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Conhecendo Thimpu, a capital do Butão

Bem vindos a Thimpu. Se naquele jogo de saber os nomes das capitais dos países alguém o desafiar com o Butão, agora você já sabe sua capital qual é.  Thimpu, de apenas 115 mil habitantes, é uma cidade curiosa. Há prédios como em outras capitais do mundo, mas aqui eles todos seguem (por lei) a estética tradicional butanesa, com seus coloridos. Se culturas do mundo todo passaram a dar lugar à por vezes insípida arquitetura contemporânea de edifícios reluzentes sem personalidade cultural, essa personalidade no Butão se guardou. Não é igual aos outros lugares. É uma cidade também em construção. Apesar da

Karakorum, a histórica capital da Mongólia na Idade Média (Tour dias 8 e 9)

À 7ª noite do nosso tour, chegamos a Karakorum, a histórica capital medieval dos mongóis. Já havíamos cruzado por dias as estepes da Mongólia na nossa kombi, as paisagens secas do Deserto de Gobi no sul do país, e mesmo as estepes verdejantes banhadas pelo Rio Orkhon na Mongólia Central. Agora era hora de um pouco (mais) de História e cultura neste nosso passeio. O nosso tour de 9 dias se completaria em breve, e estávamos já naquele misto de "o que falta ainda pra ver?" e uma vontade escondida de tomar um banho digno, deitar numa cama macia, e comer

Naadam: Festival nacional e “Olimpíadas” da Mongólia

Todo ano, os mongóis se reúnem para celebrar a sua nação em grande estilo.  Esqueça as paradas militares e essas coisas já batidas. Na Mongólia, a celebração se dá com festejos musicais, comilanças, e competições esportivas tradicionais (arco-e-flecha, corridas a cavalo, luta-livre, e outros jogos seculares dos mongóis). O Festival Naadam, como os mongóis o chamam, são olimpíadas que ocorrem todos os anos país afora. As datas exatas variam, e cada comunidade organiza o seu, o maior de todos sendo naturalmente o da capital Ulaanbaatar — embora eu depois fosse experimentar também os de pequeninas comunidades do interior, que tem o seu charme

Amsterdã (Holanda), a cidade mais pitoresca do mundo

Cada um tem a sua menina dos olhos: a minha é Amsterdã. Ainda que a minha lista de cidades favoritas inclua várias outras, até mesmo algumas mais próximas do meu coração, pra mim é Amsterdã a mais bonita e mais pitoresca de todas. Se não fosse clichê, eu diria que ela é um grande museu a céu aberto. A capital holandesa, povoado medieval das margens do Rio Amstel (Amstel + dam, de "represa no rio Amstel", para daí Amsterdam) que emergiu como cidade nos idos de 1300, é uma metrópole europeia sui generis com suas centenas de canais e pontes por

Haarlem: A linda cidadezinha holandesa que deu nome ao bairro de Nova York

Muitos brasileiros sabem do Harlem, famoso bairro barra-pesada de Nova York, mas poucos já ouviram falar da linda cidadezinha holandesa que lhe deu nome: Haarlem, assim com um "a" a mais, em holandês. Em 1624, ainda no princípio da colonização europeia da América do Norte, os holandeses assentaram-se lá num pedaço de terra e fundaram o que mais tarde se tornaria Nova York. De início, chamava-se Nova Amsterdã (Nieuw Amsterdam). Foi aquele o mesmo ano em que atacaram Salvador, a então capital do Brasil, na dita "Era Dourada" da história holandesa, de suas expansões marítimas. O Rio Hudson, que desemboca em

Taiti, Polinésia Francesa: Terra de dança, flores, e pérolas negras

O Taiti sempre foi pra mim um lugar de sonhos, um lugar quase mítico, fantástico, tão remoto que quase inalcançável. Não é pra menos: o Taiti, essa terra tropical de flores, sol e dançarinas atraentes, está no meio do Pacífico, o oceano maior do mundo, a milhares de quilômetros de qualquer continente. Eu cria que, aqui, você se sentia isolado do restante do mundo. O Taiti hoje faz parte da Polinésia Francesa, um amplo conjunto de vários arquipélagos que são, oficialmente, território francês. Claro, não foi sempre assim; é só em 1880, com os poderes europeus e norte-americano conquistando o Pacífico,

Nova Caledônia, departamento francês no Oceano Pacífico: Histórias de uma colônia do século XXI

(Este é um post longo. Eu poderia tê-lo fragmentado, mas optei por preservar o todo.) Parece até a Catedral de Notre-Dame à beira-mar. Estamos na Nova Caledônia, um departamento ultramarino francês bastante longínquo da "metrópole", como eles ainda chamam. Às vezes nem parece que estamos no século XXI. Até aqui vocês me acompanharam por nações independentes na Oceania, países onde há uma certa precariedade material, grande presença de australianos e neozelandeses (tanto turistas quanto missionários vindo ganhar almas para suas igrejas fundamentalistas), e dominância do inglês como segunda língua. Já nas posses da França na Oceania — que ela nunca libertou — a banda toca

