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Cracóvia, Polônia: Conhecendo a histórica capital medieval polonesa

Bem vindos a uma das principais cidades históricas de toda a Europa! Atualmente segunda maior cidade da Polônia (atrás apenas de Varsóvia, a capital), Cracóvia é um encanto. Facilmente a cidade mais turística e quiçá também a mais bela deste que é o maior país do leste europeu. Cracóvia (ou Kraków, que os poloneses pronunciam "Krákuf") data do século VII e foi a capital do Reino da Polônia até 1596. A Polônia não é um país sobre o qual a gente aprenda muito na escola, ainda que haja milhares de brasileiros de sangue polonês. Mas vindo aqui ao país você logo

Kutaisi: Voos baratos e a Geórgia do dia-dia

Tbilisi tem atraído um número crescente de turistas à Geórgia, junto com as Montanhas do Cáucaso e suas paisagens. Não é pra menos: as vistas montanhosas são lindas, e a capital georgiana é charmosa como poucas, cheia de atrações, boa gastronomia, e em conta. Já Kutaisi é uma história diferente. Nesta que é a segunda maior cidade da Geórgia, o turismo pouco chegou. As pessoas a têm basicamente como ponto de passagem, seja rumo às montanhas deste oeste do país, ou por aqui ser o aeroporto mais usado pelas aerolinhas de baixo custo voando para a Europa (tomem nota).  Eu vim a

Ao alto das Montanhas do Cáucaso na Geórgia: O Monte Kazbegi, Stepantsminda, e a Igreja de Gergeti

Era um ensolarado dia de verão na Geórgia quando eu fui conhecer as Montanhas do Cáucaso. Estas montanhas, que separam a Rússia das antigas (outras) repúblicas soviéticas da Geórgia e do Azerbaijão, são o lugar que originou os termos "caucasiano" e "caucasóide". Daqui, disseram no século XVIII, teria surgido a "raça branca", uma balela do ponto de vista biológico, mas que não deixou de trazer atenção ao lugar.  Hoje, estas montanhas entre o Mar Negro e o Mar Cáspio são visitadas por adoradores das paisagens, trilheiros, e amantes da natureza. Ah! Como estamos na Geórgia, um país eminentemente cristão, é claro

Tbilisi, Geórgia: Das mais charmosas cidades que você (ainda) não conhece

Bem vindos à Geórgia, um país que a maior parte do mundo nem sabe que existe. É capaz de mais gente saber do estado norte-americano homônimo que do país independente e soberano com esse nome. Estamos no Cáucaso, a mesma região onde fica a Armênia, no extremo leste da Europa, naquela rugosa faixa de terra entre a Rússia e o Oriente Médio, por entre o Mar Negro e o Mar Cáspio. (Eu já comentei em outro lugar a discussão sobre os países do Cáucaso serem Europa ou não, mas a convenção mais aceita diz que sim.)  Trata-se de um país do tamanho

Sul da Armênia: Entre licores de damasco e o Mosteiro de Tatev nas montanhas

Visitada a capital e alguns sítios próximos, havia chegado o dia de eu fazer uma excursão ao sul da Armênia, quase na fronteira com o Irã, a conhecer o Mosteiro de Tatev, do século IX, uma das muitas preciosidades históricas desta região. Nesta terra de montanhas e vales, sol quente e seco, há muito que monges cristãos viveram em comunidades isoladas. É um tradição antiga, como quase tudo por aqui. Há muitas agências de turismo em Erevan oferecendo passeios às diversas partes do país (embora nem todos estejam disponíveis todos os dias, então atenção se você estiver visitando). Este eu organizei com

Pelo interior da Armênia: Paisagens, mosteiros, e igrejas de pedra

A Armênia é um destino para quem se interessa por História, cultura, e religião — tudo isso envelopado nas paisagens áridas e elevadas aqui do Cáucaso. Poucas vezes eu encontrei no mundo um país tão rugoso, cheio de altos e baixos. Não vi uma gota de chuva que umedecesse estas terras secas, embora sem dúvida chova algo em outras épocas. E vi um povo orgulhoso da sua identidade e muito ciente do seu lugar na História. Não há como falar de Armênia sem falar em Cristianismo — os próprios armênios não deixam. Seria quase como falar de judeus sem falar em judaísmo.

Islândia: Seu ambiente urbano e atrações de Reykjavik, sua capital

Bem vindos à Islândia, este remoto país europeu que está bombando no turismo desde que a crise financeira derrubou sua economia em 2008. De um lugar isolado do qual nada se sabia (só que ele existia) a um dos "destinos da vez" nos últimos anos. O pequeno país, de 334 mil habitantes, há 10 anos atrás recebia de turistas o equivalente à sua população, e agora recebe mais de 2 milhões por ano. Seu nome quer mesmo dizer "terra do gelo": Iceland em inglês, Ísland no original islandês. Sim, a Islândia tem o seu próprio idioma, aquele que mais se assemelha

Florença, Itália: David de Michelangelo, Santa Maria del Fiore (Il Duomo), e outros tesouros artísticos do Renascimento italiano

Capital da famosa região da Toscana, Florença é das mais visitadas cidades italianas. Não é sem razão. Berço do Renascimento e às vezes chamada de a "Atenas da Idade Média", a cidade tem uma enorme riqueza artística e histórica. Eu acho surreal estar aqui circundado por tantas obras de alto calibre a tão pouca distância: o David de Michelangelo ali, a catedral de Florença com seu domo projetado por Brunelleschi algumas quadras pra lá, majestosas fontes seculares ao lado de esculturas de personagens da mitologia clássica greco-romana decorando as ruas... Você se sente num parque temático do Renascimento, só que

