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Conhecendo Varsóvia, a capital da Polônia

Varsóvia, embora conhecida de nome por quase todos, pouco figura nos roteiros turísticos dos brasileiros — ou, verdade seja dita, da maioria dos turistas que vêm à Europa. A capital polonesa foi bombardeada e 80% destruída durante a Segunda Guerra Mundial. Quase tudo é novo, do período comunista da Guerra Fria, e talvez por isso falte a Varsóvia a atratividade de outras capitais europeias. Mas isso também joga a seu favor: eu cheguei esperando a mais feia das cidades, e me surpreendi quando vi que não é bem assim. Três horas de trem expresso separam Cracóvia, a irmã mais charmosa, de Varsóvia,

Tbilisi, Geórgia: Das mais charmosas cidades que você (ainda) não conhece

Bem vindos à Geórgia, um país que a maior parte do mundo nem sabe que existe. É capaz de mais gente saber do estado norte-americano homônimo que do país independente e soberano com esse nome. Estamos no Cáucaso, a mesma região onde fica a Armênia, no extremo leste da Europa, naquela rugosa faixa de terra entre a Rússia e o Oriente Médio, por entre o Mar Negro e o Mar Cáspio. (Eu já comentei em outro lugar a discussão sobre os países do Cáucaso serem Europa ou não, mas a convenção mais aceita diz que sim.)  Trata-se de um país do tamanho

Sul da Armênia: Entre licores de damasco e o Mosteiro de Tatev nas montanhas

Visitada a capital e alguns sítios próximos, havia chegado o dia de eu fazer uma excursão ao sul da Armênia, quase na fronteira com o Irã, a conhecer o Mosteiro de Tatev, do século IX, uma das muitas preciosidades históricas desta região. Nesta terra de montanhas e vales, sol quente e seco, há muito que monges cristãos viveram em comunidades isoladas. É um tradição antiga, como quase tudo por aqui. Há muitas agências de turismo em Erevan oferecendo passeios às diversas partes do país (embora nem todos estejam disponíveis todos os dias, então atenção se você estiver visitando). Este eu organizei com

Pelo interior da Armênia: Paisagens, mosteiros, e igrejas de pedra

A Armênia é um destino para quem se interessa por História, cultura, e religião — tudo isso envelopado nas paisagens áridas e elevadas aqui do Cáucaso. Poucas vezes eu encontrei no mundo um país tão rugoso, cheio de altos e baixos. Não vi uma gota de chuva que umedecesse estas terras secas, embora sem dúvida chova algo em outras épocas. E vi um povo orgulhoso da sua identidade e muito ciente do seu lugar na História. Não há como falar de Armênia sem falar em Cristianismo — os próprios armênios não deixam. Seria quase como falar de judeus sem falar em judaísmo.

Islândia: Seu ambiente urbano e atrações de Reykjavik, sua capital

Bem vindos à Islândia, este remoto país europeu que está bombando no turismo desde que a crise financeira derrubou sua economia em 2008. De um lugar isolado do qual nada se sabia (só que ele existia) a um dos "destinos da vez" nos últimos anos. O pequeno país, de 334 mil habitantes, há 10 anos atrás recebia de turistas o equivalente à sua população, e agora recebe mais de 2 milhões por ano. Seu nome quer mesmo dizer "terra do gelo": Iceland em inglês, Ísland no original islandês. Sim, a Islândia tem o seu próprio idioma, aquele que mais se assemelha

Istambul na primavera: Revendo o Grand Bazaar, Hagia Sophia, a Mesquita Azul e outros lugares da maior cidade da Turquia

Eu chego a ficar com cara de bobo. Rever Istambul pra mim sempre é um reencontro com uma das minhas cidades preferidas. A magnífica rainha do Estreito do Bósforo, entre dois continentes (Ásia e Europa), é uma cidade como nenhuma outra. Eu aqui me sinto numa espécie de "linha do equador" do mundo dividindo-o entre Ocidente e Oriente. Na primavera, então, Istambul fica especialmente bonita. Tulipas nos jardins enfeitam as praças e canteiros dos pontos turísticos com essa flor de origem persa, e que os otomanos usavam muito antes de ela virar sensação na Holanda. O tempo ainda varia, com os

Konya, cidade histórica e coração tradicional da Turquia

Eu tenho amigos liberais de Istambul que não gostam nem da ideia de vir a esses cantos mais interioranos da Turquia. Fazem uma cara e esbugalham os olhos como quem diz "Deus me livre" — ou alguma versão agnóstica da expressão. Como diz um alemão que eu conheci este ano e que trabalha há muito tempo em Istambul: "Istambul não é a Turquia, é uma cidade internacional". Claro que ele está exagerando, mas há um fundo de verdade. Istambul tem estética e sabores turcos — e, inegavelmente, gente turca pra dedéu — mas é um ambiente social bastante distinto: progressista, relativamente liberal,

De Smyrna a Izmir: De volta à Turquia, na primavera

Era uma vez uma antiga cidade grega chamada Smyrna. Estamos na costa do Mar Egeu, mas do lado leste, onde hoje fica a Turquia. A gente às vezes se esquece de que por muitos séculos tudo isso era grego.  De grego antigo, a grego antigo sob domínio de Roma, a grego medieval cristão ortodoxo (bizantino), até a chegada dos turcos otomanos em 1400. Vindos do centro da Ásia, eles tomaram tudo isto aqui e aqui estão até hoje. A gente não estuda isso na escola, mas por séculos deixou de haver uma "Grécia". Os gregos viveram misturados com turcos, búlgaros e