Bem vindos a Luganville e Espiritu Santo (assim com U), em Vanuatu

Terra à vista!  Você talvez não soubesse que os portugueses tinham chegado assim tão longe. Verdade seja dita, o português Fernão de Magalhães foi o primeiro a circumnavegar o globo (de 1519 a 1522), então há poucos lugares aonde os portugueses não foram. O que você provavelmente não imaginava é que houvesse terras assim tão longe com nomes portugueses. Muito, muito distante do Espírito Santo brasileiro há um semi-homônimo, Espíritu Santo (que os nativos e os ingleses, que vieram aqui depois, acabaram por grafar com U, e essa permanece a grafia oficial) uma ilha no Oceano Pacífico batizada assim pelos navegadores portugueses

O Vanuatu tribal da Melanésia tradicional

Esses são os meus novos amigos. Lembram a Timbalada, mas numa versão mais hardcore. Como eu comentei no post anterior, Vanuatu (e toda a Melanésia) têm uma organização social tribal, que os europeus encontraram aqui e que ainda subsiste. Isso guarda um impressionante, curioso, e às vezes até macabro passado tradicional.  Por exemplo, o famoso bungee jump surgiu como uma "versão nutella" para um rito de passagem de raiz da Ilha de Pentecostes (sim, o nome lhe foi dado por portugueses) aqui em Vanuatu. Lá, para chegar à idade adulta os homens precisam se atirar de um penhasco com vinhas amarrada aos pés —

Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 3): Danças, tradições, cultura, e a origem da tatuagem

Continuação de Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 2): Descobrindo as comidas e as pessoas. Eu confesso que vim a Samoa essencialmente atraído por sua beleza natural. Praias, coqueiros, a brisa do mar. No entanto, rapidamente aprendi que essa não está por toda parte, como mentem os cartões postais. É preciso às vezes dirigir horas (numa terra sem transporte público de confiança) para chegar da cidade a um daqueles paraísos. Também aprendi que Samoa tem uma cultura pra lá de interessante, e sobre a qual eu quase nada sabia.  Num país essencialmente rural, insular, economicamente pobre, onde a maioria da população vive na subsistência

Crônicas em Samoa, Oceania: A chegada

PRÓLOGO: Num avião para Samoa Pai, eu pequei. Pequei o pecado da chamada "gordofobia", termo que tem sido utilizado para denotar a discriminação social contra pessoas gordas. No meu caso, foi literalmente uma fobia: eu via as pessoas enormes espremidas em seus assentos no avião, e conforme os pesados samoanos aproximavam-se, às vezes de ladinho pelo corredor do avião, eu numa daquelas adoráveis poltronas de que ninguém gosta, bem no meio, nem corredor nem janela, rogava para não viajar espremido. Quatro longas horas de voo ainda me separavam de Apia [lê-se a-pía, não ápia], a capital de Samoa. Acho que uma mulher samoana

Conhecendo o povo Maori e a sua cultura tradicional em Rotorua, Nova Zelândia

Os Maori são um povo amável, ainda que guerreiro. Guerreiros amáveis. Antes, no entanto, de relatar o que vi, permitam-me um breve prólogo sobre a Polinésia, à qual eles pertencem, pois quase nada aprendemos sobre ela no Brasil. Prólogo: A Polinésia A Polinésia, e não a Ásia, é a região mais a oriente no mundo — assim como também a mais a ocidente. Ela tem os primeiros fusos horários e os últimos. A Linha Internacional da Data, que se convencionou traçar sobre o Oceano Pacífico (aqueles fins do mapa que você tem na parede, uma mera convenção no globo terrestre), passa exatamente

Hobbiton: Visitando o cenário do Condado dos hobbits de “O Senhor dos Anéis”, na Nova Zelândia

Se todos já havíamos ouvido falar da Nova Zelândia há muito tempo, foi apenas com as trilogias de O Senhor dos Anéis e, depois, O Hobbit, que a maioria de nós começou a ter imagens de com que as paisagens neozelandesas se parecem. Sendo um país bastante rural, repleto de colinas verdes que sobem e descem no horizonte, nada mais adequado como cenário de filmagem para o Condado, a região da Terra Média onde vivem os hobbits do Professor J.R.R. Tolkien, inclusos aí os protagonistas Frodo e Bilbo. Hoje, esse cenário de filmagens do Condado (chamado aqui de Hobbiton, como que uma corruptela

5 curiosidades (ou melhor, doideiras) na Coreia do Sul

Viajando aqui pela Coreia do Sul, descobri algumas coisas loucas quase inacreditáveis sobre o país. Segue uma pequena lista de doideiras. Advirto já que nem sempre se tratam de coisas engraçadas; alguns são problemas sérios, mas que não deixam de chamar a atenção pela excentricidade.  1. Na Coreia do Sul, não é raro fazer cirurgia plástica antes dos 30 anos. É o país com o maior número per capita de cirurgias plásticas. Sim, desbancou o Brasil e os EUA. Fazer cirurgia plástica por qualquer motivo é uma fixação na Coreia. Basta qualquer aparente imperfeição, e as mulheres (mas também alguns homens) estão

Conhecendo Seul, Coreia do Sul (Parte 1): Gangnam, a “Manhattan coreana” e distrito do Gangnam Style

Um dos fenômenos musicais mais populares do mundo contemporâneo é coreano — quem diria. Música de 2012, Gangnam Style, do artista sul-coreano Psy, ainda é dos vídeos mais vistos do mundo no YouTube, com cerca de 3 bilhões de visualizações. O que pouca gente sabe é que esse vídeo é uma sátira, uma ironia com os opulentos "novos ricos" de Gangnam, distrito no sul de Seul onde se concentram os altos prédios de escritórios de empresas e o centro financeiro do país. Sendo um país que vem crescendo vertiginosamente nas últimas décadas, a Coreia tem uma ascendente classe de executivos, empresários e

