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Sevilha: Capital de Andaluzia, do Flamenco, e do estilo Mudéjar

Sevilha é uma cidade impressionante, e por vários motivos. Rainha do sul da Espanha, ela é tanto a capital administrativa de Andaluzia quanto a sua maior cidade e o seu coração. Aqui moram os melhores espetáculos de flamenco da Espanha, e aqui também repousam quilates e quilates de história espanhola medieval e moderna. (Para os mais chegados em arte, tampouco deixem de ver as obras do pintor Murillo, sevilhano, e a rua onde se passa a famosa ópera Carmen, de Bizet.) 
Vamos por partes, pois as riquezas aqui são muitas. Eu optei por não dividir este post, para que vocês sintam como todos

Visitando Granada e os jardins e palácios de Al-Hambra

"Granada, tierra soñada por mi...", imortalizaram os tenores. 
E Granada é realmente um sonho. Não entendo por que demorei tanto a visitá-la. Albergada a 700m de altitude na Sierra Nevada no sul espanhol, Granada foi o último reino muçulmano da Espanha. Preservaram-se aqui lindos símbolos dos 800 anos de presença árabe, e a cidade hoje é uma fofura, de médio porte mas com aquele ar de cidadezinha de montanha. Mais importante, aqui deixaram o magnífico complexo palaciano de Al Hambra ("A Vermelha"), sinceramente um dos monumentos mais impressionantes que há para visitar no mundo. 
Mas primeiro, caso você não conheça a lendária canção de

Córdoba, sua catedral-mesquita e a linda herança moura de Al-Andalus

"A Catedral-Mesquita por si só já faz valer a pena visitar Córdoba", disse-me certa vez uma amiga italiana. À época achei ligeiramente exagerado, até visitar. 
A Catedral-Mesquita de Córdoba recentemente foi objeto de uma disputa entre o município e a Igreja Católica romana. A Igreja Católica perdeu. O município alegou que a catedral-mesquita não tem dono, é patrimônio da humanidade como reconhece a UNESCO. É muito mais do que um templo, é um pedaço de história de mais de mil anos diante dos seus olhos. 
Córdoba era talvez o mais importante centro cultural e econômico da Europa por volta do ano 1000. Sob

Málaga e um panorama geral do sul da Espanha, a Andaluzia

O sul da Espanha é a minha região favorita do país. A maior parte dos turistas brasileiros se limita a visitar Madrid e Barcelona (às vezes, Zaragoza e Bilbao a caminho da França), mas a Andaluzia pra mim reserva dos elementos mais interessantes da Espanha. 
Aqui é a terra do flamenco, de cidades medievais lindas como Granada e Sevilha, e da presença mais pronunciada de toda a herança moura no país. (Para os que perderam essa aula de História, a Península Ibérica foi tomada pelos árabes, com exércitos também de berberes [nativos do norte da África], no ano 711 e teve reinos muçulmanos

Entre ricos e pobres em Lima, Peru

Passadas as lindas tribulações em Cusco, nas caminhadas no Vale Sagrado dos Incas, e finalmente em Machu Picchu, era chegada a hora de visitar a capital peruana, Lima. 
Lima tem um astral completamente diverso daquele encontrado nos Andes. É Peru, mas um outro ambiente. Não procure mais pelas montanhas, lhamas, nem pelas ruínas incas. Inca, aqui, só mesmo o sangue das pessoas e os seus hábitos culturais (a culinária continua maravilhosa). 
Lima lembra muito o Brasil — inclusive nos seus contrastes. Aqui você vê claramente que há o Peru dos pobres e o Peru dos ricos ocupados com o lançamento do último iPhone. Aquele seu primo

O Lago Titicaca e a Copacabana original, na Bolívia

Os cariocas terão uma queda de pressão ao saber, mas "Copacabana" não é um nome originalmente do Rio, ou sequer brasileiro. É um nome indígena dos Andes, que viajantes bolivianos trouxeram à praia do Rio de Janeiro no século XVII. Desde antes da invasão dos espanhóis às Américas, há nas margens do Lago Titicaca — hoje na fronteira entre a Bolívia e o Peru — um povoado com o nome de Copacabana. As hipóteses sobre a etimologia exata do nome variam, a mais aceita na Bolívia é a do significado Kota Kahuana ("vista do lago") na língua Aymara, nativa da região. 
Dizem que nos idos de

Maastricht (Holanda) e a curiosa igreja transformada em livraria (com café)

