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De Smyrna a Izmir: De volta à Turquia, na primavera

Era uma vez uma antiga cidade grega chamada Smyrna. Estamos na costa do Mar Egeu, mas do lado leste, onde hoje fica a Turquia. A gente às vezes se esquece de que por muitos séculos tudo isso era grego.  De grego antigo, a grego antigo sob domínio de Roma, a grego medieval cristão ortodoxo (bizantino), até a chegada dos turcos otomanos em 1400. Vindos do centro da Ásia, eles tomaram tudo isto aqui e aqui estão até hoje. A gente não estuda isso na escola, mas por séculos deixou de haver uma "Grécia". Os gregos viveram misturados com turcos, búlgaros e

Blagoveshchensk: Em meio aos russos na Região de Amur, fronteira com a China

Uma das coisas de que mais me satisfaço na vida é de ter amigos em vários países, de várias culturas. Acho fascinante como os modos, as normas e os costumes variam. E como ao mesmo tempo todos têm traços humanos em comum. Aqui estava eu, no "fim do mundo" no Leste Distante da Rússia para conhecer esse país de ponta a ponta e, de quebra, dar uma passadinha pra dar um "oi" a uma amiga russa daqui e sua família. (Eu sempre alerto os meus amigos estrangeiros que tenham cuidado ao me convidar para visitar suas regiões, porque mesmo se for

Rumo a Wellington: A capital da Nova Zelândia e o espetacular museu “Te Papa”

Tinha tudo pra ser um dia lindo. O sol raiava, era uma manhã fresquinha, e eu me preparava para embarcar numa cênica viagem de trem desde Auckland até Wellington, a capital neozelandesa, no extremo sul da Ilha Norte do país.  Começou bem. Todos os trens são cênicos e turísticos na Nova Zelândia: como é habitual nos países de língua inglesa, há um predomínio do automóvel e das estradas, mas aqui há linhas especiais de trem nas quais turistas podem fazer uma viagem mais gostosa apreciando a paisagem. Há comentários em inglês e mandarim (o que achei revelador), e o trem era

Berat, Albânia: A cidade das mil janelas

Berat é uma cidade estonteante, tanto pela beleza cênica quanto por sua tamanha autenticidade. Ela é das cidadezinhas mais bonitas de toda a Europa (embora seja desconhecida até mesmo dos europeus, que pouco sabem sobre a Albânia, como comentei antes aqui.) Berat foi a minha cidade favorita no país.  Fundada pelos gregos antigos nos idos de 600 a.C., Berat foi posteriormente usada pelos romanos e, em seguida, pelos bizantinos ou romanos do oriente (de Constantinopla). Sua fortaleza no alto de uma colina provia a defesa do lugar, com uma cidadela fortificada lá em cima onde as pessoas viviam. Ao longo da

Crônicas da vida numa pensão em Mérida, Yucatán, interior do México

Estamos em Mérida, capital do estado mexicano de Yucatán, no caribenho sul do país. Aqui eu passaria algumas semanas a trabalho — mas um trabalho sossegado, quase digno dos livros de Gabriel Garcia Márquez, tomando aquelas brisas vespertinas a soprar do Mar do Caribe, e conhecendo figuras que eram reais personagens. Quem eu mais via na pensão onde me instalei em Mérida era Joel, o faz-tudo neto da senhora gerente. Joel nunca soube o meu nome. Se soube, nunca o usou. Joel é um rapaz baixinho, de cara arredondada, do tipo risonho pouco atento, que parece estar sempre metade aqui e metade em

Praias Romenas 2: Farofa, nudismo e rock n’ roll

Depois de alguns anos, estamos de volta à Romênia. Ah, terra de tão interessantes praias! Não tanto pela praia em si, que no Brasil temos melhor, mas pela muvuca. E cada uma tem uma muvuca à sua maneira. 
Meu destino este ano foi a praia de Vama Veche [Véke], uma das mais badaladas e preferidas dos jovens alternativos na Romênia. Cheguei aqui após duas breve noites na cinzenta — porém interessante — capital romena, Bucareste. (Pra quem perdeu a minha incursão anterior a este país, vejam aqui). Não é o clima que é cinzento em Bucareste, mas os prédios, quase todos herdados da época comunista

