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De volta a Santorini, a mais visitada das ilhas gregas

De todas as mui famosas ilhas gregas, marcadas por suas casinhas brancas circundadas de mar impassivelmente azul, a mais visitada é Santorini. É pitoresca ao extremo, do que acho que os convenci no meu post anterior aqui, Santorini, a rainha das ilhas gregas.  Agora, alguns anos depois, era hora de revê-la. Este é um post curto, de um breve reencontro. É difícil falar de Santorini. As fotos parecem fazer um serviço muito melhor em mostrar-lhes a beleza e as vistas a que me refiro. O que posso dizer é que desta vez cheguei de avião em vez de ferry, vindo de Atenas. George, o

De Smyrna a Izmir: De volta à Turquia, na primavera

Era uma vez uma antiga cidade grega chamada Smyrna. Estamos na costa do Mar Egeu, mas do lado leste, onde hoje fica a Turquia. A gente às vezes se esquece de que por muitos séculos tudo isso era grego.  De grego antigo, a grego antigo sob domínio de Roma, a grego medieval cristão ortodoxo (bizantino), até a chegada dos turcos otomanos em 1400. Vindos do centro da Ásia, eles tomaram tudo isto aqui e aqui estão até hoje. A gente não estuda isso na escola, mas por séculos deixou de haver uma "Grécia". Os gregos viveram misturados com turcos, búlgaros e

Kyrenia (ou Girne) e o Chipre do Norte

Girne (como a chamam os turcos) ou Kyrenia (como a chamam os gregos) é uma cidade no norte de Chipre. A cidade fica inteiramente no território independente do Chipre do Norte, uma república auto-proclamada e só reconhecida pela Turquia. Na prática, é um outro país. Nicosia, a capital para ambos os Chipres, segue dividida à là Berlim na época do muro (vê-la aqui no post anterior). Já Girne é integralmente turca, de modo que você teria dificuldade em perceber que está num país que não é a Turquia. (Mais sobre a divisão entre os países no meu post de estreia em Chipre,

Nicosia (Chipre), a capital dividida à là Berlim: lado grego, lado turco

Bem vindos a Nicosia, a última capital dividida do mundo. Sim, porque as Coreias há muito tempo já não dividem uma capital. Chipre, no entanto, tem a sua capital dividida desde 1974, quando separatistas falantes de grego tentaram anexar o país à Grécia e a Turquia interveio militarmente em defesa dos cipriotas que falam turco, e que hoje vivem na região norte da ilha. (Mais detalhes sobre isso, no post anterior.) Aqui, embora não haja exatamente um muro como em Berlim, há toda uma seção da cidade que está abandonada, as próprias construções servindo de barreira entre um lado e outro. No

Larnaca, Chipre: Veraneio europeu, Páscoa ortodoxa grega, e o túmulo de Lázaro

Bem vindos a este outro país que fala grego mas não é a Grécia: Chipre. A maioria de nós já ouviu falar dele em alguma remota aula de História, mas muitos sequer sabem que ele hoje é um país independente e membro da União Europeia.  Chipre é uma ilha no leste do Mar Mediterrâneo, próximo do Líbano, de Israel e do sul da Turquia, e que desde a Antiguidade é habitada pelos gregos. Ao longo do tempo, contudo, as populações se misturaram. (A ideia de que cada país pertence a um só povo é uma invenção recente chamada "nacionalismo", concebida no século XIX.) De 1570

Visitando Byblos (Líbano), a antiga cidade dos cruzados

Byblos, no Líbano, é um dos mais antigos sítios continuamente habitados no mundo. Estima-se que desde 5000 a.C. há povoamentos humanos aqui. Imagina-se que ao longo do segundo milênio antes de Cristo este lugar tenha sido uma colônia e ao mesmo tempo um entreposto comercial dos egípcios antigos. Quando por volta de 1200 a.C. o Egito se enfraquece é que o povo daqui, que os gregos chamariam de fenícios, emergem como uma potência marítima. Byblos, assim como Tiro, Sidon e outras cidades antigas, eram centros comerciais dos fenícios, que percorriam o Mar Mediterrâneo em toda a sua inteireza (até a Espanha!) estabelecendo

