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Conhecendo Thimpu, a capital do Butão

Bem vindos a Thimpu. Se naquele jogo de saber os nomes das capitais dos países alguém o desafiar com o Butão, agora você já sabe sua capital qual é.  Thimpu, de apenas 115 mil habitantes, é uma cidade curiosa. Há prédios como em outras capitais do mundo, mas aqui eles todos seguem (por lei) a estética tradicional butanesa, com seus coloridos. Se culturas do mundo todo passaram a dar lugar à por vezes insípida arquitetura contemporânea de edifícios reluzentes sem personalidade cultural, essa personalidade no Butão se guardou. Não é igual aos outros lugares. É uma cidade também em construção. Apesar da

Entre campos de arroz, arquitetura butanesa e budismo tântrico em Punakha, Butão

De que o Butão é um país pitoresco, acho que já os convenci no post anterior. É algo que continuará em todas estas postagens. Mas o Butão também é rico de particularidades, curiosidades, seja o curioso Budismo tântrico, seja a sua arquitetura tradicional tão particular. Eu dormira em Punakha, um dos distritos mais visitados do país, e acordei no dia seguinte para uma manhã nublada. Eu, ambicioso, aproveitei-me de estar viajando sozinho — e, portanto, na minha própria velocidade — para fazer um programa intenso, com tudo o que fosse possível ver ou fazer. Nesta manhã, faria uma caminhada pelos arrozais até um

No Reino do Butão, país budista nos Himalaias

Bem vindos ao Reino do Butão, este país budista nos Himalaias. Uma das viagens mais memoráveis que já fiz. O Butão é o bucolismo rural e natural cada vez mais difíceis de encontrar na Ásia, saturada que está pela superpopulação e pela urbanização desordenada. No Butão, temos menos de um milhão de pessoas, que sequer estão concentradas na capital. Essa, Thimpu, possui apenas 1/7 da população do país, algo mais de 100.000 habitantes.  Os rios continuam limpos. Ver corredeiras ainda quase transparentes, da água gélida que desce dos Himalaias e aqui ganha breves tons esverdeados enquanto margeia as pedras, encheu-me de alegria.

Cremação e cerimônia hindu no templo Pashupatinath (Katmandu, Nepal)

Fogueiras acesas, ervas prontas, e famílias — espera-se também prontas — para queimar o corpo do seu ente querido na beira do rio. O rio, que dantes devia ser um corpo caudaloso de água limpa, hoje é um riacho escuro sofrido com os males da industrialização sem consciência e da urbanização desgovernada. O ritual, todavia, persiste o mesmo. Cachorros de rua passeiam no recinto enquanto um sacerdote organiza as toras de madeira para queimar. Faz-se uma fogueira na plataforma justo à margem, algo elevada, enquanto as mulheres descem as escadarias (os ghats) que vão até as águas para banhar ou benzer algo. Há resíduos

Templos e legado histórico no Nepal: Bhaktapur, Patan e Changu Narayan

O Nepal nem sempre foi um país unido. Até o século XVIII, havia muitos pequenos reinos vizinhos aqui nesta região dos Himalaias. Perto de Katmandu, que nada mais era que a capital de um daqueles, você tem nada menos que outras três antigas capitais: Bhaktapur, Kirtipur, e Patan (atualmente renomeada Lalitpur, mas ainda conhecida pelo seu nome histórico). Cada uma tem a sua Durbar Square, a sua praça palaciana. Era hora de eu conhecer esse legado histórico nepalês. Passada a nossa manhã de largas caminhadas por entre os terraços de arroz e vales verdes do Nepal, a tarde seria histórica. A

O Mosteiro Kopan e Boudhanath: Espaços tibetanos em Katmandu, Nepal

Katmandu tem o agito e o bafafá que eu mostrei no post anterior, mas tem também seus cantos singelos. Muitos desses estão relacionados à presença tibetana aqui. Alguns dos mais belos locais de cultura tibetana fora do Tibete estão em Katmandu, a capital nepalesa. Sempre houve grandes trocas culturais através dos Himalaias, esta que é a maior cordilheira do planeta. Porém, quando a China invadiu em 1951 a terra do Dalai Lama, este fugiu para a Índia, mas foi cá no vizinho Nepal que muitos tibetanos se refugiaram. Parte da riqueza cultural do Nepal de hoje se deve a essa linda mistura,