Roma para além do Vaticano, o básico: Panteão, Coliseu, e outras paragens na Cidade Eterna

Lá estava eu no meu magnífico apartamento alugado em Roma, próximo ao Vaticano, preparando-me para definir o que mais eu veria aqui na Cidade Eterna. Roma tem uma infinidade de atrações datadas dos seus mais de dois milênios e meio de História, e mesmo quem mora aqui admitirá que há coisas que ainda não conhece. São escolhas difíceis. Porém, eu diria que há um "básico" — para além do Vaticano, já retratado no post anterior — essencial aqui que você não pode deixar de ver. (As opiniões certamente vão divergir.) Acompanhem-me neste passeio. Na primavera, o sol de Roma dá o ar

Visitando o Vaticano e vendo o Papa Francisco em Roma

Visitar o Vaticano é algo que passa pela cabeça da maior parte dos cristãos. Independente de qual for a sua fé (se alguma), o coração de Roma é um lugar de relevância histórica inquestionável, e um dos destinos mais visitados do mundo. Aqui estão nada menos que algumas das maiores obras do Renascimento italiano, como a Basílica de São Pedro, a Pietà, a Capela Sistina com seu teto pintado por Michelangelo, dentre outros tesouros religiosos e artísticos que têm do melhor da cultura e História italianas. Estamos na gema da Itália, só que fora dela. Como se seu coração fosse soberano

Revendo Atenas (Grécia): A Acrópole, o centro, e a Igreja de São Jorge no Monte Lycabettus

Após revistar a Turquia, chegava a vez da Grécia. Lá estava eu mais uma vez entre as oliveiras e as antiquíssimas pedras na Acrópole de Atenas. Os anos haviam se passado desde que eu estive aqui, e você percebe por toda parte o acúmulo de efeitos nocivos da crise financeira. Redução de 25% no tamanho da economia, desemprego de mais 50% entre os jovens, e "medidas de austeridade" que, na prática, deixaram os grandes bancos muito bem, obrigado, mas retalharam as aposentadorias do cidadão médio e os serviços públicos de que muitos dependiam. De quebra, um drama de imigração que assalta

Istambul na primavera (Parte 2): Kariye Museum e as heranças bizantinas para além de Hagia Sophia

Chegada a hora de conhecer algumas coisas novas em Istambul. Muita gente vem aqui, à maior cidade da Turquia e da Europa (com 15 milhões de habitantes), atrás do movimento e da riqueza cultural turca. Lindezas que eu mostrei nos posts anteriores. No entanto, é preciso lembrar que essa riqueza repousa sobre um milenar legado grego bizantino. A quem busca os resquícios da Constantinopla medieval, trago a boa notícia de que há mais que Hagia Sophia e a cisterna da basílica. O melhor lugar, sobretudo se você gosta de arte sacra, é o Museu Kariye, feito a partir da Igreja de São

Sille, Turquia: Legado grego bizantino cristão na Anatólia, nos arredores de Konya

Muito antes de os turcos chegarem às terras que hoje chamamos de "Turquia", elas atendiam por nomes diferentes. Em 330 a.C., quando Alexandre o Grande faz a sua grande marcha para o oriente que levaria os seus exércitos até à Índia, adotam-se os nomes — adaptados das línguas e povos já presentes, como os persas — como viriam a ser conhecidos no mundo antigo greco-romano: Capadócia, Lycia, Lydia, entre outros. (Nome de muita gente no Brasil que nem sabe a origem do nome.) Toda essa massa de terra a oriente do Mar Egeu ficou conhecida dos gregos antigos como Anatolé, que significa o

Bônus: Novosibirsk, a cidade das mais belas mulheres da Rússia

A minha jornada trans-siberiana havia se completado em Vladivostok, no extremo oriente da Rússia, mas no caminho de volta o meu voo ainda me traria a mais uma cidade russa. Eis uma cidade que você talvez nem soubesse que existia, mas Novosibirsk é nada menos que a terceira maior cidade da Rússia, com mais de 1,5 milhão de pessoas em plena Sibéria — e famosa por ser, diz a lenda, aquela com as mais belas mulheres do país. Não fiz análise estatística para comparar, mas é claro que me deparei com cada pedaço de mau caminho maior que o outro pelas ruas. Várias

Vladivostok, Rússia: O fim de linha da Ferrovia Trans-Siberiana

Eis Vladivostok, a "São Francisco" da Rússia. O fim de linha da gigante Ferrovia Trans-Siberiana, de mais de 9.200Km. Um lugar que alguns amigos brasileiros achavam que só existia no jogo de tabuleiro WAR, mas que é uma cidade de verdade — e elegante. Eu cheguei a Vladivostok numa manhã nublada, úmida e quente, após um trem noturno desde Khabarovsk. Com a cara de quem dormiu no trem, uma mochila na frente e outra atrás, eu me apressei a tirar uma foto com o marco do fim da ferrovia. É uma foto para se guardar. (Vários asiáticos num grupo tiveram a mesma

