You are here
Home > Posts tagged "Natureza"

Entre campos de arroz, arquitetura butanesa e budismo tântrico em Punakha, Butão

De que o Butão é um país pitoresco, acho que já os convenci no post anterior. É algo que continuará em todas estas postagens. Mas o Butão também é rico de particularidades, curiosidades, seja o curioso Budismo tântrico, seja a sua arquitetura tradicional tão particular. Eu dormira em Punakha, um dos distritos mais visitados do país, e acordei no dia seguinte para uma manhã nublada. Eu, ambicioso, aproveitei-me de estar viajando sozinho — e, portanto, na minha própria velocidade — para fazer um programa intenso, com tudo o que fosse possível ver ou fazer. Nesta manhã, faria uma caminhada pelos arrozais até um

No Reino do Butão, país budista nos Himalaias

Bem vindos ao Reino do Butão, este país budista nos Himalaias. Uma das viagens mais memoráveis que já fiz. O Butão é o bucolismo rural e natural cada vez mais difíceis de encontrar na Ásia, saturada que está pela superpopulação e pela urbanização desordenada. No Butão, temos menos de um milhão de pessoas, que sequer estão concentradas na capital. Essa, Thimpu, possui apenas 1/7 da população do país, algo mais de 100.000 habitantes.  Os rios continuam limpos. Ver corredeiras ainda quase transparentes, da água gélida que desce dos Himalaias e aqui ganha breves tons esverdeados enquanto margeia as pedras, encheu-me de alegria.

Vales e terraços de arroz nos Himalaias: Uma caminhada nos arredores rurais de Katmandu, Nepal

As pessoas imaginam os Himalaias sempre como aquelas montanhas altíssimas, de mais de 8.000m de altura e picos nevados. No entanto, esquecem que antes de chegarmos àquelas elevações há grandes áreas de vales verdes, cultivados com terraços de arroz ou chá, onde as pessoas vivem. Foi algo que eu quis conferir aqui no Nepal, nos arredores de Katmandu, para ver algo da vida diária e das suas paisagens. A quem procura fazer uma caminhada ou trilha de um dia, por não ter tempo, disposição ou físico para as longas trilhas de uma semana ou mais até a base do Everest, Annapurna

Ao alto das Montanhas do Cáucaso na Geórgia: O Monte Kazbegi, Stepantsminda, e a Igreja de Gergeti

Era um ensolarado dia de verão na Geórgia quando eu fui conhecer as Montanhas do Cáucaso. Estas montanhas, que separam a Rússia das antigas (outras) repúblicas soviéticas da Geórgia e do Azerbaijão, são o lugar que originou os termos "caucasiano" e "caucasóide". Daqui, disseram no século XVIII, teria surgido a "raça branca", uma balela do ponto de vista biológico, mas que não deixou de trazer atenção ao lugar.  Hoje, estas montanhas entre o Mar Negro e o Mar Cáspio são visitadas por adoradores das paisagens, trilheiros, e amantes da natureza. Ah! Como estamos na Geórgia, um país eminentemente cristão, é claro

Pelo interior da Armênia: Paisagens, mosteiros, e igrejas de pedra

A Armênia é um destino para quem se interessa por História, cultura, e religião — tudo isso envelopado nas paisagens áridas e elevadas aqui do Cáucaso. Poucas vezes eu encontrei no mundo um país tão rugoso, cheio de altos e baixos. Não vi uma gota de chuva que umedecesse estas terras secas, embora sem dúvida chova algo em outras épocas. E vi um povo orgulhoso da sua identidade e muito ciente do seu lugar na História. Não há como falar de Armênia sem falar em Cristianismo — os próprios armênios não deixam. Seria quase como falar de judeus sem falar em judaísmo.

As termas da Lagoa Azul (blue lagoon) na Islândia

Esta havia sido uma semana na remota Islândia, encontrando-me com suas paisagens rústicas e a natureza do jeito que ela é aqui: não exuberante como nos trópicos, mas mostrando quase uma Terra primitiva, de rochas, água, escarpas, cachoeiras, gêisers e plantas apenas rasteiras. Faltava completar a estadia com uma ida obrigatória à Blue Lagoon, a famosa terma de águas azuis da Islândia. É uma boa visita, e útil saber algumas coisas antes de vir aqui.  Depois de fazer vários tours a partir de Reykjavík ao longo dos últimos dias (a Snaefellsnes, à costa sul da Islândia, à fissura continental de Silfra, e

Fazendo o Círculo Dourado (golden circle), o tour mais popular na Islândia

Dentre os muitos tours que saem de Reyjkavík na Islândia, o Círculo Dourado (conhecido por seu nome em inglês, Golden Circle) é sem dúvida o mais popular. Embora haja vários outros lugares muito bonitos na Islândia, como a península de Snaefellsnes ou a invernal praia de areias negras e colunas de basalto na costa sul do país, este aqui é o tour que não se pode sair sem fazer. Em parte pela beleza, em parte por incluir lugares-ícones da Islândia. O Círculo Dourado inclui o Parque Nacional de Þingvellir (essa letra islandesa soa como "th" na palavra inglesa "think"), uma área geotérmica com gêisers, e

