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Salzburgo, Áustria: Conhecendo a cidade natal de Mozart

Bem vindos à Áustria! Eis a sua quarta maior cidade (depois de Viena, Linz e Graz), mas provavelmente a sua segunda mais famosa, por ter sido o nascedouro de Mozart. Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), compositor clássico, criou mais de 600 obras musicais e morreu jovem como tantos outros gênios artísticos da humanidade, aos 35 anos. Fiquem à vontade para ler o post escutando a música. Vamos agora conhecer Salzburgo. Eu vim a Salzburgo duas vezes na vida; curiosamente, ambas elas vindo de Munique, na Alemanha. Uma no verão, há 10 anos, e outra neste mais recente inverno. Já conto como foram essas

Munique (Baviera), a capital secreta da Alemanha

Estamos na Baviera (ou Bavária, ou Bayern em alemão), o maior e mais rico estado da Federação Alemã. Sim, a Alemanha é uma federação. Consulte um alemão e ele fará uma cara de que é impensável que não o fosse. Aquela Unificação Alemã que estudamos na escola, dada no fim do século XIX, nunca foi tão longe assim. Regionalismos continuam sendo a alma alemã, tanto quanto na Itália. Munique, a capital da Baviera, é chamada secretamente de a capital secreta da Alemanha, embora não o seja. Isso se diz talvez pelo tanto de cultura tradicional que há aqui — o Oktoberfest,

Conhecendo Glasgow, a maior cidade da Escócia

Bem vindos a Glasgow, a maior urbe da Escócia. Não é a capital escocesa (esta seria Edimburgo), mas é sua maior cidade. Por um tempo, foi de todas a segunda maior cidade do Reino Unido, atrás apenas de Londres. Eram tempos áureos (ou talvez eu devesse dizer cinzentos) da revolução industrial por toda a Grã-Bretanha. Para que ninguém se perca nas designações geográficas: Grã-Bretanha é toda a ilha principal, compreendendo Inglaterra, Escócia, e País de Gales. O Reino Unido, que é de fato o país enquanto Estado (com governo, instituições etc.), inclui aqueles três mais a Irlanda da Norte. (O nome

Thessaloniki (Salônica): Encruzilhada eterna na Grécia balcânica de hoje

Estamos na segunda maior cidade da Grécia, depois de Atenas. Longe das ilhas gregas, Thessaloniki — traduzida como Tessalônica ou somente Salônica em português — talvez seja mais conhecida dos brasileiros por menções bíblicas que através do turismo. Ou talvez por ser a terra de origem dos Abravanel, família de Silvio Santos. Não é de se espantar. Tessaloniki está longe das rotas habituais, e tem mais tamanho que charme. É uma cidade que transpira a Grécia balcânica, essa Grécia contemporânea pouco conhecida entre aqueles de nós presos à Grécia Antiga, como se nada tivesse ocorrido entre lá e cá. Como ocorre

As ruínas zapotecas de Mitla e a árvore milenar em Tule, Oaxaca

Sigo eu pelo interior de Oaxaca, sul do México, a descobrir tesouros arqueológicos das civilizações indígenas e também algo ainda mais antigo. Não é todo dia que se esbarra num ser vivo que já estava vivo quando o profeta Maomé, o imperador Justiniano e outros ainda caminhavam pela Terra, e os Vikings não haviam nem começado ainda a navegar. Nós neste post passearemos entre o antigo, o muito antigo, e o antiquíssimo. Tem um pouco de loucura também, porque no México — como é característico do melhor da América Latina — você sempre esbarra numas pessoas que parecem saídas da

Oaxaca de Juárez: Dos lugares mais belos, coloridos, e culturalmente ricos do México

Estamos em mais uma cidade colonial mexicana, das mais bonitas. Na verdade, Oaxaca [lê-se Oarráca] talvez seja a que mais me encantou. Em termos de beleza visual, todas são fofinhas, mas a beleza cultural aqui desponta ainda mais que o normal. Estamos no sul do México. Ao longe da cidade se veem as colinas da Sierra Madre Sur. São algumas horas de ônibus desde Puebla até esta quebrada onde o México faz a curva. Oaxaca, um dos 31 estados mexicanos, é aproximadamente do tamanho de Pernambuco ou Santa Catarina. Sua capital, Oaxaca de Juárez — quase nunca chamada pelo nome inteiro

O Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México em 20 fotos: Conhecendo os antepassados

Se você usa roupas de algodão, esse algodão industrial de hoje foi domesticado pelos indígenas mexicanos. Se você come milho de qualquer tipo, a sua domesticação e cultivo também se devem aos indígenas do México e da América do Sul. São antepassados culturais da América Latina (e, em certa medida, do mundo todo) mesmo para quem não tem sangue indígena mesoamericano.  Há um mundo de coisas não ditas, sub-ditas, ou desconhecidas acerca dos indígenas das Américas. Eu cheguei a discorrer antes sobre isso. O Museo Nacional de Antropologia na Cidade do México provavelmente é o maior e melhor do mundo no

Voltando à Cidade do México: Lugares e atrações principais numa das maiores metrópoles do mundo

