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Custos e possibilidades para viajar barato em Omã

Omã é um país de algumas belezas estonteantes (como as que mostrei no post anterior), mas de péssima infraestrutura turística. Sobretudo para o turismo econômico, de baixo custo. (Ficar num hotel de luxo e sair para passear de carro com um motorista é fácil, mas é caro.) Então resolvi fazer este post de encerramento com algumas das coisas que aprendi e dicas para quem, como eu, quiser conhecer este país sem para isso ter que pagar os olhos da cara. Quando desembarquei no aeroporto de Muscat, táxis oficiais que aderem à tarifa fixa de 10 riais omanis (a bagatela de R$ 80) são

Visitando Mascate (Omã) e a Grande Mesquita do Sultão Qaboos (que é gay)

Desculpem-me a fanfarra exaltando assim já de cara a orientação sexual de sua majestade o Sultão Qaboos [kabuz], que certamente nada mais é do que um mero aspecto dentre os muitos que definem quem ele é, mas eu não resisti. Quem, afinal, imaginava que um sultão árabe fosse gay? Serve para a gente ver como a realidade é muito mais rica, diversa e interessante do que costumamos imaginar. O sultão Qaboos bin Said al Said, um distinto senhor de 76 anos, é atualmente o monarca que reina há mais tempo em todo o mundo árabe. Ele governa com poderes absolutos desde 1970, pois Omã

No Sultanato de Omã, o lugar mais quente da minha vida

Eu cresci no Nordeste do Brasil, conheço na pele os verões no Rio de Janeiro, já estive na Amazônia, e morei debaixo da linha do equador na Indonésia. Mas nada me preparou para Omã no verão.  Você aí talvez nem soubesse que esse país existia. Existe e é maior que o estado do Rio Grande do Sul, estendido no sudeste da Península Arábica, entre a Arábia Saudita e o Mar da Arábia. Dizem que era por aqui que o lendário marujo Sinbad (dos contos registrados no clássico As Mil e Uma Noites) fazia suas peripécias. Hoje é um sultanato absolutista relativamente tranquilo (daí você não

Visitando Petra (Jordânia), a cidade esculpida em pedra pelos antigos árabes nabateus

Wadi Musa, ou o "Vale de Moisés" em árabe, é hoje uma região árida e pedregosa. Estamos no sul da Jordânia, não muito distante do Deserto do Sinai ou da fronteira com Israel. Dizem que, nos tempos bíblicos, o profeta Moisés teria feito água brotar das rochas nesta região. (Tais milagres seriam muito necessários hoje, quando junto com a deterioração de fontes d´água a Mudança Climática Global está batendo com força nestas regiões áridas. O lugar é hoje muito mais seco do que era há dois ou três mil anos atrás.)  Os nabateus são um povo árabe dos mais antigos de

Bem vindos a Amã, Jordânia: Tranquilidade e os originais dos Manuscritos do Mar Morto

Bem vindos a Amã, a capital da Jordânia, este país do Oriente Médio espremido entre Israel e a Arábia Saudita. Eu quero começar proporcionando a vocês aquela que também foi a minha primeira impressão de Amã, desde antes de eu chegar, só por olhar no Google Mapas as suas ruas tortas e meandros: a massa urbana que me aguardava. Assistam a este pequeno vídeo que fiz do alto de uma das sete colinas da cidade durante um dos chamados às cinco orações diárias dos muçulmanos. Era como um dia de inverno na Bahia quando desembarquei, aquele calor não-agressivo. A escada levava-nos do

Líbano: Dicas de viagem, lugares pra ver, e o que fazer

Vamos a um balanço final da minha experiência no Líbano, com algumas dicas. O que mais gostou.  As Ruínas de Baalbek, e a oportunidade de ver um pouco de perto as tensões interreligiosas do Oriente Médio de que tanto ouvimos falar. A coisa ganha uma concretude muito maior quando você vê a coisa de perto.  Visita obrigatória. Um restaurante libanês, pra conhecer as versões originais dos tantos pratos que se tornaram familiares pra nós no Brasil. (Não quero descreditar nenhum cozinheiro libanês no Brasil; o que quero dizer é que não dá pra vir aqui na origem e "passar batido" sem experimentar.) O

Visitando Byblos (Líbano), a antiga cidade dos cruzados

Byblos, no Líbano, é um dos mais antigos sítios continuamente habitados no mundo. Estima-se que desde 5000 a.C. há povoamentos humanos aqui. Imagina-se que ao longo do segundo milênio antes de Cristo este lugar tenha sido uma colônia e ao mesmo tempo um entreposto comercial dos egípcios antigos. Quando por volta de 1200 a.C. o Egito se enfraquece é que o povo daqui, que os gregos chamariam de fenícios, emergem como uma potência marítima. Byblos, assim como Tiro, Sidon e outras cidades antigas, eram centros comerciais dos fenícios, que percorriam o Mar Mediterrâneo em toda a sua inteireza (até a Espanha!) estabelecendo

