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Florença, Itália: David de Michelangelo, Santa Maria del Fiore (Il Duomo), e outros tesouros artísticos do Renascimento italiano

Capital da famosa região da Toscana, Florença é das mais visitadas cidades italianas. Não é sem razão. Berço do Renascimento e às vezes chamada de a "Atenas da Idade Média", a cidade tem uma enorme riqueza artística e histórica. Eu acho surreal estar aqui circundado por tantas obras de alto calibre a tão pouca distância: o David de Michelangelo ali, a catedral de Florença com seu domo projetado por Brunelleschi algumas quadras pra lá, majestosas fontes seculares ao lado de esculturas de personagens da mitologia clássica greco-romana decorando as ruas... Você se sente num parque temático do Renascimento, só que

Roma para além do Vaticano, o básico: Panteão, Coliseu, e outras paragens na Cidade Eterna

Lá estava eu no meu magnífico apartamento alugado em Roma, próximo ao Vaticano, preparando-me para definir o que mais eu veria aqui na Cidade Eterna. Roma tem uma infinidade de atrações datadas dos seus mais de dois milênios e meio de História, e mesmo quem mora aqui admitirá que há coisas que ainda não conhece. São escolhas difíceis. Porém, eu diria que há um "básico" — para além do Vaticano, já retratado no post anterior — essencial aqui que você não pode deixar de ver. (As opiniões certamente vão divergir.) Acompanhem-me neste passeio. Na primavera, o sol de Roma dá o ar

Revendo Atenas (Grécia): A Acrópole, o centro, e a Igreja de São Jorge no Monte Lycabettus

Após revistar a Turquia, chegava a vez da Grécia. Lá estava eu mais uma vez entre as oliveiras e as antiquíssimas pedras na Acrópole de Atenas. Os anos haviam se passado desde que eu estive aqui, e você percebe por toda parte o acúmulo de efeitos nocivos da crise financeira. Redução de 25% no tamanho da economia, desemprego de mais 50% entre os jovens, e "medidas de austeridade" que, na prática, deixaram os grandes bancos muito bem, obrigado, mas retalharam as aposentadorias do cidadão médio e os serviços públicos de que muitos dependiam. De quebra, um drama de imigração que assalta

Bordejos em Paris na primavera (Parte 4): O Museu do Louvre e o Musée d’Orsay em 15 fotos cada

Brasileiros têm pouco hábito de visitar museu. A grande maioria de nós nunca foi a um. Todos sabemos como a conservação cultural deixa a desejar no Brasil; mas, mesmo em viagens, mesmo os mais escolados dentre nós, normalmente limitamos-nos quase que exclusivamente a visitar os museus super famosos, como os de Paris, Londres ou Nova York. Há uma parcela de gosto pessoal, mas há uma parcela de descaso cultural também. Isso não é exclusividade do brasileiro (como quase nada do que se diz do brasileiro é realmente exclusivo do brasileiro); é um hábito de quase todos nós das Américas. Somos muito mais antenados

Rimini, Itália: Entre a Ponte de Tibério, o Arco de Augusto, e o sorvete italiano

Ariminum é como os antigos romanos chamaram esta cidade então fortificada às margens do Mar Adriático. Para lá para trás dos cavalos, no horizonte da foto, está a praia. Hoje, conhecida pelo nome de Rimini, esta cidade é um simpático resort de verão dos italianos.  Estamos na região italiana da Emilia-Romanha, a mesma de Bolonha, só que no litoral. Rimini é uma cidade de médio porte, com seu centro histórico que — como há de ser numa boa cidade italiana — guarda marcas da antiguidade romana juntamente com o casario típico dos séculos mais recentes. Como estamos na Emilia-Romanha, temos aqui aquele casario de tons pastéis

Visitando a Macedônia de hoje: Em Skopje, a capital deste curioso país

Não há dentre os alfabetizados quem não tenha ouvido falar de Alexandre, o Grande, o conquistador da Antiguidade que nos idos de 330 a.C. derrotou o Império Persa e expandiu seus domínios Ásia adentro até a Índia. Ele era da Macedônia, um reino ao norte das antigas cidades-estado gregas (Atenas, Esparta...) mas dentro da sua esfera cultural (ao que se sabe, os macedônios falavam um dialeto do grego usado nas cidades-estado, e tinham a mesma religião). Seu império se partiu em pedaços quando ele aos 32 anos morreu, mas isso deflagrou o chamado Período Helenístico, quando seus generais  dividiram entre si as terras conquistadas e