Conhecendo Gênova, Itália, com um jantar em família

Gênova, uma das famosas cidades-estado das Idades Média e Moderna, e terra natal de grandes navegadores como Cristóvão Colombo. É hoje a sexta maior cidade da Itália, e como sempre uma cidade cosmopolita. Hoje você vê muitos trabalhadores indianos e africanos na área do porto, e põe-se a imaginar os mercadores árabes e espanhóis que outrora andaram por aqui. 
Esta era pra ser uma viagem de um só dia, um bate-e-volta a partir de Milão. Só que eu fui e não voltei. Uma grande amiga minha mora perto da cidade, na comuna de Albisola, província de Savona, aqui perto. E a

Memórias de um albergue mouro

(Este é um daqueles posts que são em parte pra vocês e em parte pra mim mesmo, pra que quando eu ficar velho não me esqueça destes ocorridos.) 
Este ano passei uma longa estadia, de várias semanas, no albergue Equity Point em Marrakech. Eu nunca havia assim "morado" num albergue. Parecia uma versão mourisca e contemporânea d'O Cortiço, só que em estilo árabe, e onde os moradores mudavam a cada par de dias.  
Houve quem achasse que eu era funcionário, e até funcionário me pedindo ajuda pra saber onde ficava tal quarto. Afinal, o albergue era ele próprio um labirinto que parecia

Mais desigual que o Brasil: Em Johannesburgo e Soweto, África do Sul

Sento-me numa confortável poltrona à là século XIX, bebericando do licor de cereja servido pela criada. A poltrona é daquelas antigas de madeira, com estofo estampado; já o licor é uma iguaria regional, guardada aqui em frascos de cristal e servido em copinhos finos e elegantes. À minha frente, um senhor branco, alto e gordo, beirando os 60 anos, me dá as boas vindas à casa de sua família. Ao lado, duas criadas, negras, uniformizadas (e com lencinho no cabelo), nos olham postas aguardando as ordens. Uma delas me lança um prestativo e caloroso Welcome, sir!, sem quebrar a postura.

Um jantar em família japonesa em Osaka

Esse foi o almoço. A cara não foi proposital. Era hora de fazer o que eu mais gosto quando estou viajando: conhecer uma casa de família, pra ir além das observações turísticas. Acabaria sendo uma experiência inesquecível não só pelo cardápio sui generis do jantar, mas também pelos presentes. Fomos eu e o meu amigo letão, já que essa amiga era nossa vizinha quando morávamos no Canadá. As japonesas, eu costumo dizer, se dividem entre dois extremos: as tímidas que escrevem com canetinha rosa e as danadas apimentadas que gostam de aprontar. A minha amiga está definitivamente no segundo grupo, e,

A Ilha de Creta (Parte 2): Ruas de Rethymno, o café grego, e almoço em família

Essa é a vista "básica" pela janela do ônibus, de Chania a Rethymno, numa manhã na Ilha de Creta. No final daquela mesma manhã em que cheguei a Chania, meu ônibus chegou a Rethymno [RÉ-thymno], uma cidade maior, do oeste de Creta, a 1h de distância de Chania. Lá um almoço em família já me aguardava — não da minha própria família, mas quem viaja sempre tem muitas famílias. 
Rethymno, como muitas cidades gregas, é aquela mistura de asfalto e pedra, aquelas pedras cor de areia que reluzem sob o sol e doem a vista. O suor já me descia pelas têmporas quando saí da rodoviária

