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O Deserto de Gobi, as Dunas de Khongor e os Penhascos Flamejantes: Tour pela Mongólia, dias 4 e 5

Continuação de Iniciando um tour pela Mongólia (Dias 1, 2 e 3): Entre vales, estepes e camelos Não, não é o Saara. Não estamos na África nem na Arábia, mas sim na Ásia Central. Se você reparar num mapa da China, verá que o seu oeste é muito pouco habitado, dotado como é de regiões áridas até você chegar às montanhas que lhe servem de fronteiras com o Quirguistão e o Tajiquistão. Por aqui passavam as rotas de mercadores, naquilo que ficou apelidado de Rota da Seda, e que levava até as grandes cidades da Pérsia, Constantinopla/Istambul, o Egito e a Europa. A

Iniciando um tour pela Mongólia (Dias 1, 2 e 3): Entre vales, estepes e camelos

Era uma manhã dessas de sol quando todos nos reunimos no albergue. Éramos eu, minha amiga canadense com quem viajava, três franceses que espontaneamente juntaram-se ao nosso tour (o que reduziu o preço), um rapaz mongol que nos serviria de guia, e um senhor mongol que seria o nosso motorista. Arrumar um tour pela Mongólia não é difícil, mas é preciso ser criterioso. Há muitas ofertas, muitas delas exageradamente caras, outras baratas mas furadas, e por aí vai. Ao final destes relatos na Mongólia, eu vou compartir com vocês as dicas disso. Os arranjos que fiz foi com Jagaa, alguém que —

Em Ulaanbaatar, a capital da Mongólia

Ulaanbaatar, a capital da Mongólia, é um lugar muito mais dinâmico e movimentado do que você talvez imagine. Eu várias vezes olhei o mapa, vi essa cidade de nome estranho perdida cá nos confins da Ásia Central, e imaginava "não deve ter nada". E isso não era somente por eu ser brasileiro, do outro lado do mundo: eu conversei com russos da Sibéria, aqui vizinha, que imaginavam a mesma coisa da Mongólia. Estávamos todos enganados. Embora remota (para quem vive no Ocidente), a atual capital da Mongólia é uma cidade de mais de 1 milhão de habitantes, com prédios, shoppings, restaurantes

Rumo a Wellington: A capital da Nova Zelândia e o espetacular museu “Te Papa”

Tinha tudo pra ser um dia lindo. O sol raiava, era uma manhã fresquinha, e eu me preparava para embarcar numa cênica viagem de trem desde Auckland até Wellington, a capital neozelandesa, no extremo sul da Ilha Norte do país.  Começou bem. Todos os trens são cênicos e turísticos na Nova Zelândia: como é habitual nos países de língua inglesa, há um predomínio do automóvel e das estradas, mas aqui há linhas especiais de trem nas quais turistas podem fazer uma viagem mais gostosa apreciando a paisagem. Há comentários em inglês e mandarim (o que achei revelador), e o trem era

Fazendo voo de conexão na China continental sem visto de trânsito: A experiência

Brasileiros podem ficar até 72h em trânsito na China continental sem visto. "China continental" (mainland China), pra quem estiver perdido, é o nome normalmente usado para referir-se à China propriamente dita, fora das regiões administrativas especiais de Hong Kong ou Macau, que gozam de certa autonomia e fronteiras próprias (pra não falar em Taiwan, que é soberana). Brasileiros podem visitar Hong Kong e Macau por até 90 dias sem visto. Já a China continental, não. Apenas por 72h, que foi o que eu fiz, meio sem querer. Meu voo de Hong Kong a Seul, na Coreia do Sul, foi pela Xiamen

No Sultanato de Omã, o lugar mais quente da minha vida

Eu cresci no Nordeste do Brasil, conheço na pele os verões no Rio de Janeiro, já estive na Amazônia, e morei debaixo da linha do equador na Indonésia. Mas nada me preparou para Omã no verão.  Você aí talvez nem soubesse que esse país existia. Existe e é maior que o estado do Rio Grande do Sul, estendido no sudeste da Península Arábica, entre a Arábia Saudita e o Mar da Arábia. Dizem que era por aqui que o lendário marujo Sinbad (dos contos registrados no clássico As Mil e Uma Noites) fazia suas peripécias. Hoje é um sultanato absolutista relativamente tranquilo (daí você não

