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Conhecendo Thimpu, a capital do Butão

Bem vindos a Thimpu. Se naquele jogo de saber os nomes das capitais dos países alguém o desafiar com o Butão, agora você já sabe sua capital qual é.  Thimpu, de apenas 115 mil habitantes, é uma cidade curiosa. Há prédios como em outras capitais do mundo, mas aqui eles todos seguem (por lei) a estética tradicional butanesa, com seus coloridos. Se culturas do mundo todo passaram a dar lugar à por vezes insípida arquitetura contemporânea de edifícios reluzentes sem personalidade cultural, essa personalidade no Butão se guardou. Não é igual aos outros lugares. É uma cidade também em construção. Apesar da

Entre campos de arroz, arquitetura butanesa e budismo tântrico em Punakha, Butão

De que o Butão é um país pitoresco, acho que já os convenci no post anterior. É algo que continuará em todas estas postagens. Mas o Butão também é rico de particularidades, curiosidades, seja o curioso Budismo tântrico, seja a sua arquitetura tradicional tão particular. Eu dormira em Punakha, um dos distritos mais visitados do país, e acordei no dia seguinte para uma manhã nublada. Eu, ambicioso, aproveitei-me de estar viajando sozinho — e, portanto, na minha própria velocidade — para fazer um programa intenso, com tudo o que fosse possível ver ou fazer. Nesta manhã, faria uma caminhada pelos arrozais até um

No Reino do Butão, país budista nos Himalaias

Bem vindos ao Reino do Butão, este país budista nos Himalaias. Uma das viagens mais memoráveis que já fiz. O Butão é o bucolismo rural e natural cada vez mais difíceis de encontrar na Ásia, saturada que está pela superpopulação e pela urbanização desordenada. No Butão, temos menos de um milhão de pessoas, que sequer estão concentradas na capital. Essa, Thimpu, possui apenas 1/7 da população do país, algo mais de 100.000 habitantes.  Os rios continuam limpos. Ver corredeiras ainda quase transparentes, da água gélida que desce dos Himalaias e aqui ganha breves tons esverdeados enquanto margeia as pedras, encheu-me de alegria.

Visto na chegada para brasileiros e imigração no Nepal: O procedimento e a experiência

Bem vindos ao Nepal, um dos países mais turísticos do Oriente. Estamos na Cordilheira dos Himalaias, a mais alta do mundo, entre a Índia e a China. Acabei de chegar, e nos posts seguintes relatarei a minha visita e experiência aqui.  Por ora, quero compartilhar informações sobre o procedimento e a experiência de obter o visto nepalês na chegada ao aeroporto de Katmandu, a capital. Brasileiros, assim como portugueses e outra centena de nacionalidades, não precisam solicitar visto antes de viajar ao Nepal. Basta vir. Isso se aplica tanto a vindas de avião quanto a entradas por terra, vindo de países vizinhos.

Sul da Armênia: Entre licores de damasco e o Mosteiro de Tatev nas montanhas

Visitada a capital e alguns sítios próximos, havia chegado o dia de eu fazer uma excursão ao sul da Armênia, quase na fronteira com o Irã, a conhecer o Mosteiro de Tatev, do século IX, uma das muitas preciosidades históricas desta região. Nesta terra de montanhas e vales, sol quente e seco, há muito que monges cristãos viveram em comunidades isoladas. É um tradição antiga, como quase tudo por aqui. Há muitas agências de turismo em Erevan oferecendo passeios às diversas partes do país (embora nem todos estejam disponíveis todos os dias, então atenção se você estiver visitando). Este eu organizei com

Islândia: Dicas de viagem, tours, lugares para ver, e o que fazer

Como eu sempre prezo pela sinceridade, a foto de capa é uma foto sincera: feliz, porém sob nuvens. Não caia na ilusão das agências de turismo de que vai encontrar aqui plenos dias de sol e céu azul. Pode até encontrar (aproveite-os ao máximo!), mas é bom estar mentalmente preparado para a probabilidade maior, que são dias nublados e de chuvisco, seja qual for a época do ano. Passei uma memorável semana de verão aqui na Islândia, e abaixo compartilho as minhas principais impressões e recomendações. O que mais gostou. Da sensação de estar numa parte remota da Terra. Natureza bruta, primeva,

As termas da Lagoa Azul (blue lagoon) na Islândia

Esta havia sido uma semana na remota Islândia, encontrando-me com suas paisagens rústicas e a natureza do jeito que ela é aqui: não exuberante como nos trópicos, mas mostrando quase uma Terra primitiva, de rochas, água, escarpas, cachoeiras, gêisers e plantas apenas rasteiras. Faltava completar a estadia com uma ida obrigatória à Blue Lagoon, a famosa terma de águas azuis da Islândia. É uma boa visita, e útil saber algumas coisas antes de vir aqui.  Depois de fazer vários tours a partir de Reykjavík ao longo dos últimos dias (a Snaefellsnes, à costa sul da Islândia, à fissura continental de Silfra, e

Fazendo o Círculo Dourado (golden circle), o tour mais popular na Islândia

Dentre os muitos tours que saem de Reyjkavík na Islândia, o Círculo Dourado (conhecido por seu nome em inglês, Golden Circle) é sem dúvida o mais popular. Embora haja vários outros lugares muito bonitos na Islândia, como a península de Snaefellsnes ou a invernal praia de areias negras e colunas de basalto na costa sul do país, este aqui é o tour que não se pode sair sem fazer. Em parte pela beleza, em parte por incluir lugares-ícones da Islândia. O Círculo Dourado inclui o Parque Nacional de Þingvellir (essa letra islandesa soa como "th" na palavra inglesa "think"), uma área geotérmica com gêisers, e

