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As 5 piores coisas de se morar na Holanda

Nem tudo são flores em terras holandesas. Eu tenho uma satisfação imensa de ter morado na Holanda pela maior parte dos últimos 10 anos, não somente em nível pessoal como também por ter realmente gostado da experiência de viver no país. No entanto, preciso dar um parecer sincero e equilibrado. Depois de fazer uma lista do que mais gostei morando na Holanda, nada mais justo do que revelar também aquelas coisas de que menos gostei. 1. O Clima. O clima holandês é caracterizado por muitos dias nublados, chuviscos por dias a fio, sol raro, e ventos fortes o ano inteiro. Chove em média 182

As 5 melhores coisas de se morar na Holanda

Mudei-me para a Holanda em 2008, e lá morei pela grande parte dos últimos 10 anos — sempre que não estava em viagem a algum outro lugar do mundo ou passando um tempo com a família no Brasil. A Holanda é um país maravilhoso de muitas formas, e não só para visitar. Nenhum lugar é perfeito, mas viver na Holanda tem grandes vantagens. Lá eu me afeiçoei a certas coisas que agora dificilmente consigo viver sem por muito tempo. Fiquei "mal acostumado" — ou bem acostumado, a depender da leitura que você preferir. Resolvi elencar aqui os 5 aspectos que mais amei (sem

Amsterdã (Holanda), a cidade mais pitoresca do mundo

Cada um tem a sua menina dos olhos: a minha é Amsterdã. Ainda que a minha lista de cidades favoritas inclua várias outras, até mesmo algumas mais próximas do meu coração, pra mim é Amsterdã a mais bonita e mais pitoresca de todas. Se não fosse clichê, eu diria que ela é um grande museu a céu aberto. A capital holandesa, povoado medieval das margens do Rio Amstel (Amstel + dam, de "represa no rio Amstel", para daí Amsterdam) que emergiu como cidade nos idos de 1300, é uma metrópole europeia sui generis com suas centenas de canais e pontes por

5 coisas que aprendi após viver na Índia

Faz alguns anos desde que vivi por uns meses na Índia. Digo que "vivi", e não simplesmente passeei, porque fiquei grande parte do tempo com famílias indianas — participando dos seus eventos sociais, tendo que tomar transporte público, e indo fazer compras no supermercado. Em suma, experimentando a rotina do dia-dia na Índia, além de ir explorar os seus vários cantos e recantos. A experiência foi hiper-marcante (embora nem sempre agradável). Hoje, em retrospecto, sou capaz de destacar algumas coisas que aprendi naquela viagem e que carrego comigo até hoje. Achei que seria legal compartilhar. 1. O ser humano é muito maleável e se

Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 4): Indo a Savai’i, a outra ilha

Continuação de Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 3): Danças, tradições, cultura, e a origem da tatuagem Há duas ilhas principais em Samoa: Upolu [Upôlu], onde ficam a capital (Apia) e o aeroporto internacional, e Savai'i [Savái], uma outra ilha até ligeiramente maior, mas ainda menos urbanizada. Um ferry 4x ao dia liga uma a outra, basicamente o único caminho para se chegar a essa parte ainda mais remota do país. Em Savai'i é que eu conheceria de perto algumas das mais belas riquezas naturais de Samoa, e onde eu também teria um contato mais próximo com samoanos. Há diga que em Savai'i é

Bordejos em Paris na primavera (Parte 3): Monmartre, o Sacré-Coeur, e os contrastes entre a França da belle époque e a de hoje

A França é um dos países mais saudosos da Europa. Mesmo num continente já em geral tão habituado a gostar de reviver o passado e recobrar os seus tempos de glória, a França me parece particularmente nostálgica.  Ao contrário de Berlim, Barcelona e outras das grandes cidades da Europa que admitem, reconhecem, e criam sua identidade própria com base na realidade presente, Paris e a França em geral me parecem fixadas num senso de identidade que gira em torno de um passado cada vez mais distante e que já não é mais. Compare, por exemplo, os filmes recentes de Woody Allen

Nicosia (Chipre), a capital dividida à là Berlim: lado grego, lado turco

Bem vindos a Nicosia, a última capital dividida do mundo. Sim, porque as Coreias há muito tempo já não dividem uma capital. Chipre, no entanto, tem a sua capital dividida desde 1974, quando separatistas falantes de grego tentaram anexar o país à Grécia e a Turquia interveio militarmente em defesa dos cipriotas que falam turco, e que hoje vivem na região norte da ilha. (Mais detalhes sobre isso, no post anterior.) Aqui, embora não haja exatamente um muro como em Berlim, há toda uma seção da cidade que está abandonada, as próprias construções servindo de barreira entre um lado e outro. No

Muvuca no Aeroporto de Túnis, e despedindo-se da Tunísia

Isso são as filas para check-in no Aeroporto de Túnis. Era hora de despedir-se da Tunísia, mas a tarefa não parecia fácil. Cheguei, ingênuo, ao Aeroporto de Túnis achando que todo o processo se daria com a tranquilidade que encontramos no Brasil (sim, tranquilidade). Desde Madagascar eu não via tamanha esculhambação aeroportuária. Nas “filas” para o check-in parece que você trouxe várias famílias da roça para o aeroporto, e elas estão ali na muvuca. Grupos de senhoras passavam desavergonhadamente à minha frente, falando umas com as outras; homens iam lá pra a frente com 5 passaportes na mão, e ficavam gritando pra localizar

Afeição masculina nos países árabes e na Índia: O reverso da medalha da segregação de gêneros?

