You are here
Home > Posts tagged "Artesanias"

No parque cultural “13th Century”: Visitando a Mongólia do século XIII, dos tempos de Gengis Khan

Foi perto da capital Ulaanbaatar que eu faria uma das visitas mais interessantes durante esta minha estadia na Mongólia. Um "parque" onde você conhece os detalhes de como viviam os mongóis nos tempos medievais do grande conquistador Gengis Khan — ou melhor, como eles o chamam aqui, Chinggis Khan —, no século XIII. O 13th Century, contudo, não é meramente um museu ou parque temático ocidental, nem aqueles lugares onde atores fingem-se de personagens da Idade Média. A coisa aqui é muito mais autêntica. Numa grande área a cerca de 100Km da capital, pavilhões autênticos mostram diferentes aspectos da vida tradicional dos mongóis. As

Bem vindos às antigas “Novas Hébridas”, hoje Vanuatu, e sua capital Port Vila

Era uma vez um lugar onde, diz a lenda, todo dia de manhã alguém media no mastro se a bandeira britânica estava exatamente à mesma altura da francesa; nem a mais, nem a menos. Os franceses e ingleses chamaram isso aqui de condominium (co-domínio); os nativos preferiram apelidar de pandemonium. Estamos nas ilhas que eram chamadas de Novas Hébridas, hoje a nação soberana de Vanuatu, no Oceano Pacífico, Oceania. Estamos a 2h de avião a nordeste da Austrália. Depois de passar por Samoa e Fiji na vizinhança, foi pra cá que eu vim. Vanuatu, como Fiji, faz parte da Melanésia, então as

Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 3): Danças, tradições, cultura, e a origem da tatuagem

Continuação de Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 2): Descobrindo as comidas e as pessoas. Eu confesso que vim a Samoa essencialmente atraído por sua beleza natural. Praias, coqueiros, a brisa do mar. No entanto, rapidamente aprendi que essa não está por toda parte, como mentem os cartões postais. É preciso às vezes dirigir horas (numa terra sem transporte público de confiança) para chegar da cidade a um daqueles paraísos. Também aprendi que Samoa tem uma cultura pra lá de interessante, e sobre a qual eu quase nada sabia.  Num país essencialmente rural, insular, economicamente pobre, onde a maioria da população vive na subsistência

Conhecendo o povo Maori e a sua cultura tradicional em Rotorua, Nova Zelândia

Os Maori são um povo amável, ainda que guerreiro. Guerreiros amáveis. Antes, no entanto, de relatar o que vi, permitam-me um breve prólogo sobre a Polinésia, à qual eles pertencem, pois quase nada aprendemos sobre ela no Brasil. Prólogo: A Polinésia A Polinésia, e não a Ásia, é a região mais a oriente no mundo — assim como também a mais a ocidente. Ela tem os primeiros fusos horários e os últimos. A Linha Internacional da Data, que se convencionou traçar sobre o Oceano Pacífico (aqueles fins do mapa que você tem na parede, uma mera convenção no globo terrestre), passa exatamente

A bela e pouco conhecida arte “batik” do Sudeste Asiático, em Penang, Malásia

Eu já falei muito da presença chinesa aqui nos Estreitos de Malacca, da presença hindu tâmil, assim como também das presenças do budismo e do islã trazido por mercadores árabes e indianos. Nada disso é nativo. Daí você pode me perguntar: o que é realmente malaio? Somente o mérito de ser uma grande mistura? Não. Os malaios têm cultura própria, para além de serem um caldo multicultural. Uma das manifestações mais bonitas dessa cultura malaia, que eles compartilham com a vizinha Indonésia (que fala basicamente o mesmo idioma), é a arte batik. Ela se refere a uma forma de pintura

No Sultanato de Omã, o lugar mais quente da minha vida

Eu cresci no Nordeste do Brasil, conheço na pele os verões no Rio de Janeiro, já estive na Amazônia, e morei debaixo da linha do equador na Indonésia. Mas nada me preparou para Omã no verão.  Você aí talvez nem soubesse que esse país existia. Existe e é maior que o estado do Rio Grande do Sul, estendido no sudeste da Península Arábica, entre a Arábia Saudita e o Mar da Arábia. Dizem que era por aqui que o lendário marujo Sinbad (dos contos registrados no clássico As Mil e Uma Noites) fazia suas peripécias. Hoje é um sultanato absolutista relativamente tranquilo (daí você não

Como era feito o papiro no Egito Antigo

Não há tour hoje em dia que não inclua aquela paradinha básica numa loja onde os guias ganham comissão se você comprar algo. E talvez nada mais egípcio que um fabricante de papiros. Após visitarmos as épicas Pirâmides de Gizé pela manhã, paramos para almoçar num buffet ali por perto e para ver uma demonstração de como era feito o papiro no Antigo Egito — para quem sabe ficarmos motivados a comprarmos um ou muitos.  No Egito, por toda parte você verá vendedores oferecendo ilustrações em "papiro" por 1 dólar. É banana. Digo, é folha de bananeira, e não papiro. Vai quebrar antes mesmo de você

Visitando Túnis, a movimentada e literata capital da Tunísia

Túnis é uma zona, e não é das pequenas. Cá em quase todo este mundo árabe do norte da África impera uma energia social fortíssima. Esqueça aquela ocasional tranquilidade idílica que você encontra em cidades do sul da Europa; aqui no norte da África a natureza é parecida, mas o mundo humano é outro. Eu acho sempre interessante notar como dois mundos tão distintos aqui se encontraram, como um encontro das águas, uma "pororoca" cultural, que aqui apenas o Mar Mediterrâneo separa. Agrave-se aí que Túnis acabou de terminar de ser o epicentro da Primavera Árabe na Tunísia, que o governante

