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Para além da Sibéria: Rumo ao Leste Distante da Rússia

O que há para além da Sibéria? Consideramos a Sibéria tal "fim de mundo" que às vezes esquecemos que há ainda mais um tanto de Rússia depois dela, até o Oceano Pacífico. O que haveria ali? Nada? Eu me lembro que, há alguns anos na Europa, conheci uma sorridente garota russa encantada por conhecer um brasileiro. (O Brasil goza de muito boa fama dentre os russos.) Ela me disse ser do "Leste Distante", quando lhe perguntei de que parte da Rússia era. "Leste Distante?", fiquei eu a cogitar, deduzindo o significado mas ouvindo aquele termo pela primeira vez na vida.  Pois bem,

Trens na Rússia: Ferrovia Trans-Siberiana, como comprar online, o que levar, e outras dicas

Viajar de trem é uma delícia, e a Ferrovia Trans-Siberiana é nada menos que a maior do mundo. São mais de 9 mil quilômetros entre Moscou e Vladivostok, na costa do Pacífico, e isso sem falar nos caminhos para a Mongólia e a China. (Fica a dica para quem acha que trem no Brasil não daria certo porque "as distâncias são muito grandes".) Já tendo vindo três vezes à Rússia e passado um total de meses cruzando o país, eu resolvi fazer este pacote de dicas e observações para quem pretende viajar aqui de trem. Eu falarei dos trens russos em geral

No trem da Sibéria (Rússia) à Mongólia: Paisagens e imigração

Viajar de trem pela Rússia é a experiência de uma vida. Suas longas estepes, estas planícies casadas com aquelas da Mongólia e do Cazaquistão, são chão por onde migraram um sem-fim de povos, passaram incontáveis mercadores, viajantes históricos como Marco Polo, e por onde as civilizações trocaram milênios de mercadorias e influências culturais através da Rota da Seda, que ia até a China. Hoje já não se usam mais caravanas, mas para cruzar essas distâncias estão aí os trens.  Embora os trens russos (e mongóis) não sejam de altíssima velocidade (e é até melhor que não sejam, pois fica mais idílico e

A experiência de dois dias num trem russo trans-siberiano, de Ekaterimburgo a Irkutsk

Três mil e quinhentos quilômetros (3.500Km) separam Ekaterimburgo e Irkutsk, cidade no coração da Sibéria. Para efeito de comparação, é a mesma distância entre Curitiba e Fortaleza no Brasil, que aqui na Rússia você faz em dois dias de trem. É a partir desse trecho que a Ferrovia Trans-Siberiana começa a ficar efetivamente trans-siberiana. Eu até aqui já tinha feito viagens de trem que considerava longas — como as 24h num trem indiano que narrei anteriormente ou as 33h que levei de Amsterdã a Minsk, na Bielorrússia. A Rússia, no entanto, sempre muda os seus parâmetros. A experiência de passar tanto tempo dentro de um

Viajando sem carro, de trem e ônibus pela Nova Zelândia

A primeira coisa que me perguntei quando decidi viajar à Nova Zelândia foi o quanto eu conseguiria visitar sem carro. Quase todos os relatos, em inglês ou português, descrevem viagens em carro próprio ou alugado. (E isso é, de fato, fácil de obter. Alugar carro na Nova Zelândia é bastante simples, as estradas são boas, e há até quem compre um carro usado por 1 ano e o venda antes de deixar o país.) No entanto, nem todo mundo dirige ou quer dirigir num país alheio. A resposta é: Sim, é perfeitamente possível visitar a Nova Zelândia em transporte coletivo, sem

Rumo a Wellington: A capital da Nova Zelândia e o espetacular museu “Te Papa”

Tinha tudo pra ser um dia lindo. O sol raiava, era uma manhã fresquinha, e eu me preparava para embarcar numa cênica viagem de trem desde Auckland até Wellington, a capital neozelandesa, no extremo sul da Ilha Norte do país.  Começou bem. Todos os trens são cênicos e turísticos na Nova Zelândia: como é habitual nos países de língua inglesa, há um predomínio do automóvel e das estradas, mas aqui há linhas especiais de trem nas quais turistas podem fazer uma viagem mais gostosa apreciando a paisagem. Há comentários em inglês e mandarim (o que achei revelador), e o trem era