Se, como escreveu São João evangelista, no princípio era o Verbo e o Verbo era Deus, então estamos aqui diante de uma bela manifestação divina. Preparem-se para uma das livrarias mais originais do mundo, no animado sul holandês. 
Estamos no extremo sul da Holanda, em Maastricht. Aqui nesta cidade nasceram a União Europeia e o euro. Sua escolha para a assinatura dos acordos de 1992 — o chamado Tratado de Maastricht — certamente não foi acidental; aqui, neste rabinho sul da Holanda já espremido entre a Alemanha e a Bélgica (e pertinho da França), a cidade adquire um ecumênico espírito cosmopolita europeu. A maioria de

Pelas ruas de La Paz: Centro histórico, Mercado das Bruxas, e as comidas da Bolívia

La Paz oferece uma genuína mistura de cultura indígena e colonização espanhola. Apesar dos pesares que observei no post anterior, a cidade tem uma série de pontos interessantes a ver — e comidas típicas a experimentar (a Bolívia é um dos poucos países do mundo onde não existe McDonald's!).  O centro histórico de La Paz, ainda que suas ruas estreitas e íngremes façam você se sentir emboscado quando passa um ônibus lançando fumaça preta no ar e eliminando o pouco oxigênio disponível aqui a 4.000m de altitude, tem um casario colonial bonito, e praças legais de ver. Prepare-se para os pombos.  Duas observações. La

Santiago do Chile: Cerros, charme, tango e “café con piernas”

Santiago é uma cidade agradável, que me lembra uma versão meio montanhosa de Curitiba, e com pontos histórico-culturais importantes a conhecer. Tem aquele jeito do Sul do Brasil na atmosfera e no jeito latino-porém-recatado das pessoas (se comparados aos colombianos ou aos nordestinos, por exemplo). Aqui há o célebre Palacio de La Moneda, onde o presidente chileno Salvador Allende viveu as suas últimas horas durante o golpe do General Pinochet em 1973. Há um estupendo museu sobre os direitos humanos. Há coisas de Pablo Neruda e Gabriela Mistral (dois prêmios Nobel de literatura) com que se familiarizar. Há lindas colinas

Nantes (França), a cidade de Júlio Verne

La France. Finalmente eu estreio as minhas postagens em terras francesas. É curioso como na França existe um hiperfoco do turismo brasileiro — ou, pra ser mais justo, do turismo não-europeu em geral — em Paris apenas. O que se conhece das demais cidades francesas? Na Itália se vai a Veneza, Florença, Milão e outras além de Roma. Na Espanha as pessoas visitam Madrid mas também Barcelona, Sevilha, Granada, Bilbao e outras. Na Alemanha vão a Munique, Frankfurt. Na França, não. Quase que só Paris. O que se sabe de Marselha, Lyon ou Toulouse, respectivamente a segunda, terceira e quarta maiores cidades da França?

Na Baía de Kotor, Montenegro

A Baía de Kotor, também conhecida por "Boka", é um dos lugares mais lindos que já vi na Europa, e acho que o maior destino do pequeno país de Montenegro. 
Calma, não se resume a esse cenário aí acima com ar de "Idade das Trevas". Montenegro é um país humilde, separado da Sérvia em 2006, pobre, sem luxos, sem nem moeda própria, onde as estruturas portanto estão assim mais "cruas" (o que tem seu lado positivo pela autenticidade...), mas ultra-barato e de lindas paisagens naturais. Abaixo a Baía propriamente dita, onde fica este antigo vilarejo de Kotor. 
Aqui me meti para esta

Isfahan, a mais bela cidade do Irã

Chegou a hora de me despedir do Irã, mas não sem antes, é claro, falar da mais bela cidade que há no país, Isfahan. (Você vai encontrar escrito "Esfahan" também, mas esta é a transliteração pro inglês, onde E tem som de I). Estes foram os últimos dias desta minha aventura em terras persas, fechada aqui com chave de ouro. Isfahan foi a capital do Irã durante a maior parte do período da Dinastia Safávida (1501-1736), e portanto tem muitos palácios, praças orientalescas, mesquitas, pontes de pedra dos séculos XVI e XVII, etc. Hoje ela é a terceira maior cidade

Nápoles, onde a pizza surgiu

(Este é um post longo. Nápoles é repleta de coisas a notar.) Nápoles (ou Napoli, se você preferir a grafia italiana), terra onde surgiu a pizza. Uma cidade de quilate histórico e a maior metrópole do sul da Itália, onde as tradições estão ainda mais arraigadas — inclusive as da famiglia e da máfia. Se por um lado Nápoles é talvez a cidade mais suja e perigosa da Itália (quiçá de toda a Europa), por outro lado aqui se come e bebe muito bem, as pessoas são mais calorosas que no norte da Itália, e há lindas vistas, seja para os prédios antigos, seja