A costa sul da Islândia: Entre cachoeira e praia de areias negras

Após ver o que há na capital Reykjavík e conhecer a península de Snaefellsnes, chegou a hora de ver alguns dos lugares mais icônicos da Islândia, na costa sul: sua praia de areias negras e as cachoeiras de Skogafoss e Seljalandsfoss, das mais bonitas do país. O tempo, que havia começado a semana bondoso (com sol e céu azul), no dia anterior já havia revertido ao seu astral cinzento mais costumeiro e agora estava completamente de volta ao padrão: nuvens, neblina e chuviscos, o tempo mais comum aqui na Islândia, estejam avisados. (Conheço alguém que alugou um carro achando que ia

Snaefellsnes e o oeste da Islândia: Paisagens do outro mundo neste mundo

Dos muitos tours que se fazem a partir de Reyjkavík, Snaefellsnes é um dos mais populares. É também um dos mais bonitos, senão "o mais". Esse nome grande corresponde a uma península no oeste do país, onde você vê praias, colinas, e formações rochosas espetaculares. São das melhores paisagens da Islândia. Nesse tour eu veria algumas das belas paisagens da Terra, já outras que pareciam estar em outro planeta. Como nos outros casos, o ônibus ou micro-ônibus da agência passa para buscá-lo no endereço que você indica quando faz a reserva. (Esta foi com a Reykjavík Excursions.) Eu tomei um café, comi umas

Natureza na Islândia e snorkel em Silfra: Mergulhando na fissura entre as placas continentais da América do Norte e Eurásia

Eis a natureza da Islândia, seu maior atrativo. No post anterior eu iniciei a visita pela capital e única cidade de porte do país, Reykjavík. Agora vamos aos vários tours que eu fiz a partir de lá. Há visitantes que alugam carro, mas é perfeitamente possível visitar as principais atrações da Islândia em tours diários de ônibus, com passeios que você pré-arranja com as agências pela internet. (Ao final, como sempre, darei todas as dicas e recomendações.) Este foi o primeiro tour que fiz: um mergulho de superfície (snorkel) em águas a 3ºC (é isto mesmo) na fissura de Silfra, entre

Islândia: Seu ambiente urbano e atrações de Reykjavik, sua capital

Bem vindos à Islândia, este remoto país europeu que está bombando no turismo desde que a crise financeira derrubou sua economia em 2008. De um lugar isolado do qual nada se sabia (só que ele existia) a um dos "destinos da vez" nos últimos anos. O pequeno país, de 334 mil habitantes, há 10 anos atrás recebia de turistas o equivalente à sua população, e agora recebe mais de 2 milhões por ano. Seu nome quer mesmo dizer "terra do gelo": Iceland em inglês, Ísland no original islandês. Sim, a Islândia tem o seu próprio idioma, aquele que mais se assemelha

Japão: Dicas de Viagem, Cidades, Lugares, e como viajar barato no país mais caro da Ásia

Recentemente recebi perguntas, e me dei conta de que embora eu tenha feito uma viagem longa pelo Japão, jamais publiquei as dicas e recomendações para viajar neste que é o país mais cotado e o mais caro da Ásia.  O Japão é um país inigualável, desejo de consumo turístico de muitos brasileiros, mas não é aquela viagem casual, sem planejamento. Requer planos, entender as peculiaridades daqui e, se seu orçamento for limitado, saber como economizar. Abaixo vão minhas impressões gerais, e a seguir algumas dicas a quem cogita vir conhecer o país. O que mais gostou.  O surrealismo tecnológico. Aqui parece que

As 5 melhores cidades e paradas na Ferrovia Trans-Siberiana, na Rússia

As pessoas normalmente imaginam a Ferrovia Trans-Siberiana como um "Expresso Oriente" (quando não um Hogwarts Express) em que você magicamente cruza o território russo de ponta a ponta. É mais ou menos isso, mas não há UM trem (como coloquei aqui, no meu post sobre trens na Rússia), e a magia da viagem está longe de ser somente o trajeto em si. A grande graça da Ferrovia Trans-Siberiana são as paradas, os contrastes pelo caminho. Muito você vê pela janela, mas muito requer que você desça, caminhe, e confira com os próprios olhos. Encontro muitos turistas que optam por ficar enfurnados

Bônus: Novosibirsk, a cidade das mais belas mulheres da Rússia

A minha jornada trans-siberiana havia se completado em Vladivostok, no extremo oriente da Rússia, mas no caminho de volta o meu voo ainda me traria a mais uma cidade russa. Eis uma cidade que você talvez nem soubesse que existia, mas Novosibirsk é nada menos que a terceira maior cidade da Rússia, com mais de 1,5 milhão de pessoas em plena Sibéria — e famosa por ser, diz a lenda, aquela com as mais belas mulheres do país. Não fiz análise estatística para comparar, mas é claro que me deparei com cada pedaço de mau caminho maior que o outro pelas ruas. Várias