Visita a um templo taoísta (Wong Tai Sin) em Hong Kong: Conhecendo a religião tradicional chinesa

A religião tradicional chinesa é das mais antigas do planeta, e praticada por mais de 1 bilhão de pessoas. Ainda assim, nós no Brasil (e no Ocidente em geral) quase nada sabemos sobre ela. Não me refiro ao budismo, que é adotado por apenas 15% da população na China. O que três-quartos dos chineses praticam é outra coisa. Eu muito ouço no Brasil as pessoas dizerem que a China é um "país ateu". Bobagem. Primeiro, se estivermos falando de uma religião oficial de estado, a China é laica como são o Brasil ou os Estados Unidos (diferentemente de países como Irã ou Arábia

Comendo na Itália: Particularidades, dicas e alertas

Itália, famosa por sua boa mesa. Provavelmente você conhece mais pratos italianos do que de qualquer outra culinária estrangeira. Quem não gosta de uma boa lasanha, ravioli, pizza, um bom café espresso, um vinho... Você pode não gostar de todos esses, mas certamente de vários, gosta. (Adora, talvez). Só que há muita coisa que você não sabe, inocente. Minha intenção aqui é compartilhar algumas dicas, alertas, e particularidades sobre o comer na Itália, com base na minha experiência. 
Comecemos pelo que vocês provavelmente já conhecem. Esse curto vídeo abaixo ("10 coisas que amamos na Itália") é todo sobre gastronomia. Certamente há

Albânia (ou Shqipëria, “a terra das águias”): O lindo país europeu que você nunca pensou em conhecer

A Albânia é aquele país europeu que eu só sabia que existe porque ele está sempre no topo das listas alfabéticas, mas sobre o qual eu não sabia nada. Até poucos anos atrás, eu sequer era capaz de localizá-lo num mapa. Ela provavelmente é o país subestimado e desconhecido de toda a Europa. Visitei a Albânia agora em março, e achei-a fascinante. Os próprios (outros) europeus sabem pouco ou nada sobre este país. Geralmente, sobretudo na Europa, os albaneses são conhecidos apenas pela má fama de crime organizado e tráfico de mulheres, estereótipos que nada dizem do seu lado bom e infelizmente reforçados

Visitando Kosovo e sua capital, Pristina

Kosovo é esse país europeu de que quase todos nós já ouvimos falar, mas que poucos  realmente compreendem. Sua guerra de separação da Sérvia nos anos 90 foi algo a que o mundo todo assistiu, e de que todo mundo ouviu falar. (Eu tinha até um amigo apelidado de "Kosovo" à época. Não me pergunte o porquê; ele já tinha esse apelido quando eu o conheci.) Nunca ninguém nos explicou por que raios esse pedaço de território quis ser independente da Sérvia. Foi apenas em 2014 que a minha ignorância foi resolvida quando, na Bósnia, alguém me informou que praticamente todos os

Visitando a Macedônia de hoje: Em Skopje, a capital deste curioso país

Não há dentre os alfabetizados quem não tenha ouvido falar de Alexandre, o Grande, o conquistador da Antiguidade que nos idos de 330 a.C. derrotou o Império Persa e expandiu seus domínios Ásia adentro até a Índia. Ele era da Macedônia, um reino ao norte das antigas cidades-estado gregas (Atenas, Esparta...) mas dentro da sua esfera cultural (ao que se sabe, os macedônios falavam um dialeto do grego usado nas cidades-estado, e tinham a mesma religião). Seu império se partiu em pedaços quando ele aos 32 anos morreu, mas isso deflagrou o chamado Período Helenístico, quando seus generais  dividiram entre si as terras conquistadas e

Belgrado, Sérvia: Cristãos ortodoxos entre os mundos austríaco e turco

A Sérvia é aquele país europeu de que quase todos os brasileiros já ouviram falar, mas que pouquíssimos de fato conhecem. Figuras carismáticas como o tenista Novak Djokovic e o nosso futebolista Petkovic (o "Pet") ajudam a balancear a imagem ruim que o país teve nos anos 90 com os massacres na Bósnia e a guerra em Kosovo. Mesmo assim, a Sérvia ainda é talvez o país mais controverso da Europa, e o maior a estar circundado pela União Europeia mas não fazer parte dela. Eu cheguei para uns dias neste fim de inverno europeu em Belgrado, a capital. Esta era a capital também

Visitando Mascate (Omã) e a Grande Mesquita do Sultão Qaboos (que é gay)

Desculpem-me a fanfarra exaltando assim já de cara a orientação sexual de sua majestade o Sultão Qaboos [kabuz], que certamente nada mais é do que um mero aspecto dentre os muitos que definem quem ele é, mas eu não resisti. Quem, afinal, imaginava que um sultão árabe fosse gay? Serve para a gente ver como a realidade é muito mais rica, diversa e interessante do que costumamos imaginar. O sultão Qaboos bin Said al Said, um distinto senhor de 76 anos, é atualmente o monarca que reina há mais tempo em todo o mundo árabe. Ele governa com poderes absolutos desde 1970, pois Omã