As cavernas de Jeita Grotto e a colina de Nossa Senhora do Líbano em Harissa

"E no mar e no céu — a imensidade!", notou o poeta Castro Alves em Navio Negreiro. Tivesse ele morado no Líbano do século XXI, teria notado também a imensa poluição entre o céu e o mar. Apesar dos pesares ambientais daqui, a colina da Nossa Senhora do Líbano em Harissa, povoado próximo à cidade libanesa de Jounieh, foi das melhores vistas que tive durante a minha estadia no país. Você sobe num bondinho panorâmico seguido de um plano inclinado para chegar nessas alturas. As vistas são lindas. Este foi um dia modestamente aventuresco, venturando-me fora de Beirute para conhecer as demais coisas do

Alexandria (Egito) hoje: A nova biblioteca alexandrina e a “outra” Santa Sé, de São Marcos

A Biblioteca de Alexandria, o Farol de Alexandria... Eu nunca vi uma cidade ser tão famosa nos livros de História e tão esquecida na atualidade quanto Alexandria. A maioria dos ocidentais parece pensar que Alexandria não existe mais, que ficou para trás já há muitos séculos. Ledo engano. Alexandria hoje é a segunda maior cidade do Egito, com quase cinco milhões de habitantes, e continua sendo belamente banhada pelo Mar Mediterrâneo no norte do Egito do mesmo jeito que era antigamente. São apenas 2-3h de trem desde o Cairo, a depender do tipo de trem que você tomar. Alexandria merece ao menos um day tour, um bate-e-volta, mas

Sidi Bou Said (Tunísia): Às margens do Mar Mediterrâneo, no lado africano

No dia seguinte à minha ida às ruínas de Cartago, eu voltaria a tomar o trem metropolitano TGM na mesma direção, desta vez para ir a Sidi Bou Said, um vilarejo um tanto pitoresco na beira-mar tunisiana. Eu queria conhecer o Mar Mediterrâneo neste lado de cá, da África. Sidi Bou Said fica no fim de linha do TGM, a uns 40 minutos da capital Túnis. É um vilarejo todo em azul e branco, como as ilhas gregas, mas neste caso com casinhas tradicionais árabes do século passado. As casinhas se parecem com aquelas de bairro de cidade do interior. Há ruelas de calçamento em pedra,

Visitando as ruínas da antiga Cartago, no norte da África

Carthago delenda est ["Cartago deve ser destruída"], é como o senador romano Catão, o velho (234-149 a.C.), concluía todos os seus discursos à tribuna, não importando o assunto. Era um durão. Foi historiador também, e escreveu a primeira História da província romana da Italia. Era crítico às influências gregas na República Romana (ela só se torna Império quando Júlio César dá um golpe militar um século mais tarde.) O norte da África havia por séculos sido domínio dos cartagineses, assim chamados devido à sua grande cidade-estado, Cartago. Ela ficava aqui onde hoje é a Tunísia, ao sul da Itália. Grandes navegadores, os cartagineses

O Museu Bardo e os mosaicos romanos mais lindos do mundo, na Tunísia

Você aí nem sabia que os romanos tinham artes visuais além de esculturas, ou que faziam mosaicos. Faziam, e faziam muitos. Mosaicos são aqueles ladrilhos coloridos que formam imagens, e que os romanos usavam como decoração em suas casas nas paredes, no chão e/ou no teto. Quase sempre tinham motivos épicos da mitologia greco-romana.  O maior legado de mosaicos dessa Antiguidade romana está hoje na Tunísia, aqui no norte da África. A gente tende erroneamente a associar os reinos e impérios de outrora com as fronteiras dos países atuais, mas isso é uma falácia. O Império Romano era muito mais do

Uma Espanha autêntica: Valencia, a cidade da paella

Valencia mostra uma Espanha autêntica. Pouco turística, a cidade que inventou o prato espanhol mais famoso do mundo se foca em si mesma. Esqueça as hordas de turistas. Valencia é uma cidade movimentada, mas movimentada por espanhóis. Graffiti nas ruas dividindo espaço com igrejas mui católicas, cafés servindo café con leche, e pernas de porco dependuradas nos bares — tudo à moda espanhola. O toque regional é dado pelas coisas escritas em valenciano nas ruas. Como capital da Comunidad Valenciana (uma das 17 "comunidades autônomas" que compõem a Espanha), Valencia é próxima de Barcelona, capital da vizinha Catalunha. Ambas eram parte do reino medieval de Aragão.