Khabarovsk, a charmosa cidade no Leste Distante da Rússia

Certa vez eu conheci um russo meio doidinho, num albergue na Europa, que se assombrou quando eu lhe disse que iria ao Leste Distante da Rússia. Num inglês quebrado, ele comentou que Moscou e São Petersburgo eram uma coisa, fáceis de navegar. Já Blagoveshchensk e Khabarovsk, que eu lhe disse que planejava visitar, eram "a Rússia profunda" ("deep Russia"), outros 500. Ele achou que eu era meio maluco de ir pra lá sem fluência em russo, e gostou de mim por isso. De fato, visitar o interior da Rússia está muito distante da experiência de conhecer Moscou ou São Petersburgo, cidades

Bem vindos a Irkutsk, Sibéria

(Eu ♥ Irkutsk, em russo.) Faz alguns anos desde a primeira vez que eu vi "Irkutsk" no mapa. Lembro-me de — ajudado por esse nome siberiano — imaginar um lugar gélido, polar, um lugar remoto onde poucas pessoas, permanentemente em roupas de frio, viviam isoladas do mundo. Não acho que eu seja o único a ter essas imaginações acerca da Sibéria. Irkutsk talvez fosse assim há 300 anos atrás, mas não mais. A Sibéria, como eu coloquei no post passado, tampouco é permanentemente fria. Tal qual o miolo do Canadá e dos EUA, ela tem o clima continental de invernos muito rigorosos mas também verões

Ekaterimburgo: Divisa entre Europa e Ásia na Rússia, e onde os Romanov foram executados

Ekaterimburgo [às vezes grafada Yekaterimburgo, por causa da forma como os russos pronunciam seu nome] é uma metrópole de mais de 1 milhão de habitantes, e a cidade mais a leste dentre as sedes da Copa de 2018. Estamos duas horas a mais que em Moscou — a Rússia tem nada menos que 11 fusos horários, e aqui minha viagem trans-siberiana finalmente me forçava a mudar o relógio. Estamos no miolo da Rússia, onde Europa e Ásia se encontram. Isto é, onde por convenção histórica se definiu distinguir Europa e Ásia na grande massa de terra que é a Eurásia. Os nomes "Europa" e

Kazan, a bela capital da República do Tatarstão, na Rússia

Bem vindos à República do Tatarstão, na Rússia! Eu sei, a cabeça de muita gente deve ter dado um nó: Como assim "República do Tatarstão" e ao mesmo tempo "na Rússia"? Simples: a Rússia é repleta de repúblicas não-soberanas mas que tem certa autonomia. Aqui, ao contrário do Brasil, nem todas as unidades da federação gozam do mesmo grau de autonomia. A Rússia possui "territórios" (krai), "províncias" (oblasts), e repúblicas — dentre outras categorias. As repúblicas são 22 das 85 unidades da federação que a Rússia tem, e são as mais autônomas de todas. Geralmente, representam áreas de maioria étnica não-russa, como

De volta a Moscou (Rússia), quatro anos depois

Estamos de volta em Moscou. Moscou não são só o Kremlin e a Praça Vermelha, ao contrário do que as agências de viagem e a mídia nos fazem crer. Esse largo rio na foto por exemplo, o Rio Moscova, passa bem no centro da cidade. Eu vim aqui duas vezes antes, relatos que você verifica aqui e aqui, ou mais amplamente na minha lista de postagens sobre a Rússia. Eu desta vez chegava de uma noite mal-dormida no Aeroporto Liszt Ferenc (em homenagem ao compositor clássico, que era húngaro), de Budapeste, em um voo na madrugada até o Aeroporto Vnukovo (um dos

Utrecht, conhecendo esta histórica cidade holandesa

Das várias cidades holandesas, talvez aquela ao mesmo tempo mais histórica e menos turística seja Utrecht. Cidade da mais movimentada estação de trem da Holanda (por estar no centro do país), Utrecht é uma cidade simpática, com belos e tranquilos canais (sem turistas!), a mais alta igreja do país, e quilates de História que data desde os romanos. A 20min de trem desde Amsterdã, ela é a morada de muitos que trabalham na capital holandesa, e também um lugar legal de se visitar por uma tarde ou um dia. Utrecht foi uma das fronteiras do Império Romano nestas terras germânicas do

Crônicas em Samoa, Oceania: A chegada

PRÓLOGO: Num avião para Samoa Pai, eu pequei. Pequei o pecado da chamada "gordofobia", termo que tem sido utilizado para denotar a discriminação social contra pessoas gordas. No meu caso, foi literalmente uma fobia: eu via as pessoas enormes espremidas em seus assentos no avião, e conforme os pesados samoanos aproximavam-se, às vezes de ladinho pelo corredor do avião, eu numa daquelas adoráveis poltronas de que ninguém gosta, bem no meio, nem corredor nem janela, rogava para não viajar espremido. Quatro longas horas de voo ainda me separavam de Apia [lê-se a-pía, não ápia], a capital de Samoa. Acho que uma mulher samoana

Bordejos em Paris na primavera (Parte 5): A Paris gótica e suas igrejas (Notre-Dame, Saint-Sulpice, Sainte-Chapelle, e a Capela da Medalha Milagrosa)