Bem vindos a Amã, Jordânia: Tranquilidade e os originais dos Manuscritos do Mar Morto

Bem vindos a Amã, a capital da Jordânia, este país do Oriente Médio espremido entre Israel e a Arábia Saudita. Eu quero começar proporcionando a vocês aquela que também foi a minha primeira impressão de Amã, desde antes de eu chegar, só por olhar no Google Mapas as suas ruas tortas e meandros: a massa urbana que me aguardava. Assistam a este pequeno vídeo que fiz do alto de uma das sete colinas da cidade durante um dos chamados às cinco orações diárias dos muçulmanos. Era como um dia de inverno na Bahia quando desembarquei, aquele calor não-agressivo. A escada levava-nos do

Nicosia (Chipre), a capital dividida à là Berlim: lado grego, lado turco

Bem vindos a Nicosia, a última capital dividida do mundo. Sim, porque as Coreias há muito tempo já não dividem uma capital. Chipre, no entanto, tem a sua capital dividida desde 1974, quando separatistas falantes de grego tentaram anexar o país à Grécia e a Turquia interveio militarmente em defesa dos cipriotas que falam turco, e que hoje vivem na região norte da ilha. (Mais detalhes sobre isso, no post anterior.) Aqui, embora não haja exatamente um muro como em Berlim, há toda uma seção da cidade que está abandonada, as próprias construções servindo de barreira entre um lado e outro. No

Os lugares reais que inspiraram ou serviram de cenário a Game of Thrones

Já há um tempo eu vinha querendo fazer esta coletânea de lugares por onde passei e que serviram de cenário (ou de inspiração) a Game of Thrones. Dado o sucesso da série, hoje em dia sempre há alguém mencionando como, a propósito, aqui filmaram tal parte de Game of Thrones etc e tal. Mas há também muito do mundo real que pode não ter servido de cenário e ainda assim serviu de inspiração para a obra. Muito do que você crê ser originalidade do autor é na verdade imitação do mundo real — coisas que você desconhecia. A quem ainda não conhece, a série

Alexandria (Egito) hoje: A nova biblioteca alexandrina e a “outra” Santa Sé, de São Marcos

A Biblioteca de Alexandria, o Farol de Alexandria... Eu nunca vi uma cidade ser tão famosa nos livros de História e tão esquecida na atualidade quanto Alexandria. A maioria dos ocidentais parece pensar que Alexandria não existe mais, que ficou para trás já há muitos séculos. Ledo engano. Alexandria hoje é a segunda maior cidade do Egito, com quase cinco milhões de habitantes, e continua sendo belamente banhada pelo Mar Mediterrâneo no norte do Egito do mesmo jeito que era antigamente. São apenas 2-3h de trem desde o Cairo, a depender do tipo de trem que você tomar. Alexandria merece ao menos um day tour, um bate-e-volta, mas

Aswan (ou Assuã) e o Templo de Philae à deusa Ísis

Aswan — ou Assuã, ou ainda Assuão em Portugal, mas opto aqui pela grafia usada pelos próprios egípcios — é a principal cidade do sul deste país. Uma cidade grande, diga-se de passagem. Não se trata de uma cidade turística pequena, onde tudo se faz a pé, como Luxor. Aswan é uma cidade relativamente moderna, de grandes distâncias inconvenientes, e algumas jóias importantes aqui e ali por ver. Quando cheguei, estava retornando de Abu Simbel, aonde fui de manhã bem cedo após me levantar às 2:30h da manhã e deixar para trás o navio que havia me trazido aqui Rio Nilo acima desde Luxor. Minha

Sobek e os crocodilos mumificados do Antigo Egito, em Kom Ombo

Você aí achava que os antigos egípcios mumificavam apenas pessoas? Não sabia que eles mumificavam também crocodilos? Nem eu. Os crocodilos são dos animais mais simbólicos do Rio Nilo. Nos tempos antigos, eles habitavam todo o rio até o seu delta, lá no norte em Alexandria, e devoravam fulanos e beltranos por todo o país. Estas criaturinhas tem entre 3-6m de comprimento e pesam de 500kg até mais de uma tonelada. São sociáveis, numa hierarquia determinada por tamanho. E no Antigo Egito eles eram cultuados na forma do deus Sobek, aquele com cabeça de crocodilo no mural abaixo. O nosso navio aportou em

O magnífico templo antigo de Hórus em Edfu, no Egito

A primeira parada do nosso cruzeiro Rio Nilo acima foi em Edfu, uma cidade remota no sul do Egito. Aqui se encontra um dos templos antigos mais fabulosos de todo o país. Fiquei embasbacado com algo tão antigo estar tão inteiro — melhor do que a grande maioria das ruínas antigas que você vê na Grécia ou na Itália, por exemplo. Um dos segredos me parece ser, primeiro, a secura do ambiente. Segundo, o lugar é remoto, comparativamente pouco urbanizado, e as areias do deserto cobriram quase tudo completamente até pouco mais de um século atrás. Trata-se de um templo a Hórus, deus dos

