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Conhecendo Thimpu, a capital do Butão

Bem vindos a Thimpu. Se naquele jogo de saber os nomes das capitais dos países alguém o desafiar com o Butão, agora você já sabe sua capital qual é.  Thimpu, de apenas 115 mil habitantes, é uma cidade curiosa. Há prédios como em outras capitais do mundo, mas aqui eles todos seguem (por lei) a estética tradicional butanesa, com seus coloridos. Se culturas do mundo todo passaram a dar lugar à por vezes insípida arquitetura contemporânea de edifícios reluzentes sem personalidade cultural, essa personalidade no Butão se guardou. Não é igual aos outros lugares. É uma cidade também em construção. Apesar da

Visitando Auschwitz-Birkenau, o mais famoso campo de concentração nazista

Eu acho novembro um mês lúgubre na Polônia. Nada das belas folhas secas de outono dos bosques do Canadá, ou dos parques de Paris. Na verdade, elas existem na Polônia, mas aqui — a depender de onde você esteja — elas parecem soterradas sob memórias muito mais pesadas que elas. Dias curtos, temperaturas já baixas, e um vento frio anunciando o vindouro inverno. Era assim que estávamos quando saí de Cracóvia, no sul polonês, para visitar as reminiscências do maior campo de concentração e extermínio da Segunda Guerra Mundial: Auschwitz-Birkenau. Embora alemão, ele foi feito em território ocupado dos poloneses, e hoje se encontra

Konya, cidade histórica e coração tradicional da Turquia

Eu tenho amigos liberais de Istambul que não gostam nem da ideia de vir a esses cantos mais interioranos da Turquia. Fazem uma cara e esbugalham os olhos como quem diz "Deus me livre" — ou alguma versão agnóstica da expressão. Como diz um alemão que eu conheci este ano e que trabalha há muito tempo em Istambul: "Istambul não é a Turquia, é uma cidade internacional". Claro que ele está exagerando, mas há um fundo de verdade. Istambul tem estética e sabores turcos — e, inegavelmente, gente turca pra dedéu — mas é um ambiente social bastante distinto: progressista, relativamente liberal,

Ulan Ude: Bem vindos à República da Buryatia, na Sibéria

Estamos de volta à Rússia, na Sibéria, num recanto que a grande maioria dos ocidentais sequer sabe que existe: a Buryatia. Nesta viagem eu aprendi que a Rússia está longe de ser homogênea, e que guarda muitas culturas regionais que nós ocidentais sequer imaginamos. A primeira vez que ouvi falar da Buryatia foi, curiosamente, numa loja de souvenirs no Canadá. Não, eles não estavam vendendo souvenirs russos por lá. O funcionário da loja ("100% quebequense", nas palavras dele próprio), no entanto, acontecia de ser uma daquelas pessoas de quem você nunca esquece. Era época de Natal na Cidade de Québec, e

Taiti, Polinésia Francesa: Terra de dança, flores, e pérolas negras

O Taiti sempre foi pra mim um lugar de sonhos, um lugar quase mítico, fantástico, tão remoto que quase inalcançável. Não é pra menos: o Taiti, essa terra tropical de flores, sol e dançarinas atraentes, está no meio do Pacífico, o oceano maior do mundo, a milhares de quilômetros de qualquer continente. Eu cria que, aqui, você se sentia isolado do restante do mundo. O Taiti hoje faz parte da Polinésia Francesa, um amplo conjunto de vários arquipélagos que são, oficialmente, território francês. Claro, não foi sempre assim; é só em 1880, com os poderes europeus e norte-americano conquistando o Pacífico,