Antes de "gótico" significar o gênero moderno derivado do punk, das pessoas que se vestem de preto etc., o adjetivo referia-se — e ainda se refere — a uma das mais importantes matrizes culturais da Europa. Gótica, dos godos, foi a cultura artística mais proeminente na Europa ocidental durante a Idade Média. Suplantou as tradições "clássicas" (da Antiguidade greco-romana) e finalmente deu um toque norte-europeu à arquitetura, à arte sacra, etc. Os longos e altos arcos ogivais que caracterizam a arquitetura gótica simbolizam não só a verticalidade, o "olhar para cima", para Deus, do medievo teocêntrico europeu. Há quem diga que eles se inspiram,

Conhecendo a sereníssima República de San Marino na Europa

Vamos a uma jornada por este país que quase todos os brasileiros conhecem, só que não. Sereníssima Respublica, em latim, é a alcunha que recebe San Marino, este país independente encravado no território italiano. Um dos micropaíses da Europa, ele é conhecido de quase todos os brasileiros graças à Fórmula 1 (embora tenha sido o infeliz Grande Prêmio da morte de Ayrton Senna), só que poucos brasileiros de fato vêm aqui. É uma joia a ser descoberta, pois San Marino oferece um dos mais lindos cenários medievais de toda a Europa. San Marino é atualmente a república mais antiga do mundo. Estabelecida em

Rimini, Itália: Entre a Ponte de Tibério, o Arco de Augusto, e o sorvete italiano

Ariminum é como os antigos romanos chamaram esta cidade então fortificada às margens do Mar Adriático. Para lá para trás dos cavalos, no horizonte da foto, está a praia. Hoje, conhecida pelo nome de Rimini, esta cidade é um simpático resort de verão dos italianos.  Estamos na região italiana da Emilia-Romanha, a mesma de Bolonha, só que no litoral. Rimini é uma cidade de médio porte, com seu centro histórico que — como há de ser numa boa cidade italiana — guarda marcas da antiguidade romana juntamente com o casario típico dos séculos mais recentes. Como estamos na Emilia-Romanha, temos aqui aquele casario de tons pastéis

Albânia (ou Shqipëria, “a terra das águias”): O lindo país europeu que você nunca pensou em conhecer

A Albânia é aquele país europeu que eu só sabia que existe porque ele está sempre no topo das listas alfabéticas, mas sobre o qual eu não sabia nada. Até poucos anos atrás, eu sequer era capaz de localizá-lo num mapa. Ela provavelmente é o país subestimado e desconhecido de toda a Europa. Visitei a Albânia agora em março, e achei-a fascinante. Os próprios (outros) europeus sabem pouco ou nada sobre este país. Geralmente, sobretudo na Europa, os albaneses são conhecidos apenas pela má fama de crime organizado e tráfico de mulheres, estereótipos que nada dizem do seu lado bom e infelizmente reforçados

Ohrid e seu lago na Macedônia: Os Bálcãs e suas belezas

Os Bálcãs, aquele recanto no sudeste da Europa (entre a Itália e a Turquia), são uma das regiões mais fascinantes do continente e das menos visitadas por brasileiros. Esta é a região mais pobre de toda a Europa, mas também uma daquelas de maior personalidade. Se por um lado há uma certa decadência na infraestrutura física de alguns lugares, por outro há as belezas de que pouco se escuta, há as pessoas de jeito mais maroto (às vezes um pouquinho malandro), e a gastronomia de influência turca. Eu, quando cheguei a Skopje, capital da Macedônia, acreditei que iria me deparar com blocos de refugiados sírios fazendo

Novi Sad, a capital do amor, e minhas andanças pela Sérvia

Novi Sad é a cidade mais bonita da Sérvia. Assim dizem todos, e eu concordo que ela é mesmo mais charmosa que a capital Belgrado. Estamos falando de uma cidade de médio porte no norte do país, quase na fronteira com a Hungria, também banhada pelo Rio Danúbio e dotada de bela arquitetura típica da Europa Central. (Aos meus compatriotas pouco familiarizados com essas designações europeias, a Europa Central abarca Alemanha, Áustria, Suíça, Rep. Checa, Eslováquia, Hungria, Polônia, e toda essa região da Europa que foi por séculos parte do Sacro Império Romano-Germânico e, posteriormente, sofreu influência do Império Austro-Húngaro. Esses países compartilham muitos

Belgrado, Sérvia: Cristãos ortodoxos entre os mundos austríaco e turco

A Sérvia é aquele país europeu de que quase todos os brasileiros já ouviram falar, mas que pouquíssimos de fato conhecem. Figuras carismáticas como o tenista Novak Djokovic e o nosso futebolista Petkovic (o "Pet") ajudam a balancear a imagem ruim que o país teve nos anos 90 com os massacres na Bósnia e a guerra em Kosovo. Mesmo assim, a Sérvia ainda é talvez o país mais controverso da Europa, e o maior a estar circundado pela União Europeia mas não fazer parte dela. Eu cheguei para uns dias neste fim de inverno europeu em Belgrado, a capital. Esta era a capital também

Larnaca, Chipre: Veraneio europeu, Páscoa ortodoxa grega, e o túmulo de Lázaro

Bem vindos a este outro país que fala grego mas não é a Grécia: Chipre. A maioria de nós já ouviu falar dele em alguma remota aula de História, mas muitos sequer sabem que ele hoje é um país independente e membro da União Europeia.  Chipre é uma ilha no leste do Mar Mediterrâneo, próximo do Líbano, de Israel e do sul da Turquia, e que desde a Antiguidade é habitada pelos gregos. Ao longo do tempo, contudo, as populações se misturaram. (A ideia de que cada país pertence a um só povo é uma invenção recente chamada "nacionalismo", concebida no século XIX.) De 1570