Vladivostok, Rússia: O fim de linha da Ferrovia Trans-Siberiana

Eis Vladivostok, a "São Francisco" da Rússia. O fim de linha da gigante Ferrovia Trans-Siberiana, de mais de 9.200Km. Um lugar que alguns amigos brasileiros achavam que só existia no jogo de tabuleiro WAR, mas que é uma cidade de verdade — e elegante. Eu cheguei a Vladivostok numa manhã nublada, úmida e quente, após um trem noturno desde Khabarovsk. Com a cara de quem dormiu no trem, uma mochila na frente e outra atrás, eu me apressei a tirar uma foto com o marco do fim da ferrovia. É uma foto para se guardar. (Vários asiáticos num grupo tiveram a mesma

Khabarovsk, a charmosa cidade no Leste Distante da Rússia

Certa vez eu conheci um russo meio doidinho, num albergue na Europa, que se assombrou quando eu lhe disse que iria ao Leste Distante da Rússia. Num inglês quebrado, ele comentou que Moscou e São Petersburgo eram uma coisa, fáceis de navegar. Já Blagoveshchensk e Khabarovsk, que eu lhe disse que planejava visitar, eram "a Rússia profunda" ("deep Russia"), outros 500. Ele achou que eu era meio maluco de ir pra lá sem fluência em russo, e gostou de mim por isso. De fato, visitar o interior da Rússia está muito distante da experiência de conhecer Moscou ou São Petersburgo, cidades

Blagoveshchensk: Em meio aos russos na Região de Amur, fronteira com a China

Uma das coisas de que mais me satisfaço na vida é de ter amigos em vários países, de várias culturas. Acho fascinante como os modos, as normas e os costumes variam. E como ao mesmo tempo todos têm traços humanos em comum. Aqui estava eu, no "fim do mundo" no Leste Distante da Rússia para conhecer esse país de ponta a ponta e, de quebra, dar uma passadinha pra dar um "oi" a uma amiga russa daqui e sua família. (Eu sempre alerto os meus amigos estrangeiros que tenham cuidado ao me convidar para visitar suas regiões, porque mesmo se for

Para além da Sibéria: Rumo ao Leste Distante da Rússia

O que há para além da Sibéria? Consideramos a Sibéria tal "fim de mundo" que às vezes esquecemos que há ainda mais um tanto de Rússia depois dela, até o Oceano Pacífico. O que haveria ali? Nada? Eu me lembro que, há alguns anos na Europa, conheci uma sorridente garota russa encantada por conhecer um brasileiro. (O Brasil goza de muito boa fama dentre os russos.) Ela me disse ser do "Leste Distante", quando lhe perguntei de que parte da Rússia era. "Leste Distante?", fiquei eu a cogitar, deduzindo o significado mas ouvindo aquele termo pela primeira vez na vida.  Pois bem,

Ulan Ude: Bem vindos à República da Buryatia, na Sibéria

Estamos de volta à Rússia, na Sibéria, num recanto que a grande maioria dos ocidentais sequer sabe que existe: a Buryatia. Nesta viagem eu aprendi que a Rússia está longe de ser homogênea, e que guarda muitas culturas regionais que nós ocidentais sequer imaginamos. A primeira vez que ouvi falar da Buryatia foi, curiosamente, numa loja de souvenirs no Canadá. Não, eles não estavam vendendo souvenirs russos por lá. O funcionário da loja ("100% quebequense", nas palavras dele próprio), no entanto, acontecia de ser uma daquelas pessoas de quem você nunca esquece. Era época de Natal na Cidade de Québec, e

Viajando na Mongólia: Dicas de viagem, tours, lugares para ver, e o que fazer

A Mongólia é um país fascinante, tanto em termos de cultura e história quanto de natureza. Após quase 20 dias aqui, digo que foi uma viagem inesquecível. Primeiro vão algumas impressões gerais, e a seguir algumas dicas a quem cogita vir conhecer. O que mais gostou.  A herança cultural viva. As paisagens são espetaculares, não resta dúvida, mas paisagens maravilhosas (ainda que diferentes) você também encontra no Chile, no Brasil, etc. Já a herança cultural e histórica da Mongólia é muito específica dela, diferente, exótica para nós, e interessantemente ela permanece viva nos dias atuais. Isso é fascinante de observar. Visita

Epílogo: Dias finais em Ulaanbaatar após tour pelo interior da Mongólia

O meu tour pelo interior da Mongólia havia durado 9 dias, passando por esculturais vales rochosos, pelo famoso Deserto de Gobi, e pelas paisagens verdes, amplas e repletas de rebanhos da Mongólia Central, além de um puxadinho em Karakorum, a histórica capital medieval dos mongóis. Agora, eu estava de volta à capital Ulaanbaatar. Poucos dias me separavam do meu próximo trem. Havia coisas que eu ainda não havia visto na cidade, especialmente o Mosteiro Gandantegchinlen, no centro da cidade; e significativamente, uma estátua do viajante latino Marco Polo. Eu não podia ir embora sem uma foto ali. O budismo na Mongólia é

Karakorum, a histórica capital da Mongólia na Idade Média (Tour dias 8 e 9)

À 7ª noite do nosso tour, chegamos a Karakorum, a histórica capital medieval dos mongóis. Já havíamos cruzado por dias as estepes da Mongólia na nossa kombi, as paisagens secas do Deserto de Gobi no sul do país, e mesmo as estepes verdejantes banhadas pelo Rio Orkhon na Mongólia Central. Agora era hora de um pouco (mais) de História e cultura neste nosso passeio. O nosso tour de 9 dias se completaria em breve, e estávamos já naquele misto de "o que falta ainda pra ver?" e uma vontade escondida de tomar um banho digno, deitar numa cama macia, e comer

