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Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 4): Indo a Savai’i, a outra ilha

Continuação de Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 3): Danças, tradições, cultura, e a origem da tatuagem Há duas ilhas principais em Samoa: Upolu [Upôlu], onde ficam a capital (Apia) e o aeroporto internacional, e Savai'i [Savái], uma outra ilha até ligeiramente maior, mas ainda menos urbanizada. Um ferry 4x ao dia liga uma a outra, basicamente o único caminho para se chegar a essa parte ainda mais remota do país. Em Savai'i é que eu conheceria de perto algumas das mais belas riquezas naturais de Samoa, e onde eu também teria um contato mais próximo com samoanos. Há diga que em Savai'i é

Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 2): Descobrindo as comidas e as pessoas

(Continuação de Crônicas em Samoa, Oceania: A Chegada.) Isso na minha mão é um quitute com recheio de abacaxi doce que eles aqui chamam de pai. (Eu levei dias para me dar conta de que era uma imitação de pie, torta em inglês.) Horrível — o amigo ali da foto comeu muito do meu —, mas graças a Deus foi algo muito pouco representativo do que eu viria a conhecer da culinária de Samoa. Uma caminhada por Samoa tem algo de familiar. Lembra o interior do Brasil no litoral do Nordeste ou na Região Norte, só que com algumas excentricidades, e mais sossegado,

Visitando Petra (Jordânia), a cidade esculpida em pedra pelos antigos árabes nabateus

Wadi Musa, ou o "Vale de Moisés" em árabe, é hoje uma região árida e pedregosa. Estamos no sul da Jordânia, não muito distante do Deserto do Sinai ou da fronteira com Israel. Dizem que, nos tempos bíblicos, o profeta Moisés teria feito água brotar das rochas nesta região. (Tais milagres seriam muito necessários hoje, quando junto com a deterioração de fontes d´água a Mudança Climática Global está batendo com força nestas regiões áridas. O lugar é hoje muito mais seco do que era há dois ou três mil anos atrás.)  Os nabateus são um povo árabe dos mais antigos de

Afeição masculina nos países árabes e na Índia: O reverso da medalha da segregação de gêneros?

Quem viajar ao mundo árabe ou à Índia vai notar logo duas coisas de cara. A primeira, conhecida, é a separação entre homens e mulheres no mundo público. Verá poucas mulheres recepcionando clientes em lojas, em restaurantes, ou em qualquer instância onde haja contato com estranhos; e verá pouca interação entre homens e mulheres, de fato. Os grupelhos na rua são caracteristicamente de mulheres de um lado, e homens do outro. 
A outra coisa que lhe chamará muito a atenção, como ocidental do século XXI, é a proximidade física que existe entre os homens aqui. A afeição a que você assiste

Réveillon em Bangkok! Bem vindos à Tailândia, a terra da libertinagem

Não é todo dia que eu viajo pra encontrar "camisinha" listada no cardápio do serviço de quarto do hotel, quarto triplo com uma cama só, ou banheiro com uma porta extra estratégica ligando a banheira ao quarto. Não, não é motel, isso é Bangkok. 
Bem vindos à Tailândia, um dos países mais belos e simpáticos do mundo. Digo-lhes isso já tendo visitado mais de 60 deles. Gastronomia fabulosa, lindas praias e templos budistas, gente calorosa e, como você talvez já saiba, seguramente o país mais liberal e libertino do mundo em matérias de gênero e sexo. Comparado à Tailândia, o Ocidente

O uso do véu no Irã

Na foto acima, a famosa Polícia Moral do Irã aborda uma jovem transeunte, acusando-a de que o hijab (o véu de cobrir a cabeça) não está bem posto. A lei iraniana determina que todas as mulheres (turistas ou não) se cubram, mas não diz como. A grande maioria das jovens, ao menos nas cidades grandes, vestem-se assim como essa de rosa. Ao que parece, a polícia não gostou.  
No momento, há uma batalha política no Irã, em que o presidente (eleito democraticamente) Hassan Rouhani diz que não cabe à polícia fiscalizar tal coisa nem impor o Islã a ninguém — "enviar as pessoas

