You are here
Home > Posts tagged "Comidas de rua"

Comidas típicas na Rússia: Está preparado?

A culinária russa não é mundialmente famosa. É difícil encontrar um restaurante russo em outro país, e duvido que muitos brasileiros — ou ocidentais em geral — conheçam muitos pratos russos além de strogonoff. (Inclusive, acho que o strogonoff hoje em dia é muito mais comum no Brasil que na Rússia. Só pra constar.)  Se há uma razão para a pouca fama da comida russa, eu suspeito que sejam sua simplicidade e despretensão. A gastronomia russa tem aquela cara de "comida de todo dia", o que talvez tenha sido particularmente reforçado durante os 70 anos de existência da União Soviética com o seu mantra

Naadam: Festival nacional e “Olimpíadas” da Mongólia

Todo ano, os mongóis se reúnem para celebrar a sua nação em grande estilo.  Esqueça as paradas militares e essas coisas já batidas. Na Mongólia, a celebração se dá com festejos musicais, comilanças, e competições esportivas tradicionais (arco-e-flecha, corridas a cavalo, luta-livre, e outros jogos seculares dos mongóis). O Festival Naadam, como os mongóis o chamam, são olimpíadas que ocorrem todos os anos país afora. As datas exatas variam, e cada comunidade organiza o seu, o maior de todos sendo naturalmente o da capital Ulaanbaatar — embora eu depois fosse experimentar também os de pequeninas comunidades do interior, que tem o seu charme

Szentendre, Hungria: A charmosa cidadezinha às margens do Rio Danúbio

Budapeste se tornou uma das mais visitadas cidades da Europa, mas pouca gente que vem à Hungria ainda vai além dela. A capital húngara pode ser linda, mas não é a única beleza que o país tem. Uma opção que visitei recentemente — da qual eu, confesso, nunca havia ouvido falar até um húngaro me recomendar — é Szentendre (lê-se SENnten-dré, e quer dizer Santo André mesmo), uma fofa cidadezinha a 40min de trem da capital. Eu vim aqui num dia chuvoso com amigos, e mesmo o cinza não foi capaz de tirar as cores da cidade. Sanctus Andreas é mencionada pela primeira vez

Taiti adentro: De Papeete às montanhas desta ilha vulcânica da Polinésia Francesa

O Taiti não é só mar, é também terra. Nestas ilhas, crescem matas, há montanhas, flores e caminhos interessantes pouco explorados. Aqui havia muita gente, mas a grande maioria — como em outros países da Oceania — morreu vítima das doenças trazidas pelos navegadores europeus e para as quais não tinham imunidade. Se os interiores das ilhas eram outrora habitados por muitas tribos, hoje a população se concentra quase que exclusivamente nos arredores das ilhas; no meio, restaram as montanhas, as florestas, e as ruínas ainda nunca escavadas do que eram as civilizações "pré-europeus" do Pacífico. Eu havia pernoitado na cidade

Bem vindos a Luganville e Espiritu Santo (assim com U), em Vanuatu

Terra à vista!  Você talvez não soubesse que os portugueses tinham chegado assim tão longe. Verdade seja dita, o português Fernão de Magalhães foi o primeiro a circumnavegar o globo (de 1519 a 1522), então há poucos lugares aonde os portugueses não foram. O que você provavelmente não imaginava é que houvesse terras assim tão longe com nomes portugueses. Muito, muito distante do Espírito Santo brasileiro há um semi-homônimo, Espíritu Santo (que os nativos e os ingleses, que vieram aqui depois, acabaram por grafar com U, e essa permanece a grafia oficial) uma ilha no Oceano Pacífico batizada assim pelos navegadores portugueses