Bordejos em Katmandu, Nepal: Templos, ruas loucas, e cultura tibetana

Olhe o horizonte. Calma, não se assuste demais com a muvuca das ruas. Estamos no Nepal, um dos países mais pobres da Ásia, mas também um dos mais belos. Pobreza e beleza estão aqui lado a lado. Aqui fica o famoso Monte Everest, maior montanha do mundo (a 8.848m); há lindas paisagens tanto rurais quanto naturais; e há ricas e milenares culturas dos Himalaias, a mais elevada cordilheira de montanhas da Terra. O Nepal acontece de ser onde o Buda nasceu (em 563 a.C.), e estando estrategicamente posicionado entre a Índia e o Tibet  (este atualmente na China) o Nepal também tem

Ulan Ude: Bem vindos à República da Buryatia, na Sibéria

Estamos de volta à Rússia, na Sibéria, num recanto que a grande maioria dos ocidentais sequer sabe que existe: a Buryatia. Nesta viagem eu aprendi que a Rússia está longe de ser homogênea, e que guarda muitas culturas regionais que nós ocidentais sequer imaginamos. A primeira vez que ouvi falar da Buryatia foi, curiosamente, numa loja de souvenirs no Canadá. Não, eles não estavam vendendo souvenirs russos por lá. O funcionário da loja ("100% quebequense", nas palavras dele próprio), no entanto, acontecia de ser uma daquelas pessoas de quem você nunca esquece. Era época de Natal na Cidade de Québec, e

Singapura, a cidade-estado das três culturas: Chinesa budista, malaia islâmica, e tâmil hindu

Eis aí o leão, símbolo de Singapura. "Singa Pura" significa exatamente "Cidade Leão" em sânscrito. Desde a Antiguidade, mercadores indianos, chineses e malaios comerciam por esta região, passando aqui pelo Estreito de Malacca entre a ilha de Sumatra e a pontinha da península malaia, onde Singapura está (ver post anterior). Esta é uma localização comercial estratégica. Os portugueses necessariamente passavam por aqui para chegar até a China e o Japão, e depois os seguiram os holandeses e, por fim, os ingleses. Estes no século XIX precisavam necessariamente cruzar este estreito para vender ópio cultivado nas Índias aos chineses. Nos idos de

Kuala Lumpur, Malásia: Passeando pela capital malaia e vendo de perto as Torres Petronas

Perdoem-me começar o post com uma mentira. Eu não amo K.L.. Eu gostei de algumas coisas da cidade, mas dizer que a amo seria falsidade. Fiquei instalado no centro da capital malaia, nos arredores de sua Chinatown. (Como eu já coloquei antes, não faltam chineses que vivem há séculos nestas proximidades do Estreito de Malacca.) Estamos numa megalópole de 7 milhões de habitantes em toda a região metropolitana, e — como você há de imaginar — esta metrópole de Terceiro Mundo tem seus altos prédios, luxuosos, mas também uma renca de pessoas pobres no chão e vizinhanças subdesenvolvidas. É uma cidade de

Visitando o belo Kek Lok Si, o maior templo budista da Malásia

Era um dia nublado de chuviscos quando eu resolvi ir à Colina de Penang e, de lá, vir conhecer o Kek Lok Si, o maior templo budista de toda a Malásia. Ele fica em meio a colinas bastante verdes, entrecortadas por estradas, e com algo de urbanização desordenada (à là Terceiro Mundo) aparecendo aqui e ali. Você caminha pelas barracas que mostrei no post anterior e depois por umas beiras de estrada, mas nada muito longo. No total, é uma caminhada de seus 30-40 minutos separando a subida para a Colina de Penang e a entrada do templo. Você verá o

Em Penang Hill, Malásia: Conhecendo um templo hindu por dentro e comidas de rua

Depois de tanto circular por Georgetown, cidade histórica deste entreposto comercial e cultural que é a ilha de Penang, era hora de ver o que mais o lugar oferece. Fora da cidade, o lugar mais visitado aqui é Penang Hill, ou Colina de Penang, um ponto alto no centro da ilha, onde há vistas panorâmicas, um trenzinho, comidas de rua, e templos. Um programa bem família, que eu fui conferir. Normalmente, é melhor que você vá num dia claro, limpo, que lhe permita uma vista melhor sobre a cidade. Eu, no entanto, havia visto algo previsão de trovoadas nos dias seguintes

Georgetown, Penang, Malásia (Parte 4): Mansões coloniais e templos budistas birmanês e tailandês