Monumentos funerários egípcios em Luxor, o Vale dos Reis e a Tumba de Tutancâmon

Estamos em Luxor, no meio do Egito, às margens do Rio Nilo. Aqui ficava a antiga capital Tebas, por volta de 1500 anos antes de Cristo. No post anterior eu relatei as minhas visitas ao Templo de Luxor e ao Templo de Karnak, à margem oriental do rio. Agora vamos à margem poente do Nilo, onde os egípcios antigos enterravam os seus mortos (emulando o pôr-do-sol). Este lugar é um poço de tesouros históricos, e talvez onde eu vi os resquícios egípcios antigos mais bonitos e impressionantes de todo o país. Primeiro de tudo: Chega-se até aqui com um tour que cobre todos

A dança do ventre no Cairo, na origem

O Cairo é muito mais do que apenas as pirâmides. A cidade é também o lugar mais tradicional de dança do ventre no mundo. A origem da dança do ventre não é clara. Há quem diga que ela surge no Egito Antigo, outros que falam em Mesopotâmia e Pérsia. O que é certo é que ela há séculos faz parte da cultura popular do Oriente Médio e de regiões adjacentes. Os árabes depois a desenvolvem, e sobretudo durante a época do Império Turco Otomano (1400-1917) ela ganha sobeja atenção na Europa — impressionada com aquela sensualidade, na sua onda "orientalista" da época do imperialismo

Como era feito o papiro no Egito Antigo

Não há tour hoje em dia que não inclua aquela paradinha básica numa loja onde os guias ganham comissão se você comprar algo. E talvez nada mais egípcio que um fabricante de papiros. Após visitarmos as épicas Pirâmides de Gizé pela manhã, paramos para almoçar num buffet ali por perto e para ver uma demonstração de como era feito o papiro no Antigo Egito — para quem sabe ficarmos motivados a comprarmos um ou muitos.  No Egito, por toda parte você verá vendedores oferecendo ilustrações em "papiro" por 1 dólar. É banana. Digo, é folha de bananeira, e não papiro. Vai quebrar antes mesmo de você

Visitando as Pirâmides de Gizé e a Esfinge no Egito

As Pirâmides de Gizé são a única das sete maravilhas do mundo antigo a durar até os dias de hoje. Gizé é a área onde ficam as famosas pirâmides de Quéops, Quéfren e Mikerinos, todas construídas nos idos de 2500 a.C. (O nome "Gizé" é medieval e vem do árabe al-Jizzah, que quer dizer "o vale" ou "o platô" — garanto que nunca lhe disseram isso.) Aqui ficava Mênfis, a primeira capital do Egito Antigo. À margem oriental do Rio Nilo estava a cidade dos vivos (da qual não resta praticamente nada, pois as casas comuns eram feitas de argila e não de pedra), e a oeste, onde

O verdadeiro iogurte grego original: Puro “food porn”

O Brasil finalmente descobriu iogurte de verdade. (Esse era uma dos poucos alimentos que eu lamentava não encontrar de boa qualidade no Brasil, só aquela coisa rala e com sabor artificial.) Agora tudo mudou, o Brasil descobriu o "iogurte grego" e ele agora toma todas as geladeiras do país. Os outros logo sairão de circulação, pode apostar. Iogurte grego, na verdade, há muitos anos é "sensação" Ocidente afora. Ele nada mais é do que iogurte coado, tirado o soro do leite. Fica então a parte grossa, dando aquela consistência firme. Esse é um método tradicional de fazer iogurte muito comum pelo Oriente Médio e nos

Afeição masculina nos países árabes e na Índia: O reverso da medalha da segregação de gêneros?

Quem viajar ao mundo árabe ou à Índia vai notar logo duas coisas de cara. A primeira, conhecida, é a separação entre homens e mulheres no mundo público. Verá poucas mulheres recepcionando clientes em lojas, em restaurantes, ou em qualquer instância onde haja contato com estranhos; e verá pouca interação entre homens e mulheres, de fato. Os grupelhos na rua são caracteristicamente de mulheres de um lado, e homens do outro. 
A outra coisa que lhe chamará muito a atenção, como ocidental do século XXI, é a proximidade física que existe entre os homens aqui. A afeição a que você assiste

Visitando as “mulheres-girafa” do pescoço comprido e outras tribos das colinas na Tailândia

Eis a famosas mulheres do pescoço comprido (que até chegar aqui eu nem sabia que viviam na Tailândia). 
Numas choças de madeira e palha vivem essas inigualáveis mulheres. Fazem parte da tribo Karen (às vezes escrito Kayan), uma das várias que habitam estas colinas aqui do extremo norte da Tailândia, sul da China, e áreas adjacentes nos outros países da região. São um povo de cultura particular, uma minoria étnica que desconhece as fronteiras políticas que lhes foram impostas nos tempos modernos. 
A chegada até aqui não é complicada. De Chiang Rai, já no extremo norte da Tailândia, é facílimo organizar passeios de um

Sevilha: Capital de Andaluzia, do Flamenco, e do estilo Mudéjar

Sevilha é uma cidade impressionante, e por vários motivos. Rainha do sul da Espanha, ela é tanto a capital administrativa de Andaluzia quanto a sua maior cidade e o seu coração. Aqui moram os melhores espetáculos de flamenco da Espanha, e aqui também repousam quilates e quilates de história espanhola medieval e moderna. (Para os mais chegados em arte, tampouco deixem de ver as obras do pintor Murillo, sevilhano, e a rua onde se passa a famosa ópera Carmen, de Bizet.) 
Vamos por partes, pois as riquezas aqui são muitas. Eu optei por não dividir este post, para que vocês sintam como todos