Descobrindo Vanuatu, Oceania: Um tour pela ilha de Efate

Estamos em Vanuatu, um arquipélago soberano em pleno Oceano Pacífico, na parte da Oceania conhecida como Melanésia. São as ilhas de negros que não são africanos — e onde há inclusive negros naturalmente loiros, que eu mostro a seguir. No post passado, eu relatei a minha chegada a este antigo "pandemônio" (como os nativos chamavam o co-domínio colonial de Reino Unido e França até 1980) e os meus bordejos pela capital Port Vila. Agora, é a vez de conhecermos os campos, as praias, o interior, as paisagens, e mais da gente de Vanuatu. O que os europeus encontraram aqui a partir dos idos

Bem vindos às antigas “Novas Hébridas”, hoje Vanuatu, e sua capital Port Vila

Era uma vez um lugar onde, diz a lenda, todo dia de manhã alguém media no mastro se a bandeira britânica estava exatamente à mesma altura da francesa; nem a mais, nem a menos. Os franceses e ingleses chamaram isso aqui de condominium (co-domínio); os nativos preferiram apelidar de pandemonium. Estamos nas ilhas que eram chamadas de Novas Hébridas, hoje a nação soberana de Vanuatu, no Oceano Pacífico, Oceania. Estamos a 2h de avião a nordeste da Austrália. Depois de passar por Samoa e Fiji na vizinhança, foi pra cá que eu vim. Vanuatu, como Fiji, faz parte da Melanésia, então as

Conhecendo melhor Fiji, Nadi e Port Denarau

Fiji não é apenas um arquipélago de ilhas-resort com praias e coqueiros — embora estes sejam lindos —, mas um país real com pessoas e seus hábitos. Fiji inclusive é dos maiores países da Oceania, atrás apenas de Austrália, Nova Zelândia, e Papua Nova-Guiné. São quase 1 milhão de pessoas aqui (mais que em alguns países europeus como Malta, Chipre ou Luxemburgo.) Fiji foi colônia britânica até 1970 (daí quase todo mundo aqui ser fluente em inglês), que os ingleses exploraram com plantações de cana-de-açúcar. Como muito da população nativa morreu vítima de doenças trazidas pelos europeus e para as quais não

Conhecendo o povo Maori e a sua cultura tradicional em Rotorua, Nova Zelândia

Os Maori são um povo amável, ainda que guerreiro. Guerreiros amáveis. Antes, no entanto, de relatar o que vi, permitam-me um breve prólogo sobre a Polinésia, à qual eles pertencem, pois quase nada aprendemos sobre ela no Brasil. Prólogo: A Polinésia A Polinésia, e não a Ásia, é a região mais a oriente no mundo — assim como também a mais a ocidente. Ela tem os primeiros fusos horários e os últimos. A Linha Internacional da Data, que se convencionou traçar sobre o Oceano Pacífico (aqueles fins do mapa que você tem na parede, uma mera convenção no globo terrestre), passa exatamente

Chegando a Auckland, Nova Zelândia: Imigração e impressões

Prólogo: Imigração e alfândega Depois de voar 10h desde Singapura, chegava eu a este remoto país. A Nova Zelândia é tão longe que, mesmo saindo da Austrália, voar até aqui ainda leva 3-4h. A alfândega para entrar na Nova Zelândia é uma novela. Compreensivelmente, há uma preocupação grande quanto à biosegurança, pois estas ilhas tão remotas e de biodiversidade peculiar são muito vulneráveis a pestes e doenças trazidas de fora. No entanto, há um certo terrorismo exagerado: por toda parte, desde o formulário que você recebe pra preencher no avião, há “Multa instantânea de 400 dólares se você trouxer qualquer alimento e

5 curiosidades (ou melhor, doideiras) na Coreia do Sul

Viajando aqui pela Coreia do Sul, descobri algumas coisas loucas quase inacreditáveis sobre o país. Segue uma pequena lista de doideiras. Advirto já que nem sempre se tratam de coisas engraçadas; alguns são problemas sérios, mas que não deixam de chamar a atenção pela excentricidade.  1. Na Coreia do Sul, não é raro fazer cirurgia plástica antes dos 30 anos. É o país com o maior número per capita de cirurgias plásticas. Sim, desbancou o Brasil e os EUA. Fazer cirurgia plástica por qualquer motivo é uma fixação na Coreia. Basta qualquer aparente imperfeição, e as mulheres (mas também alguns homens) estão