Visegrad, Hungria: Castelo medieval e bela cidadezinha às margens do Rio Danúbio, na Europa Central

Estamos no norte da Hungria, não muito distantes de Budapeste, a capital húngara. Perto daqui, o famoso Rio Danúbio é a fronteira entre Hungria e Eslováquia, na Europa Central. Estamos no coração do velho continente. Aqui fica Visegrad (Visegrád com acento em húngaro), um sítio histórico e belo muito pouco visitado por turistas que não são da região — a maioria nem sabe que esse lugar existe. Mas existe. Aqui fica o que foi um castelo medieval do século XIV, e uma simpática cidadezinha homônima onde é possível ver algo da arquitetura centro-europeia em seus tons pasteis e algo da distinta culinária húngara. Estamos

Comidas típicas na Rússia: Está preparado?

A culinária russa não é mundialmente famosa. É difícil encontrar um restaurante russo em outro país, e duvido que muitos brasileiros — ou ocidentais em geral — conheçam muitos pratos russos além de strogonoff. (Inclusive, acho que o strogonoff hoje em dia é muito mais comum no Brasil que na Rússia. Só pra constar.)  Se há uma razão para a pouca fama da comida russa, eu suspeito que sejam sua simplicidade e despretensão. A gastronomia russa tem aquela cara de "comida de todo dia", o que talvez tenha sido particularmente reforçado durante os 70 anos de existência da União Soviética com o seu mantra

No parque cultural “13th Century”: Visitando a Mongólia do século XIII, dos tempos de Gengis Khan

Foi perto da capital Ulaanbaatar que eu faria uma das visitas mais interessantes durante esta minha estadia na Mongólia. Um "parque" onde você conhece os detalhes de como viviam os mongóis nos tempos medievais do grande conquistador Gengis Khan — ou melhor, como eles o chamam aqui, Chinggis Khan —, no século XIII. O 13th Century, contudo, não é meramente um museu ou parque temático ocidental, nem aqueles lugares onde atores fingem-se de personagens da Idade Média. A coisa aqui é muito mais autêntica. Numa grande área a cerca de 100Km da capital, pavilhões autênticos mostram diferentes aspectos da vida tradicional dos mongóis. As

Bem vindos à Mongólia e ao Gorkhi-Terelj National Park

Eis a Mongólia, um país de tão forte imagem medieval (dos tempos do conquistador Gêngis Khan) que a gente nem lembra que o país ainda existe, e poucos fazem ideia de como ele atualmente é. Estamos na Ásia Central; para nós, das menos conhecidas regiões do mundo. Aqui, os povos das estepes encontram-se espremidos entre as milenares influências chinesa, persa, e muitas outras. Pode parecer estranho falar em "espremido" nestas esparsas terras onde há menos de 2 pessoas por Km², mas cultural e politicamente é assim que os mongóis estão desde que os herdeiros de Gêngis Khan perderam as rédeas. Acompanhem-me aos

Lago Baikal e Ilha de Olkhon, Sibéria: Entre xamanismo e natureza no interior da Rússia

Como toda história da vida real, este post não tem um tema só. Impressões dos vários tipos costumam nos assaltar em conjunto; o belo ao lado do disfuncional e do interessante. Assim foi comigo aqui na visita ao Lago Baikal, na Sibéria, onde pude contemplar as suas magníficas paisagens, ao mesmo tempo em que experimentava a precariedade de infraestrutura do interior russo e conhecia algo da interessante cultura xamanística dos nativos siberianos. Acompanhem-me. Certa vez, nos idos dos anos 1980, o finado chanceler alemão Helmut Schmidt famosamente chamou a União Soviética de "Burkina Faso com mísseis", basicamente dizendo que, afora o

Kazan, a bela capital da República do Tatarstão, na Rússia

Bem vindos à República do Tatarstão, na Rússia! Eu sei, a cabeça de muita gente deve ter dado um nó: Como assim "República do Tatarstão" e ao mesmo tempo "na Rússia"? Simples: a Rússia é repleta de repúblicas não-soberanas mas que tem certa autonomia. Aqui, ao contrário do Brasil, nem todas as unidades da federação gozam do mesmo grau de autonomia. A Rússia possui "territórios" (krai), "províncias" (oblasts), e repúblicas — dentre outras categorias. As repúblicas são 22 das 85 unidades da federação que a Rússia tem, e são as mais autônomas de todas. Geralmente, representam áreas de maioria étnica não-russa, como

Szentendre, Hungria: A charmosa cidadezinha às margens do Rio Danúbio

Budapeste se tornou uma das mais visitadas cidades da Europa, mas pouca gente que vem à Hungria ainda vai além dela. A capital húngara pode ser linda, mas não é a única beleza que o país tem. Uma opção que visitei recentemente — da qual eu, confesso, nunca havia ouvido falar até um húngaro me recomendar — é Szentendre (lê-se SENnten-dré, e quer dizer Santo André mesmo), uma fofa cidadezinha a 40min de trem da capital. Eu vim aqui num dia chuvoso com amigos, e mesmo o cinza não foi capaz de tirar as cores da cidade. Sanctus Andreas é mencionada pela primeira vez

