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Revendo Atenas (Grécia): A Acrópole, o centro, e a Igreja de São Jorge no Monte Lycabettus

Após revistar a Turquia, chegava a vez da Grécia. Lá estava eu mais uma vez entre as oliveiras e as antiquíssimas pedras na Acrópole de Atenas. Os anos haviam se passado desde que eu estive aqui, e você percebe por toda parte o acúmulo de efeitos nocivos da crise financeira. Redução de 25% no tamanho da economia, desemprego de mais 50% entre os jovens, e "medidas de austeridade" que, na prática, deixaram os grandes bancos muito bem, obrigado, mas retalharam as aposentadorias do cidadão médio e os serviços públicos de que muitos dependiam. De quebra, um drama de imigração que assalta

Berat, Albânia: A cidade das mil janelas

Berat é uma cidade estonteante, tanto pela beleza cênica quanto por sua tamanha autenticidade. Ela é das cidadezinhas mais bonitas de toda a Europa (embora seja desconhecida até mesmo dos europeus, que pouco sabem sobre a Albânia, como comentei antes aqui.) Berat foi a minha cidade favorita no país.  Fundada pelos gregos antigos nos idos de 600 a.C., Berat foi posteriormente usada pelos romanos e, em seguida, pelos bizantinos ou romanos do oriente (de Constantinopla). Sua fortaleza no alto de uma colina provia a defesa do lugar, com uma cidadela fortificada lá em cima onde as pessoas viviam. Ao longo da

Gjirokastër, a cidade de pedra nas montanhas da Albânia

Quando o nosso ônibus aproximou-se de Gjirokastër, achei que estávamos inesperadamente adentrando algum cenário de O Senhor dos Anéis. As montanhas ao fundo eram altas e com picos cobertos de neve. À frente, campos entrecortados por riachos azuis, onde às vezes havia ovelhas pastando. A chuva caía, dificultando a visão, mas mesmo assim era possível divisar algo. Gjirokastër (o ë tem um som quase de A em albanês, e os albaneses às vezes a chamam de Gjirokastra, do original em grego medieval Argyrokastron, ou "castelo de prata") é conhecida hoje na Albânia como "a cidade de pedra", pelas suas edificações em rocha.  Entocada

Ohrid e seu lago na Macedônia: Os Bálcãs e suas belezas

Os Bálcãs, aquele recanto no sudeste da Europa (entre a Itália e a Turquia), são uma das regiões mais fascinantes do continente e das menos visitadas por brasileiros. Esta é a região mais pobre de toda a Europa, mas também uma daquelas de maior personalidade. Se por um lado há uma certa decadência na infraestrutura física de alguns lugares, por outro há as belezas de que pouco se escuta, há as pessoas de jeito mais maroto (às vezes um pouquinho malandro), e a gastronomia de influência turca. Eu, quando cheguei a Skopje, capital da Macedônia, acreditei que iria me deparar com blocos de refugiados sírios fazendo

Belgrado, Sérvia: Cristãos ortodoxos entre os mundos austríaco e turco

A Sérvia é aquele país europeu de que quase todos os brasileiros já ouviram falar, mas que pouquíssimos de fato conhecem. Figuras carismáticas como o tenista Novak Djokovic e o nosso futebolista Petkovic (o "Pet") ajudam a balancear a imagem ruim que o país teve nos anos 90 com os massacres na Bósnia e a guerra em Kosovo. Mesmo assim, a Sérvia ainda é talvez o país mais controverso da Europa, e o maior a estar circundado pela União Europeia mas não fazer parte dela. Eu cheguei para uns dias neste fim de inverno europeu em Belgrado, a capital. Esta era a capital também

Visitando Petra (Jordânia), a cidade esculpida em pedra pelos antigos árabes nabateus

Wadi Musa, ou o "Vale de Moisés" em árabe, é hoje uma região árida e pedregosa. Estamos no sul da Jordânia, não muito distante do Deserto do Sinai ou da fronteira com Israel. Dizem que, nos tempos bíblicos, o profeta Moisés teria feito água brotar das rochas nesta região. (Tais milagres seriam muito necessários hoje, quando junto com a deterioração de fontes d´água a Mudança Climática Global está batendo com força nestas regiões áridas. O lugar é hoje muito mais seco do que era há dois ou três mil anos atrás.)  Os nabateus são um povo árabe dos mais antigos de