A costa sul da Islândia: Entre cachoeira e praia de areias negras

Após ver o que há na capital Reykjavík e conhecer a península de Snaefellsnes, chegou a hora de ver alguns dos lugares mais icônicos da Islândia, na costa sul: sua praia de areias negras e as cachoeiras de Skogafoss e Seljalandsfoss, das mais bonitas do país. O tempo, que havia começado a semana bondoso (com sol e céu azul), no dia anterior já havia revertido ao seu astral cinzento mais costumeiro e agora estava completamente de volta ao padrão: nuvens, neblina e chuviscos, o tempo mais comum aqui na Islândia, estejam avisados. (Conheço alguém que alugou um carro achando que ia

Snaefellsnes e o oeste da Islândia: Paisagens do outro mundo neste mundo

Dos muitos tours que se fazem a partir de Reyjkavík, Snaefellsnes é um dos mais populares. É também um dos mais bonitos, senão "o mais". Esse nome grande corresponde a uma península no oeste do país, onde você vê praias, colinas, e formações rochosas espetaculares. São das melhores paisagens da Islândia. Nesse tour eu veria algumas das belas paisagens da Terra, já outras que pareciam estar em outro planeta. Como nos outros casos, o ônibus ou micro-ônibus da agência passa para buscá-lo no endereço que você indica quando faz a reserva. (Esta foi com a Reykjavík Excursions.) Eu tomei um café, comi umas

Natureza na Islândia e snorkel em Silfra: Mergulhando na fissura entre as placas continentais da América do Norte e Eurásia

Eis a natureza da Islândia, seu maior atrativo. No post anterior eu iniciei a visita pela capital e única cidade de porte do país, Reykjavík. Agora vamos aos vários tours que eu fiz a partir de lá. Há visitantes que alugam carro, mas é perfeitamente possível visitar as principais atrações da Islândia em tours diários de ônibus, com passeios que você pré-arranja com as agências pela internet. (Ao final, como sempre, darei todas as dicas e recomendações.) Este foi o primeiro tour que fiz: um mergulho de superfície (snorkel) em águas a 3ºC (é isto mesmo) na fissura de Silfra, entre

Istambul na primavera: Revendo o Grand Bazaar, Hagia Sophia, a Mesquita Azul e outros lugares da maior cidade da Turquia

Eu chego a ficar com cara de bobo. Rever Istambul pra mim sempre é um reencontro com uma das minhas cidades preferidas. A magnífica rainha do Estreito do Bósforo, entre dois continentes (Ásia e Europa), é uma cidade como nenhuma outra. Eu aqui me sinto numa espécie de "linha do equador" do mundo dividindo-o entre Ocidente e Oriente. Na primavera, então, Istambul fica especialmente bonita. Tulipas nos jardins enfeitam as praças e canteiros dos pontos turísticos com essa flor de origem persa, e que os otomanos usavam muito antes de ela virar sensação na Holanda. O tempo ainda varia, com os

Karakorum, a histórica capital da Mongólia na Idade Média (Tour dias 8 e 9)

À 7ª noite do nosso tour, chegamos a Karakorum, a histórica capital medieval dos mongóis. Já havíamos cruzado por dias as estepes da Mongólia na nossa kombi, as paisagens secas do Deserto de Gobi no sul do país, e mesmo as estepes verdejantes banhadas pelo Rio Orkhon na Mongólia Central. Agora era hora de um pouco (mais) de História e cultura neste nosso passeio. O nosso tour de 9 dias se completaria em breve, e estávamos já naquele misto de "o que falta ainda pra ver?" e uma vontade escondida de tomar um banho digno, deitar numa cama macia, e comer

O Vale do Rio Orkhon e a Mongólia Central (Tour dias 6 e 7): Estepes, nômades e cavalos

O sexto dia amanheceu nublado. O famigerado Deserto de Gobi havia ficado para trás, e nós agora adentrávamos a Mongólia Central — o coração do país. Nesta região central da Mongólia, há maior umidade e dominam os pastos por sobre as colinas até onde a vista alcança. Os rebanhos atravessam a frente do carro às centenas. Ou talvez fosse mais correto dizer: o carro passava dispersando centenas de cabras, ovelhas, bois e yaks que pastavam tranquilamente na imensidão. Como cheguei a sugerir anteriormente, me parece que aqui na Mongólia os animais são mais felizes. Com água, pastos e animais estão também os

O Deserto de Gobi, as Dunas de Khongor e os Penhascos Flamejantes: Tour pela Mongólia, dias 4 e 5

Continuação de Iniciando um tour pela Mongólia (Dias 1, 2 e 3): Entre vales, estepes e camelos Não, não é o Saara. Não estamos na África nem na Arábia, mas sim na Ásia Central. Se você reparar num mapa da China, verá que o seu oeste é muito pouco habitado, dotado como é de regiões áridas até você chegar às montanhas que lhe servem de fronteiras com o Quirguistão e o Tajiquistão. Por aqui passavam as rotas de mercadores, naquilo que ficou apelidado de Rota da Seda, e que levava até as grandes cidades da Pérsia, Constantinopla/Istambul, o Egito e a Europa. A

Iniciando um tour pela Mongólia (Dias 1, 2 e 3): Entre vales, estepes e camelos

Era uma manhã dessas de sol quando todos nos reunimos no albergue. Éramos eu, minha amiga canadense com quem viajava, três franceses que espontaneamente juntaram-se ao nosso tour (o que reduziu o preço), um rapaz mongol que nos serviria de guia, e um senhor mongol que seria o nosso motorista. Arrumar um tour pela Mongólia não é difícil, mas é preciso ser criterioso. Há muitas ofertas, muitas delas exageradamente caras, outras baratas mas furadas, e por aí vai. Ao final destes relatos na Mongólia, eu vou compartir com vocês as dicas disso. Os arranjos que fiz foi com Jagaa, alguém que —