Budapeste (Hungria), das mais belas capitais da Europa

Budapeste e eu temos uma amizade colorida. Surgiu há anos atrás, quando eu vim pra cá pela primeira vez. Eu, que até então quase nada havia ouvido dela, me surpreendi com a sua beleza, elegância, assim como com a vida na cidade. Se outras cidades de grande porte na Europa (como Paris ou Viena) me parecem voltadas para o passado, vivendo de nostalgia, Budapeste me passa a sensação de uma cidade muito atual. Por mais que também tenha seus séculos de História como lastro, ela me parece ter uma animação pulsante muito viva e contemporânea, que as outras nem sempre

Os cafés e restaurantes favoritos em Amsterdã: Dicas de quem já morou

Se você abrir as recomendações de cafés & restaurantes no TripAdvisor ou em outros sites semelhantes feitas por turistas que foram a Amsterdã, encontrará os lugares populares entre turistas. Em se tratando de Amsterdã, são quase sempre lugares caros e hiper-movimentados (leia-se: difícil de conseguir lugar, e nem sempre porque a comida é fantástica, mas simplesmente por serem lugares aonde muitos turistas vão, e cria-se um efeito bola de neve). Já os lugares frequentados por quem mora em Amsterdã são outros. Eu vivi em Amsterdã a maior parte dos últimos 10 anos, e resolvi fazer uma pequena lista dos meus recantos gastronômicos

Moorea, Polinésia Francesa: Paisagens, mar, e lugares interessantes

(Este é um post com muitas fotos.) Moorea é uma das ilhas mais fotogênicas da Polinésia Francesa. Ela é também a única aonde é possível ir de ferry desde o Tahiti — fica a apenas 1h de viagem. Antes que eu deixe para depois e esqueça, os horários e preços você encontra aqui, na página oficial dos ferries Aremiti, mas não há nenhuma necessidade de reservar antecipadamente. Basta aparecer 1h antes na Estação de Ferries e comprar a sua passagem para uma viagem tranquila e confortável. Eu havia chegado de volta a Pape'ete desde Bora Bora no dia anterior, retornei para dormir na pousada

Taiti, Polinésia Francesa: Terra de dança, flores, e pérolas negras

O Taiti sempre foi pra mim um lugar de sonhos, um lugar quase mítico, fantástico, tão remoto que quase inalcançável. Não é pra menos: o Taiti, essa terra tropical de flores, sol e dançarinas atraentes, está no meio do Pacífico, o oceano maior do mundo, a milhares de quilômetros de qualquer continente. Eu cria que, aqui, você se sentia isolado do restante do mundo. O Taiti hoje faz parte da Polinésia Francesa, um amplo conjunto de vários arquipélagos que são, oficialmente, território francês. Claro, não foi sempre assim; é só em 1880, com os poderes europeus e norte-americano conquistando o Pacífico,

Bem vindos às antigas “Novas Hébridas”, hoje Vanuatu, e sua capital Port Vila

Era uma vez um lugar onde, diz a lenda, todo dia de manhã alguém media no mastro se a bandeira britânica estava exatamente à mesma altura da francesa; nem a mais, nem a menos. Os franceses e ingleses chamaram isso aqui de condominium (co-domínio); os nativos preferiram apelidar de pandemonium. Estamos nas ilhas que eram chamadas de Novas Hébridas, hoje a nação soberana de Vanuatu, no Oceano Pacífico, Oceania. Estamos a 2h de avião a nordeste da Austrália. Depois de passar por Samoa e Fiji na vizinhança, foi pra cá que eu vim. Vanuatu, como Fiji, faz parte da Melanésia, então as

Em passeios e resorts pelas Ilhas Mamanucas e Yasawas em Fiji: Indo do luxuoso ao basicão

Eu no post anterior mostrei meu breve contato com o Fiji autêntico, dos fijianos. Como turista, contudo, o que me marcou mais foi mesmo o passeio pelos resorts nas ilhas Mamanucas e Yasawas — não há como mentir. Não venha a Fiji para ficar só num hotel ou hostel na ilha principal fazendo tours diários bate-e-volta. Conheci alguns turistas que vieram de longe, da Europa, e passaram uma semana nisso. Só depois eu me dei conta do quanto eles deixaram de aproveitar. Organizar um passeio de vários dias às ilhas Yasawas é essencialíssimo. (Eu costumo ser muito comedido com isso de dizer

Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 5): Da Cachoeira de Afu Aau aos Alofaaga blowholes

Continuação de Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 4): Indo a Savai’i, a outra ilha Pati foi o mórmon mais simpático que eu já conheci. Os mórmons, pra quem não sabe, são a principal Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (há várias), que seguem uma doutrina fundada por Joseph Smith Jr. em Utah, nos Estados Unidos, nos idos de 1840. São aquelas duplas de rapazes de camisas brancas e calças pretas que você vê circulando por aí, mundo afora. Samoa e a Oceania em geral são repletas dessas igrejas. Aqui, longe do uniforme preto e branco, Pati usava uma camisa folgada,

Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 2): Descobrindo as comidas e as pessoas

(Continuação de Crônicas em Samoa, Oceania: A Chegada.) Isso na minha mão é um quitute com recheio de abacaxi doce que eles aqui chamam de pai. (Eu levei dias para me dar conta de que era uma imitação de pie, torta em inglês.) Horrível — o amigo ali da foto comeu muito do meu —, mas graças a Deus foi algo muito pouco representativo do que eu viria a conhecer da culinária de Samoa. Uma caminhada por Samoa tem algo de familiar. Lembra o interior do Brasil no litoral do Nordeste ou na Região Norte, só que com algumas excentricidades, e mais sossegado,