As cavernas de Jeita Grotto e a colina de Nossa Senhora do Líbano em Harissa

"E no mar e no céu — a imensidade!", notou o poeta Castro Alves em Navio Negreiro. Tivesse ele morado no Líbano do século XXI, teria notado também a imensa poluição entre o céu e o mar. Apesar dos pesares ambientais daqui, a colina da Nossa Senhora do Líbano em Harissa, povoado próximo à cidade libanesa de Jounieh, foi das melhores vistas que tive durante a minha estadia no país. Você sobe num bondinho panorâmico seguido de um plano inclinado para chegar nessas alturas. As vistas são lindas. Este foi um dia modestamente aventuresco, venturando-me fora de Beirute para conhecer as demais coisas do

Conhecendo Beirute, capital do Líbano: Uma cidade de contrastes

(Este vai ser um post longo.) Não sei se amo Beirute. Ela é definitivamente uma cidade notável, ocidentalizada mas com aquele toque árabe, e rica pela diversidade única de comunidades religiosas — junção de cristãos maronitas, ortodoxos gregos, muçulmanos sunitas, muçulmanos xiitas, cristãos armênios, entre outros que compõem o mosaico que é o Líbano. É interessante. Por outro lado, Beirute é uma cidade cheia de problemas, que vão desde os altos riscos de terrorismo até uma greve de meses dos incineradores de lixo e que deixou na cidade um fedor nauseante que se estendia por quilômetros. Se você gosta de caminhar como eu, praticamente tudo

Alexandria (Egito) hoje: A nova biblioteca alexandrina e a “outra” Santa Sé, de São Marcos

A Biblioteca de Alexandria, o Farol de Alexandria... Eu nunca vi uma cidade ser tão famosa nos livros de História e tão esquecida na atualidade quanto Alexandria. A maioria dos ocidentais parece pensar que Alexandria não existe mais, que ficou para trás já há muitos séculos. Ledo engano. Alexandria hoje é a segunda maior cidade do Egito, com quase cinco milhões de habitantes, e continua sendo belamente banhada pelo Mar Mediterrâneo no norte do Egito do mesmo jeito que era antigamente. São apenas 2-3h de trem desde o Cairo, a depender do tipo de trem que você tomar. Alexandria merece ao menos um day tour, um bate-e-volta, mas

A Igreja Suspensa no Cairo e os cristãos do Egito: Conhecendo de perto o Cristianismo Copta

Ninguém jamais pensa no Egito como uma terra de cristãos — nem hoje, nem nunca —, exceto pelos mais conhecedores da história do cristianismo. Tendemos a ignorar ou esquecer que foi aqui, o Egito, um dos grandes berços do cristianismo institucionalizado, onde ele adquiriu muitos dos elementos que hoje nos são familiares (como a cruz, a "Sagrada Família", o monasticismo cristão), e que houve séculos de transição cristã entre o Egito Antigo dos faraós e o Egito islâmico que surgiria depois. Entre 10-20% da população egípcia atual (que é de 82 milhões de pessoas) se identifica como cristã, e estas em geral são cristãs coptas.

Uma Espanha autêntica: Valencia, a cidade da paella

Valencia mostra uma Espanha autêntica. Pouco turística, a cidade que inventou o prato espanhol mais famoso do mundo se foca em si mesma. Esqueça as hordas de turistas. Valencia é uma cidade movimentada, mas movimentada por espanhóis. Graffiti nas ruas dividindo espaço com igrejas mui católicas, cafés servindo café con leche, e pernas de porco dependuradas nos bares — tudo à moda espanhola. O toque regional é dado pelas coisas escritas em valenciano nas ruas. Como capital da Comunidad Valenciana (uma das 17 "comunidades autônomas" que compõem a Espanha), Valencia é próxima de Barcelona, capital da vizinha Catalunha. Ambas eram parte do reino medieval de Aragão.

Coisas de Barcelona: Sagrada Família, obras de Gaudí, e noites na rua

Barcelona tornou-se uma das sensações da Europa (e do mundo) nos últimos tempos. Uma cidade descolada, animada, e muito diferente do espírito monarquista da Espanha. Aliás, uma cidade diferente de toda aquela Europa tradicional. Barcelona representa a nova Europa: da União Europeia, do multiculturalismo liberal, e dos jovens festeiros que não querem nada com o conservadorismo da Europa de outras eras que você costuma imaginar. Eu cheguei a Barcelona para o início do que seria uma jornada solitária de 4 meses, uma volta ao mundo que me levaria daqui ao norte da África, ao Oriente Médio, a países da Ásia ainda

O bucólico oeste da Irlanda: Galway, Connemara, e os Penhascos de Moher

A Irlanda é famosa na Europa por suas paisagens bucólicas, sobretudo este oeste do país. É como se aqui você finalmente encontrasse aquele autêntico verde do espírito irlandês, aquela alma celta, a natureza dos campos tranquilos, aquela beira-mar vazia, sem ninguém, e ruínas de pedra na neblina. Uma quietude que faz você se sentir em As Brumas de Avalon ou em alguma cena New Age. Eu cheguei aqui após poucas horas de trem desde Dublin, a capital irlandesa. A pequena cidade de Galway faz as vezes de cidade mais importante nesta costa oeste. Era inverno, e todo o lugar parecia adormecido. Ainda que

