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Nowa Huta: “A cidade sem Deus” na Polônia da cortina de ferro

Estamos em 1949, sul da Polônia. A Segunda Guerra acabou. Apesar da destruição, já não há mais gueto judio em Cracóvia, segunda maior cidade do país, e as atividades aterradoras dos invasores alemães no campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau, aqui ao lado, tiveram fim. Um novo tempo estava para ter início na Polônia. Para começar, seu território mudou. O terço leste foi ocupado pela União Soviética durante a guerra e nunca devolvido — hoje fazem parte da Lituânia, da Ucrânia, e da Bielorrússia. Do outro lado, um terço do que é hoje a Polônia era território da Alemanha até

Sul da Armênia: Entre licores de damasco e o Mosteiro de Tatev nas montanhas

Visitada a capital e alguns sítios próximos, havia chegado o dia de eu fazer uma excursão ao sul da Armênia, quase na fronteira com o Irã, a conhecer o Mosteiro de Tatev, do século IX, uma das muitas preciosidades históricas desta região. Nesta terra de montanhas e vales, sol quente e seco, há muito que monges cristãos viveram em comunidades isoladas. É um tradição antiga, como quase tudo por aqui. Há muitas agências de turismo em Erevan oferecendo passeios às diversas partes do país (embora nem todos estejam disponíveis todos os dias, então atenção se você estiver visitando). Este eu organizei com

Pelo interior da Armênia: Paisagens, mosteiros, e igrejas de pedra

A Armênia é um destino para quem se interessa por História, cultura, e religião — tudo isso envelopado nas paisagens áridas e elevadas aqui do Cáucaso. Poucas vezes eu encontrei no mundo um país tão rugoso, cheio de altos e baixos. Não vi uma gota de chuva que umedecesse estas terras secas, embora sem dúvida chova algo em outras épocas. E vi um povo orgulhoso da sua identidade e muito ciente do seu lugar na História. Não há como falar de Armênia sem falar em Cristianismo — os próprios armênios não deixam. Seria quase como falar de judeus sem falar em judaísmo.

Visitando o Vaticano e vendo o Papa Francisco em Roma

Visitar o Vaticano é algo que passa pela cabeça da maior parte dos cristãos. Independente de qual for a sua fé (se alguma), o coração de Roma é um lugar de relevância histórica inquestionável, e um dos destinos mais visitados do mundo. Aqui estão nada menos que algumas das maiores obras do Renascimento italiano, como a Basílica de São Pedro, a Pietà, a Capela Sistina com seu teto pintado por Michelangelo, dentre outros tesouros religiosos e artísticos que têm do melhor da cultura e História italianas. Estamos na gema da Itália, só que fora dela. Como se seu coração fosse soberano

Istambul na primavera (Parte 2): Kariye Museum e as heranças bizantinas para além de Hagia Sophia

Chegada a hora de conhecer algumas coisas novas em Istambul. Muita gente vem aqui, à maior cidade da Turquia e da Europa (com 15 milhões de habitantes), atrás do movimento e da riqueza cultural turca. Lindezas que eu mostrei nos posts anteriores. No entanto, é preciso lembrar que essa riqueza repousa sobre um milenar legado grego bizantino. A quem busca os resquícios da Constantinopla medieval, trago a boa notícia de que há mais que Hagia Sophia e a cisterna da basílica. O melhor lugar, sobretudo se você gosta de arte sacra, é o Museu Kariye, feito a partir da Igreja de São

Sille, Turquia: Legado grego bizantino cristão na Anatólia, nos arredores de Konya

Muito antes de os turcos chegarem às terras que hoje chamamos de "Turquia", elas atendiam por nomes diferentes. Em 330 a.C., quando Alexandre o Grande faz a sua grande marcha para o oriente que levaria os seus exércitos até à Índia, adotam-se os nomes — adaptados das línguas e povos já presentes, como os persas — como viriam a ser conhecidos no mundo antigo greco-romano: Capadócia, Lycia, Lydia, entre outros. (Nome de muita gente no Brasil que nem sabe a origem do nome.) Toda essa massa de terra a oriente do Mar Egeu ficou conhecida dos gregos antigos como Anatolé, que significa o

Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 5): Da Cachoeira de Afu Aau aos Alofaaga blowholes

Continuação de Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 4): Indo a Savai’i, a outra ilha Pati foi o mórmon mais simpático que eu já conheci. Os mórmons, pra quem não sabe, são a principal Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (há várias), que seguem uma doutrina fundada por Joseph Smith Jr. em Utah, nos Estados Unidos, nos idos de 1840. São aquelas duplas de rapazes de camisas brancas e calças pretas que você vê circulando por aí, mundo afora. Samoa e a Oceania em geral são repletas dessas igrejas. Aqui, longe do uniforme preto e branco, Pati usava uma camisa folgada,

Conhecendo Seul, Coreia do Sul (Parte 2): Descobertas pelo centro e no distrito turístico de Insa-dong

Nem tudo reluz em Seul. Nem tudo são os glamurosos prédios de distritos mais modernos como Gangnam, retratado no post anterior. Há ainda muito de tradicional na Coreia — e, com isso, muito de mais humilde, mais simples, que não exala tanto a dinheiro.  Se você quer algo mais de achego humano — na medida em que o permite esta reservada cultura oriental —, é preciso vir ao centrão de Seul, ou ao agradável distrito comercial de Insadong, perto do centro.  Eu cheguei a comentar antes como Seul, ao modo da maioria das metrópoles asiáticas, é pouco centralizada (não há um downtown como nas metrópoles ocidentais).

Bordejos em Paris na primavera (Parte 5): A Paris gótica e suas igrejas (Notre-Dame, Saint-Sulpice, Sainte-Chapelle, e a Capela da Medalha Milagrosa)

Antes de "gótico" significar o gênero moderno derivado do punk, das pessoas que se vestem de preto etc., o adjetivo referia-se — e ainda se refere — a uma das mais importantes matrizes culturais da Europa. Gótica, dos godos, foi a cultura artística mais proeminente na Europa ocidental durante a Idade Média. Suplantou as tradições "clássicas" (da Antiguidade greco-romana) e finalmente deu um toque norte-europeu à arquitetura, à arte sacra, etc. Os longos e altos arcos ogivais que caracterizam a arquitetura gótica simbolizam não só a verticalidade, o "olhar para cima", para Deus, do medievo teocêntrico europeu. Há quem diga que eles se inspiram,

Conhecendo a sereníssima República de San Marino na Europa

Vamos a uma jornada por este país que quase todos os brasileiros conhecem, só que não. Sereníssima Respublica, em latim, é a alcunha que recebe San Marino, este país independente encravado no território italiano. Um dos micropaíses da Europa, ele é conhecido de quase todos os brasileiros graças à Fórmula 1 (embora tenha sido o infeliz Grande Prêmio da morte de Ayrton Senna), só que poucos brasileiros de fato vêm aqui. É uma joia a ser descoberta, pois San Marino oferece um dos mais lindos cenários medievais de toda a Europa. San Marino é atualmente a república mais antiga do mundo. Estabelecida em

Belgrado, Sérvia: Cristãos ortodoxos entre os mundos austríaco e turco

A Sérvia é aquele país europeu de que quase todos os brasileiros já ouviram falar, mas que pouquíssimos de fato conhecem. Figuras carismáticas como o tenista Novak Djokovic e o nosso futebolista Petkovic (o "Pet") ajudam a balancear a imagem ruim que o país teve nos anos 90 com os massacres na Bósnia e a guerra em Kosovo. Mesmo assim, a Sérvia ainda é talvez o país mais controverso da Europa, e o maior a estar circundado pela União Europeia mas não fazer parte dela. Eu cheguei para uns dias neste fim de inverno europeu em Belgrado, a capital. Esta era a capital também

Bem vindos a Amã, Jordânia: Tranquilidade e os originais dos Manuscritos do Mar Morto

