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Singapura, a cidade-estado do país tropical moderno

Já comentei como Singapura é um paraíso das comilanças asiáticas, e de como o país resulta de uma mistura de chineses, malaios e indianos que vieram parar aqui no tempo da dominação britânica. Mostrei os bairros étnicos com os seus templos no post anterior. Esta cidade-estado, no entanto, quer também se estabelecer como um moderno e organizado país tropical — coisa que a gente não vê muito mundo afora. Do ponto de vista do turista, isso significa mais alguns lugares interessantes a visitar. Singapura tem a maior renda per capita da Ásia, fora o Japão. É também um paraíso de segurança —

Singapura, a cidade-estado das três culturas: Chinesa budista, malaia islâmica, e tâmil hindu

Eis aí o leão, símbolo de Singapura. "Singa Pura" significa exatamente "Cidade Leão" em sânscrito. Desde a Antiguidade, mercadores indianos, chineses e malaios comerciam por esta região, passando aqui pelo Estreito de Malacca entre a ilha de Sumatra e a pontinha da península malaia, onde Singapura está (ver post anterior). Esta é uma localização comercial estratégica. Os portugueses necessariamente passavam por aqui para chegar até a China e o Japão, e depois os seguiram os holandeses e, por fim, os ingleses. Estes no século XIX precisavam necessariamente cruzar este estreito para vender ópio cultivado nas Índias aos chineses. Nos idos de

Singapura, a cidade-estado paraíso das comidas asiáticas

(Com o Novo Acordo Ortográfico, passou-se a escrever Singapura com S, não mais com C.) Se você perguntar a qualquer singapurense que se respeite qual é o principal atrativo do seu país, a resposta invariavelmente será a comida. Eles, na verdade, ficam estupefatos que tantos ocidentais venham aqui e passem batidos pela comida, preocupando-se mais com as piscinas dos hotéis, os prédios iluminados, etc.  Os asiáticos em geral adoram comer fora e normalmente marcam todos os seus encontros sociais todos em torno das refeições. Nesse sentido, Singapura é um verdadeiro paraíso, onde você encontra de tudo em termos de comidas asiáticas — seja culinária indiana,

Kuala Lumpur, Malásia: Passeando pela capital malaia e vendo de perto as Torres Petronas

Perdoem-me começar o post com uma mentira. Eu não amo K.L.. Eu gostei de algumas coisas da cidade, mas dizer que a amo seria falsidade. Fiquei instalado no centro da capital malaia, nos arredores de sua Chinatown. (Como eu já coloquei antes, não faltam chineses que vivem há séculos nestas proximidades do Estreito de Malacca.) Estamos numa megalópole de 7 milhões de habitantes em toda a região metropolitana, e — como você há de imaginar — esta metrópole de Terceiro Mundo tem seus altos prédios, luxuosos, mas também uma renca de pessoas pobres no chão e vizinhanças subdesenvolvidas. É uma cidade de

Indo de ônibus (ou trem) de Penang a Kuala Lumpur, Malásia

Passados alguns dias aqui na ilha de Penang, chegava a hora de seguir viagem à capital da Malásia, Kuala Lumpur (também conhecida como K.L.). Há trens e ônibus indo daqui para lá, mas os bilhetes de trem precisam ser comprados com antecedência. Não espere aparecer à estação e pedir "um para o próximo trem", como eu fiz. Naquele dia já estavam todos já lotados, e a moça do guichê me mandou para a rodoviária. Por sorte, ambas rodoviária e estação de trens ficam lado a lado. Você toma o ferry gratuito de Georgetown até elas, que ficam no continente. Coisa curta, de

Visitando o belo Kek Lok Si, o maior templo budista da Malásia

Era um dia nublado de chuviscos quando eu resolvi ir à Colina de Penang e, de lá, vir conhecer o Kek Lok Si, o maior templo budista de toda a Malásia. Ele fica em meio a colinas bastante verdes, entrecortadas por estradas, e com algo de urbanização desordenada (à là Terceiro Mundo) aparecendo aqui e ali. Você caminha pelas barracas que mostrei no post anterior e depois por umas beiras de estrada, mas nada muito longo. No total, é uma caminhada de seus 30-40 minutos separando a subida para a Colina de Penang e a entrada do templo. Você verá o