Stromboli e as Ilhas Eólias, no sul da Itália

O sul da Itália tende a ser tão associado à máfia que poucas pessoas no Brasil sabem do seu lado romântico e aconchegante. Poucos de nós vêm à Itália e visitam suas ilhas, mas são muitas delas aqui, um pouco similares às gregas, tipicamente mediterrâneas, e com um aroma italiano. 
De Taormina, facilmente organizam-se tours de barco pelas chamadas Ilhas Eólias, um pequenino arquipélago ao norte da Sicília. É pra quem busca tranquilidade e lindas vistas do mar. 
Pra quem gosta de aventura — e de mitologia grega — vale fazer um passeio específico ao entardecer ao redor do vulcão de Stromboli, uma das ilhas. Ele

Noto (Sicília), uma explosão de barroco italiano pra você

Noto é uma pequenina cidade italiana na Sicília que é toda de uma cor. Pensadores italianos do passado a chamaram de "jardim de pedra". Esse tom de areia está por todas as edificações, e resplandece lindamente à luz do sol. É resultado de um terremoto, que destruiu a cidade medieval em 1693 e a fez ser toda reconstruída assim, em estilo barroco siciliano. Todo o centro da cidade está tombado como Patrimônio Mundial reconhecido pela UNESCO. 
Noto está a uma viagem curta de Siracusa. Vale a pena vir de manhã para passar o dia. Em bom estilo Mediterrâneo, e ainda mais

A Sicília! Bem vindos a Siracusa, no extremo sul da Itália.

Bem vindos à Sicília, o ápice da Itália! Acontece de albergar o mais alto pico italiano (o Monte Etna, vulcão de 3.329m), mas não é a isso que me refiro. Refiro-me àquelas muitas coisas que nos remontam à Itália — arte, antiguidade, delícias gastronômicas, gente passional, e um pouquinho de máfia. Tudo isso se acha elevado ao quadrado aqui na Sicília. Perguntei-me porque o turismo brasileiro inclui tão raramente a Sicília. A resposta só pôde ser a sua localização geográfica, cá no extremo sul da Europa, e os brasileiros sempre tentam aproveitar pra ver várias cidades de interesse ao mesmo tempo. É compreensível,

Sevilha: Capital de Andaluzia, do Flamenco, e do estilo Mudéjar

Sevilha é uma cidade impressionante, e por vários motivos. Rainha do sul da Espanha, ela é tanto a capital administrativa de Andaluzia quanto a sua maior cidade e o seu coração. Aqui moram os melhores espetáculos de flamenco da Espanha, e aqui também repousam quilates e quilates de história espanhola medieval e moderna. (Para os mais chegados em arte, tampouco deixem de ver as obras do pintor Murillo, sevilhano, e a rua onde se passa a famosa ópera Carmen, de Bizet.) 
Vamos por partes, pois as riquezas aqui são muitas. Eu optei por não dividir este post, para que vocês sintam como todos

Visitando Granada e os jardins e palácios de Al-Hambra

"Granada, tierra soñada por mi...", imortalizaram os tenores. 
E Granada é realmente um sonho. Não entendo por que demorei tanto a visitá-la. Albergada a 700m de altitude na Sierra Nevada no sul espanhol, Granada foi o último reino muçulmano da Espanha. Preservaram-se aqui lindos símbolos dos 800 anos de presença árabe, e a cidade hoje é uma fofura, de médio porte mas com aquele ar de cidadezinha de montanha. Mais importante, aqui deixaram o magnífico complexo palaciano de Al Hambra ("A Vermelha"), sinceramente um dos monumentos mais impressionantes que há para visitar no mundo. 
Mas primeiro, caso você não conheça a lendária canção de

Córdoba, sua catedral-mesquita e a linda herança moura de Al-Andalus

"A Catedral-Mesquita por si só já faz valer a pena visitar Córdoba", disse-me certa vez uma amiga italiana. À época achei ligeiramente exagerado, até visitar. 
A Catedral-Mesquita de Córdoba recentemente foi objeto de uma disputa entre o município e a Igreja Católica romana. A Igreja Católica perdeu. O município alegou que a catedral-mesquita não tem dono, é patrimônio da humanidade como reconhece a UNESCO. É muito mais do que um templo, é um pedaço de história de mais de mil anos diante dos seus olhos. 
Córdoba era talvez o mais importante centro cultural e econômico da Europa por volta do ano 1000. Sob

Málaga e um panorama geral do sul da Espanha, a Andaluzia

O sul da Espanha é a minha região favorita do país. A maior parte dos turistas brasileiros se limita a visitar Madrid e Barcelona (às vezes, Zaragoza e Bilbao a caminho da França), mas a Andaluzia pra mim reserva dos elementos mais interessantes da Espanha. 
Aqui é a terra do flamenco, de cidades medievais lindas como Granada e Sevilha, e da presença mais pronunciada de toda a herança moura no país. (Para os que perderam essa aula de História, a Península Ibérica foi tomada pelos árabes, com exércitos também de berberes [nativos do norte da África], no ano 711 e teve reinos muçulmanos