Málaga e um panorama geral do sul da Espanha, a Andaluzia

O sul da Espanha é a minha região favorita do país. A maior parte dos turistas brasileiros se limita a visitar Madrid e Barcelona (às vezes, Zaragoza e Bilbao a caminho da França), mas a Andaluzia pra mim reserva dos elementos mais interessantes da Espanha. 
Aqui é a terra do flamenco, de cidades medievais lindas como Granada e Sevilha, e da presença mais pronunciada de toda a herança moura no país. (Para os que perderam essa aula de História, a Península Ibérica foi tomada pelos árabes, com exércitos também de berberes [nativos do norte da África], no ano 711 e teve reinos muçulmanos

Em Cusco, a antiga capital inca e o “umbigo do mundo”

O mundo estava acabando quando chegamos a Cusco. Ao final das oito horas de viagem de trem no Andean Explorer, a chuva engrossou tremendamente, até virar um daqueles acaba-mundo. A estação de trem de Cusco é minúscula. Fora da grade, e em todos os arredores após a área restrita para desembarque, motoristas de táxi amontoavam-se irrequietos e gritando famintos em nossa direção tais quais zumbis de The Walking Dead. Não havia outra opção senão render-se à sua sanha. Tentei, inutilmente, descobrir se haveria um ônibus ou alguma forma de transporte coletivo. Mas estamos na América Latina, e uma das nossas muitas infelicidades é

Quatro características fundamentais da sociedade inca e de que você provavelmente nunca ouviu falar

Aeroporto de Cusco. Eu gosto de pôr fotos atuais para ninguém pensar que os incas não existem mais. Só foram explorados e ficaram pobres, mas continuam aqui no Peru, na Bolívia e no Equador para quem os quiser visitar. Não sou o maior adepto de entradas em formato de lista ("5 coisas que você..."), pois virou clichê, mas neste caso uma vem a calhar. Há algumas informações valiosas — e curiosas — pra se entender os incas e apreciar mais uma viagem ao Peru, e que eu receio a maioria das pessoas desconhece. (Não me conformo que aprendamos até nome de faraó egípcio e quase

Nantes (França), a cidade de Júlio Verne

La France. Finalmente eu estreio as minhas postagens em terras francesas. É curioso como na França existe um hiperfoco do turismo brasileiro — ou, pra ser mais justo, do turismo não-europeu em geral — em Paris apenas. O que se conhece das demais cidades francesas? Na Itália se vai a Veneza, Florença, Milão e outras além de Roma. Na Espanha as pessoas visitam Madrid mas também Barcelona, Sevilha, Granada, Bilbao e outras. Na Alemanha vão a Munique, Frankfurt. Na França, não. Quase que só Paris. O que se sabe de Marselha, Lyon ou Toulouse, respectivamente a segunda, terceira e quarta maiores cidades da França?

Gouda (Holanda), a cidade do queijo

"No se confían. Políticos, no se confían.", ouvi a latino-americana dizer ao seu filho ao meu lado, crente que eu não estava entendendo. Certamente tomou-me por árabe, já que há muitos aqui e graças à minha barba. O garotinho havia avistado a contra-capa do livro de Noam Chomsky que eu lia à luz do sol à janela do trem. 
Íamos de Amsterdã a Gouda, cidadezinha no interior da Holanda. Lá nasceu o queijo de mesmo nome, um dos mais famosos do mundo, e que eu resolvi ir conferir no local de origem. Este é também o primeiro post que faço sobre

O Irã e o islamismo xiita: nada do que você imagina

Um quadro em Isfahan. Não, esse não é Jesus. Esse aí é Ali, "o leão de Allah", primo e genro de Maomé. Ô, peraê, não disse que não podia fazer representação pictográfica na religião islâmica? Você já deve ter ouvido falar na divisão entre sunitas e xiitas no Islã, sem compreender exatamente qual a diferença. Só sabe que "xiita" em português virou sinônimo de radical, intransigente, e supõe portanto que os muçulmanos xiitas são aqueles mais radicais.  
Errado. Completamente errado. Pegue esse pedaço de "conhecimento" ali e atire pela janela. O governo islamista do Irã é radical sim, conservador, e repressivo numa série de coisas, mas isso

O Zoroastrismo, as Torres do Silêncio e o Templo do Fogo em Yazd

Esse aí sou eu em frente ao Templo do Fogo (Atashgah) de Yazd, Irã, no dia em que conheci Zaratustra. Assim falou Zaratustra (1885) é o título do mais famoso livro do filósofo alemão Nietzsche. A filosofia do livro — que, em grande medida, sintetiza o pensamento de Nietzsche — no entanto é o total oposto do que pregou o verdadeiro Zaratustra (chamado Zoroastro pelos gregos). Esse filósofo da Pérsia Antiga, que dizem ter vivido em algum momento entre 1000-600 a.C., foi o primeiro a articular os conceitos de Bem e Mal como algo metafísico, que rege o universo, e criar assim a ideia de moralidade, de