Em Penang Hill, Malásia: Conhecendo um templo hindu por dentro e comidas de rua

Depois de tanto circular por Georgetown, cidade histórica deste entreposto comercial e cultural que é a ilha de Penang, era hora de ver o que mais o lugar oferece. Fora da cidade, o lugar mais visitado aqui é Penang Hill, ou Colina de Penang, um ponto alto no centro da ilha, onde há vistas panorâmicas, um trenzinho, comidas de rua, e templos. Um programa bem família, que eu fui conferir. Normalmente, é melhor que você vá num dia claro, limpo, que lhe permita uma vista melhor sobre a cidade. Eu, no entanto, havia visto algo previsão de trovoadas nos dias seguintes

A curiosa arte de rua em Georgetown, Penang, Malásia

Aproveitando a deixa artística do post anterior (sobre a arte batik do Sudeste Asiático), chegou a hora de mostrar a vocês uma outra arte: a arte de rua de Georgetown, um dos grandes chamarizes turísticos da cidade. (Aí acima estou eu com dois simpáticos chilenos que encontrei em Penang.) É dessas coisas meio "Terceiro Mundo" que se permitem enfeitar nas mal-acabadas paredes das ruas do centro histórico de Georgetown. Turistas europeus, em especial, vêm muito aqui invejar a permissão que se dá à criatividade de rua, algo que eles não encontram tanto em seus ordenados países de origem. É arte simples

A bela e pouco conhecida arte “batik” do Sudeste Asiático, em Penang, Malásia

Eu já falei muito da presença chinesa aqui nos Estreitos de Malacca, da presença hindu tâmil, assim como também das presenças do budismo e do islã trazido por mercadores árabes e indianos. Nada disso é nativo. Daí você pode me perguntar: o que é realmente malaio? Somente o mérito de ser uma grande mistura? Não. Os malaios têm cultura própria, para além de serem um caldo multicultural. Uma das manifestações mais bonitas dessa cultura malaia, que eles compartilham com a vizinha Indonésia (que fala basicamente o mesmo idioma), é a arte batik. Ela se refere a uma forma de pintura

Georgetown, Penang, Malásia (Parte 4): Mansões coloniais e templos budistas birmanês e tailandês

[Continuação de Georgetown, Penang, Malásia: Onde as culturas chinesa, hindu, e malaia islâmica convivem, Georgetown, Penang, Malásia (Parte 2): Comidas, curiosidades e templos, e Georgetown, Penang, Malásia (Parte 3): No meio do povo nestas terras tropicais] Estas terras tropicais têm de tudo. Eu já havia visto bastante aqui em Georgetown, mas não tudo. Embora as culturas malaia, chinesa, e hindu tâmil sejam mesmo as dominantes nesta região dos Estreitos de Malacca (incluso em Singapura), há outras também. Dentre essas outras estão os birmaneses (do atual Myanmar, antiga "Birmânia") e tailandeses budistas que se instalaram aqui. Se você sentiu falta do budismo no pot-pourri de

Georgetown, Penang, Malásia (Parte 3): No meio do povo nestas terras tropicais

[Continuação de Georgetown, Penang, Malásia: Onde as culturas chinesa, hindu, e malaia islâmica convivem, e Georgetown, Penang, Malásia (Parte 2): Comidas, curiosidades e templos.] Pelas ruas da colorida Georgetown você encontra de quase tudo. Acho que já dei a entender isso mostrando a grande mistura de religiões aqui e alguns exotismos curiosos, como suco de noz-moscada. Era hora de ir mais a fundo na cidade, vendo mais dos seus tons, e não há maneira melhor de fazer isso que misturando-se ao povo. Após o meu religioso café da manhã chinês no boteco em frente ao meu albergue, hoje eu cruzaria com fundamentalistas islâmicos e

Georgetown, Penang, Malásia (Parte 2): Comidas, curiosidades, e templos

(Continuação de Georgetown, Penang, Malásia: Onde as culturas chinesa, hindu, e malaia islâmica convivem) Estamos em Georgetown, na ilha de Penang, Malásia, quase sob a linha do equador. É como acordar com aquela umidade do norte do Brasil, só que com cheirinho de incenso. Cedo os dois homens que geriam o albergue já haviam acendido o pequenino altar chinês de bons auspícios no chão, ao lado da recepção. O meu café da manhã era com os chineses. Perto do meu albergue, num boteco do outro lado da rua, chineses de todas as sortes reuniam-se nas mesas de bar de manhã para comer macarrão no

