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Brugge (ou Bruges), Bélgica: Uma das cidades mais românticas e charmosas da Europa

Brugge é das poucas cidades europeias que se atrevem a desafiar Paris e Veneza como destino romântico. Uma das cidades mais charmosas da Bélgica e da Europa, ela tem um charme singelo, de porte pequeno, despretensioso, e talvez também por isso tão atraente. É que Brugge tem quase um ar de amor escondido, aquele jeito estar quietinho aqui enquanto o mundo lá fora se desenrola. Estamos no norte da Bélgica na região de Flandres, que fala flamengo, língua que é praticamente um holandês com sotaque belga. Bruges, a outra grafia, é como a chamam os valões, da Valônia, a metade sul

Viena, Áustria: Conhecendo a capital cultural da Europa Central e suas atrações

Bem vindos a Viena, esta imponente capital austríaca, e ainda a cidade que exibe com maior propriedade a aura cultural e a elegância da Europa Central.  Em população, apenas Berlim e Hamburgo têm mais gente que Viena na Europa Central — mas Berlim carrega uma sombra muito grande da sua própria história, e Hamburgo está muito longe (tem mais semelhanças com Bélgica e Holanda) para representar a aura da Europa Central. É com sua irmã audaz Budapeste que Viena lidera como principal chamariz urbano dessa região da Europa, só que com mais riqueza e glamour que a capital húngara (embora eu

Munique (Baviera), a capital secreta da Alemanha

Estamos na Baviera (ou Bavária, ou Bayern em alemão), o maior e mais rico estado da Federação Alemã. Sim, a Alemanha é uma federação. Consulte um alemão e ele fará uma cara de que é impensável que não o fosse. Aquela Unificação Alemã que estudamos na escola, dada no fim do século XIX, nunca foi tão longe assim. Regionalismos continuam sendo a alma alemã, tanto quanto na Itália. Munique, a capital da Baviera, é chamada secretamente de a capital secreta da Alemanha, embora não o seja. Isso se diz talvez pelo tanto de cultura tradicional que há aqui — o Oktoberfest,

Thessaloniki (Salônica): Encruzilhada eterna na Grécia balcânica de hoje

Estamos na segunda maior cidade da Grécia, depois de Atenas. Longe das ilhas gregas, Thessaloniki — traduzida como Tessalônica ou somente Salônica em português — talvez seja mais conhecida dos brasileiros por menções bíblicas que através do turismo. Ou talvez por ser a terra de origem dos Abravanel, família de Silvio Santos. Não é de se espantar. Tessaloniki está longe das rotas habituais, e tem mais tamanho que charme. É uma cidade que transpira a Grécia balcânica, essa Grécia contemporânea pouco conhecida entre aqueles de nós presos à Grécia Antiga, como se nada tivesse ocorrido entre lá e cá. Como ocorre

Comida Mexicana (2.0) e seus pratos típicos, bebidas e especialidades: Milho, pimenta e chocolate na veia

A culinária mexicana é algo potente. Pimentas que ardem, muito feito do milho, e chocolate, esse tesouro que os mesoamericanos doaram ao mundo. Uma veia nativa muito rica esta gastronomia tem. Eu cheguei a discorrer sobre ela num post anterior. Agora, após os percursos e experiências em mais lugares no México, vamos à versão 2.0 — mais completa e atualizada — dos Comes & Bebes mexicanos. Tortilhas e afins: A alma mexicana Pimentas, pimentas: Verdes e vermelhas Molhos e moles Chocolate: Invenção mesoamericana para o mundo Há vida para vegetarianos? Doces e paletas Os "bebes" no México: Con o sin alcohol Tortilhas

San Cristóbal de las Casas, Chiapas: Linda cidade colonial e indígena no sul do México

Bem vindos ao emblemático estado de Chiapas, o mais meridional do México, já na fronteira com a Guatemala. Estamos numa área tropical elevada, onde os jaguares antigamente salteavam nas matas das colinas, e os povos mayas faziam das melhores agriculturas e engenharias do mundo. Não estou falando de passado remoto. Embora a "Era de Ouro" da civilização maya tenha se dado de 250-900 d.C., eles não desapareceram. Suas cidades, embora já não tão dominantes, continuaram de pé, e a população maya continua aqui até hoje, falando seus idiomas nativos nas ruas e mantendo o que foi possível da sua cultura. Se você

Conhecendo o mezcal na origem: em Oaxaca, sul do México

Nos profundos recantos do interior de Oaxaca, aqui no sul do México, qual foi a nossa surpresa ao reencontrar o señor Simón, guia do nosso tour do dia anterior. Estava ele a guiar outro grupo hoje, e apresentou a todos nós com sua senioridade o mezcal, bebida típica do México feita através da fermentação do agave. Fica muito diferente da tequila, que é o agave destilado. "Para todo mal, mezcal", dizia-nos ele na sua voz de avô, aquela certeza tranquila que só os mais idosos têm. "Para todo bien, también. Y para remedio, litro y medio", concluía ele certo. Como todo bom

Curiosidades da gastronomia e belezas da cultura de Oaxaca, México

Coloridos, coloridos vários. Não há México sem cores, muito menos Oaxaca. Seja na comida ou nas artesanias, o colorido vivo está aqui por toda parte. Nas comidas propriamente ditas, como também nos pratos propriamente ditos. Nessas tapeçarias de fio de agave, como nas pequenitas esculturas em madeira que fazem de monstros e criaturas fantásticas brinquedos infantis. Este post é uma modesta amostra da cultura oaxaqueña de que me embebi por uns dias, algumas das comidas que experimentei e das coisas que vi. De molhos preparados com gafanhoto a lindos têxteis de coloração natural. Estou fazendo essa anarquia com os gafanhotos porque são