O “Memorial da Guerra” em Seul e a divisão Norte-Sul da Coreia hoje

O Memorial da Guerra da Coreia é a atração mais popular de Seul — e, de fato, de todo o país. Não é à toa. Pouco comentada no Brasil (pela nossa distância geográfica e histórica), a Guerra da Coreia nos anos 1950 foi um dos eventos mais importantes do século XX, e a razão pela qual ainda há duas Coreias hoje.  Em Seul, gratuitamente, você pode visitar um lindo e moderno memorial — na prática, um museu — dedicado a explicar os ocorridos. Tudo é segundo a versão da Coreia do Sul, é claro. Ainda que ninguém em sã consciência defenda a louca

Bordejos em Paris na primavera (Parte 3): Monmartre, o Sacré-Coeur, e os contrastes entre a França da belle époque e a de hoje

A França é um dos países mais saudosos da Europa. Mesmo num continente já em geral tão habituado a gostar de reviver o passado e recobrar os seus tempos de glória, a França me parece particularmente nostálgica.  Ao contrário de Berlim, Barcelona e outras das grandes cidades da Europa que admitem, reconhecem, e criam sua identidade própria com base na realidade presente, Paris e a França em geral me parecem fixadas num senso de identidade que gira em torno de um passado cada vez mais distante e que já não é mais. Compare, por exemplo, os filmes recentes de Woody Allen

Rimini, Itália: Entre a Ponte de Tibério, o Arco de Augusto, e o sorvete italiano

Ariminum é como os antigos romanos chamaram esta cidade então fortificada às margens do Mar Adriático. Para lá para trás dos cavalos, no horizonte da foto, está a praia. Hoje, conhecida pelo nome de Rimini, esta cidade é um simpático resort de verão dos italianos.  Estamos na região italiana da Emilia-Romanha, a mesma de Bolonha, só que no litoral. Rimini é uma cidade de médio porte, com seu centro histórico que — como há de ser numa boa cidade italiana — guarda marcas da antiguidade romana juntamente com o casario típico dos séculos mais recentes. Como estamos na Emilia-Romanha, temos aqui aquele casario de tons pastéis

Visitando Kosovo e sua capital, Pristina

Kosovo é esse país europeu de que quase todos nós já ouvimos falar, mas que poucos  realmente compreendem. Sua guerra de separação da Sérvia nos anos 90 foi algo a que o mundo todo assistiu, e de que todo mundo ouviu falar. (Eu tinha até um amigo apelidado de "Kosovo" à época. Não me pergunte o porquê; ele já tinha esse apelido quando eu o conheci.) Nunca ninguém nos explicou por que raios esse pedaço de território quis ser independente da Sérvia. Foi apenas em 2014 que a minha ignorância foi resolvida quando, na Bósnia, alguém me informou que praticamente todos os

Visitando as ruínas de Baalbek e uma mesquita xiita no Vale do Bekaa (Líbano), quase na fronteira com a Síria

Mohammed era um desses sujeitos que você não esquece. Um libanês moreno de seus 35 anos, descolado, de camisa polo, calças e sapato baixo, e um ar de quem não perde uma piada. A cara dele era aquela pseudo-séria, aquele jeito de quem está pensando no próximo comentário a fazer, ou avaliando se há algum significado malandro por detrás do que você disse. Ele tinha a mesma boca suja habitual de um brasileiro médio, e usava foto do supremo aiatolá iraniano Ali Khamenei como foto de perfil no WhatsApp. Era muçulmano xiita, como a maioria dos libaneses — e como a grande maioria dos libaneses