Bem vindos a Amã, Jordânia: Tranquilidade e os originais dos Manuscritos do Mar Morto

Bem vindos a Amã, a capital da Jordânia, este país do Oriente Médio espremido entre Israel e a Arábia Saudita. Eu quero começar proporcionando a vocês aquela que também foi a minha primeira impressão de Amã, desde antes de eu chegar, só por olhar no Google Mapas as suas ruas tortas e meandros: a massa urbana que me aguardava. Assistam a este pequeno vídeo que fiz do alto de uma das sete colinas da cidade durante um dos chamados às cinco orações diárias dos muçulmanos. Era como um dia de inverno na Bahia quando desembarquei, aquele calor não-agressivo. A escada levava-nos do

Visitando Byblos (Líbano), a antiga cidade dos cruzados

Byblos, no Líbano, é um dos mais antigos sítios continuamente habitados no mundo. Estima-se que desde 5000 a.C. há povoamentos humanos aqui. Imagina-se que ao longo do segundo milênio antes de Cristo este lugar tenha sido uma colônia e ao mesmo tempo um entreposto comercial dos egípcios antigos. Quando por volta de 1200 a.C. o Egito se enfraquece é que o povo daqui, que os gregos chamariam de fenícios, emergem como uma potência marítima. Byblos, assim como Tiro, Sidon e outras cidades antigas, eram centros comerciais dos fenícios, que percorriam o Mar Mediterrâneo em toda a sua inteireza (até a Espanha!) estabelecendo

Visitando as ruínas de Baalbek e uma mesquita xiita no Vale do Bekaa (Líbano), quase na fronteira com a Síria

Mohammed era um desses sujeitos que você não esquece. Um libanês moreno de seus 35 anos, descolado, de camisa polo, calças e sapato baixo, e um ar de quem não perde uma piada. A cara dele era aquela pseudo-séria, aquele jeito de quem está pensando no próximo comentário a fazer, ou avaliando se há algum significado malandro por detrás do que você disse. Ele tinha a mesma boca suja habitual de um brasileiro médio, e usava foto do supremo aiatolá iraniano Ali Khamenei como foto de perfil no WhatsApp. Era muçulmano xiita, como a maioria dos libaneses — e como a grande maioria dos libaneses

A Igreja Suspensa no Cairo e os cristãos do Egito: Conhecendo de perto o Cristianismo Copta

Ninguém jamais pensa no Egito como uma terra de cristãos — nem hoje, nem nunca —, exceto pelos mais conhecedores da história do cristianismo. Tendemos a ignorar ou esquecer que foi aqui, o Egito, um dos grandes berços do cristianismo institucionalizado, onde ele adquiriu muitos dos elementos que hoje nos são familiares (como a cruz, a "Sagrada Família", o monasticismo cristão), e que houve séculos de transição cristã entre o Egito Antigo dos faraós e o Egito islâmico que surgiria depois. Entre 10-20% da população egípcia atual (que é de 82 milhões de pessoas) se identifica como cristã, e estas em geral são cristãs coptas.

Aswan (ou Assuã) e o Templo de Philae à deusa Ísis

Aswan — ou Assuã, ou ainda Assuão em Portugal, mas opto aqui pela grafia usada pelos próprios egípcios — é a principal cidade do sul deste país. Uma cidade grande, diga-se de passagem. Não se trata de uma cidade turística pequena, onde tudo se faz a pé, como Luxor. Aswan é uma cidade relativamente moderna, de grandes distâncias inconvenientes, e algumas jóias importantes aqui e ali por ver. Quando cheguei, estava retornando de Abu Simbel, aonde fui de manhã bem cedo após me levantar às 2:30h da manhã e deixar para trás o navio que havia me trazido aqui Rio Nilo acima desde Luxor. Minha

Abu Simbel e o Lago Nasser, no extremo sul do Egito (quase Sudão)