Epílogo: Crônicas do Aeroporto do Cairo

Ah o aeroporto do Cairo!  Recomenda-se chegar com uma boa antecedência (3h) ao aeroporto do Cairo. Há vários controles de segurança, as filas podem ser grandes (e esculhambadas, com gente descaradamente passando à sua frente), e na real nunca se sabe o que pode acontecer. Semana passada alguém sequestrou um avião, um mês atrás houve uma bomba. Saiba também de qual terminal o seu voo sairá. E ainda assim há várias entradas, a depender da cia aérea. Eu comecei a formar fila atrás de uma turma à frente de uma porta (pois aqui no Oriente Médio há sempre que se passar as bagagens por

Aswan (ou Assuã) e o Templo de Philae à deusa Ísis

Aswan — ou Assuã, ou ainda Assuão em Portugal, mas opto aqui pela grafia usada pelos próprios egípcios — é a principal cidade do sul deste país. Uma cidade grande, diga-se de passagem. Não se trata de uma cidade turística pequena, onde tudo se faz a pé, como Luxor. Aswan é uma cidade relativamente moderna, de grandes distâncias inconvenientes, e algumas jóias importantes aqui e ali por ver. Quando cheguei, estava retornando de Abu Simbel, aonde fui de manhã bem cedo após me levantar às 2:30h da manhã e deixar para trás o navio que havia me trazido aqui Rio Nilo acima desde Luxor. Minha

Chegando ao Cairo, Egito: Visto para brasileiros, imigração, e as primeiras impressões

[Atualizado em Nov 2017]. Egito, o mais antigo país continuamente em existência no mundo, muitos dizem. Um destino turístico por excelência, com muita coisa impressionantemente bem preservada. E aos que vieram até aqui para saber sobre o visto para brasileiros, saiba que a maior parte da informação na internet está desatualizada: É possível, sim, obtê-lo diretamente no aeroporto por US$ 25 [Informação atualizada em Ago 2017. O consulado pode dizer que você precisa tirar o visto antecipadamente, mas na realidade você continua podendo tirá-lo mais facilmente na chegada, no aeroporto.]. Leve os dólares consigo, de preferência a quantia exata. O

Muvuca no Aeroporto de Túnis, e despedindo-se da Tunísia

Isso são as filas para check-in no Aeroporto de Túnis. Era hora de despedir-se da Tunísia, mas a tarefa não parecia fácil. Cheguei, ingênuo, ao Aeroporto de Túnis achando que todo o processo se daria com a tranquilidade que encontramos no Brasil (sim, tranquilidade). Desde Madagascar eu não via tamanha esculhambação aeroportuária. Nas “filas” para o check-in parece que você trouxe várias famílias da roça para o aeroporto, e elas estão ali na muvuca. Grupos de senhoras passavam desavergonhadamente à minha frente, falando umas com as outras; homens iam lá pra a frente com 5 passaportes na mão, e ficavam gritando pra localizar

No meio do povo na Tunísia: Viajando de trem (ou não), e chegando a Sousse

Achei de viajaria de trem aqui na Tunísia. E no fim das contas acabei viajando, mas por muito tempo tive dúvida. Era a minha viagem de mochila e cuia para Sousse, cidade mais a sul na Tunísia, desde a capital Túnis nesta manhã de início de primavera. Cheguei cedo para o trem. Sairia às 9:30h, mas eu resolvi chegar pelo menos meia hora antes pois eu já tinha compra a passagem não havia lugar marcado. Melhor antecipar-se às massas. Conforme o tempo passava e o trem não vinha, vinham mais e vinha a certeza do pega-pra-capar que seria na hora que o trem

De volta ao mundo árabe: Bem vindos à Tunísia, norte da África

PRÓLOGO A Tunísia, ex-colônia francesa no norte da África, foi a pioneira da Primavera Árabe. Em 16 de dezembro de 2010, o vendedor de rua Mohamed Bouazizi ateou fogo ao próprio corpo num protesto de último recurso contra as injustiças que sentia no país. Democracia falha, repressão governamental, abusos de autoridade, combinados a desemprego, altos preços de alimentos e más condições de vida. Mohamed era da minha idade, e faleceu em poucas semanas. Foi o estopim para explodirem as frustrações de um povo. O ditador Zine El Abidine Ben Ali governava desde 1987 sob a rótulo de "presidente", eternamente reeleito em eleições

