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Cracóvia, Polônia: Conhecendo a histórica capital medieval polonesa

Bem vindos a uma das principais cidades históricas de toda a Europa! Atualmente segunda maior cidade da Polônia (atrás apenas de Varsóvia, a capital), Cracóvia é um encanto. Facilmente a cidade mais turística e quiçá também a mais bela deste que é o maior país do leste europeu. Cracóvia (ou Kraków, que os poloneses pronunciam "Krákuf") data do século VII e foi a capital do Reino da Polônia até 1596. A Polônia não é um país sobre o qual a gente aprenda muito na escola, ainda que haja milhares de brasileiros de sangue polonês. Mas vindo aqui ao país você logo

Tbilisi, Geórgia: Das mais charmosas cidades que você (ainda) não conhece

Bem vindos à Geórgia, um país que a maior parte do mundo nem sabe que existe. É capaz de mais gente saber do estado norte-americano homônimo que do país independente e soberano com esse nome. Estamos no Cáucaso, a mesma região onde fica a Armênia, no extremo leste da Europa, naquela rugosa faixa de terra entre a Rússia e o Oriente Médio, por entre o Mar Negro e o Mar Cáspio. (Eu já comentei em outro lugar a discussão sobre os países do Cáucaso serem Europa ou não, mas a convenção mais aceita diz que sim.)  Trata-se de um país do tamanho

Istambul na primavera (Parte 3): Ortakoy e passeio de barco no Estreito do Bósforo

Cá estamos em mais uma das adoráveis vizinhanças de Istambul. No lado europeu do Estreito do Bósforo, onde o mar separa a Europa da Ásia, está o bairro de Beşiktaş [lê-se Bê-shik-tásh], uma área que na época da Constantinopla dos Bizantinos — antes dos turcos — ficava fora da cidade, mas que hoje é um dos lugares mais cênicos e verdejantes de Istambul. Poderia-se até dizer que é a orla da cidade. Aqui, a este mesmo lugar, eu havia vindo anos atrás quando tomei meu primeiro café da manhã turco ás margens do Bósforo. Uma experiência inesquecível (e ótima comida, como você pode

Visegrad, Hungria: Castelo medieval e bela cidadezinha às margens do Rio Danúbio, na Europa Central

Estamos no norte da Hungria, não muito distantes de Budapeste, a capital húngara. Perto daqui, o famoso Rio Danúbio é a fronteira entre Hungria e Eslováquia, na Europa Central. Estamos no coração do velho continente. Aqui fica Visegrad (Visegrád com acento em húngaro), um sítio histórico e belo muito pouco visitado por turistas que não são da região — a maioria nem sabe que esse lugar existe. Mas existe. Aqui fica o que foi um castelo medieval do século XIV, e uma simpática cidadezinha homônima onde é possível ver algo da arquitetura centro-europeia em seus tons pasteis e algo da distinta culinária húngara. Estamos

Szentendre, Hungria: A charmosa cidadezinha às margens do Rio Danúbio

Budapeste se tornou uma das mais visitadas cidades da Europa, mas pouca gente que vem à Hungria ainda vai além dela. A capital húngara pode ser linda, mas não é a única beleza que o país tem. Uma opção que visitei recentemente — da qual eu, confesso, nunca havia ouvido falar até um húngaro me recomendar — é Szentendre (lê-se SENnten-dré, e quer dizer Santo André mesmo), uma fofa cidadezinha a 40min de trem da capital. Eu vim aqui num dia chuvoso com amigos, e mesmo o cinza não foi capaz de tirar as cores da cidade. Sanctus Andreas é mencionada pela primeira vez

Utrecht, conhecendo esta histórica cidade holandesa

Das várias cidades holandesas, talvez aquela ao mesmo tempo mais histórica e menos turística seja Utrecht. Cidade da mais movimentada estação de trem da Holanda (por estar no centro do país), Utrecht é uma cidade simpática, com belos e tranquilos canais (sem turistas!), a mais alta igreja do país, e quilates de História que data desde os romanos. A 20min de trem desde Amsterdã, ela é a morada de muitos que trabalham na capital holandesa, e também um lugar legal de se visitar por uma tarde ou um dia. Utrecht foi uma das fronteiras do Império Romano nestas terras germânicas do

Texel: a ilha que é um misto das paisagens holandesas mais típicas

Texel é uma ilha que poucos brasileiros sequer sabem que existe. Na verdade, ela é a maior ilha da Holanda (no extremo norte do país) e um destino corriqueiro dos holandeses que querem escapar da cidade. Ela, de certa forma, é um combo das mais típicas paisagens — rurais e urbanas — que se encontram na Holanda. Um trem até a cidade de Den Helder e, depois, um ferry levam você até Texel. Lá há praias ao estilo holandês, cidadezinhas pitorescas com muitas casas de tijolinho, planícies amplas, e até rebanhos de ovelhas. É um idílico a que os holandeses estão habituados e

Muiden e Pampus: Entre castelos e fortalezas na Holanda

Estar na Holanda é estar sempre perto de água — quem já visitou, sabe disso. Mas poucos sabem que houve uma época (não muito tempo atrás) em que este Reino dos Países Baixos quis usar seu relevo e sua susceptibilidade a enchentes como arma de defesa em guerras. Se você acha que já viu tudo em Amsterdã e arredores, ou quer algo menos turístico que o popular museu aberto de Zaanse Schans, considere uma visita a Muiden. Este vilarejo a 5 Km da capital holandesa é autêntico e tranquilo, conta com um castelo medieval bem conservado, e você de quebra pode conhecer