Puebla e seus tesouros do barroco colonial mexicano

Muito tem o México em comum com o Brasil. Embora tenhamos muito pouca irmandade para com os outros latino-americanos (os brasileiros em geral preferem se afeiçoar da Europa, quando não com os Estados Unidos ou até mesmo a África antes de olhar para a própria vizinhança), há muito de parecido e de história compartida. O barroco colonial é uma dessas manifestações mais evidentes das semelhanças latino-americanas. Barroco não é apenas arquitetura de igreja. (Música barroca existe, pra quem não sabe, embora esta seja um elemento bem mais europeu que americano.) O barroco foi uma época cultural da Europa com seus prolongamentos

Leicester e as Midlands britânicas: Na antiga Mércia, coração da Inglaterra

Leicester (pronunciada Léster) não é exatamente a cidade mais famosa da Inglaterra. Ao menos não fora das suas fronteiras. Já dentro, ela é conhecida como a histórica cidade onde está enterrado o último rei inglês a morrer em batalha (Ricardo III em 1485), assim como hoje pelos seus ótimos curries indianos.  Estamos nas chamadas Midlands, estas "terras médias" do miolo da Inglaterra. Aqui ficava o Reino da Mércia, constituído em 527 d.C. Teria sido nessa época e nessa região que vivera o lendário Rei Arthur, personagem de contos populares (verídicos ou não) que o clérigo Geoffrey de Monmouth em 1138 compilou

Paisagens andinas, lhamas e hotel de sal: Segundo dia do tour ao Salar de Uyuni

Continuação de: As lagoas coloridas do Altiplano boliviano: Primeiro dia rumo ao Salar de Uyuni Dormimos no que eu chamaria de uma maloca de cimento após o primeiro dia do tour ao Salar de Uyuni. As casas bolivianas são notoriamente básicas, não-acabadas, aquelas construções apenas de cimento, tijolo, e vidros nas janelas. Um tanto apertadas e cheias de gente, mas é a realidade socioeconômica do lugar. Ninguém espere grandes confortos — nem calefação para as noites frias daqui. Mas o dia prometia mais paisagens neste pitoresco altiplano boliviano, com suas lhamas e cânions, e é isso que me trazia. Começava o segundo dia.

A experiência de celebrar o Ano Novo Chinês na China, em Hong Kong

Neste fevereiro, celebrou-se o Ano Novo Chinês, nome popular para o que é o Ano Novo Lunar, celebrado por muitas culturas na Ásia — a chinesa só acontece de ser a maior delas. Vietnamitas, butaneses e outros asiáticos juntam-se a 1,5 bilhão de chineses para comer bastante, reunir-se em família, e olhar suas previsões astrológicas. Há uma série de tradições que pude experimentar em primeira-mão neste ano, uma festa muito diferente do réveillon ocidental. A quem estiver a se perguntar, o Ano Novo Lunar cai na segunda lua nova após o solstício de inverno no hemisfério norte (21/22 de dezembro, quando no

Sighisoara, a pitoresca cidade medieval da Transilvânia onde teria nascido o Drácula

Bem vindos ao interior da Romênia no leste europeu; à Transilvânia, esta terra de natureza e heranças medievais bem conservadas, e que muitos creem nem existir de verdade. Existe, é composta por vales entre as Montanhas dos Cárpatos, colinas verdes, e belas cidades históricas. Delas, Sighisoara é talvez a mais pitoresca de todas. Eu chegava aqui vindo de Brasov, naqueles dias mágicos entre o Natal e o Ano Novo. Um inverno de zero grau pairava no ar, sob um céu nublado e uma névoa que dão certa magia à região. Inevitavelmente, quando se menciona "Transilvânia", quase todo mundo a associa imediatamente ao Conde

Na Suécia, entendendo o significado original do Natal

É noite aqui na Suécia. Aliás, nesta época do ano, parece quase toda hora ser noite aqui na Suécia. A época do Natal, solstício de inverno aqui no hemisfério norte do planeta, tem as noites mais longas do ano.  Na cidade de Gotemburgo, onde moro (sim, eu viajo muito mas moro em algum lugar), o sol estes dias tem nascido perto das 9h da manhã e se posto antes das 15:30. Entre um momento e outro, não imagine que há sol: no geral têm sido dias nublados, de um céu de chumbo, ventosos e de temperaturas por volta de 0 grau. Muito

Comidas e bebidas típicas a experimentar em Quito, Equador

Esses somos eu, Mishelle e Sandra, as minhas anfitriãs equatorianas em Quito, e Frank, o único ex-Testemunha de Jeová que eu já conheci na vida. Em mão, tenho uma inca kola, o guaraná-jesus do Peru e do Equador, refrigerante ame-o-ou-deixe-o cor ácido-de-bateria e de sabor chiclete. Eu já a havia mostrado aqui, em viagem ao Peru, mas deixemo-na de lado por ora. Há coisa melhor a se provar em Quito.  Nesse 1 mês em que vivi no Equador eu conheci algo dos comes & bebes daqui, e tenho algumas coisas realmente típicas a recomendar. Quito, além do seu maravilhoso centro histórico retratado