Bem vindos a Amã, a capital da Jordânia, este país do Oriente Médio espremido entre Israel e a Arábia Saudita. Eu quero começar proporcionando a vocês aquela que também foi a minha primeira impressão de Amã, desde antes de eu chegar, só por olhar no Google Mapas as suas ruas tortas e meandros: a massa urbana que me aguardava. Assistam a este pequeno vídeo que fiz do alto de uma das sete colinas da cidade durante um dos chamados às cinco orações diárias dos muçulmanos. Era como um dia de inverno na Bahia quando desembarquei, aquele calor não-agressivo. A escada levava-nos do

Larnaca, Chipre: Veraneio europeu, Páscoa ortodoxa grega, e o túmulo de Lázaro

Bem vindos a este outro país que fala grego mas não é a Grécia: Chipre. A maioria de nós já ouviu falar dele em alguma remota aula de História, mas muitos sequer sabem que ele hoje é um país independente e membro da União Europeia.  Chipre é uma ilha no leste do Mar Mediterrâneo, próximo do Líbano, de Israel e do sul da Turquia, e que desde a Antiguidade é habitada pelos gregos. Ao longo do tempo, contudo, as populações se misturaram. (A ideia de que cada país pertence a um só povo é uma invenção recente chamada "nacionalismo", concebida no século XIX.) De 1570

Visitando Byblos (Líbano), a antiga cidade dos cruzados

Byblos, no Líbano, é um dos mais antigos sítios continuamente habitados no mundo. Estima-se que desde 5000 a.C. há povoamentos humanos aqui. Imagina-se que ao longo do segundo milênio antes de Cristo este lugar tenha sido uma colônia e ao mesmo tempo um entreposto comercial dos egípcios antigos. Quando por volta de 1200 a.C. o Egito se enfraquece é que o povo daqui, que os gregos chamariam de fenícios, emergem como uma potência marítima. Byblos, assim como Tiro, Sidon e outras cidades antigas, eram centros comerciais dos fenícios, que percorriam o Mar Mediterrâneo em toda a sua inteireza (até a Espanha!) estabelecendo

Alexandria (Egito) hoje: A nova biblioteca alexandrina e a “outra” Santa Sé, de São Marcos

A Biblioteca de Alexandria, o Farol de Alexandria... Eu nunca vi uma cidade ser tão famosa nos livros de História e tão esquecida na atualidade quanto Alexandria. A maioria dos ocidentais parece pensar que Alexandria não existe mais, que ficou para trás já há muitos séculos. Ledo engano. Alexandria hoje é a segunda maior cidade do Egito, com quase cinco milhões de habitantes, e continua sendo belamente banhada pelo Mar Mediterrâneo no norte do Egito do mesmo jeito que era antigamente. São apenas 2-3h de trem desde o Cairo, a depender do tipo de trem que você tomar. Alexandria merece ao menos um day tour, um bate-e-volta, mas

A Igreja Suspensa no Cairo e os cristãos do Egito: Conhecendo de perto o Cristianismo Copta

Ninguém jamais pensa no Egito como uma terra de cristãos — nem hoje, nem nunca —, exceto pelos mais conhecedores da história do cristianismo. Tendemos a ignorar ou esquecer que foi aqui, o Egito, um dos grandes berços do cristianismo institucionalizado, onde ele adquiriu muitos dos elementos que hoje nos são familiares (como a cruz, a "Sagrada Família", o monasticismo cristão), e que houve séculos de transição cristã entre o Egito Antigo dos faraós e o Egito islâmico que surgiria depois. Entre 10-20% da população egípcia atual (que é de 82 milhões de pessoas) se identifica como cristã, e estas em geral são cristãs coptas.