No Egito, nada funciona com recibos, vouchers de confirmação, nada — a menos que você esteja lidando com grandes hoteis que cobram voluptuosas comissões. No dia-dia aqui, como em todo o mundo árabe que conheço, quase tudo é de boca. Vale a palavra do cidadão. Mr. Bob, o simpático senhor gordo que me vendeu o cruzeiro pelo Rio Nilo até Aswan, perguntou-me ainda em Luxor se eu queria ver Abu Simbel. O lugar fica no extremo sul do Egito, a 3h de estrada de Aswan, quase na fronteira com o Sudão. Trata-se de um templo que o grande faraó Ramsés II construiu no

Sobek e os crocodilos mumificados do Antigo Egito, em Kom Ombo

Você aí achava que os antigos egípcios mumificavam apenas pessoas? Não sabia que eles mumificavam também crocodilos? Nem eu. Os crocodilos são dos animais mais simbólicos do Rio Nilo. Nos tempos antigos, eles habitavam todo o rio até o seu delta, lá no norte em Alexandria, e devoravam fulanos e beltranos por todo o país. Estas criaturinhas tem entre 3-6m de comprimento e pesam de 500kg até mais de uma tonelada. São sociáveis, numa hierarquia determinada por tamanho. E no Antigo Egito eles eram cultuados na forma do deus Sobek, aquele com cabeça de crocodilo no mural abaixo. O nosso navio aportou em

O magnífico templo antigo de Hórus em Edfu, no Egito

A primeira parada do nosso cruzeiro Rio Nilo acima foi em Edfu, uma cidade remota no sul do Egito. Aqui se encontra um dos templos antigos mais fabulosos de todo o país. Fiquei embasbacado com algo tão antigo estar tão inteiro — melhor do que a grande maioria das ruínas antigas que você vê na Grécia ou na Itália, por exemplo. Um dos segredos me parece ser, primeiro, a secura do ambiente. Segundo, o lugar é remoto, comparativamente pouco urbanizado, e as areias do deserto cobriram quase tudo completamente até pouco mais de um século atrás. Trata-se de um templo a Hórus, deus dos

Monumentos funerários egípcios em Luxor, o Vale dos Reis e a Tumba de Tutancâmon

Estamos em Luxor, no meio do Egito, às margens do Rio Nilo. Aqui ficava a antiga capital Tebas, por volta de 1500 anos antes de Cristo. No post anterior eu relatei as minhas visitas ao Templo de Luxor e ao Templo de Karnak, à margem oriental do rio. Agora vamos à margem poente do Nilo, onde os egípcios antigos enterravam os seus mortos (emulando o pôr-do-sol). Este lugar é um poço de tesouros históricos, e talvez onde eu vi os resquícios egípcios antigos mais bonitos e impressionantes de todo o país. Primeiro de tudo: Chega-se até aqui com um tour que cobre todos

O Templo de Luxor e o Templo de Karnak: Visitando a antiga cidade de Tebas no Egito

Eis o famoso Templo de Luxor, uma das mais lindas e bem preservadas heranças do Egito Antigo ainda visitáveis hoje. Quando Alexandre, o Grande, conquistou o Egito no ano 332 a.C., ele deu início a uma dinastia "grega" em lugar dos faraós. Cleópatra fez parte dessa dinastia. Ela e o seu amante romano Marco Antônio perdem o Egito para o Imperador Octavius Augustus em 30 a.C. São Marcos, no primeiro século depois de Cristo, traz o cristianismo pra cá, e ele começa a se misturar com a religião tradicional do Egito Antigo. Quando o Império Romano cai e os árabes conquistam tudo isto

A estátua gigante de Ramsés e a necrópole de Saqqara (com a Pirâmide de Djoser, a mais antiga do mundo)

Nem tudo do Egito Antigo nas vizinhanças do Cairo se limita às Pirâmides de Gizé. No século XXXI a.C. (é isto mesmo, não há erro de digitação) foi aqui fundada Mênfis, que se tornaria a capital do Egito a partir da 3a dinastia, por volta de 2600 a.C. (Antes disso havia sido Tinis, mais a sul, uma cidade ainda mais antiga e nunca encontrada nas areias do deserto, do tempo em que o Egito ainda não era um reino unificado.) Foi no tempo de Mênfis capital que as pirâmides de Gizé foram erigidas, mas elas não são as mais antigas ainda de