O Vale do Rio Orkhon e a Mongólia Central (Tour dias 6 e 7): Estepes, nômades e cavalos

O sexto dia amanheceu nublado. O famigerado Deserto de Gobi havia ficado para trás, e nós agora adentrávamos a Mongólia Central — o coração do país. Nesta região central da Mongólia, há maior umidade e dominam os pastos por sobre as colinas até onde a vista alcança. Os rebanhos atravessam a frente do carro às centenas. Ou talvez fosse mais correto dizer: o carro passava dispersando centenas de cabras, ovelhas, bois e yaks que pastavam tranquilamente na imensidão. Como cheguei a sugerir anteriormente, me parece que aqui na Mongólia os animais são mais felizes. Com água, pastos e animais estão também os

O Deserto de Gobi, as Dunas de Khongor e os Penhascos Flamejantes: Tour pela Mongólia, dias 4 e 5

Continuação de Iniciando um tour pela Mongólia (Dias 1, 2 e 3): Entre vales, estepes e camelos Não, não é o Saara. Não estamos na África nem na Arábia, mas sim na Ásia Central. Se você reparar num mapa da China, verá que o seu oeste é muito pouco habitado, dotado como é de regiões áridas até você chegar às montanhas que lhe servem de fronteiras com o Quirguistão e o Tajiquistão. Por aqui passavam as rotas de mercadores, naquilo que ficou apelidado de Rota da Seda, e que levava até as grandes cidades da Pérsia, Constantinopla/Istambul, o Egito e a Europa. A

Iniciando um tour pela Mongólia (Dias 1, 2 e 3): Entre vales, estepes e camelos

Era uma manhã dessas de sol quando todos nos reunimos no albergue. Éramos eu, minha amiga canadense com quem viajava, três franceses que espontaneamente juntaram-se ao nosso tour (o que reduziu o preço), um rapaz mongol que nos serviria de guia, e um senhor mongol que seria o nosso motorista. Arrumar um tour pela Mongólia não é difícil, mas é preciso ser criterioso. Há muitas ofertas, muitas delas exageradamente caras, outras baratas mas furadas, e por aí vai. Ao final destes relatos na Mongólia, eu vou compartir com vocês as dicas disso. Os arranjos que fiz foi com Jagaa, alguém que —

Naadam: Festival nacional e “Olimpíadas” da Mongólia

Todo ano, os mongóis se reúnem para celebrar a sua nação em grande estilo.  Esqueça as paradas militares e essas coisas já batidas. Na Mongólia, a celebração se dá com festejos musicais, comilanças, e competições esportivas tradicionais (arco-e-flecha, corridas a cavalo, luta-livre, e outros jogos seculares dos mongóis). O Festival Naadam, como os mongóis o chamam, são olimpíadas que ocorrem todos os anos país afora. As datas exatas variam, e cada comunidade organiza o seu, o maior de todos sendo naturalmente o da capital Ulaanbaatar — embora eu depois fosse experimentar também os de pequeninas comunidades do interior, que tem o seu charme

Em Ulaanbaatar, a capital da Mongólia

Ulaanbaatar, a capital da Mongólia, é um lugar muito mais dinâmico e movimentado do que você talvez imagine. Eu várias vezes olhei o mapa, vi essa cidade de nome estranho perdida cá nos confins da Ásia Central, e imaginava "não deve ter nada". E isso não era somente por eu ser brasileiro, do outro lado do mundo: eu conversei com russos da Sibéria, aqui vizinha, que imaginavam a mesma coisa da Mongólia. Estávamos todos enganados. Embora remota (para quem vive no Ocidente), a atual capital da Mongólia é uma cidade de mais de 1 milhão de habitantes, com prédios, shoppings, restaurantes

No parque cultural “13th Century”: Visitando a Mongólia do século XIII, dos tempos de Gengis Khan

Foi perto da capital Ulaanbaatar que eu faria uma das visitas mais interessantes durante esta minha estadia na Mongólia. Um "parque" onde você conhece os detalhes de como viviam os mongóis nos tempos medievais do grande conquistador Gengis Khan — ou melhor, como eles o chamam aqui, Chinggis Khan —, no século XIII. O 13th Century, contudo, não é meramente um museu ou parque temático ocidental, nem aqueles lugares onde atores fingem-se de personagens da Idade Média. A coisa aqui é muito mais autêntica. Numa grande área a cerca de 100Km da capital, pavilhões autênticos mostram diferentes aspectos da vida tradicional dos mongóis. As

Bem vindos à Mongólia e ao Gorkhi-Terelj National Park

Eis a Mongólia, um país de tão forte imagem medieval (dos tempos do conquistador Gêngis Khan) que a gente nem lembra que o país ainda existe, e poucos fazem ideia de como ele atualmente é. Estamos na Ásia Central; para nós, das menos conhecidas regiões do mundo. Aqui, os povos das estepes encontram-se espremidos entre as milenares influências chinesa, persa, e muitas outras. Pode parecer estranho falar em "espremido" nestas esparsas terras onde há menos de 2 pessoas por Km², mas cultural e politicamente é assim que os mongóis estão desde que os herdeiros de Gêngis Khan perderam as rédeas. Acompanhem-me aos