Quem viajar ao mundo árabe ou à Índia vai notar logo duas coisas de cara. A primeira, conhecida, é a separação entre homens e mulheres no mundo público. Verá poucas mulheres recepcionando clientes em lojas, em restaurantes, ou em qualquer instância onde haja contato com estranhos; e verá pouca interação entre homens e mulheres, de fato. Os grupelhos na rua são caracteristicamente de mulheres de um lado, e homens do outro. 
A outra coisa que lhe chamará muito a atenção, como ocidental do século XXI, é a proximidade física que existe entre os homens aqui. A afeição a que você assiste

Crônicas da vida numa pensão em Mérida, Yucatán, interior do México

Estamos em Mérida, capital do estado mexicano de Yucatán, no caribenho sul do país. Aqui eu passaria algumas semanas a trabalho — mas um trabalho sossegado, quase digno dos livros de Gabriel Garcia Márquez, tomando aquelas brisas vespertinas a soprar do Mar do Caribe, e conhecendo figuras que eram reais personagens. Quem eu mais via na pensão onde me instalei em Mérida era Joel, o faz-tudo neto da senhora gerente. Joel nunca soube o meu nome. Se soube, nunca o usou. Joel é um rapaz baixinho, de cara arredondada, do tipo risonho pouco atento, que parece estar sempre metade aqui e metade em

Memórias de um albergue mouro

(Este é um daqueles posts que são em parte pra vocês e em parte pra mim mesmo, pra que quando eu ficar velho não me esqueça destes ocorridos.) 
Este ano passei uma longa estadia, de várias semanas, no albergue Equity Point em Marrakech. Eu nunca havia assim "morado" num albergue. Parecia uma versão mourisca e contemporânea d'O Cortiço, só que em estilo árabe, e onde os moradores mudavam a cada par de dias.  
Houve quem achasse que eu era funcionário, e até funcionário me pedindo ajuda pra saber onde ficava tal quarto. Afinal, o albergue era ele próprio um labirinto que parecia

Japão, um país de homens?

Anúncio de um maid café, tipo de lanchonete onde as garçonetes se vestem e se comportam como serviçais, por 80 reais. O Japão é um país machista — não diferentemente do restante da Ásia, com algumas particularidades aqui e ali. Não é mera opinião; são o que os dados mostram. Dentre os países ricos, o Japão é de longe o mais desigual em questão de gênero. Em 2012 o relatório anual do Fórum Econômico Mundial o classificou na centésima posição em termos de paridade de oportunidades entre homens e mulheres, ao lado de países como Gâmbia e Tajiquistão. 
Alguns questionam, dizendo que culturas são diferentes, e

A triste sina de Hiroshima

8:15 da manhã, 6 de agosto de 1945 As pessoas aguardavam a abertura dos bancos e das lojas. Não se pode dizer que era uma manhã "normal", pois já há oito anos o Japão estava em "guerra total". O risco de invasão era real, e a derrota já era certa. Mas se por um lado os líderes do Japão já tinham noção da circunstância e as lideranças ocidentais já até repartiam os espólios de guerra, as pessoas comuns — sempre as que arcam com os maiores custos — dificilmente imaginavam o que estava por vir. 
Hiroshima entrou para a História como a primeira vítima de uma bomba atômica.

Indo ao Monte Kurama e ao banho nu nas fontes termais

(Fico a me perguntar se alguém vai abaixar correndo a barra de rolagem pra ver se tem alguma foto de mim sem roupa. Não, não tem, sinto o desapontamento ;-)). Kyoto fica num vale, e é cercada por colinas verdes. A foto não me deixa mentir. Essas construções de arquitetura japonesa em meio à natureza são algo ímpar. Passam uma paz imensa. Na primavera é mais movimentado, porque milhões de deslocam para vir ver as cerejeiras em flor; mas no inverno é mais tranquilo, então a paz é maior. Você tem várias vezes o lugar só para si. Na verdade, eu acabei vindo visitar

Borobudur, o maior templo budista do mundo, na Ilha de Java (Indonésia)

No post anterior eu relatei a minha visita a Prambanan, o milenar complexo de templos hindus nos arredores de Yogyakarta, no centro da ilha de Java. Aquilo era um fim de dia. Na calorosa manhã tropical do dia seguinte, nós iríamos a Borobudur, um magnífico templo ainda mais antigo, desta vez budista. Ele acontece de ser o maior templo budista do mundo. Borobudur data de 800-825 d.C., e tem um conceito bem interessante. São nove plataformas formando uma espécie de pirâmide, e em cada uma delas há ilustrações esculpidas mostrando aspectos da vida de Buda e, em geral, da vida humana.