Bem vindos a Amã, Jordânia: Tranquilidade e os originais dos Manuscritos do Mar Morto

Bem vindos a Amã, a capital da Jordânia, este país do Oriente Médio espremido entre Israel e a Arábia Saudita. Eu quero começar proporcionando a vocês aquela que também foi a minha primeira impressão de Amã, desde antes de eu chegar, só por olhar no Google Mapas as suas ruas tortas e meandros: a massa urbana que me aguardava. Assistam a este pequeno vídeo que fiz do alto de uma das sete colinas da cidade durante um dos chamados às cinco orações diárias dos muçulmanos. Era como um dia de inverno na Bahia quando desembarquei, aquele calor não-agressivo. A escada levava-nos do

Visitando as ruínas de Baalbek e uma mesquita xiita no Vale do Bekaa (Líbano), quase na fronteira com a Síria

Mohammed era um desses sujeitos que você não esquece. Um libanês moreno de seus 35 anos, descolado, de camisa polo, calças e sapato baixo, e um ar de quem não perde uma piada. A cara dele era aquela pseudo-séria, aquele jeito de quem está pensando no próximo comentário a fazer, ou avaliando se há algum significado malandro por detrás do que você disse. Ele tinha a mesma boca suja habitual de um brasileiro médio, e usava foto do supremo aiatolá iraniano Ali Khamenei como foto de perfil no WhatsApp. Era muçulmano xiita, como a maioria dos libaneses — e como a grande maioria dos libaneses

O magnífico templo antigo de Hórus em Edfu, no Egito

A primeira parada do nosso cruzeiro Rio Nilo acima foi em Edfu, uma cidade remota no sul do Egito. Aqui se encontra um dos templos antigos mais fabulosos de todo o país. Fiquei embasbacado com algo tão antigo estar tão inteiro — melhor do que a grande maioria das ruínas antigas que você vê na Grécia ou na Itália, por exemplo. Um dos segredos me parece ser, primeiro, a secura do ambiente. Segundo, o lugar é remoto, comparativamente pouco urbanizado, e as areias do deserto cobriram quase tudo completamente até pouco mais de um século atrás. Trata-se de um templo a Hórus, deus dos

El-Jem e o “outro” coliseu romano de que você nunca ouviu falar

Estamos no interiorzão da Tunísia, na cidadezinha de El-Jem, a uma hora de Sousse, no centro do país. Aqui fica a segunda maior arena romana do mundo, após o Coliseu em Roma. Quase ninguém sabe disso, e pouca gente vem aqui. O lugar todavia é impressionante — e o melhor é que praticamente não há outros turistas com quem competir pelo espaço. Você circula livremente pelo lugar e pode imaginar-se nos tempos romanos com tranquilidade. El-Jem foi uma viagem de trem a partir de Sousse. Cuidado e desça na estação certa, ou irá parar lá perto da fronteira com a Argélia no

Visitando as ruínas da antiga Cartago, no norte da África

Carthago delenda est ["Cartago deve ser destruída"], é como o senador romano Catão, o velho (234-149 a.C.), concluía todos os seus discursos à tribuna, não importando o assunto. Era um durão. Foi historiador também, e escreveu a primeira História da província romana da Italia. Era crítico às influências gregas na República Romana (ela só se torna Império quando Júlio César dá um golpe militar um século mais tarde.) O norte da África havia por séculos sido domínio dos cartagineses, assim chamados devido à sua grande cidade-estado, Cartago. Ela ficava aqui onde hoje é a Tunísia, ao sul da Itália. Grandes navegadores, os cartagineses

O Museu Bardo e os mosaicos romanos mais lindos do mundo, na Tunísia

Você aí nem sabia que os romanos tinham artes visuais além de esculturas, ou que faziam mosaicos. Faziam, e faziam muitos. Mosaicos são aqueles ladrilhos coloridos que formam imagens, e que os romanos usavam como decoração em suas casas nas paredes, no chão e/ou no teto. Quase sempre tinham motivos épicos da mitologia greco-romana.  O maior legado de mosaicos dessa Antiguidade romana está hoje na Tunísia, aqui no norte da África. A gente tende erroneamente a associar os reinos e impérios de outrora com as fronteiras dos países atuais, mas isso é uma falácia. O Império Romano era muito mais do