O bucólico oeste da Irlanda: Galway, Connemara, e os Penhascos de Moher

A Irlanda é famosa na Europa por suas paisagens bucólicas, sobretudo este oeste do país. É como se aqui você finalmente encontrasse aquele autêntico verde do espírito irlandês, aquela alma celta, a natureza dos campos tranquilos, aquela beira-mar vazia, sem ninguém, e ruínas de pedra na neblina. Uma quietude que faz você se sentir em As Brumas de Avalon ou em alguma cena New Age. Eu cheguei aqui após poucas horas de trem desde Dublin, a capital irlandesa. A pequena cidade de Galway faz as vezes de cidade mais importante nesta costa oeste. Era inverno, e todo o lugar parecia adormecido. Ainda que

Zoeiras Peruanas: Da malandragem ao cuspe de lhama, e mais

Aí estão as tias me enrolando. Eu paguei pra tirar uma foto com um filhote de lhama, e aí estou eu sendo enganado antes de me dar conta — muito depois — de que esse é um filhote de cabra. Quem quiser que caia naquele conto de que malandragem e criatividade só existem no Brasil. "Somos de Peru, carajo!!", dizia o homem com voz de Velho Barreiro na gravação. Estávamos num tour pelos arredores de Arequipa e, por alguma razão que desconheço, puseram o conversê gravado de um velho da roça no final. O veículo era um daqueles ônibus turísticos abertos onde as pessoas sentam

Emoções de ônibus no interior do Peru: Lindas vistas e sensações fortes de Puno a Arequipa

"Hay chicharrones! Hay chicharrones!", anunciavam as vendedoras gordas pelo corredor do ônibus até Arequipa. Senhoras pesadas, usando roupas compridas e chapeuzinho preso com a tira abaixo do queixo, e que vendiam pedaços de frango frito em pequenos sacos plásticos onde grandes grãos de milho branco também boiavam no óleo. Uma visão apetitosa. Os peruanos compravam aquilo e comiam aos montes, fazendo subir no ônibus o delicioso cheiro de óleo frito. 
O nosso ônibus era quase hermeticamente fechado. Não havia ar condicionado. Ou melhor, havia, mas não funcionava — assim como tampouco as lâmpadas de leitura, a televisão, e o chique botão de chamar

Uma Carta Chilena: Minhas desventuras em Valparaíso e Viña del Mar

Dizem que em Vila Rica, atual Ouro Preto, às vésperas da Inconfidência Mineira (1789), circulavam cartas anônimas de tom jocoso, supostamente de alguém em Santiago falando (mal) dos governantes chilenos. Na realidade, eram críticas veladas ao governo colonial brasileiro. Já esta "carta" aqui não é política, tampouco anônima, e se passa no Chile mesmo.  Viña del Mar é o resort chileno preferido dos endinheirados; Valparaíso, uma histórica e importante cidade costeira que conheceu a sua glória no século XIX, mas que afundou após a abertura do Canal do Panamá em 1914.  
As duas estão a uma curta viagem (1:30h) de Santiago, e é fácil

Em Yazd (Irã): Malandragem à iraniana e arquitetura persa no deserto

Nunca antes havia eu escutado "I love you" três vezes numa mesma corrida de táxi. Muito menos do taxista. Este se chamava Ali (como provavelmente outros 10 milhões de iranianos), e essa deve ter sido a corrida de táxi mais divertida eu que já fiz na vida. Entrecortamos a cidade de Yazd, no interior do Irã, por quilômetros de ruelas e becos a todo vapor, sem pegar uma avenida, com Ali dirigindo com uma única mão no volante, a outra descansando pra o lado de fora da janela, e falando sem parar comigo em persa, e rindo. Não falava uma

Mais Irã: lados difíceis

Esse aí sou eu, sem opção, tomando a marvada mistura 3x1 (café solúvel, leite em pó e — muito — açúcar) em lugar de café de verdade. Foi a única coisa que achei na rua, no centro de Teerã. Debati-me inúmeras vezes por lojas, com o meu afiado persa, perguntando onde tinha Kafé, Koffee, Kefir, e todas as variantes pensáveis dessa palavra que, eu sei, tem origem árabe e, portanto, deve soar parecido em persa. No entanto parei quando a minha amiga turca me alertou que Kafir, parecido o suficiente, quer dizer "infiel", "pessoa que rejeita Deus", e é uma ofensa das mais perjuradas