Tempos depois da última visita, estou eu aqui novamente. A Cidade do México é das minhas favoritas no mundo. Não morro de amor, mas gosto. Talvez seja um apreço mais de admiração intelectual que de afeição. Afinal, poucas cidades no mundo têm a magnitude desta metrópole de 20 milhões de habitantes com uma herança cultural que remonta aos astecas (com ruínas da sua capital Tenochtitlán aqui), a fartura da culinária mexicana, sua gente festiva, a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe (sítio cristão mais visitado do mundo), entre outros fortes. Quer você se afeiçoe a esses lugares quer não, há de

Leicester e as Midlands britânicas: Na antiga Mércia, coração da Inglaterra

Leicester (pronunciada Léster) não é exatamente a cidade mais famosa da Inglaterra. Ao menos não fora das suas fronteiras. Já dentro, ela é conhecida como a histórica cidade onde está enterrado o último rei inglês a morrer em batalha (Ricardo III em 1485), assim como hoje pelos seus ótimos curries indianos.  Estamos nas chamadas Midlands, estas "terras médias" do miolo da Inglaterra. Aqui ficava o Reino da Mércia, constituído em 527 d.C. Teria sido nessa época e nessa região que vivera o lendário Rei Arthur, personagem de contos populares (verídicos ou não) que o clérigo Geoffrey de Monmouth em 1138 compilou

York, a histórica cidade inglesa fundada pelos Vikings

Nestes tempos de Brexit eu fui dar umas voltas na Inglaterra. Não por curiosidade, nem por perversão, mas a trabalho. (Sim, eu trabalho, e não é com turismo nem viagens.) O evento onde eu me faria presente foi em York, no norte da Inglaterra, uma das cidades mais tradicionais do país. Fundada pelos romanos em 71 d.C., ela ganhou proeminência quando os Vikings a invadiram e renomearam como Jórvík em 866. Esse era um tempo de tormentos e de guerra constante numa Inglaterra ainda não unificada. Como quem assistiu ao seriado Vikings viu, aqui havia uma meia dúzia de reinos distintos (Mércia,

Punta Arenas, a Patagônia chilena e o Estreito de Magalhães: No extremo sul do Chile

Bem vindos a Punta Arenas, uma das cidades mais meridionais do mundo. Estamos a 53º de latitude sul, o que significa dizer que a Antártida está logo ali, mais próxima que Buenos Aires ou Santiago. Eis a Patagônia, o fim do mundo — e a última região continental da Terra a ser colonizada por humanos, caso você ainda não soubesse. Quem deu o nome "Patagônia" foi o explorador português Fernão de Magalhães, que passou por aqui a serviço da coroa espanhola em 1520, na primeira circumnavegação da Terra. Notem no mapa que há um estreito antes da ponta da América do

Visitando Macau e o legado português na China

O calçamento e as construções portuguesas aqui se misturam ao vermelho e à gente chinesa. Macau é um lugar único — a primeira e a última colônia europeia no leste asiático. Estamos no sudeste da China, aonde em 1513 aportou o português Jorge Álvares. Ele teria sido o primeiro europeu a chegar à China por via marítima, pelo que se tem registro. Em 1557, Portugal obteria da Dinastia Ming o direito de fixar um entreposto comercial permanente aqui na foz do Rio Pérola: Macau. Essa foi a primeira de todas as colônias europeias no leste asiático — séculos antes de Hong Kong,

Uppsala, a cidade mais tradicional da Suécia

Este será um post curto, de uma breve viagem de inverno a Uppsala, provavelmente a cidade mais tradicional da Suécia.  Aqui é desde 1164 a sede do arcebispado primaz da Suécia, e desde 1477 sede da universidade mais antiga do reino. (Sim, porque a Suécia continua a ter um rei.) Cidade universitária, ela, a 70Km ao norte de Estocolmo, continua sendo um nome que evoca tradição e história. Dizem que quando os Vikings cultuavam seus deuses nórdicos, um grande templo a Frey, deus da fertilidade, encontrava-se aqui. Uppsala era o centro comercial e populacional destes Vikings da costa do Mar Báltico, onde

Estocolmo (Suécia) no inverno: Gamla Stan, Skansen, Museu Vaasa, e mais da capital sueca

Eis um gelado e fulgurante entardecer em Estocolmo. Era cedo, umas 4 da tarde no máximo. O sol caía em todo o seu esplendor celeste por detrás da vista para a capital sueca. No chão, mais próximo, congelada estava a água salgada e doce que circunda a cidade por quase todos os lados. Pelo leste, o Mar Báltico. Pelo oeste, o Lago Malar (aportuguesado do nome Mälaren em sueco). Foi no inverno a minha primeira vez em Estocolmo, a capital sueca que nunca esteve muito nos roteiros turísticos, mas que muitos brasileiros têm descoberto mesmo assim. Ela é a maior cidade

Timisoara, a mais elegante das cidades da Romênia

Timisoara bem possivelmente é a mais elegante de todas as cidades romenas. Aqui já não estamos mais na Transilvânia, mas no extremo oeste do país, quase fronteira com a Sérvia e a Hungria (ver mapa abaixo). Continua aquele pano de fundo histórico e arcabouço cultural da Europa Central, que detalhei anteriormente nas cidades transilvânicas (Brasov, Sighisoara, Cluj-Napoca, Sibiu), mas o ambiente de montanhas agora dá lugar às planícies e fazendas que caracterizam esta região de Banat. Eu chegava aqui de Sibiu num trem da madrugada que veio praticamente vazio. Era 1° de janeiro, e poucos pareceram dispostos a se juntar a