[Continuação de Georgetown, Penang, Malásia: Onde as culturas chinesa, hindu, e malaia islâmica convivem, Georgetown, Penang, Malásia (Parte 2): Comidas, curiosidades e templos, e Georgetown, Penang, Malásia (Parte 3): No meio do povo nestas terras tropicais] Estas terras tropicais têm de tudo. Eu já havia visto bastante aqui em Georgetown, mas não tudo. Embora as culturas malaia, chinesa, e hindu tâmil sejam mesmo as dominantes nesta região dos Estreitos de Malacca (incluso em Singapura), há outras também. Dentre essas outras estão os birmaneses (do atual Myanmar, antiga "Birmânia") e tailandeses budistas que se instalaram aqui. Se você sentiu falta do budismo no pot-pourri de

Georgetown, Penang, Malásia (Parte 3): No meio do povo nestas terras tropicais

[Continuação de Georgetown, Penang, Malásia: Onde as culturas chinesa, hindu, e malaia islâmica convivem, e Georgetown, Penang, Malásia (Parte 2): Comidas, curiosidades e templos.] Pelas ruas da colorida Georgetown você encontra de quase tudo. Acho que já dei a entender isso mostrando a grande mistura de religiões aqui e alguns exotismos curiosos, como suco de noz-moscada. Era hora de ir mais a fundo na cidade, vendo mais dos seus tons, e não há maneira melhor de fazer isso que misturando-se ao povo. Após o meu religioso café da manhã chinês no boteco em frente ao meu albergue, hoje eu cruzaria com fundamentalistas islâmicos e

Georgetown, Penang, Malásia (Parte 2): Comidas, curiosidades, e templos

(Continuação de Georgetown, Penang, Malásia: Onde as culturas chinesa, hindu, e malaia islâmica convivem) Estamos em Georgetown, na ilha de Penang, Malásia, quase sob a linha do equador. É como acordar com aquela umidade do norte do Brasil, só que com cheirinho de incenso. Cedo os dois homens que geriam o albergue já haviam acendido o pequenino altar chinês de bons auspícios no chão, ao lado da recepção. O meu café da manhã era com os chineses. Perto do meu albergue, num boteco do outro lado da rua, chineses de todas as sortes reuniam-se nas mesas de bar de manhã para comer macarrão no

Georgetown, Penang, Malásia: Onde as culturas chinesa, hindu, e malaia islâmica convivem

Bem vindos à Malásia! Após andanças pela Coreia do Sul, era hora de um canto mais tropical da Ásia. Eu cheguei por uma das mais fascinantes cidades por onde já passei no mundo (e olhe que não foram poucas). Georgetown, na simpática ilha de Penang, Malásia, não impressiona por seus arranha-céus ou vida urbana moderna; na verdade, trata-se de uma cidade pequena. O que impressiona em Georgetown é um cosmopolitismo estabelecido de diferentes culturas asiáticas que convivem aqui há séculos: chineses, malaios, hindus, entre outros.  Eu já havia, em Sarajevo, escutado o sino da igreja e o chamado da mesquita ao mesmo tempo.

Em Gyeongju, cidade histórica no interior da Coreia do Sul

Cheguei de ônibus a Gyeongju, uma cidade histórica no sudeste da Coreia do Sul. Por nada menos que 1.000 anos ela foi a capital do Reino de Silla (57 a.C. - 935 d.C.), no tempo em que a Coreia ainda não era unificada. Ela chegou a ser a quarta maior cidade do mundo em sua época, um período que viu o budismo como religião oficial aqui. Hoje, eu cheguei esperando encontrar uma cidade histórica nos moldes das pequeninas cidades históricas europeias, mas na prática me deparei com o que mais parecia uma cidade-resort de montanha — com lojas modernas de marca, pessoas

Busan, no sul da Coreia do Sul, e o templo budista Haedong Yoggungsa à beira-mar

Bem vindos à segunda maior cidade da Coreia do Sul, após a capital Seul. Busan [às vezes pronunciado Pusan pelos coreanos] fica no litoral, e é uma cidade de médio porte com seus 3,5 milhões de habitantes na área metropolitana.  Cheguei num dia de sol após tomar o eficiente trem KTX desde Seul. Os trens coreanos são rápidos, confortáveis, e bem mais baratos que os japoneses (onde andar de trem é mais caro que avião). À praça da estação, um grande monumento em formato de polvo, um dos símbolos da cidade.  É uma cidade para quem gosta de (comer) frutos do mar.