Pelas ruas de Teerã: Aventurando-se no Irã/Pérsia

Cá estamos em Teerã, a capital iraniana de 12 milhões de habitantes. Última capital da Pérsia antes de ela mudar de nome para "Irã", e um dos grandes centros do Oriente Médio. Tráfego louco, mas boulevards bonitos e lindos jardins. Palácios persas de outrora lado a lado com prédios públicos onde figuram (por lei) as faces dos governantes da República Islâmica que o país se tornou desde 1979. Bem vindos ao Irã! Comecemos, devagar, por Teerã, que não é a melhor cidade iraniana a se visitar, mas é a capital e onde a minha aventura começou. 
Deixem-me dizer logo: as ruas

Bem vindos a Malta: Chegando e Ambientando-se

Malta está no imaginário de todos, uma referência que poucos brasileiros sabem de onde vem. Cruz de Malta, cachorro maltês, entre outros, e muita gente sequer sabe que Malta é um país independente, membro da União Europeia (desde 2004), e que fala o seu próprio idioma, o maltês. Onde fica? Ao sul da Itália, no caminho para a Líbia, caminho que muitos refugiados africanos hoje fazem em reverso, buscando vida melhor na Europa. Foi essa curiosidade que me trouxe aqui após deixar as praias da Romênia (aqui) neste verão. Conheceria um cantinho menos conhecido da Europa. 
Já no aeroporto, hospitalidade maltesa. Nunca

Praias Romenas 2: Farofa, nudismo e rock n’ roll

Depois de alguns anos, estamos de volta à Romênia. Ah, terra de tão interessantes praias! Não tanto pela praia em si, que no Brasil temos melhor, mas pela muvuca. E cada uma tem uma muvuca à sua maneira. 
Meu destino este ano foi a praia de Vama Veche [Véke], uma das mais badaladas e preferidas dos jovens alternativos na Romênia. Cheguei aqui após duas breve noites na cinzenta — porém interessante — capital romena, Bucareste. (Pra quem perdeu a minha incursão anterior a este país, vejam aqui). Não é o clima que é cinzento em Bucareste, mas os prédios, quase todos herdados da época comunista

Casablanca e a Mesquita Hassan II

Casablanca é a maior, mais rica, mais feia, mais suja e mais esculhambada cidade do Marrocos. Perdão, amigos marroquinos, mas vocês sabem que é verdade. A sensação é a de uma cidade onde os prédios pararam no tempo — ou melhor, continuaram decaindo. A estrutura parece ser toda de antes dos anos 1950 (portanto, da época do filme Casablanca, de 1942, embora ele não tenha sido rodado aqui). Só que imagine os efeitos do tempo, o crescimento populacional, as ondas de imigrantes pobres de outras partes do Marrocos e da África sub-Saariana em busca de trabalho, e você vai ter uma ideia do

Fez, da medina mais antiga do mundo (e a mais louca do Marrocos)

Fez deve fazer parte de qualquer vista ao Marrocos. Não só tem a maior e mais antiga medina de todo o mundo árabe, mas provavelmente também a mais louca e labiríntica de todas. Pelos becos você passa de um artesão a outro, do herborista ao ferreiro, cruzando arcos mouriscos e ao lado de fontes d'água ornamentadas com ladrilhos árabes. As crianças te olham enquanto brincam, e você se sente como transportado a um cenário medieval. É medieval, só que real, e atual.  
Quando cheguei a Fez, Abdel Salam foi encontrar-me perto do Portão Azul, um dos marcos da cidade. Abdel Salam

Saindo do Saara: Estrada, policiais corruptos, e um pouquinho dos modos árabes

Eram cinco e pouca da manhã e o sol ainda não havia raiado, aquele breu estrelado que antecede o amanhecer, quando saí do acampamento no deserto e avistei uma das integrantes do grupo descarregando o tajine de legumes da noite anterior na areia. Eu tirava água do joelho e, de canto de olho, ainda a vi cambalear na areia e quase pisar na própria bosta. Foi o começo de um dia memorável. 
Havíamos todos dormido em tendas num acampamento em pleno Deserto do Saara, no Marrocos. Um frio do diacho à noite, e areia por toda parte, inclusive no colchonete. A

Perdido no Catar: Um dia em Doha

Já é o terceiro banho que tomo para vestir a mesma roupa. Estamos na Península Arábica — não na Arábia Saudita, mas no seu pequeno vizinho, o Catar. Estamos à beira do mar do Golfo Pérsico, e o abafo é úmido como se eu estivesse no verão da Bahia. Eram 31 graus quando eu cheguei à meia-noite, e durante o dia subiu para 37. No verão chega a 50. Há vento, mas ele traz toda a poeira do deserto e das muitas obras pela cidade. Doha, a capital, está em constante construção. 
Vim parar aqui para fazer uma conexão de voo (que perdi) entre