Bem vindos às antigas “Novas Hébridas”, hoje Vanuatu, e sua capital Port Vila

Era uma vez um lugar onde, diz a lenda, todo dia de manhã alguém media no mastro se a bandeira britânica estava exatamente à mesma altura da francesa; nem a mais, nem a menos. Os franceses e ingleses chamaram isso aqui de condominium (co-domínio); os nativos preferiram apelidar de pandemonium. Estamos nas ilhas que eram chamadas de Novas Hébridas, hoje a nação soberana de Vanuatu, no Oceano Pacífico, Oceania. Estamos a 2h de avião a nordeste da Austrália. Depois de passar por Samoa e Fiji na vizinhança, foi pra cá que eu vim. Vanuatu, como Fiji, faz parte da Melanésia, então as

Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 2): Descobrindo as comidas e as pessoas

(Continuação de Crônicas em Samoa, Oceania: A Chegada.) Isso na minha mão é um quitute com recheio de abacaxi doce que eles aqui chamam de pai. (Eu levei dias para me dar conta de que era uma imitação de pie, torta em inglês.) Horrível — o amigo ali da foto comeu muito do meu —, mas graças a Deus foi algo muito pouco representativo do que eu viria a conhecer da culinária de Samoa. Uma caminhada por Samoa tem algo de familiar. Lembra o interior do Brasil no litoral do Nordeste ou na Região Norte, só que com algumas excentricidades, e mais sossegado,

Singapura, a cidade-estado paraíso das comidas asiáticas

(Com o Novo Acordo Ortográfico, passou-se a escrever Singapura com S, não mais com C.) Se você perguntar a qualquer singapurense que se respeite qual é o principal atrativo do seu país, a resposta invariavelmente será a comida. Eles, na verdade, ficam estupefatos que tantos ocidentais venham aqui e passem batidos pela comida, preocupando-se mais com as piscinas dos hotéis, os prédios iluminados, etc.  Os asiáticos em geral adoram comer fora e normalmente marcam todos os seus encontros sociais todos em torno das refeições. Nesse sentido, Singapura é um verdadeiro paraíso, onde você encontra de tudo em termos de comidas asiáticas — seja culinária indiana,

Em Penang Hill, Malásia: Conhecendo um templo hindu por dentro e comidas de rua

Depois de tanto circular por Georgetown, cidade histórica deste entreposto comercial e cultural que é a ilha de Penang, era hora de ver o que mais o lugar oferece. Fora da cidade, o lugar mais visitado aqui é Penang Hill, ou Colina de Penang, um ponto alto no centro da ilha, onde há vistas panorâmicas, um trenzinho, comidas de rua, e templos. Um programa bem família, que eu fui conferir. Normalmente, é melhor que você vá num dia claro, limpo, que lhe permita uma vista melhor sobre a cidade. Eu, no entanto, havia visto algo previsão de trovoadas nos dias seguintes

Georgetown, Penang, Malásia (Parte 3): No meio do povo nestas terras tropicais

[Continuação de Georgetown, Penang, Malásia: Onde as culturas chinesa, hindu, e malaia islâmica convivem, e Georgetown, Penang, Malásia (Parte 2): Comidas, curiosidades e templos.] Pelas ruas da colorida Georgetown você encontra de quase tudo. Acho que já dei a entender isso mostrando a grande mistura de religiões aqui e alguns exotismos curiosos, como suco de noz-moscada. Era hora de ir mais a fundo na cidade, vendo mais dos seus tons, e não há maneira melhor de fazer isso que misturando-se ao povo. Após o meu religioso café da manhã chinês no boteco em frente ao meu albergue, hoje eu cruzaria com fundamentalistas islâmicos e

A pouco conhecida comida coreana: Kim chi, gimbap, bibimbap, e mais

Comida coreana é algo que a grande maioria dos brasileiros não faz ideia do que se trata. Ela lembra algo da comida japonesa, mas dentro de certos limites. Há a onipresença do arroz como no restante da Ásia, mas esqueça o peixe cru e substitua-o por porco grelhado. Sim. Além disso, os coreanos adoram pimenta — coisa que você não vê no Japão. E, é claro, há o famoso prato-assinatura da comida coreana: kim chi, legumes fermentados num molho apimentado com um cheiro — e gosto — levemente azedos, que você é capaz de sentir em vários condomínios de São Paulo onde