Visitando as ruínas de Baalbek e uma mesquita xiita no Vale do Bekaa (Líbano), quase na fronteira com a Síria

Mohammed era um desses sujeitos que você não esquece. Um libanês moreno de seus 35 anos, descolado, de camisa polo, calças e sapato baixo, e um ar de quem não perde uma piada. A cara dele era aquela pseudo-séria, aquele jeito de quem está pensando no próximo comentário a fazer, ou avaliando se há algum significado malandro por detrás do que você disse. Ele tinha a mesma boca suja habitual de um brasileiro médio, e usava foto do supremo aiatolá iraniano Ali Khamenei como foto de perfil no WhatsApp. Era muçulmano xiita, como a maioria dos libaneses — e como a grande maioria dos libaneses

As cavernas de Jeita Grotto e a colina de Nossa Senhora do Líbano em Harissa

"E no mar e no céu — a imensidade!", notou o poeta Castro Alves em Navio Negreiro. Tivesse ele morado no Líbano do século XXI, teria notado também a imensa poluição entre o céu e o mar. Apesar dos pesares ambientais daqui, a colina da Nossa Senhora do Líbano em Harissa, povoado próximo à cidade libanesa de Jounieh, foi das melhores vistas que tive durante a minha estadia no país. Você sobe num bondinho panorâmico seguido de um plano inclinado para chegar nessas alturas. As vistas são lindas. Este foi um dia modestamente aventuresco, venturando-me fora de Beirute para conhecer as demais coisas do

Conhecendo Beirute, capital do Líbano: Uma cidade de contrastes

(Este vai ser um post longo.) Não sei se amo Beirute. Ela é definitivamente uma cidade notável, ocidentalizada mas com aquele toque árabe, e rica pela diversidade única de comunidades religiosas — junção de cristãos maronitas, ortodoxos gregos, muçulmanos sunitas, muçulmanos xiitas, cristãos armênios, entre outros que compõem o mosaico que é o Líbano. É interessante. Por outro lado, Beirute é uma cidade cheia de problemas, que vão desde os altos riscos de terrorismo até uma greve de meses dos incineradores de lixo e que deixou na cidade um fedor nauseante que se estendia por quilômetros. Se você gosta de caminhar como eu, praticamente tudo

Bem vindos ao Líbano: Imigração, informações gerais, e as primeiras impressões

Saído do Egito, cá estou eu no Líbano, o extremo oriente do Mar Mediterrâneo. Um país árabe, mas diferente dos outros. O mais liberal e "moderno" de todos, dizem. Contudo, a diferença principal é mesmo a religiosa. Enquanto os demais países árabes são majoritariamente muçulmanos, o Líbano é uma mistura de árabes cristãos de várias denominações (ortodoxos, maronitas, etc.), muçulmanos sunitas e muçulmanos xiitas (esses dois últimos são diferentes entre si, como seriam católicos e protestantes, e geralmente não se bicam).  O Líbano é uma bricolagem, um amálgama de grupos religiosos diferentes — muitas vezes inimigos — ajuntados e que concordaram em viver juntos num mesmo

Egito: Dicas de viagem, lugares pra ver, e o que fazer

Depois de relatar em detalhes a minha passagem por várias partes do Egito, vamos a um balanço final — e a algumas dicas e recomendações para quem planeja visitar o país. O que mais gostou.  Todas as magníficas e super preservadas tumbas antigas no Vale dos Reis, em Luxor.  Visita obrigatória. As Pirâmides de Gizé, perto do Cairo. Não há como ir ao Egito e não ir ver. O que não gostou. A insistência chateante de vendedores e, sobretudo, taxistas, sempre prontos pra lhe passar a perna. Queria ter visto mas não viu. Hurghada, cidade na costa egípcia do Mar

Epílogo: Crônicas do Aeroporto do Cairo

Ah o aeroporto do Cairo!  Recomenda-se chegar com uma boa antecedência (3h) ao aeroporto do Cairo. Há vários controles de segurança, as filas podem ser grandes (e esculhambadas, com gente descaradamente passando à sua frente), e na real nunca se sabe o que pode acontecer. Semana passada alguém sequestrou um avião, um mês atrás houve uma bomba. Saiba também de qual terminal o seu voo sairá. E ainda assim há várias entradas, a depender da cia aérea. Eu comecei a formar fila atrás de uma turma à frente de uma porta (pois aqui no Oriente Médio há sempre que se passar as bagagens por

O Cairo islâmico e atual: Saladino, a Cidadela de Muhammad Ali, e as Mesquitas do Sultão Hassan e Al-Rifa’i