No trem da Sibéria (Rússia) à Mongólia: Paisagens e imigração

Viajar de trem pela Rússia é a experiência de uma vida. Suas longas estepes, estas planícies casadas com aquelas da Mongólia e do Cazaquistão, são chão por onde migraram um sem-fim de povos, passaram incontáveis mercadores, viajantes históricos como Marco Polo, e por onde as civilizações trocaram milênios de mercadorias e influências culturais através da Rota da Seda, que ia até a China. Hoje já não se usam mais caravanas, mas para cruzar essas distâncias estão aí os trens.  Embora os trens russos (e mongóis) não sejam de altíssima velocidade (e é até melhor que não sejam, pois fica mais idílico e

Lago Baikal e Ilha de Olkhon, Sibéria: Entre xamanismo e natureza no interior da Rússia

Como toda história da vida real, este post não tem um tema só. Impressões dos vários tipos costumam nos assaltar em conjunto; o belo ao lado do disfuncional e do interessante. Assim foi comigo aqui na visita ao Lago Baikal, na Sibéria, onde pude contemplar as suas magníficas paisagens, ao mesmo tempo em que experimentava a precariedade de infraestrutura do interior russo e conhecia algo da interessante cultura xamanística dos nativos siberianos. Acompanhem-me. Certa vez, nos idos dos anos 1980, o finado chanceler alemão Helmut Schmidt famosamente chamou a União Soviética de "Burkina Faso com mísseis", basicamente dizendo que, afora o

Bem vindos a Irkutsk, Sibéria

(Eu ♥ Irkutsk, em russo.) Faz alguns anos desde a primeira vez que eu vi "Irkutsk" no mapa. Lembro-me de — ajudado por esse nome siberiano — imaginar um lugar gélido, polar, um lugar remoto onde poucas pessoas, permanentemente em roupas de frio, viviam isoladas do mundo. Não acho que eu seja o único a ter essas imaginações acerca da Sibéria. Irkutsk talvez fosse assim há 300 anos atrás, mas não mais. A Sibéria, como eu coloquei no post passado, tampouco é permanentemente fria. Tal qual o miolo do Canadá e dos EUA, ela tem o clima continental de invernos muito rigorosos mas também verões

A experiência de dois dias num trem russo trans-siberiano, de Ekaterimburgo a Irkutsk

Três mil e quinhentos quilômetros (3.500Km) separam Ekaterimburgo e Irkutsk, cidade no coração da Sibéria. Para efeito de comparação, é a mesma distância entre Curitiba e Fortaleza no Brasil, que aqui na Rússia você faz em dois dias de trem. É a partir desse trecho que a Ferrovia Trans-Siberiana começa a ficar efetivamente trans-siberiana. Eu até aqui já tinha feito viagens de trem que considerava longas — como as 24h num trem indiano que narrei anteriormente ou as 33h que levei de Amsterdã a Minsk, na Bielorrússia. A Rússia, no entanto, sempre muda os seus parâmetros. A experiência de passar tanto tempo dentro de um

Kazan, a bela capital da República do Tatarstão, na Rússia

Bem vindos à República do Tatarstão, na Rússia! Eu sei, a cabeça de muita gente deve ter dado um nó: Como assim "República do Tatarstão" e ao mesmo tempo "na Rússia"? Simples: a Rússia é repleta de repúblicas não-soberanas mas que tem certa autonomia. Aqui, ao contrário do Brasil, nem todas as unidades da federação gozam do mesmo grau de autonomia. A Rússia possui "territórios" (krai), "províncias" (oblasts), e repúblicas — dentre outras categorias. As repúblicas são 22 das 85 unidades da federação que a Rússia tem, e são as mais autônomas de todas. Geralmente, representam áreas de maioria étnica não-russa, como

Taiti & Polinésia Francesa: Dicas de viagem, lugares para ver, e o que fazer

Depois de relatar as várias histórias da minha viagem pelo Taiti e demais ilhas aqui da Polinésia Francesa, vamos a um balanço geral com algumas dicas e recomendações a quem gostaria de vir aqui. O que mais gostou. Das pessoas e de sua cultura. A natureza no Taiti é linda, não resta dúvida, como por toda parte nesta Oceania. Contudo, aqui me pareceu haver uma dimensão cultural mais forte e presente que em muitas das outras ilhas desta região do mundo. A cultura tradicional parece melhor conservada e exercitada aqui. Além disso, os taitianos são muito amáveis, "dados", e generosos — além

Flores tropicais no Taiti & Polinésia Francesa em 20 fotos

Eu sou biólogo de formação e, embora a botânica não seja exatamente o meu forte, não há como vir aqui ao Taiti e não ter a sua atenção chamada pela miríade de flores por toda parte — desde algumas encontráveis no Brasil a outras que eu jamais havia visto. Não sei se já vi em outro lugar do mundo tamanha onipresença de arranjos como aqui, desde às flores selvagens que crescem belas nas beira da estrada, aos hibiscus e tiarés que as taitianas põem atrás da orelha, às coroas floridas de usar na cabeça. Resolvi honrar o florido Taiti fazendo esta compilação

Bora Bora, na Polinésia Francesa, e os seus 50 tons de azul

Um voo de 50 minutos me levou do Taiti, a ilha principal da Polinésia Francesa, à lendária Bora Bora, talvez a mais comentada das demais ilhas deste arquipélago das Ilhas de Sociedade (Îles-de-Société). Vir aqui, a este lugar tão remoto e de curioso nome, era pra mim um sonho, uma realização deveras simbólica. Aquele voo doméstico, operado pela Air Tahiti, é a única forma de chegar a Bora Bora — excetuando-se, é claro, viajar em barco próprio, como alguns velejadores fazem. Não há serviços de ferry. Ainda que houvesse serviço de ferry, contudo, não valeria a pena, pois das melhores vistas de