Bem vindos à Mongólia e ao Gorkhi-Terelj National Park

Eis a Mongólia, um país de tão forte imagem medieval (dos tempos do conquistador Gêngis Khan) que a gente nem lembra que o país ainda existe, e poucos fazem ideia de como ele atualmente é. Estamos na Ásia Central; para nós, das menos conhecidas regiões do mundo. Aqui, os povos das estepes encontram-se espremidos entre as milenares influências chinesa, persa, e muitas outras. Pode parecer estranho falar em "espremido" nestas esparsas terras onde há menos de 2 pessoas por Km², mas cultural e politicamente é assim que os mongóis estão desde que os herdeiros de Gêngis Khan perderam as rédeas. Acompanhem-me aos

Lago Baikal e Ilha de Olkhon, Sibéria: Entre xamanismo e natureza no interior da Rússia

Como toda história da vida real, este post não tem um tema só. Impressões dos vários tipos costumam nos assaltar em conjunto; o belo ao lado do disfuncional e do interessante. Assim foi comigo aqui na visita ao Lago Baikal, na Sibéria, onde pude contemplar as suas magníficas paisagens, ao mesmo tempo em que experimentava a precariedade de infraestrutura do interior russo e conhecia algo da interessante cultura xamanística dos nativos siberianos. Acompanhem-me. Certa vez, nos idos dos anos 1980, o finado chanceler alemão Helmut Schmidt famosamente chamou a União Soviética de "Burkina Faso com mísseis", basicamente dizendo que, afora o

Muiden e Pampus: Entre castelos e fortalezas na Holanda

Estar na Holanda é estar sempre perto de água — quem já visitou, sabe disso. Mas poucos sabem que houve uma época (não muito tempo atrás) em que este Reino dos Países Baixos quis usar seu relevo e sua susceptibilidade a enchentes como arma de defesa em guerras. Se você acha que já viu tudo em Amsterdã e arredores, ou quer algo menos turístico que o popular museu aberto de Zaanse Schans, considere uma visita a Muiden. Este vilarejo a 5 Km da capital holandesa é autêntico e tranquilo, conta com um castelo medieval bem conservado, e você de quebra pode conhecer

Marken e o andar de bicicleta pela Holanda

Andar de bicicleta na Holanda, como eu comentei no meu post sobre Amsterdã, é uma obrigação. Nunca ouvi falar de alguém aqui que não soubesse pedalar, e quem quer que eu visse sem bicicleta, era um fenômeno temporário porque quebrou ou o pneu furou. Mas afora o andar de bicicleta pela cidade como meio de transporte, é ultra-comum também aos holandeses fazer passeios mais longos de bicicleta — e os estrangeiros que vêm morar aqui logo aderem e tentam fazer o mesmo também.  Suas ciclovias infinitas são outra das características típicas holandesas, e os holandeses são capazes de pedalar dezenas de Km por

Visitando o jardim de flores Keukenhof na primavera, na Holanda

A Holanda toda é apaixonada por flores. Em verdade, flores são o principal produto agrícola do país, em especial as tulipas. Estas flores de origem persa, e ainda facilmente encontráveis naquela região em cidades como Istambul ou Teerã, difundiram-se de tal maneira na Holanda que hoje esta as exporta até para as celebrações religiosas do Vaticano. As tulipas foram trazidas à Europa pelo embaixador francês no então Império Turco Otomano, em 1544, e elas logo se tornaram tão populares que são consideradas uma das primeiras "bolhas especulativas" da História. Seus preços em Amsterdã, na época da "Idade de Ouro" da expansão

Flores tropicais no Taiti & Polinésia Francesa em 20 fotos

Eu sou biólogo de formação e, embora a botânica não seja exatamente o meu forte, não há como vir aqui ao Taiti e não ter a sua atenção chamada pela miríade de flores por toda parte — desde algumas encontráveis no Brasil a outras que eu jamais havia visto. Não sei se já vi em outro lugar do mundo tamanha onipresença de arranjos como aqui, desde às flores selvagens que crescem belas nas beira da estrada, aos hibiscus e tiarés que as taitianas põem atrás da orelha, às coroas floridas de usar na cabeça. Resolvi honrar o florido Taiti fazendo esta compilação

Moorea, Polinésia Francesa: Paisagens, mar, e lugares interessantes

(Este é um post com muitas fotos.) Moorea é uma das ilhas mais fotogênicas da Polinésia Francesa. Ela é também a única aonde é possível ir de ferry desde o Tahiti — fica a apenas 1h de viagem. Antes que eu deixe para depois e esqueça, os horários e preços você encontra aqui, na página oficial dos ferries Aremiti, mas não há nenhuma necessidade de reservar antecipadamente. Basta aparecer 1h antes na Estação de Ferries e comprar a sua passagem para uma viagem tranquila e confortável. Eu havia chegado de volta a Pape'ete desde Bora Bora no dia anterior, retornei para dormir na pousada