Coisas de Barcelona: Sagrada Família, obras de Gaudí, e noites na rua

Barcelona tornou-se uma das sensações da Europa (e do mundo) nos últimos tempos. Uma cidade descolada, animada, e muito diferente do espírito monarquista da Espanha. Aliás, uma cidade diferente de toda aquela Europa tradicional. Barcelona representa a nova Europa: da União Europeia, do multiculturalismo liberal, e dos jovens festeiros que não querem nada com o conservadorismo da Europa de outras eras que você costuma imaginar. Eu cheguei a Barcelona para o início do que seria uma jornada solitária de 4 meses, uma volta ao mundo que me levaria daqui ao norte da África, ao Oriente Médio, a países da Ásia ainda

Stromboli e as Ilhas Eólias, no sul da Itália

O sul da Itália tende a ser tão associado à máfia que poucas pessoas no Brasil sabem do seu lado romântico e aconchegante. Poucos de nós vêm à Itália e visitam suas ilhas, mas são muitas delas aqui, um pouco similares às gregas, tipicamente mediterrâneas, e com um aroma italiano. 
De Taormina, facilmente organizam-se tours de barco pelas chamadas Ilhas Eólias, um pequenino arquipélago ao norte da Sicília. É pra quem busca tranquilidade e lindas vistas do mar. 
Pra quem gosta de aventura — e de mitologia grega — vale fazer um passeio específico ao entardecer ao redor do vulcão de Stromboli, uma das ilhas. Ele

Taormina e o Monte Etna, na Sicília

Estamos em Taormina, provavelmente o lugar mais cobiçado de toda a Sicília. Cá nas alturas à sombra do Monte Etna, entre o indomável vulcão e este belo mar, temos um agradável vilarejo italiano (pra lá de turístico) onde as pessoas vêm experimentar um pouco da dolce vita. 
As vistas são estonteantes. O charme do vilarejo é aquele clássico do interior italiano. E a comida, você vai precisar driblar uns horríveis lugares pega-turista, mas é possível achar delícias maravilhosas. Só recalibre um pouco o orçamento, pois sendo tão turística, as coisas aqui em Taormina são um tanto mais caras que noutras partes

A Sicília! Bem vindos a Siracusa, no extremo sul da Itália.

Bem vindos à Sicília, o ápice da Itália! Acontece de albergar o mais alto pico italiano (o Monte Etna, vulcão de 3.329m), mas não é a isso que me refiro. Refiro-me àquelas muitas coisas que nos remontam à Itália — arte, antiguidade, delícias gastronômicas, gente passional, e um pouquinho de máfia. Tudo isso se acha elevado ao quadrado aqui na Sicília. Perguntei-me porque o turismo brasileiro inclui tão raramente a Sicília. A resposta só pôde ser a sua localização geográfica, cá no extremo sul da Europa, e os brasileiros sempre tentam aproveitar pra ver várias cidades de interesse ao mesmo tempo. É compreensível,

Málaga e um panorama geral do sul da Espanha, a Andaluzia

O sul da Espanha é a minha região favorita do país. A maior parte dos turistas brasileiros se limita a visitar Madrid e Barcelona (às vezes, Zaragoza e Bilbao a caminho da França), mas a Andaluzia pra mim reserva dos elementos mais interessantes da Espanha. 
Aqui é a terra do flamenco, de cidades medievais lindas como Granada e Sevilha, e da presença mais pronunciada de toda a herança moura no país. (Para os que perderam essa aula de História, a Península Ibérica foi tomada pelos árabes, com exércitos também de berberes [nativos do norte da África], no ano 711 e teve reinos muçulmanos