Taiti adentro: De Papeete às montanhas desta ilha vulcânica da Polinésia Francesa

O Taiti não é só mar, é também terra. Nestas ilhas, crescem matas, há montanhas, flores e caminhos interessantes pouco explorados. Aqui havia muita gente, mas a grande maioria — como em outros países da Oceania — morreu vítima das doenças trazidas pelos navegadores europeus e para as quais não tinham imunidade. Se os interiores das ilhas eram outrora habitados por muitas tribos, hoje a população se concentra quase que exclusivamente nos arredores das ilhas; no meio, restaram as montanhas, as florestas, e as ruínas ainda nunca escavadas do que eram as civilizações "pré-europeus" do Pacífico. Eu havia pernoitado na cidade

Heiva, o festival de verão de danças e esportes no Taiti & Polinésia Francesa (com vídeos)

O Heiva provavelmente é o melhor festival de que você nunca ouviu falar. Ele é tão bom que vale a pena você programar a sua viagem ao Taiti na época dele. Mistura de Carnaval com Olimpíadas, o Heiva é um festival que acontece anualmente em julho desde o século XIX no Taiti e em outras ilhas aqui da Polinésia Francesa. Ele reúne competições de esporte (coisas curiosas, como levantar rochas pesadas, correr carregando cachos de bananas, entre outras coisas tradicionais e típicas daqui), cantos tribais, e — o que mais atrai o olhar do espectador — competições de dança. O negócio é fascinante. Eu me

Taiti, Polinésia Francesa: Terra de dança, flores, e pérolas negras

O Taiti sempre foi pra mim um lugar de sonhos, um lugar quase mítico, fantástico, tão remoto que quase inalcançável. Não é pra menos: o Taiti, essa terra tropical de flores, sol e dançarinas atraentes, está no meio do Pacífico, o oceano maior do mundo, a milhares de quilômetros de qualquer continente. Eu cria que, aqui, você se sentia isolado do restante do mundo. O Taiti hoje faz parte da Polinésia Francesa, um amplo conjunto de vários arquipélagos que são, oficialmente, território francês. Claro, não foi sempre assim; é só em 1880, com os poderes europeus e norte-americano conquistando o Pacífico,

Nova Caledônia: Dicas de viagem, lugares para ver, e o que fazer

Depois de relatar as várias histórias da minha viagem pela Nova Caledônia, vamos a um balanço geral com algumas dicas e recomendações a quem gostaria de visitar o país. O que mais gostou. Da natureza, sobretudo à beira-mar. A Nova Caledônia é um lugar "Classe A" onde fazer snorkel e ver a vida marinha. Ela tem a segunda maior barreira de corais do mundo (após a australiana) e recantos lindos, como a Ilha dos Pinheiros (Île des Pins). Visita obrigatória. A Ilha dos Pinheiros, sem dúvida. Um lugar pitoresco, mágico, um paraíso a ser visitado por quem vem tão longe. O que não

Na Ilha do Farol Amédée (Nova Caledônia): Vistas, snorkel e vida marinha

Estamos na Nova Caledônia, território ultramarino francês na Oceania. Já relatei as minhas experiências pela capital Nouméa e na linda Ilha dos Pinheiros. Agora era hora de conhecer mais da vida marinha deste lugar e, pura e simplesmente, curtir a praia. Quando eu fui à praia de Nouméa, fui atendido na loja por uma travesti. Eva, da cor do pecado, se descrevia como "taitiana-chinesa" (tahitienne-chinoise), e morria de empolgações pelo Brasil. Eu buscava um passeio a algum lugar interessante onde eu pudesse ir à praia — e, de preferência, fazer um snorkel (aquele mergulho de superfície com máscara) também. A minha escolha foi

A Ilha dos Pinheiros (Île des Pins), Nova Caledônia: Um paraíso na Terra

Quando você viaja muito, já não se impressiona mais tão facilmente com as coisas. Alguém lhe fala de um café ma-ra-vi-lho-so, e você já tomou vários que são melhores. Ou uma igreja linda, mas você já viu tantas. Claro que cada coisa tem sua beleza, cada coisa tem seu sabor particular a ser apreciado, mas já é mais difícil ocorrer aquele "Uau!". Ainda assim, volta e meia você se depara com lugares que elevam os seus parâmetros a outro nível. A Ilha dos Pinheiros (Île des Pins), na Nova Caledônia, foi um desses. A cerca de 100 Km da ilha principal,

Nova Caledônia, departamento francês no Oceano Pacífico: Histórias de uma colônia do século XXI

(Este é um post longo. Eu poderia tê-lo fragmentado, mas optei por preservar o todo.) Parece até a Catedral de Notre-Dame à beira-mar. Estamos na Nova Caledônia, um departamento ultramarino francês bastante longínquo da "metrópole", como eles ainda chamam. Às vezes nem parece que estamos no século XXI. Até aqui vocês me acompanharam por nações independentes na Oceania, países onde há uma certa precariedade material, grande presença de australianos e neozelandeses (tanto turistas quanto missionários vindo ganhar almas para suas igrejas fundamentalistas), e dominância do inglês como segunda língua. Já nas posses da França na Oceania — que ela nunca libertou — a banda toca