Bora Bora, na Polinésia Francesa, e os seus 50 tons de azul

Um voo de 50 minutos me levou do Taiti, a ilha principal da Polinésia Francesa, à lendária Bora Bora, talvez a mais comentada das demais ilhas deste arquipélago das Ilhas de Sociedade (Îles-de-Société). Vir aqui, a este lugar tão remoto e de curioso nome, era pra mim um sonho, uma realização deveras simbólica. Aquele voo doméstico, operado pela Air Tahiti, é a única forma de chegar a Bora Bora — excetuando-se, é claro, viajar em barco próprio, como alguns velejadores fazem. Não há serviços de ferry. Ainda que houvesse serviço de ferry, contudo, não valeria a pena, pois das melhores vistas de

Taiti adentro: De Papeete às montanhas desta ilha vulcânica da Polinésia Francesa

O Taiti não é só mar, é também terra. Nestas ilhas, crescem matas, há montanhas, flores e caminhos interessantes pouco explorados. Aqui havia muita gente, mas a grande maioria — como em outros países da Oceania — morreu vítima das doenças trazidas pelos navegadores europeus e para as quais não tinham imunidade. Se os interiores das ilhas eram outrora habitados por muitas tribos, hoje a população se concentra quase que exclusivamente nos arredores das ilhas; no meio, restaram as montanhas, as florestas, e as ruínas ainda nunca escavadas do que eram as civilizações "pré-europeus" do Pacífico. Eu havia pernoitado na cidade

Na Ilha do Farol Amédée (Nova Caledônia): Vistas, snorkel e vida marinha

Estamos na Nova Caledônia, território ultramarino francês na Oceania. Já relatei as minhas experiências pela capital Nouméa e na linda Ilha dos Pinheiros. Agora era hora de conhecer mais da vida marinha deste lugar e, pura e simplesmente, curtir a praia. Quando eu fui à praia de Nouméa, fui atendido na loja por uma travesti. Eva, da cor do pecado, se descrevia como "taitiana-chinesa" (tahitienne-chinoise), e morria de empolgações pelo Brasil. Eu buscava um passeio a algum lugar interessante onde eu pudesse ir à praia — e, de preferência, fazer um snorkel (aquele mergulho de superfície com máscara) também. A minha escolha foi

A Ilha dos Pinheiros (Île des Pins), Nova Caledônia: Um paraíso na Terra

Quando você viaja muito, já não se impressiona mais tão facilmente com as coisas. Alguém lhe fala de um café ma-ra-vi-lho-so, e você já tomou vários que são melhores. Ou uma igreja linda, mas você já viu tantas. Claro que cada coisa tem sua beleza, cada coisa tem seu sabor particular a ser apreciado, mas já é mais difícil ocorrer aquele "Uau!". Ainda assim, volta e meia você se depara com lugares que elevam os seus parâmetros a outro nível. A Ilha dos Pinheiros (Île des Pins), na Nova Caledônia, foi um desses. A cerca de 100 Km da ilha principal,

A Praia de Champanhe (Champagne Beach), Turtle Bay, Towoc e outros refúgios naturais em Espíritu Santo, Vanuatu

Chegou a hora de ir a belas praias remotas, a lugares quietos da natureza (onde parece não andar ninguém), e de ver como encerrei o meu passeio aqui em Vanuatu. Hora de subir a costa nordeste desta Ilha do Espíritu Santo. Eu havia chegado podre da trilha da Millennium Cave quando Marie, a dona da pensão, me disse que haveria um casal de hóspedes australianos subindo de carro na mesma direção que eu no dia seguinte. O meu plano original era ir na caminhonete coletiva com o povão atrás, mas uma carona sempre vem a calhar. Só esqueci que não estava no

Fazendo a Millennium Cave em Vanuatu: Trilha, caverna, e rio na floresta

Não é todo dia que eu entro num passeio onde uma das principais recomendações é "ir com uma roupa que você não vai querer mais". Passei um bom tanto da tarde anterior pelas lojas de chineses para comprar uma bermuda vagabunda, e custou-me selecionar qual camisa seria "sacrificada". Um dos lugares mais populares de Vanuatu entre os turistas é a Millennium Cave, uma caverna (re)descoberta no ano 2000 na ilha de Espíritu Santo. ("Re" porque grandes quantidades de população aqui da Oceania morreu de doenças contagiosas quando os europeus vieram aqui entre 1600-1800, tal como já havia ocorrido nas Américas.) Hoje,

Bem vindos a Luganville e Espiritu Santo (assim com U), em Vanuatu

Terra à vista!  Você talvez não soubesse que os portugueses tinham chegado assim tão longe. Verdade seja dita, o português Fernão de Magalhães foi o primeiro a circumnavegar o globo (de 1519 a 1522), então há poucos lugares aonde os portugueses não foram. O que você provavelmente não imaginava é que houvesse terras assim tão longe com nomes portugueses. Muito, muito distante do Espírito Santo brasileiro há um semi-homônimo, Espíritu Santo (que os nativos e os ingleses, que vieram aqui depois, acabaram por grafar com U, e essa permanece a grafia oficial) uma ilha no Oceano Pacífico batizada assim pelos navegadores portugueses

O Vanuatu tribal da Melanésia tradicional

Esses são os meus novos amigos. Lembram a Timbalada, mas numa versão mais hardcore. Como eu comentei no post anterior, Vanuatu (e toda a Melanésia) têm uma organização social tribal, que os europeus encontraram aqui e que ainda subsiste. Isso guarda um impressionante, curioso, e às vezes até macabro passado tradicional.  Por exemplo, o famoso bungee jump surgiu como uma "versão nutella" para um rito de passagem de raiz da Ilha de Pentecostes (sim, o nome lhe foi dado por portugueses) aqui em Vanuatu. Lá, para chegar à idade adulta os homens precisam se atirar de um penhasco com vinhas amarrada aos pés —