Aswan (ou Assuã) e o Templo de Philae à deusa Ísis

Aswan — ou Assuã, ou ainda Assuão em Portugal, mas opto aqui pela grafia usada pelos próprios egípcios — é a principal cidade do sul deste país. Uma cidade grande, diga-se de passagem. Não se trata de uma cidade turística pequena, onde tudo se faz a pé, como Luxor. Aswan é uma cidade relativamente moderna, de grandes distâncias inconvenientes, e algumas jóias importantes aqui e ali por ver. Quando cheguei, estava retornando de Abu Simbel, aonde fui de manhã bem cedo após me levantar às 2:30h da manhã e deixar para trás o navio que havia me trazido aqui Rio Nilo acima desde Luxor. Minha

O Museu Bardo e os mosaicos romanos mais lindos do mundo, na Tunísia

Você aí nem sabia que os romanos tinham artes visuais além de esculturas, ou que faziam mosaicos. Faziam, e faziam muitos. Mosaicos são aqueles ladrilhos coloridos que formam imagens, e que os romanos usavam como decoração em suas casas nas paredes, no chão e/ou no teto. Quase sempre tinham motivos épicos da mitologia greco-romana.  O maior legado de mosaicos dessa Antiguidade romana está hoje na Tunísia, aqui no norte da África. A gente tende erroneamente a associar os reinos e impérios de outrora com as fronteiras dos países atuais, mas isso é uma falácia. O Império Romano era muito mais do

Coisas de Barcelona: Sagrada Família, obras de Gaudí, e noites na rua

Barcelona tornou-se uma das sensações da Europa (e do mundo) nos últimos tempos. Uma cidade descolada, animada, e muito diferente do espírito monarquista da Espanha. Aliás, uma cidade diferente de toda aquela Europa tradicional. Barcelona representa a nova Europa: da União Europeia, do multiculturalismo liberal, e dos jovens festeiros que não querem nada com o conservadorismo da Europa de outras eras que você costuma imaginar. Eu cheguei a Barcelona para o início do que seria uma jornada solitária de 4 meses, uma volta ao mundo que me levaria daqui ao norte da África, ao Oriente Médio, a países da Ásia ainda

Bordejos em Dublin: Da universidade, ao bar, ao cemitério

Da universidade, ao bar, ao cemitério. Parece algum estudante boêmio declarando sua rotina ou sua perspectiva de vida. Na verdade, é um resumo do meu roteiro por Dublin. A capital irlandesa pode não ter o charme de uma Londres ou Paris, mas tem seus pontos interessantes. E não dá pra visitá-la sem ver o campus do famoso Trinity College, os tradicionais bares escuros da cidade, e visitar o Glasnevin Cemetery para aprender um pouco mais sobre a história deste país. A tríade, no fim das contas, casa-se bem com as predileções favoritas dos irlandeses: beber, ler & conversar, e virar uma boa história

Stromboli e as Ilhas Eólias, no sul da Itália

O sul da Itália tende a ser tão associado à máfia que poucas pessoas no Brasil sabem do seu lado romântico e aconchegante. Poucos de nós vêm à Itália e visitam suas ilhas, mas são muitas delas aqui, um pouco similares às gregas, tipicamente mediterrâneas, e com um aroma italiano. 
De Taormina, facilmente organizam-se tours de barco pelas chamadas Ilhas Eólias, um pequenino arquipélago ao norte da Sicília. É pra quem busca tranquilidade e lindas vistas do mar. 
Pra quem gosta de aventura — e de mitologia grega — vale fazer um passeio específico ao entardecer ao redor do vulcão de Stromboli, uma das ilhas. Ele

Noto (Sicília), uma explosão de barroco italiano pra você

Noto é uma pequenina cidade italiana na Sicília que é toda de uma cor. Pensadores italianos do passado a chamaram de "jardim de pedra". Esse tom de areia está por todas as edificações, e resplandece lindamente à luz do sol. É resultado de um terremoto, que destruiu a cidade medieval em 1693 e a fez ser toda reconstruída assim, em estilo barroco siciliano. Todo o centro da cidade está tombado como Patrimônio Mundial reconhecido pela UNESCO. 
Noto está a uma viagem curta de Siracusa. Vale a pena vir de manhã para passar o dia. Em bom estilo Mediterrâneo, e ainda mais

A Sicília! Bem vindos a Siracusa, no extremo sul da Itália.