Visitando as Pirâmides de Gizé e a Esfinge no Egito

As Pirâmides de Gizé são a única das sete maravilhas do mundo antigo a durar até os dias de hoje. Gizé é a área onde ficam as famosas pirâmides de Quéops, Quéfren e Mikerinos, todas construídas nos idos de 2500 a.C. (O nome "Gizé" é medieval e vem do árabe al-Jizzah, que quer dizer "o vale" ou "o platô" — garanto que nunca lhe disseram isso.) Aqui ficava Mênfis, a primeira capital do Egito Antigo. À margem oriental do Rio Nilo estava a cidade dos vivos (da qual não resta praticamente nada, pois as casas comuns eram feitas de argila e não de pedra), e a oeste, onde

El-Jem e o “outro” coliseu romano de que você nunca ouviu falar

Estamos no interiorzão da Tunísia, na cidadezinha de El-Jem, a uma hora de Sousse, no centro do país. Aqui fica a segunda maior arena romana do mundo, após o Coliseu em Roma. Quase ninguém sabe disso, e pouca gente vem aqui. O lugar todavia é impressionante — e o melhor é que praticamente não há outros turistas com quem competir pelo espaço. Você circula livremente pelo lugar e pode imaginar-se nos tempos romanos com tranquilidade. El-Jem foi uma viagem de trem a partir de Sousse. Cuidado e desça na estação certa, ou irá parar lá perto da fronteira com a Argélia no

Visitando as ruínas da antiga Cartago, no norte da África

Carthago delenda est ["Cartago deve ser destruída"], é como o senador romano Catão, o velho (234-149 a.C.), concluía todos os seus discursos à tribuna, não importando o assunto. Era um durão. Foi historiador também, e escreveu a primeira História da província romana da Italia. Era crítico às influências gregas na República Romana (ela só se torna Império quando Júlio César dá um golpe militar um século mais tarde.) O norte da África havia por séculos sido domínio dos cartagineses, assim chamados devido à sua grande cidade-estado, Cartago. Ela ficava aqui onde hoje é a Tunísia, ao sul da Itália. Grandes navegadores, os cartagineses

A Sicília! Bem vindos a Siracusa, no extremo sul da Itália.

Bem vindos à Sicília, o ápice da Itália! Acontece de albergar o mais alto pico italiano (o Monte Etna, vulcão de 3.329m), mas não é a isso que me refiro. Refiro-me àquelas muitas coisas que nos remontam à Itália — arte, antiguidade, delícias gastronômicas, gente passional, e um pouquinho de máfia. Tudo isso se acha elevado ao quadrado aqui na Sicília. Perguntei-me porque o turismo brasileiro inclui tão raramente a Sicília. A resposta só pôde ser a sua localização geográfica, cá no extremo sul da Europa, e os brasileiros sempre tentam aproveitar pra ver várias cidades de interesse ao mesmo tempo. É compreensível,

Machu Picchu

Machu Picchu, a cidade perdida dos incas. Este é talvez o mais famoso e místico destino na América do Sul. É também a mais popular trilha das Américas, para aqueles que curtem caminhar na selva. O que torna Machu Picchu especial e diferente de outras regiões de montanha é que aqui você tem muito verde, não apenas rochas, e tem todo o misticismo que cerca os incas. Em poucos outros lugares do mundo você encontrará ruínas assim tão bem conservadas, e rodeadas do povo que as construiu. 
Machu Picchu foi (re)descoberta em 1911 pelo explorador norte-americano Hiram Bingham. Por séculos ficou

Ollantaytambo e o Vale Sagrado dos Incas

O vale do Rio Urubamba, mais conhecido como o Vale Sagrado dos Incas, recorta a porção sudeste dos Andes peruanos, onde as montanhas já começam a se aproximar da Amazônia. Ainda não há, é claro, traços da exuberante selva que se encontra quilômetros mais adiante; mas tampouco há a secura do oeste peruano. Aqui, neste vale, os incas cultivaram milho desde muito antes da chegada dos espanhóis. Outros indígenas já o faziam muito antes da chegada dos incas aqui.  
O vale é uma riqueza de visuais, com paisagens naturais magníficas pontuadas por vilarejos de origem inca aqui e ali. O Rio Urubamba