Em passeios e resorts pelas Ilhas Mamanucas e Yasawas em Fiji: Indo do luxuoso ao basicão

Eu no post anterior mostrei meu breve contato com o Fiji autêntico, dos fijianos. Como turista, contudo, o que me marcou mais foi mesmo o passeio pelos resorts nas ilhas Mamanucas e Yasawas — não há como mentir. Não venha a Fiji para ficar só num hotel ou hostel na ilha principal fazendo tours diários bate-e-volta. Conheci alguns turistas que vieram de longe, da Europa, e passaram uma semana nisso. Só depois eu me dei conta do quanto eles deixaram de aproveitar. Organizar um passeio de vários dias às ilhas Yasawas é essencialíssimo. (Eu costumo ser muito comedido com isso de dizer

Bem vindos a Fiji e à Melanésia: Praias, mar e sossego na Oceania

PRÓLOGO: Melanésia, a terra dos negros que não são da África Essa mulher negra de Fiji na foto ao lado é tão africana quanto Maria Sharapova ou a primeira-dama da China. Seus ancestrais saíram da África há mais de 50 mil anos, como os de todas as pessoas dos outros continentes, e o fato de ela parecer africana não diz nada. Geneticamente, "raça" é um conceito fantasioso, que só existe na cabeça de quem inventou de distinguir as pessoas com base na aparência. Por dentro, a genética de dois povos parecidos aos olhos pode ser bastante diferente. Tampouco o fenótipo dela

Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 5): Da Cachoeira de Afu Aau aos Alofaaga blowholes

Continuação de Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 4): Indo a Savai’i, a outra ilha Pati foi o mórmon mais simpático que eu já conheci. Os mórmons, pra quem não sabe, são a principal Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (há várias), que seguem uma doutrina fundada por Joseph Smith Jr. em Utah, nos Estados Unidos, nos idos de 1840. São aquelas duplas de rapazes de camisas brancas e calças pretas que você vê circulando por aí, mundo afora. Samoa e a Oceania em geral são repletas dessas igrejas. Aqui, longe do uniforme preto e branco, Pati usava uma camisa folgada,

Paisagens da Nova Zelândia em 20 fotos

Algumas das paisagens mais belas do mundo estão na Nova Zelândia. Considerando-se o seu modesto tamanho (menor que o estado do Tocantins), é uma concentração alta de esplendor da natureza. Vale vir à Nova Zelândia já só pelas paisagens que você encontrará.  Há muito, mas aqui vai uma pequena amostra de coisas que eu vi com os meus próprios olhos e fotografei. (Nas legendas das fotos você encontra os links para os relatos em detalhes, caso queira saber melhor sobre os lugares.) 14. O Lago Wakatipu, com bosques e montanhas. Relatos completos das minhas viagens pela Nova Zelândia aqui.

Milford Sound: Natureza pelos fiordes da Ilha Sul da Nova Zelândia

Milford Sound é um daqueles lugares da Nova Zelândia de que eu nunca tinha ouvido falar, mas que me impressionaram profundamente. Estamos falando de fiordes (braços de mar que adentram a terra) cercados de cascatas nas rochas e vegetação nativa.  Muita gente elogia a natureza da Nova Zelândia sem conhecê-la de fato. A maioria dos visitantes não percebe que o ambiente natural do país foi altamente transformado após a chegada dos ingleses, a vegetação natural quase que inteiramente removida para dar lugar aos pastos e plantações de árvore de corte que hoje dominam a paisagem. A vegetação nativa da Nova Zelândia é rasteira,

Queenstown, a cidade mais pitoresca da Nova Zelândia: Lago, montanhas, e esportes radicais

Queenstown é a capital mundial dos esportes radicais, a capital dos brasileiros na Nova Zelândia, e a cidade mais pitoresca do país. Que combinação! Estamos no miolo da ilha sul, em meio às montanhas nevadas dos Alpes do Sul. Parece que você está em Bariloche ou na Suíça, só que com um toque anglófono, que lembra mais o Canadá ou os Estados Unidos. Cheguei de ônibus numa tarde dessas. Queenstown, com seus meros 20 mil habitantes, lembra aquelas pequenas cidades suíças nos Alpes, embora sem tanto glamour. A parte construída pode não ter o charme e profundidade histórica de uma Lucerna, por

O Lago Tekapo e os Alpes do Sul, na Nova Zelândia

Este é um post bastante visual. Não há como ser diferente, o Lago Tekapo [Tê-ka-pô] é uma das áreas mais cênicas de toda a Nova Zelândia. Inserido na cordilheira dos chamados Alpes do Sul, que cortam toda a ilha sul da Nova Zelândia, o Lago Tekapo é uma massa azul de 83km² a uma altitude de 710m. Os Alpes do Sul ultrapassam os 3.000m, com o Monte Cook/Aoraki sendo o pico mais elevado de toda a Nova Zelândia, a 3.724m de altura. (Aoraki, que no idioma Maori quer dizer algo como "trespassador de nuvens", já era o nome desse monte quando os ingleses