Conhecendo Beirute, capital do Líbano: Uma cidade de contrastes

(Este vai ser um post longo.) Não sei se amo Beirute. Ela é definitivamente uma cidade notável, ocidentalizada mas com aquele toque árabe, e rica pela diversidade única de comunidades religiosas — junção de cristãos maronitas, ortodoxos gregos, muçulmanos sunitas, muçulmanos xiitas, cristãos armênios, entre outros que compõem o mosaico que é o Líbano. É interessante. Por outro lado, Beirute é uma cidade cheia de problemas, que vão desde os altos riscos de terrorismo até uma greve de meses dos incineradores de lixo e que deixou na cidade um fedor nauseante que se estendia por quilômetros. Se você gosta de caminhar como eu, praticamente tudo

A Núbia ontem e hoje: Entre os negros do Egito

Essa senhora é egípcia. Embora não estejamos habituados a pensar nos egípcios como negros, muitos deles são, sobretudo aqui no sul do país. Há um debate muito grande sobre a real aparência racial dos egípcios antigos. A Europa e os Estados Unidos, sabendo da grandeza da civilização egípcia antiga, sempre os identificaram como brancos amorenados (afinal, partiram do princípio que negros jamais teriam sido capazes de fazer algo tão grandioso). Isso, curiosamente, tem influência até hoje, em que nos EUA se você for de origem norte-africana ou turca, você é classificado no censo como branco — e vocês sabem que classificação racial

De volta ao mundo árabe: Bem vindos à Tunísia, norte da África

PRÓLOGO A Tunísia, ex-colônia francesa no norte da África, foi a pioneira da Primavera Árabe. Em 16 de dezembro de 2010, o vendedor de rua Mohamed Bouazizi ateou fogo ao próprio corpo num protesto de último recurso contra as injustiças que sentia no país. Democracia falha, repressão governamental, abusos de autoridade, combinados a desemprego, altos preços de alimentos e más condições de vida. Mohamed era da minha idade, e faleceu em poucas semanas. Foi o estopim para explodirem as frustrações de um povo. O ditador Zine El Abidine Ben Ali governava desde 1987 sob a rótulo de "presidente", eternamente reeleito em eleições

Bordejos em Dublin: Da universidade, ao bar, ao cemitério

Da universidade, ao bar, ao cemitério. Parece algum estudante boêmio declarando sua rotina ou sua perspectiva de vida. Na verdade, é um resumo do meu roteiro por Dublin. A capital irlandesa pode não ter o charme de uma Londres ou Paris, mas tem seus pontos interessantes. E não dá pra visitá-la sem ver o campus do famoso Trinity College, os tradicionais bares escuros da cidade, e visitar o Glasnevin Cemetery para aprender um pouco mais sobre a história deste país. A tríade, no fim das contas, casa-se bem com as predileções favoritas dos irlandeses: beber, ler & conversar, e virar uma boa história

Entre o chá verde e o ópio, no extremo norte da Tailândia

Eis uma visão das mais asiáticas: uma plantação de chá verde. Eu comentei anteriormente (ver Visitando Chiang Mai, a cidade mais "cool" da Tailândia) como este norte do país é mais pacato, relax, e dado mais a budismo & natureza do que o badalado sul, das praias ou da vida noturna de Bangkok. Esta plantação com as colinas deste extremo norte tailandês ao fundo ilustram bem. Há, contudo, uma "sombra" histórica aqui pouco conhecida no Ocidente, mas que paira nesta parte da Ásia do mesmo jeito que a cocaína arrebenta a América Latina. Trata-se da produção de ópio e seus derivados. Este miolo do