Vanuatu, Oceania: Dicas de viagem, lugares para ver, e o que fazer

Depois de relatar em detalhes a minha viagem por Vanuatu, vamos a um balanço geral com algumas dicas e recomendações a quem gostaria de visitar o país. O que mais gostou. Da natureza indomada. Este é um arquipélago grande, de ilhas separadas por centenas de Km, e pouco habitada. Há muito de natureza deixada quieta — praias, rios, florestas, e até vulcões. Isso me fascinou. Faz você o mundo de antes dos grandes impactos ambientais humanos. Visita obrigatória. Alguma vila tradicional, seja autêntica, seja de espetáculos culturais para apresentar a cultura de Vanuatu aos visitantes. Uma ou outra, não vá embora só conferindo a

A Praia de Champanhe (Champagne Beach), Turtle Bay, Towoc e outros refúgios naturais em Espíritu Santo, Vanuatu

Chegou a hora de ir a belas praias remotas, a lugares quietos da natureza (onde parece não andar ninguém), e de ver como encerrei o meu passeio aqui em Vanuatu. Hora de subir a costa nordeste desta Ilha do Espíritu Santo. Eu havia chegado podre da trilha da Millennium Cave quando Marie, a dona da pensão, me disse que haveria um casal de hóspedes australianos subindo de carro na mesma direção que eu no dia seguinte. O meu plano original era ir na caminhonete coletiva com o povão atrás, mas uma carona sempre vem a calhar. Só esqueci que não estava no

Fazendo a Millennium Cave em Vanuatu: Trilha, caverna, e rio na floresta

Não é todo dia que eu entro num passeio onde uma das principais recomendações é "ir com uma roupa que você não vai querer mais". Passei um bom tanto da tarde anterior pelas lojas de chineses para comprar uma bermuda vagabunda, e custou-me selecionar qual camisa seria "sacrificada". Um dos lugares mais populares de Vanuatu entre os turistas é a Millennium Cave, uma caverna (re)descoberta no ano 2000 na ilha de Espíritu Santo. ("Re" porque grandes quantidades de população aqui da Oceania morreu de doenças contagiosas quando os europeus vieram aqui entre 1600-1800, tal como já havia ocorrido nas Américas.) Hoje,

Bem vindos a Luganville e Espiritu Santo (assim com U), em Vanuatu

Terra à vista!  Você talvez não soubesse que os portugueses tinham chegado assim tão longe. Verdade seja dita, o português Fernão de Magalhães foi o primeiro a circumnavegar o globo (de 1519 a 1522), então há poucos lugares aonde os portugueses não foram. O que você provavelmente não imaginava é que houvesse terras assim tão longe com nomes portugueses. Muito, muito distante do Espírito Santo brasileiro há um semi-homônimo, Espíritu Santo (que os nativos e os ingleses, que vieram aqui depois, acabaram por grafar com U, e essa permanece a grafia oficial) uma ilha no Oceano Pacífico batizada assim pelos navegadores portugueses

O Vanuatu tribal da Melanésia tradicional

Esses são os meus novos amigos. Lembram a Timbalada, mas numa versão mais hardcore. Como eu comentei no post anterior, Vanuatu (e toda a Melanésia) têm uma organização social tribal, que os europeus encontraram aqui e que ainda subsiste. Isso guarda um impressionante, curioso, e às vezes até macabro passado tradicional.  Por exemplo, o famoso bungee jump surgiu como uma "versão nutella" para um rito de passagem de raiz da Ilha de Pentecostes (sim, o nome lhe foi dado por portugueses) aqui em Vanuatu. Lá, para chegar à idade adulta os homens precisam se atirar de um penhasco com vinhas amarrada aos pés —

Descobrindo Vanuatu, Oceania: Um tour pela ilha de Efate

Estamos em Vanuatu, um arquipélago soberano em pleno Oceano Pacífico, na parte da Oceania conhecida como Melanésia. São as ilhas de negros que não são africanos — e onde há inclusive negros naturalmente loiros, que eu mostro a seguir. No post passado, eu relatei a minha chegada a este antigo "pandemônio" (como os nativos chamavam o co-domínio colonial de Reino Unido e França até 1980) e os meus bordejos pela capital Port Vila. Agora, é a vez de conhecermos os campos, as praias, o interior, as paisagens, e mais da gente de Vanuatu. O que os europeus encontraram aqui a partir dos idos

Bem vindos às antigas “Novas Hébridas”, hoje Vanuatu, e sua capital Port Vila

Era uma vez um lugar onde, diz a lenda, todo dia de manhã alguém media no mastro se a bandeira britânica estava exatamente à mesma altura da francesa; nem a mais, nem a menos. Os franceses e ingleses chamaram isso aqui de condominium (co-domínio); os nativos preferiram apelidar de pandemonium. Estamos nas ilhas que eram chamadas de Novas Hébridas, hoje a nação soberana de Vanuatu, no Oceano Pacífico, Oceania. Estamos a 2h de avião a nordeste da Austrália. Depois de passar por Samoa e Fiji na vizinhança, foi pra cá que eu vim. Vanuatu, como Fiji, faz parte da Melanésia, então as