Bem vindos à Sicília, o ápice da Itália! Acontece de albergar o mais alto pico italiano (o Monte Etna, vulcão de 3.329m), mas não é a isso que me refiro. Refiro-me àquelas muitas coisas que nos remontam à Itália — arte, antiguidade, delícias gastronômicas, gente passional, e um pouquinho de máfia. Tudo isso se acha elevado ao quadrado aqui na Sicília. Perguntei-me porque o turismo brasileiro inclui tão raramente a Sicília. A resposta só pôde ser a sua localização geográfica, cá no extremo sul da Europa, e os brasileiros sempre tentam aproveitar pra ver várias cidades de interesse ao mesmo tempo. É compreensível,

Sevilha: Capital de Andaluzia, do Flamenco, e do estilo Mudéjar

Sevilha é uma cidade impressionante, e por vários motivos. Rainha do sul da Espanha, ela é tanto a capital administrativa de Andaluzia quanto a sua maior cidade e o seu coração. Aqui moram os melhores espetáculos de flamenco da Espanha, e aqui também repousam quilates e quilates de história espanhola medieval e moderna. (Para os mais chegados em arte, tampouco deixem de ver as obras do pintor Murillo, sevilhano, e a rua onde se passa a famosa ópera Carmen, de Bizet.) 
Vamos por partes, pois as riquezas aqui são muitas. Eu optei por não dividir este post, para que vocês sintam como todos

Málaga e um panorama geral do sul da Espanha, a Andaluzia

O sul da Espanha é a minha região favorita do país. A maior parte dos turistas brasileiros se limita a visitar Madrid e Barcelona (às vezes, Zaragoza e Bilbao a caminho da França), mas a Andaluzia pra mim reserva dos elementos mais interessantes da Espanha. 
Aqui é a terra do flamenco, de cidades medievais lindas como Granada e Sevilha, e da presença mais pronunciada de toda a herança moura no país. (Para os que perderam essa aula de História, a Península Ibérica foi tomada pelos árabes, com exércitos também de berberes [nativos do norte da África], no ano 711 e teve reinos muçulmanos

Entre ricos e pobres em Lima, Peru

Passadas as lindas tribulações em Cusco, nas caminhadas no Vale Sagrado dos Incas, e finalmente em Machu Picchu, era chegada a hora de visitar a capital peruana, Lima. 
Lima tem um astral completamente diverso daquele encontrado nos Andes. É Peru, mas um outro ambiente. Não procure mais pelas montanhas, lhamas, nem pelas ruínas incas. Inca, aqui, só mesmo o sangue das pessoas e os seus hábitos culturais (a culinária continua maravilhosa). 
Lima lembra muito o Brasil — inclusive nos seus contrastes. Aqui você vê claramente que há o Peru dos pobres e o Peru dos ricos ocupados com o lançamento do último iPhone. Aquele seu primo

O Lago Titicaca e a Copacabana original, na Bolívia

Os cariocas terão uma queda de pressão ao saber, mas "Copacabana" não é um nome originalmente do Rio, ou sequer brasileiro. É um nome indígena dos Andes, que viajantes bolivianos trouxeram à praia do Rio de Janeiro no século XVII. Desde antes da invasão dos espanhóis às Américas, há nas margens do Lago Titicaca — hoje na fronteira entre a Bolívia e o Peru — um povoado com o nome de Copacabana. As hipóteses sobre a etimologia exata do nome variam, a mais aceita na Bolívia é a do significado Kota Kahuana ("vista do lago") na língua Aymara, nativa da região. 
Dizem que nos idos de

Estrasburgo, a Capital do Natal

Este é um post especial de Natal e bastante visual. Na minha experiência tendo visitado até agora 35 países europeus, Estrasburgo é uma das mais belas cidades do continente. Uma cidade que muitos brasileiros, devido ao seu nome alemão, sequer sabem que é francesa, e que — às margens do Rio Reno, na fronteira entre a França e a Alemanha — tem mesmo um ar germânico. Tirarei um momento posterior para falar da sua importante história e mostrar a sua linda herança como divisora de águas de dois mundos europeus, o francês e o germânico, mas hoje eu falarei exclusivamente da época em que Estrasburgo