Marken e o andar de bicicleta pela Holanda

Andar de bicicleta na Holanda, como eu comentei no meu post sobre Amsterdã, é uma obrigação. Nunca ouvi falar de alguém aqui que não soubesse pedalar, e quem quer que eu visse sem bicicleta, era um fenômeno temporário porque quebrou ou o pneu furou. Mas afora o andar de bicicleta pela cidade como meio de transporte, é ultra-comum também aos holandeses fazer passeios mais longos de bicicleta — e os estrangeiros que vêm morar aqui logo aderem e tentam fazer o mesmo também.  Suas ciclovias infinitas são outra das características típicas holandesas, e os holandeses são capazes de pedalar dezenas de Km por

Delft, linda cidadezinha das mais charmosas da Holanda

Delft é uma cidade holandesa pouco conhecida fora da Europa, mas das mais bonitas de todo o continente. A 45 minutos de trem desde a capital Amsterdã e a meros 10 minutos da cidade de Haia, Delft é uma séria candidata a cidadezinha mais graciosa da Holanda. Delft deixa de ser um vilarejo medieval e ganha status de cidade em 1246, mais de meio século antes de Amsterdã. Aqui vivia Guilherme de Orange, o líder do movimento que fez da Holanda um país independente (1581), livre do jugo da coroa espanhola que à época também governava o Sacro-Império Romano Germânico. Com o crescimento

Amsterdã (Holanda), a cidade mais pitoresca do mundo

Cada um tem a sua menina dos olhos: a minha é Amsterdã. Ainda que a minha lista de cidades favoritas inclua várias outras, até mesmo algumas mais próximas do meu coração, pra mim é Amsterdã a mais bonita e mais pitoresca de todas. Se não fosse clichê, eu diria que ela é um grande museu a céu aberto. A capital holandesa, povoado medieval das margens do Rio Amstel (Amstel + dam, de "represa no rio Amstel", para daí Amsterdam) que emergiu como cidade nos idos de 1300, é uma metrópole europeia sui generis com suas centenas de canais e pontes por

Haarlem: A linda cidadezinha holandesa que deu nome ao bairro de Nova York

Muitos brasileiros sabem do Harlem, famoso bairro barra-pesada de Nova York, mas poucos já ouviram falar da linda cidadezinha holandesa que lhe deu nome: Haarlem, assim com um "a" a mais, em holandês. Em 1624, ainda no princípio da colonização europeia da América do Norte, os holandeses assentaram-se lá num pedaço de terra e fundaram o que mais tarde se tornaria Nova York. De início, chamava-se Nova Amsterdã (Nieuw Amsterdam). Foi aquele o mesmo ano em que atacaram Salvador, a então capital do Brasil, na dita "Era Dourada" da história holandesa, de suas expansões marítimas. O Rio Hudson, que desemboca em

Zaanse Schans e as típicas paisagens da Holanda

Eu vim morar na Holanda em 2008, e em pleno 2017 ainda não havia ido a Zaanse Schans, um dos lugares mais turísticos do país, nas vizinhanças da capital Amsterdã. Uma daquelas coisas de deixar pra depois e nunca fazer.  Zaanse Schans é, na prática, um museu a céu aberto. Trata-se de uma bem conservada área semi-rural que preserva das mais típicas paisagens da Holanda — com seus moinhos de vento, terra plana recortada por canais de água, gramados com animais pastando, e casas bonitinhas de madeira do tempo em que Van Gogh pintava. Vale a pena vir. Toma nada mais que 20 minutos de

Conhecendo a sereníssima República de San Marino na Europa

Vamos a uma jornada por este país que quase todos os brasileiros conhecem, só que não. Sereníssima Respublica, em latim, é a alcunha que recebe San Marino, este país independente encravado no território italiano. Um dos micropaíses da Europa, ele é conhecido de quase todos os brasileiros graças à Fórmula 1 (embora tenha sido o infeliz Grande Prêmio da morte de Ayrton Senna), só que poucos brasileiros de fato vêm aqui. É uma joia a ser descoberta, pois San Marino oferece um dos mais lindos cenários medievais de toda a Europa. San Marino é atualmente a república mais antiga do mundo. Estabelecida em

Berat, Albânia: A cidade das mil janelas

Berat é uma cidade estonteante, tanto pela beleza cênica quanto por sua tamanha autenticidade. Ela é das cidadezinhas mais bonitas de toda a Europa (embora seja desconhecida até mesmo dos europeus, que pouco sabem sobre a Albânia, como comentei antes aqui.) Berat foi a minha cidade favorita no país.  Fundada pelos gregos antigos nos idos de 600 a.C., Berat foi posteriormente usada pelos romanos e, em seguida, pelos bizantinos ou romanos do oriente (de Constantinopla). Sua fortaleza no alto de uma colina provia a defesa do lugar, com uma cidadela fortificada lá em cima onde as pessoas viviam. Ao longo da