Pra cá de Marrakech: Bem vindos ao Marrocos

34 graus. Um calor da moléstia em Marrakech, como o brilho na minha testa aí não esconde. Estamos no final do inverno marroquino. Entre um parágrafo e outro, espio as moçoilas — brasileiras e estrangeiras — tomarem banho na piscina do nosso albergue, um belo casarão mouro escondido no meio da medina. 
Quando você sai do aeroporto e pega o ônibus em direção ao centro, parece que está viajando pelo sertão nordestino. Tudo é seco e cheio de pedregulhos. As casas cor de telha são pobres e as calçadas, quebradas. O solão encandeia a sua vista e, no ônibus, você começa a suar.

Luxemburgo, um país que você desconhece

Pra mim, até agora a solução da equação França + Alemanha + bancos e muito dinheiro era sempre "Suíça". Mas agora aprendi que Luxemburgo também é uma resposta válida. Este pequenino país — menor que metade do estado de Sergipe — está espremido entre a França, a Alemanha e a Bélgica (que por sua vez já é uma boa mistura de França com Holanda). Quase sempre passa despercebido no mapa, mas Luxemburgo está no topo de muitos rankings socioeconômicos, e tem das maiores rendas per capita do mundo. Ou seja, podre de rico. Aqui estão sediados muitos bancos e empresas atraídas pela política fiscal macia

À Rússia com amor: Chegando a Moscou e hospedando-se num cafofo

A Rússia não é um destino fácil. Fácil é entrar, pois desde 2010 os brasileiros não precisam mais de visto (para a inveja boquiaberta de europeus e norte-americanos). Mas, uma vez lá dentro, prepare-se para olhares mal-encarados, impaciência nos serviços, e um nível de infraestrutura parecido com o Brasil, mas numa terra onde — a menos que você seja fluente em russo — ninguém fala a mesma língua que você (eles não sabem e não gostam de falar inglês). Apesar disso, a Rússia é uma terra de belezas próprias, muito interessante, e que vale a pena ser conhecida. 
Para quem chegou até aqui após ler meu post da

Praias romenas, trens quebrados, e ciganos

A Romênia é um destino mais interessante do que se imagina. Eu comecei minha visita por Bucareste, a capital, seguida da Transilvânia, a região mais interessante do país e repleta de lindas cidades históricas e belas paisagens naturais — além da história do Drácula pra atrair muitos turistas. Essas partes foram relatadas já há algum tempo, e eu nunca terminei. Mas agora finalmente chegou a hora. (Pra quem não conferiu ou quiser reler os anteriores: Chegando à Romênia: Bucareste, o Museu Satului e a Casa Poporului e A Transilvânia: Sinaia, Sishisoara e Brasov) A praia é um elemento indispensável na cultura romena. Quando a temperatura sobe, os romenos

Andanças pelo interior da Turquia: Rumo ao vilarejo de Pamukkale

Ao pôr do sol, eu estava sozinho caminhando por uma beira de estrada turca sem saber nem em que cidade iria dormir. Crianças, não façam isso em casa. Terminado o intenso dia em que visitamos Éfeso e as ruínas do Artemísion, a casa de Maria, com direito a paradas interessantes numa loja de couros e numa fábrica artesanal de tapetes turcos, o guia Mehmet nos deixou 5 horas da tarde de volta na cidade. De volta a Kusadasi, onde a minha aventura turca começou. Recusei-me a retornar ao hotel de Sezgins, o enrolão, e de dar a ele o gostinho de pedir

Desembarcando em Kusadasi, Turquia: Muvuca e malandragem

A Turquia se tornou um dos destinos favoritos dos brasileiros. Na verdade, os ocidentais em peso parecem ter finalmente "descoberto" Istambul, a Capadócia. e o restante da Turquia. Vide não só a novela recente da Globo (Salve Jorge), como também a quantidade crescente de filmes americanos com cenas no país, a exemplo do James Bond recente, Skyfall (2011). Eu digo que, para o turista, a Turquia é uma "versão light" da Índia. Se você vier da Grécia como eu fiz, mesmo a Grécia já sendo um país, digamos, bem animado e descolado, na Turquia você percebe que a coisa sobe um grau, e a