Georgetown, Penang, Malásia: Onde as culturas chinesa, hindu, e malaia islâmica convivem

Bem vindos à Malásia! Após andanças pela Coreia do Sul, era hora de um canto mais tropical da Ásia. Eu cheguei por uma das mais fascinantes cidades por onde já passei no mundo (e olhe que não foram poucas). Georgetown, na simpática ilha de Penang, Malásia, não impressiona por seus arranha-céus ou vida urbana moderna; na verdade, trata-se de uma cidade pequena. O que impressiona em Georgetown é um cosmopolitismo estabelecido de diferentes culturas asiáticas que convivem aqui há séculos: chineses, malaios, hindus, entre outros.  Eu já havia, em Sarajevo, escutado o sino da igreja e o chamado da mesquita ao mesmo tempo.

Tailândia: Dicas de viagem, lugares para ver, e o que fazer

Quero retroativamente, pois já faz alguns meses que relatei a minha viagem à Tailândia, fazer um compacto com minhas impressões e dicas, pois tenho visto que o país anda sendo muito procurado por brasileiros — e várias pessoas têm me enviado mensagens perguntando. Vamos, como sempre, começar pelo que me impressionou mais. O que mais gostou. Esta é uma pergunta muito difícil no caso da Tailândia, pois há simplesmente muita coisa fenomenal e marcante no país (sejam os magníficos templos budistas, a comida tailandesa de levar você ao céu, o mar de águas verdes em Ko Phi Phi, entre outros). Mas, falando com franqueza, como alguém

Ko Phi Phi, Tailândia

Este será um post bastante visual. Não há como ser diferente; Ko Phi Phi é um paraíso na Terra, daqueles que a gente vê em cartão postal e papel de parede de computador. A água do mar é tão clara que dá até pra ver os peixes nadando. Só não se esqueça do calor, que as pessoas sempre se esquecem de imaginar quando veem essas fotos, e que aqui equivale a um dia quente de verão no Nordeste ou no Rio de Janeiro. 
Phi Phi (Ko significa "ilha") é uma das mais populares das ilhas que pontuam a costa da Tailândia — dessas

Phuket: Praias e música no sul da Tailândia

Poucos ainda não ouviram falar das praias da Tailândia. Mundialmente elas são famosíssimas. Mesmo para nós, que no Brasil temos praias belíssimas "em casa", não dá para vir à Tailândia sem conhecer este sul do país, de mar, praias, ilhas e sol — ah, e também de perdição, muita bebedeira, festas à luz da lua cheia, etc. Pra quem não sabe, o sul da Tailândia é geralmente o ponto de "iniciação" dos mochileiros europeus e norte-americanos. 
Phuket é, seguramente, o coração deste sul, embora não seja o seu lugar mais bonito. (Tailandês não é latim, então o Ph se pronuncia com som de

Entre o chá verde e o ópio, no extremo norte da Tailândia

Eis uma visão das mais asiáticas: uma plantação de chá verde. Eu comentei anteriormente (ver Visitando Chiang Mai, a cidade mais "cool" da Tailândia) como este norte do país é mais pacato, relax, e dado mais a budismo & natureza do que o badalado sul, das praias ou da vida noturna de Bangkok. Esta plantação com as colinas deste extremo norte tailandês ao fundo ilustram bem. Há, contudo, uma "sombra" histórica aqui pouco conhecida no Ocidente, mas que paira nesta parte da Ásia do mesmo jeito que a cocaína arrebenta a América Latina. Trata-se da produção de ópio e seus derivados. Este miolo do

Visitando as “mulheres-girafa” do pescoço comprido e outras tribos das colinas na Tailândia

Eis a famosas mulheres do pescoço comprido (que até chegar aqui eu nem sabia que viviam na Tailândia). 
Numas choças de madeira e palha vivem essas inigualáveis mulheres. Fazem parte da tribo Karen (às vezes escrito Kayan), uma das várias que habitam estas colinas aqui do extremo norte da Tailândia, sul da China, e áreas adjacentes nos outros países da região. São um povo de cultura particular, uma minoria étnica que desconhece as fronteiras políticas que lhes foram impostas nos tempos modernos. 
A chegada até aqui não é complicada. De Chiang Rai, já no extremo norte da Tailândia, é facílimo organizar passeios de um