Música andina, as Cholitas e o Carnaval boliviano

Esse chão de quadrados coloridos pode parecer saído de algum jogo eletrônico, mas é a bandeira histórica do povo Aymara, uma das principais etnias indígenas desta região dos Andes. Wiphala é o nome desta bandeira quadriculada de 7 cores, reconhecida desde a Constituição de 2008 como um dos símbolos do Estado Boliviano. (Não dá pra usar a palavra "nacional" corretamente aqui, pois a Bolívia se autodenomina um Estado Plurinacional, que abriga várias nações, vários povos de línguas e costumes diferentes, o que é verdade.) Você a verá balançando ao vento e muitos locais de La Paz. Nem sempre a disposição é assim no

Isfahan, a mais bela cidade do Irã

Chegou a hora de me despedir do Irã, mas não sem antes, é claro, falar da mais bela cidade que há no país, Isfahan. (Você vai encontrar escrito "Esfahan" também, mas esta é a transliteração pro inglês, onde E tem som de I). Estes foram os últimos dias desta minha aventura em terras persas, fechada aqui com chave de ouro. Isfahan foi a capital do Irã durante a maior parte do período da Dinastia Safávida (1501-1736), e portanto tem muitos palácios, praças orientalescas, mesquitas, pontes de pedra dos séculos XVI e XVII, etc. Hoje ela é a terceira maior cidade

Mairon em Teotihuacán, no México

Teotihuacán, uma das mais impressionantes cidades antigas da Mesoamérica. Estamos no México, perto da capital. Teotihuacán é um sítio que precede até mesmo a cultura asteca. Trata-se das ruínas de uma antiga cidade indígena, datada do século I antes de Cristo. Diz-se que a cidade vingou ao longo de todo o primeiro milênio depois de Cristo, provavelmente com uma população de várias diferentes etnias indígenas da região. As ruínas estão surpreendentemente bem preservadas. As enormes pirâmides do sol e da lua continuam aqui, e é possível subir os seus íngremes degraus — o que eu fiz, mas não sem antes tomar uma

Pelas ruas de Antananarivo: Mercadão e curiosidades da cultura de Madagascar

"Por que é que o Brasil perdeu daquele jeito?", me perguntou Mina do banco de trás do táxi. Por que? Ensaiei alguns comentários sobre tática, inexperiência, pressão e apagão, mas ela não parecia muito interessada na minha resposta. "Aqui estava todo mundo torcendo pelo Brasil. Aqui em Madagascar o povo é Brasil ou Argentina, mas quase todo mundo é Brasil".  "E as seleções da Europa?", perguntei eu. "Blargh!", respondeu ela fazendo careta, que eu pude ver olhando pra trás. Passados alguns segundos de silêncio, ela continuou: "Meu tio morreu por causa daquele jogo". Perguntei se ela estava zoando. "Não, é

Fez, da medina mais antiga do mundo (e a mais louca do Marrocos)

Fez deve fazer parte de qualquer vista ao Marrocos. Não só tem a maior e mais antiga medina de todo o mundo árabe, mas provavelmente também a mais louca e labiríntica de todas. Pelos becos você passa de um artesão a outro, do herborista ao ferreiro, cruzando arcos mouriscos e ao lado de fontes d'água ornamentadas com ladrilhos árabes. As crianças te olham enquanto brincam, e você se sente como transportado a um cenário medieval. É medieval, só que real, e atual.  
Quando cheguei a Fez, Abdel Salam foi encontrar-me perto do Portão Azul, um dos marcos da cidade. Abdel Salam

Oásis e tapetes berberes: De Ouarzazate às margens do Saara

Um oásis é algo muito mais impressionante visto ao vivo. Antes mesmo de chegarmos ao oceano de areia, o Saara já é bordeado por uma cortina de pedra, uma terra pedregosa e seca de muitos quilômetros entre as montanhas e o deserto. Daí, de repente, você vê uma mancha de verde, às vezes nada muito grande (por vezes não mais que 1km quadrado), mas com água e plantas, o suficiente para que algumas famílias ali habitem. No Marrocos, muitas dessas famílias são berberes, o nome dado aos povos nativos daqui (beduínos, tuaregues e outros), de antes da chegada dos árabes. 
Após passarmos

Tapeçarias turcas

Embora a fama no Brasil seja eminentemente dos tapetes persas (hoje Irã), na verdade foram os turcos os grandes responsáveis pela popularização da tapeçaria nos últimos séculos e pela sua difusão no Ocidente. Tapetes já existiam na Pérsia e na Babilônia antigas, mas somente a partir das Cruzadas (século XI) é que eles começaram a ser trazidos à Europa, e de lá às Américas. A própria Índia, ao contrário do que se pode pensar, não tinha tradição de tapetes até a invasão dos muçulmanos por lá a partir também do século XI. Em particular, esses motivos de padrões geométricos e

Yogyakarta: Uma jornada ao centro da ilha de Java, à sua capital cultural

Esse aí na foto é o singelo vulcão Merapi. Não, eu não tirei a foto pessoalmente. Ele explodiu em dezembro de 2010, mas sempre volta a ficar quietinho — até quando, não se sabe. As pessoas aqui de Java Central já se acostumaram a viver com um vulcão por perto. 
Mas o centro de Java reserva mais que um vulcão temperamental. Na verdade, apesar de Jakarta (no oeste da ilha) ser a capital, as belezas culturais e as tradições javanesas estão em sua maior parte no centro da ilha. Não sei qual é a noção de vocês sobre o tamanho de Java, mas a

Top