Busan, no sul da Coreia do Sul, e o templo budista Haedong Yoggungsa à beira-mar

Bem vindos à segunda maior cidade da Coreia do Sul, após a capital Seul. Busan [às vezes pronunciado Pusan pelos coreanos] fica no litoral, e é uma cidade de médio porte com seus 3,5 milhões de habitantes na área metropolitana.  Cheguei num dia de sol após tomar o eficiente trem KTX desde Seul. Os trens coreanos são rápidos, confortáveis, e bem mais baratos que os japoneses (onde andar de trem é mais caro que avião). À praça da estação, um grande monumento em formato de polvo, um dos símbolos da cidade.  É uma cidade para quem gosta de (comer) frutos do mar.

Viajando de trem no Egito: 12h do Cairo a Luxor durante o dia

Viajar de trem no Egito é fundamental. O país não é apenas o Cairo. Seja qual for o seu interesse (seja o Egito Antigo ou o Egito atual), é preciso visitar o interiorzão do país para conhecê-lo melhor. Tudo aqui continua a funcionar com base no Rio Nilo. Ele continua a ser a artéria que conecta o país de norte a sul. Às suas margens vive a maioria da população egípcia e passam as principais rodovias e ferrovias do país. De trem você segue paralelo ao rio, o entrecruzando aqui e ali conforme vê a simplicidade (e, muitas vezes, a pobreza) do interior do Egito. Eu

No meio do povo na Tunísia: Viajando de trem (ou não), e chegando a Sousse

Achei de viajaria de trem aqui na Tunísia. E no fim das contas acabei viajando, mas por muito tempo tive dúvida. Era a minha viagem de mochila e cuia para Sousse, cidade mais a sul na Tunísia, desde a capital Túnis nesta manhã de início de primavera. Cheguei cedo para o trem. Sairia às 9:30h, mas eu resolvi chegar pelo menos meia hora antes pois eu já tinha compra a passagem não havia lugar marcado. Melhor antecipar-se às massas. Conforme o tempo passava e o trem não vinha, vinham mais e vinha a certeza do pega-pra-capar que seria na hora que o trem

Viajando de trem na Tailândia: Rumo ao norte

O norte da Tailândia é bastante diferente do sul do país, ou de Bangkok. Precisa ser visitado para você ter uma noção geral do país. Aqui há mais influência chinesa, uma culinária ligeiramente distinta, e um ar subtropical de colinas verdes, com santuários de tigres e de elefantes. Ponha de lado por ora o clima de luzes e festas da capital. O trem é uma ótima forma de viajar de Bangkok a Chiang Mai. Confortável, relativamente barato, e mais cênico que o avião. A viagem dura coisa de 10h, e há opções de trem durante o dia ou durante a noite.

No Andean Explorer, o charmoso trem pelas montanhas do Peru

As brumas se juntavam conforme avançávamos dentre as montanhas. Entre Puno e Cusco, no Peru, está talvez a melhor rota de trem da América do Sul. São 8h de uma viagem confortável margeando os Andes, seus rios e montanhas, e passando por vilarejos bucólicos. O custo da passagem pode ser ligeiramente alto (ver preços atuais em PeruRail.com), mas vale muito a pena. 
Você compra tudo online, com cartão de crédito, e leva um voucher impresso em casa para trocar pelas passagens cá no Peru (em Puno ou em Cusco). Lembre-se de ter consigo o cartão de crédito usado na compra. Eu