Entre ricos e pobres em Lima, Peru

Passadas as lindas tribulações em Cusco, nas caminhadas no Vale Sagrado dos Incas, e finalmente em Machu Picchu, era chegada a hora de visitar a capital peruana, Lima. 
Lima tem um astral completamente diverso daquele encontrado nos Andes. É Peru, mas um outro ambiente. Não procure mais pelas montanhas, lhamas, nem pelas ruínas incas. Inca, aqui, só mesmo o sangue das pessoas e os seus hábitos culturais (a culinária continua maravilhosa). 
Lima lembra muito o Brasil — inclusive nos seus contrastes. Aqui você vê claramente que há o Peru dos pobres e o Peru dos ricos ocupados com o lançamento do último iPhone. Aquele seu primo

Chegando aos Andes: Entre a altitude e as folhas de coca em La Paz, Bolívia

PRÓLOGO Os Andes são uma das regiões mais fascinantes do planeta. Aqui na cordilheira surgiu o memorável Império Inca, e outros povos mais antigos dos quais você talvez ainda não tenha ouvido falar. Os meus próximos posts, sobre viagem à Bolívia e ao Peru, e que culminam com a minha chegada a Machu Picchu, naturalmente falarão bastante sobre indígenas. Antes de começar a contar das minhas experiências, no entanto, eu preciso de um prólogo para esclarecer que quase tudo aquilo que você julga saber — e que infelizmente muitas crianças ainda aprendem na escola — sobre as civilizações das Américas está desatualizado.  Descobertas arqueológicas, genéticas e antropológicas têm revelado que

O Chile latino-americano: Pablo Neruda, Gabriela Mistral e Salvador Allende

O Chile é parte indissociável da alma latino-americana. Em sua poesia, sua História, sua literatura, reflete elementos-chave do continente — seja o romantismo, seja a luta social numa realidade de explorações. Neste país de dois prêmios Nobel de Literatura (Gabriela Mistral e Pablo Neruda), as letras são coisa séria. Elas sempre tiveram forte influência na sociedade, e talvez exatamente por isso tenham sido tão fortemente reprimidas no regime de Pinochet. Aqui, a História do país é indissociável daquela de seus maiores expoentes, que estão entre os maiores nomes da América Latina e do mundo. Uma visita a Santiago não está completa sem conhecer um pouco

Visitando Sarajevo, Bósnia (Parte 1): Chegada de trem, histórico, e a arrepiante Galeria 11/07/95

Sarajevo é uma cidade muito mais bonita e charmosa do que você provavelmente imagina. Sim, ela tem uma história recente sangrenta, cujas marcas permanecem pra todo mundo ver na pobreza, nos olhares às vezes arredios das pessoas mais velhas (sobreviventes), e em prédios e paredes cravejados de balas na rua. Se você, como eu, não tem o hábito de andar por cenários reais de guerra, Sarajevo lhe chamará a atenção. 
Mas Sarajevo também me chamou muito a atenção — e sem eu esperar — por um lado histórico mais antigo, bem conservado, e muito menos conhecido, do tempo quando a Bósnia era parte do Império

Mais Irã: lados difíceis

Esse aí sou eu, sem opção, tomando a marvada mistura 3x1 (café solúvel, leite em pó e — muito — açúcar) em lugar de café de verdade. Foi a única coisa que achei na rua, no centro de Teerã. Debati-me inúmeras vezes por lojas, com o meu afiado persa, perguntando onde tinha Kafé, Koffee, Kefir, e todas as variantes pensáveis dessa palavra que, eu sei, tem origem árabe e, portanto, deve soar parecido em persa. No entanto parei quando a minha amiga turca me alertou que Kafir, parecido o suficiente, quer dizer "infiel", "pessoa que rejeita Deus", e é uma ofensa das mais perjuradas

O uso do véu no Irã

Na foto acima, a famosa Polícia Moral do Irã aborda uma jovem transeunte, acusando-a de que o hijab (o véu de cobrir a cabeça) não está bem posto. A lei iraniana determina que todas as mulheres (turistas ou não) se cubram, mas não diz como. A grande maioria das jovens, ao menos nas cidades grandes, vestem-se assim como essa de rosa. Ao que parece, a polícia não gostou.  
No momento, há uma batalha política no Irã, em que o presidente (eleito democraticamente) Hassan Rouhani diz que não cabe à polícia fiscalizar tal coisa nem impor o Islã a ninguém — "enviar as pessoas