Bem vindos a Amã, Jordânia: Tranquilidade e os originais dos Manuscritos do Mar Morto

Bem vindos a Amã, a capital da Jordânia, este país do Oriente Médio espremido entre Israel e a Arábia Saudita. Eu quero começar proporcionando a vocês aquela que também foi a minha primeira impressão de Amã, desde antes de eu chegar, só por olhar no Google Mapas as suas ruas tortas e meandros: a massa urbana que me aguardava. Assistam a este pequeno vídeo que fiz do alto de uma das sete colinas da cidade durante um dos chamados às cinco orações diárias dos muçulmanos. Era como um dia de inverno na Bahia quando desembarquei, aquele calor não-agressivo. A escada levava-nos do

Comidas árabes que você não vê no Brasil

Ali estou eu na Jordânia com um copinho de chá, salada crua e pão árabe (aquele pão chato, que no Brasil chama-se de pão sírio). Há muito da gastronomia árabe que conhecemos, e mais ainda de que não fazemos nem ideia. Quando eu fui a Marrocos, um país árabe, perguntaram-me se eu havia comido kibe e esfiha. Não vi nem sombra. Habituados que estamos ao Habib's e à grande influência da imigração libanesa no Brasil, achamos que "comida árabe" é somente comida libanesa. Ledo engano. Os árabes conquistaram e governaram por séculos toda a região que vai de Marrocos (cá à beira

Sidi Bou Said (Tunísia): Às margens do Mar Mediterrâneo, no lado africano

No dia seguinte à minha ida às ruínas de Cartago, eu voltaria a tomar o trem metropolitano TGM na mesma direção, desta vez para ir a Sidi Bou Said, um vilarejo um tanto pitoresco na beira-mar tunisiana. Eu queria conhecer o Mar Mediterrâneo neste lado de cá, da África. Sidi Bou Said fica no fim de linha do TGM, a uns 40 minutos da capital Túnis. É um vilarejo todo em azul e branco, como as ilhas gregas, mas neste caso com casinhas tradicionais árabes do século passado. As casinhas se parecem com aquelas de bairro de cidade do interior. Há ruelas de calçamento em pedra,

Phuket: Praias e música no sul da Tailândia

Poucos ainda não ouviram falar das praias da Tailândia. Mundialmente elas são famosíssimas. Mesmo para nós, que no Brasil temos praias belíssimas "em casa", não dá para vir à Tailândia sem conhecer este sul do país, de mar, praias, ilhas e sol — ah, e também de perdição, muita bebedeira, festas à luz da lua cheia, etc. Pra quem não sabe, o sul da Tailândia é geralmente o ponto de "iniciação" dos mochileiros europeus e norte-americanos. 
Phuket é, seguramente, o coração deste sul, embora não seja o seu lugar mais bonito. (Tailandês não é latim, então o Ph se pronuncia com som de

Chiang Rai e o fabuloso templo branco “pop” Wat Rong Khun

Veja se o templo não parece saído de alguma fábula, encantador e ao mesmo tempo misterioso. O Wat Rong Khun, mais conhecido como "o Templo Branco", é o trabalho ainda em andamento de um artista tailandês contemporâneo, Chalermchai Kositpipat. Misturando elementos budistas e da cultura pop (você verá), esse senhor daqui da cidade de Chiang Rai diz que seu projeto só será concluído em 2070. Deve estar querendo ser o Gaudí asiático, cuja obra na Sagrada Família segue ainda décadas após a sua morte. 
Estamos no extremo norte da Tailândia, a poucas horas de viagem de Chiang Mai. Chiang Rai é