Réveillon em Sibiu, Saxões na Romênia e a Transilvânia barroca

Sibiu é possivelmente a cidade mais bonita que eu ainda não conhecia. Fundada no século XII como um entreposto comercial por imigrantes alemães — saxões, para ser mais exato —, Sibiu é um dos grandes centros da Transilvânia e talvez a mais bela cidade na Romênia. O que Sighisoara mostra da Transilvânia medieval dos tempos do Drácula, Sibiu revela da Transilvânia barroca, mais moderna, dos últimos séculos já sob domínio austríaco. Foi também onde eu escolhi passar este último réveillon. Era noite quando eu cheguei aqui, vindo de Cluj. Aquela, porém, ainda não era a noite do réveillon. Eu havia me dado a

Entre a Transilvânia de ontem e hoje na sua capital histórica, Cluj-Napoca (Romênia)

Eis ali no seu cavalo, diante da Catedral de São Miguel Arcanjo, o rei húngaro Matthias Corvinus (1443-1490). Estamos hoje, todavia, na Romênia, numa das cidades de nome mais curioso aonde já fui, Cluj-Napoca — lê-se como se escreve. Cluj, como é mais comumente chamada, foi a capital do Grande Principado da Transilvânia, uma entidade sob a coroa húngara e, mais tarde, austríaca. A cidade, como o restante da região, até hoje guardam aromas e vistas típicas da Europa Central, ainda que a Romênia não faça parte dessa região. Hoje, ela é a segunda maior cidade do país, após a capital Bucareste. Nos

Sighisoara, a pitoresca cidade medieval da Transilvânia onde teria nascido o Drácula

Bem vindos ao interior da Romênia no leste europeu; à Transilvânia, esta terra de natureza e heranças medievais bem conservadas, e que muitos creem nem existir de verdade. Existe, é composta por vales entre as Montanhas dos Cárpatos, colinas verdes, e belas cidades históricas. Delas, Sighisoara é talvez a mais pitoresca de todas. Eu chegava aqui vindo de Brasov, naqueles dias mágicos entre o Natal e o Ano Novo. Um inverno de zero grau pairava no ar, sob um céu nublado e uma névoa que dão certa magia à região. Inevitavelmente, quando se menciona "Transilvânia", quase todo mundo a associa imediatamente ao Conde

Brasov (Transilvânia) no inverno e no Natal

Basta mostrar um castelo e falar "Transilvânia", e os ocidentais imediatamente pensam todos no Drácula. Calma, a Transilvânia tem bem mais que isso, nem é esse lugar macabro que muitos imaginam. Há, sim, uma atmosfera algo soturna, nebulosa, ajudada tanto pela natureza ainda preservada de matas e colinas verdes (ou algo brancas, no caso deste inverno) quanto pelas estruturas medievais pitorescas bem conservadas. Longe de malévolo, o ambiente é bem bonito, bucólico e até romântico.  Por exemplo, celebra-se muito bem o Natal aqui na Transilvânia. Pra quem não sabe, estamos no miolo da Romênia. O país é entrecortado pelos Cárpatos, montanhas

O subestimado centro histórico de Bucareste, Romênia

Voltar à Romênia é sempre divertido. Seu jeito bagunçado, que lembra em certa maneira o Brasil, junto com seu aroma balcânico, lhe dão um tempero especial nem sempre encontrado noutras partes da Europa. Bucareste, sua capital, está longe de ser a mais cotada da Europa. Em verdade, poucos europeus lhe fazem caso — a maioria acha a capital romena horrível, dotada como é com seus prédios cinzentos de inspiração soviética, e quase desprovida da beleza encontrada em outras capitais do leste europeu como Praga ou Budapeste. O que a maioria não se dá conta, contudo, é que Bucareste tem, sim, um centro histórico

Conhecendo a Cidade e o Canal do Panamá

A trovoada caia lá fora enquanto eu tomava uma ducha no meu banheiro com luz azul. Eu estava num bom hotel, o Ramada Plaza, após uma noite no avião. Eu chegara de manhã para ficar apenas até a manhã seguinte — uma breve passagem, a coisa mais típica a se fazer no Panamá. "Vai passar logo", disseram-me na formal recepção sobre a trovoada quando entrei. Um táxi havia me trazido aqui por 30 dólares, o salgado preço fixo para quem vem à Ciudad de Panamá (a capital) do Aeroporto Internacional de Tocumen, o qual às vezes me lembra um shopping de eletrônicos algo melhor

Conhecendo Varsóvia, a capital da Polônia

Varsóvia, embora conhecida de nome por quase todos, pouco figura nos roteiros turísticos dos brasileiros — ou, verdade seja dita, da maioria dos turistas que vêm à Europa. A capital polonesa foi bombardeada e 80% destruída durante a Segunda Guerra Mundial. Quase tudo é novo, do período comunista da Guerra Fria, e talvez por isso falte a Varsóvia a atratividade de outras capitais europeias. Mas isso também joga a seu favor: eu cheguei esperando a mais feia das cidades, e me surpreendi quando vi que não é bem assim. Três horas de trem expresso separam Cracóvia, a irmã mais charmosa, de Varsóvia,