Em Cusco, a antiga capital inca e o “umbigo do mundo”

O mundo estava acabando quando chegamos a Cusco. Ao final das oito horas de viagem de trem no Andean Explorer, a chuva engrossou tremendamente, até virar um daqueles acaba-mundo. A estação de trem de Cusco é minúscula. Fora da grade, e em todos os arredores após a área restrita para desembarque, motoristas de táxi amontoavam-se irrequietos e gritando famintos em nossa direção tais quais zumbis de The Walking Dead. Não havia outra opção senão render-se à sua sanha. Tentei, inutilmente, descobrir se haveria um ônibus ou alguma forma de transporte coletivo. Mas estamos na América Latina, e uma das nossas muitas infelicidades é

Visitando Tiwanaku e conhecendo os Andes de ANTES dos Incas

Esse sítio que você está vendo remonta a antes dos incas. Tiwanaku (ou Tiahuanaco), esta cidade hoje em ruínas, era um importante centro religioso e político nos Andes desde 800 a.C., até aproximadamente 800 d.C. A maioria dos ícones e traços culturais apreciados nos incas e pelos incas séculos depois já estavam presentes aqui, e foram se formando gradualmente (ou seja, os incas tinham história, viu gente! Eles também tiveram outras civilizações que os precederam e de quem aprenderam, como qualquer outro povo). 
Tiwanaku era um desses antepassados mais importantes. Às margens do Lago Titicaca no altiplano de 3.800m de altitude que

Split, Croácia: Beleza e legado romano na Dalmácia

Você sabe o que é um dálmata, mas provavelmente nunca se perguntou de onde vem o nome. Pois bem, dálmata é algo ou alguém originário da Dalmácia, até raça de cachorro. O nome foi dado pelos romanos à província que hoje é o sul da Croácia. É o que fica a leste da Itália, do outro lado do Mar Adriático. Estes antigos domínios romanos guardam ainda edificações da antiguidade e talvez o melhor preservado palácio romano do mundo, o Palácio de Diocleciano, do século IV, aqui em Split. (E você aí imaginando que todas as ruínas romanas ficavam na Itália, hein?) 
Split, como

Em Pompeia, Itália

O Último Dia de Pompeia (1830), quadro do pintor russo Karl Bryullov. Encontra-se no Museu Nacional Russo, em São Petersburgo. Quase todo mundo já ouviu falar de Pompeia, a cidade da Roma Antiga que foi arruinada por uma erupção vulcânica. Dia 24 de agosto do ano 79 d.C., seus 11 mil habitantes viram um armageddon de proporções bíblicas. Tremores de terra eram (e são) comuns no sul da Itália. Havia ocorrido um forte e anunciador terremoto no ano 62 d.C., e outro mais leve em 64 d.C. — durante o qual dizem que o Imperador Nero fazia a sua primeira atuação pública num

Em Pasárgada e Persépolis: Mergulhando na Pérsia antiga

"Cá no Irã, quando lhe perguntarem de onde você é, diga que não sabe, porque não é casado ainda. É um ditado aqui. Afinal, a gente sempre vai parar onde a família da mulher está. Veja eu, sou aqui de Shiraz e acabei indo morar em Kashan", disse-me o senhor iraniano idoso que nos acompanhou no passeio.  
Era um senhor simpático, quieto, de seus 70 anos, daqueles que andam no seu próprio passo, com as mãos para trás e olhando tudo. Daqueles que sabem muita coisa e não puxam muita conversa, mas se você começar a conversar com ele, a coisa

Cidade do México, vulgo Tenochtitlán

A Cidade do México hoje repousa sobre a antiga capital do império asteca, Tenochtitlán. Se você acha esse nome difícil, ainda não viu nada. Diz a lenda que o deus Huitzilopochtli deu uma visão à tribo Mexica (você nunca havia se perguntado de onde vem o nome do país?), que buscassem um certo sinal e, ao encontrá-lo, ali fundariam uma grandiosa cidade. O tal sinal seria uma águia com uma cobra no bico pousada sobre um cacto — imagem hoje imortalizada no meio da bandeira mexicana. Segundo esse mito de origem que ninguém sabe até que ponto foi verdade, os Mexica eram uma