Santorini, a rainha das ilhas gregas

Pense na Grécia. Se você não imaginou ruínas da Antiguidade (ou a crise econômica), o mais provável é que tenha pensado em casinhas brancas junto ao mar azul. Pois é, isso é Santorini. Santorini é talvez a mais clássica das ilhas gregas, aquela aonde você não pode deixar de ir. Muita gente pensa que todas as ilhas gregas têm esse jeitinho de casas brancas e telhados azuis, mas esse não é o caso. Apenas este grupo de ilhas, as chamadas Cíclades,  entre Atenas e Creta aqui no Mar Egeu, é que tem essa estética. E Santorini é a "rainha" delas, aquela aonde

Rumo à Bielorrússia, a última ditadura da Europa

Eu acho que poucos brasileiros sequer sabem que esse país existe. A Bielorrússia é um dos países mais fechados do mundo. Foi "sorte" eu ter conseguido vir aqui, embora não tenha sido nada fácil. Como mostra o mapa ali ao lado, entre a Polônia e a Rússia no leste europeu está a Bielorrússia — às vezes escrito "Belarus", mas que os bielorrussos leem biéla-rus, e não "Belárus" como às vezes fazem erradamente os ocidentais. Bela [biéla] em russo e bielorrusso (línguas bem parecidas) significa "branco", então o nome do país quer dizer Rus branca, um nome medieval de séculos antes de haver a Rússia moderna. Portanto, a ocasional tradução como "Rússia

Yogyakarta: Uma jornada ao centro da ilha de Java, à sua capital cultural

Esse aí na foto é o singelo vulcão Merapi. Não, eu não tirei a foto pessoalmente. Ele explodiu em dezembro de 2010, mas sempre volta a ficar quietinho — até quando, não se sabe. As pessoas aqui de Java Central já se acostumaram a viver com um vulcão por perto. 
Mas o centro de Java reserva mais que um vulcão temperamental. Na verdade, apesar de Jakarta (no oeste da ilha) ser a capital, as belezas culturais e as tradições javanesas estão em sua maior parte no centro da ilha. Não sei qual é a noção de vocês sobre o tamanho de Java, mas a

Indo morar na Indonésia: Primeiras impressões, do homem que NÃO sabia javanês

A Indonésia é séria candidata a ser o maior país do mundo que é semi-invisível aos olhos dos brasileiros. Se você parar alguém na rua, a resposta provável será "Já ouvi falar", e mesmo aqueles habituados ao turismo internacional dificilmente chegam aqui (durante toda a minha estadia de 6 semanas aqui, eu encontraria apenas um único conterrâneo). Claro, é longe pra caramba — do outro lado do mundo —, mas há também um elemento importante de desconhecimento. Pouco se conhece ainda no Brasil sobre esta maravilhosa terra que é a Indonésia, mas sempre é tempo. "Terra" talvez deveria estar entre aspas, pois

Rishikesh, Índia: A capital mundial do yoga

A minha viagem até os pés dos Himalayas, as maiores montanhas do mundo, foi longa e tortuosa. Eu jamais cheguei a ver as montanhas propriamente ditas — que chegam a mais de 8 mil metros, mais adiante, quando se chega perto das fronteiras da Índia com a China e o Nepal. Mas eu sentiria mesmo assim o aroma daquele ambiente de montanhas, onde o relevo começa a se elevar, o ar a ficar mais fresco, e até o Rio Ganges — aqui mais perto de sua nascente — é limpo. Assim é Rishikesh, considerada "a capital mundial do yoga". Este

Visitando o Forte Vermelho (Red Fort) e a Jama Masjid em Nova Délhi, Índia

Quando eu retornei a Nova Délhi após o meu périplo pelo Rajastão e Varanasi, retornei à mesma família que havia me albergado antes. "Eu estou com a febre", declarou-me Seu Bhalla (assim com o artigo definido mesmo, embora jamais tenha me especificado que febre era essa, nem eu tenha perguntado). Seu Bhalla, pra quem não lembra, é o chefe da família a quem eu paguei para ficar umas semanas em estilo home stay, e que havia tentado me passar pra trás com o preço. Estávamos já em final de outubro, e a chuva diária das monções e o calor úmido começavam

O Rio Ganges em Varanasi e Sangam: Um aniversário inusitado na sagrada confluência de três rios na Índia

Hoje eu acordei para o meu aniversário. Na Índia. Meu primeiro e único aniversário celebrado na Ásia até agora.  Eu me programei a propósito para estar na sagrada cidade de Varanasi para a ocasião. Em meus sonhos mais audaciosos, eu nadaria no célebre Rio Ganges para me livrar das impurezas. A realidade, é claro, quando eu vi o rio, foi de que eu me poluiria como nunca antes na vida se o fizesse. (Uma amiga chegou até a me zoar, enviando-me a música dos Titãs - O Pulso, cuja letra é uma sequência de nomes de doenças seguidas de "o meu pulso