Gjirokastër, a cidade de pedra nas montanhas da Albânia

Quando o nosso ônibus aproximou-se de Gjirokastër, achei que estávamos inesperadamente adentrando algum cenário de O Senhor dos Anéis. As montanhas ao fundo eram altas e com picos cobertos de neve. À frente, campos entrecortados por riachos azuis, onde às vezes havia ovelhas pastando. A chuva caía, dificultando a visão, mas mesmo assim era possível divisar algo. Gjirokastër (o ë tem um som quase de A em albanês, e os albaneses às vezes a chamam de Gjirokastra, do original em grego medieval Argyrokastron, ou "castelo de prata") é conhecida hoje na Albânia como "a cidade de pedra", pelas suas edificações em rocha.  Entocada

Prizren, a cidade mais charmosa de Kosovo

Ônibus a todo momento levam você de Pristina, capital de Kosovo, até Prizren, sua cidadezinha mais charmosa. É pouco mais de 1h de viagem. Quando cheguei, a chuva que já havia me pegado em Pristina me pegou de novo. Estávamos em março, mês ainda de inverno mas já não tão frio — coisa de seus 10 graus e chuva. Prizren não é um vilarejo, mas uma cidade de porte médio — para os padrões europeus — com quase 200.000 pessoas. Ainda assim, tem um centro com ar de cidade pequena, onde um riacho passa no meio. A cidade existe desde o tempo antigo dos

Ohrid e seu lago na Macedônia: Os Bálcãs e suas belezas

Os Bálcãs, aquele recanto no sudeste da Europa (entre a Itália e a Turquia), são uma das regiões mais fascinantes do continente e das menos visitadas por brasileiros. Esta é a região mais pobre de toda a Europa, mas também uma daquelas de maior personalidade. Se por um lado há uma certa decadência na infraestrutura física de alguns lugares, por outro há as belezas de que pouco se escuta, há as pessoas de jeito mais maroto (às vezes um pouquinho malandro), e a gastronomia de influência turca. Eu, quando cheguei a Skopje, capital da Macedônia, acreditei que iria me deparar com blocos de refugiados sírios fazendo

Novi Sad, a capital do amor, e minhas andanças pela Sérvia

Novi Sad é a cidade mais bonita da Sérvia. Assim dizem todos, e eu concordo que ela é mesmo mais charmosa que a capital Belgrado. Estamos falando de uma cidade de médio porte no norte do país, quase na fronteira com a Hungria, também banhada pelo Rio Danúbio e dotada de bela arquitetura típica da Europa Central. (Aos meus compatriotas pouco familiarizados com essas designações europeias, a Europa Central abarca Alemanha, Áustria, Suíça, Rep. Checa, Eslováquia, Hungria, Polônia, e toda essa região da Europa que foi por séculos parte do Sacro Império Romano-Germânico e, posteriormente, sofreu influência do Império Austro-Húngaro. Esses países compartilham muitos

Kyrenia (ou Girne) e o Chipre do Norte

Girne (como a chamam os turcos) ou Kyrenia (como a chamam os gregos) é uma cidade no norte de Chipre. A cidade fica inteiramente no território independente do Chipre do Norte, uma república auto-proclamada e só reconhecida pela Turquia. Na prática, é um outro país. Nicosia, a capital para ambos os Chipres, segue dividida à là Berlim na época do muro (vê-la aqui no post anterior). Já Girne é integralmente turca, de modo que você teria dificuldade em perceber que está num país que não é a Turquia. (Mais sobre a divisão entre os países no meu post de estreia em Chipre,

Visitando Byblos (Líbano), a antiga cidade dos cruzados

Byblos, no Líbano, é um dos mais antigos sítios continuamente habitados no mundo. Estima-se que desde 5000 a.C. há povoamentos humanos aqui. Imagina-se que ao longo do segundo milênio antes de Cristo este lugar tenha sido uma colônia e ao mesmo tempo um entreposto comercial dos egípcios antigos. Quando por volta de 1200 a.C. o Egito se enfraquece é que o povo daqui, que os gregos chamariam de fenícios, emergem como uma potência marítima. Byblos, assim como Tiro, Sidon e outras cidades antigas, eram centros comerciais dos fenícios, que percorriam o Mar Mediterrâneo em toda a sua inteireza (até a Espanha!) estabelecendo

A Núbia ontem e hoje: Entre os negros do Egito

Essa senhora é egípcia. Embora não estejamos habituados a pensar nos egípcios como negros, muitos deles são, sobretudo aqui no sul do país. Há um debate muito grande sobre a real aparência racial dos egípcios antigos. A Europa e os Estados Unidos, sabendo da grandeza da civilização egípcia antiga, sempre os identificaram como brancos amorenados (afinal, partiram do princípio que negros jamais teriam sido capazes de fazer algo tão grandioso). Isso, curiosamente, tem influência até hoje, em que nos EUA se você for de origem norte-africana ou turca, você é classificado no censo como branco — e vocês sabem que classificação racial

Sousse, Tunísia: Uma cidade medieval árabe hoje

Sousse, na costa central da Tunísia, é uma das cidades mais interessantes do país a visitar — senão a mais interessante de todas. Isto é verdade especialmente para quem gosta de coisas antigas, e quer ver uma cidade medieval árabe hoje. Costumamos pensar sempre em Idade Média europeia, aquela coisa dos cavaleiros de armadura e os castelos de pedra sobre a montanha. Muito disso é compartilhado por outros povos e civilizações, mas muito também é diferente. Aqui no norte da África, nessa estreita faixa de terra apertada entre o Mar Mediterrâneo e o Deserto do Saara, os árabes na Idade Média chegaram