Nowa Huta: “A cidade sem Deus” na Polônia da cortina de ferro

Estamos em 1949, sul da Polônia. A Segunda Guerra acabou. Apesar da destruição, já não há mais gueto judio em Cracóvia, segunda maior cidade do país, e as atividades aterradoras dos invasores alemães no campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau, aqui ao lado, tiveram fim. Um novo tempo estava para ter início na Polônia. Para começar, seu território mudou. O terço leste foi ocupado pela União Soviética durante a guerra e nunca devolvido — hoje fazem parte da Lituânia, da Ucrânia, e da Bielorrússia. Do outro lado, um terço do que é hoje a Polônia era território da Alemanha até

Visitando Auschwitz-Birkenau, o mais famoso campo de concentração nazista

Eu acho novembro um mês lúgubre na Polônia. Nada das belas folhas secas de outono dos bosques do Canadá, ou dos parques de Paris. Na verdade, elas existem na Polônia, mas aqui — a depender de onde você esteja — elas parecem soterradas sob memórias muito mais pesadas que elas. Dias curtos, temperaturas já baixas, e um vento frio anunciando o vindouro inverno. Era assim que estávamos quando saí de Cracóvia, no sul polonês, para visitar as reminiscências do maior campo de concentração e extermínio da Segunda Guerra Mundial: Auschwitz-Birkenau. Embora alemão, ele foi feito em território ocupado dos poloneses, e hoje se encontra

Visitando a fábrica de Oskar Schindler (o da famosa lista) no bairro judeu de Cracóvia, Polônia

Quase todo mundo já ouviu falar em Schindler, no mínimo pelo filme A Lista de Schindler (1993), dirigido por Steven Spielberg e vencedor de sete estatuetas do Oscar. Oskar (não é um trocadilho) Schindler foi um industrialista alemão e membro do partido nazista que, durante a Segunda Guerra Mundial, salvou mais de mil judeus da morte nos campos de extermínio. A forma como ele o fez foi empregando-os na sua fábrica metalúrgica. É interessante como o homem de negócios o faz, inicialmente, apenas por a mão de obra judia ser mais barata (e os judeus que eram considerados "úteis" aos

Cracóvia, Polônia: Conhecendo a histórica capital medieval polonesa

Bem vindos a uma das principais cidades históricas de toda a Europa! Atualmente segunda maior cidade da Polônia (atrás apenas de Varsóvia, a capital), Cracóvia é um encanto. Facilmente a cidade mais turística e quiçá também a mais bela deste que é o maior país do leste europeu. Cracóvia (ou Kraków, que os poloneses pronunciam "Krákuf") data do século VII e foi a capital do Reino da Polônia até 1596. A Polônia não é um país sobre o qual a gente aprenda muito na escola, ainda que haja milhares de brasileiros de sangue polonês. Mas vindo aqui ao país você logo

Templos e legado histórico no Nepal: Bhaktapur, Patan e Changu Narayan

O Nepal nem sempre foi um país unido. Até o século XVIII, havia muitos pequenos reinos vizinhos aqui nesta região dos Himalaias. Perto de Katmandu, que nada mais era que a capital de um daqueles, você tem nada menos que outras três antigas capitais: Bhaktapur, Kirtipur, e Patan (atualmente renomeada Lalitpur, mas ainda conhecida pelo seu nome histórico). Cada uma tem a sua Durbar Square, a sua praça palaciana. Era hora de eu conhecer esse legado histórico nepalês. Passada a nossa manhã de largas caminhadas por entre os terraços de arroz e vales verdes do Nepal, a tarde seria histórica. A

Tbilisi, Geórgia: Das mais charmosas cidades que você (ainda) não conhece

Bem vindos à Geórgia, um país que a maior parte do mundo nem sabe que existe. É capaz de mais gente saber do estado norte-americano homônimo que do país independente e soberano com esse nome. Estamos no Cáucaso, a mesma região onde fica a Armênia, no extremo leste da Europa, naquela rugosa faixa de terra entre a Rússia e o Oriente Médio, por entre o Mar Negro e o Mar Cáspio. (Eu já comentei em outro lugar a discussão sobre os países do Cáucaso serem Europa ou não, mas a convenção mais aceita diz que sim.)  Trata-se de um país do tamanho

Pelo interior da Armênia: Paisagens, mosteiros, e igrejas de pedra

A Armênia é um destino para quem se interessa por História, cultura, e religião — tudo isso envelopado nas paisagens áridas e elevadas aqui do Cáucaso. Poucas vezes eu encontrei no mundo um país tão rugoso, cheio de altos e baixos. Não vi uma gota de chuva que umedecesse estas terras secas, embora sem dúvida chova algo em outras épocas. E vi um povo orgulhoso da sua identidade e muito ciente do seu lugar na História. Não há como falar de Armênia sem falar em Cristianismo — os próprios armênios não deixam. Seria quase como falar de judeus sem falar em judaísmo.