Bem vindos a Varanasi, a cidade mais sagrada da Índia, à margem do Rio Ganges

O Rio Ganges. Um dos mais importantes do mundo. Provavelmente o mais festejado — a ponto de ser considerado um deus pelos hindus. Ou melhor, uma deusa, "Mãe Ganga", e reverenciado como tal. Ao mesmo tempo, um dos afamados rios mais sujos de todo o mundo (dentre aqueles em que as pessoas ainda entram para nadar, é claro). 
Varanasi, cidade continuamente habitada há 8.000 anos. Disputa com outras no Oriente Médio o título de mais antiga habitação humana. Cidade sagrada para os hindus, a ponto de considerarem que morrer aqui é auspicioso: você vai direto para os planos mais altos e sua

Três dias de camelo no deserto do Rajastão, Índia

Depois de já comer areia no trajeto poeirento de ônibus desde Jodhpur e ver casarios que mais pareciam feitos de areia do deserto em Jaisalmer, era hora de experimentar o Deserto de Thar propriamente dito. Como eu já coloquei antes, esse não é um deserto dominantemente arenoso como o Saara, mas um deserto pedregoso, árido com pedras, mato espinhento e arbustos secos — como nos filmes de Jesus que mostram ele na Palestina. Este aqui, o Deserto de Thar, foi há muito área de tráfego de caravanas, na rota que estava entre as Índias ricas de especiarias e os mercados árabes, persas

Em Jaisalmer, a cidade cor de areia no Grande Deserto de Thar (Rajastão, Índia)

Era chegada a hora de adentrar pra valer o Grande Deserto de Thar, o deserto do Rajastão, na fronteira entre a Índia e o Paquistão, onde por milênios transitaram caravanas e mercadores que iam aqui das Índias ao Oriente Médio. Lá há basicamente uma cidade, Jaisalmer, e é pra onde que eu fui. Saí de Jodhpur para cinco horas e meia de ônibus, que dessa vez pareceram durar o dobro. Como a Índia é hiper-povoada, há gente e vilarejos por toda parte, então os ônibus param a todo momento. O cobrador, um rapaz de seus 20 anos com jeito de garoto da

Udaipur, Índia: A elegante cidade do Rajastão onde filmaram 007 contra Octopussy

Ocidental que se mete em desventuras no Terceiro Mundo, de quem você lembra? Vai depender do seu imaginário de livros e filmes. Às vezes, me dá uma sensação de Indiana Jones quando visito as tumbas indianas, mas no dia-dia das cidades, de me meter em ônibus e barco, é James Bond (007) quem me vem à mente. E desta vez achei de visitar exatamente um lugar onde ele esteve: Udaipur, local do filme 007 contra Octopussy. Udaipur é a chamada Lake City ["Cidade do Lago"], tida como a mais romântica do Rajastão e talvez de toda a Índia. O filme (de 1983)

Em Pushkar, a cidade sagrada indiana onde é proibido comer carne

Diz a lenda que Brahma, o deus criador hindu, certa vez deixou cair uma flor de lótus na terra, e a cidade de Pushkar apareceu. Estamos numa cidade indiana considerada sagrada onde é proibido comer carne ou consumir álcool. (Os hindus geralmente já têm essas duas proibições. Muitos são vegetarianos completos, vários são abstêmios, e quase nenhum come carne de boi. Aqui em Pushkar, essas restrições são levadas mais a sério.) Eu estava com a família dos Mathur em Ajmer, interior do estado do Rajastão, e a um pulo de Pushkar. Vinte minutos de ônibus ou carro separam as duas cidades.