Na Baía de Kotor, Montenegro

A Baía de Kotor, também conhecida por "Boka", é um dos lugares mais lindos que já vi na Europa, e acho que o maior destino do pequeno país de Montenegro. 
Calma, não se resume a esse cenário aí acima com ar de "Idade das Trevas". Montenegro é um país humilde, separado da Sérvia em 2006, pobre, sem luxos, sem nem moeda própria, onde as estruturas portanto estão assim mais "cruas" (o que tem seu lado positivo pela autenticidade...), mas ultra-barato e de lindas paisagens naturais. Abaixo a Baía propriamente dita, onde fica este antigo vilarejo de Kotor. 
Aqui me meti para esta

Split, Croácia: Beleza e legado romano na Dalmácia

Você sabe o que é um dálmata, mas provavelmente nunca se perguntou de onde vem o nome. Pois bem, dálmata é algo ou alguém originário da Dalmácia, até raça de cachorro. O nome foi dado pelos romanos à província que hoje é o sul da Croácia. É o que fica a leste da Itália, do outro lado do Mar Adriático. Estes antigos domínios romanos guardam ainda edificações da antiguidade e talvez o melhor preservado palácio romano do mundo, o Palácio de Diocleciano, do século IV, aqui em Split. (E você aí imaginando que todas as ruínas romanas ficavam na Itália, hein?) 
Split, como

Sorrento, bela cidadezinha costeira no sul da Itália

Sul da Itália. Costa Sorrentina e Costa Amalfitana, das áreas de resort mais tradicionais de toda a Europa. A poucas horas de Nápoles, não faltam aqui mansões nas encostas, vinhedos, plantações costeiras de limoeiros para fabricação do licor tradicional aqui da região da Campânia, o limoncello — e, é claro, não faltam também belas vistas pra o mar. Sorrento é uma das mais famosas dentre outras cidadezinhas que pontuam esta parte da Itália, como Amalfi, Positano, e a ilha de Capri. 
Se você não conhece a famosíssima canção napolitana Torna a Surriento, é hora de preencher esta lacuna. A canção é de 1902, e

Isfahan, a mais bela cidade do Irã

Chegou a hora de me despedir do Irã, mas não sem antes, é claro, falar da mais bela cidade que há no país, Isfahan. (Você vai encontrar escrito "Esfahan" também, mas esta é a transliteração pro inglês, onde E tem som de I). Estes foram os últimos dias desta minha aventura em terras persas, fechada aqui com chave de ouro. Isfahan foi a capital do Irã durante a maior parte do período da Dinastia Safávida (1501-1736), e portanto tem muitos palácios, praças orientalescas, mesquitas, pontes de pedra dos séculos XVI e XVII, etc. Hoje ela é a terceira maior cidade

Visitando a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, México

Era domingo de manhã cedo, e a massa já passava em procissão pelas ruas do centro da Cidade do México. Peregrinação à Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, o santuário cristão mais visitado em todo o mundo. São em média 20 milhões de pessoas por ano, acima dos 10-12 milhões que visitam Nossa Senhora Aparecida, no Brasil, e dos 5 milhões que vão à Basílica de São Pedro, no Vaticano. (Fora do cristianismo, há apenas dois santuários ainda mais visitados: o templo hindu Vishwanath em Varanasi, na Índia, aonde vão em média 22 milhões de pessoas ao ano, e que

Valletta, Caravaggio e a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários em Malta

Valleta, a capital de Malta, funciona como seu bairro histórico e administrativo. São ruelas perpendiculares e paralelas onde só passa um carro, ou só pedestres. Toda ela é tombada como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1980. São muitas igrejas, museus, e fortificações antigas, além do casario. Malta participou ativamente do Renascimento italiano, foi dos bastiões do estilo barroco, e inclusive hospedou Caravaggio uns anos — quando o pintor italiano andou se metendo com as mulheres erradas, fugiu pra cá, e entrou até pra a ordem dos cavaleiros da ilha (mais a seguir). 
Tudo começou em 1530, com a chegada da Ordem dos Cavaleiros