Bem vindos a Erevan, a capital da Armênia

A Armênia é aquele país conhecido (de nome) por muitos, mas visitado por bem poucos. Localizado entre a Turquia e a Rússia na região do Cáucaso, ele está naquele confim da Europa aonde poucos ocidentais vão. Europa? Sim, ou não, a depender da definição de Europa que você usar — mas saiba que este é um assunto precioso e sensível para os armênios, que gostam de se destacar como o primeiro povo a abraçar o cristianismo como religião oficial (em 301 d.C.), e que prefere se identificar culturalmente com os (outros) europeus que com o Oriente Médio muçulmano.  É um país do

Revendo Atenas (Grécia): A Acrópole, o centro, e a Igreja de São Jorge no Monte Lycabettus

Após revistar a Turquia, chegava a vez da Grécia. Lá estava eu mais uma vez entre as oliveiras e as antiquíssimas pedras na Acrópole de Atenas. Os anos haviam se passado desde que eu estive aqui, e você percebe por toda parte o acúmulo de efeitos nocivos da crise financeira. Redução de 25% no tamanho da economia, desemprego de mais 50% entre os jovens, e "medidas de austeridade" que, na prática, deixaram os grandes bancos muito bem, obrigado, mas retalharam as aposentadorias do cidadão médio e os serviços públicos de que muitos dependiam. De quebra, um drama de imigração que assalta

Sille, Turquia: Legado grego bizantino cristão na Anatólia, nos arredores de Konya

Muito antes de os turcos chegarem às terras que hoje chamamos de "Turquia", elas atendiam por nomes diferentes. Em 330 a.C., quando Alexandre o Grande faz a sua grande marcha para o oriente que levaria os seus exércitos até à Índia, adotam-se os nomes — adaptados das línguas e povos já presentes, como os persas — como viriam a ser conhecidos no mundo antigo greco-romano: Capadócia, Lycia, Lydia, entre outros. (Nome de muita gente no Brasil que nem sabe a origem do nome.) Toda essa massa de terra a oriente do Mar Egeu ficou conhecida dos gregos antigos como Anatolé, que significa o

Konya, cidade histórica e coração tradicional da Turquia

Eu tenho amigos liberais de Istambul que não gostam nem da ideia de vir a esses cantos mais interioranos da Turquia. Fazem uma cara e esbugalham os olhos como quem diz "Deus me livre" — ou alguma versão agnóstica da expressão. Como diz um alemão que eu conheci este ano e que trabalha há muito tempo em Istambul: "Istambul não é a Turquia, é uma cidade internacional". Claro que ele está exagerando, mas há um fundo de verdade. Istambul tem estética e sabores turcos — e, inegavelmente, gente turca pra dedéu — mas é um ambiente social bastante distinto: progressista, relativamente liberal,

Konya (Turquia), Rumi e os “dervixes rodopiantes” (whirling dervishes): Na capital mundial do Sufismo

Estamos no interior da Turquia, a uma centena de quilômetros da Capadócia, no coração do planalto da Anatólia, essa península que constitui a maior parte do território turco hoje. Esta é uma das cidades mais antigas e tradicionais de todo o país. Konya é habitada há mais de 5 mil anos, desde 3.000 a.C., passando por muitos povos antigos de que hoje mal se ouve falar, como os cimérios ou os hititas. Alexandre, o Grande, a conquista dos persas em 333 a.C. e o nome grego de Ikonion ganha notoriedade — que se tornaria a Iconium dos romanos. (O engraçado é que o

De Smyrna a Izmir: De volta à Turquia, na primavera

Era uma vez uma antiga cidade grega chamada Smyrna. Estamos na costa do Mar Egeu, mas do lado leste, onde hoje fica a Turquia. A gente às vezes se esquece de que por muitos séculos tudo isso era grego.  De grego antigo, a grego antigo sob domínio de Roma, a grego medieval cristão ortodoxo (bizantino), até a chegada dos turcos otomanos em 1400. Vindos do centro da Ásia, eles tomaram tudo isto aqui e aqui estão até hoje. A gente não estuda isso na escola, mas por séculos deixou de haver uma "Grécia". Os gregos viveram misturados com turcos, búlgaros e

Vladivostok, Rússia: O fim de linha da Ferrovia Trans-Siberiana

Eis Vladivostok, a "São Francisco" da Rússia. O fim de linha da gigante Ferrovia Trans-Siberiana, de mais de 9.200Km. Um lugar que alguns amigos brasileiros achavam que só existia no jogo de tabuleiro WAR, mas que é uma cidade de verdade — e elegante. Eu cheguei a Vladivostok numa manhã nublada, úmida e quente, após um trem noturno desde Khabarovsk. Com a cara de quem dormiu no trem, uma mochila na frente e outra atrás, eu me apressei a tirar uma foto com o marco do fim da ferrovia. É uma foto para se guardar. (Vários asiáticos num grupo tiveram a mesma

Blagoveshchensk: Em meio aos russos na Região de Amur, fronteira com a China

Uma das coisas de que mais me satisfaço na vida é de ter amigos em vários países, de várias culturas. Acho fascinante como os modos, as normas e os costumes variam. E como ao mesmo tempo todos têm traços humanos em comum. Aqui estava eu, no "fim do mundo" no Leste Distante da Rússia para conhecer esse país de ponta a ponta e, de quebra, dar uma passadinha pra dar um "oi" a uma amiga russa daqui e sua família. (Eu sempre alerto os meus amigos estrangeiros que tenham cuidado ao me convidar para visitar suas regiões, porque mesmo se for

Ulan Ude: Bem vindos à República da Buryatia, na Sibéria

Estamos de volta à Rússia, na Sibéria, num recanto que a grande maioria dos ocidentais sequer sabe que existe: a Buryatia. Nesta viagem eu aprendi que a Rússia está longe de ser homogênea, e que guarda muitas culturas regionais que nós ocidentais sequer imaginamos. A primeira vez que ouvi falar da Buryatia foi, curiosamente, numa loja de souvenirs no Canadá. Não, eles não estavam vendendo souvenirs russos por lá. O funcionário da loja ("100% quebequense", nas palavras dele próprio), no entanto, acontecia de ser uma daquelas pessoas de quem você nunca esquece. Era época de Natal na Cidade de Québec, e

