eles são raros. Em Rabat você assiste "à vida como ela é" no Marrocos.  
A cidade é relativamente pequena e arrumadinha. Você passeia na maior tranquilidade. Mas nem por isso ela deixa de ter atrações interessantes: a imponente Torre Hassan, o Mausoléu de Mohammed V (avô do atual rei), as ruínas da necrópole romana de

Fez, da medina mais antiga do mundo (e a mais louca do Marrocos)

Fez deve fazer parte de qualquer vista ao Marrocos. Não só tem a maior e mais antiga medina de todo o mundo árabe, mas provavelmente também a mais louca e labiríntica de todas. Pelos becos você passa de um artesão a outro, do herborista ao ferreiro, cruzando arcos mouriscos e ao lado de fontes d'água ornamentadas com ladrilhos árabes. As crianças te olham enquanto brincam, e você se sente como transportado a um cenário medieval. É medieval, só que real, e atual.  
Quando cheguei a Fez, Abdel Salam foi encontrar-me perto do Portão Azul, um dos marcos da cidade. Abdel Salam

Perdido no Catar: Um dia em Doha

Já é o terceiro banho que tomo para vestir a mesma roupa. Estamos na Península Arábica — não na Arábia Saudita, mas no seu pequeno vizinho, o Catar. Estamos à beira do mar do Golfo Pérsico, e o abafo é úmido como se eu estivesse no verão da Bahia. Eram 31 graus quando eu cheguei à meia-noite, e durante o dia subiu para 37. No verão chega a 50. Há vento, mas ele traz toda a poeira do deserto e das muitas obras pela cidade. Doha, a capital, está em constante construção. 
Vim parar aqui para fazer uma conexão de voo (que perdi) entre

Visitando Marrakech, parte final: Jardim Majorelle, Palácio Badi, e as Tumbas Saadianas

Marrakech pode ocupar bem uns 3 dias de visita. Se o post anterior falou de lugares de beleza arquitetônica, o foco deste agora são alguns outros de talvez menos beleza física, mas com histórias interessantes por trás. Vamos ver se vocês concordam. 
O primeiro deles é o Jardim Majorelle. Fazem um bafafá enorme sobre esse jardim, e é talvez a atração mais comentada da cidade. É também a mais cara de se entrar (5 euros). Trata-se hoje de um jardim botânico turístico fundado pelo francês Jacques Majorelle em 1931, após os franceses entrarem aqui e tomarem conta a partir de 1912. (Na teoria,

Arquitetura mourisca e os monumentos de Marrakech: Dar si Said, Madrassa Ben Youssef, e o Palácio da Bahia (sim, fica no Marrocos)

Arquitetura mourisca. A quem eu estiver falando grego (ou árabe), trata-se da arquitetura clássica dos árabes mouros, aqueles que vieram cá ao norte da África a partir do século VII, mesclaram-se aos povos berberes nativos da região, e daqui se expandiram para Portugal e Espanha. Azulejos, portas decoradas com vidros coloridos, pátios e jardins coloniais... tudo isso é influência deles. 
Do árabe também vieram inúmeras palavras hoje usadas no vocabulário em português e espanhol, como açúcar, algodão, camisa, azeitona, álcool, laranja, café... nada disso veio nem do latim e nem do grego, mas do árabe. Também com os árabes vieram os

Istambul, Turquia (Parte 4): O Palácio Topkapi, morada dos sultões otomanos

A minha estadia em Istambul estava chegando ao fim. Mas não eu podia partir sem saber mais do sultão, seu harém, e descobrir aqui relíquias bíblicas que eu nem imaginei que ainda existissem (se é que existem mesmo e esses turcos não estão me enrolando). O último dia da minha estadia em Istambul começou tarde. O show de rock turco no dia anterior foi uma beleza, e eu fiquei impressionado de ver (1) como parece o Brasil e (2) a quantidade de gente na rua mesmo às 3h da manhã, quando estávamos retornando. Parecia carnaval, por mais que fosse só um

Istambul, Turquia (Parte 1): Hagia Sophia, a Cisterna da Basílica, e a Mesquita Azul

Istambul é uma cidade estupenda. São 15 milhões de habitantes — a maior cidade da Europa, e a única metrópole no mundo a estar dividida entre dois continentes. Parte está na Europa e parte na Ásia, com o Estreito do Bósforo no meio. Não é a capital (esta seria Ankara, uma cidade administrativa e menor), mas é claramente a mais importante cidade da Turquia, e aquela que você não pode deixar de ver. A riqueza de antiguidades surpreende até mesmo os bons conhecedores de História (quer apostar?). De quebra, a gastronomia é a maravilhosa, assim como a vida noturna. Dito isso (que me