Sidi Bou Said (Tunísia): Às margens do Mar Mediterrâneo, no lado africano

No dia seguinte à minha ida às ruínas de Cartago, eu voltaria a tomar o trem metropolitano TGM na mesma direção, desta vez para ir a Sidi Bou Said, um vilarejo um tanto pitoresco na beira-mar tunisiana. Eu queria conhecer o Mar Mediterrâneo neste lado de cá, da África. Sidi Bou Said fica no fim de linha do TGM, a uns 40 minutos da capital Túnis. É um vilarejo todo em azul e branco, como as ilhas gregas, mas neste caso com casinhas tradicionais árabes do século passado. As casinhas se parecem com aquelas de bairro de cidade do interior. Há ruelas de calçamento em pedra,

Chiang Rai e o fabuloso templo branco “pop” Wat Rong Khun

Veja se o templo não parece saído de alguma fábula, encantador e ao mesmo tempo misterioso. O Wat Rong Khun, mais conhecido como "o Templo Branco", é o trabalho ainda em andamento de um artista tailandês contemporâneo, Chalermchai Kositpipat. Misturando elementos budistas e da cultura pop (você verá), esse senhor daqui da cidade de Chiang Rai diz que seu projeto só será concluído em 2070. Deve estar querendo ser o Gaudí asiático, cuja obra na Sagrada Família segue ainda décadas após a sua morte. 
Estamos no extremo norte da Tailândia, a poucas horas de viagem de Chiang Mai. Chiang Rai é

Stromboli e as Ilhas Eólias, no sul da Itália

O sul da Itália tende a ser tão associado à máfia que poucas pessoas no Brasil sabem do seu lado romântico e aconchegante. Poucos de nós vêm à Itália e visitam suas ilhas, mas são muitas delas aqui, um pouco similares às gregas, tipicamente mediterrâneas, e com um aroma italiano. 
De Taormina, facilmente organizam-se tours de barco pelas chamadas Ilhas Eólias, um pequenino arquipélago ao norte da Sicília. É pra quem busca tranquilidade e lindas vistas do mar. 
Pra quem gosta de aventura — e de mitologia grega — vale fazer um passeio específico ao entardecer ao redor do vulcão de Stromboli, uma das ilhas. Ele

Taormina e o Monte Etna, na Sicília

Estamos em Taormina, provavelmente o lugar mais cobiçado de toda a Sicília. Cá nas alturas à sombra do Monte Etna, entre o indomável vulcão e este belo mar, temos um agradável vilarejo italiano (pra lá de turístico) onde as pessoas vêm experimentar um pouco da dolce vita. 
As vistas são estonteantes. O charme do vilarejo é aquele clássico do interior italiano. E a comida, você vai precisar driblar uns horríveis lugares pega-turista, mas é possível achar delícias maravilhosas. Só recalibre um pouco o orçamento, pois sendo tão turística, as coisas aqui em Taormina são um tanto mais caras que noutras partes

Noto (Sicília), uma explosão de barroco italiano pra você

Noto é uma pequenina cidade italiana na Sicília que é toda de uma cor. Pensadores italianos do passado a chamaram de "jardim de pedra". Esse tom de areia está por todas as edificações, e resplandece lindamente à luz do sol. É resultado de um terremoto, que destruiu a cidade medieval em 1693 e a fez ser toda reconstruída assim, em estilo barroco siciliano. Todo o centro da cidade está tombado como Patrimônio Mundial reconhecido pela UNESCO. 
Noto está a uma viagem curta de Siracusa. Vale a pena vir de manhã para passar o dia. Em bom estilo Mediterrâneo, e ainda mais

A Sicília! Bem vindos a Siracusa, no extremo sul da Itália.

Bem vindos à Sicília, o ápice da Itália! Acontece de albergar o mais alto pico italiano (o Monte Etna, vulcão de 3.329m), mas não é a isso que me refiro. Refiro-me àquelas muitas coisas que nos remontam à Itália — arte, antiguidade, delícias gastronômicas, gente passional, e um pouquinho de máfia. Tudo isso se acha elevado ao quadrado aqui na Sicília. Perguntei-me porque o turismo brasileiro inclui tão raramente a Sicília. A resposta só pôde ser a sua localização geográfica, cá no extremo sul da Europa, e os brasileiros sempre tentam aproveitar pra ver várias cidades de interesse ao mesmo tempo. É compreensível,

Visitando Granada e os jardins e palácios de Al-Hambra

"Granada, tierra soñada por mi...", imortalizaram os tenores. 
E Granada é realmente um sonho. Não entendo por que demorei tanto a visitá-la. Albergada a 700m de altitude na Sierra Nevada no sul espanhol, Granada foi o último reino muçulmano da Espanha. Preservaram-se aqui lindos símbolos dos 800 anos de presença árabe, e a cidade hoje é uma fofura, de médio porte mas com aquele ar de cidadezinha de montanha. Mais importante, aqui deixaram o magnífico complexo palaciano de Al Hambra ("A Vermelha"), sinceramente um dos monumentos mais impressionantes que há para visitar no mundo. 
Mas primeiro, caso você não conheça a lendária canção de