Karakorum, a histórica capital da Mongólia na Idade Média (Tour dias 8 e 9)

À 7ª noite do nosso tour, chegamos a Karakorum, a histórica capital medieval dos mongóis. Já havíamos cruzado por dias as estepes da Mongólia na nossa kombi, as paisagens secas do Deserto de Gobi no sul do país, e mesmo as estepes verdejantes banhadas pelo Rio Orkhon na Mongólia Central. Agora era hora de um pouco (mais) de História e cultura neste nosso passeio. O nosso tour de 9 dias se completaria em breve, e estávamos já naquele misto de "o que falta ainda pra ver?" e uma vontade escondida de tomar um banho digno, deitar numa cama macia, e comer

No parque cultural “13th Century”: Visitando a Mongólia do século XIII, dos tempos de Gengis Khan

Foi perto da capital Ulaanbaatar que eu faria uma das visitas mais interessantes durante esta minha estadia na Mongólia. Um "parque" onde você conhece os detalhes de como viviam os mongóis nos tempos medievais do grande conquistador Gengis Khan — ou melhor, como eles o chamam aqui, Chinggis Khan —, no século XIII. O 13th Century, contudo, não é meramente um museu ou parque temático ocidental, nem aqueles lugares onde atores fingem-se de personagens da Idade Média. A coisa aqui é muito mais autêntica. Numa grande área a cerca de 100Km da capital, pavilhões autênticos mostram diferentes aspectos da vida tradicional dos mongóis. As

Bem vindos à Mongólia e ao Gorkhi-Terelj National Park

Eis a Mongólia, um país de tão forte imagem medieval (dos tempos do conquistador Gêngis Khan) que a gente nem lembra que o país ainda existe, e poucos fazem ideia de como ele atualmente é. Estamos na Ásia Central; para nós, das menos conhecidas regiões do mundo. Aqui, os povos das estepes encontram-se espremidos entre as milenares influências chinesa, persa, e muitas outras. Pode parecer estranho falar em "espremido" nestas esparsas terras onde há menos de 2 pessoas por Km², mas cultural e politicamente é assim que os mongóis estão desde que os herdeiros de Gêngis Khan perderam as rédeas. Acompanhem-me aos

Bem vindos a Irkutsk, Sibéria

(Eu ♥ Irkutsk, em russo.) Faz alguns anos desde a primeira vez que eu vi "Irkutsk" no mapa. Lembro-me de — ajudado por esse nome siberiano — imaginar um lugar gélido, polar, um lugar remoto onde poucas pessoas, permanentemente em roupas de frio, viviam isoladas do mundo. Não acho que eu seja o único a ter essas imaginações acerca da Sibéria. Irkutsk talvez fosse assim há 300 anos atrás, mas não mais. A Sibéria, como eu coloquei no post passado, tampouco é permanentemente fria. Tal qual o miolo do Canadá e dos EUA, ela tem o clima continental de invernos muito rigorosos mas também verões

Ekaterimburgo: Divisa entre Europa e Ásia na Rússia, e onde os Romanov foram executados

Ekaterimburgo [às vezes grafada Yekaterimburgo, por causa da forma como os russos pronunciam seu nome] é uma metrópole de mais de 1 milhão de habitantes, e a cidade mais a leste dentre as sedes da Copa de 2018. Estamos duas horas a mais que em Moscou — a Rússia tem nada menos que 11 fusos horários, e aqui minha viagem trans-siberiana finalmente me forçava a mudar o relógio. Estamos no miolo da Rússia, onde Europa e Ásia se encontram. Isto é, onde por convenção histórica se definiu distinguir Europa e Ásia na grande massa de terra que é a Eurásia. Os nomes "Europa" e

Kazan, a bela capital da República do Tatarstão, na Rússia

Bem vindos à República do Tatarstão, na Rússia! Eu sei, a cabeça de muita gente deve ter dado um nó: Como assim "República do Tatarstão" e ao mesmo tempo "na Rússia"? Simples: a Rússia é repleta de repúblicas não-soberanas mas que tem certa autonomia. Aqui, ao contrário do Brasil, nem todas as unidades da federação gozam do mesmo grau de autonomia. A Rússia possui "territórios" (krai), "províncias" (oblasts), e repúblicas — dentre outras categorias. As repúblicas são 22 das 85 unidades da federação que a Rússia tem, e são as mais autônomas de todas. Geralmente, representam áreas de maioria étnica não-russa, como

A famosa Galeria Estatal Tretyakov de Moscou em 15 fotos

Pouco conhecida dos brasileiros, ela é o museu mais visitado de Moscou e o maior repositório de arte russa no mundo. A Galeria Estatal Tretyakov, estabelecida em 1856, abriga nada menos que 130 mil itens, entre esculturas e pinturas russas. Tudo começou no século XIX como uma coleção pessoal do mercador moscovita Peter Tretyakov, até se tornar um museu nacional. Para quem gosta de arte, a visita é mais do que indicada. Há arte sacra, retratos dos monarcas russos, e vistas interessantíssimas de como Moscou e São Petersburgo eram séculos atrás. Eu confesso a minha ignorância e que só vim descobri-la