Coyoacán, Leon Trótsky, Diego Rivera, Frida Kahlo e o muralismo mexicano

Frida Kahlo (1907-1954) é seguramente um dos ícones mais conhecidos da cultura mexicana. No entanto, tal como a ponta de um iceberg, ela pertence a algo muito maior e que nem sempre se vê. Esse algo maior, que talvez tenha passado despercebido a quem a conhece apenas pelo filme americano Frida (2002), é todo o movimento artístico e político que teve lugar no México em princípio e meados do século XX. 
Uma das expressões mais notáveis desse movimento foi o muralismo mexicano. Pra dar um pouquinho de contexto histórico, vale saber que o México tornou-se independente da Espanha em 1821. Daí seguiram-se

Era uma vez em Madagascar: Antananarivo e região

Madagascar, eis a ilha de verdade, cujo nome muitos conhecem apenas pelos filmes de animação. Há quem a chame de "o oitavo continente", já que 90% da fauna e flora desta ilha (do tamanho de Minas Gerais) é endêmica e, portanto, só existe aqui. Já outros são mais poéticos, e chamam Madagascar de a "ilha do amor", como aquela clássica música do Olodum — que sempre ensinou mais de História e cultura da África ao Brasil que o nosso ensino escolar eurocêntrico (relembre aqui).  
A natureza aqui pode muito bem ser fruto do amor de Deus, mas a miséria social é obra clara da falta

Mais desigual que o Brasil: Em Johannesburgo e Soweto, África do Sul

Sento-me numa confortável poltrona à là século XIX, bebericando do licor de cereja servido pela criada. A poltrona é daquelas antigas de madeira, com estofo estampado; já o licor é uma iguaria regional, guardada aqui em frascos de cristal e servido em copinhos finos e elegantes. À minha frente, um senhor branco, alto e gordo, beirando os 60 anos, me dá as boas vindas à casa de sua família. Ao lado, duas criadas, negras, uniformizadas (e com lencinho no cabelo), nos olham postas aguardando as ordens. Uma delas me lança um prestativo e caloroso Welcome, sir!, sem quebrar a postura.

São Petersburgo (Rússia) no inverno: O Museu Russo, o Balé Mariinsky, e os marcos de quando se chamava Leningrado

É inverno. Nosso trem desliza sobre o metal de Helsinki a São Petersburgo. Do lado de fora, campos cobertos de neve cheios de casamatas, torres e fiação, parecendo uma área militar vigiada da Segunda Guerra Mundial. O sol já havia se posto desde as 4h da tarde, e só se viam as luzes brancas de holofotes sobre a neve. Dentro do trem, também metal, pois é o que mais se ouve escapando dos fones de ouvido dos finlandeses. Belas finlandesas de rostinho quadrado e tranças louras no trem, mas sentava-se do meu lado bem um marmanjo com cara de russo

Edição especial numa terra Pataxó: Em meio aos índios em Porto Seguro e Coroa Vermelha

Dança com Lobos (1990) e O Último Samurai (2003) são filmes de narrativa simples, mas de profundo significado: um homem deixa a sua sociedade habitual e acaba convivendo com aqueles que vivem de um outro modo. "A way of life", é o nome da música-tema d'O Último Samurai, e não por acaso. Em ambos os filmes, os personagens acabam encontrando naquela nova sociedade muito do que já não encontravam nas suas. 
Este ano fui agraciado com trabalhos aqui no Brasil, entre eles um projeto com os índios Pataxó, no sul da Bahia. Perto da conhecida Porto Seguro há mais de 800

Japão, um país de homens?