Stromboli e as Ilhas Eólias, no sul da Itália

O sul da Itália tende a ser tão associado à máfia que poucas pessoas no Brasil sabem do seu lado romântico e aconchegante. Poucos de nós vêm à Itália e visitam suas ilhas, mas são muitas delas aqui, um pouco similares às gregas, tipicamente mediterrâneas, e com um aroma italiano. 
De Taormina, facilmente organizam-se tours de barco pelas chamadas Ilhas Eólias, um pequenino arquipélago ao norte da Sicília. É pra quem busca tranquilidade e lindas vistas do mar. 
Pra quem gosta de aventura — e de mitologia grega — vale fazer um passeio específico ao entardecer ao redor do vulcão de Stromboli, uma das ilhas. Ele

A Sicília! Bem vindos a Siracusa, no extremo sul da Itália.

Bem vindos à Sicília, o ápice da Itália! Acontece de albergar o mais alto pico italiano (o Monte Etna, vulcão de 3.329m), mas não é a isso que me refiro. Refiro-me àquelas muitas coisas que nos remontam à Itália — arte, antiguidade, delícias gastronômicas, gente passional, e um pouquinho de máfia. Tudo isso se acha elevado ao quadrado aqui na Sicília. Perguntei-me porque o turismo brasileiro inclui tão raramente a Sicília. A resposta só pôde ser a sua localização geográfica, cá no extremo sul da Europa, e os brasileiros sempre tentam aproveitar pra ver várias cidades de interesse ao mesmo tempo. É compreensível,

Split, Croácia: Beleza e legado romano na Dalmácia

Você sabe o que é um dálmata, mas provavelmente nunca se perguntou de onde vem o nome. Pois bem, dálmata é algo ou alguém originário da Dalmácia, até raça de cachorro. O nome foi dado pelos romanos à província que hoje é o sul da Croácia. É o que fica a leste da Itália, do outro lado do Mar Adriático. Estes antigos domínios romanos guardam ainda edificações da antiguidade e talvez o melhor preservado palácio romano do mundo, o Palácio de Diocleciano, do século IV, aqui em Split. (E você aí imaginando que todas as ruínas romanas ficavam na Itália, hein?) 
Split, como

Em Pompeia, Itália

O Último Dia de Pompeia (1830), quadro do pintor russo Karl Bryullov. Encontra-se no Museu Nacional Russo, em São Petersburgo. Quase todo mundo já ouviu falar de Pompeia, a cidade da Roma Antiga que foi arruinada por uma erupção vulcânica. Dia 24 de agosto do ano 79 d.C., seus 11 mil habitantes viram um armageddon de proporções bíblicas. Tremores de terra eram (e são) comuns no sul da Itália. Havia ocorrido um forte e anunciador terremoto no ano 62 d.C., e outro mais leve em 64 d.C. — durante o qual dizem que o Imperador Nero fazia a sua primeira atuação pública num

Nápoles, onde a pizza surgiu

(Este é um post longo. Nápoles é repleta de coisas a notar.) Nápoles (ou Napoli, se você preferir a grafia italiana), terra onde surgiu a pizza. Uma cidade de quilate histórico e a maior metrópole do sul da Itália, onde as tradições estão ainda mais arraigadas — inclusive as da famiglia e da máfia. Se por um lado Nápoles é talvez a cidade mais suja e perigosa da Itália (quiçá de toda a Europa), por outro lado aqui se come e bebe muito bem, as pessoas são mais calorosas que no norte da Itália, e há lindas vistas, seja para os prédios antigos, seja

Rabat, a autêntica capital do Marrocos

Quem quiser conhecer o Marrocos de verdade, sem as distrações para turista, deve vir a Rabat. A capital é uma das poucas cidades de porte a oferecer o autêntico dia-dia marroquino, antigo e moderno. Se Marrakech e Fez têm hordas de europeus e demais estrangeiros, aqui eles são raros. Em Rabat você assiste "à vida como ela é" no Marrocos.  
A cidade é relativamente pequena e arrumadinha. Você passeia na maior tranquilidade. Mas nem por isso ela deixa de ter atrações interessantes: a imponente Torre Hassan, o Mausoléu de Mohammed V (avô do atual rei), as ruínas da necrópole romana de