Visitando Chiang Mai, a cidade mais “cool” da Tailândia

Chiang Mai provavelmente é a cidade tailandesa favorita dos estrangeiros, o que é uma faca de dois gumes. O clima ameno do norte da Tailândia, seus templos, natureza ao redor, e ruas (bem) mais tranquilas que as de Bangkok dão o tom. Chegando lá logo sentimos o ar fresquinho, muito diferente do calor tropical úmido da capital. Por outro lado, há mais taxistas perguntando "Wé yu go?" na rua e restaurantes com preços e sabores "ajustados" para turistas. 
Na estação, você precisará tomar uma das caminhonetes vermelhas que servem de táxi na cidade. (Há táxis propriamente ditos, mas estes são mais caros. Já

Pelas ruas e mercados de Bangkok experimentando a comida tailandesa, a melhor do mundo

A Tailândia é uma diversão. Está no espírito dos tailandeses, como no dos brasileiros. Esse "a melhor do mundo" é a minha desavergonhada opinião pessoal. Talvez. Sempre me perguntam qual a minha culinária favorita, e esta é sempre uma pergunta difícil. Amo a Itália, a Índia, a minha comida baiana de origem, mas a Tailândia também está sempre em disputa lá no topo. Embora essa seja uma questão de gosto pessoal, é indiscutível que a culinária tailandesa é riquíssima em sabores, e que uma viagem aqui não está completa sem experimentar as comidas. 
Não seja como os que viajam para o exterior

Entre ricos e pobres em Lima, Peru

Passadas as lindas tribulações em Cusco, nas caminhadas no Vale Sagrado dos Incas, e finalmente em Machu Picchu, era chegada a hora de visitar a capital peruana, Lima. 
Lima tem um astral completamente diverso daquele encontrado nos Andes. É Peru, mas um outro ambiente. Não procure mais pelas montanhas, lhamas, nem pelas ruínas incas. Inca, aqui, só mesmo o sangue das pessoas e os seus hábitos culturais (a culinária continua maravilhosa). 
Lima lembra muito o Brasil — inclusive nos seus contrastes. Aqui você vê claramente que há o Peru dos pobres e o Peru dos ricos ocupados com o lançamento do último iPhone. Aquele seu primo

Pelas ruas de La Paz: Centro histórico, Mercado das Bruxas, e as comidas da Bolívia

La Paz oferece uma genuína mistura de cultura indígena e colonização espanhola. Apesar dos pesares que observei no post anterior, a cidade tem uma série de pontos interessantes a ver — e comidas típicas a experimentar (a Bolívia é um dos poucos países do mundo onde não existe McDonald's!).  O centro histórico de La Paz, ainda que suas ruas estreitas e íngremes façam você se sentir emboscado quando passa um ônibus lançando fumaça preta no ar e eliminando o pouco oxigênio disponível aqui a 4.000m de altitude, tem um casario colonial bonito, e praças legais de ver. Prepare-se para os pombos.  Duas observações. La

Santiago do Chile: Comes & bebes na rua e nos bairros boêmios

(Continuação de: Santiago do Chile: Cerros, charme, tango e “café con piernas”) Na cozinha do albergue, a senhora que parecia ser mãe de um dos rapazes que administravam o lugar nos servia um café da manhã de frutas frescas, pão, manteiga, (nes)café, e ovos mexidos, que em espanhol recebem a curiosa alcunha de huevos revueltos. Tomei café com a minha mãe, que me acompanhou nesta viagem, e um casal de canadense e australiana que me apresentaram a horrível vegemite, uma pasta salgada que lá na Austrália eles passam no pão. Fiquei com os meus ovos revoltos. 
Verdade seja dita, a culinária chilena não me deixou

Gouda (Holanda), a cidade do queijo

"No se confían. Políticos, no se confían.", ouvi a latino-americana dizer ao seu filho ao meu lado, crente que eu não estava entendendo. Certamente tomou-me por árabe, já que há muitos aqui e graças à minha barba. O garotinho havia avistado a contra-capa do livro de Noam Chomsky que eu lia à luz do sol à janela do trem. 
Íamos de Amsterdã a Gouda, cidadezinha no interior da Holanda. Lá nasceu o queijo de mesmo nome, um dos mais famosos do mundo, e que eu resolvi ir conferir no local de origem. Este é também o primeiro post que faço sobre