Fiji: Dicas de viagem, resorts, aonde ir, e o que fazer

Depois de relatar em detalhes a minha viagem em Fiji, vamos a um balanço geral com algumas dicas e recomendações a quem gostaria de visitar o país. O que mais gostou. A vida sossegada nos resorts das ilhas Yasawas e Mamanucas. O conforto, a beleza natural, a animação, os festejos, aquele círculo de amizades de verão que você reencontra e que faz você se sentir numa colônia de férias onde só há sossego, descobertas e alegria. Visita obrigatória. Não faz sentido vir a Fiji e não fazer um passeio às ilhas Yasawas. Eu sempre fico muito com o pé atrás quando ouço essas

Em passeios e resorts pelas Ilhas Mamanucas e Yasawas em Fiji: Indo do luxuoso ao basicão

Eu no post anterior mostrei meu breve contato com o Fiji autêntico, dos fijianos. Como turista, contudo, o que me marcou mais foi mesmo o passeio pelos resorts nas ilhas Mamanucas e Yasawas — não há como mentir. Não venha a Fiji para ficar só num hotel ou hostel na ilha principal fazendo tours diários bate-e-volta. Conheci alguns turistas que vieram de longe, da Europa, e passaram uma semana nisso. Só depois eu me dei conta do quanto eles deixaram de aproveitar. Organizar um passeio de vários dias às ilhas Yasawas é essencialíssimo. (Eu costumo ser muito comedido com isso de dizer

Conhecendo melhor Fiji, Nadi e Port Denarau

Fiji não é apenas um arquipélago de ilhas-resort com praias e coqueiros — embora estes sejam lindos —, mas um país real com pessoas e seus hábitos. Fiji inclusive é dos maiores países da Oceania, atrás apenas de Austrália, Nova Zelândia, e Papua Nova-Guiné. São quase 1 milhão de pessoas aqui (mais que em alguns países europeus como Malta, Chipre ou Luxemburgo.) Fiji foi colônia britânica até 1970 (daí quase todo mundo aqui ser fluente em inglês), que os ingleses exploraram com plantações de cana-de-açúcar. Como muito da população nativa morreu vítima de doenças trazidas pelos europeus e para as quais não

Bem vindos a Fiji e à Melanésia: Praias, mar e sossego na Oceania

PRÓLOGO: Melanésia, a terra dos negros que não são da África Essa mulher negra de Fiji na foto ao lado é tão africana quanto Maria Sharapova ou a primeira-dama da China. Seus ancestrais saíram da África há mais de 50 mil anos, como os de todas as pessoas dos outros continentes, e o fato de ela parecer africana não diz nada. Geneticamente, "raça" é um conceito fantasioso, que só existe na cabeça de quem inventou de distinguir as pessoas com base na aparência. Por dentro, a genética de dois povos parecidos aos olhos pode ser bastante diferente. Tampouco o fenótipo dela

Samoa, Oceania: Dicas de viagem, lugares para ver, e o que fazer

Depois de relatar em detalhes a minha passagem por Samoa, vamos a um balanço geral com algumas dicas e recomendações a quem desejar visitar o país. O que mais gostou. A comida. Francamente, apesar do exotismo desta localização geográfica tão remota (pra nós), não acho que o Brasil fique atrás em beleza natural. Nem a América Latina deve em calor humano aos afáveis samoanos. Gostei de ambos, mas o que impressionou mais que tudo aqui foi mesmo a deliciosa comida samoana. Visita obrigatória. O show cultural gratuito no Centro de Informações Turísticas, de terça a quinta, em Apia, a capital. É um

Crônicas em Samoa, Oceania (Epílogo): A curiosa partida

Continuação de Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 5): Da Cachoeira de Afu Aau aos Alofaaga blowholes Após uma semana em Samoa, era hora de partir. A minha zarpada, contudo, não seria muito rápida. Eu hoje de manhã precisava tomar um ônibus até o cais, depois um ferry de volta à ilha de Upolu (a principal), e ainda pernoitar em algum lugar perto do aeroporto para tomar o meu voo às 7 da manhã do dia seguinte. Uma odisséia, não de volta para casa, mas de volta aos ares.  Após três noites no hotel em Savai'i eu já me sentia quase uma celebridade, parte

Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 5): Da Cachoeira de Afu Aau aos Alofaaga blowholes

Continuação de Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 4): Indo a Savai’i, a outra ilha Pati foi o mórmon mais simpático que eu já conheci. Os mórmons, pra quem não sabe, são a principal Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (há várias), que seguem uma doutrina fundada por Joseph Smith Jr. em Utah, nos Estados Unidos, nos idos de 1840. São aquelas duplas de rapazes de camisas brancas e calças pretas que você vê circulando por aí, mundo afora. Samoa e a Oceania em geral são repletas dessas igrejas. Aqui, longe do uniforme preto e branco, Pati usava uma camisa folgada,

Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 4): Indo a Savai’i, a outra ilha

Continuação de Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 3): Danças, tradições, cultura, e a origem da tatuagem Há duas ilhas principais em Samoa: Upolu [Upôlu], onde ficam a capital (Apia) e o aeroporto internacional, e Savai'i [Savái], uma outra ilha até ligeiramente maior, mas ainda menos urbanizada. Um ferry 4x ao dia liga uma a outra, basicamente o único caminho para se chegar a essa parte ainda mais remota do país. Em Savai'i é que eu conheceria de perto algumas das mais belas riquezas naturais de Samoa, e onde eu também teria um contato mais próximo com samoanos. Há diga que em Savai'i é

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