O Cairo, embora mais conhecido por sua bagunça e trânsito ruim, é uma cidade repleta de lugares bonitos, interessantes, e historicamente importantes a ver. Afora o legado milenar do Egito Antigo e marcas de quase 2000 anos da presença antiga do cristianismo copta aqui, há portentosas heranças dos últimos 1300 anos em que o Islã e a cultura árabe se tornaram dominantes no Egito. Ocorreu muita coisa! Eu disse no meu post de chegada que nós, ocidentais, temos uma defasagem de 2000 anos no que geralmente sabemos sobre o Egito. Uma pena (consertável). Ficamos lá atrás com Cleópatra e não sabemos praticamente nada do que veio a acontecer depois. Eu disse que hoje este país é a

Alexandria (Egito) hoje: A nova biblioteca alexandrina e a “outra” Santa Sé, de São Marcos

A Biblioteca de Alexandria, o Farol de Alexandria... Eu nunca vi uma cidade ser tão famosa nos livros de História e tão esquecida na atualidade quanto Alexandria. A maioria dos ocidentais parece pensar que Alexandria não existe mais, que ficou para trás já há muitos séculos. Ledo engano. Alexandria hoje é a segunda maior cidade do Egito, com quase cinco milhões de habitantes, e continua sendo belamente banhada pelo Mar Mediterrâneo no norte do Egito do mesmo jeito que era antigamente. São apenas 2-3h de trem desde o Cairo, a depender do tipo de trem que você tomar. Alexandria merece ao menos um day tour, um bate-e-volta, mas

A Igreja Suspensa no Cairo e os cristãos do Egito: Conhecendo de perto o Cristianismo Copta

Ninguém jamais pensa no Egito como uma terra de cristãos — nem hoje, nem nunca —, exceto pelos mais conhecedores da história do cristianismo. Tendemos a ignorar ou esquecer que foi aqui, o Egito, um dos grandes berços do cristianismo institucionalizado, onde ele adquiriu muitos dos elementos que hoje nos são familiares (como a cruz, a "Sagrada Família", o monasticismo cristão), e que houve séculos de transição cristã entre o Egito Antigo dos faraós e o Egito islâmico que surgiria depois. Entre 10-20% da população egípcia atual (que é de 82 milhões de pessoas) se identifica como cristã, e estas em geral são cristãs coptas.

O Museu Egípcio no Cairo em 20 fotos

Retornar à Estação Ramsés e ao metrô do Cairo depois de mais de uma semana mochilando pelo centro e sul do Egito teve uma estranha sensação de volta pra casa. Meu emocional reconhecia aquele ambiente. É interessante como viagens fazem isso com você e, quando passa um tempo num lugar bom, aquilo também começa a criar uma sensação de "lar". Não que o Cairo seja essa delícia — não é —, mas o albergue era legal. Deixemos isso para outros posts. Retornando ao Cairo depois de ver Luxor, o Templo de Karnak, a Tumba de Tutancâmon, o Templo de Ísis em

Aswan (ou Assuã) e o Templo de Philae à deusa Ísis

Aswan — ou Assuã, ou ainda Assuão em Portugal, mas opto aqui pela grafia usada pelos próprios egípcios — é a principal cidade do sul deste país. Uma cidade grande, diga-se de passagem. Não se trata de uma cidade turística pequena, onde tudo se faz a pé, como Luxor. Aswan é uma cidade relativamente moderna, de grandes distâncias inconvenientes, e algumas jóias importantes aqui e ali por ver. Quando cheguei, estava retornando de Abu Simbel, aonde fui de manhã bem cedo após me levantar às 2:30h da manhã e deixar para trás o navio que havia me trazido aqui Rio Nilo acima desde Luxor. Minha

A Núbia ontem e hoje: Entre os negros do Egito

Essa senhora é egípcia. Embora não estejamos habituados a pensar nos egípcios como negros, muitos deles são, sobretudo aqui no sul do país. Há um debate muito grande sobre a real aparência racial dos egípcios antigos. A Europa e os Estados Unidos, sabendo da grandeza da civilização egípcia antiga, sempre os identificaram como brancos amorenados (afinal, partiram do princípio que negros jamais teriam sido capazes de fazer algo tão grandioso). Isso, curiosamente, tem influência até hoje, em que nos EUA se você for de origem norte-africana ou turca, você é classificado no censo como branco — e vocês sabem que classificação racial

Abu Simbel e o Lago Nasser, no extremo sul do Egito (quase Sudão)

No Egito, nada funciona com recibos, vouchers de confirmação, nada — a menos que você esteja lidando com grandes hoteis que cobram voluptuosas comissões. No dia-dia aqui, como em todo o mundo árabe que conheço, quase tudo é de boca. Vale a palavra do cidadão. Mr. Bob, o simpático senhor gordo que me vendeu o cruzeiro pelo Rio Nilo até Aswan, perguntou-me ainda em Luxor se eu queria ver Abu Simbel. O lugar fica no extremo sul do Egito, a 3h de estrada de Aswan, quase na fronteira com o Sudão. Trata-se de um templo que o grande faraó Ramsés II construiu no