Visitando o Taj Mahal em Agra, Índia

Finalmente, cheguei ao monumento mais famoso de toda a Índia. Agra, a 230Km de Nova Délhi (4h de trem), é uma cidade hiper-turística — talvez a mais de todo o país. É também uma cidade muvuquenta e incrivelmente suja, que talvez não dignasse a visita de um único visitante, não fosse pelo impressionante Forte de Agra e pelo mausoléu mais famoso de todo o mundo, o Taj Mahal. O clima que me esperou já era frio — a Índia está acima da linha do equador, e novembro já é quase inverno aqui no hemisfério norte. Embora lá "embaixo" em Mumbai estivesse tudo quente e

Hyderabad, Telangana: Bem vindos ao sul da Índia

Este sou eu em meio aos indianos do sul, com suas típicas peles (mais) escuras e uma integração de gêneros algo melhor que no norte do país.  Deixe para trás os mausoléus como o Taj Mahal e outras marcas da presença islâmica na Índia, tão dominante no noroeste e norte do país. Lembre-se, em vez disso, dos portugueses e da terra aonde chegaram em 1498, com Vasco da Gama. Ele encontrou pelo mar o que árabes, persas, romanos e chineses já haviam conhecido há muito tempo: uma terra quente e de coqueirais, cheia de uma gente escura, rica em cores vivas

Visitando o Forte Vermelho (Red Fort) e a Jama Masjid em Nova Délhi, Índia

Quando eu retornei a Nova Délhi após o meu périplo pelo Rajastão e Varanasi, retornei à mesma família que havia me albergado antes. "Eu estou com a febre", declarou-me Seu Bhalla (assim com o artigo definido mesmo, embora jamais tenha me especificado que febre era essa, nem eu tenha perguntado). Seu Bhalla, pra quem não lembra, é o chefe da família a quem eu paguei para ficar umas semanas em estilo home stay, e que havia tentado me passar pra trás com o preço. Estávamos já em final de outubro, e a chuva diária das monções e o calor úmido começavam

O Forte Amber, seus elefantes e palácios, perto de Jaipur

O Forte Amber, nas colinas perto de Jaipur, é um dos sítios mais belos não só do Rajastão como de toda a Índia. Seu nome não é pela resina de âmbar, mas advém da deusa hindu Amba, homenageada quando o forte foi erigido em 1592. Era daqui que a região era governada antes de Jaipur ser fundada em 1727. De um lado, o Portão do Sol, a entrada no leste. Do outro, o Portão da Lua, que leva à vila que se formou nesses arredores, com templos e comércio. No interior do forte também muitas áreas, com jardins, pavilhões, torres e uma

Conhecendo Purana Qila e as híjras, o “terceiro sexo” da Índia

Já são duas semanas desde que cheguei a Nova Délhi, e os meus dias entraram numa certa rotina. Primeiro alguma entrevista ou algo relacionado à minha pesquisa pela manhã ou no começo da tarde, e em seguida um bordejo pela cidade para visitar algo ou pra sair às compras (hehehe). Este dia, por exemplo, foi um caso ilustrativo. Pela manhã eu saí para uma entrevista que tinha marcado com alguém num centro de pesquisa. Fui de metrô, evitei os tuk-tuks, e da estação fui a pé. Chegando lá, o diretor miserávi me fez esperar um século e depois ainda estava com uma cara

O passado islâmico da Índia e o Mausoléu de Humayun em Délhi

Eu aqui em Délhi me sinto um Indiana Jones, de tumba em tumba a visitar. Já sei de onde veio toda a inspiração pra aqueles filmes. Os islâmicos que dominaram esta região eram fissurados por construir tumbas para si mesmos, mausoléus para amores ou amigos, e coisas do tipo. Fizeram inúmeras no tempo em que dominaram esta região, entre os séculos XII e XIX (até a derrota para os ingleses, que então "libertaram" os hindus do norte da Índia do jugo islâmico; vocês sabem como isso funciona). São, verdade seja dita, dos monumentos mais belos da cidade. A Índia, apesar de ser um país de

A minha vida em Nova Délhi (e uma visita ao Qutub Minar)

Comecei a ambientar-me às coisas da vida em Nova Délhi. Depois daquela ida ao templo no post anterior, eu voltei à companhia do Tio Bhalla pra o chai da noite. Digo na companhia dele e não da família porque eu sou sumariamente ignorado pelas mulheres da casa (quando ele está presente). Elas nem cruzam o olhar comigo nem se sentam à mesa conosco. Participar da conversa então, nem pensar. (Embora a ajudante de Bengala do Oeste não fale inglês, Dona Bhalla fala). Isso eu sei porque, quando ele não está por perto, dá pra conversar tanto com ela quanto com... errr...

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