Dubrovnik (Croácia), uma das mais belas cidades da Europa

Parece computação gráfica, mas é real. A cidade da antiga república independente de Ragusa hoje se chama Dubrovnik, cidade croata na costa do Mar Adriático. Aqui se filmam episódios da série Game of Thrones (as cenas da capital fictícia de King's Landing). Mas mesmo se você não assiste à série, verá por que a cidade é utilizada como cenário de fantasia medievalesca. 
Dubrovnik é uma cidade linda, épica. Atrai turistas como formigas, sobretudo no verão, e ao chegar aqui você entende o porquê. Antes de vir eu estava meio intimidado, tanto pelos preços altos (nível Paris, Amsterdã) quanto pelo enxame de gente

Veraneio nas ilhas e costa da Croácia: Hvar, Trogir e mais

Esta é a vista de um restaurante numa das centenas de ilhas na costa da Croácia. As vistas aqui são de acalentar o coração. É verão na Europa, e com ele milhares de turistas vêm visitar os litorais quentes do sul do continente. Portugal, Espanha, França e Itália fizeram fama no século passado com tradicionais destinos badalados por celebridades (Ibiza, Cannes, entre outros). Hoje, no entanto, digo que a costa mais popular e "revelação" neste século XXI na Europa é, sem dúvidas, a da Croácia. 
Membro da antiga Iugoslávia no leste europeu (junto com Sérvia, Bósnia, Eslovênia, Montenegro, Kosovo e Macedônia), a Croácia

Split, Croácia: Beleza e legado romano na Dalmácia

Você sabe o que é um dálmata, mas provavelmente nunca se perguntou de onde vem o nome. Pois bem, dálmata é algo ou alguém originário da Dalmácia, até raça de cachorro. O nome foi dado pelos romanos à província que hoje é o sul da Croácia. É o que fica a leste da Itália, do outro lado do Mar Adriático. Estes antigos domínios romanos guardam ainda edificações da antiguidade e talvez o melhor preservado palácio romano do mundo, o Palácio de Diocleciano, do século IV, aqui em Split. (E você aí imaginando que todas as ruínas romanas ficavam na Itália, hein?) 
Split, como

Sorrento, bela cidadezinha costeira no sul da Itália

Sul da Itália. Costa Sorrentina e Costa Amalfitana, das áreas de resort mais tradicionais de toda a Europa. A poucas horas de Nápoles, não faltam aqui mansões nas encostas, vinhedos, plantações costeiras de limoeiros para fabricação do licor tradicional aqui da região da Campânia, o limoncello — e, é claro, não faltam também belas vistas pra o mar. Sorrento é uma das mais famosas dentre outras cidadezinhas que pontuam esta parte da Itália, como Amalfi, Positano, e a ilha de Capri. 
Se você não conhece a famosíssima canção napolitana Torna a Surriento, é hora de preencher esta lacuna. A canção é de 1902, e

Nápoles, onde a pizza surgiu

(Este é um post longo. Nápoles é repleta de coisas a notar.) Nápoles (ou Napoli, se você preferir a grafia italiana), terra onde surgiu a pizza. Uma cidade de quilate histórico e a maior metrópole do sul da Itália, onde as tradições estão ainda mais arraigadas — inclusive as da famiglia e da máfia. Se por um lado Nápoles é talvez a cidade mais suja e perigosa da Itália (quiçá de toda a Europa), por outro lado aqui se come e bebe muito bem, as pessoas são mais calorosas que no norte da Itália, e há lindas vistas, seja para os prédios antigos, seja

Pelas cidades históricas de Rabat e Mdina, a conhecer as origens árabes de Malta

Eu comecei a estranhar quando esbarrei em várias das 10 palavras — ou menos — que eu conheço em árabe. Dar (casa), medina (mercado), rabat (lugar fortificado), entre outras. Malta é extremamente católica — a ponto de, dizem as más línguas, a igreja até hoje se meter nos afazeres do governo. As igrejas badalam a Ave Maria várias vezes ao dia, e imagens de santos estão por toda parte nas cidades, inclusive ao lado de fora das casas, nas ruas. Perguntei sobre o idioma maltês, ainda usado aqui, e me diziam ser oriundo do fenício. Há uma pobreza imensa de referências à História do arquipélago antes