O Melhor e o Pior do Canadá – Parte 8 (final)

2° Melhor: As Coisas Funcionam 
Como tudo na vida, isso é algo que você só aprende a dar valor quando não encontra. Depois de anos no Brasil, acostumado com as burocracias, a papelada que sempre se precisa preencher, e com a enrolação que é pra se conseguir documentos, essa estadia no Canadá foi um banho de água fresca. 
Você não precisa esperar uma eternidade pra as coisas ficarem prontas, não precisa pegar filas enormes e gastar uma manhã inteira esperando que o funcionário te atenda, não precisa conhecer fulaninho que trabalha lá dentro e que agiliza o processo pra você, não precisa

O Melhor e o Pior do Canadá – Parte 7

3° Melhor - A Segurança 
Não importa onde você mora no Brasil, com certeza segurança é um assunto de primeira importância. A gente aí está sempre preocupado em andar na rua sem chamar muito a atenção de ladrão, em observar bem as pessoas ao nosso redor, e em não dar mole. Comparando essa realidade com a do Canadá, o contraste é gritante. 
No Brasil ninguém é louco de deixar a casa vazia com a porta aberta; pelo contrário, a porta fica trancada até quando a gente está em casa. No Canadá casa nenhuma tem muro ou grade, a rua chega direto na

O Melhor e o Pior do Canadá – Parte 6

4° Melhor - Os canadenses tratam bem os outros e sabem respeitar as diferenças 
Eu já comentei como os canadenses não se abrem muito facilmente, mas deixando isso de lado, preciso dizer que aqui no Canadá você é geralmente muito bem tratado - isto é, pelo menos pra os meus padrões, talvez em outros países seja ainda melhor. 
O Canadá nesse sentido me deixou uma impressão muito boa. O povo aqui é gentil e prestativo, mesmo se você for um completo estranho. Praticamente em qualquer lugar que você vai você é recebido com um sorriso, educação, e gentileza. Às vezes as pessoas

O Melhor e o Pior do Canadá – Parte 5

5° Melhor - A Natureza 
A natureza no Canadá é simplesmente fantástica. Mesmo pra quem vem do Brasil, riquíssimo em patrimônio natural, o Canadá pode ainda assim impressionar. Até mesmo porque a natureza aqui é bem diferente, como seria de se esperar. Talvez você já tenha visto na internet fotos das paisagens canadenses; das Montanhas Rochosas, das pradarias do centro da América do Norte, das florestas temperadas em volta de Vancouver na costa oeste, ou das folhas que ganham cor alaranjada no outono. Se é bonito em foto, na realidade tudo é muito mais fantástico. Não há sombra de dúvida: os melhores

O Melhor e o Pior do Canadá – Parte 4: O Canadá francês, o diferente

Um intervalo breve: O Canadá francês 
Antes de passar pra os pontos bons do Canadá, há uma pausa importante a fazer. Como eu imagino todo sabe, o Canadá é parte inglês, parte francês. As duas partes são consideravelmente diferentes, não só na língua, mas na cultura e em muito mais. Tem até quem diga que o Québec (a província onde os canadenses franceses estão concentrados) deveria ser considerado parte da América Latina. E de fato, em muita coisa eu acho o Québec mais parecido com o Brasil do que com o restante do Canadá. 
Muito dos pontos ruins que eu apontei aí abaixo

O Melhor e o Pior do Canadá – Parte 3

1° Lugar, o Pior: A Comida Sabe, dá pra se acostumar a ver pessoas mais gordas que no seu país de origem, dá pra aceitar que eles não conheçam muito sobre outros países, não é o fim do mundo. Dá até pra se acostumar com as conversas rasas daqui (só não se acostume demais) e dá pra compreender que pessoas de países diferentes são diferentes também, e que aqui os amigos não são tão próximos. Mas má notícia, meu amigo: não dá pra viver sem comer. 
Isso quer dizer que aqui você tem que enfrentar a comida canadense diariamente. E o que

O Melhor e o Pior do Canadá – Parte 2

2° Pior - Os canadenses são gentis com estranhos, mas não muito próximos como amigos 
Qualquer um que já tenha vindo ao Canadá certamente notou o quanto os estranhos te tratam bem, na rua ou onde quer que você vá. Os canadenses são gentis e prestativos, mas raramente isso se transforma em amizade de verdade. No último post eu comentei como eles evitam assuntos pessoais nas conversas, e isso só ilustra um comportamento que é amistoso, mas bastante fechado em relação aos outros. 
A "religião" aqui é a individualidade e o espaço pessoal de cada um, em todos os sentidos. Então, por

O Melhor e o Pior do Canadá – Parte 1

Eu vou começar o blog com uma série do que eu achei de melhor e pior aqui no Canadá. Depois de morar aqui por 2 anos, acho que há bastante coisa que eu posso dizer com a minha visão de estrangeiro. Muita coisa do nosso próprio estado ou país a gente nunca percebe até que tenha saído de lá e vivido em outro lugar. É aí que a gente ganha um referencial pra comparar, e começa a perceber o que o nosso país tem de bom e de ruim, ou simplesmente de diferente, e que o torna único. 
Isso também vale

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