Visitando a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, México

Era domingo de manhã cedo, e a massa já passava em procissão pelas ruas do centro da Cidade do México. Peregrinação à Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, o santuário cristão mais visitado em todo o mundo. São em média 20 milhões de pessoas por ano, acima dos 10-12 milhões que visitam Nossa Senhora Aparecida, no Brasil, e dos 5 milhões que vão à Basílica de São Pedro, no Vaticano. (Fora do cristianismo, há apenas dois santuários ainda mais visitados: o templo hindu Vishwanath em Varanasi, na Índia, aonde vão em média 22 milhões de pessoas ao ano, e que

Crônicas da vida numa pensão em Mérida, Yucatán, interior do México

Estamos em Mérida, capital do estado mexicano de Yucatán, no caribenho sul do país. Aqui eu passaria algumas semanas a trabalho — mas um trabalho sossegado, quase digno dos livros de Gabriel Garcia Márquez, tomando aquelas brisas vespertinas a soprar do Mar do Caribe, e conhecendo figuras que eram reais personagens. Quem eu mais via na pensão onde me instalei em Mérida era Joel, o faz-tudo neto da senhora gerente. Joel nunca soube o meu nome. Se soube, nunca o usou. Joel é um rapaz baixinho, de cara arredondada, do tipo risonho pouco atento, que parece estar sempre metade aqui e metade em

Valletta, Caravaggio e a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários em Malta

Valleta, a capital de Malta, funciona como seu bairro histórico e administrativo. São ruelas perpendiculares e paralelas onde só passa um carro, ou só pedestres. Toda ela é tombada como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1980. São muitas igrejas, museus, e fortificações antigas, além do casario. Malta participou ativamente do Renascimento italiano, foi dos bastiões do estilo barroco, e inclusive hospedou Caravaggio uns anos — quando o pintor italiano andou se metendo com as mulheres erradas, fugiu pra cá, e entrou até pra a ordem dos cavaleiros da ilha (mais a seguir). 
Tudo começou em 1530, com a chegada da Ordem dos Cavaleiros

Bolonha: Arte sacra, nereidas lactantes, e muito “food porn”

Cheguei em Bolonha para o meu quarto de solteiro num hotelzinho perto da estação de trem. Quarto de padre, só com uma cama e uma escrivaninha. Um belo banheiro, e uma televisão que eu sabia que não iria usar. Eram meados de um domingo de inverno, ruas frias e quietas nesta capital da Emília-Romanha. Eu tinha aqui até a tarde do dia seguinte, o suficiente pra ver o centro histórico, as principais obras de arte sacra da cidade (pois na Itália as principais atrações turísticas são quase sempre obras de arte sacra), e experimentar da culinária romagnola. Eu estava com

Turim: O Santo Sudário e as ruas de uma Itália quase alpina

Na foto acima, a sem-teto pede uma moeda para o seu cão. Claro, não é o cachorro quem vai gastar o dinheiro. Mas os italianos parecem mais inclinados a ceder algo se o animal for visto como o necessitado, embora a senhora ali enrolada certamente precise ainda mais. A cena não é rara. Me pareceu relativamente comum na Itália. 
Estamos em Torino (chamada Turim em português) já bem no norte da Itália. Em algumas longas avenidas você facilmente vê ao fundo os Alpes cobertos de neve. O frio e todo o ambiente é quase alpino, e lembra mais a Áustria do

Conhecendo Gênova, Itália, com um jantar em família

Gênova, uma das famosas cidades-estado das Idades Média e Moderna, e terra natal de grandes navegadores como Cristóvão Colombo. É hoje a sexta maior cidade da Itália, e como sempre uma cidade cosmopolita. Hoje você vê muitos trabalhadores indianos e africanos na área do porto, e põe-se a imaginar os mercadores árabes e espanhóis que outrora andaram por aqui. 
Esta era pra ser uma viagem de um só dia, um bate-e-volta a partir de Milão. Só que eu fui e não voltei. Uma grande amiga minha mora perto da cidade, na comuna de Albisola, província de Savona, aqui perto. E a