Anúncio de um maid café, tipo de lanchonete onde as garçonetes se vestem e se comportam como serviçais, por 80 reais. O Japão é um país machista — não diferentemente do restante da Ásia, com algumas particularidades aqui e ali. Não é mera opinião; são o que os dados mostram. Dentre os países ricos, o Japão é de longe o mais desigual em questão de gênero. Em 2012 o relatório anual do Fórum Econômico Mundial o classificou na centésima posição em termos de paridade de oportunidades entre homens e mulheres, ao lado de países como Gâmbia e Tajiquistão. 
Alguns questionam, dizendo que culturas são diferentes, e

A triste sina de Hiroshima

8:15 da manhã, 6 de agosto de 1945 As pessoas aguardavam a abertura dos bancos e das lojas. Não se pode dizer que era uma manhã "normal", pois já há oito anos o Japão estava em "guerra total". O risco de invasão era real, e a derrota já era certa. Mas se por um lado os líderes do Japão já tinham noção da circunstância e as lideranças ocidentais já até repartiam os espólios de guerra, as pessoas comuns — sempre as que arcam com os maiores custos — dificilmente imaginavam o que estava por vir. 
Hiroshima entrou para a História como a primeira vítima de uma bomba atômica.

Quem é a Ucrânia: Identidade, Revolução Laranja, e a Praça (Maidan) da Independência em Kiev

A Ucrânia é um país que muitos conhecem, só que não. Sabemos que fica no leste europeu, perto da Rússia, mas pára por aí. Poucos sabem, por exemplo, que a Ucrânia tem idioma próprio (o ucraniano), que é o maior país da Europa após a Rússia (e dos mais populosos, com 45 milhões de pessoas), e é uma das identidades nacionais que mais se afirmam neste século XXI. Eu tive uma breve passagem por aqui em abril, minha primeira experiência neste país, para agora no verão retornar com mais tempo. Tive oportunidade de provar e ver algumas das muitas pequenas coisas

Direto de Jambi, Sumatra, Indonésia

Jambi, interior da Sumatra. Estamos no miolo de uma das maiores ilhas da Indonésia. Mas se você assistiu a algum filme americano e acha que aqui estamos no meio da floresta, enganou-se (ou melhor, o enganaram). Jambi é uma cidade de médio porte, e — tal como no nosso "arco do desmatamento" no norte do Brasil — o que há décadas atrás era selva rica em biodiversidade, hoje é área devastada usada para plantações e cada vez mais urbanizada. Eu vim passar 10 dias a trabalho nesta parte do país. Desembarcamos eu, Jubi (a minha intérprete indonésia de trabalho e, a esta

A Índia e as mulheres: Observações, alertas e dicas às turistas para viajar acompanhadas ou sozinhas

A Índia é uma gigante democracia que tem dos mais atuantes movimentos civis do mundo, mas ser mulher na Índia não deve ser fácil. Já desde o início, se você for nascer de uma família pobre (num país onde há centenas de milhões de pobres), as chances não são baixas de ser abortada só por ser um feto do sexo feminino. Depois de nascer, as oportunidades de educação e emprego aqui são notoriamente menores se você for mulher. E durante toda a vida adulta, você encarará uma sociedade dominantemente masculina, com regras, normas e preferências moduladas para os homens, hierarquias

Ajmer, Rajastão: No interior tradicional da Índia com uma família indiana

A Índia às vezes faz você se sentir um marajá. Mas não sem antes você navegar pela esculhambação. Hora de mais uma etapa "família" da viagem. Um dos propósitos do tour pelo Rajastão era visitar os pais de um amigo meu lá de Amsterdã, indiano. Conheci os pais dele nesse verão passado e prometi dar um pulo quando viesse aqui à Índia. Voilà, cá vim eu a Ajmer, uma cidade no caminho entre Jaipur e o sul de colinas-e-lagos do Rajastão. Do lado, Pushkar, uma cidade sagrada hindu com um dos poucos templos dedicados ao seu deus criador, Brahma. 
No ônibus povão

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