Chiang Rai e o fabuloso templo branco “pop” Wat Rong Khun

Veja se o templo não parece saído de alguma fábula, encantador e ao mesmo tempo misterioso. O Wat Rong Khun, mais conhecido como "o Templo Branco", é o trabalho ainda em andamento de um artista tailandês contemporâneo, Chalermchai Kositpipat. Misturando elementos budistas e da cultura pop (você verá), esse senhor daqui da cidade de Chiang Rai diz que seu projeto só será concluído em 2070. Deve estar querendo ser o Gaudí asiático, cuja obra na Sagrada Família segue ainda décadas após a sua morte. 
Estamos no extremo norte da Tailândia, a poucas horas de viagem de Chiang Mai. Chiang Rai é

Num santuário de elefantes na Tailândia: Uma visita inesquecível

Elefantes são dos animais mais fascinantes do planeta. Inteligentes, amistosos, e ameaçados. Uma vinda à Tailândia não está completa sem uma visita a um dos muitos santuários de elefantes que há aqui no norte do país. Nos arredores de Chiang Mai há dezenas deles, mas nem todos os tratam bem, então se você se importa com os elefantes, vale a pena ter atenção na hora de escolher. 
Muitos parques selam os elefantes com arreias de metal que, ao longo do tempo, podem criar ferimentos na pele e infecções. Além disso, há muitos casos de treinadores que os machucam. E, convenhamos, ficar

Visitando Chiang Mai, a cidade mais “cool” da Tailândia

Chiang Mai provavelmente é a cidade tailandesa favorita dos estrangeiros, o que é uma faca de dois gumes. O clima ameno do norte da Tailândia, seus templos, natureza ao redor, e ruas (bem) mais tranquilas que as de Bangkok dão o tom. Chegando lá logo sentimos o ar fresquinho, muito diferente do calor tropical úmido da capital. Por outro lado, há mais taxistas perguntando "Wé yu go?" na rua e restaurantes com preços e sabores "ajustados" para turistas. 
Na estação, você precisará tomar uma das caminhonetes vermelhas que servem de táxi na cidade. (Há táxis propriamente ditos, mas estes são mais caros. Já

Viajando de trem na Tailândia: Rumo ao norte

O norte da Tailândia é bastante diferente do sul do país, ou de Bangkok. Precisa ser visitado para você ter uma noção geral do país. Aqui há mais influência chinesa, uma culinária ligeiramente distinta, e um ar subtropical de colinas verdes, com santuários de tigres e de elefantes. Ponha de lado por ora o clima de luzes e festas da capital. O trem é uma ótima forma de viajar de Bangkok a Chiang Mai. Confortável, relativamente barato, e mais cênico que o avião. A viagem dura coisa de 10h, e há opções de trem durante o dia ou durante a noite.

Pelas ruas e mercados de Bangkok experimentando a comida tailandesa, a melhor do mundo

A Tailândia é uma diversão. Está no espírito dos tailandeses, como no dos brasileiros. Esse "a melhor do mundo" é a minha desavergonhada opinião pessoal. Talvez. Sempre me perguntam qual a minha culinária favorita, e esta é sempre uma pergunta difícil. Amo a Itália, a Índia, a minha comida baiana de origem, mas a Tailândia também está sempre em disputa lá no topo. Embora essa seja uma questão de gosto pessoal, é indiscutível que a culinária tailandesa é riquíssima em sabores, e que uma viagem aqui não está completa sem experimentar as comidas. 
Não seja como os que viajam para o exterior

Bangkok à noite: Lady boys, sky bars, e a famosa Rua Khao San

Se a noite é uma criança em outros lugares, aqui em Bangkok ela definitivamente é maior de 18. 
Esta provavelmente é a cena noturna mais pervertida do mundo. Se durante o dia Bangkok é uma metrópole "normal" do Sudeste Asiático, com seus lindos templos budistas e outras belezas (ver aqui), à noite ela revela um "lado B" bastante diferente, em que as ruas exalam nightlife, sexo e prostituição. Basta o sol se pôr (ou às vezes nem isso), e já surgem os neons e a música eletrônica vinda dos bares. As barraquinhas na calçada, que durante o dia vendem frutas ou souvenirs