Rumo a Wellington: A capital da Nova Zelândia e o espetacular museu “Te Papa”

Tinha tudo pra ser um dia lindo. O sol raiava, era uma manhã fresquinha, e eu me preparava para embarcar numa cênica viagem de trem desde Auckland até Wellington, a capital neozelandesa, no extremo sul da Ilha Norte do país.  Começou bem. Todos os trens são cênicos e turísticos na Nova Zelândia: como é habitual nos países de língua inglesa, há um predomínio do automóvel e das estradas, mas aqui há linhas especiais de trem nas quais turistas podem fazer uma viagem mais gostosa apreciando a paisagem. Há comentários em inglês e mandarim (o que achei revelador), e o trem era

Conhecendo o povo Maori e a sua cultura tradicional em Rotorua, Nova Zelândia

Os Maori são um povo amável, ainda que guerreiro. Guerreiros amáveis. Antes, no entanto, de relatar o que vi, permitam-me um breve prólogo sobre a Polinésia, à qual eles pertencem, pois quase nada aprendemos sobre ela no Brasil. Prólogo: A Polinésia A Polinésia, e não a Ásia, é a região mais a oriente no mundo — assim como também a mais a ocidente. Ela tem os primeiros fusos horários e os últimos. A Linha Internacional da Data, que se convencionou traçar sobre o Oceano Pacífico (aqueles fins do mapa que você tem na parede, uma mera convenção no globo terrestre), passa exatamente

Singapura, a cidade-estado paraíso das comidas asiáticas

(Com o Novo Acordo Ortográfico, passou-se a escrever Singapura com S, não mais com C.) Se você perguntar a qualquer singapurense que se respeite qual é o principal atrativo do seu país, a resposta invariavelmente será a comida. Eles, na verdade, ficam estupefatos que tantos ocidentais venham aqui e passem batidos pela comida, preocupando-se mais com as piscinas dos hotéis, os prédios iluminados, etc.  Os asiáticos em geral adoram comer fora e normalmente marcam todos os seus encontros sociais todos em torno das refeições. Nesse sentido, Singapura é um verdadeiro paraíso, onde você encontra de tudo em termos de comidas asiáticas — seja culinária indiana,

Georgetown, Penang, Malásia (Parte 2): Comidas, curiosidades, e templos

(Continuação de Georgetown, Penang, Malásia: Onde as culturas chinesa, hindu, e malaia islâmica convivem) Estamos em Georgetown, na ilha de Penang, Malásia, quase sob a linha do equador. É como acordar com aquela umidade do norte do Brasil, só que com cheirinho de incenso. Cedo os dois homens que geriam o albergue já haviam acendido o pequenino altar chinês de bons auspícios no chão, ao lado da recepção. O meu café da manhã era com os chineses. Perto do meu albergue, num boteco do outro lado da rua, chineses de todas as sortes reuniam-se nas mesas de bar de manhã para comer macarrão no

A pouco conhecida comida coreana: Kim chi, gimbap, bibimbap, e mais

Comida coreana é algo que a grande maioria dos brasileiros não faz ideia do que se trata. Ela lembra algo da comida japonesa, mas dentro de certos limites. Há a onipresença do arroz como no restante da Ásia, mas esqueça o peixe cru e substitua-o por porco grelhado. Sim. Além disso, os coreanos adoram pimenta — coisa que você não vê no Japão. E, é claro, há o famoso prato-assinatura da comida coreana: kim chi, legumes fermentados num molho apimentado com um cheiro — e gosto — levemente azedos, que você é capaz de sentir em vários condomínios de São Paulo onde

Conhecendo Seul, Coreia do Sul (Parte 1): Gangnam, a “Manhattan coreana” e distrito do Gangnam Style

Um dos fenômenos musicais mais populares do mundo contemporâneo é coreano — quem diria. Música de 2012, Gangnam Style, do artista sul-coreano Psy, ainda é dos vídeos mais vistos do mundo no YouTube, com cerca de 3 bilhões de visualizações. O que pouca gente sabe é que esse vídeo é uma sátira, uma ironia com os opulentos "novos ricos" de Gangnam, distrito no sul de Seul onde se concentram os altos prédios de escritórios de empresas e o centro financeiro do país. Sendo um país que vem crescendo vertiginosamente nas últimas décadas, a Coreia tem uma ascendente classe de executivos, empresários e

Dim Sum originais cantoneses em Hong Kong: Os restaurantes chineses de petiscos

A gente no Brasil acha que conhece comida chinesa. Ô engano! Na maioria dos casos, o que os restaurantes ditos chineses nos servem no Brasil nós poderíamos chamar no máximo de "pratos inspirados na comida chinesa", tipo aqueles filmes "baseados em fatos reais". Na prática, quase nunca vai além de rolinho primavera mais arroz/macarrão/carne/legume frito encharcado em shoyu e com aquele molho acre-doce cor-de-rosa. Acabou. Mentira: nem começou. Isso aí é um arremedo, não é nem a ponta do iceberg da culinária chinesa. Não vou fazer aqui um tratado gastronômico, mas não posso passar por Hong Kong sem mostrar a vocês os dim sum,