Christchurch (Nova Zelândia) e o seu belo jardim botânico no outono

Cheguei a Christchurch num fim de tarde de outono. O sol caía tímido, ainda raiando por entre a folhagem enquanto um ar friozinho já tomava conta. Esta é a maior cidade da ilha sul da Nova Zelândia, com quase 400 mil hab. dos 1 milhão da ilha. Com franqueza lhes digo que é uma cidade de poucos atrativos, uma cidade normal, um tanto tediosa não fosse pelo seu lindo jardim botânico em pleno centro. Christchurch ganhou as manchetes em anos recentes por ter sofrido com vários terremotos consecutivos, um em setembro de 2010 e outro pior em fevereiro de 2011. Aí, após

Natureza em Rotorua, Nova Zelândia: Termas, sequoias, e enxofre

Acordei e, antes mesmo de abrir os olhos, lembrei onde estava. Quase que a minha primeira palavra do dia foi um palavrão. A cidade de Rotorua, à beira de lagoas termais ricas em enxofre, é envolvida num odor de ovo podre que te acompanha dia e noite. Se a sua acomodação for relativamente perto das lagoas, como foi o meu caso, esse cheiro será sua primeira inspiração ao acordar e o último suspiro antes de dormir. Rotorua é o paraíso geológico da ilha norte da Nova Zelândia. Uma das cidades mais interessantes do país. Ela é famosa por suas termas, gêisers e

Hong Kong: O Mosteiro Po Lin na montanha e o Grande Buda de Tian Tan, na Ilha Lantau

Uma das atrações mais fenomenais em Hong Kong é o Grande Buda de Tian Tan, numa das montanhas dos arredores da cidade. São 34m de bronze do Buda sobre uma flor de lótus, numa localidade cheia de verde e visível à distância. Tian, vocês já viram no post anterior, é o conceito chinês de "céu" ou "mundo espiritual". Tian Tan quer dizer "altar do céu", e este modela um templo budista do século XV em Pequim que leva esse nome. Caso você esteja admirado(a) de ver tanto verde numa metrópole densa como Hong Kong, vale saber que "Hong Kong" não é só a cidade

Visitando Petra (Jordânia), a cidade esculpida em pedra pelos antigos árabes nabateus

Wadi Musa, ou o "Vale de Moisés" em árabe, é hoje uma região árida e pedregosa. Estamos no sul da Jordânia, não muito distante do Deserto do Sinai ou da fronteira com Israel. Dizem que, nos tempos bíblicos, o profeta Moisés teria feito água brotar das rochas nesta região. (Tais milagres seriam muito necessários hoje, quando junto com a deterioração de fontes d´água a Mudança Climática Global está batendo com força nestas regiões áridas. O lugar é hoje muito mais seco do que era há dois ou três mil anos atrás.)  Os nabateus são um povo árabe dos mais antigos de

As cavernas de Jeita Grotto e a colina de Nossa Senhora do Líbano em Harissa

"E no mar e no céu — a imensidade!", notou o poeta Castro Alves em Navio Negreiro. Tivesse ele morado no Líbano do século XXI, teria notado também a imensa poluição entre o céu e o mar. Apesar dos pesares ambientais daqui, a colina da Nossa Senhora do Líbano em Harissa, povoado próximo à cidade libanesa de Jounieh, foi das melhores vistas que tive durante a minha estadia no país. Você sobe num bondinho panorâmico seguido de um plano inclinado para chegar nessas alturas. As vistas são lindas. Este foi um dia modestamente aventuresco, venturando-me fora de Beirute para conhecer as demais coisas do

Cruzeiro pelo Rio Nilo no Egito: Dois dias num navio de Luxor a Aswan

PRÓLOGO Tudo começou com o senhor gordo em Luxor. "Mr. Bob”, ele se intitula, embora este seguramente não seja o nome dele. Provavelmente é Ahmed, Mohammed, Ibrahim ou algo típico árabe. Mr. Bob era um senhor pesado, mulato, daqueles árabes de pele escura, e barrigudo do tipo que anda com o corpo meio jogado pra trás pra reequilibrar a barriga. E dado a engraçadão. (Quando fomos ao templo de Hatshepsut, ele referiu-se a ele como Hot Chicken Soup, pra fazer piada.) Mr. Bob era o meu agente local de viagens, com quem comprei as passagens para este cruzeiro. Achei que iríamos caminhando até o

O bucólico oeste da Irlanda: Galway, Connemara, e os Penhascos de Moher

A Irlanda é famosa na Europa por suas paisagens bucólicas, sobretudo este oeste do país. É como se aqui você finalmente encontrasse aquele autêntico verde do espírito irlandês, aquela alma celta, a natureza dos campos tranquilos, aquela beira-mar vazia, sem ninguém, e ruínas de pedra na neblina. Uma quietude que faz você se sentir em As Brumas de Avalon ou em alguma cena New Age. Eu cheguei aqui após poucas horas de trem desde Dublin, a capital irlandesa. A pequena cidade de Galway faz as vezes de cidade mais importante nesta costa oeste. Era inverno, e todo o lugar parecia adormecido. Ainda que

Ko Phi Phi, Tailândia

Este será um post bastante visual. Não há como ser diferente; Ko Phi Phi é um paraíso na Terra, daqueles que a gente vê em cartão postal e papel de parede de computador. A água do mar é tão clara que dá até pra ver os peixes nadando. Só não se esqueça do calor, que as pessoas sempre se esquecem de imaginar quando veem essas fotos, e que aqui equivale a um dia quente de verão no Nordeste ou no Rio de Janeiro. 
Phi Phi (Ko significa "ilha") é uma das mais populares das ilhas que pontuam a costa da Tailândia — dessas