Malta: Um dia em pleno Gozo e na Laguna Azul de Comino

Todos entramos em Antônia para chegar a Gozo. Chegar lá pode ser meio turbulento, cheio de sacolejos, movimento, mas ao chegar a sensação é de grande tranquilidade. Gozo é extremamente agradável. 
Calma, antes que pensem que eu comecei a escrever contos pornô em vez de crônicas de viagem. Gozo é a segunda maior ilha do arquipélago de Malta, associada à mítica ilha de Ogygia (não confundir com orgia) onde a ninfa Calypso teria seduzido e mantido Odisseu cativo por alguns anos em sua Odisséia pra casa (ele foi liberado depois). Hoje vivem aqui 37 mil gozitanos — como se chamam os habitantes daqui, orgulhosos da sua

Valletta, Caravaggio e a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários em Malta

Valleta, a capital de Malta, funciona como seu bairro histórico e administrativo. São ruelas perpendiculares e paralelas onde só passa um carro, ou só pedestres. Toda ela é tombada como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1980. São muitas igrejas, museus, e fortificações antigas, além do casario. Malta participou ativamente do Renascimento italiano, foi dos bastiões do estilo barroco, e inclusive hospedou Caravaggio uns anos — quando o pintor italiano andou se metendo com as mulheres erradas, fugiu pra cá, e entrou até pra a ordem dos cavaleiros da ilha (mais a seguir). 
Tudo começou em 1530, com a chegada da Ordem dos Cavaleiros

Bem vindos a Malta: Chegando e Ambientando-se

Malta está no imaginário de todos, uma referência que poucos brasileiros sabem de onde vem. Cruz de Malta, cachorro maltês, entre outros, e muita gente sequer sabe que Malta é um país independente, membro da União Europeia (desde 2004), e que fala o seu próprio idioma, o maltês. Onde fica? Ao sul da Itália, no caminho para a Líbia, caminho que muitos refugiados africanos hoje fazem em reverso, buscando vida melhor na Europa. Foi essa curiosidade que me trouxe aqui após deixar as praias da Romênia (aqui) neste verão. Conheceria um cantinho menos conhecido da Europa. 
Já no aeroporto, hospitalidade maltesa. Nunca

Em Veneza: Canais, labirintos, boa comida e hotéis de luxo

É Natal. Na ausência da família, resolvi viajar — estar com a minha família global, aquela sensação de "estar por aí", sem conhecer ninguém, mas onde qualquer um pode de repente se tornar seu mais novo amigo. Mas eu não estava sozinho. A meta era passar o Natal com minha amiga Filiz (sim, eu estou ciente do trocadilho). Após deixar Luxemburgo, nos encontramos então em Milão para o Filiz Natal em Veneza. Lá eu também encontraria amigos venezianos pra ao menos jantarmos no dia 25, mas não esperem um post muito natalino. Filiz, sendo turca, nem Natal celebra, e a cidade não oferece

Samos, a ilha natal de Pitágoras (e indo de ferry da Grécia à Turquia)

Naquele dia em que visitei a caverna ainda dei umas voltas em Patmos. Aproveitei para checar uns souvenirs (encontrei cópias do Livro do Apocalipse em não sei quantas línguas), e ver um pouco mais da ilha. É um lugar pacato, diferente de Santorini e das ilhas mais movimentadas. Aqui a maior parte dos visitantes são fieis fazendo turismo religioso (principalmente italianos), mas em outubro a alta estação já havia acabado. 
Falando nisso, programem-se para vir à Grécia assim em final de estação (setembro-outubro), pois os preços caem todos pela metade. Em maio, junho e julho é tudo o olho da cara

A Caverna do Apocalipse na Ilha de Patmos

"Eu, João, vosso irmão e companheiro nas tribulações, na realeza e na paciência em união com Jesus, estava na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Num domingo, fui arrebatado em êxtase, e ouvi, por trás de mim, voz forte como de trombeta" (Apocalipse, 1: 9-10) Não era domingo, mas já eram 22h quando eu me encontrei no ferry saído de Syros. Era daqueles grandes, que levam carros, e novamente eu não tinha lugar de dormir. Circulei pelos corredores, havia restaurantes e tal, vesti o casaco e me deitei num pranchado de madeira no