Sobek e os crocodilos mumificados do Antigo Egito, em Kom Ombo

Você aí achava que os antigos egípcios mumificavam apenas pessoas? Não sabia que eles mumificavam também crocodilos? Nem eu. Os crocodilos são dos animais mais simbólicos do Rio Nilo. Nos tempos antigos, eles habitavam todo o rio até o seu delta, lá no norte em Alexandria, e devoravam fulanos e beltranos por todo o país. Estas criaturinhas tem entre 3-6m de comprimento e pesam de 500kg até mais de uma tonelada. São sociáveis, numa hierarquia determinada por tamanho. E no Antigo Egito eles eram cultuados na forma do deus Sobek, aquele com cabeça de crocodilo no mural abaixo. O nosso navio aportou em

Cruzeiro pelo Rio Nilo no Egito: Dois dias num navio de Luxor a Aswan

PRÓLOGO Tudo começou com o senhor gordo em Luxor. "Mr. Bob”, ele se intitula, embora este seguramente não seja o nome dele. Provavelmente é Ahmed, Mohammed, Ibrahim ou algo típico árabe. Mr. Bob era um senhor pesado, mulato, daqueles árabes de pele escura, e barrigudo do tipo que anda com o corpo meio jogado pra trás pra reequilibrar a barriga. E dado a engraçadão. (Quando fomos ao templo de Hatshepsut, ele referiu-se a ele como Hot Chicken Soup, pra fazer piada.) Mr. Bob era o meu agente local de viagens, com quem comprei as passagens para este cruzeiro. Achei que iríamos caminhando até o

Monumentos funerários egípcios em Luxor, o Vale dos Reis e a Tumba de Tutancâmon

Estamos em Luxor, no meio do Egito, às margens do Rio Nilo. Aqui ficava a antiga capital Tebas, por volta de 1500 anos antes de Cristo. No post anterior eu relatei as minhas visitas ao Templo de Luxor e ao Templo de Karnak, à margem oriental do rio. Agora vamos à margem poente do Nilo, onde os egípcios antigos enterravam os seus mortos (emulando o pôr-do-sol). Este lugar é um poço de tesouros históricos, e talvez onde eu vi os resquícios egípcios antigos mais bonitos e impressionantes de todo o país. Primeiro de tudo: Chega-se até aqui com um tour que cobre todos

Em Luxor: À margem do Rio Nilo no miolo do Egito

— “Você é casado?”, perguntou-me a guia egípcia. — "Não." — “Por que não?”, indagou ela num tom de estranheza, como se eu tivesse dito que não como arroz.  A guia devia ter uns 35 anos. Era cristã, portanto não cobria os cabelos. (Uns 10% dos egípcios são cristãos, de tradição mais antiga que a europeia. Os outros 90% são islâmicos.) Era mais simpática que bonita, casada e com dois filhos.  Foi uma das raríssimas mulheres com quem interagi ao longo destas semanas aqui no Egito. Se eu juntar todas, não enchem os dedos de uma mão. Lidar quase exclusivamente com homens foi um dos

Viajando de trem no Egito: 12h do Cairo a Luxor durante o dia

Viajar de trem no Egito é fundamental. O país não é apenas o Cairo. Seja qual for o seu interesse (seja o Egito Antigo ou o Egito atual), é preciso visitar o interiorzão do país para conhecê-lo melhor. Tudo aqui continua a funcionar com base no Rio Nilo. Ele continua a ser a artéria que conecta o país de norte a sul. Às suas margens vive a maioria da população egípcia e passam as principais rodovias e ferrovias do país. De trem você segue paralelo ao rio, o entrecruzando aqui e ali conforme vê a simplicidade (e, muitas vezes, a pobreza) do interior do Egito. Eu

A dança do ventre no Cairo, na origem

O Cairo é muito mais do que apenas as pirâmides. A cidade é também o lugar mais tradicional de dança do ventre no mundo. A origem da dança do ventre não é clara. Há quem diga que ela surge no Egito Antigo, outros que falam em Mesopotâmia e Pérsia. O que é certo é que ela há séculos faz parte da cultura popular do Oriente Médio e de regiões adjacentes. Os árabes depois a desenvolvem, e sobretudo durante a época do Império Turco Otomano (1400-1917) ela ganha sobeja atenção na Europa — impressionada com aquela sensualidade, na sua onda "orientalista" da época do imperialismo