Chegando a Plovdiv, no leste da Bulgária

Estamos na segunda maior cidade da Bulgária (atrás apenas da capital, Sófia). Seis a sete horas separam Istambul daqui. Eu não acho que muitos brasileiros façam esse trajeto. Ao que turcos, búlgaros, e turistas europeus e norte-americanos passaram rapidamente pela imigração terrestre, eu fiquei para trás com os policiais — que pareciam nunca terem visto um passaporte brasileiro. Checavam no sistema se havia mesmo isenção de visto (como há). Basicamente, todos descem do ônibus e passam a pé por um portãozinho lateral e por uma saleta onde os passaportes são inspecionados. Uns 10 minutos depois, me liberaram. Logo antes de cruzar

Pamukkale (o “Castelo de Algodão”) e as antigas ruínas de Hierápolis

Pamukkale (castelo de algodão em turco), patrimônio da humanidade reconhecido pela UNESCO junto com as ruínas da cidade greco-romana de Hierápolis, neste sítio. Estamos a algumas horas de viagem do Mar Egeu, no interior da Turquia. Embora as colinas brancas pareçam neve, não há nada de gelo e nada sequer frio ali. São, na verdade, fontes termais junto a formações calcárias chamadas travertinos (carbonato de cálcio vindo com as águas e se depositando ali ao longo dos séculos). A sensação é a de estar pisando em pedra lisa (e, cuidado, escorrega). Você paga uma só entrada e pode visitar tanto estas colinas quanto as

As Ruínas de Éfeso e o Templo de Artemis, na Turquia

Éfeso foi uma importante cidade do mundo greco-romano antigo, com presença relevante na Grécia Clássica, na Roma Antiga, e no começo do cristianismo, com as pregações e epístolas de Paulo (que morou aqui por uns tempos). São, hoje, das ruínas melhor conservadas dessa época, e além disso há um trabalho ativo dos turcos para restaurar o que foi perdido. Ao contrário dos gregos, que hoje tem a política de conservar as ruínas no estado em que se encontrarem, os turcos têm a política de refazê-las, usando mármore e outros materiais para que se vejam melhor as construções por inteiro. As

Samos, a ilha natal de Pitágoras (e indo de ferry da Grécia à Turquia)

Naquele dia em que visitei a caverna ainda dei umas voltas em Patmos. Aproveitei para checar uns souvenirs (encontrei cópias do Livro do Apocalipse em não sei quantas línguas), e ver um pouco mais da ilha. É um lugar pacato, diferente de Santorini e das ilhas mais movimentadas. Aqui a maior parte dos visitantes são fieis fazendo turismo religioso (principalmente italianos), mas em outubro a alta estação já havia acabado. 
Falando nisso, programem-se para vir à Grécia assim em final de estação (setembro-outubro), pois os preços caem todos pela metade. Em maio, junho e julho é tudo o olho da cara

Visitando as ruínas do Oráculo de Delfos na Grécia

Saímos no começo de tarde de Aráhova para ir, finalmente, a Delfos. Hoje, são ruínas nas montanhas do que foi o magnífico oráculo — famoso por todo o mundo grego antigo, e cuja lista de consulentes inclui nomes modestos como os de Sócrates, Nero, Cícero, e Alexandre o Grande. Hoje parece ser um lugar ainda mais isolado que era antes, onde praticamente só se chega de carro. Durante aproximadamente 1000 anos (ca. 700 a.C. - 389 d.C.) houve aqui um templo do deus Apolo, com uma chama que nunca se deixava apagar. A pítia, uma sacerdotisa na função de oráculo, falava sobre a vida e

Atenas, Grécia

É começo de outono aqui na Europa. Deixei 13 graus em Amsterdã, e 31 me aguardavam em Atenas. Era chegada finalmente a hora de conhecer a Grécia. Do avião já se vê o mar azul da Grécia. E não é que é azul mesmo? E bota azul nisso. Chega dói. Não me perguntem o porquê; deve ser alguma mistura da química da água com, talvez, o fato de que o céu aqui quase sempre está sem nuvens. Também há poucas algas, e isso interfere. Do avião também se veem muitas montanhas. Que Suíça que nada, é a Grécia o país mais

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