Em Pasárgada e Persépolis: Mergulhando na Pérsia antiga

"Cá no Irã, quando lhe perguntarem de onde você é, diga que não sabe, porque não é casado ainda. É um ditado aqui. Afinal, a gente sempre vai parar onde a família da mulher está. Veja eu, sou aqui de Shiraz e acabei indo morar em Kashan", disse-me o senhor iraniano idoso que nos acompanhou no passeio.  
Era um senhor simpático, quieto, de seus 70 anos, daqueles que andam no seu próprio passo, com as mãos para trás e olhando tudo. Daqueles que sabem muita coisa e não puxam muita conversa, mas se você começar a conversar com ele, a coisa

O uso do véu no Irã

Na foto acima, a famosa Polícia Moral do Irã aborda uma jovem transeunte, acusando-a de que o hijab (o véu de cobrir a cabeça) não está bem posto. A lei iraniana determina que todas as mulheres (turistas ou não) se cubram, mas não diz como. A grande maioria das jovens, ao menos nas cidades grandes, vestem-se assim como essa de rosa. Ao que parece, a polícia não gostou.  
No momento, há uma batalha política no Irã, em que o presidente (eleito democraticamente) Hassan Rouhani diz que não cabe à polícia fiscalizar tal coisa nem impor o Islã a ninguém — "enviar as pessoas

A Origem do Chocolate: Experimentando o original indígena no México

Essas são sementes de cacau, das quais se faz o xocolatl, também conhecido como chocolate. Antes de ganhar o mundo, o chocolate já era sensação entre as civilizações indígenas da Mesoamérica (da América Central ao México). Embora ele seja nativo da Amazônia, foi aqui que se desenvolveu como tal. Há evidências de uso desde 1900 a.C., sempre como uma bebida. Os astecas, de quem os espanhóis aprenderam, o chamavam xocolatl, ou "água amarga". A razão é que os índios não usavam açúcar, e tampouco o diluíam com leite. Ao contrário, o usavam bem concentrado: juntavam as sementes moídas a água e

Valletta, Caravaggio e a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários em Malta

Valleta, a capital de Malta, funciona como seu bairro histórico e administrativo. São ruelas perpendiculares e paralelas onde só passa um carro, ou só pedestres. Toda ela é tombada como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1980. São muitas igrejas, museus, e fortificações antigas, além do casario. Malta participou ativamente do Renascimento italiano, foi dos bastiões do estilo barroco, e inclusive hospedou Caravaggio uns anos — quando o pintor italiano andou se metendo com as mulheres erradas, fugiu pra cá, e entrou até pra a ordem dos cavaleiros da ilha (mais a seguir). 
Tudo começou em 1530, com a chegada da Ordem dos Cavaleiros

Zagreb (Croácia) e o Museu dos Relacionamentos Partidos

Bem vindos a Zagreb, a capital croata. Uma cidade simples, mas bonita e rica em história. Ao contrário da costa da Croácia, que atualmente recebe enxames de jovens festeiros de toda a Europa e parece funcionar na base do turismo, a capital é autêntica: uma cidade de croatas e para os croatas. Isso significa preços mais baratos e maior contato com o povo local. 
Para quem está perdido, a Croácia fica a leste da Itália. A costa praieira no sul lembra o lado italiano, mas aqui o norte do país lembra mais as suas origens centro-europeias como parte do Império Austríaco.

O Acre existe, e eu vim conhecer

Essa foto acima foi da varanda da minha morada em Rio Branco, num entardecer.  Numa das tardes em que saí de lá e fui à cidade, sentei-me a uma tacacazeira, quando de repente apareceram as tias. Procuravam uma mesa. Não havendo mesa alguma vaga, propus que se sentassem comigo. Sendo tias, comunicativas, com aquelas caras de que já gostam de conversar, sentaram. 
— "Só a gente mesmo pra tomar tacacá num calor desse, né?", perguntou-me uma das duas tias, risonha, enquanto enxugava o suor da cara com os guardanapos de papel da mesa — e me tomando por acriano. 
— "É! Precisa coragem mesmo!", respondi eu, meu sorriso

Pelas ruas de Antananarivo: Mercadão e curiosidades da cultura de Madagascar

"Por que é que o Brasil perdeu daquele jeito?", me perguntou Mina do banco de trás do táxi. Por que? Ensaiei alguns comentários sobre tática, inexperiência, pressão e apagão, mas ela não parecia muito interessada na minha resposta. "Aqui estava todo mundo torcendo pelo Brasil. Aqui em Madagascar o povo é Brasil ou Argentina, mas quase todo mundo é Brasil".  "E as seleções da Europa?", perguntei eu. "Blargh!", respondeu ela fazendo careta, que eu pude ver olhando pra trás. Passados alguns segundos de silêncio, ela continuou: "Meu tio morreu por causa daquele jogo". Perguntei se ela estava zoando. "Não, é

Era uma vez em Madagascar: Antananarivo e região

Madagascar, eis a ilha de verdade, cujo nome muitos conhecem apenas pelos filmes de animação. Há quem a chame de "o oitavo continente", já que 90% da fauna e flora desta ilha (do tamanho de Minas Gerais) é endêmica e, portanto, só existe aqui. Já outros são mais poéticos, e chamam Madagascar de a "ilha do amor", como aquela clássica música do Olodum — que sempre ensinou mais de História e cultura da África ao Brasil que o nosso ensino escolar eurocêntrico (relembre aqui).  
A natureza aqui pode muito bem ser fruto do amor de Deus, mas a miséria social é obra clara da falta