Zaanse Schans e as típicas paisagens da Holanda

Eu vim morar na Holanda em 2008, e em pleno 2017 ainda não havia ido a Zaanse Schans, um dos lugares mais turísticos do país, nas vizinhanças da capital Amsterdã. Uma daquelas coisas de deixar pra depois e nunca fazer.  Zaanse Schans é, na prática, um museu a céu aberto. Trata-se de uma bem conservada área semi-rural que preserva das mais típicas paisagens da Holanda — com seus moinhos de vento, terra plana recortada por canais de água, gramados com animais pastando, e casas bonitinhas de madeira do tempo em que Van Gogh pintava. Vale a pena vir. Toma nada mais que 20 minutos de

Bordejos em Paris na primavera (Epílogo): Depois de uma semana em Paris…

Depois de uma semana em Paris, você começa a se habituar àquelas ruas. Os prédios bege de três a cinco andares, todos grudadinhos, com aquelas ruas frescas ocasionalmente molhadas pelas chuvas da primavera. Você também se habitua a certas coisas, como eu me habituei a um croissant todas as manhãs e a um quiche sempre que possível. Quiche, para quem não conhece bem, são aquelas todas salgadas feitas aqui na França com ovos e outros ingredientes. São o que eu mais amo comer quando estou no país.  Depois de uma semana em Paris, você se dá conta de que ainda não viu tudo. Por exemplo,

Comendo na Itália: Particularidades, dicas e alertas

Itália, famosa por sua boa mesa. Provavelmente você conhece mais pratos italianos do que de qualquer outra culinária estrangeira. Quem não gosta de uma boa lasanha, ravioli, pizza, um bom café espresso, um vinho... Você pode não gostar de todos esses, mas certamente de vários, gosta. (Adora, talvez). Só que há muita coisa que você não sabe, inocente. Minha intenção aqui é compartilhar algumas dicas, alertas, e particularidades sobre o comer na Itália, com base na minha experiência. 
Comecemos pelo que vocês provavelmente já conhecem. Esse curto vídeo abaixo ("10 coisas que amamos na Itália") é todo sobre gastronomia. Certamente há

Rimini, Itália: Entre a Ponte de Tibério, o Arco de Augusto, e o sorvete italiano

Ariminum é como os antigos romanos chamaram esta cidade então fortificada às margens do Mar Adriático. Para lá para trás dos cavalos, no horizonte da foto, está a praia. Hoje, conhecida pelo nome de Rimini, esta cidade é um simpático resort de verão dos italianos.  Estamos na região italiana da Emilia-Romanha, a mesma de Bolonha, só que no litoral. Rimini é uma cidade de médio porte, com seu centro histórico que — como há de ser numa boa cidade italiana — guarda marcas da antiguidade romana juntamente com o casario típico dos séculos mais recentes. Como estamos na Emilia-Romanha, temos aqui aquele casario de tons pastéis

Impressões em Tirana, a capital da Albânia: Tradições, comidas, Bunk’art e Enver Hoxha, o discípulo de Stálin

No caminho de volta de Berat a Tirana eu conheci Keisi, uma albanesa de seus 20 anos que se sentou ao meu lado no ônibus. Estudava biologia num caderno e eu, como biólogo, não resisti e puxei conversa. Ela voltava de uma visita de fim de semana aos pais no interior, e retornava agora à capital, onde cursa odontologia. "Nós os albaneses somos conhecidos por três coisas: pela hospitalidade, por termos a cabeça aberta  em relação a cor, raça e religião, e por sermos fofoqueiros", disse-me ela quando a conversa já ia além da biologia. Os albaneses às vezes podem parecer taciturnos ou quietos para

Berat, Albânia: A cidade das mil janelas

Berat é uma cidade estonteante, tanto pela beleza cênica quanto por sua tamanha autenticidade. Ela é das cidadezinhas mais bonitas de toda a Europa (embora seja desconhecida até mesmo dos europeus, que pouco sabem sobre a Albânia, como comentei antes aqui.) Berat foi a minha cidade favorita no país.  Fundada pelos gregos antigos nos idos de 600 a.C., Berat foi posteriormente usada pelos romanos e, em seguida, pelos bizantinos ou romanos do oriente (de Constantinopla). Sua fortaleza no alto de uma colina provia a defesa do lugar, com uma cidadela fortificada lá em cima onde as pessoas viviam. Ao longo da

Ohrid e seu lago na Macedônia: Os Bálcãs e suas belezas

Os Bálcãs, aquele recanto no sudeste da Europa (entre a Itália e a Turquia), são uma das regiões mais fascinantes do continente e das menos visitadas por brasileiros. Esta é a região mais pobre de toda a Europa, mas também uma daquelas de maior personalidade. Se por um lado há uma certa decadência na infraestrutura física de alguns lugares, por outro há as belezas de que pouco se escuta, há as pessoas de jeito mais maroto (às vezes um pouquinho malandro), e a gastronomia de influência turca. Eu, quando cheguei a Skopje, capital da Macedônia, acreditei que iria me deparar com blocos de refugiados sírios fazendo

Bem vindos a Amã, Jordânia: Tranquilidade e os originais dos Manuscritos do Mar Morto

Bem vindos a Amã, a capital da Jordânia, este país do Oriente Médio espremido entre Israel e a Arábia Saudita. Eu quero começar proporcionando a vocês aquela que também foi a minha primeira impressão de Amã, desde antes de eu chegar, só por olhar no Google Mapas as suas ruas tortas e meandros: a massa urbana que me aguardava. Assistam a este pequeno vídeo que fiz do alto de uma das sete colinas da cidade durante um dos chamados às cinco orações diárias dos muçulmanos. Era como um dia de inverno na Bahia quando desembarquei, aquele calor não-agressivo. A escada levava-nos do