Belezas e estranhezas dos comes e bebes no Irã

Este post vai para aqueles que planejam aventurar-se no Irã, e para os que simplesmente estão curiosos pra saber o que, afinal, se come e bebe por aqui. 
Não vou falar muito de "culinária iraniana", pois seria pretensioso demais. Eu entendo pouco da gastronomia persa, e não comi na casa de nenhum iraniano (exceto na de um certo músico no dia em que visitei Persépolis, mas é um serviço pra turistas). Restaurantes aqui são raros e, quando existem, são normalmente para turista. Então é difícil dizer até que ponto os iranianos realmente comem no dia-dia o que eu comi. 
O que eu

Pelas ruas de Teerã: Aventurando-se no Irã/Pérsia

Cá estamos em Teerã, a capital iraniana de 12 milhões de habitantes. Última capital da Pérsia antes de ela mudar de nome para "Irã", e um dos grandes centros do Oriente Médio. Tráfego louco, mas boulevards bonitos e lindos jardins. Palácios persas de outrora lado a lado com prédios públicos onde figuram (por lei) as faces dos governantes da República Islâmica que o país se tornou desde 1979. Bem vindos ao Irã! Comecemos, devagar, por Teerã, que não é a melhor cidade iraniana a se visitar, mas é a capital e onde a minha aventura começou. 
Deixem-me dizer logo: as ruas

Nápoles, onde a pizza surgiu

(Este é um post longo. Nápoles é repleta de coisas a notar.) Nápoles (ou Napoli, se você preferir a grafia italiana), terra onde surgiu a pizza. Uma cidade de quilate histórico e a maior metrópole do sul da Itália, onde as tradições estão ainda mais arraigadas — inclusive as da famiglia e da máfia. Se por um lado Nápoles é talvez a cidade mais suja e perigosa da Itália (quiçá de toda a Europa), por outro lado aqui se come e bebe muito bem, as pessoas são mais calorosas que no norte da Itália, e há lindas vistas, seja para os prédios antigos, seja

Cidade do México, vulgo Tenochtitlán

A Cidade do México hoje repousa sobre a antiga capital do império asteca, Tenochtitlán. Se você acha esse nome difícil, ainda não viu nada. Diz a lenda que o deus Huitzilopochtli deu uma visão à tribo Mexica (você nunca havia se perguntado de onde vem o nome do país?), que buscassem um certo sinal e, ao encontrá-lo, ali fundariam uma grandiosa cidade. O tal sinal seria uma águia com uma cobra no bico pousada sobre um cacto — imagem hoje imortalizada no meio da bandeira mexicana. Segundo esse mito de origem que ninguém sabe até que ponto foi verdade, os Mexica eram uma

O Básico da Comida Mexicana

Comida mexicana. Desconhecida por muitos brasileiros, ou conhecida somente em suas versões fast-food americanizadas. Mas o México tem uma cozinha rica, bem temperada, apimentada — e infelizmente pra mim, bastante centrada em carne. Mas eu sobrevivi. Comi chili (pimenta) a valer, ardi a boca e partes outras que eu não vou dizer, e descobri muita coisa saborosa, que comparto agora aqui com vocês. 
Foram várias semanas no México comendo muita comida callejera (de rua), vendo tias e tios amassando a massa de milho pra fazer tortillas na hora, e sentindo o cheiro — nem sempre bem vindo — de comida fritando e assando. Contudo, não posso dizer

Picolés mexicanos, conheça os originais

Este é um pequeno post só pra dizer que a gente no Brasil não entende nada de picolé. Os mexicanos nos dão de 10 a 0 — ou de 7 a 1, se preferirem. 
Confesso que quando chegou a moda dos picolés mexicanos no Brasil, a tratei com certo desdém. "Nunca ouvi falar em México ter tradição de picolé", lembro de ter pensado enquanto vencia toda a resistência da minha frugalidade para pagar 7 reais num picolé. Leda ignorância a minha, agora devidamente corrigida. Mas deixem-me dizer-lhes que tampouco essa versão gourmetizada dos picolés mexicanos aí no Brasil se compara aos originais, e