A curiosa gastronomia butanesa: Chá de manteiga, pimenta com queijo, e o “viagra dos Himalaias”

Está aí algo que — eu tenho certeza — provavelmente nem os que mais gostam de viajar na imaginação se detiveram para imaginar: comida butanesa. Eu, quando vim ao Butão, imaginava encontrar uma culinária asiática genérica: arroz com legumes fervidos, talvez com algum tempero inspirado na China ou na vizinha Índia... Juro que não esperei as excentricidades curiosas com que me deparei. Claro que "excentricidade" do meu ponto de vista, pois aos butaneses esse é o normal de cada dia. Experimentei tanta coisa sui generis aqui no Butão que resolvi fazer um post dedicado ao tema. Na capital Thimpu, que vos mostrei

Conhecendo Varsóvia, a capital da Polônia

Varsóvia, embora conhecida de nome por quase todos, pouco figura nos roteiros turísticos dos brasileiros — ou, verdade seja dita, da maioria dos turistas que vêm à Europa. A capital polonesa foi bombardeada e 80% destruída durante a Segunda Guerra Mundial. Quase tudo é novo, do período comunista da Guerra Fria, e talvez por isso falte a Varsóvia a atratividade de outras capitais europeias. Mas isso também joga a seu favor: eu cheguei esperando a mais feia das cidades, e me surpreendi quando vi que não é bem assim. Três horas de trem expresso separam Cracóvia, a irmã mais charmosa, de Varsóvia,

Tbilisi, Geórgia: Das mais charmosas cidades que você (ainda) não conhece

Bem vindos à Geórgia, um país que a maior parte do mundo nem sabe que existe. É capaz de mais gente saber do estado norte-americano homônimo que do país independente e soberano com esse nome. Estamos no Cáucaso, a mesma região onde fica a Armênia, no extremo leste da Europa, naquela rugosa faixa de terra entre a Rússia e o Oriente Médio, por entre o Mar Negro e o Mar Cáspio. (Eu já comentei em outro lugar a discussão sobre os países do Cáucaso serem Europa ou não, mas a convenção mais aceita diz que sim.)  Trata-se de um país do tamanho

Sul da Armênia: Entre licores de damasco e o Mosteiro de Tatev nas montanhas

Visitada a capital e alguns sítios próximos, havia chegado o dia de eu fazer uma excursão ao sul da Armênia, quase na fronteira com o Irã, a conhecer o Mosteiro de Tatev, do século IX, uma das muitas preciosidades históricas desta região. Nesta terra de montanhas e vales, sol quente e seco, há muito que monges cristãos viveram em comunidades isoladas. É um tradição antiga, como quase tudo por aqui. Há muitas agências de turismo em Erevan oferecendo passeios às diversas partes do país (embora nem todos estejam disponíveis todos os dias, então atenção se você estiver visitando). Este eu organizei com

Pelo interior da Armênia: Paisagens, mosteiros, e igrejas de pedra

A Armênia é um destino para quem se interessa por História, cultura, e religião — tudo isso envelopado nas paisagens áridas e elevadas aqui do Cáucaso. Poucas vezes eu encontrei no mundo um país tão rugoso, cheio de altos e baixos. Não vi uma gota de chuva que umedecesse estas terras secas, embora sem dúvida chova algo em outras épocas. E vi um povo orgulhoso da sua identidade e muito ciente do seu lugar na História. Não há como falar de Armênia sem falar em Cristianismo — os próprios armênios não deixam. Seria quase como falar de judeus sem falar em judaísmo.

Islândia: Seu ambiente urbano e atrações de Reykjavik, sua capital

Bem vindos à Islândia, este remoto país europeu que está bombando no turismo desde que a crise financeira derrubou sua economia em 2008. De um lugar isolado do qual nada se sabia (só que ele existia) a um dos "destinos da vez" nos últimos anos. O pequeno país, de 334 mil habitantes, há 10 anos atrás recebia de turistas o equivalente à sua população, e agora recebe mais de 2 milhões por ano. Seu nome quer mesmo dizer "terra do gelo": Iceland em inglês, Ísland no original islandês. Sim, a Islândia tem o seu próprio idioma, aquele que mais se assemelha

Istambul na primavera: Revendo o Grand Bazaar, Hagia Sophia, a Mesquita Azul e outros lugares da maior cidade da Turquia

Eu chego a ficar com cara de bobo. Rever Istambul pra mim sempre é um reencontro com uma das minhas cidades preferidas. A magnífica rainha do Estreito do Bósforo, entre dois continentes (Ásia e Europa), é uma cidade como nenhuma outra. Eu aqui me sinto numa espécie de "linha do equador" do mundo dividindo-o entre Ocidente e Oriente. Na primavera, então, Istambul fica especialmente bonita. Tulipas nos jardins enfeitam as praças e canteiros dos pontos turísticos com essa flor de origem persa, e que os otomanos usavam muito antes de ela virar sensação na Holanda. O tempo ainda varia, com os

Konya, cidade histórica e coração tradicional da Turquia

Eu tenho amigos liberais de Istambul que não gostam nem da ideia de vir a esses cantos mais interioranos da Turquia. Fazem uma cara e esbugalham os olhos como quem diz "Deus me livre" — ou alguma versão agnóstica da expressão. Como diz um alemão que eu conheci este ano e que trabalha há muito tempo em Istambul: "Istambul não é a Turquia, é uma cidade internacional". Claro que ele está exagerando, mas há um fundo de verdade. Istambul tem estética e sabores turcos — e, inegavelmente, gente turca pra dedéu — mas é um ambiente social bastante distinto: progressista, relativamente liberal,