Visitando as ruínas de Baalbek e uma mesquita xiita no Vale do Bekaa (Líbano), quase na fronteira com a Síria

Mohammed era um desses sujeitos que você não esquece. Um libanês moreno de seus 35 anos, descolado, de camisa polo, calças e sapato baixo, e um ar de quem não perde uma piada. A cara dele era aquela pseudo-séria, aquele jeito de quem está pensando no próximo comentário a fazer, ou avaliando se há algum significado malandro por detrás do que você disse. Ele tinha a mesma boca suja habitual de um brasileiro médio, e usava foto do supremo aiatolá iraniano Ali Khamenei como foto de perfil no WhatsApp. Era muçulmano xiita, como a maioria dos libaneses — e como a grande maioria dos libaneses

Conhecendo Beirute, capital do Líbano: Uma cidade de contrastes

(Este vai ser um post longo.) Não sei se amo Beirute. Ela é definitivamente uma cidade notável, ocidentalizada mas com aquele toque árabe, e rica pela diversidade única de comunidades religiosas — junção de cristãos maronitas, ortodoxos gregos, muçulmanos sunitas, muçulmanos xiitas, cristãos armênios, entre outros que compõem o mosaico que é o Líbano. É interessante. Por outro lado, Beirute é uma cidade cheia de problemas, que vão desde os altos riscos de terrorismo até uma greve de meses dos incineradores de lixo e que deixou na cidade um fedor nauseante que se estendia por quilômetros. Se você gosta de caminhar como eu, praticamente tudo

Bem vindos ao Líbano: Imigração, informações gerais, e as primeiras impressões

Saído do Egito, cá estou eu no Líbano, o extremo oriente do Mar Mediterrâneo. Um país árabe, mas diferente dos outros. O mais liberal e "moderno" de todos, dizem. Contudo, a diferença principal é mesmo a religiosa. Enquanto os demais países árabes são majoritariamente muçulmanos, o Líbano é uma mistura de árabes cristãos de várias denominações (ortodoxos, maronitas, etc.), muçulmanos sunitas e muçulmanos xiitas (esses dois últimos são diferentes entre si, como seriam católicos e protestantes, e geralmente não se bicam).  O Líbano é uma bricolagem, um amálgama de grupos religiosos diferentes — muitas vezes inimigos — ajuntados e que concordaram em viver juntos num mesmo

O verdadeiro iogurte grego original: Puro “food porn”

O Brasil finalmente descobriu iogurte de verdade. (Esse era uma dos poucos alimentos que eu lamentava não encontrar de boa qualidade no Brasil, só aquela coisa rala e com sabor artificial.) Agora tudo mudou, o Brasil descobriu o "iogurte grego" e ele agora toma todas as geladeiras do país. Os outros logo sairão de circulação, pode apostar. Iogurte grego, na verdade, há muitos anos é "sensação" Ocidente afora. Ele nada mais é do que iogurte coado, tirado o soro do leite. Fica então a parte grossa, dando aquela consistência firme. Esse é um método tradicional de fazer iogurte muito comum pelo Oriente Médio e nos

Comidas árabes que você não vê no Brasil

Ali estou eu na Jordânia com um copinho de chá, salada crua e pão árabe (aquele pão chato, que no Brasil chama-se de pão sírio). Há muito da gastronomia árabe que conhecemos, e mais ainda de que não fazemos nem ideia. Quando eu fui a Marrocos, um país árabe, perguntaram-me se eu havia comido kibe e esfiha. Não vi nem sombra. Habituados que estamos ao Habib's e à grande influência da imigração libanesa no Brasil, achamos que "comida árabe" é somente comida libanesa. Ledo engano. Os árabes conquistaram e governaram por séculos toda a região que vai de Marrocos (cá à beira

O Museu Bardo e os mosaicos romanos mais lindos do mundo, na Tunísia

Você aí nem sabia que os romanos tinham artes visuais além de esculturas, ou que faziam mosaicos. Faziam, e faziam muitos. Mosaicos são aqueles ladrilhos coloridos que formam imagens, e que os romanos usavam como decoração em suas casas nas paredes, no chão e/ou no teto. Quase sempre tinham motivos épicos da mitologia greco-romana.  O maior legado de mosaicos dessa Antiguidade romana está hoje na Tunísia, aqui no norte da África. A gente tende erroneamente a associar os reinos e impérios de outrora com as fronteiras dos países atuais, mas isso é uma falácia. O Império Romano era muito mais do

Visitando Túnis, a movimentada e literata capital da Tunísia

Túnis é uma zona, e não é das pequenas. Cá em quase todo este mundo árabe do norte da África impera uma energia social fortíssima. Esqueça aquela ocasional tranquilidade idílica que você encontra em cidades do sul da Europa; aqui no norte da África a natureza é parecida, mas o mundo humano é outro. Eu acho sempre interessante notar como dois mundos tão distintos aqui se encontraram, como um encontro das águas, uma "pororoca" cultural, que aqui apenas o Mar Mediterrâneo separa. Agrave-se aí que Túnis acabou de terminar de ser o epicentro da Primavera Árabe na Tunísia, que o governante

Uma Espanha autêntica: Valencia, a cidade da paella

Valencia mostra uma Espanha autêntica. Pouco turística, a cidade que inventou o prato espanhol mais famoso do mundo se foca em si mesma. Esqueça as hordas de turistas. Valencia é uma cidade movimentada, mas movimentada por espanhóis. Graffiti nas ruas dividindo espaço com igrejas mui católicas, cafés servindo café con leche, e pernas de porco dependuradas nos bares — tudo à moda espanhola. O toque regional é dado pelas coisas escritas em valenciano nas ruas. Como capital da Comunidad Valenciana (uma das 17 "comunidades autônomas" que compõem a Espanha), Valencia é próxima de Barcelona, capital da vizinha Catalunha. Ambas eram parte do reino medieval de Aragão.