Rovaniemi, Finlândia: Visitando a Lapônia e o Papai Noel no Ártico

Foi Ano Novo em Amsterdã. O cheiro dos fogos se misturava ao de maconha na rua. Não que os holandeses e turistas fumem sempre, mas nesta noite de réveillon havia o bastante para confundir os cheiros. E olhe que aqui os fogos de virada de ano não são poucos. Parece festa junina. Há muitos milionários que, para além da festa paga pelo governo, fazem as suas próprias, então há fogos por toda a cidade. Além disso, aqui todo mundo parece virar criança e o que mais se vê são adultos jogando bombas na rua como se fosse a coisa mais

Edição especial numa terra Pataxó: Em meio aos índios em Porto Seguro e Coroa Vermelha

Dança com Lobos (1990) e O Último Samurai (2003) são filmes de narrativa simples, mas de profundo significado: um homem deixa a sua sociedade habitual e acaba convivendo com aqueles que vivem de um outro modo. "A way of life", é o nome da música-tema d'O Último Samurai, e não por acaso. Em ambos os filmes, os personagens acabam encontrando naquela nova sociedade muito do que já não encontravam nas suas. 
Este ano fui agraciado com trabalhos aqui no Brasil, entre eles um projeto com os índios Pataxó, no sul da Bahia. Perto da conhecida Porto Seguro há mais de 800

O Reino de Lesoto, sul da África

Waka waka, é a vez da África! Direto o Reino de Lesoto, um país independente encravado na África do Sul, e de difícil acesso a brasileiros, pois não há sequer embaixada dele no Brasil pra tirar visto. Normalmente é preciso mandar o passaporte a Washington D.C. nos Estados Unidos, ou tirar o visto em trânsito na África do Sul. Mas consegui um "atalho", já que fui a um evento com gente do governo de lá. 
Provavelmente como você, eu pouco sabia de Lesoto. Fui ler a respeito e comecei com belas perspectivas: malas se perdem com frequência no aeroporto, e não

Na Aridez da Capadócia (Parte 2): São Jorge, o Museu Aberto de Goreme, e o Vale do Amor

O meu relógio marcava 5:29 da manhã quando o grito de "Allaaaaaahu akbar" soou do minarete ao lado do meu hotel. Quando eu digo "ao lado", eu digo literalmente. E aquela voz de megafone. Eles não gravam; todo dia, 5 vezes, vem mesmo alguém chamar os muçulmanos — grande maioria aqui — à oração. Eu fui chamado mesmo sem ser. Os dizeres prosseguem por um ou dois minutos, exaltando Deus e clamando a todos que venham. É impressionante, mas me levantou meio que de supetão nesse horário. 
Por outro lado, foi bom. Meu despertador tocaria às 5:30 de qualquer jeito. Às 6:00 o baloeiro

Dondurma: O sorvete turco que não derrete

Essa cara malandra (não a minha, a outra) é do vendedor de sorvete turco. Eles aqui estão por toda parte, pregando peças nos turistas com o sorvete que não derrete. A gente tende a supor que todo sorvete é feito praticamente da mesma maneira, só muda na "qualidade", mas claramente este não é o caso. Como diria um bom comercial do clássico 011 1406: Não tente fazer isso em casa com um sorvete comum! O sorvete tradicional turco (dondurma) é diferente do habitual. O sabor é parecido, mas a sua textura é mais densa e firme. Como resultado, ele é bem mais difícil de derreter — e permite

Maria no Alcorão e a casa onde viveu em Éfeso (atual Turquia)

Aqui perto de Éfeso, na atual Turquia, viveram João e Maria. Não os da casa de doces, mas os da Bíblia: João, o apóstolo, e Maria, mãe de Jesus. Tudo indica que foi pra cá que ambos vieram após a crucificação de Jesus, quando este lhes disse o célebre: "Mulher, eis aí o teu filho; filho, eis aí a tua mãe". Acredita-se que eles moraram muitos anos em Éfeso, e que aqui é que o evangelho de João foi escrito. Embora não haja consenso, a versão mais aceita diz que ela faleceu aqui 11 anos após a crucificação de Jesus. A

A triste sina de Hiroshima

8:15 da manhã, 6 de agosto de 1945 As pessoas aguardavam a abertura dos bancos e das lojas. Não se pode dizer que era uma manhã "normal", pois já há oito anos o Japão estava em "guerra total". O risco de invasão era real, e a derrota já era certa. Mas se por um lado os líderes do Japão já tinham noção da circunstância e as lideranças ocidentais já até repartiam os espólios de guerra, as pessoas comuns — sempre as que arcam com os maiores custos — dificilmente imaginavam o que estava por vir. 
Hiroshima entrou para a História como a primeira vítima de uma bomba atômica.

Uma receita nipo-brasileira: Como fazer brigadeiro de chá verde

O meu albergue em Kyoto é um repositório de gente criativa. Além do meu amigo letão (da Letônia) que veio aqui comigo, conhecemos uma colombiana da Carolina do Norte (Alexandra) e uma mexicana, Maria José, e juntos começamos o hábito de tentar algo exótico todos os dias. No dia anterior tivemos sorvete de limão caseiro para o café da manhã (e para o arrepio de todos que estavam no albergue), e hoje à noite, não tinha escapatória, seria a minha vez de cozinhar. Eu havia avisado a todos que, como o único brasileiro no grupo, poderia fazer brigadeiro, com algo japonês, mas

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