Córdoba, sua catedral-mesquita e a linda herança moura de Al-Andalus

"A Catedral-Mesquita por si só já faz valer a pena visitar Córdoba", disse-me certa vez uma amiga italiana. À época achei ligeiramente exagerado, até visitar. 
A Catedral-Mesquita de Córdoba recentemente foi objeto de uma disputa entre o município e a Igreja Católica romana. A Igreja Católica perdeu. O município alegou que a catedral-mesquita não tem dono, é patrimônio da humanidade como reconhece a UNESCO. É muito mais do que um templo, é um pedaço de história de mais de mil anos diante dos seus olhos. 
Córdoba era talvez o mais importante centro cultural e econômico da Europa por volta do ano 1000. Sob

Ollantaytambo e o Vale Sagrado dos Incas

O vale do Rio Urubamba, mais conhecido como o Vale Sagrado dos Incas, recorta a porção sudeste dos Andes peruanos, onde as montanhas já começam a se aproximar da Amazônia. Ainda não há, é claro, traços da exuberante selva que se encontra quilômetros mais adiante; mas tampouco há a secura do oeste peruano. Aqui, neste vale, os incas cultivaram milho desde muito antes da chegada dos espanhóis. Outros indígenas já o faziam muito antes da chegada dos incas aqui.  
O vale é uma riqueza de visuais, com paisagens naturais magníficas pontuadas por vilarejos de origem inca aqui e ali. O Rio Urubamba

Arequipa e a notável culinária peruana

Esta é a praça central de Arequipa, sua Plaza de Armas, de arquitetura colonial espanhola. Arequipa é a segunda maior cidade do Peru (após a capital, Lima), e a cidade-natal de Mario Vargas Llosa, um dos Prêmio Nobel de literatura da América do Sul. Arequipa é também a melhor cidade do Peru em termos de gastronomia — os limeños que esperneem o quanto quiserem, mas é verdade. Passei 3 dias aqui, o que me pareceu suficiente. Cheguei após a tortuosa viagem de ônibus desde Puno (ver Emoções de ônibus no interior do Peru), às margens do Lago Titicaca e da fronteira com a Bolívia

Estrasburgo, a Capital do Natal

Este é um post especial de Natal e bastante visual. Na minha experiência tendo visitado até agora 35 países europeus, Estrasburgo é uma das mais belas cidades do continente. Uma cidade que muitos brasileiros, devido ao seu nome alemão, sequer sabem que é francesa, e que — às margens do Rio Reno, na fronteira entre a França e a Alemanha — tem mesmo um ar germânico. Tirarei um momento posterior para falar da sua importante história e mostrar a sua linda herança como divisora de águas de dois mundos europeus, o francês e o germânico, mas hoje eu falarei exclusivamente da época em que Estrasburgo

Maastricht (Holanda) e a curiosa igreja transformada em livraria (com café)

Se, como escreveu São João evangelista, no princípio era o Verbo e o Verbo era Deus, então estamos aqui diante de uma bela manifestação divina. Preparem-se para uma das livrarias mais originais do mundo, no animado sul holandês. 
Estamos no extremo sul da Holanda, em Maastricht. Aqui nesta cidade nasceram a União Europeia e o euro. Sua escolha para a assinatura dos acordos de 1992 — o chamado Tratado de Maastricht — certamente não foi acidental; aqui, neste rabinho sul da Holanda já espremido entre a Alemanha e a Bélgica (e pertinho da França), a cidade adquire um ecumênico espírito cosmopolita europeu. A maioria de

Pelas ruas de La Paz: Centro histórico, Mercado das Bruxas, e as comidas da Bolívia

La Paz oferece uma genuína mistura de cultura indígena e colonização espanhola. Apesar dos pesares que observei no post anterior, a cidade tem uma série de pontos interessantes a ver — e comidas típicas a experimentar (a Bolívia é um dos poucos países do mundo onde não existe McDonald's!).  O centro histórico de La Paz, ainda que suas ruas estreitas e íngremes façam você se sentir emboscado quando passa um ônibus lançando fumaça preta no ar e eliminando o pouco oxigênio disponível aqui a 4.000m de altitude, tem um casario colonial bonito, e praças legais de ver. Prepare-se para os pombos.  Duas observações. La

Quimper e a Bretanha francesa: Terra dos crepes e da sidra

Calma, não se confunda. Eu sei que isso chocará a muitos brasileiros, mas a Bretanha fica na França. Não a confunda com a Grã-Bretanha, a ilha que abarca a Inglaterra, o País de Gales, e a Escócia, mais ao norte. O nome comum provém dos povos bretões, uma tribo celta da atual Grã-Bretanha e que, após as invasões romanas na época de Cristo, migrou para esta ponta noroeste da França que viria a se chamar Bretagne em francês — ou Bretanha em português. Já foi também chamada de "Pequena Bretanha", pra a distinguir da Grã-Bretanha. 
A Bretanha tem uma forte personalidade regional. (Talvez a maior