Entre ricos e pobres em Lima, Peru

Passadas as lindas tribulações em Cusco, nas caminhadas no Vale Sagrado dos Incas, e finalmente em Machu Picchu, era chegada a hora de visitar a capital peruana, Lima. 
Lima tem um astral completamente diverso daquele encontrado nos Andes. É Peru, mas um outro ambiente. Não procure mais pelas montanhas, lhamas, nem pelas ruínas incas. Inca, aqui, só mesmo o sangue das pessoas e os seus hábitos culturais (a culinária continua maravilhosa). 
Lima lembra muito o Brasil — inclusive nos seus contrastes. Aqui você vê claramente que há o Peru dos pobres e o Peru dos ricos ocupados com o lançamento do último iPhone. Aquele seu primo

O Lago Titicaca e a Copacabana original, na Bolívia

Os cariocas terão uma queda de pressão ao saber, mas "Copacabana" não é um nome originalmente do Rio, ou sequer brasileiro. É um nome indígena dos Andes, que viajantes bolivianos trouxeram à praia do Rio de Janeiro no século XVII. Desde antes da invasão dos espanhóis às Américas, há nas margens do Lago Titicaca — hoje na fronteira entre a Bolívia e o Peru — um povoado com o nome de Copacabana. As hipóteses sobre a etimologia exata do nome variam, a mais aceita na Bolívia é a do significado Kota Kahuana ("vista do lago") na língua Aymara, nativa da região. 
Dizem que nos idos de

Maastricht (Holanda) e a curiosa igreja transformada em livraria (com café)

Se, como escreveu São João evangelista, no princípio era o Verbo e o Verbo era Deus, então estamos aqui diante de uma bela manifestação divina. Preparem-se para uma das livrarias mais originais do mundo, no animado sul holandês. 
Estamos no extremo sul da Holanda, em Maastricht. Aqui nesta cidade nasceram a União Europeia e o euro. Sua escolha para a assinatura dos acordos de 1992 — o chamado Tratado de Maastricht — certamente não foi acidental; aqui, neste rabinho sul da Holanda já espremido entre a Alemanha e a Bélgica (e pertinho da França), a cidade adquire um ecumênico espírito cosmopolita europeu. A maioria de

Pelas ruas de La Paz: Centro histórico, Mercado das Bruxas, e as comidas da Bolívia

La Paz oferece uma genuína mistura de cultura indígena e colonização espanhola. Apesar dos pesares que observei no post anterior, a cidade tem uma série de pontos interessantes a ver — e comidas típicas a experimentar (a Bolívia é um dos poucos países do mundo onde não existe McDonald's!).  O centro histórico de La Paz, ainda que suas ruas estreitas e íngremes façam você se sentir emboscado quando passa um ônibus lançando fumaça preta no ar e eliminando o pouco oxigênio disponível aqui a 4.000m de altitude, tem um casario colonial bonito, e praças legais de ver. Prepare-se para os pombos.  Duas observações. La

Santiago do Chile: Cerros, charme, tango e “café con piernas”

Santiago é uma cidade agradável, que me lembra uma versão meio montanhosa de Curitiba, e com pontos histórico-culturais importantes a conhecer. Tem aquele jeito do Sul do Brasil na atmosfera e no jeito latino-porém-recatado das pessoas (se comparados aos colombianos ou aos nordestinos, por exemplo). Aqui há o célebre Palacio de La Moneda, onde o presidente chileno Salvador Allende viveu as suas últimas horas durante o golpe do General Pinochet em 1973. Há um estupendo museu sobre os direitos humanos. Há coisas de Pablo Neruda e Gabriela Mistral (dois prêmios Nobel de literatura) com que se familiarizar. Há lindas colinas

Nantes (França), a cidade de Júlio Verne

La France. Finalmente eu estreio as minhas postagens em terras francesas. É curioso como na França existe um hiperfoco do turismo brasileiro — ou, pra ser mais justo, do turismo não-europeu em geral — em Paris apenas. O que se conhece das demais cidades francesas? Na Itália se vai a Veneza, Florença, Milão e outras além de Roma. Na Espanha as pessoas visitam Madrid mas também Barcelona, Sevilha, Granada, Bilbao e outras. Na Alemanha vão a Munique, Frankfurt. Na França, não. Quase que só Paris. O que se sabe de Marselha, Lyon ou Toulouse, respectivamente a segunda, terceira e quarta maiores cidades da França?

Na Baía de Kotor, Montenegro

A Baía de Kotor, também conhecida por "Boka", é um dos lugares mais lindos que já vi na Europa, e acho que o maior destino do pequeno país de Montenegro. 
Calma, não se resume a esse cenário aí acima com ar de "Idade das Trevas". Montenegro é um país humilde, separado da Sérvia em 2006, pobre, sem luxos, sem nem moeda própria, onde as estruturas portanto estão assim mais "cruas" (o que tem seu lado positivo pela autenticidade...), mas ultra-barato e de lindas paisagens naturais. Abaixo a Baía propriamente dita, onde fica este antigo vilarejo de Kotor. 
Aqui me meti para esta

Isfahan, a mais bela cidade do Irã

Chegou a hora de me despedir do Irã, mas não sem antes, é claro, falar da mais bela cidade que há no país, Isfahan. (Você vai encontrar escrito "Esfahan" também, mas esta é a transliteração pro inglês, onde E tem som de I). Estes foram os últimos dias desta minha aventura em terras persas, fechada aqui com chave de ouro. Isfahan foi a capital do Irã durante a maior parte do período da Dinastia Safávida (1501-1736), e portanto tem muitos palácios, praças orientalescas, mesquitas, pontes de pedra dos séculos XVI e XVII, etc. Hoje ela é a terceira maior cidade