Desbravando a verdadeira Rússia: Um dia em Novgorod

Moscou e São Petersburgo te mostram uma Rússia portentosa, ostentando riquezas e belezas, mas saiba que aquilo não é representativo da Rússia em geral. A grande parte da Rússia é humilde, de infraestrutura simples (frequentemente malacabada, da era soviética, pra dizer a verdade). Portanto, longe das áreas turísticas de São Petersburgo e Moscou é que você terá contato com gente, comidas e ambientes mais autênticos russos. Pra isso, uma boa pedida é dar um pulo em Novgorod, convenientemente localizada entre as duas metrópoles. 
Pra começar, certifique-se de que seu trem vai para Veliky Novgorod e não Nizhny Novgorod, que é uma outra

Praias romenas, trens quebrados, e ciganos

A Romênia é um destino mais interessante do que se imagina. Eu comecei minha visita por Bucareste, a capital, seguida da Transilvânia, a região mais interessante do país e repleta de lindas cidades históricas e belas paisagens naturais — além da história do Drácula pra atrair muitos turistas. Essas partes foram relatadas já há algum tempo, e eu nunca terminei. Mas agora finalmente chegou a hora. (Pra quem não conferiu ou quiser reler os anteriores: Chegando à Romênia: Bucareste, o Museu Satului e a Casa Poporului e A Transilvânia: Sinaia, Sishisoara e Brasov) A praia é um elemento indispensável na cultura romena. Quando a temperatura sobe, os romenos

No Shinkansen, o trem-bala japonês, rumo a Kyoto

Era hora de deixar Tóquio em direção a Kyoto, a antiga capital imperial japonesa. E nada melhor para esse trajeto que o shinkansen, o famoso trem-bala japonês. São cerca de 360km (a mesma distância de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro) percorridos em pouco mais de duas horas. O trem vai grande parte do tempo a mais de 200km/h, podendo chegar a mais de 300km/h. Em geral, é mais rápido que a maior parte dos trens de alta velocidade da Europa (embora haja alguns alemães que se equiparam). 
Pegar o trem-bala é uma experiência que se deve ter no Japão, então não

Rumo à Bielorrússia, a última ditadura da Europa

Eu acho que poucos brasileiros sequer sabem que esse país existe. A Bielorrússia é um dos países mais fechados do mundo. Foi "sorte" eu ter conseguido vir aqui, embora não tenha sido nada fácil. Como mostra o mapa ali ao lado, entre a Polônia e a Rússia no leste europeu está a Bielorrússia — às vezes escrito "Belarus", mas que os bielorrussos leem biéla-rus, e não "Belárus" como às vezes fazem erradamente os ocidentais. Bela [biéla] em russo e bielorrusso (línguas bem parecidas) significa "branco", então o nome do país quer dizer Rus branca, um nome medieval de séculos antes de haver a Rússia moderna. Portanto, a ocasional tradução como "Rússia

Yogyakarta: Uma jornada ao centro da ilha de Java, à sua capital cultural

Esse aí na foto é o singelo vulcão Merapi. Não, eu não tirei a foto pessoalmente. Ele explodiu em dezembro de 2010, mas sempre volta a ficar quietinho — até quando, não se sabe. As pessoas aqui de Java Central já se acostumaram a viver com um vulcão por perto. 
Mas o centro de Java reserva mais que um vulcão temperamental. Na verdade, apesar de Jakarta (no oeste da ilha) ser a capital, as belezas culturais e as tradições javanesas estão em sua maior parte no centro da ilha. Não sei qual é a noção de vocês sobre o tamanho de Java, mas a

24h num trem indiano

A incrível jornada. Das praias do sul subindo de volta ao norte até Mumbai, a "São Paulo" da Índia — cosmopolita e coração econômico, mesmo sem ser a capital. Separando-me de Mumbai, 24h de trem. Trem povão, 4ª classe (15 reais a passagem pra esse tempo todo de viagem, por aí você já tem uma idéia). Mas foi uma experiência inesquecível. Saindo da Praia de Kovalam no estado indiano de Kerala, eu ainda passei pela cidade de Coimbatore (nada pra ver lá) e fiz conexão até Chennai, antigamente chamada de Madras (muito pouco pra ver lá também). Estas duas cidades já são

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