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Brugge (ou Bruges), Bélgica: Uma das cidades mais românticas e charmosas da Europa

Brugge é das poucas cidades europeias que se atrevem a desafiar Paris e Veneza como destino romântico. Uma das cidades mais charmosas da Bélgica e da Europa, ela tem um charme singelo, de porte pequeno, despretensioso, e talvez também por isso tão atraente. É que Brugge tem quase um ar de amor escondido, aquele jeito estar quietinho aqui enquanto o mundo lá fora se desenrola. Estamos no norte da Bélgica na região de Flandres, que fala flamengo, língua que é praticamente um holandês com sotaque belga. Bruges, a outra grafia, é como a chamam os valões, da Valônia, a metade sul

Cristianismo popular na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, México

Domingo de manhã na Cidade do México. A ampla e linda avenida Paseo de la Reforma com seu icônico Ángel de la Independencia fechada para carros, transformada num grande boulevard para bicicletas, pessoas e cachorros. Minha meta era revisitar, desta vez com mais calma, o santuário da Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe (La Vírgen de Guadalupe, como eles dizem aqui em espanhol). Do Paseo de la Reforma, qualquer ônibus com direção a Hidalgo o leva à basílica mais rápido que o metrô. (Já se você estiver longe, a estação de metrô aonde chegar é La Villa-Basílica.) Eu já havia visitado a

Florença, Itália: David de Michelangelo, Santa Maria del Fiore (Il Duomo), e outros tesouros artísticos do Renascimento italiano

Capital da famosa região da Toscana, Florença é das mais visitadas cidades italianas. Não é sem razão. Berço do Renascimento e às vezes chamada de a "Atenas da Idade Média", a cidade tem uma enorme riqueza artística e histórica. Eu acho surreal estar aqui circundado por tantas obras de alto calibre a tão pouca distância: o David de Michelangelo ali, a catedral de Florença com seu domo projetado por Brunelleschi algumas quadras pra lá, majestosas fontes seculares ao lado de esculturas de personagens da mitologia clássica greco-romana decorando as ruas... Você se sente num parque temático do Renascimento, só que

Visitando o Vaticano e vendo o Papa Francisco em Roma

Visitar o Vaticano é algo que passa pela cabeça da maior parte dos cristãos. Independente de qual for a sua fé (se alguma), o coração de Roma é um lugar de relevância histórica inquestionável, e um dos destinos mais visitados do mundo. Aqui estão nada menos que algumas das maiores obras do Renascimento italiano, como a Basílica de São Pedro, a Pietà, a Capela Sistina com seu teto pintado por Michelangelo, dentre outros tesouros religiosos e artísticos que têm do melhor da cultura e História italianas. Estamos na gema da Itália, só que fora dela. Como se seu coração fosse soberano

Istambul na primavera (Parte 2): Kariye Museum e as heranças bizantinas para além de Hagia Sophia

Chegada a hora de conhecer algumas coisas novas em Istambul. Muita gente vem aqui, à maior cidade da Turquia e da Europa (com 15 milhões de habitantes), atrás do movimento e da riqueza cultural turca. Lindezas que eu mostrei nos posts anteriores. No entanto, é preciso lembrar que essa riqueza repousa sobre um milenar legado grego bizantino. A quem busca os resquícios da Constantinopla medieval, trago a boa notícia de que há mais que Hagia Sophia e a cisterna da basílica. O melhor lugar, sobretudo se você gosta de arte sacra, é o Museu Kariye, feito a partir da Igreja de São

Sille, Turquia: Legado grego bizantino cristão na Anatólia, nos arredores de Konya

Muito antes de os turcos chegarem às terras que hoje chamamos de "Turquia", elas atendiam por nomes diferentes. Em 330 a.C., quando Alexandre o Grande faz a sua grande marcha para o oriente que levaria os seus exércitos até à Índia, adotam-se os nomes — adaptados das línguas e povos já presentes, como os persas — como viriam a ser conhecidos no mundo antigo greco-romano: Capadócia, Lycia, Lydia, entre outros. (Nome de muita gente no Brasil que nem sabe a origem do nome.) Toda essa massa de terra a oriente do Mar Egeu ficou conhecida dos gregos antigos como Anatolé, que significa o

A Igreja Suspensa no Cairo e os cristãos do Egito: Conhecendo de perto o Cristianismo Copta

Ninguém jamais pensa no Egito como uma terra de cristãos — nem hoje, nem nunca —, exceto pelos mais conhecedores da história do cristianismo. Tendemos a ignorar ou esquecer que foi aqui, o Egito, um dos grandes berços do cristianismo institucionalizado, onde ele adquiriu muitos dos elementos que hoje nos são familiares (como a cruz, a "Sagrada Família", o monasticismo cristão), e que houve séculos de transição cristã entre o Egito Antigo dos faraós e o Egito islâmico que surgiria depois. Entre 10-20% da população egípcia atual (que é de 82 milhões de pessoas) se identifica como cristã, e estas em geral são cristãs coptas.