Num santuário de elefantes na Tailândia: Uma visita inesquecível

Elefantes são dos animais mais fascinantes do planeta. Inteligentes, amistosos, e ameaçados. Uma vinda à Tailândia não está completa sem uma visita a um dos muitos santuários de elefantes que há aqui no norte do país. Nos arredores de Chiang Mai há dezenas deles, mas nem todos os tratam bem, então se você se importa com os elefantes, vale a pena ter atenção na hora de escolher. 
Muitos parques selam os elefantes com arreias de metal que, ao longo do tempo, podem criar ferimentos na pele e infecções. Além disso, há muitos casos de treinadores que os machucam. E, convenhamos, ficar

Machu Picchu

Machu Picchu, a cidade perdida dos incas. Este é talvez o mais famoso e místico destino na América do Sul. É também a mais popular trilha das Américas, para aqueles que curtem caminhar na selva. O que torna Machu Picchu especial e diferente de outras regiões de montanha é que aqui você tem muito verde, não apenas rochas, e tem todo o misticismo que cerca os incas. Em poucos outros lugares do mundo você encontrará ruínas assim tão bem conservadas, e rodeadas do povo que as construiu. 
Machu Picchu foi (re)descoberta em 1911 pelo explorador norte-americano Hiram Bingham. Por séculos ficou

Ollantaytambo e o Vale Sagrado dos Incas

O vale do Rio Urubamba, mais conhecido como o Vale Sagrado dos Incas, recorta a porção sudeste dos Andes peruanos, onde as montanhas já começam a se aproximar da Amazônia. Ainda não há, é claro, traços da exuberante selva que se encontra quilômetros mais adiante; mas tampouco há a secura do oeste peruano. Aqui, neste vale, os incas cultivaram milho desde muito antes da chegada dos espanhóis. Outros indígenas já o faziam muito antes da chegada dos incas aqui.  
O vale é uma riqueza de visuais, com paisagens naturais magníficas pontuadas por vilarejos de origem inca aqui e ali. O Rio Urubamba

Aventurando-se de carro pelo interior da Bósnia: Blagaj, Počitelj, e mais

Como eu disse e repito, a Bósnia é um país lindo e subestimado. Geralmente não imaginamos que haja ainda tanta natureza no continente europeu, mas aqui nos Bálcãs, na Europa do Leste, ainda há.  
Completamos a nossa visita a Sarajevo, a capital bósnia, como relatado aqui e aqui, e era chegada a hora de partir. Destino? Dubrovnik, a mais famosa e badalada cidade da Croácia, e cenário de gravações da série Game of Thrones.  
Mas o transporte de Sarajevo a Dubrovnik não é exatamente o mais conveniente. Não há trem, e a viagem de ônibus dura mais de 10 horas, na maior parte

Os Cenotes de Yucatán e os Monumentos Mayas em Kabah e Uxmal

A maior parte dos monumentos Mayas permanecem desconhecidos do nosso imaginário. No entanto, estão entre as ruínas mais fabulosas do mundo. Há algumas na Guatemala e muitas aqui pela Península de Yucatán, no México. De todas as ruínas mayas que eu visitei no México, Uxmal é provavelmente a mais bonita. Ela é menos famosa que Chichén Itzá (aqui), pois fica mais longe de Cancún e assim recebe menos turistas, mas é bem mais impressionante. Uxmal, que em maya quer significa "três vezes construída", foi uma cidade habitada entre 500-1100 d.C.. Ao final deste período sofreu uma forte invasão tolteca (outro povo indígena,

Malta: Um dia em pleno Gozo e na Laguna Azul de Comino

Todos entramos em Antônia para chegar a Gozo. Chegar lá pode ser meio turbulento, cheio de sacolejos, movimento, mas ao chegar a sensação é de grande tranquilidade. Gozo é extremamente agradável. 
Calma, antes que pensem que eu comecei a escrever contos pornô em vez de crônicas de viagem. Gozo é a segunda maior ilha do arquipélago de Malta, associada à mítica ilha de Ogygia (não confundir com orgia) onde a ninfa Calypso teria seduzido e mantido Odisseu cativo por alguns anos em sua Odisséia pra casa (ele foi liberado depois). Hoje vivem aqui 37 mil gozitanos — como se chamam os habitantes daqui, orgulhosos da sua

Bled e a Eslovênia medieval

Bled é uma pitoresca cidadezinha da Eslovênia, com um castelo, um lago, e uma igrejinha numa ilhota do lago. É um dos mais populares destinos do país, e a apenas uma viagem curta (1h) da capital Ljubljana. Aqui visitei alguns cenários medievais bem idílicos, senti-me na Terra Média ou em Westeros, e de quebra ainda descobri a sabrage — a técnica de abrir champagne com um sabre — com um monge. 
Ainda era começo de janeiro, portanto inverno na Europa. Tudo quieto, como transparece na foto acima. Pouco havia passado desde o réveillon, e Ljubljana continuava pacata. Na mesma rodoviária chinfrim onde eu havia tomado

Nas Cavernas de Postojna (Eslovênia)