De volta a Moscou (Rússia), quatro anos depois

Estamos de volta em Moscou. Moscou não são só o Kremlin e a Praça Vermelha, ao contrário do que as agências de viagem e a mídia nos fazem crer. Esse largo rio na foto por exemplo, o Rio Moscova, passa bem no centro da cidade. Eu vim aqui duas vezes antes, relatos que você verifica aqui e aqui, ou mais amplamente na minha lista de postagens sobre a Rússia. Eu desta vez chegava de uma noite mal-dormida no Aeroporto Liszt Ferenc (em homenagem ao compositor clássico, que era húngaro), de Budapeste, em um voo na madrugada até o Aeroporto Vnukovo (um dos

Szentendre, Hungria: A charmosa cidadezinha às margens do Rio Danúbio

Budapeste se tornou uma das mais visitadas cidades da Europa, mas pouca gente que vem à Hungria ainda vai além dela. A capital húngara pode ser linda, mas não é a única beleza que o país tem. Uma opção que visitei recentemente — da qual eu, confesso, nunca havia ouvido falar até um húngaro me recomendar — é Szentendre (lê-se SENnten-dré, e quer dizer Santo André mesmo), uma fofa cidadezinha a 40min de trem da capital. Eu vim aqui num dia chuvoso com amigos, e mesmo o cinza não foi capaz de tirar as cores da cidade. Sanctus Andreas é mencionada pela primeira vez

Budapeste (Hungria), das mais belas capitais da Europa

Budapeste e eu temos uma amizade colorida. Surgiu há anos atrás, quando eu vim pra cá pela primeira vez. Eu, que até então quase nada havia ouvido dela, me surpreendi com a sua beleza, elegância, assim como com a vida na cidade. Se outras cidades de grande porte na Europa (como Paris ou Viena) me parecem voltadas para o passado, vivendo de nostalgia, Budapeste me passa a sensação de uma cidade muito atual. Por mais que também tenha seus séculos de História como lastro, ela me parece ter uma animação pulsante muito viva e contemporânea, que as outras nem sempre

Visitando Roterdã (Holanda), cidade de Erasmo e arrojada arquitetura

"Roterdã ganha dinheiro, Amsterdã gasta dinheiro", é o que muita gente repete por aqui. Roterdã é a segunda maior cidade da Holanda, e um dos maiores e mais movimentados portos do mundo (o de maior tráfego no Ocidente). Na desembocadura do Rio Reno, um dos principais da Europa, ela fica numa localização estratégica, e foi prontamente bombardeada pelos nazistas em 1940 quando a Alemanha invade a Holanda. A consequência vê-se hoje: esqueça o casario bonitinho encontrado em Amsterdã, Haarlem, Delft, Gouda e tantas outras cidades holandesas. Roterdã esboça uma arquitetura arrojada, moderna, e que divide opiniões. Adiantemos a fita em alguns anos,

Utrecht, conhecendo esta histórica cidade holandesa

Das várias cidades holandesas, talvez aquela ao mesmo tempo mais histórica e menos turística seja Utrecht. Cidade da mais movimentada estação de trem da Holanda (por estar no centro do país), Utrecht é uma cidade simpática, com belos e tranquilos canais (sem turistas!), a mais alta igreja do país, e quilates de História que data desde os romanos. A 20min de trem desde Amsterdã, ela é a morada de muitos que trabalham na capital holandesa, e também um lugar legal de se visitar por uma tarde ou um dia. Utrecht foi uma das fronteiras do Império Romano nestas terras germânicas do

Muiden e Pampus: Entre castelos e fortalezas na Holanda

Estar na Holanda é estar sempre perto de água — quem já visitou, sabe disso. Mas poucos sabem que houve uma época (não muito tempo atrás) em que este Reino dos Países Baixos quis usar seu relevo e sua susceptibilidade a enchentes como arma de defesa em guerras. Se você acha que já viu tudo em Amsterdã e arredores, ou quer algo menos turístico que o popular museu aberto de Zaanse Schans, considere uma visita a Muiden. Este vilarejo a 5 Km da capital holandesa é autêntico e tranquilo, conta com um castelo medieval bem conservado, e você de quebra pode conhecer

Haia e a Mauritshuis na Holanda: Maurício de Nassau e a Moça com Brinco de Pérola

Haia é aquela cidade que todos os mais antenados sabem que existe (em grande medida devido à sua Corte Internacional de Justiça), mas que pouco figura nos mapas da maior parte dos turistas brasileiros. Admitamos: Haia não é assim uma cidade turística por excelência. Sede do governo holandês, ela é muito mais uma cidade burocrática e administrativa que qualquer outra coisa. Ainda assim, não deixa de ter o seu charme e algumas atrações dignas de nota — como a Casa de Maurício de Nassau (Mauritshuis), hoje um belo museu que detém as mais antigas pinturas europeias de paisagens brasileiras. Perdi a conta do

Amsterdã (Holanda), a cidade mais pitoresca do mundo

Cada um tem a sua menina dos olhos: a minha é Amsterdã. Ainda que a minha lista de cidades favoritas inclua várias outras, até mesmo algumas mais próximas do meu coração, pra mim é Amsterdã a mais bonita e mais pitoresca de todas. Se não fosse clichê, eu diria que ela é um grande museu a céu aberto. A capital holandesa, povoado medieval das margens do Rio Amstel (Amstel + dam, de "represa no rio Amstel", para daí Amsterdam) que emergiu como cidade nos idos de 1300, é uma metrópole europeia sui generis com suas centenas de canais e pontes por

