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Bordejos em Katmandu, Nepal: Templos, ruas loucas, e cultura tibetana

Olhe o horizonte. Calma, não se assuste demais com a muvuca das ruas. Estamos no Nepal, um dos países mais pobres da Ásia, mas também um dos mais belos. Pobreza e beleza estão aqui lado a lado. Aqui fica o famoso Monte Everest, maior montanha do mundo (a 8.848m); há lindas paisagens tanto rurais quanto naturais; e há ricas e milenares culturas dos Himalaias, a mais elevada cordilheira de montanhas da Terra. O Nepal acontece de ser onde o Buda nasceu (em 563 a.C.), e estando estrategicamente posicionado entre a Índia e o Tibet  (este atualmente na China) o Nepal também tem

Crônicas em Samoa, Oceania: A chegada

PRÓLOGO: Num avião para Samoa Pai, eu pequei. Pequei o pecado da chamada "gordofobia", termo que tem sido utilizado para denotar a discriminação social contra pessoas gordas. No meu caso, foi literalmente uma fobia: eu via as pessoas enormes espremidas em seus assentos no avião, e conforme os pesados samoanos aproximavam-se, às vezes de ladinho pelo corredor do avião, eu numa daquelas adoráveis poltronas de que ninguém gosta, bem no meio, nem corredor nem janela, rogava para não viajar espremido. Quatro longas horas de voo ainda me separavam de Apia [lê-se a-pía, não ápia], a capital de Samoa. Acho que uma mulher samoana

Bordejos em Paris na primavera (Parte 1): Conhecendo lugares mais famosos (Arco do Triunfo, Torre Eiffel, e Champs Elysées)

"É primavera. Te amo." Tim Maia não compôs a canção aqui em Paris, mas poderia tê-lo feito. Paris, apesar de todos os pesares e riscos dos últimos tempos, ainda é uma das cidades mais elegantes, charmosas e românticas do mundo. Na primavera então, tudo isso se acentua. Verdade seja dita, eu não sou um desses apaixonados por Paris, mas reconheço o charme da cidade e respeito a sua sólida tradição cultural e intelectual. Aliás, não só respeito, como gosto. No entanto, é preciso reparar que Paris não é exatamente aquele mundo de sonhos que os mais entusiastas pintam. Você abre um livro de

Belgrado, Sérvia: Cristãos ortodoxos entre os mundos austríaco e turco

A Sérvia é aquele país europeu de que quase todos os brasileiros já ouviram falar, mas que pouquíssimos de fato conhecem. Figuras carismáticas como o tenista Novak Djokovic e o nosso futebolista Petkovic (o "Pet") ajudam a balancear a imagem ruim que o país teve nos anos 90 com os massacres na Bósnia e a guerra em Kosovo. Mesmo assim, a Sérvia ainda é talvez o país mais controverso da Europa, e o maior a estar circundado pela União Europeia mas não fazer parte dela. Eu cheguei para uns dias neste fim de inverno europeu em Belgrado, a capital. Esta era a capital também

Coisas de Barcelona: Sagrada Família, obras de Gaudí, e noites na rua

Barcelona tornou-se uma das sensações da Europa (e do mundo) nos últimos tempos. Uma cidade descolada, animada, e muito diferente do espírito monarquista da Espanha. Aliás, uma cidade diferente de toda aquela Europa tradicional. Barcelona representa a nova Europa: da União Europeia, do multiculturalismo liberal, e dos jovens festeiros que não querem nada com o conservadorismo da Europa de outras eras que você costuma imaginar. Eu cheguei a Barcelona para o início do que seria uma jornada solitária de 4 meses, uma volta ao mundo que me levaria daqui ao norte da África, ao Oriente Médio, a países da Ásia ainda

Irlanda: Primeiras impressões, regadas a música celta e dança irlandesa

"Good afternoon! How're you?", me perguntou a voz rápida e automática de uma das aeromoças (aerocoroas seria mais apropriado) da Aer Lingus, que mais pareciam as versões modernas das Bruxas de Salem, agora trabalhando na cia aérea nacional irlandesa. O nosso capitão mui irlandês se chamava John O'Connor, nome de protagonista de filme de ação (quase John Connor, o personagem de Exterminador do Futuro). Uma hora e meia depois da decolagem em Amsterdã, chegávamos a Dublin, a simpática capital da República da Irlanda. Um branco gordão, careca e com atitude de ogro — que parecia já saturado do que estava fazendo e nem olhou pra