De Smyrna a Izmir: De volta à Turquia, na primavera

Era uma vez uma antiga cidade grega chamada Smyrna. Estamos na costa do Mar Egeu, mas do lado leste, onde hoje fica a Turquia. A gente às vezes se esquece de que por muitos séculos tudo isso era grego.  De grego antigo, a grego antigo sob domínio de Roma, a grego medieval cristão ortodoxo (bizantino), até a chegada dos turcos otomanos em 1400. Vindos do centro da Ásia, eles tomaram tudo isto aqui e aqui estão até hoje. A gente não estuda isso na escola, mas por séculos deixou de haver uma "Grécia". Os gregos viveram misturados com turcos, búlgaros e

Visegrad, Hungria: Castelo medieval e bela cidadezinha às margens do Rio Danúbio, na Europa Central

Estamos no norte da Hungria, não muito distantes de Budapeste, a capital húngara. Perto daqui, o famoso Rio Danúbio é a fronteira entre Hungria e Eslováquia, na Europa Central. Estamos no coração do velho continente. Aqui fica Visegrad (Visegrád com acento em húngaro), um sítio histórico e belo muito pouco visitado por turistas que não são da região — a maioria nem sabe que esse lugar existe. Mas existe. Aqui fica o que foi um castelo medieval do século XIV, e uma simpática cidadezinha homônima onde é possível ver algo da arquitetura centro-europeia em seus tons pasteis e algo da distinta culinária húngara. Estamos

Comidas típicas na Rússia: Está preparado?

A culinária russa não é mundialmente famosa. É difícil encontrar um restaurante russo em outro país, e duvido que muitos brasileiros — ou ocidentais em geral — conheçam muitos pratos russos além de strogonoff. (Inclusive, acho que o strogonoff hoje em dia é muito mais comum no Brasil que na Rússia. Só pra constar.)  Se há uma razão para a pouca fama da comida russa, eu suspeito que sejam sua simplicidade e despretensão. A gastronomia russa tem aquela cara de "comida de todo dia", o que talvez tenha sido particularmente reforçado durante os 70 anos de existência da União Soviética com o seu mantra

No parque cultural “13th Century”: Visitando a Mongólia do século XIII, dos tempos de Gengis Khan

Foi perto da capital Ulaanbaatar que eu faria uma das visitas mais interessantes durante esta minha estadia na Mongólia. Um "parque" onde você conhece os detalhes de como viviam os mongóis nos tempos medievais do grande conquistador Gengis Khan — ou melhor, como eles o chamam aqui, Chinggis Khan —, no século XIII. O 13th Century, contudo, não é meramente um museu ou parque temático ocidental, nem aqueles lugares onde atores fingem-se de personagens da Idade Média. A coisa aqui é muito mais autêntica. Numa grande área a cerca de 100Km da capital, pavilhões autênticos mostram diferentes aspectos da vida tradicional dos mongóis. As

Bem vindos à Mongólia e ao Gorkhi-Terelj National Park

Eis a Mongólia, um país de tão forte imagem medieval (dos tempos do conquistador Gêngis Khan) que a gente nem lembra que o país ainda existe, e poucos fazem ideia de como ele atualmente é. Estamos na Ásia Central; para nós, das menos conhecidas regiões do mundo. Aqui, os povos das estepes encontram-se espremidos entre as milenares influências chinesa, persa, e muitas outras. Pode parecer estranho falar em "espremido" nestas esparsas terras onde há menos de 2 pessoas por Km², mas cultural e politicamente é assim que os mongóis estão desde que os herdeiros de Gêngis Khan perderam as rédeas. Acompanhem-me aos

Lago Baikal e Ilha de Olkhon, Sibéria: Entre xamanismo e natureza no interior da Rússia

Como toda história da vida real, este post não tem um tema só. Impressões dos vários tipos costumam nos assaltar em conjunto; o belo ao lado do disfuncional e do interessante. Assim foi comigo aqui na visita ao Lago Baikal, na Sibéria, onde pude contemplar as suas magníficas paisagens, ao mesmo tempo em que experimentava a precariedade de infraestrutura do interior russo e conhecia algo da interessante cultura xamanística dos nativos siberianos. Acompanhem-me. Certa vez, nos idos dos anos 1980, o finado chanceler alemão Helmut Schmidt famosamente chamou a União Soviética de "Burkina Faso com mísseis", basicamente dizendo que, afora o

Kazan, a bela capital da República do Tatarstão, na Rússia

Bem vindos à República do Tatarstão, na Rússia! Eu sei, a cabeça de muita gente deve ter dado um nó: Como assim "República do Tatarstão" e ao mesmo tempo "na Rússia"? Simples: a Rússia é repleta de repúblicas não-soberanas mas que tem certa autonomia. Aqui, ao contrário do Brasil, nem todas as unidades da federação gozam do mesmo grau de autonomia. A Rússia possui "territórios" (krai), "províncias" (oblasts), e repúblicas — dentre outras categorias. As repúblicas são 22 das 85 unidades da federação que a Rússia tem, e são as mais autônomas de todas. Geralmente, representam áreas de maioria étnica não-russa, como