Visitando um “dargah”, santuário islâmico em Ajmer, Rajastão (Índia)

Pôr-do-sol em Ajmer, de um pavilhão de mármore encomendado por Shah Jahan, o mesmo imperador que ordenou a construção do famoso Taj Mahal, no século XVII. Um dargah, palavra persa, é um santuário construído sobre o túmulo de um santo islâmico — algo que eu nem sabia que era possível, dada a visão fundamentalista que a mídia nos mostra do Islã. Fiquei surpreso ao saber que o islamismo também tem santos e reverencia os seus notáveis. São muitos, e há peregrinação e devoção do mesmo jeito que é feito com os santos católicos no Ocidente. Ou quase do mesmo jeito. Estamos em Ajmer,

Indo de ônibus de Délhi a Jaipur, no Rajastão

Estou indo embora de Nova Délhi. Finalmente! Neste momento, os indianos estão numa mistura de euforia e stress. Esse domingo, dia 3, começam os Commonwealth Games em Nova Délhi (tipo um "Jogos Pan-americanos" entre as ex-colônias da Inglaterra). A cidade, que já é surtada com medo de ataque terrorista, duplicou a segurança e resolveu decretar estado de alerta. Resultado: as ruas estão parecendo um canteiro de obras militarizado. (Ah, claro, as obras não acabaram a tempo e agora eles estão correndo contra o relógio... essa semana teve pedaço de estádio caindo e tudo o mais...). 
Sem brincadeira, há verdadeiras trincheiras na rua, sacos

O meu dia-dia em família em Nova Délhi: Choques culturais na Índia, coisas de casa, e até aniversário de santo hindu

Moramos eu, Seu Bhalla & Dona Bhalla (os anfitriões, donos da casa), seus pequenos filhos (dois garotos de 6 e 9 anos), e Muskan, a jovem imigrante do oeste do país e empregada na cozinha, que estes dias teve um revertério e foi substituída por outra mais alegre, que chamamos de Didi (mas não é o nome dela). Somos a família feliz. Não, não é bem assim. Eu comentei nos posts anteriores que estou morando estas semanas na casa de uma família indiana, num bairro até bastante simples de Délhi. Tenho me surpreendido com uma série de coisas, e vivido outras de

O centro de Délhi: Connaught Place, Palika Bazar, e o India Gate

O centro de Délhi provavelmente é o mais hediondo que eu já visitei na vida. Em geral, não há nada que interesse os turistas nesta parte da cidade, mas como eu estou aqui na Índia também a trabalho, não pude evitá-lo.  Na verdade, muitos indianos aqui dizem que não há downtown (centro da cidade) em Délhi. De fato, há comércio por toda parte, e os bairros aqui me parecem bastante "independentes". É radicalmente diferente das cidades da Europa, onde você sente a importância daquele núcleo onde geralmente está a estação principal de trem, o centro histórico, etc. Nada poderia ser mais diferente

Aventurando-se de tuk-tuk pelas ruas de Nova Délhi

Eu acho engraçado quando ouço as pessoas, no Brasil, darem atributos de "horrível", "impossível", ou "a pior coisa" ao trânsito brasileiro. Sabem de nada, inocentes. O trânsito brasileiro é uma sinfonia de Mozart quando comparado ao indiano. Aqui na Índia em geral não há sinais de trânsito, as pessoas não param de buzinar, as ruas em geral não têm acostamento nem calçada, e o nível de pânico que junta tuk-tuks, motos, ciclo-táxis, carros, ônibus lançando fumaça preta no ar, e ainda as ocasionais vacas no caminho, cria nada menos que um pandemônio urbano. O metrô de Délhi, criado em 2002 (e em constante

A minha vida em Nova Délhi (e uma visita ao Qutub Minar)

Comecei a ambientar-me às coisas da vida em Nova Délhi. Depois daquela ida ao templo no post anterior, eu voltei à companhia do Tio Bhalla pra o chai da noite. Digo na companhia dele e não da família porque eu sou sumariamente ignorado pelas mulheres da casa (quando ele está presente). Elas nem cruzam o olhar comigo nem se sentam à mesa conosco. Participar da conversa então, nem pensar. (Embora a ajudante de Bengala do Oeste não fale inglês, Dona Bhalla fala). Isso eu sei porque, quando ele não está por perto, dá pra conversar tanto com ela quanto com... errr...

Chegando à Índia: Com família indiana em Nova Délhi, e indo ao Templo de Akshardham

Are baba, cheguei à Índia! País chocante. Se você acha que o Brasil é esculhambado, não sabe de nada, inocente. A Índia muda todos os seus parâmetros. Definitivamente, um país desafiador. Ao mesmo tempo, é um país riquíssimo em cultura, cheio de particularidades, e desde 2009 muito curioso aos olhos dos brasileiros após a novela global Caminho das Índias. Eu estarei aqui pelos 3 próximos meses, e compartilharei com vocês as minhas impressões conforme minhas andanças pelo país. 
Meu primeiro pit-stop é Nova Délhi, a capital, cidade de nada menos que 22 milhões de habitantes. Esse pandemônio que você vê ali na

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