Tapeçarias turcas

Embora a fama no Brasil seja eminentemente dos tapetes persas (hoje Irã), na verdade foram os turcos os grandes responsáveis pela popularização da tapeçaria nos últimos séculos e pela sua difusão no Ocidente. Tapetes já existiam na Pérsia e na Babilônia antigas, mas somente a partir das Cruzadas (século XI) é que eles começaram a ser trazidos à Europa, e de lá às Américas. A própria Índia, ao contrário do que se pode pensar, não tinha tradição de tapetes até a invasão dos muçulmanos por lá a partir também do século XI. Em particular, esses motivos de padrões geométricos e

Japão, um país de homens?

Anúncio de um maid café, tipo de lanchonete onde as garçonetes se vestem e se comportam como serviçais, por 80 reais. O Japão é um país machista — não diferentemente do restante da Ásia, com algumas particularidades aqui e ali. Não é mera opinião; são o que os dados mostram. Dentre os países ricos, o Japão é de longe o mais desigual em questão de gênero. Em 2012 o relatório anual do Fórum Econômico Mundial o classificou na centésima posição em termos de paridade de oportunidades entre homens e mulheres, ao lado de países como Gâmbia e Tajiquistão. 
Alguns questionam, dizendo que culturas são diferentes, e

A Índia e as mulheres: Observações, alertas e dicas às turistas para viajar acompanhadas ou sozinhas

A Índia é uma gigante democracia que tem dos mais atuantes movimentos civis do mundo, mas ser mulher na Índia não deve ser fácil. Já desde o início, se você for nascer de uma família pobre (num país onde há centenas de milhões de pobres), as chances não são baixas de ser abortada só por ser um feto do sexo feminino. Depois de nascer, as oportunidades de educação e emprego aqui são notoriamente menores se você for mulher. E durante toda a vida adulta, você encarará uma sociedade dominantemente masculina, com regras, normas e preferências moduladas para os homens, hierarquias

Hyderabad, Telangana: Bem vindos ao sul da Índia

Este sou eu em meio aos indianos do sul, com suas típicas peles (mais) escuras e uma integração de gêneros algo melhor que no norte do país.  Deixe para trás os mausoléus como o Taj Mahal e outras marcas da presença islâmica na Índia, tão dominante no noroeste e norte do país. Lembre-se, em vez disso, dos portugueses e da terra aonde chegaram em 1498, com Vasco da Gama. Ele encontrou pelo mar o que árabes, persas, romanos e chineses já haviam conhecido há muito tempo: uma terra quente e de coqueirais, cheia de uma gente escura, rica em cores vivas

Ajmer, Rajastão: No interior tradicional da Índia com uma família indiana

A Índia às vezes faz você se sentir um marajá. Mas não sem antes você navegar pela esculhambação. Hora de mais uma etapa "família" da viagem. Um dos propósitos do tour pelo Rajastão era visitar os pais de um amigo meu lá de Amsterdã, indiano. Conheci os pais dele nesse verão passado e prometi dar um pulo quando viesse aqui à Índia. Voilà, cá vim eu a Ajmer, uma cidade no caminho entre Jaipur e o sul de colinas-e-lagos do Rajastão. Do lado, Pushkar, uma cidade sagrada hindu com um dos poucos templos dedicados ao seu deus criador, Brahma. 
No ônibus povão

Conhecendo Purana Qila e as híjras, o “terceiro sexo” da Índia

Já são duas semanas desde que cheguei a Nova Délhi, e os meus dias entraram numa certa rotina. Primeiro alguma entrevista ou algo relacionado à minha pesquisa pela manhã ou no começo da tarde, e em seguida um bordejo pela cidade para visitar algo ou pra sair às compras (hehehe). Este dia, por exemplo, foi um caso ilustrativo. Pela manhã eu saí para uma entrevista que tinha marcado com alguém num centro de pesquisa. Fui de metrô, evitei os tuk-tuks, e da estação fui a pé. Chegando lá, o diretor miserávi me fez esperar um século e depois ainda estava com uma cara

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