Como era feito o papiro no Egito Antigo

Não há tour hoje em dia que não inclua aquela paradinha básica numa loja onde os guias ganham comissão se você comprar algo. E talvez nada mais egípcio que um fabricante de papiros. Após visitarmos as épicas Pirâmides de Gizé pela manhã, paramos para almoçar num buffet ali por perto e para ver uma demonstração de como era feito o papiro no Antigo Egito — para quem sabe ficarmos motivados a comprarmos um ou muitos.  No Egito, por toda parte você verá vendedores oferecendo ilustrações em "papiro" por 1 dólar. É banana. Digo, é folha de bananeira, e não papiro. Vai quebrar antes mesmo de você

Visitando as Pirâmides de Gizé e a Esfinge no Egito

As Pirâmides de Gizé são a única das sete maravilhas do mundo antigo a durar até os dias de hoje. Gizé é a área onde ficam as famosas pirâmides de Quéops, Quéfren e Mikerinos, todas construídas nos idos de 2500 a.C. (O nome "Gizé" é medieval e vem do árabe al-Jizzah, que quer dizer "o vale" ou "o platô" — garanto que nunca lhe disseram isso.) Aqui ficava Mênfis, a primeira capital do Egito Antigo. À margem oriental do Rio Nilo estava a cidade dos vivos (da qual não resta praticamente nada, pois as casas comuns eram feitas de argila e não de pedra), e a oeste, onde

Chegando ao Cairo, Egito: Visto para brasileiros, imigração, e as primeiras impressões

[Atualizado em Nov 2017]. Egito, o mais antigo país continuamente em existência no mundo, muitos dizem. Um destino turístico por excelência, com muita coisa impressionantemente bem preservada. E aos que vieram até aqui para saber sobre o visto para brasileiros, saiba que a maior parte da informação na internet está desatualizada: É possível, sim, obtê-lo diretamente no aeroporto por US$ 25 [Informação atualizada em Ago 2017. O consulado pode dizer que você precisa tirar o visto antecipadamente, mas na realidade você continua podendo tirá-lo mais facilmente na chegada, no aeroporto.]. Leve os dólares consigo, de preferência a quantia exata. O

Muvuca no Aeroporto de Túnis, e despedindo-se da Tunísia

Isso são as filas para check-in no Aeroporto de Túnis. Era hora de despedir-se da Tunísia, mas a tarefa não parecia fácil. Cheguei, ingênuo, ao Aeroporto de Túnis achando que todo o processo se daria com a tranquilidade que encontramos no Brasil (sim, tranquilidade). Desde Madagascar eu não via tamanha esculhambação aeroportuária. Nas “filas” para o check-in parece que você trouxe várias famílias da roça para o aeroporto, e elas estão ali na muvuca. Grupos de senhoras passavam desavergonhadamente à minha frente, falando umas com as outras; homens iam lá pra a frente com 5 passaportes na mão, e ficavam gritando pra localizar

El-Jem e o “outro” coliseu romano de que você nunca ouviu falar

Estamos no interiorzão da Tunísia, na cidadezinha de El-Jem, a uma hora de Sousse, no centro do país. Aqui fica a segunda maior arena romana do mundo, após o Coliseu em Roma. Quase ninguém sabe disso, e pouca gente vem aqui. O lugar todavia é impressionante — e o melhor é que praticamente não há outros turistas com quem competir pelo espaço. Você circula livremente pelo lugar e pode imaginar-se nos tempos romanos com tranquilidade. El-Jem foi uma viagem de trem a partir de Sousse. Cuidado e desça na estação certa, ou irá parar lá perto da fronteira com a Argélia no

Sousse, Tunísia: Uma cidade medieval árabe hoje

Sousse, na costa central da Tunísia, é uma das cidades mais interessantes do país a visitar — senão a mais interessante de todas. Isto é verdade especialmente para quem gosta de coisas antigas, e quer ver uma cidade medieval árabe hoje. Costumamos pensar sempre em Idade Média europeia, aquela coisa dos cavaleiros de armadura e os castelos de pedra sobre a montanha. Muito disso é compartilhado por outros povos e civilizações, mas muito também é diferente. Aqui no norte da África, nessa estreita faixa de terra apertada entre o Mar Mediterrâneo e o Deserto do Saara, os árabes na Idade Média chegaram

Comidas árabes que você não vê no Brasil

Ali estou eu na Jordânia com um copinho de chá, salada crua e pão árabe (aquele pão chato, que no Brasil chama-se de pão sírio). Há muito da gastronomia árabe que conhecemos, e mais ainda de que não fazemos nem ideia. Quando eu fui a Marrocos, um país árabe, perguntaram-me se eu havia comido kibe e esfiha. Não vi nem sombra. Habituados que estamos ao Habib's e à grande influência da imigração libanesa no Brasil, achamos que "comida árabe" é somente comida libanesa. Ledo engano. Os árabes conquistaram e governaram por séculos toda a região que vai de Marrocos (cá à beira