Szentendre, Hungria: A charmosa cidadezinha às margens do Rio Danúbio

Budapeste se tornou uma das mais visitadas cidades da Europa, mas pouca gente que vem à Hungria ainda vai além dela. A capital húngara pode ser linda, mas não é a única beleza que o país tem. Uma opção que visitei recentemente — da qual eu, confesso, nunca havia ouvido falar até um húngaro me recomendar — é Szentendre (lê-se SENnten-dré, e quer dizer Santo André mesmo), uma fofa cidadezinha a 40min de trem da capital. Eu vim aqui num dia chuvoso com amigos, e mesmo o cinza não foi capaz de tirar as cores da cidade. Sanctus Andreas é mencionada pela primeira vez

Budapeste (Hungria), das mais belas capitais da Europa

Budapeste e eu temos uma amizade colorida. Surgiu há anos atrás, quando eu vim pra cá pela primeira vez. Eu, que até então quase nada havia ouvido dela, me surpreendi com a sua beleza, elegância, assim como com a vida na cidade. Se outras cidades de grande porte na Europa (como Paris ou Viena) me parecem voltadas para o passado, vivendo de nostalgia, Budapeste me passa a sensação de uma cidade muito atual. Por mais que também tenha seus séculos de História como lastro, ela me parece ter uma animação pulsante muito viva e contemporânea, que as outras nem sempre

Os cafés e restaurantes favoritos em Amsterdã: Dicas de quem já morou

Se você abrir as recomendações de cafés & restaurantes no TripAdvisor ou em outros sites semelhantes feitas por turistas que foram a Amsterdã, encontrará os lugares populares entre turistas. Em se tratando de Amsterdã, são quase sempre lugares caros e hiper-movimentados (leia-se: difícil de conseguir lugar, e nem sempre porque a comida é fantástica, mas simplesmente por serem lugares aonde muitos turistas vão, e cria-se um efeito bola de neve). Já os lugares frequentados por quem mora em Amsterdã são outros. Eu vivi em Amsterdã a maior parte dos últimos 10 anos, e resolvi fazer uma pequena lista dos meus recantos gastronômicos

Moorea, Polinésia Francesa: Paisagens, mar, e lugares interessantes

(Este é um post com muitas fotos.) Moorea é uma das ilhas mais fotogênicas da Polinésia Francesa. Ela é também a única aonde é possível ir de ferry desde o Tahiti — fica a apenas 1h de viagem. Antes que eu deixe para depois e esqueça, os horários e preços você encontra aqui, na página oficial dos ferries Aremiti, mas não há nenhuma necessidade de reservar antecipadamente. Basta aparecer 1h antes na Estação de Ferries e comprar a sua passagem para uma viagem tranquila e confortável. Eu havia chegado de volta a Pape'ete desde Bora Bora no dia anterior, retornei para dormir na pousada

Taiti, Polinésia Francesa: Terra de dança, flores, e pérolas negras

O Taiti sempre foi pra mim um lugar de sonhos, um lugar quase mítico, fantástico, tão remoto que quase inalcançável. Não é pra menos: o Taiti, essa terra tropical de flores, sol e dançarinas atraentes, está no meio do Pacífico, o oceano maior do mundo, a milhares de quilômetros de qualquer continente. Eu cria que, aqui, você se sentia isolado do restante do mundo. O Taiti hoje faz parte da Polinésia Francesa, um amplo conjunto de vários arquipélagos que são, oficialmente, território francês. Claro, não foi sempre assim; é só em 1880, com os poderes europeus e norte-americano conquistando o Pacífico,

Bem vindos às antigas “Novas Hébridas”, hoje Vanuatu, e sua capital Port Vila

Era uma vez um lugar onde, diz a lenda, todo dia de manhã alguém media no mastro se a bandeira britânica estava exatamente à mesma altura da francesa; nem a mais, nem a menos. Os franceses e ingleses chamaram isso aqui de condominium (co-domínio); os nativos preferiram apelidar de pandemonium. Estamos nas ilhas que eram chamadas de Novas Hébridas, hoje a nação soberana de Vanuatu, no Oceano Pacífico, Oceania. Estamos a 2h de avião a nordeste da Austrália. Depois de passar por Samoa e Fiji na vizinhança, foi pra cá que eu vim. Vanuatu, como Fiji, faz parte da Melanésia, então as

Em passeios e resorts pelas Ilhas Mamanucas e Yasawas em Fiji: Indo do luxuoso ao basicão

Eu no post anterior mostrei meu breve contato com o Fiji autêntico, dos fijianos. Como turista, contudo, o que me marcou mais foi mesmo o passeio pelos resorts nas ilhas Mamanucas e Yasawas — não há como mentir. Não venha a Fiji para ficar só num hotel ou hostel na ilha principal fazendo tours diários bate-e-volta. Conheci alguns turistas que vieram de longe, da Europa, e passaram uma semana nisso. Só depois eu me dei conta do quanto eles deixaram de aproveitar. Organizar um passeio de vários dias às ilhas Yasawas é essencialíssimo. (Eu costumo ser muito comedido com isso de dizer

Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 5): Da Cachoeira de Afu Aau aos Alofaaga blowholes

Continuação de Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 4): Indo a Savai’i, a outra ilha Pati foi o mórmon mais simpático que eu já conheci. Os mórmons, pra quem não sabe, são a principal Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (há várias), que seguem uma doutrina fundada por Joseph Smith Jr. em Utah, nos Estados Unidos, nos idos de 1840. São aquelas duplas de rapazes de camisas brancas e calças pretas que você vê circulando por aí, mundo afora. Samoa e a Oceania em geral são repletas dessas igrejas. Aqui, longe do uniforme preto e branco, Pati usava uma camisa folgada,

Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 2): Descobrindo as comidas e as pessoas

(Continuação de Crônicas em Samoa, Oceania: A Chegada.) Isso na minha mão é um quitute com recheio de abacaxi doce que eles aqui chamam de pai. (Eu levei dias para me dar conta de que era uma imitação de pie, torta em inglês.) Horrível — o amigo ali da foto comeu muito do meu —, mas graças a Deus foi algo muito pouco representativo do que eu viria a conhecer da culinária de Samoa. Uma caminhada por Samoa tem algo de familiar. Lembra o interior do Brasil no litoral do Nordeste ou na Região Norte, só que com algumas excentricidades, e mais sossegado,

Rumo a Wellington: A capital da Nova Zelândia e o espetacular museu “Te Papa”

Tinha tudo pra ser um dia lindo. O sol raiava, era uma manhã fresquinha, e eu me preparava para embarcar numa cênica viagem de trem desde Auckland até Wellington, a capital neozelandesa, no extremo sul da Ilha Norte do país.  Começou bem. Todos os trens são cênicos e turísticos na Nova Zelândia: como é habitual nos países de língua inglesa, há um predomínio do automóvel e das estradas, mas aqui há linhas especiais de trem nas quais turistas podem fazer uma viagem mais gostosa apreciando a paisagem. Há comentários em inglês e mandarim (o que achei revelador), e o trem era

Conhecendo o povo Maori e a sua cultura tradicional em Rotorua, Nova Zelândia

Os Maori são um povo amável, ainda que guerreiro. Guerreiros amáveis. Antes, no entanto, de relatar o que vi, permitam-me um breve prólogo sobre a Polinésia, à qual eles pertencem, pois quase nada aprendemos sobre ela no Brasil. Prólogo: A Polinésia A Polinésia, e não a Ásia, é a região mais a oriente no mundo — assim como também a mais a ocidente. Ela tem os primeiros fusos horários e os últimos. A Linha Internacional da Data, que se convencionou traçar sobre o Oceano Pacífico (aqueles fins do mapa que você tem na parede, uma mera convenção no globo terrestre), passa exatamente

Singapura, a cidade-estado paraíso das comidas asiáticas

(Com o Novo Acordo Ortográfico, passou-se a escrever Singapura com S, não mais com C.) Se você perguntar a qualquer singapurense que se respeite qual é o principal atrativo do seu país, a resposta invariavelmente será a comida. Eles, na verdade, ficam estupefatos que tantos ocidentais venham aqui e passem batidos pela comida, preocupando-se mais com as piscinas dos hotéis, os prédios iluminados, etc.  Os asiáticos em geral adoram comer fora e normalmente marcam todos os seus encontros sociais todos em torno das refeições. Nesse sentido, Singapura é um verdadeiro paraíso, onde você encontra de tudo em termos de comidas asiáticas — seja culinária indiana,

Georgetown, Penang, Malásia (Parte 2): Comidas, curiosidades, e templos

(Continuação de Georgetown, Penang, Malásia: Onde as culturas chinesa, hindu, e malaia islâmica convivem) Estamos em Georgetown, na ilha de Penang, Malásia, quase sob a linha do equador. É como acordar com aquela umidade do norte do Brasil, só que com cheirinho de incenso. Cedo os dois homens que geriam o albergue já haviam acendido o pequenino altar chinês de bons auspícios no chão, ao lado da recepção. O meu café da manhã era com os chineses. Perto do meu albergue, num boteco do outro lado da rua, chineses de todas as sortes reuniam-se nas mesas de bar de manhã para comer macarrão no

A pouco conhecida comida coreana: Kim chi, gimbap, bibimbap, e mais

Comida coreana é algo que a grande maioria dos brasileiros não faz ideia do que se trata. Ela lembra algo da comida japonesa, mas dentro de certos limites. Há a onipresença do arroz como no restante da Ásia, mas esqueça o peixe cru e substitua-o por porco grelhado. Sim. Além disso, os coreanos adoram pimenta — coisa que você não vê no Japão. E, é claro, há o famoso prato-assinatura da comida coreana: kim chi, legumes fermentados num molho apimentado com um cheiro — e gosto — levemente azedos, que você é capaz de sentir em vários condomínios de São Paulo onde

Conhecendo Seul, Coreia do Sul (Parte 1): Gangnam, a “Manhattan coreana” e distrito do Gangnam Style

Um dos fenômenos musicais mais populares do mundo contemporâneo é coreano — quem diria. Música de 2012, Gangnam Style, do artista sul-coreano Psy, ainda é dos vídeos mais vistos do mundo no YouTube, com cerca de 3 bilhões de visualizações. O que pouca gente sabe é que esse vídeo é uma sátira, uma ironia com os opulentos "novos ricos" de Gangnam, distrito no sul de Seul onde se concentram os altos prédios de escritórios de empresas e o centro financeiro do país. Sendo um país que vem crescendo vertiginosamente nas últimas décadas, a Coreia tem uma ascendente classe de executivos, empresários e