Coisas de Barcelona: Sagrada Família, obras de Gaudí, e noites na rua

Barcelona tornou-se uma das sensações da Europa (e do mundo) nos últimos tempos. Uma cidade descolada, animada, e muito diferente do espírito monarquista da Espanha. Aliás, uma cidade diferente de toda aquela Europa tradicional. Barcelona representa a nova Europa: da União Europeia, do multiculturalismo liberal, e dos jovens festeiros que não querem nada com o conservadorismo da Europa de outras eras que você costuma imaginar. Eu cheguei a Barcelona para o início do que seria uma jornada solitária de 4 meses, uma volta ao mundo que me levaria daqui ao norte da África, ao Oriente Médio, a países da Ásia ainda

Em Liverpool, na terra dos Beatles

Eis Liverpool, a afamada terra dos Beatles! Poucos brasileiros vêm aqui, apesar da fama eterna da banda em nosso país. Não sabem que, na verdade, há um sem-número de atrações relacionadas aos Beatles aqui — tours, museus, bares históricos onde eles tocaram, lojas, etc. Resolvi que uma ida a Liverpool na minha mais recente visita à Inglaterra estava na ordem do dia. Pra qualquer fã dos Beatles, é uma visita épica e obrigatória. É equivalente a uma peregrinação a Meca. O inglês do rapaz do albergue era incompreensível. Simpático, o liverpooliano falava com o típico sotaque daqui, um embolado fonético que desafiará mesmo os

Entre o chá verde e o ópio, no extremo norte da Tailândia

Eis uma visão das mais asiáticas: uma plantação de chá verde. Eu comentei anteriormente (ver Visitando Chiang Mai, a cidade mais "cool" da Tailândia) como este norte do país é mais pacato, relax, e dado mais a budismo & natureza do que o badalado sul, das praias ou da vida noturna de Bangkok. Esta plantação com as colinas deste extremo norte tailandês ao fundo ilustram bem. Há, contudo, uma "sombra" histórica aqui pouco conhecida no Ocidente, mas que paira nesta parte da Ásia do mesmo jeito que a cocaína arrebenta a América Latina. Trata-se da produção de ópio e seus derivados. Este miolo do

Pelas ruas e mercados de Bangkok experimentando a comida tailandesa, a melhor do mundo

A Tailândia é uma diversão. Está no espírito dos tailandeses, como no dos brasileiros. Esse "a melhor do mundo" é a minha desavergonhada opinião pessoal. Talvez. Sempre me perguntam qual a minha culinária favorita, e esta é sempre uma pergunta difícil. Amo a Itália, a Índia, a minha comida baiana de origem, mas a Tailândia também está sempre em disputa lá no topo. Embora essa seja uma questão de gosto pessoal, é indiscutível que a culinária tailandesa é riquíssima em sabores, e que uma viagem aqui não está completa sem experimentar as comidas. 
Não seja como os que viajam para o exterior

Taormina e o Monte Etna, na Sicília

Estamos em Taormina, provavelmente o lugar mais cobiçado de toda a Sicília. Cá nas alturas à sombra do Monte Etna, entre o indomável vulcão e este belo mar, temos um agradável vilarejo italiano (pra lá de turístico) onde as pessoas vêm experimentar um pouco da dolce vita. 
As vistas são estonteantes. O charme do vilarejo é aquele clássico do interior italiano. E a comida, você vai precisar driblar uns horríveis lugares pega-turista, mas é possível achar delícias maravilhosas. Só recalibre um pouco o orçamento, pois sendo tão turística, as coisas aqui em Taormina são um tanto mais caras que noutras partes

Noto (Sicília), uma explosão de barroco italiano pra você

Noto é uma pequenina cidade italiana na Sicília que é toda de uma cor. Pensadores italianos do passado a chamaram de "jardim de pedra". Esse tom de areia está por todas as edificações, e resplandece lindamente à luz do sol. É resultado de um terremoto, que destruiu a cidade medieval em 1693 e a fez ser toda reconstruída assim, em estilo barroco siciliano. Todo o centro da cidade está tombado como Patrimônio Mundial reconhecido pela UNESCO. 
Noto está a uma viagem curta de Siracusa. Vale a pena vir de manhã para passar o dia. Em bom estilo Mediterrâneo, e ainda mais

A Sicília! Bem vindos a Siracusa, no extremo sul da Itália.