De volta à Itália: Andanças em Milão

Cá estamos, de volta à Itália, para continuar de onde parei. Estávamos eu e minha amiga turca Filiz passando o Natal. Eu já relatei como passamos o "Filiz Natal" com amigos italianos em Veneza, mas não como continuou a viagem. Chegou a hora. 
Milão (ou Milano), apesar de grande, não é lá das cidades mais turísticas da Itália. Não tem o charme de uma Veneza, ou o peso histórico de Roma, e nem o glamour renascentista de Florença. Em vez disso, Milão — que é a segunda maior cidade do país (depois de Roma) — é conhecida pelo seu peso econômico, pela moda e lojas

Bonn, cidade de Beethoven e capital da antiga Alemanha Ocidental

Bonn. Foi onde passei boa parte deste mês de junho. Mal voltei a morar na Holanda e já tive duas semanas de compromissos na Alemanha. Pra quem não sabe, Bonn foi onde nasceu Beethoven. Vou aproveitar também para dizer algumas coisas que gosto e que não gosto na Alemanha. 
Aí acima é a estátua do dito cujo, acima referido, no centro histórico de Bonn. As cidades alemãs, como em quase toda a Europa, têm uma estação central de trens no coração da cidade e um centro com calçadões só para pedestres e bicicletas. Ali atrás, amarelo, é o prédio dos correios,

Em Veneza: Canais, labirintos, boa comida e hotéis de luxo

É Natal. Na ausência da família, resolvi viajar — estar com a minha família global, aquela sensação de "estar por aí", sem conhecer ninguém, mas onde qualquer um pode de repente se tornar seu mais novo amigo. Mas eu não estava sozinho. A meta era passar o Natal com minha amiga Filiz (sim, eu estou ciente do trocadilho). Após deixar Luxemburgo, nos encontramos então em Milão para o Filiz Natal em Veneza. Lá eu também encontraria amigos venezianos pra ao menos jantarmos no dia 25, mas não esperem um post muito natalino. Filiz, sendo turca, nem Natal celebra, e a cidade não oferece

São Petersburgo (Rússia) no inverno: O Museu Russo, o Balé Mariinsky, e os marcos de quando se chamava Leningrado

É inverno. Nosso trem desliza sobre o metal de Helsinki a São Petersburgo. Do lado de fora, campos cobertos de neve cheios de casamatas, torres e fiação, parecendo uma área militar vigiada da Segunda Guerra Mundial. O sol já havia se posto desde as 4h da tarde, e só se viam as luzes brancas de holofotes sobre a neve. Dentro do trem, também metal, pois é o que mais se ouve escapando dos fones de ouvido dos finlandeses. Belas finlandesas de rostinho quadrado e tranças louras no trem, mas sentava-se do meu lado bem um marmanjo com cara de russo

São Petersburgo (Rússia) no verão: Hermitage, Peterhof, e mais da capital imperial russa

Se Moscou evoca os ares da União Soviética e da Guerra Fria, em São Petersburgo dominam os ares da Rússia imperial — tempo dos czares, de Pedro o Grande, e de Catarina da Rússia. São Petersburgo é uma cidade bem elegante e europeizada, e foi feita para ser assim. Ela é a obra máxima da transição moderna que a Rússia experimentou no século XVIII, quando deixou de ser um principado asiático herdeiro das conquistas mongóis e passou a ser uma corte europeia. (Até hoje, é claro, a Rússia ainda lida com essas duas identidades.) A cidade foi erigida pelo Czar (Caesar) Pedro, o Grande, em 1703,

Visitando Moscou: o Kremlin, a Praça Vermelha, e lugares menos conhecidos

Aquela à esquerda é a Catedral de São Basílio, na Praça Vermelha, em Moscou. A mesma Rússia simples, retratada no post anterior, guarda belezas como a dessa magnífica igreja. Muita gente a vê em fotos e acha que é o Kremlin, mas não é. A Catedral de São Basílio (1561) é o exemplo maior dos domos em forma de cebola e da arquitetura colorida das igrejas russas ortodoxas (vertente oriental do cristianismo católico que tem tradições distintas da igreja de Roma e que não segue o papa). 
Moscou é uma cidade de 12 milhões de habitantes, a segunda maior da Europa (após Istambul), com

O Mosteiro de Rila, Bulgária: Arte sacra em meio à natureza

O Mosteiro de Rila, do século X, é provavelmente a maior atração turística da Bulgária. E não sem motivo. O lugar parece retirado de algum conto histórico medieval: bela arquitetura, cercado de montanhas cobertas de floresta, e lindos murais de arte cristã ortodoxa. A própria jornada até aqui (2 horas de carro desde Sófia) já impressiona pela beleza natural da Bulgária, ainda bastante verde (até quando, não sei). 
Eram meados da manhã quando deixamos a capital. Meus amigos planejaram parar na beira da estrada para comer omelete de avestruz. Teria sido minha primeira vez, mas infelizmente o criador estava ausente e