Os Cenotes de Yucatán e os Monumentos Mayas em Kabah e Uxmal

A maior parte dos monumentos Mayas permanecem desconhecidos do nosso imaginário. No entanto, estão entre as ruínas mais fabulosas do mundo. Há algumas na Guatemala e muitas aqui pela Península de Yucatán, no México. De todas as ruínas mayas que eu visitei no México, Uxmal é provavelmente a mais bonita. Ela é menos famosa que Chichén Itzá (aqui), pois fica mais longe de Cancún e assim recebe menos turistas, mas é bem mais impressionante. Uxmal, que em maya quer significa "três vezes construída", foi uma cidade habitada entre 500-1100 d.C.. Ao final deste período sofreu uma forte invasão tolteca (outro povo indígena,

Na Península de Yucatán, Terra dos Mayas: Visitando Chichén Itzá e região

Cá estou, na terra onde há 4.000 anos vive aqui o povo indígena Maya. Esta é a Península de Yucatán, sudeste do México, cerca dos países centro-americanos Guatemala e Belize. Em muitos aspectos, os Mayas foram a civilização pré-colombina mais avançada. Eram excelentes astrônomos, matemáticos (tinham o zero, que os romanos não tinham e que os europeus só aprenderiam depois, com os números arábicos que usamos até hoje), tinham um calendário complexo, e tinham escrita em hieróglifos, como os egípcios antigos, mas estes de cá nunca foram inteiramente decifrados. 
Entretanto, caso você creia que os Mayas sumiram tal qual os antigos

Mairon em Teotihuacán, no México

Teotihuacán, uma das mais impressionantes cidades antigas da Mesoamérica. Estamos no México, perto da capital. Teotihuacán é um sítio que precede até mesmo a cultura asteca. Trata-se das ruínas de uma antiga cidade indígena, datada do século I antes de Cristo. Diz-se que a cidade vingou ao longo de todo o primeiro milênio depois de Cristo, provavelmente com uma população de várias diferentes etnias indígenas da região. As ruínas estão surpreendentemente bem preservadas. As enormes pirâmides do sol e da lua continuam aqui, e é possível subir os seus íngremes degraus — o que eu fiz, mas não sem antes tomar uma

Era uma vez em Madagascar: Antananarivo e região

Madagascar, eis a ilha de verdade, cujo nome muitos conhecem apenas pelos filmes de animação. Há quem a chame de "o oitavo continente", já que 90% da fauna e flora desta ilha (do tamanho de Minas Gerais) é endêmica e, portanto, só existe aqui. Já outros são mais poéticos, e chamam Madagascar de a "ilha do amor", como aquela clássica música do Olodum — que sempre ensinou mais de História e cultura da África ao Brasil que o nosso ensino escolar eurocêntrico (relembre aqui).  
A natureza aqui pode muito bem ser fruto do amor de Deus, mas a miséria social é obra clara da falta

Rabat, a autêntica capital do Marrocos

Quem quiser conhecer o Marrocos de verdade, sem as distrações para turista, deve vir a Rabat. A capital é uma das poucas cidades de porte a oferecer o autêntico dia-dia marroquino, antigo e moderno. Se Marrakech e Fez têm hordas de europeus e demais estrangeiros, aqui eles são raros. Em Rabat você assiste "à vida como ela é" no Marrocos.  
A cidade é relativamente pequena e arrumadinha. Você passeia na maior tranquilidade. Mas nem por isso ela deixa de ter atrações interessantes: a imponente Torre Hassan, o Mausoléu de Mohammed V (avô do atual rei), as ruínas da necrópole romana de

Visitando Marrakech, parte final: Jardim Majorelle, Palácio Badi, e as Tumbas Saadianas

Marrakech pode ocupar bem uns 3 dias de visita. Se o post anterior falou de lugares de beleza arquitetônica, o foco deste agora são alguns outros de talvez menos beleza física, mas com histórias interessantes por trás. Vamos ver se vocês concordam. 
O primeiro deles é o Jardim Majorelle. Fazem um bafafá enorme sobre esse jardim, e é talvez a atração mais comentada da cidade. É também a mais cara de se entrar (5 euros). Trata-se hoje de um jardim botânico turístico fundado pelo francês Jacques Majorelle em 1931, após os franceses entrarem aqui e tomarem conta a partir de 1912. (Na teoria,