Sidi Bou Said (Tunísia): Às margens do Mar Mediterrâneo, no lado africano

No dia seguinte à minha ida às ruínas de Cartago, eu voltaria a tomar o trem metropolitano TGM na mesma direção, desta vez para ir a Sidi Bou Said, um vilarejo um tanto pitoresco na beira-mar tunisiana. Eu queria conhecer o Mar Mediterrâneo neste lado de cá, da África. Sidi Bou Said fica no fim de linha do TGM, a uns 40 minutos da capital Túnis. É um vilarejo todo em azul e branco, como as ilhas gregas, mas neste caso com casinhas tradicionais árabes do século passado. As casinhas se parecem com aquelas de bairro de cidade do interior. Há ruelas de calçamento em pedra,

Visitando as ruínas da antiga Cartago, no norte da África

Carthago delenda est ["Cartago deve ser destruída"], é como o senador romano Catão, o velho (234-149 a.C.), concluía todos os seus discursos à tribuna, não importando o assunto. Era um durão. Foi historiador também, e escreveu a primeira História da província romana da Italia. Era crítico às influências gregas na República Romana (ela só se torna Império quando Júlio César dá um golpe militar um século mais tarde.) O norte da África havia por séculos sido domínio dos cartagineses, assim chamados devido à sua grande cidade-estado, Cartago. Ela ficava aqui onde hoje é a Tunísia, ao sul da Itália. Grandes navegadores, os cartagineses

O Museu Bardo e os mosaicos romanos mais lindos do mundo, na Tunísia

Você aí nem sabia que os romanos tinham artes visuais além de esculturas, ou que faziam mosaicos. Faziam, e faziam muitos. Mosaicos são aqueles ladrilhos coloridos que formam imagens, e que os romanos usavam como decoração em suas casas nas paredes, no chão e/ou no teto. Quase sempre tinham motivos épicos da mitologia greco-romana.  O maior legado de mosaicos dessa Antiguidade romana está hoje na Tunísia, aqui no norte da África. A gente tende erroneamente a associar os reinos e impérios de outrora com as fronteiras dos países atuais, mas isso é uma falácia. O Império Romano era muito mais do

Visitando Túnis, a movimentada e literata capital da Tunísia

Túnis é uma zona, e não é das pequenas. Cá em quase todo este mundo árabe do norte da África impera uma energia social fortíssima. Esqueça aquela ocasional tranquilidade idílica que você encontra em cidades do sul da Europa; aqui no norte da África a natureza é parecida, mas o mundo humano é outro. Eu acho sempre interessante notar como dois mundos tão distintos aqui se encontraram, como um encontro das águas, uma "pororoca" cultural, que aqui apenas o Mar Mediterrâneo separa. Agrave-se aí que Túnis acabou de terminar de ser o epicentro da Primavera Árabe na Tunísia, que o governante

Afeição masculina nos países árabes e na Índia: O reverso da medalha da segregação de gêneros?

Quem viajar ao mundo árabe ou à Índia vai notar logo duas coisas de cara. A primeira, conhecida, é a separação entre homens e mulheres no mundo público. Verá poucas mulheres recepcionando clientes em lojas, em restaurantes, ou em qualquer instância onde haja contato com estranhos; e verá pouca interação entre homens e mulheres, de fato. Os grupelhos na rua são caracteristicamente de mulheres de um lado, e homens do outro. 
A outra coisa que lhe chamará muito a atenção, como ocidental do século XXI, é a proximidade física que existe entre os homens aqui. A afeição a que você assiste

De volta ao mundo árabe: Bem vindos à Tunísia, norte da África

PRÓLOGO A Tunísia, ex-colônia francesa no norte da África, foi a pioneira da Primavera Árabe. Em 16 de dezembro de 2010, o vendedor de rua Mohamed Bouazizi ateou fogo ao próprio corpo num protesto de último recurso contra as injustiças que sentia no país. Democracia falha, repressão governamental, abusos de autoridade, combinados a desemprego, altos preços de alimentos e más condições de vida. Mohamed era da minha idade, e faleceu em poucas semanas. Foi o estopim para explodirem as frustrações de um povo. O ditador Zine El Abidine Ben Ali governava desde 1987 sob a rótulo de "presidente", eternamente reeleito em eleições

Pelas cidades históricas de Rabat e Mdina, a conhecer as origens árabes de Malta

Eu comecei a estranhar quando esbarrei em várias das 10 palavras — ou menos — que eu conheço em árabe. Dar (casa), medina (mercado), rabat (lugar fortificado), entre outras. Malta é extremamente católica — a ponto de, dizem as más línguas, a igreja até hoje se meter nos afazeres do governo. As igrejas badalam a Ave Maria várias vezes ao dia, e imagens de santos estão por toda parte nas cidades, inclusive ao lado de fora das casas, nas ruas. Perguntei sobre o idioma maltês, ainda usado aqui, e me diziam ser oriundo do fenício. Há uma pobreza imensa de referências à História do arquipélago antes