Noto (Sicília), uma explosão de barroco italiano pra você

Noto é uma pequenina cidade italiana na Sicília que é toda de uma cor. Pensadores italianos do passado a chamaram de "jardim de pedra". Esse tom de areia está por todas as edificações, e resplandece lindamente à luz do sol. É resultado de um terremoto, que destruiu a cidade medieval em 1693 e a fez ser toda reconstruída assim, em estilo barroco siciliano. Todo o centro da cidade está tombado como Patrimônio Mundial reconhecido pela UNESCO. 
Noto está a uma viagem curta de Siracusa. Vale a pena vir de manhã para passar o dia. Em bom estilo Mediterrâneo, e ainda mais

Visitando a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, México

Era domingo de manhã cedo, e a massa já passava em procissão pelas ruas do centro da Cidade do México. Peregrinação à Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, o santuário cristão mais visitado em todo o mundo. São em média 20 milhões de pessoas por ano, acima dos 10-12 milhões que visitam Nossa Senhora Aparecida, no Brasil, e dos 5 milhões que vão à Basílica de São Pedro, no Vaticano. (Fora do cristianismo, há apenas dois santuários ainda mais visitados: o templo hindu Vishwanath em Varanasi, na Índia, aonde vão em média 22 milhões de pessoas ao ano, e que

Valletta, Caravaggio e a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários em Malta

Valleta, a capital de Malta, funciona como seu bairro histórico e administrativo. São ruelas perpendiculares e paralelas onde só passa um carro, ou só pedestres. Toda ela é tombada como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1980. São muitas igrejas, museus, e fortificações antigas, além do casario. Malta participou ativamente do Renascimento italiano, foi dos bastiões do estilo barroco, e inclusive hospedou Caravaggio uns anos — quando o pintor italiano andou se metendo com as mulheres erradas, fugiu pra cá, e entrou até pra a ordem dos cavaleiros da ilha (mais a seguir). 
Tudo começou em 1530, com a chegada da Ordem dos Cavaleiros

Bolonha: Arte sacra, nereidas lactantes, e muito “food porn”

Cheguei em Bolonha para o meu quarto de solteiro num hotelzinho perto da estação de trem. Quarto de padre, só com uma cama e uma escrivaninha. Um belo banheiro, e uma televisão que eu sabia que não iria usar. Eram meados de um domingo de inverno, ruas frias e quietas nesta capital da Emília-Romanha. Eu tinha aqui até a tarde do dia seguinte, o suficiente pra ver o centro histórico, as principais obras de arte sacra da cidade (pois na Itália as principais atrações turísticas são quase sempre obras de arte sacra), e experimentar da culinária romagnola. Eu estava com

Turim: O Santo Sudário e as ruas de uma Itália quase alpina

Na foto acima, a sem-teto pede uma moeda para o seu cão. Claro, não é o cachorro quem vai gastar o dinheiro. Mas os italianos parecem mais inclinados a ceder algo se o animal for visto como o necessitado, embora a senhora ali enrolada certamente precise ainda mais. A cena não é rara. Me pareceu relativamente comum na Itália. 
Estamos em Torino (chamada Turim em português) já bem no norte da Itália. Em algumas longas avenidas você facilmente vê ao fundo os Alpes cobertos de neve. O frio e todo o ambiente é quase alpino, e lembra mais a Áustria do

O Mosteiro de Rila, Bulgária: Arte sacra em meio à natureza

O Mosteiro de Rila, do século X, é provavelmente a maior atração turística da Bulgária. E não sem motivo. O lugar parece retirado de algum conto histórico medieval: bela arquitetura, cercado de montanhas cobertas de floresta, e lindos murais de arte cristã ortodoxa. A própria jornada até aqui (2 horas de carro desde Sófia) já impressiona pela beleza natural da Bulgária, ainda bastante verde (até quando, não sei). 
Eram meados da manhã quando deixamos a capital. Meus amigos planejaram parar na beira da estrada para comer omelete de avestruz. Teria sido minha primeira vez, mas infelizmente o criador estava ausente e

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