Conhecendo Seul, Coreia do Sul (Parte 4): Visitando seus templos budistas

O budismo é uma das grandes religiões históricas na Coreia, junto com o cristianismo (sim), o confucionismo, e o xamanismo. No entanto, ao contrário do que você pode imaginar, o budismo na Coreia nunca foi dominante, e sempre encontrou forte competição. Ele aqui jamais atingiu o nível de aceitação que veio a encontrar na China ou no Japão, por exemplo. O budismo surge onde hoje são o Nepal e a Índia no século VI a.C., e chega à Coreia especificamente em 372 d.C. Até então, os coreanos eram predominantemente xamanistas (na verdade, ainda são), ou seja, veneravam espíritos da natureza e

Hong Kong: O Mosteiro Po Lin na montanha e o Grande Buda de Tian Tan, na Ilha Lantau

Uma das atrações mais fenomenais em Hong Kong é o Grande Buda de Tian Tan, numa das montanhas dos arredores da cidade. São 34m de bronze do Buda sobre uma flor de lótus, numa localidade cheia de verde e visível à distância. Tian, vocês já viram no post anterior, é o conceito chinês de "céu" ou "mundo espiritual". Tian Tan quer dizer "altar do céu", e este modela um templo budista do século XV em Pequim que leva esse nome. Caso você esteja admirado(a) de ver tanto verde numa metrópole densa como Hong Kong, vale saber que "Hong Kong" não é só a cidade

Visita a um templo taoísta (Wong Tai Sin) em Hong Kong: Conhecendo a religião tradicional chinesa

A religião tradicional chinesa é das mais antigas do planeta, e praticada por mais de 1 bilhão de pessoas. Ainda assim, nós no Brasil (e no Ocidente em geral) quase nada sabemos sobre ela. Não me refiro ao budismo, que é adotado por apenas 15% da população na China. O que três-quartos dos chineses praticam é outra coisa. Eu muito ouço no Brasil as pessoas dizerem que a China é um "país ateu". Bobagem. Primeiro, se estivermos falando de uma religião oficial de estado, a China é laica como são o Brasil ou os Estados Unidos (diferentemente de países como Irã ou Arábia

Bem vindos a Hong Kong: Entre prédios, templos e jardins no dia do aniversário de Buda

Bem vindos a Hong Kong, uma das grandes metrópoles mundiais. "Asia's Global City", eles aqui gostam de dizer, e sem dúvidas um dos maiores centros financeiros do planeta. (O banco HSBC, caso você não saiba, quer dizer Hongkong and Shanghai Banking Corporation.) Embora faça parte da China, Hong Kong oferece uma versão mais light do país. Trata-se de uma "região administrativa especial", com seu próprio controle de fronteiras, certa autonomia política e econômica, moeda própria (Hong Kong dollars), e sem os bloqueios e censuras de Pequim na Internet. Portanto, Facebook, YouTube e Google aqui funcionam. Além disso, não é necessário visto para vir visitar

Entre o chá verde e o ópio, no extremo norte da Tailândia

Eis uma visão das mais asiáticas: uma plantação de chá verde. Eu comentei anteriormente (ver Visitando Chiang Mai, a cidade mais "cool" da Tailândia) como este norte do país é mais pacato, relax, e dado mais a budismo & natureza do que o badalado sul, das praias ou da vida noturna de Bangkok. Esta plantação com as colinas deste extremo norte tailandês ao fundo ilustram bem. Há, contudo, uma "sombra" histórica aqui pouco conhecida no Ocidente, mas que paira nesta parte da Ásia do mesmo jeito que a cocaína arrebenta a América Latina. Trata-se da produção de ópio e seus derivados. Este miolo do

Chiang Rai e o fabuloso templo branco “pop” Wat Rong Khun

Veja se o templo não parece saído de alguma fábula, encantador e ao mesmo tempo misterioso. O Wat Rong Khun, mais conhecido como "o Templo Branco", é o trabalho ainda em andamento de um artista tailandês contemporâneo, Chalermchai Kositpipat. Misturando elementos budistas e da cultura pop (você verá), esse senhor daqui da cidade de Chiang Rai diz que seu projeto só será concluído em 2070. Deve estar querendo ser o Gaudí asiático, cuja obra na Sagrada Família segue ainda décadas após a sua morte. 
Estamos no extremo norte da Tailândia, a poucas horas de viagem de Chiang Mai. Chiang Rai é

Visitando Chiang Mai, a cidade mais “cool” da Tailândia

Chiang Mai provavelmente é a cidade tailandesa favorita dos estrangeiros, o que é uma faca de dois gumes. O clima ameno do norte da Tailândia, seus templos, natureza ao redor, e ruas (bem) mais tranquilas que as de Bangkok dão o tom. Chegando lá logo sentimos o ar fresquinho, muito diferente do calor tropical úmido da capital. Por outro lado, há mais taxistas perguntando "Wé yu go?" na rua e restaurantes com preços e sabores "ajustados" para turistas. 
Na estação, você precisará tomar uma das caminhonetes vermelhas que servem de táxi na cidade. (Há táxis propriamente ditos, mas estes são mais caros. Já