Gouda (Holanda), a cidade do queijo

"No se confían. Políticos, no se confían.", ouvi a latino-americana dizer ao seu filho ao meu lado, crente que eu não estava entendendo. Certamente tomou-me por árabe, já que há muitos aqui e graças à minha barba. O garotinho havia avistado a contra-capa do livro de Noam Chomsky que eu lia à luz do sol à janela do trem. 
Íamos de Amsterdã a Gouda, cidadezinha no interior da Holanda. Lá nasceu o queijo de mesmo nome, um dos mais famosos do mundo, e que eu resolvi ir conferir no local de origem. Este é também o primeiro post que faço sobre

Na Baía de Kotor, Montenegro

A Baía de Kotor, também conhecida por "Boka", é um dos lugares mais lindos que já vi na Europa, e acho que o maior destino do pequeno país de Montenegro. 
Calma, não se resume a esse cenário aí acima com ar de "Idade das Trevas". Montenegro é um país humilde, separado da Sérvia em 2006, pobre, sem luxos, sem nem moeda própria, onde as estruturas portanto estão assim mais "cruas" (o que tem seu lado positivo pela autenticidade...), mas ultra-barato e de lindas paisagens naturais. Abaixo a Baía propriamente dita, onde fica este antigo vilarejo de Kotor. 
Aqui me meti para esta

Dubrovnik (Croácia), uma das mais belas cidades da Europa

Parece computação gráfica, mas é real. A cidade da antiga república independente de Ragusa hoje se chama Dubrovnik, cidade croata na costa do Mar Adriático. Aqui se filmam episódios da série Game of Thrones (as cenas da capital fictícia de King's Landing). Mas mesmo se você não assiste à série, verá por que a cidade é utilizada como cenário de fantasia medievalesca. 
Dubrovnik é uma cidade linda, épica. Atrai turistas como formigas, sobretudo no verão, e ao chegar aqui você entende o porquê. Antes de vir eu estava meio intimidado, tanto pelos preços altos (nível Paris, Amsterdã) quanto pelo enxame de gente

Visitando Sarajevo, Bósnia (Parte 2): A linda herança turca e os charmes da cidade

A fama mundial da Bósnia e de Sarajevo como lugares sofridos marcou a imagem que as pessoas fazem daqui, desde a Guerra dos Bálcãs dos anos 1990. Não é uma imagem falsa; há mesmo muito de uma realidade triste que deixou marcas na vida de muitas pessoas, como na infraestrutura que permanece degradada e marcada por buracos de bala na periferia da cidade. Já comentei dessa parte no meu post anterior, com a minha chegada à cidade.  
O que as pessoas desconhecem de Sarajevo é o seu outro lado, mais antigo, bem preservado, bonito, e que faz dela uma das mais

Bósnia e Herzegovina: Bem vindos à linda cidade de Mostar

A Bósnia é um país complicado. Mas vos digo: é um país lindo, de natureza deslumbrante, cultura impressionante do sudeste europeu que você pouco conhece, e é talvez o país mais subestimado de toda a Europa. 
Bósnia e Herzegovina é um país só, da famosa capital Sarajevo. "Bósnia" e "Herzegovina" eram regiões administrativas medievais (principados, ducados), habitadas sobretudo por povos eslavos, administrados pelo Império Bizantino e, mais tarde, pelos Turcos Otomanos (1463-1878). Não será sua surpresa, portanto, vir saber que a maioria dos bósnios são muçulmanos. Desafiarão seus estereótipos de achar que todo muçulmano tem cara de árabe, pois aqui eles

Veraneio nas ilhas e costa da Croácia: Hvar, Trogir e mais

Esta é a vista de um restaurante numa das centenas de ilhas na costa da Croácia. As vistas aqui são de acalentar o coração. É verão na Europa, e com ele milhares de turistas vêm visitar os litorais quentes do sul do continente. Portugal, Espanha, França e Itália fizeram fama no século passado com tradicionais destinos badalados por celebridades (Ibiza, Cannes, entre outros). Hoje, no entanto, digo que a costa mais popular e "revelação" neste século XXI na Europa é, sem dúvidas, a da Croácia. 
Membro da antiga Iugoslávia no leste europeu (junto com Sérvia, Bósnia, Eslovênia, Montenegro, Kosovo e Macedônia), a Croácia

Split, Croácia: Beleza e legado romano na Dalmácia

Você sabe o que é um dálmata, mas provavelmente nunca se perguntou de onde vem o nome. Pois bem, dálmata é algo ou alguém originário da Dalmácia, até raça de cachorro. O nome foi dado pelos romanos à província que hoje é o sul da Croácia. É o que fica a leste da Itália, do outro lado do Mar Adriático. Estes antigos domínios romanos guardam ainda edificações da antiguidade e talvez o melhor preservado palácio romano do mundo, o Palácio de Diocleciano, do século IV, aqui em Split. (E você aí imaginando que todas as ruínas romanas ficavam na Itália, hein?) 
Split, como

Sorrento, bela cidadezinha costeira no sul da Itália

Sul da Itália. Costa Sorrentina e Costa Amalfitana, das áreas de resort mais tradicionais de toda a Europa. A poucas horas de Nápoles, não faltam aqui mansões nas encostas, vinhedos, plantações costeiras de limoeiros para fabricação do licor tradicional aqui da região da Campânia, o limoncello — e, é claro, não faltam também belas vistas pra o mar. Sorrento é uma das mais famosas dentre outras cidadezinhas que pontuam esta parte da Itália, como Amalfi, Positano, e a ilha de Capri. 
Se você não conhece a famosíssima canção napolitana Torna a Surriento, é hora de preencher esta lacuna. A canção é de 1902, e