Taiti adentro: De Papeete às montanhas desta ilha vulcânica da Polinésia Francesa

O Taiti não é só mar, é também terra. Nestas ilhas, crescem matas, há montanhas, flores e caminhos interessantes pouco explorados. Aqui havia muita gente, mas a grande maioria — como em outros países da Oceania — morreu vítima das doenças trazidas pelos navegadores europeus e para as quais não tinham imunidade. Se os interiores das ilhas eram outrora habitados por muitas tribos, hoje a população se concentra quase que exclusivamente nos arredores das ilhas; no meio, restaram as montanhas, as florestas, e as ruínas ainda nunca escavadas do que eram as civilizações "pré-europeus" do Pacífico. Eu havia pernoitado na cidade

Taiti, Polinésia Francesa: Terra de dança, flores, e pérolas negras

O Taiti sempre foi pra mim um lugar de sonhos, um lugar quase mítico, fantástico, tão remoto que quase inalcançável. Não é pra menos: o Taiti, essa terra tropical de flores, sol e dançarinas atraentes, está no meio do Pacífico, o oceano maior do mundo, a milhares de quilômetros de qualquer continente. Eu cria que, aqui, você se sentia isolado do restante do mundo. O Taiti hoje faz parte da Polinésia Francesa, um amplo conjunto de vários arquipélagos que são, oficialmente, território francês. Claro, não foi sempre assim; é só em 1880, com os poderes europeus e norte-americano conquistando o Pacífico,

Nova Caledônia, departamento francês no Oceano Pacífico: Histórias de uma colônia do século XXI

(Este é um post longo. Eu poderia tê-lo fragmentado, mas optei por preservar o todo.) Parece até a Catedral de Notre-Dame à beira-mar. Estamos na Nova Caledônia, um departamento ultramarino francês bastante longínquo da "metrópole", como eles ainda chamam. Às vezes nem parece que estamos no século XXI. Até aqui vocês me acompanharam por nações independentes na Oceania, países onde há uma certa precariedade material, grande presença de australianos e neozelandeses (tanto turistas quanto missionários vindo ganhar almas para suas igrejas fundamentalistas), e dominância do inglês como segunda língua. Já nas posses da França na Oceania — que ela nunca libertou — a banda toca

Bem vindos às antigas “Novas Hébridas”, hoje Vanuatu, e sua capital Port Vila

Era uma vez um lugar onde, diz a lenda, todo dia de manhã alguém media no mastro se a bandeira britânica estava exatamente à mesma altura da francesa; nem a mais, nem a menos. Os franceses e ingleses chamaram isso aqui de condominium (co-domínio); os nativos preferiram apelidar de pandemonium. Estamos nas ilhas que eram chamadas de Novas Hébridas, hoje a nação soberana de Vanuatu, no Oceano Pacífico, Oceania. Estamos a 2h de avião a nordeste da Austrália. Depois de passar por Samoa e Fiji na vizinhança, foi pra cá que eu vim. Vanuatu, como Fiji, faz parte da Melanésia, então as

Conhecendo o povo Maori e a sua cultura tradicional em Rotorua, Nova Zelândia

Os Maori são um povo amável, ainda que guerreiro. Guerreiros amáveis. Antes, no entanto, de relatar o que vi, permitam-me um breve prólogo sobre a Polinésia, à qual eles pertencem, pois quase nada aprendemos sobre ela no Brasil. Prólogo: A Polinésia A Polinésia, e não a Ásia, é a região mais a oriente no mundo — assim como também a mais a ocidente. Ela tem os primeiros fusos horários e os últimos. A Linha Internacional da Data, que se convencionou traçar sobre o Oceano Pacífico (aqueles fins do mapa que você tem na parede, uma mera convenção no globo terrestre), passa exatamente

O “Memorial da Guerra” em Seul e a divisão Norte-Sul da Coreia hoje

O Memorial da Guerra da Coreia é a atração mais popular de Seul — e, de fato, de todo o país. Não é à toa. Pouco comentada no Brasil (pela nossa distância geográfica e histórica), a Guerra da Coreia nos anos 1950 foi um dos eventos mais importantes do século XX, e a razão pela qual ainda há duas Coreias hoje.  Em Seul, gratuitamente, você pode visitar um lindo e moderno memorial — na prática, um museu — dedicado a explicar os ocorridos. Tudo é segundo a versão da Coreia do Sul, é claro. Ainda que ninguém em sã consciência defenda a louca

Impressões em Tirana, a capital da Albânia: Tradições, comidas, Bunk’art e Enver Hoxha, o discípulo de Stálin

No caminho de volta de Berat a Tirana eu conheci Keisi, uma albanesa de seus 20 anos que se sentou ao meu lado no ônibus. Estudava biologia num caderno e eu, como biólogo, não resisti e puxei conversa. Ela voltava de uma visita de fim de semana aos pais no interior, e retornava agora à capital, onde cursa odontologia. "Nós os albaneses somos conhecidos por três coisas: pela hospitalidade; por termos a cabeça aberta em relação a cor, raça e religião; e por sermos fofoqueiros", disse-me ela quando a conversa já ia além da biologia. Os albaneses às vezes podem parecer taciturnos ou

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