O Acre existe, e eu vim conhecer

Essa foto acima foi da varanda da minha morada em Rio Branco, num entardecer.  Numa das tardes em que saí de lá e fui à cidade, sentei-me a uma tacacazeira, quando de repente apareceram as tias. Procuravam uma mesa. Não havendo mesa alguma vaga, propus que se sentassem comigo. Sendo tias, comunicativas, com aquelas caras de que já gostam de conversar, sentaram. 
— "Só a gente mesmo pra tomar tacacá num calor desse, né?", perguntou-me uma das duas tias, risonha, enquanto enxugava o suor da cara com os guardanapos de papel da mesa — e me tomando por acriano. 
— "É! Precisa coragem mesmo!", respondi eu, meu sorriso

Rabat, a autêntica capital do Marrocos

Quem quiser conhecer o Marrocos de verdade, sem as distrações para turista, deve vir a Rabat. A capital é uma das poucas cidades de porte a oferecer o autêntico dia-dia marroquino, antigo e moderno. Se Marrakech e Fez têm hordas de europeus e demais estrangeiros, aqui eles são raros. Em Rabat você assiste "à vida como ela é" no Marrocos.  
A cidade é relativamente pequena e arrumadinha. Você passeia na maior tranquilidade. Mas nem por isso ela deixa de ter atrações interessantes: a imponente Torre Hassan, o Mausoléu de Mohammed V (avô do atual rei), as ruínas da necrópole romana de

Paraíso perdendo-se: No centro de Java, e o dia-dia em Yogyakarta (Indonésia)

Depois do Brasil, a Indonésia tem a maior cobertura florestal do mundo. Como o Brasil, a Indonésia sofre com a fome inesgotável dos mercados internacionais por recursos naturais: minérios, madeira e, cada vez mais, terras e água para a agricultura de exportação controlada por poucos. Vive como o Brasil numa eterna economia de produtos primários, como no tempo de colônia. A Indonésia conquistou independência da Holanda em 1949, experimentou uma longa ditadura militar (1967-1998) apoiada pelos Estados Unidos, e o resto você já conhece, é como o Brasil: governos pouco eficazes e mancomunados com as elites locais e estrangeiras que

Pra não dizer que não falei dos doces árabes, ou da parte moderna de Marrakech

Laranja madura, na beira da estrada, aqui nem está bichada nem há necessariamente marimbondo no pé. Na verdade, fora da medina há ruas belamente decoradas com laranjeiras nas áreas mais modernas de Marrakech. Parece o Brasil, só que todos os prédios têm a mesma cor, e há palmeiras e laranjeiras dando o toque especial. Muitas das laranjas vêm fazer parte dos doces que acabaram ficando de fora do post anterior sobre as comidas no Marrocos. Como turista, às vezes a gente se apega à parte antiga (turística) e acha que aquilo é a cidade. É assim na Europa e aqui no

Dia e noite na medina de Marrakech, e a comida no Marrocos

Minha mãe sempre tirou com a minha cara (literalmente) dizendo que eu tenho nariz semita. Não sou antissemita, mas nunca curti muito a ideia. Seja como for, eu pelo visto passo direitinho por marroquino. Ninguém mexe comigo na medina, ao contrário dos turistas caras-pálidas, que sofrem assédio o tempo todo. Eu outro dia perguntei a uma senhora aqui se era por causa da minha barba, ela disse que não, que era "porque você tem assim uma cara de berbere", disse ela gesticulando e fazendo aquele olhar intenso de quem estava analisando a minha face. 
Tá bom, né. Pra quem não sabe,