Crônicas da vida numa pensão em Mérida, Yucatán, interior do México

Estamos em Mérida, capital do estado mexicano de Yucatán, no caribenho sul do país. Aqui eu passaria algumas semanas a trabalho — mas um trabalho sossegado, quase digno dos livros de Gabriel Garcia Márquez, tomando aquelas brisas vespertinas a soprar do Mar do Caribe, e conhecendo figuras que eram reais personagens. Quem eu mais via na pensão onde me instalei em Mérida era Joel, o faz-tudo neto da senhora gerente. Joel nunca soube o meu nome. Se soube, nunca o usou. Joel é um rapaz baixinho, de cara arredondada, do tipo risonho pouco atento, que parece estar sempre metade aqui e metade em

Na Península de Yucatán, Terra dos Mayas: Visitando Chichén Itzá e região

Cá estou, na terra onde há 4.000 anos vive aqui o povo indígena Maya. Esta é a Península de Yucatán, sudeste do México, cerca dos países centro-americanos Guatemala e Belize. Em muitos aspectos, os Mayas foram a civilização pré-colombina mais avançada. Eram excelentes astrônomos, matemáticos (tinham o zero, que os romanos não tinham e que os europeus só aprenderiam depois, com os números arábicos que usamos até hoje), tinham um calendário complexo, e tinham escrita em hieróglifos, como os egípcios antigos, mas estes de cá nunca foram inteiramente decifrados. 
Entretanto, caso você creia que os Mayas sumiram tal qual os antigos

Zagreb (Croácia) e o Museu dos Relacionamentos Partidos

Bem vindos a Zagreb, a capital croata. Uma cidade simples, mas bonita e rica em história. Ao contrário da costa da Croácia, que atualmente recebe enxames de jovens festeiros de toda a Europa e parece funcionar na base do turismo, a capital é autêntica: uma cidade de croatas e para os croatas. Isso significa preços mais baratos e maior contato com o povo local. 
Para quem está perdido, a Croácia fica a leste da Itália. A costa praieira no sul lembra o lado italiano, mas aqui o norte do país lembra mais as suas origens centro-europeias como parte do Império Austríaco.

Ljubljana, Eslovênia: Da birita de mel à Ponte do Dragão

Poucos brasileiros sabem localizar a Eslovênia no mapa, e menos ainda a incluem em seus roteiros de viagem. Um erro. Ljubljana [lê-se Liubliana], a capital eslovena, é uma das cidadezinhas mais charmosas da Europa. Não tem o glamour ou a fama de Paris ou Viena, mas tem bem menos turistas — e, por isso, oferece uma experiência bem mais autêntica, na qual você pode interagir com as pessoas, sentir tranquilamente os locais, e sossegar. Uma pequena joia que está aos poucos caindo no gosto dos demais europeus. 
Eu vim até cá para o réveillon, como já relatei (aqui). Mas fiquei devendo a minha

Bem vindos à Eslovênia: Réveillon em Ljubljana

31 de dezembro. Em vinte minutos o ônibus me trouxe de Trieste na Itália até Sežana, na Eslovênia. A natureza é idêntica, mas a atmosfera humana muda completamente. Os eslavos em geral são muito mais discretos que os italianos, e isso de certa forma reflete no ambiente. Além disso, as pessoas nos antigos países comunistas têm uma postura mais humilde, sobretudo os de mais idade, e isso se percebe na vestimenta simples e até na linguagem corporal.  
As ruas são muito mais quietas, e tudo parecia dominado por uma serenidade invernal. Não vi alvoroços de grupos de jovens onde cada um tentava aparecer

Luxemburgo, um país que você desconhece

Pra mim, até agora a solução da equação França + Alemanha + bancos e muito dinheiro era sempre "Suíça". Mas agora aprendi que Luxemburgo também é uma resposta válida. Este pequenino país — menor que metade do estado de Sergipe — está espremido entre a França, a Alemanha e a Bélgica (que por sua vez já é uma boa mistura de França com Holanda). Quase sempre passa despercebido no mapa, mas Luxemburgo está no topo de muitos rankings socioeconômicos, e tem das maiores rendas per capita do mundo. Ou seja, podre de rico. Aqui estão sediados muitos bancos e empresas atraídas pela política fiscal macia

Edição especial numa terra Pataxó: Em meio aos índios em Porto Seguro e Coroa Vermelha

Dança com Lobos (1990) e O Último Samurai (2003) são filmes de narrativa simples, mas de profundo significado: um homem deixa a sua sociedade habitual e acaba convivendo com aqueles que vivem de um outro modo. "A way of life", é o nome da música-tema d'O Último Samurai, e não por acaso. Em ambos os filmes, os personagens acabam encontrando naquela nova sociedade muito do que já não encontravam nas suas. 
Este ano fui agraciado com trabalhos aqui no Brasil, entre eles um projeto com os índios Pataxó, no sul da Bahia. Perto da conhecida Porto Seguro há mais de 800