Bangkok de dia: Os lindos templos budistas da Tailândia e o famoso Buda deitado

Bangkok é uma cidade que se transforma do dia para a noite. Durante o dia, temos uma cidade quente, moderna, de altos prédios reluzentes, combinada a uma de visível pobreza, com muitos mendigos na rua e casebres de madeira às margens do rio. Os lindos templos budistas são o que de mais belo há para se ver aqui nestas terras tropicais. O budismo tailandês sinceramente lhe proporciona um espetáculo difícil de superar por qualquer outro país. Vamos por partes. Primeiro, prepare-se para o calor. Bangkok é uma metrópole tropical, calor nível Rio de Janeiro ou Nordeste do Brasil. Mesmo no inverno

Réveillon em Bangkok! Bem vindos à Tailândia, a terra da libertinagem

Não é todo dia que eu viajo pra encontrar "camisinha" listada no cardápio do serviço de quarto do hotel, quarto triplo com uma cama só, ou banheiro com uma porta extra estratégica ligando a banheira ao quarto. Não, não é motel, isso é Bangkok. 
Bem vindos à Tailândia, um dos países mais belos e simpáticos do mundo. Digo-lhes isso já tendo visitado mais de 60 deles. Gastronomia fabulosa, lindas praias e templos budistas, gente calorosa e, como você talvez já saiba, seguramente o país mais liberal e libertino do mundo em matérias de gênero e sexo. Comparado à Tailândia, o Ocidente

Paraíso perdendo-se: No centro de Java, e o dia-dia em Yogyakarta (Indonésia)

Depois do Brasil, a Indonésia tem a maior cobertura florestal do mundo. Como o Brasil, a Indonésia sofre com a fome inesgotável dos mercados internacionais por recursos naturais: minérios, madeira e, cada vez mais, terras e água para a agricultura de exportação controlada por poucos. Vive como o Brasil numa eterna economia de produtos primários, como no tempo de colônia. A Indonésia conquistou independência da Holanda em 1949, experimentou uma longa ditadura militar (1967-1998) apoiada pelos Estados Unidos, e o resto você já conhece, é como o Brasil: governos pouco eficazes e mancomunados com as elites locais e estrangeiras que

Bali, Indonésia: Danças, praias, flores & templos à moda hindu local

Bali. Este é o destino da grande maioria dos turistas que vêm à Indonésia. Não é difícil entender o porquê: Bali parece uma mistura de Índia com Havaí, e mescla tanto religião e cultura quanto festas à beira da praia com guirlandas de flores no pescoço. 
Esta ilha, localizada a leste de Java (a principal da Indonésia), tem cerca de 150 x 100km de extensão, e uma série de pecularidades. No post anterior eu mencionei que a Indonésia, antes de se tornar islâmica, era hindu e budista. Pois então: os balineses nunca se converteram, e permanecem hinduístas até hoje. Mas é um hinduísmo diferente.

Borobudur, o maior templo budista do mundo, na Ilha de Java (Indonésia)

No post anterior eu relatei a minha visita a Prambanan, o milenar complexo de templos hindus nos arredores de Yogyakarta, no centro da ilha de Java. Aquilo era um fim de dia. Na calorosa manhã tropical do dia seguinte, nós iríamos a Borobudur, um magnífico templo ainda mais antigo, desta vez budista. Ele acontece de ser o maior templo budista do mundo. Borobudur data de 800-825 d.C., e tem um conceito bem interessante. São nove plataformas formando uma espécie de pirâmide, e em cada uma delas há ilustrações esculpidas mostrando aspectos da vida de Buda e, em geral, da vida humana.