Memórias de um albergue mouro

(Este é um daqueles posts que são em parte pra vocês e em parte pra mim mesmo, pra que quando eu ficar velho não me esqueça destes ocorridos.) 
Este ano passei uma longa estadia, de várias semanas, no albergue Equity Point em Marrakech. Eu nunca havia assim "morado" num albergue. Parecia uma versão mourisca e contemporânea d'O Cortiço, só que em estilo árabe, e onde os moradores mudavam a cada par de dias.  
Houve quem achasse que eu era funcionário, e até funcionário me pedindo ajuda pra saber onde ficava tal quarto. Afinal, o albergue era ele próprio um labirinto que parecia

Casablanca e a Mesquita Hassan II

Casablanca é a maior, mais rica, mais feia, mais suja e mais esculhambada cidade do Marrocos. Perdão, amigos marroquinos, mas vocês sabem que é verdade. A sensação é a de uma cidade onde os prédios pararam no tempo — ou melhor, continuaram decaindo. A estrutura parece ser toda de antes dos anos 1950 (portanto, da época do filme Casablanca, de 1942, embora ele não tenha sido rodado aqui). Só que imagine os efeitos do tempo, o crescimento populacional, as ondas de imigrantes pobres de outras partes do Marrocos e da África sub-Saariana em busca de trabalho, e você vai ter uma ideia do

Rabat, a autêntica capital do Marrocos

Quem quiser conhecer o Marrocos de verdade, sem as distrações para turista, deve vir a Rabat. A capital é uma das poucas cidades de porte a oferecer o autêntico dia-dia marroquino, antigo e moderno. Se Marrakech e Fez têm hordas de europeus e demais estrangeiros, aqui eles são raros. Em Rabat você assiste "à vida como ela é" no Marrocos.  
A cidade é relativamente pequena e arrumadinha. Você passeia na maior tranquilidade. Mas nem por isso ela deixa de ter atrações interessantes: a imponente Torre Hassan, o Mausoléu de Mohammed V (avô do atual rei), as ruínas da necrópole romana de

Fez, da medina mais antiga do mundo (e a mais louca do Marrocos)

Fez deve fazer parte de qualquer vista ao Marrocos. Não só tem a maior e mais antiga medina de todo o mundo árabe, mas provavelmente também a mais louca e labiríntica de todas. Pelos becos você passa de um artesão a outro, do herborista ao ferreiro, cruzando arcos mouriscos e ao lado de fontes d'água ornamentadas com ladrilhos árabes. As crianças te olham enquanto brincam, e você se sente como transportado a um cenário medieval. É medieval, só que real, e atual.  
Quando cheguei a Fez, Abdel Salam foi encontrar-me perto do Portão Azul, um dos marcos da cidade. Abdel Salam

Saindo do Saara: Estrada, policiais corruptos, e um pouquinho dos modos árabes

Eram cinco e pouca da manhã e o sol ainda não havia raiado, aquele breu estrelado que antecede o amanhecer, quando saí do acampamento no deserto e avistei uma das integrantes do grupo descarregando o tajine de legumes da noite anterior na areia. Eu tirava água do joelho e, de canto de olho, ainda a vi cambalear na areia e quase pisar na própria bosta. Foi o começo de um dia memorável. 
Havíamos todos dormido em tendas num acampamento em pleno Deserto do Saara, no Marrocos. Um frio do diacho à noite, e areia por toda parte, inclusive no colchonete. A

No Deserto do Saara: Camelos e muita areia em Merzouga

Areia, vento, calor. O que você se esquece de imaginar é o silêncio. Na cidade há sempre barulho de algum tipo; no campo há pássaros e outros sons da natureza; já no deserto não há nada — às vezes nem o vento faz ruído. Conforme você trota no camelo, entre um grunhido ocasional e outro, parece que você saiu do mundo e se encontra num espaço paralelo. A sensação é de sossego e serenidade, se você souber aproveitar a quietude. 
Como a camelada é feita ao fim da tarde, não é quente. Pelo contrário, rapidamente esfria, e prepare-se para uma noite de bater os

Oásis e tapetes berberes: De Ouarzazate às margens do Saara

Um oásis é algo muito mais impressionante visto ao vivo. Antes mesmo de chegarmos ao oceano de areia, o Saara já é bordeado por uma cortina de pedra, uma terra pedregosa e seca de muitos quilômetros entre as montanhas e o deserto. Daí, de repente, você vê uma mancha de verde, às vezes nada muito grande (por vezes não mais que 1km quadrado), mas com água e plantas, o suficiente para que algumas famílias ali habitem. No Marrocos, muitas dessas famílias são berberes, o nome dado aos povos nativos daqui (beduínos, tuaregues e outros), de antes da chegada dos árabes. 
Após passarmos