Réveillon em Bangkok! Bem vindos à Tailândia, a terra da libertinagem

Não é todo dia que eu viajo pra encontrar "camisinha" listada no cardápio do serviço de quarto do hotel, quarto triplo com uma cama só, ou banheiro com uma porta extra estratégica ligando a banheira ao quarto. Não, não é motel, isso é Bangkok. 
Bem vindos à Tailândia, um dos países mais belos e simpáticos do mundo. Digo-lhes isso já tendo visitado mais de 60 deles. Gastronomia fabulosa, lindas praias e templos budistas, gente calorosa e, como você talvez já saiba, seguramente o país mais liberal e libertino do mundo em matérias de gênero e sexo. Comparado à Tailândia, o Ocidente

A Sicília! Bem vindos a Siracusa, no extremo sul da Itália.

Bem vindos à Sicília, o ápice da Itália! Acontece de albergar o mais alto pico italiano (o Monte Etna, vulcão de 3.329m), mas não é a isso que me refiro. Refiro-me àquelas muitas coisas que nos remontam à Itália — arte, antiguidade, delícias gastronômicas, gente passional, e um pouquinho de máfia. Tudo isso se acha elevado ao quadrado aqui na Sicília. Perguntei-me porque o turismo brasileiro inclui tão raramente a Sicília. A resposta só pôde ser a sua localização geográfica, cá no extremo sul da Europa, e os brasileiros sempre tentam aproveitar pra ver várias cidades de interesse ao mesmo tempo. É compreensível,

Málaga e um panorama geral do sul da Espanha, a Andaluzia

O sul da Espanha é a minha região favorita do país. A maior parte dos turistas brasileiros se limita a visitar Madrid e Barcelona (às vezes, Zaragoza e Bilbao a caminho da França), mas a Andaluzia pra mim reserva dos elementos mais interessantes da Espanha. 
Aqui é a terra do flamenco, de cidades medievais lindas como Granada e Sevilha, e da presença mais pronunciada de toda a herança moura no país. (Para os que perderam essa aula de História, a Península Ibérica foi tomada pelos árabes, com exércitos também de berberes [nativos do norte da África], no ano 711 e teve reinos muçulmanos

Santiago do Chile: Cerros, charme, tango e “café con piernas”

Santiago é uma cidade agradável, que me lembra uma versão meio montanhosa de Curitiba, e com pontos histórico-culturais importantes a conhecer. Tem aquele jeito do Sul do Brasil na atmosfera e no jeito latino-porém-recatado das pessoas (se comparados aos colombianos ou aos nordestinos, por exemplo). Aqui há o célebre Palacio de La Moneda, onde o presidente chileno Salvador Allende viveu as suas últimas horas durante o golpe do General Pinochet em 1973. Há um estupendo museu sobre os direitos humanos. Há coisas de Pablo Neruda e Gabriela Mistral (dois prêmios Nobel de literatura) com que se familiarizar. Há lindas colinas

Pelas ruas de Teerã: Aventurando-se no Irã/Pérsia

Cá estamos em Teerã, a capital iraniana de 12 milhões de habitantes. Última capital da Pérsia antes de ela mudar de nome para "Irã", e um dos grandes centros do Oriente Médio. Tráfego louco, mas boulevards bonitos e lindos jardins. Palácios persas de outrora lado a lado com prédios públicos onde figuram (por lei) as faces dos governantes da República Islâmica que o país se tornou desde 1979. Bem vindos ao Irã! Comecemos, devagar, por Teerã, que não é a melhor cidade iraniana a se visitar, mas é a capital e onde a minha aventura começou. 
Deixem-me dizer logo: as ruas

Mairon em Teotihuacán, no México

Teotihuacán, uma das mais impressionantes cidades antigas da Mesoamérica. Estamos no México, perto da capital. Teotihuacán é um sítio que precede até mesmo a cultura asteca. Trata-se das ruínas de uma antiga cidade indígena, datada do século I antes de Cristo. Diz-se que a cidade vingou ao longo de todo o primeiro milênio depois de Cristo, provavelmente com uma população de várias diferentes etnias indígenas da região. As ruínas estão surpreendentemente bem preservadas. As enormes pirâmides do sol e da lua continuam aqui, e é possível subir os seus íngremes degraus — o que eu fiz, mas não sem antes tomar uma