Bulgária medieval: Indo à capital histórica Veliko Tarnovo

Bem vindos a Veliko Tarnovo, a antiga capital do Segundo Império Búlgaro (1185-1396). Boa pra quem curte História e que vem à Europa querendo ver coisas da Idade Média e cidadezinhas de visual mais tradicional. Menor, mais bonita e mais aconchegante que Sófia, e visita indispensável na minha opinião. É cheia de ruas com casas tradicionais da arquitetura búlgara, tem castelo a visitar, e de quebra uma paisagem deslumbrante. Não eram ainda 6h da manhã quando acordei na casa dos novos amigos que me albergaram. Saí à francesa. O mau de dormir na sala é que nunca dá pra se retirar

Istambul, Turquia (Parte 2): Rumelihisari e um café da manhã turco às margens do Estreito do Bósforo

Hoje o dia prometia. Café da manhã turco às margens do Bósforo, visita ao bazar, lojas de doces, ida ao lado asiático da cidade para jantar, e show de rock turco no centro à noite. Um sábado de turco bon-vivant em Istambul, pelas áreas menos turísticas da cidade. Minha guia foi a amiga da minha amiga: Filiz, que encontrei ao fim daquele dia de turista na cidade (ver post anterior). Perguntei a ela se era a pronúncia correta era Fíliz ou Filíz; ela respondeu que era algo entre um e outro. (Ao contrário do português, em muitas línguas simplesmente não

Pamukkale (o “Castelo de Algodão”) e as antigas ruínas de Hierápolis

Pamukkale (castelo de algodão em turco), patrimônio da humanidade reconhecido pela UNESCO junto com as ruínas da cidade greco-romana de Hierápolis, neste sítio. Estamos a algumas horas de viagem do Mar Egeu, no interior da Turquia. Embora as colinas brancas pareçam neve, não há nada de gelo e nada sequer frio ali. São, na verdade, fontes termais junto a formações calcárias chamadas travertinos (carbonato de cálcio vindo com as águas e se depositando ali ao longo dos séculos). A sensação é a de estar pisando em pedra lisa (e, cuidado, escorrega). Você paga uma só entrada e pode visitar tanto estas colinas quanto as

Maria no Alcorão e a casa onde viveu em Éfeso (atual Turquia)

Aqui perto de Éfeso, na atual Turquia, viveram João e Maria. Não os da casa de doces, mas os da Bíblia: João, o apóstolo, e Maria, mãe de Jesus. Tudo indica que foi pra cá que ambos vieram após a crucificação de Jesus, quando este lhes disse o célebre: "Mulher, eis aí o teu filho; filho, eis aí a tua mãe". Acredita-se que eles moraram muitos anos em Éfeso, e que aqui é que o evangelho de João foi escrito. Embora não haja consenso, a versão mais aceita diz que ela faleceu aqui 11 anos após a crucificação de Jesus. A

As Ruínas de Éfeso e o Templo de Artemis, na Turquia

Éfeso foi uma importante cidade do mundo greco-romano antigo, com presença relevante na Grécia Clássica, na Roma Antiga, e no começo do cristianismo, com as pregações e epístolas de Paulo (que morou aqui por uns tempos). São, hoje, das ruínas melhor conservadas dessa época, e além disso há um trabalho ativo dos turcos para restaurar o que foi perdido. Ao contrário dos gregos, que hoje tem a política de conservar as ruínas no estado em que se encontrarem, os turcos têm a política de refazê-las, usando mármore e outros materiais para que se vejam melhor as construções por inteiro. As

A triste sina de Hiroshima

8:15 da manhã, 6 de agosto de 1945 As pessoas aguardavam a abertura dos bancos e das lojas. Não se pode dizer que era uma manhã "normal", pois já há oito anos o Japão estava em "guerra total". O risco de invasão era real, e a derrota já era certa. Mas se por um lado os líderes do Japão já tinham noção da circunstância e as lideranças ocidentais já até repartiam os espólios de guerra, as pessoas comuns — sempre as que arcam com os maiores custos — dificilmente imaginavam o que estava por vir. 
Hiroshima entrou para a História como a primeira vítima de uma bomba atômica.