Paisagens do Marrocos: De Marrakech a Ouarzazate

Eram 6:30 da manhã de uma quinta-feira na Praça Djemaa El-Fna, coração de Marrakech. A maior praça de toda a África. O sol ainda não raiou, e poucos bares estão abrindo. Gradualmente os vendedores de rua e das lojas vão chegando, gritando animados uns aos outros em árabe, e dando início ao mega-movimento que domina a praça durante o dia. Várias vans e outros carros circulam e estacionam pelo grande calçadão da praça, algo que só lhes é permitido fazer até as 9 da manhã. 
Perto de nós, um tio calvo de bigode e paletó anda pra lá e pra cá

Perdido no Catar: Um dia em Doha

Já é o terceiro banho que tomo para vestir a mesma roupa. Estamos na Península Arábica — não na Arábia Saudita, mas no seu pequeno vizinho, o Catar. Estamos à beira do mar do Golfo Pérsico, e o abafo é úmido como se eu estivesse no verão da Bahia. Eram 31 graus quando eu cheguei à meia-noite, e durante o dia subiu para 37. No verão chega a 50. Há vento, mas ele traz toda a poeira do deserto e das muitas obras pela cidade. Doha, a capital, está em constante construção. 
Vim parar aqui para fazer uma conexão de voo (que perdi) entre

Visitando Marrakech, parte final: Jardim Majorelle, Palácio Badi, e as Tumbas Saadianas

Marrakech pode ocupar bem uns 3 dias de visita. Se o post anterior falou de lugares de beleza arquitetônica, o foco deste agora são alguns outros de talvez menos beleza física, mas com histórias interessantes por trás. Vamos ver se vocês concordam. 
O primeiro deles é o Jardim Majorelle. Fazem um bafafá enorme sobre esse jardim, e é talvez a atração mais comentada da cidade. É também a mais cara de se entrar (5 euros). Trata-se hoje de um jardim botânico turístico fundado pelo francês Jacques Majorelle em 1931, após os franceses entrarem aqui e tomarem conta a partir de 1912. (Na teoria,

Arquitetura mourisca e os monumentos de Marrakech: Dar si Said, Madrassa Ben Youssef, e o Palácio da Bahia (sim, fica no Marrocos)

Arquitetura mourisca. A quem eu estiver falando grego (ou árabe), trata-se da arquitetura clássica dos árabes mouros, aqueles que vieram cá ao norte da África a partir do século VII, mesclaram-se aos povos berberes nativos da região, e daqui se expandiram para Portugal e Espanha. Azulejos, portas decoradas com vidros coloridos, pátios e jardins coloniais... tudo isso é influência deles. 
Do árabe também vieram inúmeras palavras hoje usadas no vocabulário em português e espanhol, como açúcar, algodão, camisa, azeitona, álcool, laranja, café... nada disso veio nem do latim e nem do grego, mas do árabe. Também com os árabes vieram os

Pra não dizer que não falei dos doces árabes, ou da parte moderna de Marrakech

Laranja madura, na beira da estrada, aqui nem está bichada nem há necessariamente marimbondo no pé. Na verdade, fora da medina há ruas belamente decoradas com laranjeiras nas áreas mais modernas de Marrakech. Parece o Brasil, só que todos os prédios têm a mesma cor, e há palmeiras e laranjeiras dando o toque especial. Muitas das laranjas vêm fazer parte dos doces que acabaram ficando de fora do post anterior sobre as comidas no Marrocos. Como turista, às vezes a gente se apega à parte antiga (turística) e acha que aquilo é a cidade. É assim na Europa e aqui no

Dia e noite na medina de Marrakech, e a comida no Marrocos

Minha mãe sempre tirou com a minha cara (literalmente) dizendo que eu tenho nariz semita. Não sou antissemita, mas nunca curti muito a ideia. Seja como for, eu pelo visto passo direitinho por marroquino. Ninguém mexe comigo na medina, ao contrário dos turistas caras-pálidas, que sofrem assédio o tempo todo. Eu outro dia perguntei a uma senhora aqui se era por causa da minha barba, ela disse que não, que era "porque você tem assim uma cara de berbere", disse ela gesticulando e fazendo aquele olhar intenso de quem estava analisando a minha face. 
Tá bom, né. Pra quem não sabe,

Pra cá de Marrakech: Bem vindos ao Marrocos

34 graus. Um calor da moléstia em Marrakech, como o brilho na minha testa aí não esconde. Estamos no final do inverno marroquino. Entre um parágrafo e outro, espio as moçoilas — brasileiras e estrangeiras — tomarem banho na piscina do nosso albergue, um belo casarão mouro escondido no meio da medina. 
Quando você sai do aeroporto e pega o ônibus em direção ao centro, parece que está viajando pelo sertão nordestino. Tudo é seco e cheio de pedregulhos. As casas cor de telha são pobres e as calçadas, quebradas. O solão encandeia a sua vista e, no ônibus, você começa a suar.

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