Praias Romenas 2: Farofa, nudismo e rock n’ roll

Depois de alguns anos, estamos de volta à Romênia. Ah, terra de tão interessantes praias! Não tanto pela praia em si, que no Brasil temos melhor, mas pela muvuca. E cada uma tem uma muvuca à sua maneira. 
Meu destino este ano foi a praia de Vama Veche [Véke], uma das mais badaladas e preferidas dos jovens alternativos na Romênia. Cheguei aqui após duas breve noites na cinzenta — porém interessante — capital romena, Bucareste. (Pra quem perdeu a minha incursão anterior a este país, vejam aqui). Não é o clima que é cinzento em Bucareste, mas os prédios, quase todos herdados da época comunista

Era uma vez em Madagascar: Antananarivo e região

Madagascar, eis a ilha de verdade, cujo nome muitos conhecem apenas pelos filmes de animação. Há quem a chame de "o oitavo continente", já que 90% da fauna e flora desta ilha (do tamanho de Minas Gerais) é endêmica e, portanto, só existe aqui. Já outros são mais poéticos, e chamam Madagascar de a "ilha do amor", como aquela clássica música do Olodum — que sempre ensinou mais de História e cultura da África ao Brasil que o nosso ensino escolar eurocêntrico (relembre aqui).  
A natureza aqui pode muito bem ser fruto do amor de Deus, mas a miséria social é obra clara da falta

Pra cá de Marrakech: Bem vindos ao Marrocos

34 graus. Um calor da moléstia em Marrakech, como o brilho na minha testa aí não esconde. Estamos no final do inverno marroquino. Entre um parágrafo e outro, espio as moçoilas — brasileiras e estrangeiras — tomarem banho na piscina do nosso albergue, um belo casarão mouro escondido no meio da medina. 
Quando você sai do aeroporto e pega o ônibus em direção ao centro, parece que está viajando pelo sertão nordestino. Tudo é seco e cheio de pedregulhos. As casas cor de telha são pobres e as calçadas, quebradas. O solão encandeia a sua vista e, no ônibus, você começa a suar.

Luxemburgo, um país que você desconhece

Pra mim, até agora a solução da equação França + Alemanha + bancos e muito dinheiro era sempre "Suíça". Mas agora aprendi que Luxemburgo também é uma resposta válida. Este pequenino país — menor que metade do estado de Sergipe — está espremido entre a França, a Alemanha e a Bélgica (que por sua vez já é uma boa mistura de França com Holanda). Quase sempre passa despercebido no mapa, mas Luxemburgo está no topo de muitos rankings socioeconômicos, e tem das maiores rendas per capita do mundo. Ou seja, podre de rico. Aqui estão sediados muitos bancos e empresas atraídas pela política fiscal macia

Banzai! Chegando ao Japão: Imigração e o Primeiro Dia

Bem vindos ao Japão! Há muitos anos eu queria vir pra cá, e finalmente a chance chegou. Estarei aqui durante quase um mês participando de um evento na Universidade das Nações Unidas esta semana, e passeando em seguida. Não faltam coisas a ver nem a contar. O que nestes primeiros dias eu já percebi é que o que a gente sabe sobre o Japão no Brasil é a mera ponta do iceberg. 38 graus devia ser a temperatura... da minha febre quando eu embarquei no avião. Peguei uma gripe em Amsterdã, das que sempre circulam naquela cidade molhada, depois de uma

Atenas, Grécia

É começo de outono aqui na Europa. Deixei 13 graus em Amsterdã, e 31 me aguardavam em Atenas. Era chegada finalmente a hora de conhecer a Grécia. Do avião já se vê o mar azul da Grécia. E não é que é azul mesmo? E bota azul nisso. Chega dói. Não me perguntem o porquê; deve ser alguma mistura da química da água com, talvez, o fato de que o céu aqui quase sempre está sem nuvens. Também há poucas algas, e isso interfere. Do avião também se veem muitas montanhas. Que Suíça que nada, é a Grécia o país mais

Indo morar na Indonésia: Primeiras impressões, do homem que NÃO sabia javanês

A Indonésia é séria candidata a ser o maior país do mundo que é semi-invisível aos olhos dos brasileiros. Se você parar alguém na rua, a resposta provável será "Já ouvi falar", e mesmo aqueles habituados ao turismo internacional dificilmente chegam aqui (durante toda a minha estadia de 6 semanas aqui, eu encontraria apenas um único conterrâneo). Claro, é longe pra caramba — do outro lado do mundo —, mas há também um elemento importante de desconhecimento. Pouco se conhece ainda no Brasil sobre esta maravilhosa terra que é a Indonésia, mas sempre é tempo. "Terra" talvez deveria estar entre aspas, pois

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