Dim Sum originais cantoneses em Hong Kong: Os restaurantes chineses de petiscos

A gente no Brasil acha que conhece comida chinesa. Ô engano! Na maioria dos casos, o que os restaurantes ditos chineses nos servem no Brasil nós poderíamos chamar no máximo de "pratos inspirados na comida chinesa", tipo aqueles filmes "baseados em fatos reais". Na prática, quase nunca vai além de rolinho primavera mais arroz/macarrão/carne/legume frito encharcado em shoyu e com aquele molho acre-doce cor-de-rosa. Acabou. Mentira: nem começou. Isso aí é um arremedo, não é nem a ponta do iceberg da culinária chinesa. Não vou fazer aqui um tratado gastronômico, mas não posso passar por Hong Kong sem mostrar a vocês os dim sum,

Zaanse Schans e as típicas paisagens da Holanda

Eu vim morar na Holanda em 2008, e em pleno 2017 ainda não havia ido a Zaanse Schans, um dos lugares mais turísticos do país, nas vizinhanças da capital Amsterdã. Uma daquelas coisas de deixar pra depois e nunca fazer.  Zaanse Schans é, na prática, um museu a céu aberto. Trata-se de uma bem conservada área semi-rural que preserva das mais típicas paisagens da Holanda — com seus moinhos de vento, terra plana recortada por canais de água, gramados com animais pastando, e casas bonitinhas de madeira do tempo em que Van Gogh pintava. Vale a pena vir. Toma nada mais que 20 minutos de

Bordejos em Paris na primavera (Epílogo): Depois de uma semana em Paris…

Depois de uma semana em Paris, você começa a se habituar àquelas ruas. Os prédios bege de três a cinco andares, todos grudadinhos, com aquelas ruas frescas ocasionalmente molhadas pelas chuvas da primavera. Você também se habitua a certas coisas, como eu me habituei a um croissant todas as manhãs e a um quiche sempre que possível. Quiche, para quem não conhece bem, são aquelas todas salgadas feitas aqui na França com ovos e outros ingredientes. São o que eu mais amo comer quando estou no país.  Depois de uma semana em Paris, você se dá conta de que ainda não viu tudo. Por exemplo,

Comendo na Itália: Particularidades, dicas e alertas

Itália, famosa por sua boa mesa. Provavelmente você conhece mais pratos italianos do que de qualquer outra culinária estrangeira. Quem não gosta de uma boa lasanha, ravioli, pizza, um bom café espresso, um vinho... Você pode não gostar de todos esses, mas certamente de vários, gosta. (Adora, talvez). Só que há muita coisa que você não sabe, inocente. Minha intenção aqui é compartilhar algumas dicas, alertas, e particularidades sobre o comer na Itália, com base na minha experiência. 
Comecemos pelo que vocês provavelmente já conhecem. Esse curto vídeo abaixo ("10 coisas que amamos na Itália") é todo sobre gastronomia. Certamente há

Rimini, Itália: Entre a Ponte de Tibério, o Arco de Augusto, e o sorvete italiano

Ariminum é como os antigos romanos chamaram esta cidade então fortificada às margens do Mar Adriático. Para lá para trás dos cavalos, no horizonte da foto, está a praia. Hoje, conhecida pelo nome de Rimini, esta cidade é um simpático resort de verão dos italianos.  Estamos na região italiana da Emilia-Romanha, a mesma de Bolonha, só que no litoral. Rimini é uma cidade de médio porte, com seu centro histórico que — como há de ser numa boa cidade italiana — guarda marcas da antiguidade romana juntamente com o casario típico dos séculos mais recentes. Como estamos na Emilia-Romanha, temos aqui aquele casario de tons pastéis

Impressões em Tirana, a capital da Albânia: Tradições, comidas, Bunk’art e Enver Hoxha, o discípulo de Stálin

No caminho de volta de Berat a Tirana eu conheci Keisi, uma albanesa de seus 20 anos que se sentou ao meu lado no ônibus. Estudava biologia num caderno e eu, como biólogo, não resisti e puxei conversa. Ela voltava de uma visita de fim de semana aos pais no interior, e retornava agora à capital, onde cursa odontologia. "Nós os albaneses somos conhecidos por três coisas: pela hospitalidade; por termos a cabeça aberta em relação a cor, raça e religião; e por sermos fofoqueiros", disse-me ela quando a conversa já ia além da biologia. Os albaneses às vezes podem parecer taciturnos ou

Berat, Albânia: A cidade das mil janelas

Berat é uma cidade estonteante, tanto pela beleza cênica quanto por sua tamanha autenticidade. Ela é das cidadezinhas mais bonitas de toda a Europa (embora seja desconhecida até mesmo dos europeus, que pouco sabem sobre a Albânia, como comentei antes aqui.) Berat foi a minha cidade favorita no país.  Fundada pelos gregos antigos nos idos de 600 a.C., Berat foi posteriormente usada pelos romanos e, em seguida, pelos bizantinos ou romanos do oriente (de Constantinopla). Sua fortaleza no alto de uma colina provia a defesa do lugar, com uma cidadela fortificada lá em cima onde as pessoas viviam. Ao longo da

Ohrid e seu lago na Macedônia: Os Bálcãs e suas belezas

Os Bálcãs, aquele recanto no sudeste da Europa (entre a Itália e a Turquia), são uma das regiões mais fascinantes do continente e das menos visitadas por brasileiros. Esta é a região mais pobre de toda a Europa, mas também uma daquelas de maior personalidade. Se por um lado há uma certa decadência na infraestrutura física de alguns lugares, por outro há as belezas de que pouco se escuta, há as pessoas de jeito mais maroto (às vezes um pouquinho malandro), e a gastronomia de influência turca. Eu, quando cheguei a Skopje, capital da Macedônia, acreditei que iria me deparar com blocos de refugiados sírios fazendo