Bem vindos à Sicília, o ápice da Itália! Acontece de albergar o mais alto pico italiano (o Monte Etna, vulcão de 3.329m), mas não é a isso que me refiro. Refiro-me àquelas muitas coisas que nos remontam à Itália — arte, antiguidade, delícias gastronômicas, gente passional, e um pouquinho de máfia. Tudo isso se acha elevado ao quadrado aqui na Sicília. Perguntei-me porque o turismo brasileiro inclui tão raramente a Sicília. A resposta só pôde ser a sua localização geográfica, cá no extremo sul da Europa, e os brasileiros sempre tentam aproveitar pra ver várias cidades de interesse ao mesmo tempo. É compreensível,

Málaga e um panorama geral do sul da Espanha, a Andaluzia

O sul da Espanha é a minha região favorita do país. A maior parte dos turistas brasileiros se limita a visitar Madrid e Barcelona (às vezes, Zaragoza e Bilbao a caminho da França), mas a Andaluzia pra mim reserva dos elementos mais interessantes da Espanha. 
Aqui é a terra do flamenco, de cidades medievais lindas como Granada e Sevilha, e da presença mais pronunciada de toda a herança moura no país. (Para os que perderam essa aula de História, a Península Ibérica foi tomada pelos árabes, com exércitos também de berberes [nativos do norte da África], no ano 711 e teve reinos muçulmanos

Entre ricos e pobres em Lima, Peru

Passadas as lindas tribulações em Cusco, nas caminhadas no Vale Sagrado dos Incas, e finalmente em Machu Picchu, era chegada a hora de visitar a capital peruana, Lima. 
Lima tem um astral completamente diverso daquele encontrado nos Andes. É Peru, mas um outro ambiente. Não procure mais pelas montanhas, lhamas, nem pelas ruínas incas. Inca, aqui, só mesmo o sangue das pessoas e os seus hábitos culturais (a culinária continua maravilhosa). 
Lima lembra muito o Brasil — inclusive nos seus contrastes. Aqui você vê claramente que há o Peru dos pobres e o Peru dos ricos ocupados com o lançamento do último iPhone. Aquele seu primo

Arequipa e a notável culinária peruana

Esta é a praça central de Arequipa, sua Plaza de Armas, de arquitetura colonial espanhola. Arequipa é a segunda maior cidade do Peru (após a capital, Lima), e a cidade-natal de Mario Vargas Llosa, um dos Prêmio Nobel de literatura da América do Sul. Arequipa é também a melhor cidade do Peru em termos de gastronomia — os limeños que esperneem o quanto quiserem, mas é verdade. Passei 3 dias aqui, o que me pareceu suficiente. Cheguei após a tortuosa viagem de ônibus desde Puno (ver Emoções de ônibus no interior do Peru), às margens do Lago Titicaca e da fronteira com a Bolívia

Maastricht (Holanda) e a curiosa igreja transformada em livraria (com café)

Se, como escreveu São João evangelista, no princípio era o Verbo e o Verbo era Deus, então estamos aqui diante de uma bela manifestação divina. Preparem-se para uma das livrarias mais originais do mundo, no animado sul holandês. 
Estamos no extremo sul da Holanda, em Maastricht. Aqui nesta cidade nasceram a União Europeia e o euro. Sua escolha para a assinatura dos acordos de 1992 — o chamado Tratado de Maastricht — certamente não foi acidental; aqui, neste rabinho sul da Holanda já espremido entre a Alemanha e a Bélgica (e pertinho da França), a cidade adquire um ecumênico espírito cosmopolita europeu. A maioria de

Pelas ruas de La Paz: Centro histórico, Mercado das Bruxas, e as comidas da Bolívia

La Paz oferece uma genuína mistura de cultura indígena e colonização espanhola. Apesar dos pesares que observei no post anterior, a cidade tem uma série de pontos interessantes a ver — e comidas típicas a experimentar (a Bolívia é um dos poucos países do mundo onde não existe McDonald's!).  O centro histórico de La Paz, ainda que suas ruas estreitas e íngremes façam você se sentir emboscado quando passa um ônibus lançando fumaça preta no ar e eliminando o pouco oxigênio disponível aqui a 4.000m de altitude, tem um casario colonial bonito, e praças legais de ver. Prepare-se para os pombos.  Duas observações. La

Santiago do Chile: Comes & bebes na rua e nos bairros boêmios

(Continuação de: Santiago do Chile: Cerros, charme, tango e “café con piernas”) Na cozinha do albergue, a senhora que parecia ser mãe de um dos rapazes que administravam o lugar nos servia um café da manhã de frutas frescas, pão, manteiga, (nes)café, e ovos mexidos, que em espanhol recebem a curiosa alcunha de huevos revueltos. Tomei café com a minha mãe, que me acompanhou nesta viagem, e um casal de canadense e australiana que me apresentaram a horrível vegemite, uma pasta salgada que lá na Austrália eles passam no pão. Fiquei com os meus ovos revoltos. 
Verdade seja dita, a culinária chilena não me deixou

Quimper e a Bretanha francesa: Terra dos crepes e da sidra

Calma, não se confunda. Eu sei que isso chocará a muitos brasileiros, mas a Bretanha fica na França. Não a confunda com a Grã-Bretanha, a ilha que abarca a Inglaterra, o País de Gales, e a Escócia, mais ao norte. O nome comum provém dos povos bretões, uma tribo celta da atual Grã-Bretanha e que, após as invasões romanas na época de Cristo, migrou para esta ponta noroeste da França que viria a se chamar Bretagne em francês — ou Bretanha em português. Já foi também chamada de "Pequena Bretanha", pra a distinguir da Grã-Bretanha. 
A Bretanha tem uma forte personalidade regional. (Talvez a maior

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