O meu primeiro dia do ano foi literalmente cavernoso. Depois da fuzarca de réveillon em Ljubljana (post anterior), a cidade estava deserta. Recebi mil recomendações sobre cafés a visitar, mas tudo estava fechado. Meu café da manhã foi portanto extraído de máquinas automáticas. Uma delícia. Na verdade, foi melhor do que eu imaginei: consegui um iogurte de côco, um sanduíche, e de quebra um pacote de batata chips. Senti-me como se tivesse feito uma feira, naquela entradinha despretensiosa numa avenida em Ljubljana. A caminho da rodoviária. 
Como era feriado (1 de janeiro), muito da cidade estaria fechado, e resolvi deixar pra visitá-la

No Deserto do Saara: Camelos e muita areia em Merzouga

Areia, vento, calor. O que você se esquece de imaginar é o silêncio. Na cidade há sempre barulho de algum tipo; no campo há pássaros e outros sons da natureza; já no deserto não há nada — às vezes nem o vento faz ruído. Conforme você trota no camelo, entre um grunhido ocasional e outro, parece que você saiu do mundo e se encontra num espaço paralelo. A sensação é de sossego e serenidade, se você souber aproveitar a quietude. 
Como a camelada é feita ao fim da tarde, não é quente. Pelo contrário, rapidamente esfria, e prepare-se para uma noite de bater os

Paraíso perdendo-se: No centro de Java, e o dia-dia em Yogyakarta (Indonésia)

Depois do Brasil, a Indonésia tem a maior cobertura florestal do mundo. Como o Brasil, a Indonésia sofre com a fome inesgotável dos mercados internacionais por recursos naturais: minérios, madeira e, cada vez mais, terras e água para a agricultura de exportação controlada por poucos. Vive como o Brasil numa eterna economia de produtos primários, como no tempo de colônia. A Indonésia conquistou independência da Holanda em 1949, experimentou uma longa ditadura militar (1967-1998) apoiada pelos Estados Unidos, e o resto você já conhece, é como o Brasil: governos pouco eficazes e mancomunados com as elites locais e estrangeiras que

Rovaniemi, Finlândia: Visitando a Lapônia e o Papai Noel no Ártico

Foi Ano Novo em Amsterdã. O cheiro dos fogos se misturava ao de maconha na rua. Não que os holandeses e turistas fumem sempre, mas nesta noite de réveillon havia o bastante para confundir os cheiros. E olhe que aqui os fogos de virada de ano não são poucos. Parece festa junina. Há muitos milionários que, para além da festa paga pelo governo, fazem as suas próprias, então há fogos por toda a cidade. Além disso, aqui todo mundo parece virar criança e o que mais se vê são adultos jogando bombas na rua como se fosse a coisa mais

Edição especial numa terra Pataxó: Em meio aos índios em Porto Seguro e Coroa Vermelha

Dança com Lobos (1990) e O Último Samurai (2003) são filmes de narrativa simples, mas de profundo significado: um homem deixa a sua sociedade habitual e acaba convivendo com aqueles que vivem de um outro modo. "A way of life", é o nome da música-tema d'O Último Samurai, e não por acaso. Em ambos os filmes, os personagens acabam encontrando naquela nova sociedade muito do que já não encontravam nas suas. 
Este ano fui agraciado com trabalhos aqui no Brasil, entre eles um projeto com os índios Pataxó, no sul da Bahia. Perto da conhecida Porto Seguro há mais de 800

O Mosteiro de Rila, Bulgária: Arte sacra em meio à natureza

O Mosteiro de Rila, do século X, é provavelmente a maior atração turística da Bulgária. E não sem motivo. O lugar parece retirado de algum conto histórico medieval: bela arquitetura, cercado de montanhas cobertas de floresta, e lindos murais de arte cristã ortodoxa. A própria jornada até aqui (2 horas de carro desde Sófia) já impressiona pela beleza natural da Bulgária, ainda bastante verde (até quando, não sei). 
Eram meados da manhã quando deixamos a capital. Meus amigos planejaram parar na beira da estrada para comer omelete de avestruz. Teria sido minha primeira vez, mas infelizmente o criador estava ausente e

Na Aridez da Capadócia (Parte 2): São Jorge, o Museu Aberto de Goreme, e o Vale do Amor

O meu relógio marcava 5:29 da manhã quando o grito de "Allaaaaaahu akbar" soou do minarete ao lado do meu hotel. Quando eu digo "ao lado", eu digo literalmente. E aquela voz de megafone. Eles não gravam; todo dia, 5 vezes, vem mesmo alguém chamar os muçulmanos — grande maioria aqui — à oração. Eu fui chamado mesmo sem ser. Os dizeres prosseguem por um ou dois minutos, exaltando Deus e clamando a todos que venham. É impressionante, mas me levantou meio que de supetão nesse horário. 
Por outro lado, foi bom. Meu despertador tocaria às 5:30 de qualquer jeito. Às 6:00 o baloeiro

Na Aridez da Capadócia (Parte 1): Vales, catacumbas, e moradas nas rochas

A viagem de Pamukkale à Capadócia foram, literalmente, oito horas de Suha. Suha é o nome da empresa de ônibus, e surrado é como você se sente depois de chegar. O ônibus tem quase tudo: ar condicionado, televisão individual às costas da poltrona da frente, e até serviço de bordo com biscoito e cafezinho servido por uma "rodo-tia" (uma versão rodoviária e coroa da aeromoça). Só não tem banheiro. Vantagem de não sentir aquele fedor a bordo. Contudo, o ônibus faz paradas a todo momento naquelas lanchonetes de beira de estrada, parecidas com as do Brasil (só que aqui na Turquia

Top