Bolonha: Arte sacra, nereidas lactantes, e muito “food porn”

Cheguei em Bolonha para o meu quarto de solteiro num hotelzinho perto da estação de trem. Quarto de padre, só com uma cama e uma escrivaninha. Um belo banheiro, e uma televisão que eu sabia que não iria usar. Eram meados de um domingo de inverno, ruas frias e quietas nesta capital da Emília-Romanha. Eu tinha aqui até a tarde do dia seguinte, o suficiente pra ver o centro histórico, as principais obras de arte sacra da cidade (pois na Itália as principais atrações turísticas são quase sempre obras de arte sacra), e experimentar da culinária romagnola. Eu estava com

Turim: O Santo Sudário e as ruas de uma Itália quase alpina

Na foto acima, a sem-teto pede uma moeda para o seu cão. Claro, não é o cachorro quem vai gastar o dinheiro. Mas os italianos parecem mais inclinados a ceder algo se o animal for visto como o necessitado, embora a senhora ali enrolada certamente precise ainda mais. A cena não é rara. Me pareceu relativamente comum na Itália. 
Estamos em Torino (chamada Turim em português) já bem no norte da Itália. Em algumas longas avenidas você facilmente vê ao fundo os Alpes cobertos de neve. O frio e todo o ambiente é quase alpino, e lembra mais a Áustria do

O Mosteiro de Rila, Bulgária: Arte sacra em meio à natureza

O Mosteiro de Rila, do século X, é provavelmente a maior atração turística da Bulgária. E não sem motivo. O lugar parece retirado de algum conto histórico medieval: bela arquitetura, cercado de montanhas cobertas de floresta, e lindos murais de arte cristã ortodoxa. A própria jornada até aqui (2 horas de carro desde Sófia) já impressiona pela beleza natural da Bulgária, ainda bastante verde (até quando, não sei). 
Eram meados da manhã quando deixamos a capital. Meus amigos planejaram parar na beira da estrada para comer omelete de avestruz. Teria sido minha primeira vez, mas infelizmente o criador estava ausente e

Istambul, Turquia (Parte 1): Hagia Sophia, a Cisterna da Basílica, e a Mesquita Azul

Istambul é uma cidade estupenda. São 15 milhões de habitantes — a maior cidade da Europa, e a única metrópole no mundo a estar dividida entre dois continentes. Parte está na Europa e parte na Ásia, com o Estreito do Bósforo no meio. Não é a capital (esta seria Ankara, uma cidade administrativa e menor), mas é claramente a mais importante cidade da Turquia, e aquela que você não pode deixar de ver. A riqueza de antiguidades surpreende até mesmo os bons conhecedores de História (quer apostar?). De quebra, a gastronomia é a maravilhosa, assim como a vida noturna. Dito isso (que me

Na Aridez da Capadócia (Parte 2): São Jorge, o Museu Aberto de Goreme, e o Vale do Amor

O meu relógio marcava 5:29 da manhã quando o grito de "Allaaaaaahu akbar" soou do minarete ao lado do meu hotel. Quando eu digo "ao lado", eu digo literalmente. E aquela voz de megafone. Eles não gravam; todo dia, 5 vezes, vem mesmo alguém chamar os muçulmanos — grande maioria aqui — à oração. Eu fui chamado mesmo sem ser. Os dizeres prosseguem por um ou dois minutos, exaltando Deus e clamando a todos que venham. É impressionante, mas me levantou meio que de supetão nesse horário. 
Por outro lado, foi bom. Meu despertador tocaria às 5:30 de qualquer jeito. Às 6:00 o baloeiro

Maria no Alcorão e a casa onde viveu em Éfeso (atual Turquia)