Bem vindos a Amã, Jordânia: Tranquilidade e os originais dos Manuscritos do Mar Morto

Bem vindos a Amã, a capital da Jordânia, este país do Oriente Médio espremido entre Israel e a Arábia Saudita. Eu quero começar proporcionando a vocês aquela que também foi a minha primeira impressão de Amã, desde antes de eu chegar, só por olhar no Google Mapas as suas ruas tortas e meandros: a massa urbana que me aguardava. Assistam a este pequeno vídeo que fiz do alto de uma das sete colinas da cidade durante um dos chamados às cinco orações diárias dos muçulmanos. Era como um dia de inverno na Bahia quando desembarquei, aquele calor não-agressivo. A escada levava-nos do

Visitando as ruínas de Baalbek e uma mesquita xiita no Vale do Bekaa (Líbano), quase na fronteira com a Síria

Mohammed era um desses sujeitos que você não esquece. Um libanês moreno de seus 35 anos, descolado, de camisa polo, calças e sapato baixo, e um ar de quem não perde uma piada. A cara dele era aquela pseudo-séria, aquele jeito de quem está pensando no próximo comentário a fazer, ou avaliando se há algum significado malandro por detrás do que você disse. Ele tinha a mesma boca suja habitual de um brasileiro médio, e usava foto do supremo aiatolá iraniano Ali Khamenei como foto de perfil no WhatsApp. Era muçulmano xiita, como a maioria dos libaneses — e como a grande maioria dos libaneses

Conhecendo Beirute, capital do Líbano: Uma cidade de contrastes

(Este vai ser um post longo.) Não sei se amo Beirute. Ela é definitivamente uma cidade notável, ocidentalizada mas com aquele toque árabe, e rica pela diversidade única de comunidades religiosas — junção de cristãos maronitas, ortodoxos gregos, muçulmanos sunitas, muçulmanos xiitas, cristãos armênios, entre outros que compõem o mosaico que é o Líbano. É interessante. Por outro lado, Beirute é uma cidade cheia de problemas, que vão desde os altos riscos de terrorismo até uma greve de meses dos incineradores de lixo e que deixou na cidade um fedor nauseante que se estendia por quilômetros. Se você gosta de caminhar como eu, praticamente tudo

Bem vindos ao Líbano: Imigração, informações gerais, e as primeiras impressões

Saído do Egito, cá estou eu no Líbano, o extremo oriente do Mar Mediterrâneo. Um país árabe, mas diferente dos outros. O mais liberal e "moderno" de todos, dizem. Contudo, a diferença principal é mesmo a religiosa. Enquanto os demais países árabes são majoritariamente muçulmanos, o Líbano é uma mistura de árabes cristãos de várias denominações (ortodoxos, maronitas, etc.), muçulmanos sunitas e muçulmanos xiitas (esses dois últimos são diferentes entre si, como seriam católicos e protestantes, e geralmente não se bicam).  O Líbano é uma bricolagem, um amálgama de grupos religiosos diferentes — muitas vezes inimigos — ajuntados e que concordaram em viver juntos num mesmo

O verdadeiro iogurte grego original: Puro “food porn”

O Brasil finalmente descobriu iogurte de verdade. (Esse era uma dos poucos alimentos que eu lamentava não encontrar de boa qualidade no Brasil, só aquela coisa rala e com sabor artificial.) Agora tudo mudou, o Brasil descobriu o "iogurte grego" e ele agora toma todas as geladeiras do país. Os outros logo sairão de circulação, pode apostar. Iogurte grego, na verdade, há muitos anos é "sensação" Ocidente afora. Ele nada mais é do que iogurte coado, tirado o soro do leite. Fica então a parte grossa, dando aquela consistência firme. Esse é um método tradicional de fazer iogurte muito comum pelo Oriente Médio e nos

Comidas árabes que você não vê no Brasil

Ali estou eu na Jordânia com um copinho de chá, salada crua e pão árabe (aquele pão chato, que no Brasil chama-se de pão sírio). Há muito da gastronomia árabe que conhecemos, e mais ainda de que não fazemos nem ideia. Quando eu fui a Marrocos, um país árabe, perguntaram-me se eu havia comido kibe e esfiha. Não vi nem sombra. Habituados que estamos ao Habib's e à grande influência da imigração libanesa no Brasil, achamos que "comida árabe" é somente comida libanesa. Ledo engano. Os árabes conquistaram e governaram por séculos toda a região que vai de Marrocos (cá à beira

O Museu Bardo e os mosaicos romanos mais lindos do mundo, na Tunísia

Você aí nem sabia que os romanos tinham artes visuais além de esculturas, ou que faziam mosaicos. Faziam, e faziam muitos. Mosaicos são aqueles ladrilhos coloridos que formam imagens, e que os romanos usavam como decoração em suas casas nas paredes, no chão e/ou no teto. Quase sempre tinham motivos épicos da mitologia greco-romana.  O maior legado de mosaicos dessa Antiguidade romana está hoje na Tunísia, aqui no norte da África. A gente tende erroneamente a associar os reinos e impérios de outrora com as fronteiras dos países atuais, mas isso é uma falácia. O Império Romano era muito mais do

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