Syros: tranquilidade numa ilha grega quase sem turistas

Terminada a minha estadia em Santorini, era hora de conhecer ilhas menos turísticas da Grécia. Hora de ver que nem todas as ilhas gregas são sinônimos de casinhas brancas contrastando com o mar azul. Há outras belezas no país. Eu rumava agora para a ilha de Syros, relativamente muito pouco visitada por turistas, e dali seguiria a Patmos (onde, segundo a tradição, João escreveu o Livro do Apocalipse, da Bíblia), e terminaria esta estadia na Grécia com Samos, a ilha onde o filósofo Pitágoras nasceu, antes de rumar à vizinha Turquia. Eu cheguei a Syros já nos meados da tarde, vindo de Santorini

Santorini, a rainha das ilhas gregas

Pense na Grécia. Se você não imaginou ruínas da Antiguidade (ou a crise econômica), o mais provável é que tenha pensado em casinhas brancas junto ao mar azul. Pois é, isso é Santorini. Santorini é talvez a mais clássica das ilhas gregas, aquela aonde você não pode deixar de ir. Muita gente pensa que todas as ilhas gregas têm esse jeitinho de casas brancas e telhados azuis, mas esse não é o caso. Apenas este grupo de ilhas, as chamadas Cíclades,  entre Atenas e Creta aqui no Mar Egeu, é que tem essa estética. E Santorini é a "rainha" delas, aquela aonde

A Ilha de Creta (Parte 3): Mar, praia e montanhas na Grécia (com surpresas)

Era manhã do meu dia final em Creta, após a chegada em Chania e um breve bordejo em Rethymno. O sol levantou-se cedo, como sempre nestas terras, pra mais um dia de calor sem nuvens. Hoje iríamos à praia: eu, minha amiga, e a mãe dela. Enquanto eu as esperava, Seu Stéphano, pai da minha amiga, me chamou. Como eu disse, ele é um sujeito simples, daqueles que gosta de um futebolzinho... e que faz uma fezinha na loto de vez em quando. Me chamou pra ajudar no bolão do jornal, prevendo resultados de jogos da semana de campeonatos europeus e, pasmem,

A Ilha de Creta (Parte 2): Ruas de Rethymno, o café grego, e almoço em família

Essa é a vista "básica" pela janela do ônibus, de Chania a Rethymno, numa manhã na Ilha de Creta. No final daquela mesma manhã em que cheguei a Chania, meu ônibus chegou a Rethymno [RÉ-thymno], uma cidade maior, do oeste de Creta, a 1h de distância de Chania. Lá um almoço em família já me aguardava — não da minha própria família, mas quem viaja sempre tem muitas famílias. 
Rethymno, como muitas cidades gregas, é aquela mistura de asfalto e pedra, aquelas pedras cor de areia que reluzem sob o sol e doem a vista. O suor já me descia pelas têmporas quando saí da rodoviária

A Ilha de Creta (Parte 1): Chegando a Chania com o ferry noturno de Piraeus

Chegada era a hora de zarpar pelas famosas ilhas gregas. Passadas Atenas, o interior montanhoso da Grécia, e as ruínas do Oráculo de Delfos, a minha próxima parada era a Ilha de Creta. Talvez a mais famosa de todas as ilhas gregas — e de longe a maior delas. Fica lá bem no sul da Grécia, e é a terra mais ao sul em toda a Europa (mapa abaixo). De Atenas a Creta é uma noite no navio. Acreditem: primeira vez que eu viajo de navio. Já estava na hora mesmo de incluir esse meio de transporte no meu currículo. Fui ao

Atenas, Grécia

É começo de outono aqui na Europa. Deixei 13 graus em Amsterdã, e 31 me aguardavam em Atenas. Era chegada finalmente a hora de conhecer a Grécia. Do avião já se vê o mar azul da Grécia. E não é que é azul mesmo? E bota azul nisso. Chega dói. Não me perguntem o porquê; deve ser alguma mistura da química da água com, talvez, o fato de que o céu aqui quase sempre está sem nuvens. Também há poucas algas, e isso interfere. Do avião também se veem muitas montanhas. Que Suíça que nada, é a Grécia o país mais

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