Nápoles, onde a pizza surgiu

(Este é um post longo. Nápoles é repleta de coisas a notar.) Nápoles (ou Napoli, se você preferir a grafia italiana), terra onde surgiu a pizza. Uma cidade de quilate histórico e a maior metrópole do sul da Itália, onde as tradições estão ainda mais arraigadas — inclusive as da famiglia e da máfia. Se por um lado Nápoles é talvez a cidade mais suja e perigosa da Itália (quiçá de toda a Europa), por outro lado aqui se come e bebe muito bem, as pessoas são mais calorosas que no norte da Itália, e há lindas vistas, seja para os prédios antigos, seja

Visitando a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, México

Era domingo de manhã cedo, e a massa já passava em procissão pelas ruas do centro da Cidade do México. Peregrinação à Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, o santuário cristão mais visitado em todo o mundo. São em média 20 milhões de pessoas por ano, acima dos 10-12 milhões que visitam Nossa Senhora Aparecida, no Brasil, e dos 5 milhões que vão à Basílica de São Pedro, no Vaticano. (Fora do cristianismo, há apenas dois santuários ainda mais visitados: o templo hindu Vishwanath em Varanasi, na Índia, aonde vão em média 22 milhões de pessoas ao ano, e que

Crônicas da vida numa pensão em Mérida, Yucatán, interior do México

Estamos em Mérida, capital do estado mexicano de Yucatán, no caribenho sul do país. Aqui eu passaria algumas semanas a trabalho — mas um trabalho sossegado, quase digno dos livros de Gabriel Garcia Márquez, tomando aquelas brisas vespertinas a soprar do Mar do Caribe, e conhecendo figuras que eram reais personagens. Quem eu mais via na pensão onde me instalei em Mérida era Joel, o faz-tudo neto da senhora gerente. Joel nunca soube o meu nome. Se soube, nunca o usou. Joel é um rapaz baixinho, de cara arredondada, do tipo risonho pouco atento, que parece estar sempre metade aqui e metade em

Valletta, Caravaggio e a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários em Malta

Valleta, a capital de Malta, funciona como seu bairro histórico e administrativo. São ruelas perpendiculares e paralelas onde só passa um carro, ou só pedestres. Toda ela é tombada como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1980. São muitas igrejas, museus, e fortificações antigas, além do casario. Malta participou ativamente do Renascimento italiano, foi dos bastiões do estilo barroco, e inclusive hospedou Caravaggio uns anos — quando o pintor italiano andou se metendo com as mulheres erradas, fugiu pra cá, e entrou até pra a ordem dos cavaleiros da ilha (mais a seguir). 
Tudo começou em 1530, com a chegada da Ordem dos Cavaleiros

Bolonha: Arte sacra, nereidas lactantes, e muito “food porn”

Cheguei em Bolonha para o meu quarto de solteiro num hotelzinho perto da estação de trem. Quarto de padre, só com uma cama e uma escrivaninha. Um belo banheiro, e uma televisão que eu sabia que não iria usar. Eram meados de um domingo de inverno, ruas frias e quietas nesta capital da Emília-Romanha. Eu tinha aqui até a tarde do dia seguinte, o suficiente pra ver o centro histórico, as principais obras de arte sacra da cidade (pois na Itália as principais atrações turísticas são quase sempre obras de arte sacra), e experimentar da culinária romagnola. Eu estava com

Turim: O Santo Sudário e as ruas de uma Itália quase alpina

Na foto acima, a sem-teto pede uma moeda para o seu cão. Claro, não é o cachorro quem vai gastar o dinheiro. Mas os italianos parecem mais inclinados a ceder algo se o animal for visto como o necessitado, embora a senhora ali enrolada certamente precise ainda mais. A cena não é rara. Me pareceu relativamente comum na Itália. 
Estamos em Torino (chamada Turim em português) já bem no norte da Itália. Em algumas longas avenidas você facilmente vê ao fundo os Alpes cobertos de neve. O frio e todo o ambiente é quase alpino, e lembra mais a Áustria do

Conhecendo Gênova, Itália, com um jantar em família

Gênova, uma das famosas cidades-estado das Idades Média e Moderna, e terra natal de grandes navegadores como Cristóvão Colombo. É hoje a sexta maior cidade da Itália, e como sempre uma cidade cosmopolita. Hoje você vê muitos trabalhadores indianos e africanos na área do porto, e põe-se a imaginar os mercadores árabes e espanhóis que outrora andaram por aqui. 
Esta era pra ser uma viagem de um só dia, um bate-e-volta a partir de Milão. Só que eu fui e não voltei. Uma grande amiga minha mora perto da cidade, na comuna de Albisola, província de Savona, aqui perto. E a

De volta à Itália: Andanças em Milão

Cá estamos, de volta à Itália, para continuar de onde parei. Estávamos eu e minha amiga turca Filiz passando o Natal. Eu já relatei como passamos o "Filiz Natal" com amigos italianos em Veneza, mas não como continuou a viagem. Chegou a hora. 
Milão (ou Milano), apesar de grande, não é lá das cidades mais turísticas da Itália. Não tem o charme de uma Veneza, ou o peso histórico de Roma, e nem o glamour renascentista de Florença. Em vez disso, Milão — que é a segunda maior cidade do país (depois de Roma) — é conhecida pelo seu peso econômico, pela moda e lojas

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