Aqui perto de Éfeso, na atual Turquia, viveram João e Maria. Não os da casa de doces, mas os da Bíblia: João, o apóstolo, e Maria, mãe de Jesus. Tudo indica que foi pra cá que ambos vieram após a crucificação de Jesus, quando este lhes disse o célebre: "Mulher, eis aí o teu filho; filho, eis aí a tua mãe". Acredita-se que eles moraram muitos anos em Éfeso, e que aqui é que o evangelho de João foi escrito. Embora não haja consenso, a versão mais aceita diz que ela faleceu aqui 11 anos após a crucificação de Jesus. A

As Ruínas de Éfeso e o Templo de Artemis, na Turquia

Éfeso foi uma importante cidade do mundo greco-romano antigo, com presença relevante na Grécia Clássica, na Roma Antiga, e no começo do cristianismo, com as pregações e epístolas de Paulo (que morou aqui por uns tempos). São, hoje, das ruínas melhor conservadas dessa época, e além disso há um trabalho ativo dos turcos para restaurar o que foi perdido. Ao contrário dos gregos, que hoje tem a política de conservar as ruínas no estado em que se encontrarem, os turcos têm a política de refazê-las, usando mármore e outros materiais para que se vejam melhor as construções por inteiro. As

A Caverna do Apocalipse na Ilha de Patmos

"Eu, João, vosso irmão e companheiro nas tribulações, na realeza e na paciência em união com Jesus, estava na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Num domingo, fui arrebatado em êxtase, e ouvi, por trás de mim, voz forte como de trombeta" (Apocalipse, 1: 9-10) Não era domingo, mas já eram 22h quando eu me encontrei no ferry saído de Syros. Era daqueles grandes, que levam carros, e novamente eu não tinha lugar de dormir. Circulei pelos corredores, havia restaurantes e tal, vesti o casaco e me deitei num pranchado de madeira no

A Ilha de Creta (Parte 3): Mar, praia e montanhas na Grécia (com surpresas)

Era manhã do meu dia final em Creta, após a chegada em Chania e um breve bordejo em Rethymno. O sol levantou-se cedo, como sempre nestas terras, pra mais um dia de calor sem nuvens. Hoje iríamos à praia: eu, minha amiga, e a mãe dela. Enquanto eu as esperava, Seu Stéphano, pai da minha amiga, me chamou. Como eu disse, ele é um sujeito simples, daqueles que gosta de um futebolzinho... e que faz uma fezinha na loto de vez em quando. Me chamou pra ajudar no bolão do jornal, prevendo resultados de jogos da semana de campeonatos europeus e, pasmem,

Kiev (Ucrânia) no verão: O Mosteiro de Lavra, o Cristianismo Ortodoxo, e o barroco ucraniano

Era o meio da noite quando eu adentrei a Ucrânia desta vez. Após uma breve visita aqui meses atrás, eu agora chegava para pouco mais de uma semana realizando um evento sobre meio ambiente com jovens de toda a Europa. Desta vez eu vinha da Bielorrússia, em pleno verão europeu. Trem noturno, com checagem de passaporte pelas polícias bielorrussa e ucraniana às 2:30 da manhã — uma delícia. Trem até razoável, diga-se a verdade. A chatice foi apenas ficar duas horas acordado de madrugada pra a checagem dos seus papéis de imigração. [A Ucrânia depois passou a isentar os brasileiros da necessidade de visto.]  Kiev,

Bangalore: Diwali, templo Hare Krishna, e os cristãos da Índia

Eu não acho que nenhum país do mundo seja um mosaico de religiões tão grande quanto a Índia. A gente costuma agrupar tudo sob "hinduísmo" — um nome deveras genérico e que esconde particularidades regionais importantes —, e nos esquecemos de que aqui há cristãos, muçulmanos, budistas, jainistas, e tantas outras gentes de denominações diversas vivendo juntos. "A gente não tem problema nenhum com o cristianismo. Por que teria? A gente já tem tantos deuses. Jesus é só mais um.", disse-me certa vez um indiano hindu que morou comigo. Óbvio que para um cristão Jesus não é "só mais um", mas não

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