Férias no interior da Hungria: Lago Bálaton, Tihany, e Balatonfüred

A Hungria é linda, e recomendo a todos visitar Budapeste (ainda faço um post sobre ela). Mas não se conhece um país só visitando a capital. As comidas, as pessoas... normalmente é no interior que você vê o que há de mais tradicional, e esta visita a Siofok e a Balatonfüred não me deixa mentir. Pequenas cidades à beira do lago, onde os húngaros vêm curtir o verão. 
O Lago Bálaton é o maior destino de férias dos húngaros. Como a Hungria não tem litoral, vêm todos pra cá. Na época da Guerra Fria, quando os países comunistas restringiam a ida

Praias romenas, trens quebrados, e ciganos

A Romênia é um destino mais interessante do que se imagina. Eu comecei minha visita por Bucareste, a capital, seguida da Transilvânia, a região mais interessante do país e repleta de lindas cidades históricas e belas paisagens naturais — além da história do Drácula pra atrair muitos turistas. Essas partes foram relatadas já há algum tempo, e eu nunca terminei. Mas agora finalmente chegou a hora. (Pra quem não conferiu ou quiser reler os anteriores: Chegando à Romênia: Bucareste, o Museu Satului e a Casa Poporului e A Transilvânia: Sinaia, Sishisoara e Brasov) A praia é um elemento indispensável na cultura romena. Quando a temperatura sobe, os romenos

Sófia, Bulgária

Sófia, a capital da Bulgária, é uma cidade relativamente simples e pequena, com algumas partes bonitinhas, fácil de andar, e que você vê toda em um ou dois dias. Tive amigos búlgaros pra dar umas voltas, e além disso fiz um ótimo "free walking tour", mania nas cidades turísticas da Europa, e que funciona na base de gorjeta. 
São muitas as igrejas em estilo bizantino, do cristianismo ortodoxo de tradição grega. Afora isso, há belos prédios de arquitetura comunista ou neoclássica, além de praças verdes e bom preço pra compras. De todos os países europeus que visitei (mais de 20), a

Istambul, Turquia (Parte 3): Perdendo-se nas ruas, no Grand Bazaar, e nos doces turcos

Perder-se em Istambul é fundamental. E não é difícil. Basta meter-se nas inúmeras e infindáveis ruelas, que vão por aqui e por ali, e onde sempre tem gente. Como eu disse, esta cidade é um pouco como um formigueiro histórico, onde nunca se sabe quando se vai esbarrar numa torre bizantina, numa mesquita turca, ou mesmo em algo mais antigo. De quebra, há os interessantíssimos redutos mais populares, como os bazares, as casas de velharias, e as lojas de doces artesanais. Um bom lugar pra se perder é Karakoy, um dos distritos mais antigos de Istambul. Entre 1273 e 1453 os

Dondurma: O sorvete turco que não derrete

Essa cara malandra (não a minha, a outra) é do vendedor de sorvete turco. Eles aqui estão por toda parte, pregando peças nos turistas com o sorvete que não derrete. A gente tende a supor que todo sorvete é feito praticamente da mesma maneira, só muda na "qualidade", mas claramente este não é o caso. Como diria um bom comercial do clássico 011 1406: Não tente fazer isso em casa com um sorvete comum! O sorvete tradicional turco (dondurma) é diferente do habitual. O sabor é parecido, mas a sua textura é mais densa e firme. Como resultado, ele é bem mais difícil de derreter — e permite

Desembarcando em Kusadasi, Turquia: Muvuca e malandragem

A Turquia se tornou um dos destinos favoritos dos brasileiros. Na verdade, os ocidentais em peso parecem ter finalmente "descoberto" Istambul, a Capadócia. e o restante da Turquia. Vide não só a novela recente da Globo (Salve Jorge), como também a quantidade crescente de filmes americanos com cenas no país, a exemplo do James Bond recente, Skyfall (2011). Eu digo que, para o turista, a Turquia é uma "versão light" da Índia. Se você vier da Grécia como eu fiz, mesmo a Grécia já sendo um país, digamos, bem animado e descolado, na Turquia você percebe que a coisa sobe um grau, e a