Bangkok de dia: Os lindos templos budistas da Tailândia e o famoso Buda deitado

Bangkok é uma cidade que se transforma do dia para a noite. Durante o dia, temos uma cidade quente, moderna, de altos prédios reluzentes, combinada a uma de visível pobreza, com muitos mendigos na rua e casebres de madeira às margens do rio. Os lindos templos budistas são o que de mais belo há para se ver aqui nestas terras tropicais. O budismo tailandês sinceramente lhe proporciona um espetáculo difícil de superar por qualquer outro país. Vamos por partes. Primeiro, prepare-se para o calor. Bangkok é uma metrópole tropical, calor nível Rio de Janeiro ou Nordeste do Brasil. Mesmo no inverno

O Zoroastrismo, as Torres do Silêncio e o Templo do Fogo em Yazd

Esse aí sou eu em frente ao Templo do Fogo (Atashgah) de Yazd, Irã, no dia em que conheci Zaratustra. Assim falou Zaratustra (1885) é o título do mais famoso livro do filósofo alemão Nietzsche. A filosofia do livro — que, em grande medida, sintetiza o pensamento de Nietzsche — no entanto é o total oposto do que pregou o verdadeiro Zaratustra (chamado Zoroastro pelos gregos). Esse filósofo da Pérsia Antiga, que dizem ter vivido em algum momento entre 1000-600 a.C., foi o primeiro a articular os conceitos de Bem e Mal como algo metafísico, que rege o universo, e criar assim a ideia de moralidade, de

Na ilha de Miyajima, sul do Japão

Saí do Memorial da Paz em Hiroshina e fui jantar num restaurantezinho pequeno com ar de boteco no centro da cidade. Um dos donos estava por trás do balcão e o outro sentava numa das mesas, com uma toalha branca jogada sobre o ombro, limpando a mão e assistindo televisão (visualizou?). Como em quaisquer desses lugares no Japão, ninguém fala inglês. O jeito é ir pelas figuras do cardápio ou arriscar-se a uma das inúmeras sopas de macarrão em que você não sabe exatamente o que vem dentro. Os riscos não são tão altos, mas pode ser que venha algo tipo

Nara, a primeira capital e o maior Buda do Japão

Nara é uma cidade bastante budista. Ela foi a primeira capital do Japão (710-794 d.C.), antes mesmo de Kyoto. Durante os anos 600 o Japão recebeu forte influência da China: administração centralizada, técnicas e estilos arquitetônicos, e também as filosofias confucionista e budista. A China estava experimentando uma era de ouro, de unidade e de muito desenvolvimento intelectual e organizativo com as dinastias Sui (581-618) e Tang (618-907), e muito disso se filtrou para o Japão. A corte imperial Japonesa assim empreendeu uma série de reformas (as chamadas "Reformas Taika") para consolidar seu poder central, adotando princípios de administração chinesa. Nara

Kyoto, Japão (Parte 4): O Fushimi Inari Taisha, dos “mil portais”, o templo do filme Memórias de uma Gueixa

Kyoto tem centenas de templos, entre budistas e xintoístas. É cada um mais lindo que o outro, muitos deles inclusive inscritos na UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade — e não é sem razão. No entanto, depois de um ou dois dias visitando templo atrás de templo, você inevitavelmente terá vontade de ver algo diferente. Leve isso em conta quando você planejar a sua visita à cidade. Faça como fizer, entretanto, ao meu ver o templo que você não pode deixar de ver é o Fushimi Inari Taisha, conhecido como o "templo dos mil portais", onde foram gravadas cenas do filme

Kyoto, Japão (Parte 3): Entre comidas japonesas e os bosques de bambu de Arashiyama, com o Pavilhão Dourado (Kinkaku-ji)

Naquela tarde em que encerramos a visita ao Pavilhão de Prata (Ginkaku-ji), fomos logo à rua comer. Os templos no Japão todos fecham às 4 ou 5h da tarde no inverno (normalmente, templos budistas se fecham ao pôr do sol). (Ver Kyoto, Japão: Jardins Zen, o Caminho do Filósofo, e o Pavilhão de Prata.) Brasileiros que acham que churrasquinho de beira de calçada só existe no Brasil estão enganadíssimos. Os japoneses ADORAM. Um de nós foi no churrasquinho (que, aqui, acredito eu não serem de gato), e todos fomos jantar num restaurante tradicional. No dia seguinte, iríamos ao lado oeste de Kyoto,