O Prambanan, próximo a Yogyakarta, e o passado hindu da Indonésia

Muito antes de os cambojanos Khmer erigirem o famoso Angkor Wat, que recebe milhões de turistas ao ano, aquela arquitetura hindu antiga encontrava representação aqui na ilha de Java com o Prambanan, um dos mais belos monumentos do país e de todo o Sudeste Asiático. Se o grande monumento no Camboja data do século XII, este aqui na Indonésia é ainda mais antigo, de 850 d.C. Fica ao lado de Yogyakarta, e é uma visita linda. Engana-se quem pensa que o hinduísmo foi (ou é) algo restrito à Índia. Tal como o Cristianismo espalhou-se desde a Palestina, a matriz religiosa hindu fez o

Yogyakarta: Uma jornada ao centro da ilha de Java, à sua capital cultural

Esse aí na foto é o singelo vulcão Merapi. Não, eu não tirei a foto pessoalmente. Ele explodiu em dezembro de 2010, mas sempre volta a ficar quietinho — até quando, não se sabe. As pessoas aqui de Java Central já se acostumaram a viver com um vulcão por perto. 
Mas o centro de Java reserva mais que um vulcão temperamental. Na verdade, apesar de Jakarta (no oeste da ilha) ser a capital, as belezas culturais e as tradições javanesas estão em sua maior parte no centro da ilha. Não sei qual é a noção de vocês sobre o tamanho de Java, mas a

No coração de Sumatra: Experimentando o interior rural da Indonésia

O interior rural da Indonésia é algo que a maioria dos turistas não vê. Lembra o ambiente do interior tropical do Brasil, só que diferente. Pessoas diferentes, cultura diferente, comidas diferentes, mas carências iguais, e uma simplicidade quase idêntica. Foi das experiências de que mais gostei neste período de trabalho aqui. Eram 6h da manhã de domingo quando eu ainda me revirava na cama, em Jambi. Acordei ao som de música, talvez o último tipo de música que eu esperaria ouvir num país muçulmano: canto de música evangélica. O que é isso? Pensei que ainda estava sonhando. O som vinha alto e animado

Direto de Jambi, Sumatra, Indonésia

Jambi, interior da Sumatra. Estamos no miolo de uma das maiores ilhas da Indonésia. Mas se você assistiu a algum filme americano e acha que aqui estamos no meio da floresta, enganou-se (ou melhor, o enganaram). Jambi é uma cidade de médio porte, e — tal como no nosso "arco do desmatamento" no norte do Brasil — o que há décadas atrás era selva rica em biodiversidade, hoje é área devastada usada para plantações e cada vez mais urbanizada. Eu vim passar 10 dias a trabalho nesta parte do país. Desembarcamos eu, Jubi (a minha intérprete indonésia de trabalho e, a esta

Taman Safari e outras saídas em Bogor, no interior da ilha de Java (Indonésia)

Enquanto não viajo para Sumatra, Bali e outros lugares mais exóticos da Indonésia, vou dando minhas voltas aqui em Bogor no tempo livre. Não há grandes templos ou ruínas históricas, como havia em abundância lá na Índia. Há templos em algumas regiões, já que antes de ser islâmica a Indonésia era em grande parte hindu, mas o turismo aqui na Indonésia me parece mais pra o lado de praia e de parques naturais.  
Em Bogor, a principal atração é um super jardim botânico, onde eu fui participar de um dia de comemoração ao Dia da Terra, fim de semana passado. Conheci um

Vivendo na Indonésia: Sorrisos, arroz e terremotos

O povo indonésio é um povo sorridente. Risada fácil. Quase sempre amigáveis. Mais "dados" e mais abertos que os indianos, que eram quase sempre resguardados e ciosos de seus interesses (em grande parte das vezes, o teu dinheiro). Aqui na Indonésia eles dão risada por tudo. Mesmo as mulheres muçulmanas, que a gente tende a imaginar fechadas e conservadoras, aqui são bem risonhas e boas de papo. E falam com você sem problema. De vista, eu diria que metade usa o véu, a outra metade (espetaculosas!) deixam suas madeixas negras balançando ao vento. Ainda não tenho tido muito tempo pra turismo,

Indo morar na Indonésia: Primeiras impressões, do homem que NÃO sabia javanês

A Indonésia é séria candidata a ser o maior país do mundo que é semi-invisível aos olhos dos brasileiros. Se você parar alguém na rua, a resposta provável será "Já ouvi falar", e mesmo aqueles habituados ao turismo internacional dificilmente chegam aqui (durante toda a minha estadia de 6 semanas aqui, eu encontraria apenas um único conterrâneo). Claro, é longe pra caramba — do outro lado do mundo —, mas há também um elemento importante de desconhecimento. Pouco se conhece ainda no Brasil sobre esta maravilhosa terra que é a Indonésia, mas sempre é tempo. "Terra" talvez deveria estar entre aspas, pois

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