Koprivshtitsa, uma cidade histórica no interior da Bulgária

À beira da estrada, prostitutas faziam sinal de carona, em plena luz do dia. Era final de semana. Rumávamos a Koprivshtitsa. (Boa sorte a você tentando pronunciar; eu custei a aprender). Koprivshtista é uma vila muito bonitinha e de grande relevância histórica no interior da Bulgária. Foi a última etapa da minha viagem, onde teríamos o aniversário de um amigo dos meus amigos. Prometiam-nos uma festa típica, daquelas em casa de madeira do século XIX, mas depois eu digo o que foi que eu tive... 
Naquele dia eu acordei ainda em Veliko Tarnovo, 5h da manhã, e andei no escuro até

Bulgária medieval: Indo à capital histórica Veliko Tarnovo

Bem vindos a Veliko Tarnovo, a antiga capital do Segundo Império Búlgaro (1185-1396). Boa pra quem curte História e que vem à Europa querendo ver coisas da Idade Média e cidadezinhas de visual mais tradicional. Menor, mais bonita e mais aconchegante que Sófia, e visita indispensável na minha opinião. É cheia de ruas com casas tradicionais da arquitetura búlgara, tem castelo a visitar, e de quebra uma paisagem deslumbrante. Não eram ainda 6h da manhã quando acordei na casa dos novos amigos que me albergaram. Saí à francesa. O mau de dormir na sala é que nunca dá pra se retirar

Chegando a Plovdiv, no leste da Bulgária

Estamos na segunda maior cidade da Bulgária (atrás apenas da capital, Sófia). Seis a sete horas separam Istambul daqui. Eu não acho que muitos brasileiros façam esse trajeto. Ao que turcos, búlgaros, e turistas europeus e norte-americanos passaram rapidamente pela imigração terrestre, eu fiquei para trás com os policiais — que pareciam nunca terem visto um passaporte brasileiro. Checavam no sistema se havia mesmo isenção de visto (como há). Basicamente, todos descem do ônibus e passam a pé por um portãozinho lateral e por uma saleta onde os passaportes são inspecionados. Uns 10 minutos depois, me liberaram. Logo antes de cruzar

A Caverna do Apocalipse na Ilha de Patmos

"Eu, João, vosso irmão e companheiro nas tribulações, na realeza e na paciência em união com Jesus, estava na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Num domingo, fui arrebatado em êxtase, e ouvi, por trás de mim, voz forte como de trombeta" (Apocalipse, 1: 9-10) Não era domingo, mas já eram 22h quando eu me encontrei no ferry saído de Syros. Era daqueles grandes, que levam carros, e novamente eu não tinha lugar de dormir. Circulei pelos corredores, havia restaurantes e tal, vesti o casaco e me deitei num pranchado de madeira no

Syros: tranquilidade numa ilha grega quase sem turistas

Terminada a minha estadia em Santorini, era hora de conhecer ilhas menos turísticas da Grécia. Hora de ver que nem todas as ilhas gregas são sinônimos de casinhas brancas contrastando com o mar azul. Há outras belezas no país. Eu rumava agora para a ilha de Syros, relativamente muito pouco visitada por turistas, e dali seguiria a Patmos (onde, segundo a tradição, João escreveu o Livro do Apocalipse, da Bíblia), e terminaria esta estadia na Grécia com Samos, a ilha onde o filósofo Pitágoras nasceu, antes de rumar à vizinha Turquia. Eu cheguei a Syros já nos meados da tarde, vindo de Santorini

Santorini, a rainha das ilhas gregas

Pense na Grécia. Se você não imaginou ruínas da Antiguidade (ou a crise econômica), o mais provável é que tenha pensado em casinhas brancas junto ao mar azul. Pois é, isso é Santorini. Santorini é talvez a mais clássica das ilhas gregas, aquela aonde você não pode deixar de ir. Muita gente pensa que todas as ilhas gregas têm esse jeitinho de casas brancas e telhados azuis, mas esse não é o caso. Apenas este grupo de ilhas, as chamadas Cíclades,  entre Atenas e Creta aqui no Mar Egeu, é que tem essa estética. E Santorini é a "rainha" delas, aquela aonde

A Ilha de Creta (Parte 2): Ruas de Rethymno, o café grego, e almoço em família

Essa é a vista "básica" pela janela do ônibus, de Chania a Rethymno, numa manhã na Ilha de Creta. No final daquela mesma manhã em que cheguei a Chania, meu ônibus chegou a Rethymno [RÉ-thymno], uma cidade maior, do oeste de Creta, a 1h de distância de Chania. Lá um almoço em família já me aguardava — não da minha própria família, mas quem viaja sempre tem muitas famílias. 
Rethymno, como muitas cidades gregas, é aquela mistura de asfalto e pedra, aquelas pedras cor de areia que reluzem sob o sol e doem a vista. O suor já me descia pelas têmporas quando saí da rodoviária

A Ilha de Creta (Parte 1): Chegando a Chania com o ferry noturno de Piraeus

Chegada era a hora de zarpar pelas famosas ilhas gregas. Passadas Atenas, o interior montanhoso da Grécia, e as ruínas do Oráculo de Delfos, a minha próxima parada era a Ilha de Creta. Talvez a mais famosa de todas as ilhas gregas — e de longe a maior delas. Fica lá bem no sul da Grécia, e é a terra mais ao sul em toda a Europa (mapa abaixo). De Atenas a Creta é uma noite no navio. Acreditem: primeira vez que eu viajo de navio. Já estava na hora mesmo de incluir esse meio de transporte no meu currículo. Fui ao

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