Kyoto, Japão (Parte 2): Os Jardins de Rocha Zen

Os Jardins de Rocha são uma das demonstrações mais curiosas da estética Zen. O Zen, como eu disse no post anterior, é uma vertente do budismo que enfatiza a meditação, o auto-controle e o auto-conhecimento. É muito popular no Japão há mais de um milênio (embora tenha surgido na China), e presente na maioria dos templos que se encontram em Kyoto. Nós conhecemos bem os jardins zen — aqueles ambientes japoneses com plantas, moinhos de bambu, pequenos lagos e muita tranquilidade no entorno de templos budistas (ver Kyoto, Japão: Jardins Zen, o Caminho do Filósofo e o Pavilhão de Prata). Os Jardins

Kyoto, Japão (Parte 1): Jardins zen, o Caminho do Filósofo, e o Pavilhão de Prata (Ginkaku-ji),

Após chegar a Kyoto no trem-bala japonês, o shinkansen, visitar à noite o bairro das gueixas e fazer uma caminhada no dia seguinte pelo Monte Kurama com direito a banho nu nas termas, era hora de finalmente conhecer mais da cidade. Kyoto é a cidade mais tradicional do Japão. Do ano 794 a 1868 ela foi a capital do país, a residência do imperador, até este ser transferido para Edo (rebatizada então de Tóquio, "capital do leste") àquele ano com a Restauração Meiji. Kyoto é, portanto, tudo aquilo que há de mais tradicional no Japão, aquele Japão "medieval" dos samurais,

Indo ao Monte Kurama e ao banho nu nas fontes termais

(Fico a me perguntar se alguém vai abaixar correndo a barra de rolagem pra ver se tem alguma foto de mim sem roupa. Não, não tem, sinto o desapontamento ;-)). Kyoto fica num vale, e é cercada por colinas verdes. A foto não me deixa mentir. Essas construções de arquitetura japonesa em meio à natureza são algo ímpar. Passam uma paz imensa. Na primavera é mais movimentado, porque milhões de deslocam para vir ver as cerejeiras em flor; mas no inverno é mais tranquilo, então a paz é maior. Você tem várias vezes o lugar só para si. Na verdade, eu acabei vindo visitar

Chegando a Kyoto e indo a Gion, o bairro tradicional das gueixas

Kyoto, a lendária capital imperial japonesa. A cidade foi o coração do poder e da tradição deste país de 794 a 1868, portanto por mais de 1000 anos. Apenas a Restauração Meiji no século XIX mudou a capital para Tóquio, no processo de modernização japonês. Tudo que há de mais tradicional no Japão, portanto, está aqui em Kyoto. Aí incluem-se as gueixas, as tradições zen-budistas, e muito mais. 
Mas um alerta: Você que, como eu, é fã da cultura japonesa deve imaginar Kyoto sendo aquela cidadezinha tradicional, bucólica, pequena e só mesmo com coisas históricas. Ledo engano. Kyoto hoje é uma cidade moderna e reluzente, mas que guarda

Kamakura e o festival do arremesso de feijão

Era um belo domingo de sol, apesar de ser inverno. E não era um domingo qualquer: era dia de Setsubun, a festa anual do arremesso de feijão. Essa festa celebra o final do inverno e o começo da primavera — e, portanto, o começo de um novo ano. Nesse dia os japoneses lotam os templos para assistir a rituais, para beliscar comidas em barraquinhas montadas, ou simplesmente para saber a sorte (os japoneses ADORAM mexer com a sorte: adoram um joguinho de azar, amuletos protetores, ver as previsões para o futuro... essas coisas). 
E é claro que eu não ia ficar de fora. Minha sorte,

Indo ao templo no Japão: Xintoísmo e Budismo em Tóquio

Ir ao templo aqui no Japão é um programa muito mais corriqueiro que ir ao templo (à igreja) no Brasil. Excetuando-se alguma ocasião especial como os festivais, é algo bem casual: passear nos jardins, lavar as mãos na água sagrada, talvez acender um incenso, fazer uma prece diante do altar, e tirar um papelzinho da sorte. Parece uma espiritualidade pessoal de dia-dia (como no caso dos Celtas ou dos índios das Américas), mais do que uma religião instituída e organizada no caso das igrejas cristãs, do judaísmo ou do islã. 
Eu sempre fui fã do animismo japonês, e não podia ficar

Bali, Indonésia: Danças, praias, flores & templos à moda hindu local

Bali. Este é o destino da grande maioria dos turistas que vêm à Indonésia. Não é difícil entender o porquê: Bali parece uma mistura de Índia com Havaí, e mescla tanto religião e cultura quanto festas à beira da praia com guirlandas de flores no pescoço. 
Esta ilha, localizada a leste de Java (a principal da Indonésia), tem cerca de 150 x 100km de extensão, e uma série de pecularidades. No post anterior eu mencionei que a Indonésia, antes de se tornar islâmica, era hindu e budista. Pois então: os balineses nunca se converteram, e permanecem hinduístas até hoje. Mas é um hinduísmo diferente.