Visitando as ruínas do Oráculo de Delfos na Grécia

Saímos no começo de tarde de Aráhova para ir, finalmente, a Delfos. Hoje, são ruínas nas montanhas do que foi o magnífico oráculo — famoso por todo o mundo grego antigo, e cuja lista de consulentes inclui nomes modestos como os de Sócrates, Nero, Cícero, e Alexandre o Grande. Hoje parece ser um lugar ainda mais isolado que era antes, onde praticamente só se chega de carro. Durante aproximadamente 1000 anos (ca. 700 a.C. - 389 d.C.) houve aqui um templo do deus Apolo, com uma chama que nunca se deixava apagar. A pítia, uma sacerdotisa na função de oráculo, falava sobre a vida e

Atenas, Grécia

É começo de outono aqui na Europa. Deixei 13 graus em Amsterdã, e 31 me aguardavam em Atenas. Era chegada finalmente a hora de conhecer a Grécia. Do avião já se vê o mar azul da Grécia. E não é que é azul mesmo? E bota azul nisso. Chega dói. Não me perguntem o porquê; deve ser alguma mistura da química da água com, talvez, o fato de que o céu aqui quase sempre está sem nuvens. Também há poucas algas, e isso interfere. Do avião também se veem muitas montanhas. Que Suíça que nada, é a Grécia o país mais

O Prambanan, próximo a Yogyakarta, e o passado hindu da Indonésia

Muito antes de os cambojanos Khmer erigirem o famoso Angkor Wat, que recebe milhões de turistas ao ano, aquela arquitetura hindu antiga encontrava representação aqui na ilha de Java com o Prambanan, um dos mais belos monumentos do país e de todo o Sudeste Asiático. Se o grande monumento no Camboja data do século XII, este aqui na Indonésia é ainda mais antigo, de 850 d.C. Fica ao lado de Yogyakarta, e é uma visita linda. Engana-se quem pensa que o hinduísmo foi (ou é) algo restrito à Índia. Tal como o Cristianismo espalhou-se desde a Palestina, a matriz religiosa hindu fez o

Em Jaisalmer, a cidade cor de areia no Grande Deserto de Thar (Rajastão, Índia)

Era chegada a hora de adentrar pra valer o Grande Deserto de Thar, o deserto do Rajastão, na fronteira entre a Índia e o Paquistão, onde por milênios transitaram caravanas e mercadores que iam aqui das Índias ao Oriente Médio. Lá há basicamente uma cidade, Jaisalmer, e é pra onde que eu fui. Saí de Jodhpur para cinco horas e meia de ônibus, que dessa vez pareceram durar o dobro. Como a Índia é hiper-povoada, há gente e vilarejos por toda parte, então os ônibus param a todo momento. O cobrador, um rapaz de seus 20 anos com jeito de garoto da

O passado islâmico da Índia e o Mausoléu de Humayun em Délhi

Eu aqui em Délhi me sinto um Indiana Jones, de tumba em tumba a visitar. Já sei de onde veio toda a inspiração pra aqueles filmes. Os islâmicos que dominaram esta região eram fissurados por construir tumbas para si mesmos, mausoléus para amores ou amigos, e coisas do tipo. Fizeram inúmeras no tempo em que dominaram esta região, entre os séculos XII e XIX (até a derrota para os ingleses, que então "libertaram" os hindus do norte da Índia do jugo islâmico; vocês sabem como isso funciona). São, verdade seja dita, dos monumentos mais belos da cidade. A Índia, apesar de ser um país de

A minha vida em Nova Délhi (e uma visita ao Qutub Minar)

Comecei a ambientar-me às coisas da vida em Nova Délhi. Depois daquela ida ao templo no post anterior, eu voltei à companhia do Tio Bhalla pra o chai da noite. Digo na companhia dele e não da família porque eu sou sumariamente ignorado pelas mulheres da casa (quando ele está presente). Elas nem cruzam o olhar comigo nem se sentam à mesa conosco. Participar da conversa então, nem pensar. (Embora a ajudante de Bengala do Oeste não fale inglês, Dona Bhalla fala). Isso eu sei porque, quando ele não está por perto, dá pra conversar tanto com ela quanto com... errr...

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