Sófia, Bulgária

Sófia, a capital da Bulgária, é uma cidade relativamente simples e pequena, com algumas partes bonitinhas, fácil de andar, e que você vê toda em um ou dois dias. Tive amigos búlgaros pra dar umas voltas, e além disso fiz um ótimo "free walking tour", mania nas cidades turísticas da Europa, e que funciona na base de gorjeta. 
São muitas as igrejas em estilo bizantino, do cristianismo ortodoxo de tradição grega. Afora isso, há belos prédios de arquitetura comunista ou neoclássica, além de praças verdes e bom preço pra compras. De todos os países europeus que visitei (mais de 20), a

Istambul, Turquia (Parte 1): Hagia Sophia, a Cisterna da Basílica, e a Mesquita Azul

Istambul é uma cidade estupenda. São 15 milhões de habitantes — a maior cidade da Europa, e a única metrópole no mundo a estar dividida entre dois continentes. Parte está na Europa e parte na Ásia, com o Estreito do Bósforo no meio. Não é a capital (esta seria Ankara, uma cidade administrativa e menor), mas é claramente a mais importante cidade da Turquia, e aquela que você não pode deixar de ver. A riqueza de antiguidades surpreende até mesmo os bons conhecedores de História (quer apostar?). De quebra, a gastronomia é a maravilhosa, assim como a vida noturna. Dito isso (que me

Syros: tranquilidade numa ilha grega quase sem turistas

Terminada a minha estadia em Santorini, era hora de conhecer ilhas menos turísticas da Grécia. Hora de ver que nem todas as ilhas gregas são sinônimos de casinhas brancas contrastando com o mar azul. Há outras belezas no país. Eu rumava agora para a ilha de Syros, relativamente muito pouco visitada por turistas, e dali seguiria a Patmos (onde, segundo a tradição, João escreveu o Livro do Apocalipse, da Bíblia), e terminaria esta estadia na Grécia com Samos, a ilha onde o filósofo Pitágoras nasceu, antes de rumar à vizinha Turquia. Eu cheguei a Syros já nos meados da tarde, vindo de Santorini

Kiev (Ucrânia) no verão: O Mosteiro de Lavra, o Cristianismo Ortodoxo, e o barroco ucraniano

Era o meio da noite quando eu adentrei a Ucrânia desta vez. Após uma breve visita aqui meses atrás, eu agora chegava para pouco mais de uma semana realizando um evento sobre meio ambiente com jovens de toda a Europa. Desta vez eu vinha da Bielorrússia, em pleno verão europeu. Trem noturno, com checagem de passaporte pelas polícias bielorrussa e ucraniana às 2:30 da manhã — uma delícia. Trem até razoável, diga-se a verdade. A chatice foi apenas ficar duas horas acordado de madrugada pra a checagem dos seus papéis de imigração. [A Ucrânia depois passou a isentar os brasileiros da necessidade de visto.]  Kiev,

Cochim (Kerala): Costa da Índia e lugar da morte de Vasco da Gama

Kerala [Kérala] é um dos estados mais simpáticos da Índia. Famoso por sua sociedade tradicionalmente matrilinear (quem herdam são as mulheres, e os sobrenomes passados adiante são os das mães); dono do idioma mais veloz que eu já ouvi na vida, o malayalam; e notável por ter governos sociais progressistas há décadas, ele fica na costa sudoeste da Índia, antigamente conhecida como Costa do Malabar. (Sim, foi a partir daqui que os portugueses criaram o nome "malabarista", pois viam os nativos com quem comerciavam manusearem objetos com muita rapidez.) Quando Vasco da Gama completou a sua épica viagem contornando a África

Goa e o legado português na Índia

Essa imagem acima poderia ser do Brasil, mas não é. Estamos na Índia, em Goa, nas terras costeiras desta Ásia que por séculos foram uma colônia portuguesa. O pequenino estado indiano de Goa (¼ da área do estado de Sergipe), que até 1961 foi colônia de Portugal, em muitos aspectos se parece mais com a Bahia que com o restante da Índia. As pessoas, é claro, são indianas, mas a arquitetura e o aspecto de igrejas coloniais e azulejos portugueses por entre os coqueiros dão a impressão de que você está mesmo é no Brasil. Só que não. Eu havia chegado de

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