Borobudur, o maior templo budista do mundo, na Ilha de Java (Indonésia)

No post anterior eu relatei a minha visita a Prambanan, o milenar complexo de templos hindus nos arredores de Yogyakarta, no centro da ilha de Java. Aquilo era um fim de dia. Na calorosa manhã tropical do dia seguinte, nós iríamos a Borobudur, um magnífico templo ainda mais antigo, desta vez budista. Ele acontece de ser o maior templo budista do mundo. Borobudur data de 800-825 d.C., e tem um conceito bem interessante. São nove plataformas formando uma espécie de pirâmide, e em cada uma delas há ilustrações esculpidas mostrando aspectos da vida de Buda e, em geral, da vida humana.

O Prambanan, próximo a Yogyakarta, e o passado hindu da Indonésia

Muito antes de os cambojanos Khmer erigirem o famoso Angkor Wat, que recebe milhões de turistas ao ano, aquela arquitetura hindu antiga encontrava representação aqui na ilha de Java com o Prambanan, um dos mais belos monumentos do país e de todo o Sudeste Asiático. Se o grande monumento no Camboja data do século XII, este aqui na Indonésia é ainda mais antigo, de 850 d.C. Fica ao lado de Yogyakarta, e é uma visita linda. Engana-se quem pensa que o hinduísmo foi (ou é) algo restrito à Índia. Tal como o Cristianismo espalhou-se desde a Palestina, a matriz religiosa hindu fez o

Bangalore: Diwali, templo Hare Krishna, e os cristãos da Índia

Eu não acho que nenhum país do mundo seja um mosaico de religiões tão grande quanto a Índia. A gente costuma agrupar tudo sob "hinduísmo" — um nome deveras genérico e que esconde particularidades regionais importantes —, e nos esquecemos de que aqui há cristãos, muçulmanos, budistas, jainistas, e tantas outras gentes de denominações diversas vivendo juntos. "A gente não tem problema nenhum com o cristianismo. Por que teria? A gente já tem tantos deuses. Jesus é só mais um.", disse-me certa vez um indiano hindu que morou comigo. Óbvio que para um cristão Jesus não é "só mais um", mas não

Hyderabad, Telangana: Bem vindos ao sul da Índia

Este sou eu em meio aos indianos do sul, com suas típicas peles (mais) escuras e uma integração de gêneros algo melhor que no norte do país.  Deixe para trás os mausoléus como o Taj Mahal e outras marcas da presença islâmica na Índia, tão dominante no noroeste e norte do país. Lembre-se, em vez disso, dos portugueses e da terra aonde chegaram em 1498, com Vasco da Gama. Ele encontrou pelo mar o que árabes, persas, romanos e chineses já haviam conhecido há muito tempo: uma terra quente e de coqueirais, cheia de uma gente escura, rica em cores vivas

Conhecendo Sarnath (Índia), onde o Budismo começou

Siddhartha Gautama nasceu em Lumbini, hoje no Nepal, em meio às montanhas dos Himalayas, em 563 a.C. Esse príncipe de família nobre, ao ver o sofrimento humano dos pobres acometidos por doenças, pela velhice e pela morte, abandonaria sua herança material para dedicar-se à busca espiritual e tornar-se o Buddha (na língua pali, "o desperto"). O Buddha teve um papel fundamental na religiosidade mundial por ter sido o primeiro a fazer o ser humano olhar para dentro de si, em vez de para deuses lá fora, na busca pela transcendência espiritual. Numa época em que todos preocupavam-se sobremaneira com rituais, formalismos,

O Rio Ganges em Varanasi e Sangam: Um aniversário inusitado na sagrada confluência de três rios na Índia

Hoje eu acordei para o meu aniversário. Na Índia. Meu primeiro e único aniversário celebrado na Ásia até agora.  Eu me programei a propósito para estar na sagrada cidade de Varanasi para a ocasião. Em meus sonhos mais audaciosos, eu nadaria no célebre Rio Ganges para me livrar das impurezas. A realidade, é claro, quando eu vi o rio, foi de que eu me poluiria como nunca antes na vida se o fizesse. (Uma amiga chegou até a me zoar, enviando-me a música dos Titãs - O Pulso, cuja letra é uma sequência de nomes de doenças seguidas de "o meu pulso