Em Aráhova, pelas estradas e vilarejos de montanha na Grécia

Qual a probabilidade de você estar no interior da Grécia, procurando o Oráculo de Delfos, e se deparar com adesivo de campanha eleitoral brasileira numa mercearia e alguém de Piripiri, do interior do Piauí? 
Pois bem. Era uma bela manhã de sábado quando íamos eu e minha amiga grega Krystallenia de carro pela estrada, adentrando a Grécia. Café gelado no copo plástico dela (daqueles de milkshake do Bob's), como manda a religião, e eu só apreciando a paisagem: terra seca e montanhosa, com plantações de oliveiras aqui e ali. O destino: as ruínas do antigo Oráculo de Delfos, que fez profecias a

Atenas, Grécia

É começo de outono aqui na Europa. Deixei 13 graus em Amsterdã, e 31 me aguardavam em Atenas. Era chegada finalmente a hora de conhecer a Grécia. Do avião já se vê o mar azul da Grécia. E não é que é azul mesmo? E bota azul nisso. Chega dói. Não me perguntem o porquê; deve ser alguma mistura da química da água com, talvez, o fato de que o céu aqui quase sempre está sem nuvens. Também há poucas algas, e isso interfere. Do avião também se veem muitas montanhas. Que Suíça que nada, é a Grécia o país mais

Visitando o Forte Vermelho (Red Fort) e a Jama Masjid em Nova Délhi, Índia

Quando eu retornei a Nova Délhi após o meu périplo pelo Rajastão e Varanasi, retornei à mesma família que havia me albergado antes. "Eu estou com a febre", declarou-me Seu Bhalla (assim com o artigo definido mesmo, embora jamais tenha me especificado que febre era essa, nem eu tenha perguntado). Seu Bhalla, pra quem não lembra, é o chefe da família a quem eu paguei para ficar umas semanas em estilo home stay, e que havia tentado me passar pra trás com o preço. Estávamos já em final de outubro, e a chuva diária das monções e o calor úmido começavam

O meu dia-dia em família em Nova Délhi: Choques culturais na Índia, coisas de casa, e até aniversário de santo hindu

Moramos eu, Seu Bhalla & Dona Bhalla (os anfitriões, donos da casa), seus pequenos filhos (dois garotos de 6 e 9 anos), e Muskan, a jovem imigrante do oeste do país e empregada na cozinha, que estes dias teve um revertério e foi substituída por outra mais alegre, que chamamos de Didi (mas não é o nome dela). Somos a família feliz. Não, não é bem assim. Eu comentei nos posts anteriores que estou morando estas semanas na casa de uma família indiana, num bairro até bastante simples de Délhi. Tenho me surpreendido com uma série de coisas, e vivido outras de

A minha vida em Nova Délhi (e uma visita ao Qutub Minar)

Comecei a ambientar-me às coisas da vida em Nova Délhi. Depois daquela ida ao templo no post anterior, eu voltei à companhia do Tio Bhalla pra o chai da noite. Digo na companhia dele e não da família porque eu sou sumariamente ignorado pelas mulheres da casa (quando ele está presente). Elas nem cruzam o olhar comigo nem se sentam à mesa conosco. Participar da conversa então, nem pensar. (Embora a ajudante de Bengala do Oeste não fale inglês, Dona Bhalla fala). Isso eu sei porque, quando ele não está por perto, dá pra conversar tanto com ela quanto com... errr...

Chegando à Índia: Com família indiana em Nova Délhi, e indo ao Templo de Akshardham

Are baba, cheguei à Índia! País chocante. Se você acha que o Brasil é esculhambado, não sabe de nada, inocente. A Índia muda todos os seus parâmetros. Definitivamente, um país desafiador. Ao mesmo tempo, é um país riquíssimo em cultura, cheio de particularidades, e desde 2009 muito curioso aos olhos dos brasileiros após a novela global Caminho das Índias. Eu estarei aqui pelos 3 próximos meses, e compartilharei com vocês as minhas impressões conforme minhas andanças pelo país. 
Meu primeiro pit-stop é Nova Délhi, a capital, cidade de nada menos que 22 milhões de habitantes. Esse pandemônio que você vê ali na

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