Na ilha de Miyajima, sul do Japão

Saí do Memorial da Paz em Hiroshina e fui jantar num restaurantezinho pequeno com ar de boteco no centro da cidade. Um dos donos estava por trás do balcão e o outro sentava numa das mesas, com uma toalha branca jogada sobre o ombro, limpando a mão e assistindo televisão (visualizou?). Como em quaisquer desses lugares no Japão, ninguém fala inglês. O jeito é ir pelas figuras do cardápio ou arriscar-se a uma das inúmeras sopas de macarrão em que você não sabe exatamente o que vem dentro. Os riscos não são tão altos, mas pode ser que venha algo tipo

Kyoto, Japão (Parte 3): Entre comidas japonesas e os bosques de bambu de Arashiyama, com o Pavilhão Dourado (Kinkaku-ji)

Naquela tarde em que encerramos a visita ao Pavilhão de Prata (Ginkaku-ji), fomos logo à rua comer. Os templos no Japão todos fecham às 4 ou 5h da tarde no inverno (normalmente, templos budistas se fecham ao pôr do sol). (Ver Kyoto, Japão: Jardins Zen, o Caminho do Filósofo, e o Pavilhão de Prata.) Brasileiros que acham que churrasquinho de beira de calçada só existe no Brasil estão enganadíssimos. Os japoneses ADORAM. Um de nós foi no churrasquinho (que, aqui, acredito eu não serem de gato), e todos fomos jantar num restaurante tradicional. No dia seguinte, iríamos ao lado oeste de Kyoto,

Kamakura e o festival do arremesso de feijão

Era um belo domingo de sol, apesar de ser inverno. E não era um domingo qualquer: era dia de Setsubun, a festa anual do arremesso de feijão. Essa festa celebra o final do inverno e o começo da primavera — e, portanto, o começo de um novo ano. Nesse dia os japoneses lotam os templos para assistir a rituais, para beliscar comidas em barraquinhas montadas, ou simplesmente para saber a sorte (os japoneses ADORAM mexer com a sorte: adoram um joguinho de azar, amuletos protetores, ver as previsões para o futuro... essas coisas). 
E é claro que eu não ia ficar de fora. Minha sorte,

Comidas estranhas no Japão

Você gosta de comida japonesa? Adora um sushizinho bem preparado na praça de alimentação do shopping ou na "temakeria" à noite? Gostando ou não, você certamente conhece esses populares rolinhos de arroz envoltos em alga e com um recheio pra inglês ver, que hoje em dia quase todo restaurante a quilo tem. Deve conhecer também o sashimi (peixe cru), e talvez o yakissoba (macarrão frito com legumes, molho de soja e às vezes carne). 
No entanto, meu amigo, minha amiga, sinto lhe dizer que isso não é nem o começo. É o mesmo que gringo achar que a culinária brasileira se

Banzai! Chegando ao Japão: Imigração e o Primeiro Dia

Bem vindos ao Japão! Há muitos anos eu queria vir pra cá, e finalmente a chance chegou. Estarei aqui durante quase um mês participando de um evento na Universidade das Nações Unidas esta semana, e passeando em seguida. Não faltam coisas a ver nem a contar. O que nestes primeiros dias eu já percebi é que o que a gente sabe sobre o Japão no Brasil é a mera ponta do iceberg. 38 graus devia ser a temperatura... da minha febre quando eu embarquei no avião. Peguei uma gripe em Amsterdã, das que sempre circulam naquela cidade molhada, depois de uma

Direto de Jambi, Sumatra, Indonésia

Jambi, interior da Sumatra. Estamos no miolo de uma das maiores ilhas da Indonésia. Mas se você assistiu a algum filme americano e acha que aqui estamos no meio da floresta, enganou-se (ou melhor, o enganaram). Jambi é uma cidade de médio porte, e — tal como no nosso "arco do desmatamento" no norte do Brasil — o que há décadas atrás era selva rica em biodiversidade, hoje é área devastada usada para plantações e cada vez mais urbanizada. Eu vim passar 10 dias a trabalho nesta parte do país. Desembarcamos eu, Jubi (a minha intérprete indonésia de trabalho e, a esta

Top