Bem vindos a Varanasi, a cidade mais sagrada da Índia, à margem do Rio Ganges

O Rio Ganges. Um dos mais importantes do mundo. Provavelmente o mais festejado — a ponto de ser considerado um deus pelos hindus. Ou melhor, uma deusa, "Mãe Ganga", e reverenciado como tal. Ao mesmo tempo, um dos afamados rios mais sujos de todo o mundo (dentre aqueles em que as pessoas ainda entram para nadar, é claro). 
Varanasi, cidade continuamente habitada há 8.000 anos. Disputa com outras no Oriente Médio o título de mais antiga habitação humana. Cidade sagrada para os hindus, a ponto de considerarem que morrer aqui é auspicioso: você vai direto para os planos mais altos e sua

Em Jaisalmer, a cidade cor de areia no Grande Deserto de Thar (Rajastão, Índia)

Era chegada a hora de adentrar pra valer o Grande Deserto de Thar, o deserto do Rajastão, na fronteira entre a Índia e o Paquistão, onde por milênios transitaram caravanas e mercadores que iam aqui das Índias ao Oriente Médio. Lá há basicamente uma cidade, Jaisalmer, e é pra onde que eu fui. Saí de Jodhpur para cinco horas e meia de ônibus, que dessa vez pareceram durar o dobro. Como a Índia é hiper-povoada, há gente e vilarejos por toda parte, então os ônibus param a todo momento. O cobrador, um rapaz de seus 20 anos com jeito de garoto da

Em Pushkar, a cidade sagrada indiana onde é proibido comer carne

Diz a lenda que Brahma, o deus criador hindu, certa vez deixou cair uma flor de lótus na terra, e a cidade de Pushkar apareceu. Estamos numa cidade indiana considerada sagrada onde é proibido comer carne ou consumir álcool. (Os hindus geralmente já têm essas duas proibições. Muitos são vegetarianos completos, vários são abstêmios, e quase nenhum come carne de boi. Aqui em Pushkar, essas restrições são levadas mais a sério.) Eu estava com a família dos Mathur em Ajmer, interior do estado do Rajastão, e a um pulo de Pushkar. Vinte minutos de ônibus ou carro separam as duas cidades.

O Forte Amber, seus elefantes e palácios, perto de Jaipur

O Forte Amber, nas colinas perto de Jaipur, é um dos sítios mais belos não só do Rajastão como de toda a Índia. Seu nome não é pela resina de âmbar, mas advém da deusa hindu Amba, homenageada quando o forte foi erigido em 1592. Era daqui que a região era governada antes de Jaipur ser fundada em 1727. De um lado, o Portão do Sol, a entrada no leste. Do outro, o Portão da Lua, que leva à vila que se formou nesses arredores, com templos e comércio. No interior do forte também muitas áreas, com jardins, pavilhões, torres e uma

Hinduísmo, o Templo de Lótus em Délhi, e a Fé Bahá’í

Em matéria de religião, talvez nenhum país do mundo tenha a diversidade ou o "colorido" da Índia. A própria religião hindu, que você crê ser algo monolítico (acostumado que está com as religiões ocidentais mui sistematizadas), na verdade é uma "colcha de retalhos". Ela pode ter princípios gerais (ex. reencarnação) e escrituras antigas sagradas (ex. os Vedas), mas é repleta de variedades regionais muito diversas. Cada região da Índia tem práticas e rituais de um jeito. E, não esqueçamos: são milhares (alguns dizem milhões) de deidades distintas. O que o Ocidente acostumou-se a chamar de "hinduísmo" é, na verdade, toda uma matriz cultural — semelhante

Chegando à Índia: Com família indiana em Nova Délhi, e indo ao Templo de Akshardham

Are baba, cheguei à Índia! País chocante. Se você acha que o Brasil é esculhambado, não sabe de nada, inocente. A Índia muda todos os seus parâmetros. Definitivamente, um país desafiador. Ao mesmo tempo, é um país riquíssimo em cultura, cheio de particularidades, e desde 2009 muito curioso aos olhos dos brasileiros após a novela global Caminho das Índias. Eu estarei aqui pelos 3 próximos meses, e compartilharei com vocês as minhas impressões conforme minhas andanças pelo país. 
Meu primeiro pit-stop é Nova Délhi, a capital, cidade de nada menos que 22 milhões de habitantes. Esse pandemônio que você vê ali na

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